Reunião aberta: pesquisa Retrato da Sustentabilidade no Mercado de Capitais
Sumário Regulatório
Mergulhamos na agenda de sustentabilidade no mercado de capitais: nesta reunião aberta, debatemos os resultados da quarta edição da nossa pesquisa sobre o tema, em parceria com o Datafolha, e entendemos os rumos dessa pauta daqui para frente. A reunião contou com Annelise Vendramini, líder da Rede e professora da FGV; Luzia Hirata, gerente de ESG da Santander Asset Management; e Marcelo Billi, nosso superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação.
Transcrição e Conteúdo
Olá, pessoal. Bom dia a todos e todas. Eh, muito obrigado por terem, por estarem aqui hoje, eh, nessa reunião aberta pra gente conversar um pouco sobre a nossa pesquisa de sustentabilidade. Eh, eu vou fazer só uma abertura inicial aqui, contando um pouquinho para vocês o contexto da pesquisa. Eh, já vou subindo a apresentação aqui e a gente já começa. Eh, bom, essa é uma inicia...
pessoal. Bom dia a todos e todas. Eh,
muito obrigado por terem, por estarem
aqui hoje, eh, nessa reunião aberta pra
gente conversar um pouco sobre a nossa
pesquisa de sustentabilidade.
Eh, eu vou fazer só uma abertura inicial
aqui, contando um pouquinho para vocês o
contexto da pesquisa. Eh, já vou subindo
a apresentação aqui e a gente já começa.
Eh, bom, essa é uma iniciativa que na
ANBIMA ela é coordenada dentro da rede
ANBIMA de sustentabilidade, né? Eh, bom,
a rede foi uma iniciativa da associação
eh para atender uma demanda muito eh
clara, né, e muito forte dos nossos
associados para que aima fizesse uma
discussão mais abrangente, né, eh, sobre
sustentabilidade, uma discussão que
extrapolasse um pouco, né, apenas os
associados e que trouxesse, né, para
perto da ANBIMA todo o ecossistema tema
que tá em torno, né, do assunto, pelo
menos dos temas de [roncando] finanças
sustentáveis para que a gente
conseguisse construir
>> uma agenda mais ambiciosa eh nessa área,
né? Eh, qual é a diferença deste grupo,
né, da rede ambiant de sustentar,
>> eu queria só pedir a gentileza de quem
tá com o microfone aberto fechar, por
favor.
Eh,
eh, a diferença da rede é que ela tem
uma governança um pouco mais flexível,
que permite que a gente traga, né, para
perto da BIMA, paraa participação nesse
fórum, eh, pessoas e instituições que
não são a associadas da ANBIMA, né?
Então, essa é a grande diferença hoje
entre, eh,
outros fóruns, né, e a a que que dos
quais participam só associados, membros
da associação e da rede, né? Obviamente,
quando a iniciativas eh desenhadas aqui
pelos membros da rede, né, exigem alguma
atuação da BIMA nas áreas em que a BIMA
atua, eh advoca-se para o mercado,
construção de autorregulação, de bases
de dados, certificação, educação, a
gente traz para dentro da governança
mais formal da BBIMA para as aprovações
e pra gente começar a fazer, mas muitas
das ideias e, né, e da direção a gente
constrói aqui eh com o pessoal da rede,
né, que tem um um uma visão uma
experiência um pouco mais ampla dos
temas, né? A gente trata de três grandes
temas nas redes, né? Aqui na rede
sustentabilidade, governança, eh temas
os temas ambientais e sociais. Para cada
um deles, nós temos eh uma consultora
que nos ajuda, né? Eh, pros a gente tá
aqui hoje com a Ana Elise, que é uma das
consultoras que nos ajuda nesse tema e
vão e vai, né, no na rede e vai debater
com a gente um pouco os resultados da
pesquisa. Ah, e tem a Sônia Consigo e a
Denise Rios, que eu imagino que a
maioria de vocês que acompanham, né, o
ou agenda de sustentabilidade conhece e
que nos ajudam também, né? E além disso,
a gente tem representantes da diretoria
da ANBIMA que fazem, né, essa ponte
entre as orientações da diretoria, os
pedidos da rede e nos ajudam a deixar a
rede também conectada com a governança
formal eh da associação e com os demais
associados, né? [roncando]
Eh, então o objetivo hoje, né, eh, mais
do que só apresentar para vocês os
resultados da pesquisa já estão no nosso
site. Vocês já podem eh vocês já podem
baixar a os resultados, né, podem ter
acesso a tudo, é fazer uma reflexão, né,
depois junto com as nossas debatedoras
aqui que eu já apresento, eh, sobre o
que que esses resultados significam para
essa agenda e como eles podem nos ajudar
a desenhar, né, o futuro dessa agenda no
mercado de capitais, né? Então, eh, eu
vou passar rapidamente pela
apresentação. Não pretendo gastar mais
do que 10, 15 minutos aqui passando para
vocês o que que, qual é a nossa
interpretação e o que isso tem nos
falado e, na verdade, deixar mais
perguntas e interrogações, eh, pra gente
conseguir conversar e deixar mais tempo
para vocês perguntarem coisas, né, para
para as nossas debatedoras conseguirem
eh comentar um pouco. Ah, e a gente sair
daqui, né, um pouco com reflexões sobre
como é que a gente pode usar esses
dados, né, da pesquisa, do grau de
maturidade do mercado, do que ela tá
mostrando pra gente para fazer essa
agenda avançar. Então, vamos começar.
Eh, bom, primeiro, né, eh, eu acho que a
gente sempre deve, a gente tá passando
por várias fases dessa agenda, né? Eh, a
gente, os anos 2020, né, começaram com
que
no mercado americano, pelo pelo menos, a
gente chamou de boom ESG, né? Eu não
concordo com essa avaliação para o
mercado brasileiro. A gente não teve
aqui esse boom de fundos, esse boom de
investimentos, né, essa eh essa
exuberância de de ativos classificados
como SG e que depois levou uma uma, né,
ao que a gente tá vendo no mercado
americano, né? Eh, a gente estava aqui
em estágios anteriores, né? E o mercado
brasileiro eh passou por passa por
processo de regulação, autorregulação e
formalização que são diferentes lá.
Então esse boom que a gente vê no mundo,
né, eh, não foi, não aconteceu no mesmo
sentido que aconteceu nos Estados
Unidos, aqui no nosso mercado. Então,
né, de novo, né, a gente não estava tão
nesse processo de exuberância e com, né,
várias instituições anunciando fundos e
captações gigantescas, como aconteceu
lá, e que levou um pouco a um retrocesso
posterior, né? Mas a gente teve sim um
processo de aquecimento dessa agenda e
de cada vez mais ela tá em destaque, que
cominou inclusive no ano passado com uma
série de eventos que aconteceram aqui no
Brasil e que tornaram essa agenda muito
mais saliente, né, e e chamaram atenção
paraas oportunidades de negócio que essa
que essa agenda traz para o nosso
mercado, né? Eu brinco que eh foi a
primeira vez que dentro do conselho, né,
da diretoria da BBIMA, quando a gente
tava discutindo o SG, vários dos membros
da nossa diretoria chamaram atenção que
essa agenda pode ser uma agenda de
negócios, né, de trazer recursos, de
transformar o mercado de capitais
brasileiro nesse veículo de captação,
por exemplo, de eh capital internacional
eh para financiamento de projetos
sustentáveis. Então essa visão foi
construída também no Brasil, mas a gente
não teve essa exuberância, né, e esse
exagero, né, e aquele green wasashing
todo que a gente viu, eh, especialmente
no mercado americano. Anyway, a gente
teve um momento, né, de grande eh,
transparência, né, e de grande exibição
disso. Bom, eh, dito isso, eh, como é
que a gente como é que o que que a gente
encontrou na pesquisa? Primeiro, né,
quem respondeu eh a gente tem um mercado
muito heterogêneo, né? Então, a gente
tem aqui dentro desse
da amostra de instituições grandes,
pequenas, bancos, gestoras, bancos de
investimento, bancos de varejo. Então, é
realmente uma amostra que representa o
mercado. Eh, e uma algo que tá muito que
pra gente foi muito estratégico, que a
maioria das pessoas que responderam essa
pergunta estão em posições de tomada de
decisão, né? Então, não foram só os
convertidos nós, né, da áreas das áreas
de SG que responderam. E isso é
importante pra gente porque traz uma
visão do negócio a respeito eh do tema,
né? Então, eh essas duas mensagens é um
mercado meio interagendo, a gente tá
falando de um mercado de instituições
muito diferentes entre si e a gente
conseguiu respostas do pessoal que toma
decisão. Bom, a primeira coisa que a
gente mede, né, ou que a gente quer
contar para vocês, eh, como é que a
gente, né, qual que é a importância,
como as pessoas avaliam a importância do
tema sustentabilidade, né? Vocês vão
olhar ali, tem um uma pessoal, a a
proporção de pessoas que dão uma nota
mais baixa pro tema aumentou um pouco,
mas a gente tem majoritariamente pessoas
falando: "Olha, esse tema segue
importante, né?" Eh, é natural a gente
ver esta este recuo, né, na nossa
avaliação, até porque eh a gente tá
vendo este tema emergindo nos últimos
anos, né? E é natural que um tema que
passa a fazer parte dos processos, né? e
que a gente sai do período de isto é
importante para o período de precisamos
implementar, precisamos criar políticas,
precisamos criar processos, que esse
tema fique mais no cotidiano, né? A
gente fala, é importante, vai aumentar,
mas, né, a gente não vai ter eh outros
temas entram na agenda. Então,
naturalmente, essa nota das pessoas que
dão uma nota menor aumenta a proporção
um pouquinho, mas notem que ao mesmo
tempo a gente tá vendo um aumento em
aspectos mais práticos disso. Olha, eh,
quantas a proporção de instituições que
já estão se organizando para cuidar
dessa agenda aumenta, as que já t ações
práticas, né, eh, as que informam pra
gente que SG já influencia na decisão de
investimento, né? Então, eh essa eh esse
pedaço, né, das instituições respondendo
pra gente que estão se estruturando, eh,
é bem importante, né? O que que as
instituições pensam para o futuro, né? O
que que a gente tá vendo elas
respondendo quando digo: "Ah, e aí, né,
você, o que que você vai fazer, né? Vai
ganhar importância, vai ganhar
relevância, né? Maioria ainda acha que
vai ganhar alguma relevância nos
próximos 12 meses, né? Então, a gente
não teve uma alteração grande e isso é
importante pra gente, né? A gente passou
discutindo muito, né, se aquele backlash
que a gente viu eh no mercado americano
ia ser importado de alguma maneira pro
mercado brasileiro. E não é isso que as
instituições estão respondendo pra
gente, né?
>> [roncando]
>> Eh, quando a gente olha, né, por o
aspectos, né, formais e processos e
políticos, a gente tá vendo, né, que a
gente tem 30% das instituições
publicando relatórios de desempenho isso
é muito diferente do tipo de
instituição. Então, para os bancos, isso
é uma realidade já quase majoritária,
né? Todos os bancos divulgam, até porque
regula por regulação eles são obrigados,
não é verdade para as edes, né? Mas a
gente já vê quase metade das
instituições dizendo que olham para a
cadeia de valor, né? E aumentou o número
de a proporção de instituições também eh
que já tem um compromisso formal. Eh,
quando a gente começou a fazer essa
pesquisa, a gente olhava para isso, né?
eh com alguma preocupação. Então, a
gente via muitas instituições declarando
que é importante, que ela vê isso como
estratégico de alguma maneira, que isso
tem que evoluir, mas sem compromisso
formal, sem política, eh sem relatório,
né? E isso tá melhorando. Então, a gente
tá vendo, né, esse tombamento, eh, do
que a gente tá chamando no SG da
intenção, né, daquilo de considerar
importante estratégico para se
estruturar, para fazer, né? Então, eh,
esse é um aspecto importante da da
pesquisa, né? Eh, então isso que eu tô
falando para vocês, né? Mais casas
adotando objetivos e metas, o que é
importante. Eh, muitas comunicando ao
público interno, ainda tem poucas, né?
9% só que a a adotam algum tipo de
incentivo na remuneração para eh
práticas SG, só 9%, né? Eh, e só 1/4
mais ou menos divulga essas metas eh de
gestão SG pro público externo, né?
Então, de novo, né, a gente evolui, mas
ainda tem alguns aspectos, né, a gente
os incentivos, né, conectados à
remuneração ainda são bem eh
baixos, né? A gente ainda não tem isso
disseminado na nas instituições.
[roncando]
Eh, mas ainda assim, ó, o que que o
pessoal tá respondendo pra gente que vai
fazer nos próximos 12 meses, né?
Primeiro, uma em cada três instituições
declara que pretende estruturar fundos
sustentáveis ou de impacto. Eh, notem
que isso agora num contexto em que a CVM
definiu uma regulação, a IMA tem uma
autorregulação rigorosa para
identificação de fundos sustentáveis. A
a Luzia tá aqui, depois vou
apresentá-la, ela pode contar isso pra
gente. Então, não é um processo só
declaratório ou de intenção, é vou
enfrentar um processo de registro bem
rigoroso e vou fazer fundos. Então isso
tem traz uma informação importante pra
gente, né, que eles pretendem registrar
aqui na ANBIMA. Uma e outra quatro
instituições olha para títulos
sustentáveis ou temáticos, né, na sua
estratégia de alocação de carteira. Eh,
e
uma em cada 10 pretende atuar em
projetos de blended finance. Aqui uma
referência anedótica para vocês. A gente
visita muito associados na BIMA, né? E
uma experiência que eu tive quando
falava de Blended Finance era
instituições até relevantes, grandes,
né? eh, no mundo das perguntarem, mas o
que é isso? Então, da gente sair de as
instituições perguntarem o que é isso
para pelo menos 10% já estarem
respondendo que estão pretendendo
atuarem nesse tipo de projeto, eh é um
avanço, né? E é algo eh que a gente
precisa destacar.
Bom, aí, gente, a gente tem, né, a gente
criou aqui, eh, a gente vai conversar
sobre isso depois no debate, a gente
criou uma metodologia,
a gente teve uma demanda das
instituições da associadas que falava:
"Poxa, a gente fala tanto de política, a
gente fica medindo política, medindo,
né, práticas e o que entende o que que
as estão fazendo, mas a gente gostaria
de entender o modelo mental que tá por
trás disso, né? Então, a gente fez eh lá
em 2020, entre 2020 e 2021, uma pesquisa
ampla. Foi no meio da pandemia, foi
difícil para caramba fazer isso, mas a
gente conseguiu. A gente mandava um kit
pras assets, um kit para as instituições
para elas fazerem e nos ajudarem na
pesquisa e fazerem online para entender
o que estava na cabeça das pessoas, né,
que que estão nas instituições sobre
esse tema, né? E a partir, né, do que as
pessoas nos respondiam de forma
qualitativa, fazendo exercícios, né, era
uma pesquisa bem ampla, é uma era uma
pesquisa etnográfica a respeito do que o
nosso mercado pensa disso. A gente
construiu
eh essa classificação em graus de
maturidade. Então, a gente sai, não vou
explicar todos, depois vocês vêm aí, mas
tem lá desde o desconfiado que tá bem
perto ali, né? Eh, de duvido de tudo
isso, né? Essa coisa, né? Eh, até o
engajado que é sustentabilidade já é
estratégia, já tem produto, tem
compromisso, né? Então, tá lá no nível
de maturidade mais alto, né? Eh, depois
que a gente entendeu o estágio mental, é
que a gente foi colocando debaixo desses
perfis coisas que a gente avalia de
política, tudo. Mas isso aqui tá baseado
muito eh no que as pessoas pensam eh e
como elas eh reagem ao tema
sustentabilidade dentro das suas
instituições, né? Então, o que que a
gente tá vendo eh acontecer, né? a gente
vê um pouquinho um aumento eh eh o
pessoal que tá no meio, né, migrou ou
para pro pros níveis emergentes engajado
ou um pouco pro distante e desconfiado.
E notem que apesar de a gente tá vendo
lá emergentes e engajados, eh, a
proporção maior, é óbvio, né, de
instituições que têm mais recursos sobre
gestão, as grandes ou médias
instituições, a gente também tem
pequenas instituições que estão nos
maiores graus de maturidade. Então esse
é um debate que a gente pode fazer, né?
Se depende de tamanho, SG é um luxo, né?
Aquela correlação. É bom, óbvio, né? Eu
faço SG se eu já tenho uma carteira
gigantesca, estrutura e política e tudo
mais, ou se a gente pode entender isso
como intencionalidade, como eh mesmo
instituições pequenas encontrando
nichos, encontrando oportunidade de
negócio nessa agenda. É um debate que a
gente vai fazer aqui daqui a pouquinho
quando a gente falar de, né, dessas
características, de como é que as casas
se classificam nesses graus de
maturidade. Obviamente a gente não fez
isso só, né, para não tem certo ou
errado aqui, é também uma ferramenta
para as próprias instituições tentarem,
né, entender aonde elas estão e como
como elas entram dentro dessa
classificação.
É, qual se, né, o pessoal aqui de
mercado que quiser depois conversar com
a nossa área de sustentabilidade, até
para entender como se classificar aqui,
que perguntas responder, né, e como se
posicionar, né, dentro deste dessa
régua, fiquem à vontade depois quer
contatar a gente aqui. Acho que é um
exercício bem legal eh pra gente fazer
eh aqui, né, todo lado sombra agora, né,
gente, já falamos de várias coisas que a
gente considera positivo, eh, mas a
gente tem, né, caiu a proporção de casas
que acreditam que SG todo mundo sai
ganhando. E eu acho que isso é uma
maturidade até OK, porque nem sempre
todo mundo sai ganhando, né? não é não é
verdade isso. Então podemos debater isso
daqui a pouco. E caiu muito a proporção
de de empresas, né, de respondentes que
dissem que esse G cria valor, né? Eh eh
aqui em todas as pesquisas que a gente
faz sobre esse tema, inclusive na
pesquisa de diversidade e inclusão, eh é
aquele dilema que a gente tem em todos
esses temas e que se manifesta aqui
também de que ela eu entendo isso como
uma agenda certa, né? eh, né, moralmente
correta e que a gente precisa fazer, mas
não é um imperativo de negócio isso
aqui, não. Isso aqui é algo que eu
preciso fazer, né, dentro do mundo de
compli responsabilidade social, quase,
né, isso acontece em várias das nossas
pesquisas e o nosso desafial é esse, né?
Como que a gente traz essa agenda para
negócio como um imperativo de negócio
que traz oportunidades, né, e que a
gente pode conseguir eh gerar valor com
elas, né?
>> [roncando]
>> E é por isso, né, o que que a gente vê
hoje, né, eh
qual é a nossa convicção. Eu acho que
aqui eu não vou pregar para convertidos
passar rápido por isso. A gente sabe que
a gente tá falando de riscos palpáveis,
mas também de oportunidades de negócios
que estão surgindo dentro dessa agenda
toda, né? E isso tá em todos os lugares.
A gente acabou de ter a COP, a gente
teve o PR aqui no Brasil ano passado,
né? os nossos líderes de negócio têm
pensado sobre isso, mas ainda é um
desafio. A gente, o desafio de risco é
menor porque ele tá se materializando,
né? E as vai ser muito difícil o nosso
mundo ignorar os riscos. Eh, mas a gente
também tem essa, eh, esse desafio de
mostrar as oportunidades e como SG traz
para isso, né? Eh, então, algumas casas
já percebem isso, uma em cada três já
falam de sustentabilidade na estratégia
de negócio, né? Mas notem que quando
você olha para risco, já metade tá
olhando, olha isso aqui como risco
impacta o meu retorno financeiro. Então,
eh, na no mundo ideal a gente traria
todo mundo para uma proporção, essas
dois aspectos para uma proporção bem
maior, né? A gente tá falando, eh, que o
risco ainda é, né, o mais importante.
Vou fazer uma pergunta a isso paraas
nossas debatedoras. E quatro em cada 10
casas já deixaram de incluir ou excluir
algum ativo do portfólio. Isso aqui a
gente pode dizer que é positivo ou
negativo? Depois eu vou pedir pra Nelisa
falar sobre isso com a gente, né? Só
excluir ativos de portfólio é realmente
sustentabilidade, né? Tem um impacto
positivo mesmo depois na economia do
ponto de vista de descarbonização, né? E
de eh net zero ou o que que a gente
possa imaginar, a gente pode debater.
Eh, bom, e finalmente a gente pergunta
para vocês, para aqueles respondentes
essa pergunta, tá bom? E o que que aima
tem a ver com isso, né? O que que a
gente faz, né? Então, o que que o
mercado nos pede? Orientações, dados e
guias. essa agenda de dados agora dados,
né? Eh, a gente vai ter uma eh uma tem
uma demanda grande das instituições
associadas no mercado da você, que dados
vocês podem fornecer pra gente, pra
gente mensurar as coisas, como eu
descarbonizo minha carteira, que
ferramenta que eu uso, né? enfim, aima
ajudar nessa orientação e até prover
informações de dados que ajudem na
autorregulação, que a gente já avançou
com identificação de fundos sustentáveis
e de a o processo de ofertas de títulos
verdes, mas a gente sempre tá olhando,
né, e a gente pode colher sugestões de
vocês de aonde a gente pode atuar em
autorregulação para melhorar isso. Nosso
processo de certificação, a gente tem
300.000 profissionais certificados pela
ESG já é um tema que a gente coloca lá.
Ah, e a gente vai continuar aprimorando
isso, né? a gente tá agora num processo
de renovação das certificações e que a
gente tá renovando e refazendo toda a
nossa as nossas certificações dessa área
e a nossa atuação e a gente atua com
advocacia, né, eh, em todos os fóruns
que a gente consegue. Acho que eu já
falei mais do que eu tinha planejado. A
Denise tá aqui com a gente. Oi, Denise,
ouvi seu comentário aí. Obrigado pela
presença. E eu vou agora chamar eh duas
pessoas que nos ajudam muito nessa
agenda, muito mesmo. Eh, a Luía Irata, a
Luzia Irata, eu vivo chamando a Luzia de
Luía, gente, desculpa, Luzia. Eh, e eu
conheço a Luzia há mais de 10 anos e tô
fazendo isso, perdão. Eh, a Luzia
gerente de SG lá do Santander Ass and
Management. Essa pesquisa só existe por
causa dela, né? A primeira edição da
pesquisa a gente fez aqui na Ambima. a
gente fez, a gente mesmo, né, daquele
jeito, ah, vamos fazer uma pesquisa e
ficamos aqui. Então, eh, a Luzia foi
aquela pessoa que nos orientou muito
quando a gente tava fazendo isso bem
caseirinho aqui, né, depois antes de
contratar Instituto de Pesquisa, de
trazer metodologias, tal. Então, ela
conhece de trás para frente e vai
debater aqui com a gente. Bem-vinda. Bom
dia, Luzia. Obrigada por estar aqui com
a gente.
E a Ana Elise Vendramíia. Ana é
professora, né, e das linhas de
doutorado da FGV, especialista em
finanças sustentáveis, me ensinou muito
sobre esse tema, ajudou muito a gente e
é uma das consultoras da redeima de
sustentabilidade que nos ajuda muito,
né? Eh, então vou trazer aqui, vou abrir
eh fazendo uma pergunta chave de
abertura aqui para para ambas. Aí vocês
fiquem à vontade também para falar um
pouco as impressões gerais que vocês
tiveram da pesquisa, se apresentar,
conversar com o pessoal, né? Então, a
minha primeira pergunta que eu faria
para vocês é, a gente olhando esses
dados, né, a gente tem coisas mais
positivas, mais negativas, né? A gente
pode falar, e aqui precisa melhorar,
aqui ainda tá eh, a gente vê que tem, a
gente já tem sustentabilidade de maneira
geral consolidada, no sentido de todo
mundo olha de uma maneira ou outra para
isso, sabe que essa agenda existe, que
ela que a instituição precisa se
posicionar em relação a essa agenda, mas
ela avança em ritmos diferentes, né?
Quando a gente olha os níveis de
maturidade, a gente vem vê isso na visão
de vocês. Qual que é o fator hoje, né,
ou principal ou os principais, eh, que
que sepam, né, as instituições, né,
entre aquelas que já conseguiu
transformar isso em estratégia e já
entende isso dessa forma bem ampla e das
que estão lá no estágio muito inicial
ainda.
Quem quer começar, Luzia?
>> Posso começar? Bom, bom dia a todos. Eh,
Billy e, toda a turma daima, mais uma
vez obrigada aqui pelo convite para
poder debater aqui com vocês.
É bom, como o B falou, eu sou de
Santanderet. a gente já há algum tempo,
né, incorpora as questões SG e sempre
com bastante desafio, né? Eu acho que ao
longo dos últimos anos aí, até mesmo por
meio da pesquisa, a gente tem conseguido
observar algum tipo de evolução, né? E
algumas das demandas que foram
identificadas, né, durante as pesquisas,
eu acho que foram, né, eh, endereçadas a
própria autorregulação dos fundos
sustentáveis, né, foi uma eh foi super
importante, né, para que a gente aqui
desse lado, né, dos gestores de
recursos, a gente pudesse saber
exatamente, né, o que caracteriza um
fundo de investimento sustentável. E
isso facilita muito não só a nossa
definição de produtos, né, pelo nosso
lado, mas também pro cliente ali na
ponta final, saber exatamente o que tá
comprando, né, e quais são as
características desse produto. É, então
acho que realizar a pesquisa,
identificar um pouquinho do perfil de
como tá evoluindo ou não em determinados
pontos ajuda bastante, né, a gente
conseguir trabalhar nesses principais
gaps, né, e nas principais demandas. Eh,
e aí uma coisa que eu queria até
comentar, né, você tava falando, né,
sobre, né, de ter caído um pouco da
preocupação
>> das três questões
>> das questões SG, eh, né, se sempre cria
valor ou se, né, é importante ou não. Eu
acho que tem um pouco da percepção que
aconteceu, né, quando a gente lá na nos
idos de 2020, né, aquele período todo de
euforia, eu acho que esse foi um cenário
fora da curva, né, todo mundo, né, se
empolgou
>> e o fato dessa percepção, né, ter caído,
entre aspas, eu acho que é um pouco
trazer da pra realidade, né, a gente
aqui, do ponto de vista de gestor de
recursos, a gente sempre comenta o fato
de você ter um fundo de investimento
sustentável, né, de você fazer a
integração dos aspectos ver na análise
de investimentos é como qualquer outra
estratégia, né? Você não tem uma
garantia de performance, não tem uma
garantia de retorno, não é a solução
para todos os problemas. Obviamente você
eh vai buscar o retorno sempre eh em
determinados momentos, né? E aí muitas
vezes são até externos, né? a própria a
própria gestão do fundo, eh, ela pode
ser melhor ou menor, eh, ou pior.
Eh, mas a questão de riscos, né, eu acho
que é um dos principais fatores que a
gente vai avaliar aí a proteção, né, dos
ativos em relação a riscos,
principalmente naqueles eventos mais
catastróficos
ou, né, aqueles que têm um grau de
criticidade muito maior. Eh, a gente tá
buscando um pouco dessa dessa proteção,
digamos assim, né? Então eu diria que é
é muito mais a proteção do valor, né,
não necessariamente a criação, né, em
alguns momentos, claro, dependendo do
perfil do produto, se é para aquele eh
para aquele perfil de um investimento
muito mais, né, eh sofisticado em
relação aos ativos que tá se
selecionando, ao tipo de ativo, ao tipo
de estratégia. Obviamente a gente quer
criar valor ou impacto positivo sobre as
questões socioambientais, mas depende
muito da característica de cada produto,
né? Então eu vejo essa evolução, né? E
aí como você, né, colocou, muitas vezes
ela é ela não é homogênea, né? para
alguns pode impactar mais, outros menos,
mas o que eu digo assim é que no final
das contas todo mundo já entendeu que
olhar para fatores e riscos
socioambientais e de governança eh é
inevitável, né? A gente já tá no momento
em que não tem como ignorar isso e quem
ignora vai, né, ter ali as consequências
e e tá tudo certo também, tá gente? Acho
que tem perfil de investidor, tem tipo
de produto para todo mundo. Eh, mas, eh,
se você olhar pelo ponto de vista, né,
de eventos que t ocorrido mais
recentemente, não só aqui no Brasil, mas
no mundo todo, a gente já entendeu que
existe sim um alguns pontos importantes
a avaliar, a ponderar, a considerar.
mesmo que no final das contas, ali no
final do dia, na sua definição do
portfólio, você diga: "Bom, esse risco
aqui eu vou eu vou segurar, eu vou, né,
é admissível até esse nível de risco,
mas eu preciso saber até quando, né?
Então, acho que essa percepção todo
mundo já tá tá muito mais no dia a dia,
né, de de boa parte da das gestoras e o
nível de maturidade também eu acho que é
respeitando o perfil de cada um e as
demandas também, acho que a gente vai
falar um pouco mais para frente também,
mas a demanda, né, pelos nossos clientes
é um fator fundamental, né, é muito
importante e é um dos, né, a gente
sempre acaba, né, abordando isso nas
pesquisas, mas é uma das questões que
acaba interferindo bastante ali, né, na
minha decisão se eu vou incorporar mesmo
ou não as questões SG.
Anelise,
>> muito bom ouvir a Lu, né? Eh, bom,
Billy, super obrigada pelo pelo convite.
Obrigada aí por toda a equipe da Ambima,
né? É um prazer fazer parte dessa rede.
É um prazer, é uma honra. E você falou
da Luzia, né? Eu também tenho que te
dizer que ela sempre apoia a gente em
todas as pesquisas há muitos anos.
Sempre bato lá na porta dela e ela
sempre muito gentilmente e também tô
falando de coisa de décadas aí. Então, e
meu muito obrigada também, Luzia aí pela
pelo seu apoio às nossas pesquisas. Bom,
eu acho, eu pensei muito na sua
pergunta, né, Billy, e aí eu acho que
tem muitas camadas pra gente responder
essa sua pergunta. Eu acho que não tem
uma resposta simples. Eu vou começar
antes de dar minha minhas reflexões
aqui, compartilhar, porque acho que
estamos todos entre amigos. Tô vendo o
chat também, temos muitos amigos e
amigas. Aí, antes de compartilhar a
minha resposta, eu primeiro eu tenho que
parabenizar vocês pelo esforço, fazer
uma pesquisa desse tipo, tá na quarta
edição, mobilizar mais de 200
respondentes, enfim, eu que trabalho com
pesquisa, eh, eu posso dizer assim, com
muita tranquilidade, que é um esforço
muito grande, é custoso, né? eh gera eh
um precisa de um esforço enorme. E então
não é um parabéns protocolar, é um
parabéns absolutamente honesto aqui,
sincero e também dizendo que vocês com
essa pesquisa vocês estão contribuindo
para algo que a gente sempre fala que é
importantíssimo pra agenda de
sustentabilidade SG, que a gente ter
dados, que a gente poder ter uma
consistência ao longo do tempo nessas
bases de dados para que a gente possa
tirar conclusões. Então, parabéns aí
pela quarta edição, parabéns por esse
esforço de trazer dados sobre o mercado
de capitais ESG no Brasil. Isso suposto,
vamos voltar ali pra sua pergunta, né?
Como que a gente pode ler essa discussão
e que tipo de conclusões talvez a gente
possa tirar? O que que diferencia um
comportamento ou outro? Eu diria que a
primeira resposta, a mais simples, mas
não é completa. A mais simples é um
pouco isso que a Luzia falou no final,
assim, depende do cliente. A gente não
pode esquecer, né, eh, que o setor
financeiro em geral é um intermediador,
né? Então, ele tá no meio de um processo
em larga medida, né? Ele tá ali no meio
do processo juntando duas pontas. Então,
quando a gente olha pros dados dessa
pesquisa e a gente vai ver quanto dos do
do do driver ali para incorporar as
questões ESG aparecem na pesquisa, a
gente vai ver que só 2% é demanda de
clientes. Se eu não tô enganada, porque
eu não tô aqui com a pesquisa aberta,
mas esse número me chamou muita atenção,
2%. Ou seja, a gente ainda tem um
mercado e esse número é altamente
consistente com outras pesquisas que eu
mesma fiz sobre o mercado brasileiro,
inclusive uma recente no final do ano
passado. Então a gente percebe que o
cliente brasileiro, né, o cliente das
assets não está demandando. Então o que
a gente tem, inclusive, é bastante
consistente com os dados que vocês
apresentam. O que a gente tem como
driver de incorporação de questões SG no
mercado brasileiro, segundo a pesquisa
nos mostra, é a gestão de risco. E
depois eu queria falar um pouco sobre
isso, é gestão de risco, é questão
compliance, enfim. Então ela é muito o
que é ela é muito supply driven, né? Ela
é muito dirigida pela oferta, por quem
tá ofertando esses produtos, mas a
demanda não tá puxando, né? Então, a
gente tem, obviamente, algumas casas
gestoras que atendam, que atende grandes
investidores institucionais que estão
imersos na complexidade regulatória da
Europa e de outros e que demandam, né,
esses temas. Mas se a gente for olhar
pro investidor varejo e se a gente for
olhar pro investidor doméstico de menor
volume, a gente não vai encontrar essa
demanda latente sobre questões ESG e
sustentabilidade. Então a primeira
questão é como é que a gente traz
demandantes para esse mercado, porque
isso vai gerar um círculo, né, um ciclo
eh virtuoso aqui de valorizar as
questões de sustentabilidade e demandar
produtos que entreguem isso. Mas essa é
só uma camada da resposta. Eu acho que a
gente pode também olhar para outros
elementos aqui que aparecem no relatório
e procurar outras outros aspectos
importantes que nos ajudam a entender o
que que tá acontecendo no mercado de
capitais brasileiro em relação às
questões SG. A primeira questão eu acho
que passa pela pela pelo o que é SG, né?
que que as pessoas tão entendendo SG,
porque SG pode ser compreendido, a gente
sabe bem, nem vou ficar aqui gastando
tempo com isso, de maneiras muito
diferentes. E aí quando a gente olha no
relatório, a gente vê que há uma
predominância de critérios de
governança, né, transparência, ética,
conselho, eh, e aspectos ambientais. E
esses aspectos ambientais, no fundo,
eles estão passando por água, energia,
resíduos, que é o que aparecem ali no
relatório, como sendo os temas
prioritários nessa incorporação do ESG.
E esses são temas que sempre foram
fundamentais, em particular a questão de
governança, eles sempre foram
fundamentais na hora de se analisar
investimentos e as questões ambientais
que que aparecem, né, na leitura aí de
quais são os critérios SG considerados.
No fundo, eu fico me perguntando, né,
eles são boas práticas internas, eles
são boas,
enfim, é boa gestão, né, e muito ainda
voltado pro ambiente interno da
operação. Então, no fundo, é uma busca
por eficiência interna. Isso é um pouco
diferente de outras compreensões de ESG
voltadas paraa locação de capital e para
você poder de fato se beneficiar dessa
geração de valor econômico que a Luzia
tava falando. Mas depois eu volto para
esse segundo ponto. Outro elemento, um
segundo elemento que também e fica claro
na leitura da pesquisa de vocês é aquilo
que a Luzia já comentou, que é a
predominância da do do da razão, né,
pela qual essas esses respondentes estão
incorporando questões ESG, que é gestão
de risco. Mas gestão de risco é
multifacetado, é multidimensional e o
que aparece ali é um pouco é pouco
especificado e muito difuso, né? Então a
gente fica se perguntando que risco é
esse que tá sendo considerado? Será que
é um risco mais de compliance? E aí,
principalmente se a gente fala das
regulações que vem avançando em
particular na Europa, mas que pega, né,
muita gente, é um pouco diferente, né,
de de uma questão voltada para eu quero
alocar meu capital porque estou
considerando que várias das questões de
sustentabilidade significam risco para
os negócios de eh de uma maneira mais
ampla. Eu não acho que é isso que tá
sendo capturado por essa resposta mais
genérica de SG como gestão de risco. Um
terceiro elemento que também chamou a
minha atenção nesse relatório é a
predominância de filtros negativos.
Então, eh, 46%, de novo, eu não tô com o
número aqui, mas como ele ficou na minha
cabeça, eu acho que tá correto, mas pode
anotar. 46% dos respondentes disseram
que eh usam filtro negativo. O filtro
negativo é a primeira estratégia SG que
apareceu na história do pensamento
econômico foi o filtro negativo, né?
Então, eh eh não considerar certos
setores da economia no seu universo de
possíveis investimentos. Então esse é o
filtro negativo, você exclui, mas é uma
é é antiga e já é um pouco a gente não
gosta muito dessa dessa dessa
estratégia. Por quê? Primeiro porque ela
não promove uma diferenciação
entre ativos de um mesmo setor. Então,
dado que a economia global se baseia em
diversos setores, é possível diferenciar
aqueles que estão caminhando mais numa
certa direção da suividade e aqueles que
estão caminhando menos. O filtro
negativo, ele não captura essa
diferença. E o filtro negativo também é
e e aí ele é um problema, ele não
captura as possibilidades de geração de
valor econômico com estratégias de
sustentabilidade. E o que que eu quero
dizer? Por isso a gente já tem um um
conjunto de literatura
importante que mostra pra gente que é
possível você gerar valor econômico
quando você sai de um nível de gestão de
sustentabilidade. Aqui eu tô falando de
empresa, né? A empresa, então um olhar
corporativo aqui é finanças
corporativas. você tem uma empresa com
uma certa prática de sustentabilidade
que é baixa, que enfim, você melhora
essas práticas e com isso você consegue
capturar valor. Portanto, o investidor
que investe nessas empresas, ele também
captura essa essa transição para
melhores práticas de sustentabilidade.
Então, a gente já tem inclusive
evidências de fundos de investimento
fora do Brasil que justamente investem
em empresas com camadas mais baixas,
fazem um engajamento ativo para que
possa para que a empresa possa fazer
essa transição e o valor econômico é
gerado nessa transição. Só que o filtro
negativo ele não captura isso, porque a
priori eu já digo, não vou investir em
empresas desse setor. Então, do ponto de
vista econômico financeiro, né, dessa
relação de sustentabilidade com o mundo
econômico com financeiro, você prejudica
essa camada que é importantíssima. E aí
a gente pode discutir se isso é desejado
ou não é desejado. Mas enfim, eu sou uma
pessoa de finanças, tô aqui falando qual
é um caminho, né, que a literatura de
economia e finanças vem discutindo essa
aproximação com sustentabilidade.
Outro ponto que também me chama atenção,
e a gente pode pensar como é que esses
dois dados se relacionam, esse sobre
filtro negativo e esse que eu vou
comentar agora, que é mais da metade das
gestoras entrevistadas declara
engajamento com empresas investidas, ou
seja, estratégia de investimento, de
engajamento ativo, né, que é uma
estratégia ativa. O filtro negativo é
uma estratégia passiva. Eu desconsidero
uma turma aí que eu não quero nem levar
em consideração, né, na hora de
investir. O engajamento é uma estratégia
ativa que visa justamente aquilo que eu
falei, melhorar essas práticas e
capturar o ganho econômico nessa nessa
nessa transição. Então, eh, é
interessante, né? Existe ainda tem gente
que tá se engajando. Agora, a pergunta
que fica é: será que essa captura de
valor econômico está acontecendo? E o
que que precisaria acontecer para ficar
mais evidente de que existe esse
potencial de captura econômica? A minha
leitura é que possivelmente isso não tá
acontecendo, ainda tá numa camada um
pouco mais superficial do engajamento
com as investidas, porque caso isto
estivesse acontecendo, possivelmente
outros estariam participando dos
investimentos ESG e que não é isso
necessariamente que a gente tá vendo.
Eh, e aí eu acho que tem alguns
elementos que a gente pode trazer para
essa conversa, que é sobre a questão da
gestão de risco, que eu falei, que me
parece uma discussão ainda um pouco
difusa, não apareceu assim exatamente o
que as pessoas estão entendendo que a
gestação, né, as pessoas que
responderam, o que realmente é essa
gestão de risco. Agora eu posso dizer o
que que nos mercados mais desenvolvidos
a questão da sustentabilidade entra como
gestão de risco. Além daquilo que a
gente conhece bem, quer dizer,
claramente nós não vamos ficar em 1 grau
e meio, claramente a economia vai mudar
em função das mudanças climáticas, todos
nós sabemos. Eh, e isso nos ajuda a
pensar na seleção de ativos, talvez que
ativos eu deveria ou não deveria ter na
minha carteira e tudo mais, mas tem uma
segunda camada que é o a gestão de risco
da carteira, né? Então, a gente sempre
pensa em gestão de risco na seleção de
ativos, mas tem uma segunda camada tão
importante quanto essa que é a gestão de
risco da minha carteira. E o que a
literatura mostra e as pesquisas
recentes mostram pra gente, em
particular nos países desenvolvidos com
mercado de capitais bastante profundos,
é que eh ativos ESG compondo uma
determinada carteira, eles têm o
potencial, não é que sempre vai
acontecer isso, porque obviamente
depende da seleção desses ativos e o que
que eu tô chamando de SG, enfim, né? Mas
eles têm o potencial de diminuir o risco
dos portfólios, em particular o tail
risk, né? o risco de cauda. Esse é um
elemento. Outro elemento que as
pesquisas também são pra gente é que
carteiras com ativos
tendem a ter tem de novo, né? Tem o
potencial de ter uma reação mais lenta a
choques macroeconômicos. Então, quando
acontece um choque macroeconômico,
carteiras que t ativos ESG, elas tendem,
têm esse potencial de responder de
maneira mais lenta, né? Então isso é
muito interessante, é uma função de red,
de seguro e proteção dessas carteiras.
Isso é um elemento interessante. Não me
parece que eh no mercado brasileiro a
gente esteja discutindo essa esse esse
potencial ou, né, fazendo pesquisas
específicas pro mercado brasileiro para
entender se esse fenômeno também
acontece no Brasil. Então aquela gestão
de risco que é comentada eh no
relatório, ela fica mais, como eu falei,
difusa. Que risco, será que é um risco
de compli que daí realmente não captura
essa dimensão de proteção de valor
econômico das carteiras que a gente vai
encontrar na literatura internacional?
o SG mais risco do que a retorno, como
eu falei. Então, talvez esteja faltando
um link aí com a geração de valor
econômico. E essa geração de valor
econômico não é só para transição eh
para energias renováveis, que é o que a
gente sempre fala, né, que aparece com
muita frequência, portfólios muito
voltados para energia renovável, porque
nossa, vai crescer e tal, mas não é só
isso, né? empresas que não
necessariamente estejam nesse setor ou
nesses setores, mas melhoram suas
práticas, também podem capturar essa
geração de valor econômico. E aí eu
gostaria de terminar dizendo, enquanto a
gente não fizer essas discussões
voltadas, né, mais quantitativas,
voltadas para as carteiras no país e de
acordo com as características do mercado
de capitais brasileiro, a gente ainda
talvez vai ficar com agendas ESG, em
particular, né, no mercado de capitais,
ainda muito supply driven, ainda muito
focadas na oferta de produtos pelas
assets, ali tentando e buscando
Mas os clientes não necessariamente
estão fazendo fila e batendo na porta.
Pelo amor de Deus, eu quero um produto
SG. A gente não vê, né, essa urgência, o
que é esquisito dado a realidade do
nosso mundo, né, o que a gente sabe que
será o futuro das questões
socioambientais. Mas em todo caso a
gente precisa de fato trabalhar nesses
fatos econômicos que talvez nos
ajudariam a ter uma sustentação maior
para oferta e demanda se encontrarem com
menos fricção no mercado. E com isso eu
paro aqui pra gente continuar a
conversa.
>> Obrigada, Anelise, Luzia. Já começamos
bem. Eu vou interromper aqui as
perguntas que a gente tinha já
conversado um pouquinho, só para passar
algumas pergunt primeiro, alguns
comentários, né, e perguntas que o
pessoal tá fazendo aqui. O César Augusto
falou disso, né, de que realmente a
gente precisa dessa necessidade de
educar o investidor em relação a esses
produtos, né? Eh, a gente sempre aqui na
BIMA quando discute desenvolvimento de
mercado em geral, a gente não tá falando
nem só de produtos sustentáveis, né? a
gente tem às vezes essa discussão de se
é o ovo ou galinha, falta oferta, falta
demanda, falta aí e no fim a gente acaba
eh
essa construção de instituições, porque
a gente tá falando isso, né? A gente
precisa de instituições e de eh demanda,
demanda, oferta, regulação, plataforma,
né? Eh, no fim a gente precisa de um
conjunto de iniciativas. a gente precisa
da educação do investidor, a gente
precisa educar os profissionais, a gente
precisa de autorregulação, a gente
precisa do mercado, do do mercado de
carbono, da taxonomia, de todas essas
instituições que preenchem o
quebra-cabeça, né? Então, acho difícil a
gente responder se só a educação do
investidor, acho difícil, não, só a
educação do investidor não vai resolver
a educação e mais esse conjunto de
outras iniciativas, né, e e de
integração desses riscos e de avaliação
e de refletir os riscos no valor dos
ativos. Eh, em conjunto com os
profissionais, talvez, né, a gente veja
uma evolução. Eh, a gente sempre v
educação não resolve tudo, né? você você
precisa de uma série de outras
arcabolsos para resolver. Aí tem uma
pergunta geral aqui que, mas que eu acho
bem legal a gente fazer é da Vanessa
Rossete. Ela tá falando pedindo para uma
uma avaliação de vocês em relação a o
impacto que todos esses eventos do ano
passado,
eh, COP 30, né, a gente teve, enfim, a
discussão de sustentabilidade estava
muito forte no Brasil no ano passado e
se isso teve em termos
práticos, né, algum impacto mesmo. ten
uma opinião, mas vou deixar vocês
responderem antes, né? Isso gerou
direcionamento de capital, priorização
de agendas nas empresas, no governo, né?
Eh, foi só mobilização e não temos
nenhuma consequência, né? O que que foi
o impacto da COP 30? COP 30, diga toda
essa agenda, né, que foi tão forte no
Brasil o ano passado, como é que vocês
veem o impacto dela agora, né, na agenda
real e no que tá acontecendo e no que
deve acontecer a partir desse ano?
Quer começar, Luzia? É uma pergunta
fácil, né, gente?
>> Simples, tranquilo. [risadas]
>> Não, mas eu vou responder com base um
pouco no que a gente tá tá presenciando
e tá vivenciando aqui na nossa
realidade, né? Eu acho que sim, teve um
impacto bastante positivo, não só os
próprios eventos, mas eu acho que o
mundo hoje tá mudando muito rápido, né?
E a gente até tava conversando ontem,
né, sobre o impacto, né, de conflitos
geopolíticos, né, de todo o cenário que
a gente tá vivendo hoje e que o Brasil
se mostra ali como um país que pode
oferecer algumas soluções importantes,
cada vez mais, né? E isso foi muito
discutido na COP, teve evento do PR
também aqui no Brasil, então a gente
teve o ano passado ali, né, trouxe muito
holofote para cá e e trazendo muito, né,
dessa perspectiva que sim, existem
soluções que a gente pode oferecer,
existem temáticas extremamente
complexas, né, hoje no mundo, né, que
cada vez mais, né, vai ter que se
desvencilhar, né, do do dos
combustíveis. fósseis, né, por uma série
de de razões além da climática, né? Eu
acho que a climática eh eh hoje, né, na
discussão toda, acabou ficando em
segundo plano, né, porque a gente tá
falando muito sobre a questão, né, de
segurança energética. E até eu tava
conversando com um dos analistas, né,
que que fala muito sobre energia e ele
falou muito do conceito de independência
energética, que eu achei muito legal,
né, como é que cada país, cada região,
né, vai se tornar cada vez mais
independente por conta desse mundo que a
gente vivencia hoje e até mesmo pelas
questões climáticas. Então, acho que o
Brasil tem muita solução para oferecer.
a gente trouxe muito ali a discussão,
né, de como atrair esse capital
estrangeiro, especialmente paraas paraas
soluções que a gente pode ofertar. Eh,
então acho que isso tá muito no dia a
dia da gente aqui que discute essas essa
essa temática. Porém, tem um outro lado
que eu acho que pode ser algum tipo de
entrave, que é realmente a segurança,
né, a a o arcabolso legal, né, que a
gente consegue demonstrar para esses
públicos, tá? Porque no final das contas
é isso, o investidor ele vai colocar o
dinheiro no mercado que seja mais
seguro, né? que ele tenha menos risco,
que ele consiga ter a garantia de que
aquele investimento vai ter um retorno,
mesmo que no inclusive no longo prazo,
porque essas soluções elas muitas vezes
são de longo prazo, ela precisa de um
que a gente chama de um capital mais
paciente, de um investidor ali, né, que
não tá olhando pro curto prazo, pro
retorno ali no próximo mês, né, que é um
tipo de investidor totalmente diferente.
E aí a gente precisa o quê? demonstrar
que a gente tem ali um marcabolso legal,
né, para para soluções, por exemplo,
data centers, né, que a gente fala
muito,
me parece uma solução muito interessante
para cá, mas existe uma série de temas
que a gente tem que discutir, né, que
tem que tá colocado na mesa, até mesmo
para assegurar, né, a existência, né,
dessas soluções no longo prazo, impacto
nas comunidades, a questão hídrica, né,
e mesmo, né, a geração de energia, né,
para em determinados locais. Eh, outro
tema também que tá super em alta, né, a
questão dos minerais críticos, né, como
é que a gente consegue aproveitar aqui o
nosso potencial? Será que a gente só
quer ser mais um fornecedor de
commodities, né? Talvez a gente não
queira isso. Talvez a gente queira
atrair um investimento para cá no
desenvolvimento de tecnologias, de
soluções de processamento. Mas como é
que a gente oferta isso? como é que a
gente dá garantia que nós somos um país
seguro para para, né, para para esse
desenvolvimento? Então eu vejo muito
dessa forma, assim no no universo aqui
que a gente trabalha, tem muita gente
interessada, tem muita gente com
dinheiro para para alocar nas soluções,
porque sim, a gente precisa desenvolver
essas soluções, mas ao mesmo tempo a
gente tem que oferecer um ambiente
seguro, né, para para que tenha ali, né,
um longo prazo, eh, retorno, mesmo que
ele seja, né, um um retorno menor, né, a
gente você comentou sobre, né, o blended
finance, né, então você traz ali um
capital que não exige um retorno tão
grande para atrair, né, um outro capital
mais agressivo. Eh, então acho que a
gente tem tem várias questões ali a
serem consideradas. E aí, um outro ponto
assim que eu queria comentar que que é
muito do nosso dia a dia, eh eu tenho
tido muito mais conversa, né, durante
esse ano, eh, com a, eh, com family
office, com, eh, alguns investidores do
nosso private, então aquele pessoal que
realmente quer diversificar os seus
investimentos para soluções mais
sustentáveis, para investimento de
impacto, para privity, para, então
assim,
produtos alternativos que a gente chama,
né, que tenham ali a demonstração do
retorno. E a gente tem muitos exemplos
que t assim um retorno bastante
interessante, né, se comparado ao nosso
mercado atual, eh, e que tem ali um
diferencial de trazer impacto positivo.
Então, eu tenho assim participado de
várias conversas com o nosso pessoal do
private também, com outros, né,
investidores institucionais,
eh, olhando também para isso como uma
forma de de tentar diversificar. E aí,
Ane, tem um uma um comentário que eu
queria fazer, né, quando você estava
falando sobre como é importante a gente
avaliar as carteiras aqui locais, né,
para para tentar identificar essa
criação de valor, né? E aí assim, eu
acho que tem que ter realmente pesquisas
aqui locais, porque a gente tem um
cenário muito eh específico, né? E
assim, não é chovendo molhado, eu sempre
falo isso em todas as, né? Eh, em toda
vez que eu vou comentar, mas assim, de
fato, a gente tem que considerar que o
Brasil é um país que tem ainda uma taxa
de juros muito alta, né? eh acaba, né,
assim, não atrai tanto esse tipo de
produto ou de investidor, né, que quer
ali uma um produto alternativo, um
produto de maior risco, né? Então a
gente tem que ponderar muito isso. A
gente vive essa realidade no nosso
mercado de capitais, né? O própria, a
própria bolsa, né? a gente ainda tem
muitas limitações, então se a gente for
comparar, né, com bolsas lá fora na
Europa, no próprios Estados Unidos, né,
o nosso perfil ele é bastante diferente
e acaba dificultando um pouco, né, dessa
identificação de como a gente cria
valor. E aí sim, né, essas soluções que
a gente tem para ofertar pode ser ali,
né, um nicho de mercado muito
interessante que vá trazer uma, vá
mostrar a nossa relevância, a nossa
importância, só que assim, é um mercado
ainda muito menor, muito pequeno, né, se
comparado ao que a gente tem hoje, né,
eh, em títulos públicos, por exemplo, a
gente não vai inverter, né, essa esses
percentuais, mas a gente pode sim
avançar um pouco mais, dependendo do
cenário aí que se for, né, que que for
se desenhando aí, né, ao longo dos
próximos anos, que é o cenário
macroeconômico, que é muito importante,
a gente não pode, né, tirar isso dessa
conta, né? Então, quando a gente vai
falar sobre a importância dos fundos
ESG, dos fundos, das estratégias de
investimentos sustentáveis, é sempre
olhando com esse cuidado, né, que o
nosso mercado realmente é bastante
desafiador, né, por conta da importância
do tema, mas por conta do próprio
cenário macroeconômico.
>> Eh, gente, vou continuar aqui nas
perguntas do público, depois a gente, se
der tempo, senão a gente segue aqui com
o pessoal, né? A gente mencionou, eu
mencionei um pouquinho taxonomia
sustentável, né? E a gente tem uma
pergunta aqui da Thaís Domingues, se a
taxonomia sustentável tem potencial de
mudar essa dinâmica. E aí, Luzia, eu vou
até emendar com aquela discussão que a
gente teve. Então, a gente tem a
taxonomia sustentável vindo, o mercado
de carbono e a gente tem também eh o
esforço, né, de de S1, S2, das novas
regras contábeis. E às vezes a gente
trata esses temas como aquela bala de
prata, né? vai vir a taxonomia
sustentável e ela ajuda, ela ajuda,
resolve e tal. Eh, então queria que
vocês eh comentassem um pouco, né,
dessas eh regras, eh sistemas, né,
procedimentos que a gente tá criando e o
papel que eles têm, né, porque às vezes
a gente tem a impressão que não há
taxonomia vai resolver, vai surgir a
taxonomia, né, aquela é o que faltava,
era a peça do quebra-cabeça que faltava.
Então, eu queria aproveitar a pergunta
da Thaí para, óbvio, a gente falar da
taxonomia, mas esses outros aspectos e o
quão eles resolvem mesmo, o quão é
incremental, né, e o que que a gente,
como é que a gente olha para eles,
>> tá bom? Vou responder aqui do ponto de
vista mais, né, né, do do da prática
aqui que a gente tem observado e vou
deixar para an complementar ali com mais
estudos que eu acho que a fundamentação
ali, né, acadêmica é super importante na
prática. é o que eu acho, assim, são
ferramentas extremamente importantes. Eu
acho que são necessárias para que a
gente consiga eh evoluir, não só na pelo
nosso lado da gente conseguir selecionar
aqueles ativos que são mais
sustentáveis, porque a gente tem
critérios mais claros, né, que são
definidos pela taxonomia. Eh, a gente
tem informações mais consistentes,
padronizadas ali pelo IFRS, S1, S2, né?
a gente tem ali um mercado de carbono
potencial que vai demonstrar ali, né, em
termos e econômicofinanceiros, né, de
fato, quem vai ser mais impactado ou
não. Eh, então eu acho, eu não, eu eu
entendo que todas essas, eh,
ferramentas, né, e diretrizes são
extremamente importantes. Só que tem um
outro ponto que eu acho muito
importante, é o engajamento com todas as
partes, né, esse diálogo e essa
discussão, né, com o IFRS. E eu tenho
falado bastante sobre isso. Eu acho que
as empresas, né, elas têm um esforço
enorme para reportar, né, porque é
regulatório, a CVM, né, tá, vai exigir
isso a partir do reporte em 2027. Então,
tá, estamos aqui, tá em cima, né? Então,
eu vejo muitas empresas muito
preocupadas e realmente, né, tentando
entender a fundo como fazer esse tipo de
reporte. Mas aí, por outro lado, eu acho
que aqui do nosso lado, né, do dos do
mercado dos analistas, né, a gente ainda
precisa entender um pouco mais o que vai
ser isso, né, quais são os indicadores
que vão ser reportados, se a gente vai
conseguir mesmo incluir numa integrar
num valuation, né, numa análise de de
ativos. O que eu diria que assim, por
enquanto ainda não, a gente ainda não tá
enxergando esse dado como, né, uma bala
de prata que eu vou conseguir integrar
100%, né? Por isso que eu acho muito
importante que a gente tenha esse
diálogo entre todas as partes, porque
não vai ser perfeito no nos primeiros
anos, né? A gente ainda vai ter, né,
empresas que vão reportar, que vão ter
que corrigir, que vão, né, vai ter que
padronizar, vai ter que ter um ajuste ou
outro. Isso, né, super, né, faz parte do
do processo, mas o que a gente tem que
olhar é mirar lá na frente. Na frente eu
quero realmente que essas informações
sejam utilizadas, né, que a gente
demonstre claramente quais são os
impactos econômicos de riscos e
oportunidades, sejam elas de clima,
biodiversidade, capital humano, né, e
todos os temas que estão na pauta aqui,
né, para pra série do do IFRS. Eh, mas
para isso a gente tem que ter um diálogo
eh mais consistente. Eu acho que é não é
só numa num momento, em uma reunião ou
numa discussão, mas a gente tem que ter
uma agenda ali contínua pra gente ir eh
debatendo com essas várias partes, né,
empresas, analistas, né, agências de
rating, né, consultorias, enfim, todo
mundo que tá envolvido nesse mercado
para que a gente consiga olhar ali paraa
frente e chegar num denominador comum.
como é que a gente vai responder essas,
né, como é que a gente vai integrar
essas questões de uma forma mais
consistente, tá? Então, é um pouco da
minha visão.
>> Vou pegar aqui a a bola da Luzia. Enfim,
eu super concordo com ela. Não sei se eu
teria muito muito a acrescentar. Vou vou
vou tentar só complementar um pouco, mas
assim, eh trazendo essa essa reflexão
que eu concordo totalmente com o que ela
já apresentou. Eu acho que esses
instrumentos, primeiro que eles não são
iguais, eles não se propõem e a mesma
coisa. Então a gente precisa separar,
por exemplo, o sistema brasileiro de
comércio de emissões, ele vai tratar de
um sinal de preços diferente e tal. a
taxonomia,
eh, e o S1, S2, eles têm um objetivo um
pouco distinto, que é talvez, eh, a
taxonomia, dependendo de como ela vier a
ser futuramente, né? Eh, mas como ela tá
agora, né, aqui ela se propõe, ela ela e
o e o S1, S2, eles têm esse objetivo de
reduzir a simetria de informação,
contribuir pra disciplina de mercado,
porque a partir do momento que você traz
mais informação pros agentes, na hora de
tomar a decisão, eles podem estar um
pouco mais bem informados para tomarem
decisões sobre o que é realmente
importante para sua tomada de decisão.
Mas no fim das contas a gente cai na
tomada de decisão individual, né? Eh,
dentro de um ambiente financeiro, dentro
de um ambiente que tem certas regras,
porque é isso, se eu vou para um
hospital, um hospital tem as suas
regras. Se eu vou, né? Então, cada um
tem o seu jeito de operar ali. A gente
não pode esquecer que economia e
finanças são ciências, inclusive, né? O
que que é ciência? Ciência é algo que a
gente estuda por um período de tempo e
procura eh eh entender padrões, padrões
que se repetem. Então, existem padrões
que se repetem e que a gente consegue
derivar certas leis, leis de economia e
finanças. Uma delas, por exemplo, é que
as pessoas reagem eh elas reagem a
incentivos, né? Então, as pessoas um,
elas sempre estão avaliando tradeoffs.
São uma lei, assim, qualquer livro,
texto de economia, vocês vão encontrar
isso. As pessoas sempre avaliam
tradeoffice. Então, nenhuma escolha é
livre de custos e benefícios, né? E,
bom, se eu fizer isto, o que eu estou
não fazendo, o que eu estou deixando na
mesa, né? Eh, nós todos aqui, tô vendo
que temos 160 pessoas aqui hoje, nós
todos que estamos aqui não estamos em
outro lugar
como regra geral, né? Então, nós estamos
avaliando o tradeoffice. Olha, se eu vou
lá nessa live super legal eh do mercado
de capitais naima, eu não estarei em
outra outro lugar. eu fiz a minha
avaliação e prefiro estar aqui. Então,
todos nós sempre olhamos tradeoffs,
fazer isto verso, fazer aquilo. E todos
nós reagimos a incentivos, né? Então, o
mercado, o sistema brasileiro de
comércio de emissões, por exemplo, ele
vai procurar trabalhar na estrutura
econômica de incentivos, né, ao
determinar ali nível de emissões máximos
e você buscar os anunces para fazer as
suas emissões, enfim, então ele vai
trabalhar nessa estrutura econômica. a
taxonomia, o S1, S2, eles só vão ter um
impacto de mudar comportamento e mudar a
decisão se eles trabalharem também na
estrutura econômica de incentivos. Eh,
eu tava comentando ontem, né, nossa
conversa, que tem um paper eh muito
interessante que foi publicado
recentemente sobre a avaliação do
primeiro ano do S1, S2 na Turquia.
Então, o que que eles avaliaram? eles
fizeram uma análise de conteúdo, que é
uma metodologia qualitativa, enfim, e
eles avaliaram eh todos os relatórios
S1, S2, porque foi obrigado também na
Turquia as empresas de capital aberto a
terem os seus relatórios publicados,
seguindo a metodologia S1, S2 e tal.
Então eles analisaram das empresas
listadas no mercado de capitais da
Turquia, o qu qual foi o resultado desse
primeiro ano de implementação. E aí o
resultado foi, eu acho que um pouco o
que é esperado, assim,
uma um falai de gato, né? Então, a gente
tem eh acho que grandes conclusões ali,
enfim, não vou aqui ficar falando do
paper porque ele é extenso, mas
basicamente, né, uma reprodução daquilo
que já vinha sendo feito antes em termos
de eh relato. Então, GRI, relato
integrado, dá uma repaginada e virou o
S1, S2, materialidades, a compreensão de
materialidades muito diferentes, então
não dá para comparar os relatórios. Isso
não sou eu que tô falando, é o que tá lá
na conclusão do relatório. Enfim, o
resumo da ópera é que os escopos também
muito diferentes de relatos. O resumo da
ópera é que não mudou nada em relação
nesse primeiro ano, né, gente? É óbvio
que a gente tem que olhar para uma
trajetória, é o primeiro ano, as coisas
vão se ajeitar, enfim, né? Vamos colocar
também esse olhar cuidadoso aqui, mas
que não veio nada muito diferente do que
já estava vindo, né? do que já estava
vindo com GRI, com relato integrado,
enfim. Então, a gente também precisa
cuidar das nossas expectativas, achar
que isso vai resolver o problema de
alocação de recursos. O problema de
alocação de recursos, problema de
alocação de capital paraa agenda de
sustentabilidade é um problema
econômico. Então a gente vai ter que
trabalhar, reduzir a simetria de
informação, ajuda, ajuda, mas são outras
questões que vão de fato mudar o
ponteiro. Só para terminar, para não
dizer que eu não falei das flores, eh,
esse ponto que a Luzia trouxe sobre as
nossas taxas de juros, serem as taxas
reais de juros no Brasil são as taxas
mais altas do mundo, isso de fato leva a
um esvaziamento do investimento e do
investidor de risco. Isso é um problema
pra agenda de sustentabilidade, porque
vários dos projetos de sustentabilidade
que a gente ama, porque eles são
incríveis para nos ajudar com o problema
da sustentabilidade, eles são, em termos
financeiros, projetos de risco. E aí é,
se eu tenho uma lacuna de investidor de
risco no Brasil e na América Latina,
então, só para vocês terem uma ideia,
né, o o investimento em private equity,
venture capital, eh, da América Latina
representa cerca de 1% do investimento
de risco do mundo todo. Só a economia
brasileira representa 6% da economia
mundial. Só para vocês terem uma ideia
da magnitude de como a gente tem uma
carência de investimento de risco no
Brasil, isso é estrutural, tá? Isso é
estrutural. E é um pouco aquela ideia,
pega um, pega geral, vai pegar você
também, pega aqueles que estão
investindo em tecnologia, pega em todo e
pega a turma da sustentabilidade também.
Então esse é um problema que a
sustentabilidade tá junto com outros,
não é exclusivo do nosso tema, né? E aí
tem a ver com essas taxas
estruturalmente mais mais altas e tem a
ver com um outro elemento que a gente
discute pouco também, que é a baixa
produtividade da economia brasileira,
que é um problema que vem desde a década
de 1980, enfim. Então, para encerrar, a
gente tem um problema de origem
econômica.
>> Obrigada, Anelise. Agora ela deixou bem
mais fácil o problema pra gente
resolver, então.
Eh, deixa eu só antes de fazer a próxima
pergunta, a Anne Mari perguntou aqui se
a gente pode participar de um outro
debate. A turma aqui da Bima vai entrar
em contato com você. Espero que eu
esteja falando seu nome certo, Anim
Marie. a gente entra em contato com você
aqui, a Amanda, que é do nosso time de
sustentabilidade, para ver se a gente
consegue viabilizar. Eh, o problema de
ter uma consultora como a Denise Rios, é
que ela faz consultoria durante a live,
né, gente? Aí a gente tem que responder.
Ela escreveu assim: "Luia, vou pedir
para você me ajudar. Sobre a gestão de
risco nos fundos no mercado de capitais
em geral, o ideal não seria uma
recomendação da ANBIMA reforçando a
importância do dever fudiciário do
gestor no sentido de considerar essas
questões como um risco geral, não só dos
dos fundos IS, né, ou dos fundos SG,
porque especialmente no G e temas de
impacto das mudanças do clima, isso é
muito material. Eh, Denise, eu não sou
super especialista aqui na nossa
autorregulação, mas a gente olha para
tanto paraa gestão de risco, né, para
dever fiduciário
de forma não prescritiva, né, tudo que
for material, né, para precificação,
impacto, solvência, né, liquidez
daqueles ativos. Eh, então, obviamente,
né, entre isso e prescrever e dizer, tem
um tem uma diferença. De qualquer
maneira, vou levar a sugestão aqui pros
nossos fóruns de representação, mas vou
deixar a Luzia que está lá, né, fazendo
isso responder melhor.
>> Tem, a gente tem o Código Brasileiro de
Stewardship também, né, Billy? Eu acho
que é também o código tem ali é
voluntário também, mas ele demanda que
os investidores institucionais
integrem, né, as questões SG na
avaliação dos ativos como parte do seu
dever fiduciário.
O problema e essa discussão é é assim,
não tem fim, tá? É que eu acho que a
gente tá aqui num num ambiente em que as
pessoas entendem de fato, né, que fazer
essa integração eh faz parte do dever
judiciuciário, mas isso não é senso
comum, tá? A gente tem muito investidor
ali que entende que não, que é ali o
dever fciário é olhar só pro retorno,
independentemente de risco, sóci uma
caixinha específico, tá? Então assim,
tem muito investidor que fala: "Não,
isso aí é perda de tempo". digamos
assim, assim, eu tô falando aqui eh
porque temos esse cenário, então é é
muito difícil a gente ter um consenso
que sim, temos que integrar, embora aqui
a gente saiba, né, que a gestão de
riscos é super importante, eh, incluir
esses aspectos também, até porque a
gente tem, né, eh, muitos riscos
socioambientais e climáticos e de
governança, eh, que, que afetam, sim, as
carteiras, né, que mexe ali no bolso do
nosso investidor final ali.
Então tem a gente, acho que a gente tá
aqui dentro desse consenso, mas não é
todo mundo que que entende isso como
como parte do dever fiduciário, tá?
Então por isso que eu acho que é um
pouco mais complexo ali, né? Como você
falou, não dá para ser prescritivo, não
dá para ser ali, né? Tem que ter ou não.
Muitas vezes isso acaba sendo
voluntário. A gente já tem algumas
referências para isso, eh, mas não dá
para colocar numa regra, por exemplo,
né?
Aí eu queria comentar rapidinho esse
ponto da Luzia, porque é exatamente esse
ponto que ela trouxe, essas diferentes,
diferentes compreensões sobre dever
fiduciário que tá no centro do movimento
do backlash esse dia nos Estados Unidos.
E aqui não tô falando daquilo que sai na
imprensa, não tô falando do que tá nas
cortes, da decisão judicial. Então essa
é uma discussão que ela é muito técnica
e que é exatamente essa discordância com
base em estudos quantitativos e leis e
tal, que tá no centro da judicialização
do tema nos Estados Unidos e também não
existe ali uma resposta única, falando
pelas decisões das cortes e pelo que tá
sendo discutido no aspecto técnico.
Então é bem séria essa discussão, né,
sobre esse sentido. Então eu queria
concordar com a Luzia e só também trazer
um outro ponto. Eh, eu fiz com outros
dois colegas, a Viviane Prado e o
Ricardo Rocham lá da GV. A gente fez um
estudo no final do ano passado junto com
a Caixa Seguridade, enfim, e que passou
por a gente estudar os mecanismos legais
e os códigos presentes no Brasil
relacionado com o dever fiduciário e,
por exemplo, a questão climática. O que
a gente tava tentando entender é se
existia algum problema jurídico que
impedisse. Então aqui o caso era
diferente, o caso assim, algum
impedimento jurídico de se incorporar
questões climáticas para o dever
fiduciário? Porque do ponto de vista
legal, essa é uma questão importante. E
daí a gente encontrou que do do ponto de
vista jurídico e legal, a porta tá
aberta, quem quiser pode, né? Então não
existiria um debate no sentido contrário
do tipo você incorporou e não deveria
ter incorporado. Porém, para motivar o
comportamento, aí é a compreensão de
cada gestor sobre o que é de fato o seu
dever fiduciário e aí é individual.
A
gente tá chegando eh quase no final
aqui. Eu eu vou fazer uma das perguntas
que a gente discutiu ontem, que tinha a
ver com maturidade e tamanho das casas,
né? A gente vê no relatório eh que tem
uma correlação entre o grau de
maturidade eh e o volume sobre gestão,
né? E o tamanho das gestoras. Ela não é
completa, né? a gente encontra as
gestoras de tamanhos diferentes também
menores também em graus, mas eu acho que
vale em graus diferentes de maturidade,
mas acho que vale a pergunta, né? Eh, SG
é realmente um luxo nas das grandes
gestores, das que já t recurso,
estrutura, né? E aí aquela correlação,
né, que você não sabe se vai para lá,
ela tem faz SG porque ela já é muito
grande, ela é muito, ela cresceu fazendo
SG. Eh,
é só uma condição necessárias para para
as grandes. Eh, como é que vocês
enxergam isso? Eh, a Anelise mencionou,
por exemplo, eh, que existe a
possibilidade de você ter um certo
ativismo e a gente já tem algumas
gestoras pequenas no Brasil fazendo
isso. É muito pouco, né? Mas tem uma ou
outra que atua no setor de óleo e gás
para fazer as empresas eh migrarem para
para renováveis, né? Então você tem um
uma carteira que é só de óleo e gás, que
a princípio não parece sustentável, mas
se o objetivo é vou vou pressionar essas
empresas. Isso é algo que as pequenas
podem fazer, né? Como é que vocês veem
essa a ligação entre SG e tamanho de
porte eh das instituições que atuam no
nosso mercado?
>> Bom, eh vou começar aqui falando, né? Eu
acho que eh essa foi foi um dos pontos
que me perguntam bastante, né? Porque a
pesquisa mostra, né, claramente sim, que
as gestoras maiores, né, são as que têm
as práticas ali, né, já mais tempo, tão
mais consolidadas, né, ão tem um grau de
maturidade maior. E existem algumas
razões para isso, né? Primeiro, assim, é
uma demanda regulatória, né? Então, as
grandes instituições, asets vinculadas
aos bancos, né, geralmente tem ali, né,
questões regulatórias e a gente como né,
global, né, tem demandas da Europa, né,
de outros mercados também, faz com que a
gente tenha ali processos que são mais
robustos ou que têm equipes mais
dedicadas, né, eh, pelo tamanho, sim,
porque tem mais recursos no final do
dia, né, mas também por uma demanda
regulatória e de mercado, tá? E também
tem a questão de de você ter ali uma
oferta, uma grade de produtos muito
maior, né? Então a gente tem ofertas
para clientes da do varejo até
institucional. Então você oferta ali um
uma quantidade de produtos diferentes e
aí faz parte da nossa oferta ter ali
produtos, né, eh de investimento
sustentável. E para isso a gente precisa
ter estruturas mais eh mais eh maiores
para isso, tá? até porque a gente avalia
uma quantidade de ativos bem grande.
Então precisa ter metodologias, precisa
ter provedores, né, que nos auxiliam a
fazer todas essas análises. Mas tem uma
parcela do mercado também, Billy, que eu
acho que isso é muito importante a gente
ressaltar, que são aqueles gestores mais
de nicho mesmo, que vão olhar para
investimento de impacto, que vão olhar
para estratégias, né, mais direcionadas,
né, que vão captar recursos, né, ou de
um investidor lá fora que tem esse
capital para alocar aqui, né? E a
questão do tamanho, An, é super
importante, né? a gente tava tendo uma
reunião com com um dos gestores, né, de
de private equity, ele falou, falou
assim, ó, o mercado todo aqui no Brasil
é um gestor de private equity nos
Estados Unidos, né? Então, é, a gente
ainda tem um volume muito pequeno, mas
temos um mercado ali e desses, desse
perfil de gestores que eu vejo assim,
são pessoas altamente capacitadas, né,
com estruturas ali 100% direcionadas
paraa integração, para olhar para ativos
que tragam ali o benefício, que tenham
um impacto positivo. E para isso você
tem que ter, né, um pessoas que têm um
conhecimento mais profundo, né, tem
essas gestoras têm eh tem estratégias
que são extremamente sofisticadas, né,
seja de, né, estratégias de soluções
para as questões climáticas, regeneração
de áreas, enfim, são coisas que exige,
né, um conhecimento técnico muito
profundo. E esse perfil, embora o volume
não seja tão grande, mas é um perfil que
que a gente tem no nosso mercado, né,
Billy, que se se enquadra facilmente
naquele perfil engajado, que é aquele
gestor que que tá com aquilo, né, já na,
né, na no centro do do seu do seu
negócio, né? Então, acho que não dá para
para pra gente, a gente tem que
considerar esse mercado. E acho que até
conecta um pouco com aquela pergunta que
você fez assim, será que, né, a gente,
né, o o nosso mercado aqui, né, depois
de COP, depois de de PR e tal, acabou se
destacando? Eu acho que sim. Algumas
dessas gestoras estão aproveitando o
debate que veio para cá em relação a
clima e estão propondo soluções de
tecnologias climáticas, né, de de
soluções ali, né, que que vão olhar para
pro aspecto social também, né, e a gente
vê muita coisa bacana por aí e são
gestoras extremamente sofisticadas.
>> Anne, quer comentar?
Não, só [risadas]
gabaritouindo aqui.
>> Luzia gabaritou. Vamos pra próxima,
gente. Eh, a Isadora fez uma pergunta eh
aqui olhando bem pra fronteira e futuro,
né? Ela tá falando que ela vê muito o
nosso setor ainda tratando o clima e
natureza como frentes diferentes de
atuação. É verdade, Isadora, né? Não
vamos nem discutir isso. Eh, e que ela
entende que essas agendas estão super
conectadas, né? E e são, no fundo, são a
mesma agenda, né? Não dá para pensar em
clima sem pensar em natureza.
E ela pergunta assim: "Como vocês
avaliam a atuação dos fundos de
investimento em natureza biodivers de
biodiversidade e desmatamento hoje?
Pensando que tá chegando TNFD, né, no
próprio IFRS, né, não agora, né, mas vai
chegar. E o que que vocês acham que
precisa para dar mais robustez nisso,
né? Falta dado, falta capacity building,
falta guidance, mais estudos? O que que
falta eh pra gente começar a trazer
agenda de natureza? Eu acho que a gente
nem chegou, a gente tá longe de chegar
em natureza da maturidade que a gente
tem em clima, né? Mas eu acho que era
legal vocês comentarem um pouquinho.
Acho que a Anne, do ponto de vista, né,
mais de quem acompanha academicamente e
a Luzia que tá ali na na numa
instituição. Como é que vocês veem isso
e como é que vocês enxergam o futuro
disso?
>> Posso posso pegar aqui para dar um
respiro aí para para Lazi. Eh, bom,
então vou falar sobre a minha
perspectiva, né? mais acadêmica. Bom, eu
eu eu eu eu eu eu eu infelizmente eu
gostaria de ter uma resposta melhor, mas
como eu não tenho, eu vou ter que dar a
que eu tenho. E a que eu tenho é o
seguinte, enquanto a economia
brasileira, e aí eu tô falando economia
real, a gente não olhar pra pra nossa
biodiversidade, né, pro potencial da
nossa bioeconomia e colocar isso no
centro da agenda econômica brasileira,
porque de novo, este não é um problema
do setor financeiro, ele é o que a gente
vê no setor financeiro, essa separação
que você tá falando que é real e tudo
mais, é um problema, é um reflexo de
algo que a a gente vê na economia real.
Então, quais são os principais setores e
motores da economia brasileira, por
exemplo, né? Aqueles que contribuem eh
mais de forma mais importante pro PIB,
paraa balança comercial. são setores que
dependem muito, né, do ecossistema
natural e em larga medida, com algumas
exceções. E temos setores aqui que estão
evoluindo bastante e tudo mais, mas são
setores que ainda são setores olham pro
capital natural como fonte de input, né,
pro seu produto. Então, se a gente
pensar num fluxo muito tradicional, né,
que você tem um input, você processa e
você gera um output, você ainda tem uma
necessidade muito grande na economia
brasileira de tirar esses inputs que vem
do capital natural e eles são muito
importantes paraa produção econômica
brasileira. Então, a gente tem um
problema de reorganizar a nossa economia
para que seja uma economia que valorize
o o recurso natural de outra maneira.
falando aqui só da questão natural, mas
obviamente a gente poderia falar também
de capital social, a gente poderia falar
de uma economia do conhecimento que,
aliás, tá muito conectada com um capital
natural, né? Se a gente quer avançar na
bioeconomia, a gente vai precisar muito
dessa economia do conhecimento, então
que a gente não valoriza no Brasil.
Então, enfim, acho que a gente tem
muitos desafios que passam pela economia
real, cujos reflexos a gente vê no setor
financeiro. Então, ou a gente trabalha e
discute isso na sociedade brasileira, ou
a gente vai continuar tratando essas
coisas de maneira e aí não vai terd que
resolva isso, porque a força econômica
vai ser maior na outra direção.
>> Luzia quer comentar. É uma coisa que,
né, eu acho que eh a própria Isadora
mencionou aqui e aí falando do ponto de
vista mais eh técnico, eh a
incorporação, né, da de aspectos ligados
à natureza e como isso se relaciona a
clima, ele é um baita desafio pra gente,
tá? E assim, eu não tô falando só dos
gestores de recursos, mas pro pro pros
bancos também, né, as instituições
financeiras. Eu tenho, né, conversado
bastante com as equipes lá do banco que
tão trazendo, né, todas as referências e
tentando incorporar na análise, né, de
financiamento, inclusive, e passa sim
por um estudo extremamente aprofundado,
assim de, né, quais são os setores que
que vão ser mais afetados ou que quais
são os setores que vão nos impactar
mais. E aí tem uma questão de base de
dados, né, que é é extremamente
importante quando a gente tá falando de
dados relacionados à natureza e a
biodiversidade, né? E aí a gente acaba
usando várias fontes e assim, dependendo
de como você usa, você pode chegar a
resultados assim, né, extremos. Então é,
tem que tomar bastante cuidado também
com com o uso, né, de todas as
ferramentas e das bases de dados. E a
gente tem tentado testar, né, algumas
delas para para chegar num num
denominador comum ali, né, naquilo que a
gente realmente entende, né, pela
percepção e pelo conhecimento, né, das
pessoas que que trabalham com isso já há
bastante tempo, né, especialmente o time
de riscos socioambientais, né, que que
tem uma uma visão muito mais aprofundada
sobre esses impactos, né, e aí conciliar
um pouco dessas percepções e e discutir
mesmo. a gente discute muito
internamente, né, os resultados que a
gente que a gente chega nessa
incorporação. E a isso a gente tá
falando de um mundo que vai ser
impactado diretamente, que são as
instituições financeiras que estão
concedendo crédito, financiamento para
atividades que potencialmente podem ser
impactadas ou podem impactar ainda mais
pro mundo das gestoras de ativos ali do
mercado de capitais. Aí já é uma outra
discussão, a gente tá muito distante,
ainda tem a capacitação, né, Bil, a
gente tem várias capacitações dentro da
própria BIMA, né, discussões, né, PR,
todo mundo ali bastante engajado, mas
assim, legal, a gente olha tudo aquilo e
fala: "Tá, e o que que eu faço com isso,
né? Será que eu levo esse pacotinho ali?
Vou vou carregar tudo isso pro meu
gestor e falar assim: "E aí, você vai
incorporar a natureza na na tomada de
decisão?" assim, a gente ainda tem um um
caminho longo a percorrer nesse nesse
lado do mercado de capitais, tá?
Ô, Billy, só para eh eh terminar numa
nota mais positiva, porque eu acho que o
meu comentário anterior foi: "Nossa, a
gente tem que, né, mudar um caminhão de
coisa". Eh, existem soluções em vários
países do mundo que são chamados eh
mercados para ativos ambientais. Então
você tem vários países que encontraram
caminhos de você criar mercados
localizados para certos ativos
ambientais, que é uma forma de você
tentar trazer para o ambiente econômico
um sinal de preços em relação a várias
dessas questões, áreas protegidas, por
exemplo, nos Estados Unidos, você vai
ter mercado de água na Califórnia, eh em
outros lugares do mundo, na Nova
Zelândia, mercado para recursos
pesqueiros, eh na Nova Zelândia e na
Austrália. Então existem caminhos no
Brasil, a gente, vejam, o mercado
regulado de carbono é uma espécie de
mercados paraativos ambientais. E a
gente tá começando a discutir isso no
Brasil hoje, né? assim, não hoje, porque
a lei já foi aprovada em dezembro do ano
passado, mas enfim, a gente ainda, né,
tem um tempo aí para implementação.
Então esse talvez pudesse ser um
caminho, se a gente acelerasse conversas
para potencial de mercado para ativos
ambientais no Brasil, seria um caminho
pra gente facilitar essa locação e
incorporação das questões de natureza eh
nas decisões financeiras.
Obrigada, Nenise. Eh, pessoal, eu vou
fazer uma última pergunta pra gente
encerrar mais geral, pra gente tentar
terminar num tom mais positivo, não é
mesmo? Eh, mas antes de eu fazer a
pergunta, eu queria pedir para vocês
darem uma olhada no chat. A Flavinha,
Flávia, que é da nossa equipe de
comunicação e que faz todo o engajamento
aqui pra gente eh desse ecossistema de
sustentabilidade. Ela que cuida do tema
aqui, tá colocando para vocês a
avaliação do do evento, tal. É super
importante pra gente eh vocês avaliarem.
A gente tem desse, tá? estamos no
caminho, se precisam de outras coisas,
né? Então, por favor, avalinha que a
Flávia vai ficar super feliz a gente
também. Eh, e pra gente terminar um
pouquinho, eh, fazer uma pergunta bem
aberta, eh, e bem, né, daquelas
específicas assim, se a gente, vocês
tivessem que escolher uma coisa, né,
algo pragmático ou não tão pragmático,
mas que a gente precisa fazer nos
próximos no próximo ano, né, ou nos
próximos anos para essa agenda evoluir
no nosso mercado, né, especialmente. O
que que vocês fariam assim, né, o que
que vocês recomendariam pra gente
terminar nessa coisa mais prospectiva?
Bom, vamos, vou lá, vou começar então.
Bom, o que que eu acho que a gente
faria, né, e estamos fazendo até, né, eu
acho que é muito essa esse contato com
os nossos clientes, né, para mostrar os
produtos, mostrar até os nossos
processos, né, a gente faz muito isso,
né, para explicar o que realmente a
gente tá considerando como, né,
investimento sustentável, o que é
importante, o que não é, né, o que a
gente tá eh as ferramentas que a gente
tem utilizado, né, e compartilhar muito
esse conhecimento, né, com com clientes
e com, né, quem quem tiver interesse e
pergunta aqui pra gente, a gente sempre
tá tá fazendo isso, né? E eu acho que a
regulação tem sido um caminho bastante
interessante, né? Então, muitos, né, das
demandas que a gente recebe às vezes vem
por meio de requisitos legais de
regulação, né, que estão se tornando
cada vez mais restritivos. Então, acho
que esse é um outro caminho interessante
e assim, né, gente, acho que a gente
falou muito sobre os desafios, né, mas
nunca do ponto de vista pessimista, né,
Anne, né, Bil? Eu acho que embora muitas
vezes pareça assim que a gente tá longe,
mas eu acho que a gente tem percorrido
um caminho bem interessante. Lógico que
não é na velocidade que a gente
gostaria, mas eu tenho uma perspectiva
bastante positiva, apesar de todos os
percalços, apesar de toda, né, eh, de
toda a situação que a gente, né, tem que
enfrentar aqui os desafios nossos do dia
a dia. Mas toda vez que a gente tá num
evento desse, que tem, né, 150, 160
pessoas participando, interessadas, né,
dando, fazendo perguntas, tal, nossa,
isso não existia há 5, 10 anos atrás,
né? a gente fazia um evento, era muito
para quem realmente estava ali
interessado. Então,
>> acho que a gente tá num caminho bem
bacana e o nosso papel é esse, é
compartilhar, né, essas experiências,
né, compartilhar um pouco da nossa
vivência e discutir os desafios, porque
a partir, né, do entendimento de quais
são os desafios, a gente vai conseguir
encontrar soluções para isso.
>> É, eu tenho eu tenho dois comentários
para sua paraa sua provocação final,
Billy. E o primeiro é exatamente esse da
Luzia. Eu acho que quando a gente olha o
filme, né, e temos aqui muita gente que
tá desde o começo desse filme, né, eh, a
gente vê uma evolução
óbvia, né? Então, realmente tem
avançado. Tô, eu tô, sei lá, gente, eu
tô há 30 anos nessa agenda. Eh, eu já vi
de tudo, entendeu? Desde você ter que
explicar lá atrás o que que era Kyoto.
Eu sou desse tempo. [risadas]
>> Eh, então assim, realmente é innegável.
Quando a gente olha a foto, a gente fica
meio desanimado, mas quando a gente olha
o filme a gente percebe que muito se
avançou. Então, acho que temos temos
caminhos e e tá legal e vamos que vamos.
Esse é o primeiro comentário. O segundo
comentário é o lado vazio do copo. OK,
temos avançado, que ótimo. Porém, o que
a ciência, né, nos mostra, o que a Heart
Science nos mostra é que a gente precisa
andar um pouco mais rápido, não dá para,
né, porque o desafio ele ele ele tá
ficando maior. E aí, eh, o que que é
possível fazer? Então, eh, vocês dão um
desconto pra tia aqui que a tia vai
falar um negócio, vocês não vão gostar,
mas é um pouco o que eu acredito. A
gente vai ter que falar com as pessoas,
entende? Vamos ter que furar a bolha e
vamos ter que explicar pros eleitores,
né? Vamos ter que explicar para as
pessoas assim a importância de tudo que
a gente tá discutindo aqui para o futuro
do país. Não vou nem falar do mundo, tá?
Mas vou falar do país. Assim, se a gente
não agir, o que que isso significa? A
gente significa mais crianças doentes,
né? Eu eu tenho o prazer de participar
do hub de economia e clima lá do Ix. O
ano passado a gente abriu um edital para
receber vários papers de economia que
conectam economia com clima. E o paper
vencedor, eu faço um convite aqui para
quem quiser eh o o ler o paper. Enfim,
todos foram ótimos. A gente recebeu
trabalhos incríveis, então tem muita
pesquisa de altíssima qualidade sendo
feita no Brasil. Mas o o o vencedor, né,
conseguiu conectar o seguinte, áreas
vulneráveis, escolas que estão em áreas
vulneráveis climáticas de fato observam
perda de aprendizado. Os alunos observam
perda de aprendizado por conta de
estarem expostos a eventos climáticos
externos. E aí uma coisa que eles nem
estavam procurando, mas encontraram na
pesquisa é que as meninas sofrem mais
essa perda de aprendizado. Não é só
porque faltou na escola, daí não
aprendeu. Não, não, não, não. Você
retrocede o aprendizado. Então assim, a
gente tá falando de coisas muito
importantes pra gente como sociedade,
né? Então, enquanto a gente não tornar
isso mais claro paraa pessoa que vai
votar lá e fazer eu, [risadas]
né, que não significa votar no candidato
A, B, C ou D, mas ao assim, o mínimo que
a gente espera, fazer perguntas, né,
pros seus diversos. Então, enquanto a
gente não chegar nisso, isso vai
impactar a economia, né? É, esse é o fio
que a gente puxa. Então, vamos sair por
aí falando, né, gente? [risadas]
>> É isso aí, né? Vamos, vamos olhar o
filme. É porque a gente esquece às vezes
de olhar o que a gente conseguiu e não
ser complacente, né, Anne? Eh, pessoal,
primeiro, Luzia, Anne, muito obrigado
por estarem com a gente essa manhã aqui
hoje. Pra gente é super importante
conseguir discutir até para as pessoas
conhecerem a nossa pesquisa. Queria
agradecer ao time de sustentabilidade
aqui da BIMA. Eu só venho para o Gary
Garyy. Quem faz é tudo eles, né? Então,
Luiz Pires, a Roberta, a Amanda e a
Flavinha da nossa área de comunicação
que tá ajudando a gente e a todos vocês
que ficaram aqui, por favor, entrem na
redeima de sustentabilidade, acompanhem
a agenda, a gente tem muita informação,
muito treinamento, muita capacitação.
Vai ser um prazer contar com todos vocês
lá na rede. Obrigado pessoal, bom dia e
até a próxima.
>> Obrigada, gente. Obrigada pelo convite.
Muito bom bater papo com você.
>> Sempre um prazer.
>> Obrigada. Ciao Ciao. Ciao.
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