A sua fintech está pronta para a Política de Qualidade das Informações?

A sua fintech está pronta para a Política de Qualidade das Informações?

A nova Política de Qualidade das Informações exigirá mais do que adequações regulatórias: demandará governança, integração entre áreas e uma mudança na forma como as instituições gerenciam seus dados.

FG
Fabio Granja

14 de July de 2026 · 3 min de leitura

A Resolução Conjunta nº 18, de 28 de novembro de 2025, estabelece que todas as instituições financeiras e demais instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil devem implementar uma Política de Qualidade das Informações (PQI).

Parece que ainda há bastante tempo, mas já se passaram 8 meses desde a edição da norma, e nossa impressão, aqui na The Sharp Fintech Consultoria, é preocupante, sobre a situação de preparação do ambiente interno de muitos players no mercado.

Temos atendido muitos clientes com problemas devido a críticas e inconsistências em seus relatórios contábeis e não contábeis, por fatores ligados a times enxutos, falta de investimentos em infraestrutura ou mesmo interpretações errôneas. O Bacen está buscando elevar a barra e fomentar a devida atenção aos reportes devidos.

A norma define que a política deve ser compatível com o porte, complexidade e modelo de negócios da instituição, abrangendo dados, documentos e relatórios. Para isso, apresenta 12 dimensões obrigatórias de qualidade da informação, incluindo acurácia, completude, integridade, rastreabilidade, clareza, consistência e tempestividade.

A PQI deve apoiar-se em um sistema de governança robusto, com responsabilidades claramente atribuídas, recursos adequados e estrutura de TI capaz de garantir coleta, validação e transmissão seguras das informações — inclusive em situações adversas. A norma exige também documentação detalhada dos processos, manutenção de dicionário de dados, trilhas de auditoria e mecanismos contínuos de avaliação e monitoramento.

As instituições deverão elaborar relatórios semestrais de qualidade das informações, contendo irregularidades identificadas, medidas saneadoras adotadas e apontamentos realizados pelo Banco Central. Esses relatórios devem ser submetidos ao conselho de administração, diretoria, comitê de auditoria (quando existente) e às auditorias interna e independente, sendo encaminhados ao BCB quando solicitado.

O conselho de administração deve aprovar e revisar a política, prover recursos, garantir aderência aos requisitos regulatórios e promover cultura institucional de qualidade da informação. A diretoria, por sua vez, deve assegurar a efetividade dos processos, realizar testes específicos e acompanhar a correção de deficiências. Cada instituição deverá indicar ao BCB um diretor responsável pela PQI.

As instituições têm até 31 de dezembro de 2026 para se adequar às novas exigências.

O desafio, porém, que esse tema não é de “um único dono”. Ele é transversal nas instituições, passando por TI, governança, controles internos, revisão de processos, e até mesmo estruturas de times e responsabilidades. Ou seja, trata-se de um projeto que deve possuir uma visão holística, desde sua concepção.

A recomendação é agir o quanto antes para atacar esse desafio como projeto institucional.

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