Gestão na prática: como tomar decisões sobre liquidez | Podcast Vai Fundo
Sumário Regulatório
O Vai Fundo estreia o quadro Gestão na Prática, voltado para os bastidores da indústria de fundos. Neste primeiro episódio, o tema é gestão de liquidez, um dos pilares mais complexos do gerenciamento de risco em fundos de investimento. Soraia Barros conversa com Ricardo Mizukawa, superintendente executivo de riscos da Bradesco Asset e coordenador da Comissão de Riscos da Anbima, sobre: ◼️ A diferença entre risco de mercado, crédito e liquidez ◼️ A importância de analisar ativo e passivo do fundo ◼️ Modelagem e monitoramento em cenários normais e de estresse ◼️ Ferramentas como gates e side pockets previstas na CVM 175 ◼️ O novo guia da Anbima sobre ferramentas de liquidez Um episódio para quem trabalha com fundos e quer se aprofundar nas regras, na governança e nos mecanismos que sustentam a indústria. Dá o play e vem curtir esse papo com a gente. Realize o download do Guia técnico de Ferramentas de Gestão de Liquidez: https://anbi.ma/guia-ferramentas-de-gestao-de-liquidez #VaiFundo #GestãoNaPrática #GestãoDeRiscos #Liquidez #FundosDeInvestimento
Transcrição e Conteúdo
Olá, sejam todos muito bem-vindos e muito bem-vindas ao Vai Fundo, o podcast da Ambi Soraia Barros e hoje estamos iniciando uma nova fase por aqui, pensada especialmente para apoiar o mercado em como colocar em práticas as regras e recomendações que orientam a indústria de fundos. Quem acompanha o Vai Fundo já tem um tempo deve conhecer o Papo de Gestão, que é o nosso quadro cr...
muito bem-vindas ao Vai Fundo, o podcast
da Ambi Soraia Barros e hoje estamos
iniciando uma nova fase por aqui,
pensada especialmente para apoiar o
mercado em como colocar em práticas as
regras e recomendações que orientam a
indústria de fundos. Quem acompanha o
Vai Fundo já tem um tempo deve conhecer
o Papo de Gestão, que é o nosso quadro
criado para tratar da trajetória e
visões de mercado dos grandes gestores
de recurso. Nesse ano, ele se despede
para dar espaço a um novo quadro que é o
Gestão na Prática. Eh, ainda teremos
muitos convidados renomados por aqui,
claro, mas agora eh para conversar sobre
os bastidores do dia a dia, os desafios,
as rotinas da gestão de recursos
realmente na prática. E aí, para abrir
essa nova fase, o tema do episódio de
hoje é sobre gestão de liquidez, que é
um dos assuntos super importantes, ao
mesmo tempo super desafiadores aí na
rotina do dia a dia ali da indústria de
fundos. Então nós vamos entender como é
que os gestores equilibram os diferentes
níveis de liquidez, quais as ferramentas
que podem ser usadas em momentos de
estress, eh quais são as principais
recomendações e regras relacionadas ao
assunto, enfim. Então é a gente tratar
realmente como fazer um bom
gerenciamento de liquidez na prática.
Bom, e para bater esse papo aqui com a
gente no Vai Fundo, eu tenho o prazer de
receber o nosso querido Ricardo
Mizucaua, que é superintendente
executivo de riscos da Bradesco Asset e
coordenador da nossa comissão temática
de gestão de riscos aqui da Ambima.
Misu, é um super prazer contar com você
aqui mais uma vez no nosso Vai Fundo.
>> Obrigado, Soraia. Prazer é meu eh
discutir esse tema que é um tema tão
relevante e importante paraa indústria.
Eu diria que é um tema da moda, mas ao
mesmo tempo é um tema com um certo grau
de complexidade. Então acho que o
objetivo nosso aqui hoje é descomplicar
eh o conceito eh de risco de liquidez.
eh dizer que eh a Comissão de Risco
daAMBIMA, assim como todos os membros da
comissão de risco, também estão à
disposição para esclarecer, tirar
dúvidas eh sobre eh o tema com o mercado
e com todos os participantes.
>> Bacana. Então vamos começar aqui. Acho
que eu queria começar meu abordando um
pouquinho, então, quando a gente pensa
aí na prática, no dia a dia ali da
gestão das carteiras, especialmente os
fundos que tentações
diárias, né, seja dos seus ativos sendo
negociados ali pelos gestores
diariamente, como também movimentação
ali de cotistas acontecendo, captações,
resgates, como que é, né, na prática,
eh, fazer a gestão de risco de liquidez
dentro de um fundo, né, que qual o
objetivo em ter esse gerenciamento? qual
tipo de rotina ali que um gestor de
risco precisa est atento no dia a dia na
hora de acompanhar essas carteiras.
>> Legal. Eu acho que importante, eh, em
primeiro lugar seria a definição do eh
gerenciamento de risco de liquidez, né?
Enfim, quando a gente discute
gerenciamento de risco de liquidez, eh a
gente eh busca evitar, né, a o não, eh
pagamento dos resgates, eh eh conforme
previstos nos regulamentos de cada
fundo, ou seja, cada fundo possui uma
regra de resgate, eh os investidores
esperam, uma vez que eles façam os
pedidos de resgate, que esses resgates
ocorram nas datas previstas, eh, na
impossibilidade eh de eh eh gerar
liquidez eh dos ativos para que os
pagamentos sejam feitos. É evidente que
você vai gerar uma situação limite, né,
em que o fundo não vai possuir liquidez
para eh eh efetuar os pagamentos.
quando a gente observa eh eh outros
controles, né, relacionados ao
gerenciamento de risco de uma forma
geral, eh e é um conjunto e um arcabolso
enorme de contores que são efetuados no
dia a dia pelos gestores de risco, né? A
gente tá falando de eh gerenciamento de
risco de mercado, gerenciamento de risco
de crédito, né? Eh e passamos pro
gerenciamento de risco de liquidez. Eh,
eu diria que o gerenciamento de risco de
liquidez talvez seja o mais complexo de
todos, né? E por um motivo simples, né?
Eh, quem toma a decisão de aplicar ou
quem toma a decisão de resgatar de um
fundo de investimento aberto é um
investidor. Ou seja, não depende somente
do gestor eh eh tomar as decisões eh eh
definição de liquidez maior ou menor.
Depende da vontade de um terceiro eh que
é o cotista do fundo. E este terceiro,
ao efetuar um pedido de resgate,
automaticamente obriga o gestor a a
vender ativos e gerar a liquidez
necessária para efetuar eh eh eh os
pagamentos.
Isto ocorre no gerenciamento de risco de
mercado? Isto ocorre no gerenciamento eh
de risco de crédito, não, né? todas as
decisões relacionadas ao maior ou menor
gerenciamento de risco de mercado, eh
são decisões do gestor que, de acordo
com o mandato e o regulamento do fundo,
ele pode, por exemplo, aumentar ou
diminuir a exposição em renda variável.
E no caso de crédito, ele pode aumentar
ou diminuir a exposição de crédito, eh
aumentar o risco de crédito dos ativos,
comprando ativos, eh, de maior risco de
crédito, eh, em detrimento de ativos de
menor risco de crédito ou eventualmente
aumentando o prazo eh de vencimento eh
dos títulos, né, o que no mercado a
gente chama de eh aumento de duro. No
caso do risco de liquidez, eh ele
simplesmente ele é refém eh de uma
decisão que é tomada pelo investidor.
dois fundos e eh com composições
semelhantes ou ativos eh que basicamente
eh representam a mesma composição de
ativos, não necessariamente
possuem o mesmo risco de liquidez,
porque o risco de liquidez envolve uma
análise não só do ativo, dos ativos dos
fundos, né, das ações, eh, dos títulos
públicos, dos títulos de crédito, dos
derivativos, mas também uma análise do
passivo. do fundo. Passivo do fundo é a
composição de investidores que o fundo
detém. Então, se o fundo detém eh
investidores eh de varejo, se o fundo
detém eh eh eh cotistas que são
investidores profissionais ou fundos de
pensão ou investidores não residentes ou
outros fundos que investem naquele
fundo, tudo isso eh determina o eh o
comportamento futuro que eh eh esses
investidores poderão ter eh em relação a
movimentações, aplicações de resgates.
Então, eh resumindo, quando nós falamos
de gerenciamento de risco de liquidez,
basicamente nós estamos falando de um
processo que no mercado financeiro é
conhecido como eh ALM, né, o asset
liability management, né, eh voltado
paraa liquidez. Ou seja, eu olho pro
ativo, né, pro asset, eu olho pro
liability, que é o passivo do fundo. Eh,
e com base, eh, numa análise tanto de
ativo quanto de passivo, eu defino ali
índices de liquidez potenciais, eh, para
prover e eh os resgates e os pagamentos
quando eles forem solicitados.
Excelente. Então, acho que você trouxe
um ponto super importante aí, que acho
que já é a primeira dica para quem tá
ali se debruçando, seja no
aprimoramento, seja na implementação ali
das suas políticas de gerenciamento de
liquidez, que é gente diferente aqui dos
outros riscos, né, inerentes ali à
carteira do fundo. Esse daqui a gente
tem que fazer uma composição entre o que
tem na carteira de ativos versamento
eh do que a gente chama de passivo, né,
que é o comportamento justamente de
captações e resgate dos investidores.
É, e para isso acho que é super
importante até pensar no no design desse
produto, né, inclusive, né, eh, de eu
ter realmente uma carteira muito
alinhada a esse a essa cotização desse
produto ou que eu espero ali e de
comportamento ali pro pro passivo desse
fundo. E aí, Mizu, eu queria te abordar
o seguinte, né? Quando a gente pensa em
toda essa essa caixinha, né? ir lá e
olhar para toda essa carteira e deixar
ela adequada ao que é o meu
comportamento ali esperado eh do do meu
investidor ou qual é o prazo de
cotização ali que aquele produto eh
propicia pros meus investidores. É, a
gente tem dentro da indústria, eh, né,
do mercado financeiro, mercado de
capitais, diversos ativos, alguns com
muita liquidez, eh, só que temos outros
tantos, especialmente quando a gente
pensa aqui em ativos de crédito privado
e e outros eh ativos ali com uma baixa
eh liquidez ou com uma maior dificuldade
ali de negociação. Como que eh qual que
é a tua recomendação? como qual que é a
sua dica para na hora do do gestor ali
eh de riscos fazer eh todo esse
gerenciamento, colocar nas devidas
caixinhas ou até mesmo quais são as
melhores métricas para poder então olhar
para todos todas essas gamas de ativo e
conseguir mensurar efetivamente ali o
que que seria uma liquidez, né? atrelar
qual seria esse índice de liquidez ali
para montar toda essa esse ferramental
eh para poder indicar ali qual que seria
essa liquidez, eh esse colchão de
liquidez adequado daquele fundo versus o
o o comportamento do passivo dele.
>> Legal, Sora. O gerenciamento de risco de
liquidez, ele envolve um certo grau eh
de cálculo, né, de eh observação
matemática. E aqui, basicamente o norte
sempre vai ser a negociação, o volume de
negociação de um determinado ativo, no
que a gente chama de mercado secundário,
ou seja, eh quantas transações e em
quais volumes aquele eh ativo em média
ele é transacionado eh seja na bolsa ou
no mercado de balcão.
Eh, e você tem a a hipótese de
eventualmente ter ou adquirir também
pros eh pros fundos ativos com menor
liquidez, né? Eh, eh, eventualmente
ativos de crédito ou eh ações eh que nós
chamamos no mercado como como small caps
ou microcaps que de fato tem um um
volume de negociação menor em bolsa.
E eh fazendo uma analogia, eh o risco de
liquidez ele é relevante porque eh é
muito mais fácil, por exemplo, vender um
carro do que vender 100 carros, né? Eh,
principalmente se o o volume de
negociação eh do mercado secundário de
carros eh for de 50 carros por dia, né?
Então, se eu tiver que vender dois
carros eh 100 carros, eu vou demorar
dois dias eh eh para conseguir vender eh
100 carros. Agora, se eu tiver que
vender um carro, eu vou vender muito
provavelmente no mesmo dia ou na mesma
hora.
Eh, isso acontece também eh no mercado
de fundos, né? Quando a gente olha pros
ativos que acompanham a carteira dos
fundos, eh, ativos mais líquidos e
negociados, dependendo do volume eh do
patrimônio do fundo e dependendo do
volume que eu detendo a criativo, vão
ser mais facilmente negociados, o que
implica numa negociação eh num preço que
vai ser muito próximo daquele preço que
eu espero vender, aquele ativo. Ou seja,
eh, se for um negociado, um ativo
negociado em tela, melhor ainda, porque
eu consigo ter visibilidade eh eh de
ofertas de compra e venda daquele ativo
eh naquele dia. Mas eu posso ter também
a na composição do fundo ativos com
menor liquidez, eventualmente não
negociados em tela, em que eu vou ter
que negociar no mercado eh secundário,
no mercado de balcão e ter que buscar eh
um comprador, né? Eh, buscar um
comprador significa eh discutir quanto
aquele ativo vale, né? Uma percepção de
preço eh que muito provavelmente eh eh
vai ser divergente, ou seja,
dificilmente o o o preço ele vai
convergir eh num primeiro momento. E
aqui você tem eh um exercício matemático
de modelagem, né? Eh, porque na prática,
se são ativos com pouca negociação no
mercado secundário, né, você acaba
estimando esta liquidez desse ativo mais
ilíquido com base em algumas premissas
que vão estar por trás do seu modelo,
né? Então, eh, qual que é o vencimento
desse ativo, né? Quais são as garantias
associadas a esse ativo? Ou seja, qual
que é o rating de crédito desse ativo,
né? Eh, qual que é o volume histórico?
eh eh relacionar associado ao volume que
eu tenho dentro do fundo, qual que é o
estoque desses ativos ou quantos
investidores detém esse ativo no
mercado. Então tem uma série de
premissas e assunções que são feitas que
fazem parte de uma modelagem eh de um
processo de liquidez para ativos menos
líquidos. Eh, por trás dessa conta, né,
eu diria que tem muita ciência e tem
muita arte também. né? Eh, ou seja, eh,
a todo momento você tem que verificar se
os parâmetros que você está utilizando,
né, são eh eh verdadeiros ou se esses
parâmetros estão adequados
eh com parâmetros minimamente
compatíveis com o que se espera eh que
ocorra no mercado caso haja um processo
de venda.
em situações de estress, né? E este é um
ponto eh eh relevante. Eh, o que acaba
acontecendo é que esses parâmetros
mudam, né? Então, uma coisa é a gente
analisar o mercado e esses parâmetros em
eh situações normais de temperatura e
pressão, ou seja, em situações de
normalidade. Outra coisa são os
parâmetros que nós utilizamos em
situação de estresse, né? Muito
provavelmente, se o mercado tem um
estresse e deseja vender esse ativo,
eh, diversos participantes e diversos
players vão tentar eh vender a criativa
ao mesmo tempo e a liquidez ou o preço
desses ativos vão mudar
significativamente.
>> Perfeito. e acho que na sua fala
anterior você falou um pouco de eh desse
arcabolso prudencial, né, que que é
justamente a gente fazer todo esse
gerenciamento olhando pras regras eh pr
pra liquidez tanto da carteira versus,
né, fazer uma estimativa ali do que
seria o índice de liquidez adequada e
tudo isso. Tudo muito dentro de um
arcabolso prudencial das nossas regras.
Regras essas inclusive que são muito
reconhecidas inclusive lá fora, né? a
gente eh até participou de uma série de
rodadas de discussão ali com a IOSCO,
né, na hora de tratar ali do do que
seriam essas diretrizes de liquidez. Eh,
mas eh recentemente a a CVM também
introduziu no nosso arcabolso
regulatório eh novas ferramentas, né, de
gerenciamento de liquidez, como side
pockets, as barreiras aos resgates.
Ah, e aí, se você puder explorar um
pouquinho aqui pro ouvinte do Vai Fundo,
eh, o que seriam essas ferramentas, em
que situações elas podem ser usadas ou
devem eh ser previstas, né, em
determinados tipos de produto. Enfim, a
BIM, inclusive, né, capitaneada
inclusive ali por todo o grupo ã que
você coordena, que é a comissão ali de
riscos. eh, inclusive acabou de emitir,
né, um guia eh de que trata, né, das
melhores práticas relacionadas ao uso
dessas ferramentas. Eh, então, se você
puder abordar um pouquinho para pro
nosso nosso ouvinte aqui, tanto, né, o
que que são essas ferramentas, como que
elas são introduzidas agora no nosso
arcabolso regulatório e contar um
pouquinho aí dessa iniciativa, do que
que esse guia tá trazendo, quais são as
melhores práticas que estão sendo
exploradas ali nesse guia. Vamos falar
um pouquinho então dessas novas
ferramentas que acho que é uma grande
novidade aqui pra indústria de fundos
também, né?
>> Sim. Eu eu s eu vou fazer aqui uma
recapitulação de quando a gente começou
a discutir eh eh risco de liquidez na
BIMA e não faz muito tempo não. Eh nós
começamos a discutir essencialmente lá
em 2020 no auge ali da pandemia, né? Eh,
em 2021, né? eh nós eh eh publicamos eh
e entrou em vigor eh as diretrizes de
liquidezes da BIMA com todos esses
conceitos que nós mencionamos, né,
relacionados tanto a a monitoramento
estimativa de liquidez dos ativos,
quanto eh em relação a eh ao
comportamento do investidor, né, que foi
um modelo, eu diria que eh preditivo e
até inédito do ponto de vista eh de
mercado financeiro. e eh incluindo
outras jurisdições, a gente não
identificou isso em nenhuma jurisdição,
que foi o a publicação de uma referência
de comportamento de resgatidor
que vocês conseguem encontrar no site da
BIMA, que eh nós chamamos de matriz de
probabilidade e resgates.
Então, basicamente, nós estamos
completando quase 5 anos em que essa
diretriz ela foi eh publicada.
Eh, e, eh, como você bem disse, agora
mais recentemente, nós divulgamos um
guia relacionado às ferramentas de
gerenciamento de risco de liquidez. Eh,
são basicamente duas eh ferramentas
previstas ali na regulamentação da CVM,
na CVM 175. Eh, uma delas nós chamamos
de eh barreiras para resgates, né, que
em inglês são os famosos gates. Eh, e a
outra é o que nós chamamos de side
pockets, né? Para falar do dos gates e
dos side pockets, talvez eu tenha que
fazer um contexto aqui do que eu chamo
de as quatro etapas do gerenciamento de
risco de liquidez, né? A primeira delas,
você já mencionou, que é o momento da
constituição do fundo. Ou seja, quando
eu constituo o fundo, né, eu eh crio o
fundo e eu determino alguns parâmetros
para quem eu vou vender, ou seja, qual é
o público alvo, qual que é a política de
investimento do fundo, quais são as
regras de resgate, eventualmente se eu
incluo no regulamento do fundo alguma
ferramenta de gerenciamento de liquidez.
Então, o gerenciamento de de liquidez,
ele nasce e com um produto, né? Então,
eh eh literalmente eu tava falando de
carros, né? Eh, literalmente eu preciso
projetar, né? E definir o design do
carro. Então, eh, a as regras de
liquidez no momento da construção do
fundo, elas têm que ser previstas eh na
largada, na partida. Existe uma segunda
fase eh que é o que eu chamo de
monitoramento, né? um monitoramento eh
preventivo de todos os parâmetros de
liquidez, que é basicamente aquilo que a
gente tava mencionando, né? Modelar eh a
a liquidez dos ativos, eh estimar a
probabilidade de resgate por parte dos
clientes, né? eventualmente calcular
índices de liquidez, mas se eu
monitorar, né, esses indicadores de
forma adequada, dificilmente eu vou ter
uma situação de estresse, dificilmente
eu não vou conseguir honrar eh os
pagamentos.
Mas e num cenário de estresse, né, um
cenário de risco sistêmico,
eh, ou um risco muito específico e
particular de um determinado ativo que
compõe a carteira do fundo, né? eh muito
provavelmente eu vou ter que agir e de
forma diferente. Eh, e este agir de
forma diferente eh que seria a terceira
etapa do gerenciamento de risco de
liquidez, é que entram a as ferramentas
de gerenciamento de liquidez, que são
justamente e os gates e os side pockets.
Explicando aqui de forma simples, né? Os
gates são basicamente ferramentas que
limitam
um determinado volume de resgates,
normalmente associado a um percentual do
patrimônio líquido do fundo, eh, de tal
forma a amortizar os efeitos dos
resgates ao longo do tempo. E por que
que isso é importante? Porque isto evita
que o gestor eh tenha que vender eh
todos os ativos eh sobre uma condição de
pressão de preço, né? ele pode aguardar
um melhor momento eh para vender esses
ativos eh e diluir aqui a o processo de
venda eh eh por um período eh x de dias
ou de semanas ou de meses.
O side pocket, na verdade é um outro
conceito, né, como a tradução eh diz,
basicamente o que é feito é um processo
de incisão da parcela ilíquida, eh, dos
ativos que compõem eh a o patrimônio
líquido do fundo. Então, se, por
exemplo, eu tenho um problema de
liquidez em 20 em ativos que representam
20% do patrimônio líquido do fundo, eh
eh eu inicio eh por decisão de gestor,
né, um procedimento de acionamento do
side pocket, significa dizer eh eh eh eh
operacionalmente falando, é quase que
uma cisão desses ativos para uma outra
classe de fundos, de tal forma que eu
consigo continuar mantendo a liquidez
pros 80% restantes que permanecem no
fundo original. Então, basicamente, eu
segrego esta parte líquida eh num numa
outra classe de fundo, eh, aguardando
ali eh a recuperação da liquidez desta
parcela e líquida, né, para um segundo
momento de mercado, ou se for uma
situação eh de estress relacionado, por
exemplo, a a um a um rebaixamento de
crédito eh eh ou a alguma outra hipótese
relacionada
à falta de eh ou dificuldade de
negociação eh desse esses ativos, eh,
vou dar vou dar um exemplo. Bondes
negociados, bondes russos negociados ou
da Ucrânia negociados no início da
guerra, né? Eu posso simplesmente
segregar esses ativos eh do fundo e
aguardar o melhor momento para que eles
possam ser vendidos.
Então, quando existe a situação de
estressado,
eh, ou de risco sistêmico, as
ferramentas de gerenciamento de liquidez
elas entram eh para evitar
eh eh que esses ativos sejam vendidos no
pior momento possível, prejudicando os
investidores. Eh, a quarta fase seria
uma, eu diria que uma fase final de
gerenciamento de liquidez, onde não há
muito mais o que fazer, né? Eh, e
basicamente a ação do gestor eh é muito
na linha de ter que fechar o fundo para
resgates, né, e aguardar ali eh um
melhor momento eh de mercado para
reabrir o fundo. Eh, então, as
ferramentas de liquidez de que tratam eh
o guia que foi publicado
para BBIMA mais recentemente, elas estão
associadas o que a gente chama de eh
gerenciamento de risco de liquidez em
situação de estresse.
>> Perfeito, Misuca. e me conta um
pouquinho, dá um pouquinho de spoiler
aqui pro para quem tá acompanhando esse
episódio, o que que a gente tá trazendo
ali de melhores práticas dentro desse
guia. Eh, a gente inclusive aqui no
finalzinho do episódio vai deixar para
você que tá nos acompanhando um QR code
para acessar o material. Acho que vale
muito a pena, né, fazer a leitura na
íntegra ali do nosso do nosso guia. Mas
dá um spoiler aqui para quem tá
acompanhando, Mizau, o que que a gente
tá tratando ali dentro, né? O que que
são essas melhores práticas no uso
dessas ferramentas.
dá um spoiler aqui pra gente.
>> Legal, senor, o acho que eh a comissão
de risco, né, como eu mencionei, desde
2020, ela eh o o tema eh gerenciamento
de risco de liquidez, ela é recorrente.
Eh, e
na prática, quando a gente olha para
outras jurisdições, eh, Estados Unidos
e, e Europa, principalmente, eh, o tema
e liquidez também ele é eh relativamente
recente e ele ganhou intensidade do
ponto de vista de debate e discussão a
partir da pandemia, a partir de 2020.
Eh,
embora, né, eh, em outras crises, por
exemplo, na crise de 2008 e 2009, também
tenham sido identificadas situações eh
relacionadas a problemas de liquidez eh
principalmente ali do mercado americano.
O guia nada mais é do que o conjunto eh
de aprendizados, né, que nós tivemos
sobre eh eh desde questões conceituais,
mas também em relação a questões
operacionais, ou seja, eh quando faz
sentido eh prever, né, a existência das
barreiras ou do side pocket eh eh nos
fundos, né? Eh qual é a aplicabilidade,
né? eh e qual é o mecanismo de
acionamento. Ou seja, existem uma série
de particularidades
e nós aprendemos muito estudando eh eh
eh exemplos que eh eh de acionamento,
né, dessas ferramentas eh eh em outros
países.
E basicamente o que nós estamos trazendo
nesse guia é a tradução de todo esse
aprendizado eh que nós tivemos ao longo
dos últimos do anos.
Eh, é evidente que, eh, com base nesse
aprendizado, o objetivo é gerar
eh, padrões eh eh sejam eles
estabelecidos em regulamento,
eventualmente eh padrões regulatórios ou
via autorregulação,
para que eh o acionamento dessas
ferramentas e a previsão dessas
ferramentas eh não ocorra eh de forma eh
inadequada ou indiscriminada. Ou seja,
existem produtos em que eh a previsão
dessas ferramentas e o acionamento
dessas ferramentas, elas vão ser ou
deveriam ser mais frequentes
eh do que outros, né? Por exemplo,
fundos de crédito, eh ou fundos de ações
de baixa liquidez.
Mas olhando pro futuro, acho que o
objetivo é buscar sim algum nível de
padronização
para que o investidor entenda as essas
ferramentas. Essas ferramentas elas vêm
em benefício do investidor, né? Embora
eh possam num primeiro momento
transparecer, serem restrições em
relação à regra original de resgate, né?
Mas eh no final, o objetivo dessas
ferramentas ela é beneficiar os
investidores, evitar a venda eh no
momento de ativos no momento de
estresse, evitar também a transferência
de riqueza, porque todo o fundo aberto
ele possui movimentações diárias, né,
sejam elas de aplicação ou de resgates.
Então, todos os dias existe um esforço
de ou de recomposição eh de carteira eh
derivada de uma aplicação ou de
recomposição de carteira derivada de um
resgate. Então, o gestor eh a todo
momento ele tá tomando decisões de
compra eh ou de venda. Vou dar um
exemplo aqui que em que isso fica muito
claro e que muitas vezes gera ali um
pouco de dificuldade de eh tomada de
decisão. É quando um gestor, por
exemplo, ele deseja comprar um
determinado ativo porque o preço eh
apresenta um certo desconto no mercado
secundário. Eh, mas coincidentemente o
fundo recebeu eh um pedido de resgate
naquele mesmo dia. Ou seja, a intenção
do do gestor era de compra daquele
ativo, mas a a a em função daquele
pedido e solicitação de resgate, ele vai
ter que fazer exatamente o oposto do que
ele tava eh eh desejando fazer. Eh,
então, na prática, todo o fundo aberto
ele tem essa dinâmica de aplicação de
resgates, portanto, ele tem essa
dinâmica de eh decisões ou tomadas de
decisões de compra e de venda. e eh para
manter, né, o mandato e a política de
investimento, o enquadramento do fundo,
né, e os índices de liquidez
eh eh eh adequados ao produto, né, o o
gestor ele tem que eh ele funciona quase
que como um piloto de avião, né, com um
monte de ferramentas ali de
gerenciamento eh do plano de voo, né,
que ele tem que monitorar, né, e fazer
os ajustes necessários para que o avião
chegue no destino final.
>> Perfeito. Muito bom, Mizuf, muito bom
bater um papo aqui contigo. Acho que,
como você falou aqui, né, então o
gerenciamento de liquidez, ele ele tem
várias etapas eh que se iniciam ali já
na concepção do fundo. Então, na hora
de, né, de conceber ali qual que vai ser
a sua estratégia de investimento, também
é importante, então, já entender qual
que vai ser essa estratégia de liquidez
também ali para esses para essa para
essa carteira. Muito bom. Foi muito
bacana bater esse papo com você aqui. E
bom, a gente para quem quiser se
aprofundar um pouco mais sobre o nosso
guia técnico de ferramentas de liquidez,
que traz eh explicações sobre essas
novas ferramentas de liquidez, essas
novas práticas também de governança, o
QR code que aparece aqui na tela leva
direto pro material. Então, Mizucau, foi
um prazer contar com você aqui em mais
um episódio aqui do Vai Fundo.
>> Prazer é meu, Sorf. Campos à disposição.
De novo, é um tema que ao longo dos
últimos 5 anos eh nós nos esforçamos
muito para aperfeiçoar, né? Eh, enfim,
de implementação, do ponto de vista de
implementação eh do mercado também de eh
todos os parâmetros que estão previstos
hoje eh no código, nas diretrizes, eh e
no guia de eh de ferramentas de
gerenciamento de liquidez.
Eh, temos ciência de que eh ao contrário
eh eh de uma literatura que já existe,
que é já é muito consolidada em relação
a gerenciamento de risco de mercado, eh
cuja discussão ela já vem desde a década
de final da década de 80 e início da
década de 90, eh todo o arcabolso eh
conceitual e regulatório sobre
gerenciamento de risco de liquidez em
fundos e eu diria que se iniciou somente
a partir de 2015. Então é relativamente
recente, a gente tá falando basicamente
de 10 anos. Então é importante eh todos
eh investir em um tempo eh e entender eh
eh toda a parte conceitual, mas mais
desafiador eh implementar esses
controles do ponto de vista sistêmico em
cada uma das suas casas, né? Lembrando
que ponto de vista eh regulatório eh
embora a CVM ela divida um pouco as
responsabilidades sobre o gerenciamento
de risco de liquidez entre o gestor e o
administrador,
eh a responsabilidade primária acaba
sendo do gestor, ou seja, o gestor é que
ao receber os pedidos de movimentação,
ele tem que agir eh para que eh de novo
a liquidez do fundo eh se mantenha com
eh em índice
adequados para que eh futuros resgates
sejam pagos conforme as regras de
resgate previstas nos regulamentos.
>> Perfeito. Bom, e é isso. Gestão na
prática vai ficando por aqui, mas você
que tá aqui nos acompanhando, continue
mergulhando conosco nos próximos
episódios do Vai Fundo. Compartilha,
comenta, siga no Spotify o nosso podcast
e até a próxima. Obrigada.
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