Papo de Gestão com Felipe Guerra | Vai Fundo
Sumário Regulatório
Este episódio do Vai Fundo recebe Felipe Guerra, CIO e sócio fundador da Legacy Capital, para uma conversa no quadro Papo de Gestão sobre o cenário macroeconômico atual e as perspectivas para a indústria de fundos de investimento em 2026. Entre os temas abordados estão: ◼️ O que esperar do cenário fiscal no Brasil e no mundo; ◼️ Os desafios trazidos pela escalada dos riscos geopolíticos; ◼️ O rali das big techs e as chances de continuidade da valorização dessas empresas; ◼️ Novos produtos e estratégias à luz das mudanças trazidas pela Resolução 175; ◼️ Como a tecnologia e a inteligência artificial podem aumentar a eficiência da gestão e ampliar oportunidades de investimento. Assista agora! #VaiFundo #PapoDeGestão #FundosDeInvestimento #LegacyCapital #MercadoFinanceiro #Investimentos
Transcrição e Conteúdo
Olá, sejam todos muito bem-vindos e muito bem-vindas ao Vai Fundo, o podcast da BIMBA. Eu sou a Soraia Barros e no episódio de hoje recebemos o Felipe Guerra, que é o sócio fundador e CIO da Legacy Capital, gestor independente, fundada em 2018, com sede em São Paulo e mais de 23 bilhões de ativos sob gestão. A casa oferece fundos nos segmentos de multimercado, previdência, créd...
sejam todos muito bem-vindos e muito
bem-vindas ao Vai Fundo, o podcast da
BIMBA. Eu sou a Soraia Barros e no
episódio de hoje recebemos o Felipe
Guerra, que é o sócio fundador e CIO da
Legacy Capital, gestor independente,
fundada em 2018, com sede em São Paulo e
mais de 23 bilhões de ativos sob gestão.
A casa oferece fundos nos segmentos de
multimercado, previdência, crédito
privado, incluindo Lega-cy Capital B,
que desde o seu lançamento em 2018 já
rendeu o dobro do CDI.
engenheiro de produção formado pela UFRJ
e com CFA, Felipe tem mais de duas
décadas de experiência no mercado
financeiro, iniciou sua carreira no
Banco BBM, passou pelo Citybank como
trader de câmbio e opções e mais tarde
liderou também a tesouraria do
Santander. Atualmente comanda a
estratégia da legacy com foco em gestão
macro e análise profunda dos mercados
locais e globais. Então vamos explorar
esse seu conhecimento aqui e falar sobre
as perspectivas para os investimentos em
2026. Felipe, seja muito bem-vindo aqui
ao nosso podcast.
>> Obrigado, Sora. Tô à disposição aqui pra
gente fazer um bate-papo aí.
>> Bacana. Bom, então vamos começar. Eh,
Felipe, antes da gente falar um
pouquinho de 2026, eu queria ouvir um
pouquinho de você. Qual que é o seu
balanço em relação a 2025? O que que
você acha que funcionou? O que que não
funcionou? Alguma lição aprendida?
compartilha um pouco com a gente como
que você viu esse ano que a gente tá aí
encerrando.
>> É, o ano 2025 2025 foi um ano bem
interessante, né, pra gestão macro, né,
porque a gente teve bastante plays
diversificação entre geografias, né,
alguns lugares acelerando, algumas
economias já freando, alguns bancos
centrais mais agressivos, outros menos
agressivos, né? Então, essa divergência
entre as geografias acaba gerando
oportunidades. Eh, foi um ano de muita
volatilidade, né, impulsionada aí pela
nova administração nos Estados Unidos,
puxou uma agenda forte aí geopolítica,
eh, ao mesmo tempo com uma questão eh
forte, né, com relação ao trade war, com
relação a tarifas também, que foi tirou
bastante volatilidade. Então você tem
essa questão geopolítica, a questão das
tarifas, se tem também uma a questão da
imigração nos Estados Unidos que gera
uma conturbação, uma volatilidade, uma
incerteza no mercado de trabalho, né? A
soma dessas do geopolítico com com a
questão da da inflação, né, da da do
mercado de trabalho, com a com a questão
da da imigração e tarifas, gerou muita
incerteza com relação à inflação pro
ano, né? muita gente colocando projeções
muito altas, as pessoas colocando
projeções mais baixas. Tinha muita
dúvida com relação qual seria essa
velocidade de aumento da inflação nos
Estados Unidos, né? Se é alguma coisa
que se algo que é temporário, se é algo
que vai demorar mais para se dissipar na
na economia americana. Então, teve uma
série de episódios esse ano que
provocaram volatilidades, acho que muito
calcado na nova administração, né? Isso
na parte internacional, eh, na parte de
Brasil, acho que, né, um pouco a gente
acabou derivando muito no Brasil o que
aconteceu no mercado global. Eu diria
que essa melhora que teve nos ativos ao
longo desse ano no mercado brasileiro,
ela tem pouca relação com o que o
governo tá fazendo. O governo acho que
não, no Brasil não fez nada por merecer
nesse sentido, né? Na verdade, acho que
dá para pontuar que acho que o Banco
Central fez um bom trabalho, né? né? O
Brasil botou a tal de juros bem alta
para tentar ancorar expectativas de
inflação e para tentar participar desse
movimento global aí de diversificação de
de alocação de ativos no no na parte
global, né? Então isso fez com que os
ativos brasileiros apreciassem a
despeito das políticas fiscais eh que
deixam muito a desejar nessa
administração, né, aqui do local no
Brasil. Eh, o Brasil acabou surfando
assim como moedas como a a nossa moeda e
a nossa bolsa. acompanharam aí a moeda e
a bolsa do México, no Chile, da Colômbia
e outros países emergentes mais, né?
Então, foi um ano assim que eh a classe,
né, América Latina acabou conseguindo
surfar ah esse esse esse mode global de
realocação de investimentos por conta de
uma série de perturbações com relação à
economia americana. E o Brasil conseguiu
participar disso porque ele botou taxas
de juros muito altas, né? E acabou eh
atraindo aí pelo por ser um play de
carry, juro alto, né? Taxas de retornos
aí BNTnBs com taxas bem altas, né?
Trazendo um retorno interessante pro
investidor estrangeiro. E aí criou uma
dinâmica um pouco mais positiva ao longo
do ano ah para pro pros ativos
brasileiros aí, tanto na parte de renda
fixa como na parte de bolsa, como na
parte de moeda também. Então, acho que é
um modo que teve essa característica
muito calcado eh no que aconteceu nos
Estados Unidos, que provocou uma mov
diversificação global em termos de
alocação de ativos e um pouquinho de
dinheiro que saiu dos Estados Unidos e
acaba vindo pro Brasil durante esse ano,
ele tem um efeito enorme pra gente,
tanto na renda fixa como na bolsa como
na nossa moeda.
>> Perfeito. Eu quero pegar um gancho, você
já trouxe na sua fala um pouquinho da
questão fiscal. Eh, eu queria explorar
um pouquinho isso contigo. Eh, pensando
nesse campo e aí a gente pensando em
2026, eh, você como é que vocês estão
enxergando isso? Como é que vocês estão
calibrando o risco Brasil em relação,
né, a todo esse debate, em relação a,
né, toda essa discussão fiscal? Você
acha que há espaço pro mercado reprficar
o fiscal de uma forma diferente do que
foi eh precificado esse ano ou
considerando que é um ano de eleição?
Enfim, como é que vocês estão enxergando
essa questão fiscal?
O fiscal tem sido um assunto global, né?
Não é assunto só uma particularidade do
Brasil, né? Então, se você colocar, eu
tento olhar assim, que como é que era o
mundo antes de pandemia, como é que é o
mundo agora depois da pandemia, né? O
que que mudou eh do pré-pandemia para
hoje? Hoje o mundo tá muito, os países,
né, os os governos eh federais,
estaduais estão muito mais endividados
do que eles estavam no pré-pandemia,
porque eles tiveram que oferecer uma
série de benefícios eh paraa população,
né, e para as empresas, né, do ponto de
viscal, do ponto de vista de crédito. E
é sempre muito difícil você tirar esses
estímulos eh depois que você concede,
né? Então, a, o mundo inteiro tá com
dívidas maiores. Então, a gente tem
visto aí eir essa discussão fiscal eh no
Japão, que é algo que a gente, pô, não
fala, falava pouco durante muitos anos.
tem visto ecludir essa essa essa
discussão muito frequente, né, na na
Inglaterra. Eh, a gente vê pressão nas
taxas de juros de longo prazo na Europa,
tem uma discussão importante nos Estados
Unidos também. E o Brasil nesse contexto
também ele também é uma um dos países
países emergentes mais endividados do
mundo, né? E tendo a gente tá numa
dinâmica de trajetória de vida pública
bastante preocupante, né? Então assim,
por esse contexto pontual, né, global,
de uma realocação de ativos, eh esse
assunto fiscal para Brasil,
especificamente durante esse ano, 2025,
ele ficou um pouco de lado, né? Mas a
trajetória da dívida brasileira, ela é
muito preocupante, né? A gente com o
taxa de juros que a gente tá pagando,
taxa de juro real, que a gente tem hoje,
eh, principalmente no pé, né? Você pega
aí uma uma um juro de 15 nominal com uma
inflação de quatro, você tá no pé aí com
juro real de 11%. Isso faz a dívida
pública crescer em bolas de neve, né?
Você cresce quase seis pontos
percentuais ao ano a dívida com já
partindo de um patamar bastante alto e
inclusive não só nominal tem absolutos
como em termos relativos a outros
países, né? Então Brasil é um país que é
vulnerável pelo ponto de vista fiscal.
Se a maré externa secar, o Brasil
certamente ele vai ser um país que vai
ser eh vai estar ali na na primeira fila
das preocupações fiscais do do global,
né? Eu colocaria aí o Japão, o UK, né,
Inglaterra, né, no Brasil, aqui na parte
de de emergente, como os países aí que
estão sendo olhados com muito olofote eh
pro ponto de vista do investidor, né?
Então, porquanto a maré externa tiver um
ciclo de corte de juros por parte do
Banco Central Americano, eh mais
liquidez global, né? Os juros, os juros
globais ficaram mais baixos ao longo de
2025 e isso vai se transladar para 2026.
Cria um ambiente mais benigno de ter um
desejo do investidor global de financiar
países que estão com dívidas mais altas,
porque eles têm juros mais altos e mais
atrativos do que países com juros muito
baixos, né? Então, nesse contexto,
enquanto a gente tá nesse cenário
externo benigno de liquidez, juros
baixos, o Brasil consegue navegar. Mas
se por acaso a gente tiver uma onda, né,
uma uma onda de menos liquidez, uma
versão a risco maior, acho que a gente
entra numa situação de bastante
vulnerabilidade eh pro ano que vem.
Então é uma preocupação, é algo que você
nunca sabe a data, a hora exata marcada.
A gente viveu isso eh de forma bastante
intensa no final do ano passado, né? Se
você for lembrar, final de 2024, teve um
pânico com relação à questão fiscal no
Brasil, mas se você for lembrar, era um
período que tava entrando uma nova
administração nos Estados Unidos, no
qual você tinha uma perspectiva ali de
gastos fiscais. eh que não se
materializaram, na verdade, mas que eh
impulsionaram as taxas de juros de longo
prazo nos Estados Unidos, que
pressionaram a curva longa no mundo
inteiro, né? E aí teve uma desvalor uma
um fortalecimento do dólar no global. E
paralelo a isso, o Brasil foi lá e
tropeçou nas próprias pernas e anunciou
mercado numa expectativa de um pacote
fiscal. Na verdade, a gente anunciou um
um programa de gastos, né, de renúncia
fiscal, que foi essa questão do I aí que
acabou de ser aprovada pelo Congresso.
Então, assim, a gente tem uma situação
fiscal de muita vulnerabilidade. Essa é
uma é algo concreto. Então, a gente tem
que acompanhar muito atentamente o
cenário internacional, né, e o
desenrolar aqui do que vem pela frente
até as eleições. Se o governo inventar
muito, né, muito para fiscal, muitas eh
puxadinhas, a gente tá discutindo aí
nesse passado recente aqui agora, uma
ajuda pro correio, né, porque tem um
prejuízo enorme por mais gestão
administrativa, né? Não estamos falando
uma de mais uma dívida da ordem de 20 bi
de reais com com garantia do Tesouro
Nacional. No final é uma dívida que a
gente sabe que o coriro vai pagar, a
administração é péssima, então no final
é uma dívida do do Tesouro Nacional que
vai ser incrementada eh no momento que a
gente já tem uma dívida grande pagando
juro alto. Então algo que, né,
preocupante. Então a gente eh vê essa
dinâmica com bastante preocupação aqui
até a eleição. Enfim, você o que tá
ancorando um pouco a expectativa do
mercado, né? Não é só é o cenário
externo, mas também tem uma perspectiva
de talvez que no próximo mandato eh
presidencial alguma coisa vai ser feita
eh com relação ao fiscal, seja numa
reeleição ou seja numa alternância de
poder, alguma coisa vai ter que ser
feita, porque se não fizer a a gente vai
ser obrigado a fazer a fósperses, né?
Então assim, ou a gente faz porque a
gente faz um ajuste porque a gente quer
fazer, ou a gente vai ser levado a fazer
porque não vai ter outra alternativa,
porque as coisas vão piorar muito.
Então, eh, dependendo do resultado da
eleição, acho que vai ser muito
importante pra gente definir o que que
vai ser a nossa política econômica pros
próximos 4 anos, a partir de 2027, né? E
a depender disso, a gente vai ter uma
uma trajetória pior ou melhor do ponto
de vista fiscal. Então a gente tá
equalizando no curto prazo que eu diria
o cenário de tentar benigno. Aqui no
local a gente tem a esperança de um
outro câmbio melhor no pós-eleição, né?
Então o mercado tá deixando essa questão
de lado, mas na medida que você vai
avançando, tem uma situação pior do lado
externo e você eh eventualmente caminhe
para continuar com as políticas que a
gente tem implementado nesse passador
recente, a gente vai partir para um
cenário muito ruim. Então a eu diria que
a eleição vai ser um evento muito
importante para essa sua pergunta, né?
do ponto de vista fiscal e obviamente
aliado com cenário externo. Você pode
ter uma eleição muito boa, mas se o
cenário externo esverso a gente vai ter
problema, porque o nosso ponto de
partida em termos de de dívida, ele é
muito preocupante.
>> Entendi. Mas então assim, pelo que eu
que eu entendi de você, assim, tá dado
que em 2027, seja qual campo ideológico
esteja no governo, alguma coisa no campo
fiscal
precisa sim ou sim acontecer, né? Acho
que
>> precisa. É verdade. Sim, sim. Ou vai ser
feito por bem ou vai ser feita por mal,
né? com as coisas piorando ou vai ser
feito com as coisas melhorando com uma
expectativa de que você pode trabalhar
com juro real mais baixo, um juro juro
nominal mais macelique mais baixa no
futuro, isso melhora a trajetória da
dívida pública porque mas só vai
acontecer ancorado numa perspectiva de
boas práticas eh de política econômica.
Entendeu o que a gente tem feito nos
últimos 4 anos, que é gastar e sem parar
e e fazer uma série de parafiscais aí
que tem colocado aí uma uma série de
isso provoca uma série de distorções na
economia, né? Porque você eh não deixa a
economia ajustar, você trabalha com uma
conta corrente muito deficitária, né?
Porque você tem que importar muito, você
não produz no Brasil o que você precisa
para atender essa esses estímulos
fiscais que estão sendo dados. Então
você faz mais importação vis
exportações. Então você trabalha com
déficit quanto corrente maior, né, no
final. Então você deixa, vai deixando o
país numa situação de vulnerabilidade,
né, com esses déficit gêmeos que a gente
fala, né, tanto do no déficit de conta
corrente como déficit fiscal, é bastante
significativo. Então a gente tá eh diria
assim surfando porque tá pagando um juro
muito alto essa maré internacional nesse
momento, mas na hora que essa maré
secar, a gente é um dos mais vulneráveis
por conta desses déficit gêmeos que a
gente eh tem se colocado aqui com a com
as políticas atuais. Entendi. E assim,
do ponto de vista de política monetária
eh americana, como que vocês estão lendo
esse cenário ou o comportamento do Fed
aí, olhando para 2026? E aí, se puder,
né, falar um pouquinho como que vocês
estão imaginando e até possíveis
impactos aí dessa leitura?
>> É, a gente eh tem uma visão até mais
otimista do que o mercado em geral,
assim, que a média do mercado. A gente
acha que a os Estados Unidos vai passar
aí por um choque de produtividade por
conta da inteligência artificial, né? E
pra gente, a gente tem bastante eh
crença nisso, né? Confiança. Acho que
tem aí com uma um choque de
produtividade da casa de da ordem de
2,5% do PIB, eh que pô vai permitir que
o Estados Unidos cresça com uma com uma
semar inflação, né? Até com uma inflação
mais baixa. Isso deve tirar a pressão do
mercado de trabalho. A gente tá vendo já
uma série de demissões, mercado de
trabalho já dando uma pousando
lentamente, né? Aí com nível de
contratações aí já bem próximo de zero,
né? Eh, geralmente contratações
negativas, né, que são demissões, você
associa com recessão, mas acho que não é
o caso, porque a parte de investimento é
uma parte que tem que segurar bem
economia, principalmente se ter
investimentos em infraestrutura, em data
center, em eletricidade, inteligência
artificial, GPUs, etc., né? eh tem sido
a parte que tem movido e segurado bem a
o PIB americano. Então, a gente acredita
aqui que os Estados Unidos ele vai eh
provavelmente ele vai conseguir crescer
sem provocar uma pressão na inflação. Eu
acho que tanto ponto do ponto de vista
de salário, eu acho que não vai ter
pressão. A gente a situação de housing
hoje também é mais equilibrada, então a
gente deve ver isso ajudando também a as
métricas de inflação do Fed pra frente.
Então acho que o mercado deve ter uma
perspectiva de um de um PC pro ano que
vem, né, que é a métrica que o que o FED
acompanha da ordem de 2,9, 3%, a gente
tá mais na casa ali de 2,3, 2,4 pro ano
que vem, né? né? Então, se se for
verdade, vai permitir que o Fed faça
mais alguns cortes adicionais de juros e
ao longo do ano que vem para garantir
com que a economia não tem uma uma alta
muito grande do desemprego, né? Uma alta
muito relevante do desemprego ou uma
queda forte do ritmo de de contratação,
um aumento no ritmo de demissão. Então
isso vai permitir com que o Fed possa
fazer aí um um corte aqui no final do
ano de 2025 e fazer mais dois cortes ano
que vem. Eh, uma de forma relativamente
tranquila, né? Não precisa ser
sequencial, pode ser mês passado, mas a
gente imagina aí que a gente tá mirando
aí o o mercado tá mais ou menos bem
apressado também nesse sentido. O
mercado trabalha com a taxa de terminal
próxima de 3,10. A gente acredita que o
Fed tem todas as condições de levar os
juros ali a 3,25, eh sem provocar
grandes estragos na inflação. Tem uma
discussão muito importante acontecendo,
que é a troca do cherman, né, do do do
Fed. Eh, a depender da pessoa que você
coloca, você dá mais credibilidade ou
menos credibilidade, você gera mais
dúvidas ou menos dúvidas. Então, isso é
um evento muito importante para pro ano
de 2026. Eh, tem uma perspectiva muito
alta com relação ao apontamento do
secretário econômico do do Trump, né,
que é o o RENT. Eh, ele é associado aí
como um próximo ao governo, então teve
deveria ter um viés mais do que deveria
ser mais propenso a suportar a economia,
a trabalhar eventualmente com juro mais
baixo, ser um pouco mais laser, um pouco
mais lento na hora de reagir à inflação
e ter que subir os juros, né? Então isso
cria uma perspectiva diferente, né? É
mais uma, é mais um efeito estimulativo
pro ano que vem, né? A gente tá vindo de
uma queda de juros que tem uma
defasagem, vai provocar eh uma por
efeitos defasados um estímulo monetário.
Pro ano que vem, com a aprovação da one
big beautiful bill do Trump, né, que foi
o pacote fiscal do Trump, você vai ter
um estímulo para investimento que deve
provocar um estímulo fiscal. Então você
vai estar com um afrontamento monetário
acombinado com afrouxamento fiscal. Isso
geralmente leva a um crescimento nominal
mais robusto, né? Se for com Fed
organizado, né, com Fed olhando as
variáveis e um e esse aumento de
produtividade que eu mencionei, acho que
vai ser um cenário extremamente
positivo, muito otimista pro ano que vem
para para as classes de ativos de uma
forma geral. É, é o cenário que a gente
acredita como cenário básico. Eh, se for
uma coisa desorganizada, compor mais
trade war, mais indicação pro Fed que
não seja eh que não faça um trabalho,
né, by the books aí, de acordo com o que
a gente que a governança exige, aí pode
ser alguma coisa mais contubada, com
mais volatilidade, com alta taxa de
juros de longo prazo aí com menos
liquidez, aí provocando uma várias
correções aí ao longo do do dessa
jornada eh nas classes de ativos. Então,
a gente tem aí dois caminhos, né? Pode
ter um caminho um pouco mais mais
bumpic, um pouco mais de quebra-amola.
Se você tiver um pouco uma uma um pouco
de desorganização eh nessa questão aí do
apontamento do Fed eh nas políticas
econômicas do governo e um caminho mais
tranquilo, que é você prosseguir aí o
que o que já tá contratado, deveria
levar aí uma uma apreciação eh
importante nas classes de ativos e esse
esse e esse advento do da da
inteligência artificial vai permitir
permitiria os Estados Unidos a crescer
ano que vem acima do que as pessoas
estão imaginando e com a inflação abaixo
do que as pessoas estão imaginando.
Entendi, entendi. Eh, deixa eu te, né,
perguntar um pouquinho agora, eh,
falando um pouquinho de geopolítica, né,
a gente tem um ambiente complexo, né,
nesse campo também. E e aí, se você
puder contar um pouquinho aqui pro
ouvinte do Vai Fundo, como é que você tá
pensando, vislumbrando aqui a construção
de portfólio mesmo, eh, atrelando isso a
todas essas questões mais geopolíticas.
Você, né, acho que talvez a primeira
pergunta, você acredita que todas esse
esse ambiente eh geopolítico ele pode de
alguma maneira influenciar na construção
dos teus portfólios? E se sim, como que
você tá tá imaginando essa construção?
É, eu tento acreditar que o pior dessa
questão geopolítica tá ficando para
trás, né? Acho que teve a resolução ali
da questão do Israel com Gaza, Israel
com com Irã, né? O Trump tem tentado
puxar uma agenda para reduzir ali o
atrito de Ucrânia e Rússia. Eh, outros
conflitos mais aí no Índia Paquistão. Eu
acho que um pouco desse trade war a
gente tem visto o Trump retrocedendo as
tarifas, né? recentemente aí retrocedeu
em talifas contra o Brasil, com a Suíça,
com a Coreia. Então a gente tem visto
assim ele desescalar essa questão das
tarifações, né? E e eu acho que o pior
disso ficou para trás. A gente trata
isso como um risco, né? né? Obviamente é
é muito difícil você tem vários riscos
globais hoje em dia. As guerras podem
escalar, você tem essa questão de China
com Taiwan que algum momento pode ter
algum atrito. Você tem o Trump ele tá
sempre tentando eh extrair o máximo que
ele pode, né, do do da medida do
possível eh nas relações comerciais com
os países. Isso pode provocar alguns
atritos pontuais, mas também a gente
também aprendeu aí ao longo de 2025 que
o Trump, né, ele tem a questão lá do do
TR do taco, né, ele stick out, né,
quando a coisa começa a piorar muito,
ele ele dá uma retrocedida porque ele
não quer no final, mas que o objetivo
dele no final como um republicano eh e
com uma uma cabeça econômica, acho que a
gente diria boa parte dela na direção
correta. Ele não quer ver a economia
afundando, não quer ver o, né, a bolsa
caindo. Ele é um cara de business, um
cara de negócio, ele quer fechar de com
a com a Apple, com Nvidia, com a com a
TSM Taiwan, com a China, né? Ele quer
trazer bons negócios paraos Estados
Unidos. Acho que essa é a intenção final
dele. Mas para chegar nisso, ele causa
uma série de conturbações. Então, é bem
imprevisível, né? Você tem os Twitter da
sexta-feira que balança o mercado, gera
uma apreensão no fim de semana, mas
sempre que a coisa o caldo entorna, ele
tenta trazer de volta e e e tem sido um
pouco essa dinâmica. Então isso é um
pouco aprendizado 2025 também no
geopolítico é um pouco isso. Eu acho que
a minha leitura paraa frente é que o
pior ficou para trás em termos de trade
war, em termos de de tarifas e acho que
algumas guerras também ficaram para
trás. tem essa questão da Ucrânia e da
Rússia que nesse momento tá sendo
tratada, tem uma probabilidade não
desprezível de talvez chegasse um a um
alguma coisa que mitigue pelo menos o
que tem acontecido. Eh, e enfim, então,
olhando paraa frente, a gente vê um
pouco mais claro o cenário, um pouco
mais clean, eh, adiante, né? Agora, a
gente vai tratar isso como um risco,
obviamente, eh, pelo pelas pela postura
do Trump e pelas pelos esportes, né,
pela pelos espalhado no mundo, você tem
alguns conflitos estratégicos que
independe dos Estados Unidos que acabam
acontecendo e a gente tem que monitorar.
Então, a gente trata muito mais com
portfólio, é muito difícil você prever.
Geralmente esses eventos são
oportunidades de você eh aumentar a
posição e não sair reduzindo, porque
eles geram volatilidade, mas a coisa
nunca escala a ponto de uma de gerar uma
na uma uma nova guerra mundial. Então a
gente trata como risco, como eventual
volatilidade e a gente tenta ficar muito
atento, acompanhar isso bastante no
nosso bu de commodity, nas nossas
posições em bolsa. a gente tenta ficar
bastante atento para para
pelo menos estar menos exposto quando
você quando essas coisas se
intensificam, né? Então a forma que a
gente eh lida com isso aqui na Lega.
>> Joia. Bom, pelo que eu pude capturar,
apesar de, né, claro, acompanhar os
riscos e ficar bem de olho nisso também
com algum otimismo, né, em relação sim
>> a todo esse esse cenário mais
geopolítico.
>> A gente inclusive até acredita, né, que
com a solução aí da, se você tiver uma
solução aqui da guerra com a Ucrânia,
né, eh, e Rússia, e ao mesmo tempo a
Venezuela tiver uma uma alternância de
regime, você pode ter um cenário que
você tem uma um supply de petróleo, uma
oferta de petróleo eh bem superior à
demanda, né? poderia levar preço de
petróleo muito mais baixo, que é um dos
objetivos do Trump no final, é ter um
peso de petróleo baixo, diminuir a
inflação, que foi o que tirou o Biden,
né, que foi o que fez a queda de
popularidade do do dos democratas, foi
aquela inflação gigantesca que a gente
viveu no nos 4 anos anteriores. Então,
acho que uma das intenções dele é essa.
Então, se no final, se tiver uma mudança
de regime na Venezuela, tem uma
resolução na na Rússia e Ucrânia, a
gente pode trabalhar com preço de
petróleo que a gente não imagina hoje,
assim, talvez ao redor ali de um pouco
abaixo de 50 ou talvez menos, né? pode
dizer, é bem é bem factível de acontecer
isso, caso eh a gente tenha esse a
temperatura do risco geopolítico, ela
ela ela diminua, né? Então a gente
inclusive a gente acha que, né, esse
balanço, independente de você resolver
essas essas questões, o balanço já é
favorável, já é mais oferta do que
demanda. Eh, se isso se resolver, você
vai ter mais oferta ainda. Então, a
gente tem uma perspectiva aqui de peso
de petróleo mais baixo pro ano de 2026.
Eh, obviamente é muito volátil, super
complexo, qualquer barulho geopolítico,
qualquer uma confusão com o Israel,
confusão na Rússia, você acaba isso, né,
momentaneamente sai do dos quadros um
pouco, mas acaba voltando porque no
final é é um é um é um é um balanço de
oferta e demanda e a gente enxerga a
oferta mal que a demanda, então tem essa
pressão baixista o preço do petróleo
também que ajuda naquele colo de
inflação que a gente acabou comentando
um pouco antes também eh na pergunta
anterior.
>> Não, bacana. E aí, eh, você também já
citou um pouquinho quando você falou de
cenário americano e tudo, eh, a questão
da IA e tudo mais e, e o quanto ela
acaba contribuindo ali. Eh, eu queria
explorar um pouquinho isso, né, falar um
pouquinho desse rally ali das bigtecs.
Você acha que que isso, olhando para 26,
você ainda acredita que a gente ainda
tem espaço ou você acha que olha já o
que tinha para precificar já precificou,
né? a gente começa a enxergar talvez
algum sinal ali de saturação nos preços
das BTEC. Como é que você tá enxergando
esse segmento mais especificamente aqui?
>> É, eu eu sou muito otimista, na verdade,
né, para ser bem direto, a gente acha
que o mercado sempre o mercado ele
sempre subestima eh o tamanho do a gente
chama de o tan, né, o dress market, né,
o tamanho do mercado potencial para
essas empresas, né? Então eu invisto em
cloud já há muitos anos, né? E eu
lembro, pô, 2018, 2019, a gente comprado
em cloud aqui na Alegre, pessoal, ah,
isso aí já tá saturado, né? Quem que vai
botar os dados no cloud? Pô, isso aí tem
um perigo, pode sumir os dados, não sei
o quê, ou clientes vão ficar des
proteger. Hoje em dia todo mundo tá no
cloud, quem não tá no cloud não consegue
rodar inteligência artificial, né? Então
hoje em dia é quase que mandatório.
Todas as empresas grandes e médias. Hoje
tem acesso a cloud, né? a gente naqui na
nasceu em 2018, hoje já nascemos no
cloud, já nascemos nesse ambiente. Então
aquilo ali para você mostrar um exemplo
de que o mercado ultra subestimou, mas
muito muito muito muito eh o tamanho do
que era o tamanho desse mercado de
cloud. E esse mercado continua crescendo
eh na ordem de 25, 30% ao ano, eh tanto
nas questões ligadas à intência
artificial como nas questões de você
sair de on premise, né, que é você ter
os seus servidores locais para passar
ter seus servidores lá, independente de
você usar a inteligência artificial ou
não, né? Então, ó, eh, isso ainda cresce
muito. Então, só para mostrar um pouco
como que o mercado ele subestima. Então,
as pessoas hoje falam assim: "Ah, já
tava suruturado a contratação do chips,
o tamanho do capex é muito grande, não
tem demanda, etc. Acho que a gente tá só
começando, né? né? Então, obviamente vai
ter vencedores, vão ter perdedores. Eh,
tem uma discussão, a gente parece que o
trade, né, o posicionamento eh mais
claro nesse passado recente era você tá
comprado na infraestrutura de AI, né,
nos clouds, nos semicondutores, etc. na
medida que você vai desenvolvendo esse
parque, esse parque industrial, esse
esse data centers, né, você vai
transladar o benefício de você ter essa
essa esse parque para para quem usa esse
esses essas informações, os data cent,
quem trata as informações e depois pros
usuários, né? Então, quem vai ficar com
benefício desse de todo esse esse
meximento, né? Se vai ser os quem fez a
infraestrutura, quem proporcionou como
as cláus quem usa, a gente ainda não
sabe, não vai saber. Eu tô mais uma
cabeça meio que assim, é melhor comprar
tudo do que comprar um pedaço só, porque
no final eu acho que a soma de tudo vai
fazer o market cap da bolsa americana
ficar mais alto. Eh, seja porque talvez
a Nvidia já tá OK, mas aí a Google agora
aparece market cap porque ela
desenvolveu uma certa concorrência eh
tanto na parte de modelos como na parte
de hardware, né? tanto no software como
no hardware, aí daqui a pouco você vem
uma uma outra empresa e e começa a usar,
os bancos, começam a usar, começam a
aumentar a margem, atender melhor os
clientes, crescer profitability, eh ter
redução de custo e aí a margem das
empresas, né, do a do do setor de saúde
melhora, do setor bancário melhora.
Então no final acho que isso vai se
transladar em margens maiores, né?
Porque se os Estados Unidos for capaz,
como a gente colocou pá, crescer sem
gerar inflação, né? eh por esse choque
de produtividade, esse choque de
produtividade ele vai virar lucro das
empresas. Isso eu tenor dúvida. Então
isso aí vai se refletir no market cap
melhor maior no SP. Agora vai ser por
causa que quem vai ganhar vai ser a
infraestrutura, vai ser os prováers ou
vai ser os usuários? É difícil responder
essa pergunta, né? Parecia muito óbvio
que era quem tava na infraestrutura
durante esse ano. Aí você botava lá TSM,
Nvidia, eh, Broadc e outras empresas
mais, né? E aí você tem aqui os
providers, que são as clouds, que também
parecia muito óbvio que eram bons
cavalos, né? como a Microsoft, o Google
e a Amazon, né? Mas eventualmente a
gente tem aí já a meta ganhando muito
dinheiro usando essas clouds, usando
esses esses essas esses GPUs, né?
Através de de de advertisment através de
marketing. Então, a gente vê meio que
assim que é melhor você ter um pouco de
todo que tentar achar um fazer um
estoque picking muito detalhado, né?
Então, a gente tá mais eh tô mais, eu
pessoalmente tô mais com essa cabeça eh
pro ano de 2026, eh que eu acho que o
todo é para cima, né? Agora, quem vai
ganhar, quem vai ficar para trás, eu
acho que é mais difícil você tentar
achar qual que é o melhor modelo de LLM,
qual que é o melhor chip, quem que é o
melhor, a melhor localização. Eu acho
que isso aí é é muito para um cara muito
especialista, né? E a gente do posto
macro generalista, eu acho que eu eu
consigo enxergar o market cap da bolsa
crescendo muito, eh, sem ter que
adivinhar quem que é o o vencedor.
>> Entendi. Apostar mais no setor do que
propriamente dito no alfa ali de cada um
economia como um todo. Na verdade,
>> é mais um uma questão de você achar quem
vão ser os users que vão se beneficiar e
aí você também ter os providers e também
ter as a infraestrutura. Aí você tem um
pouco de cada coisa, né? E tentar ficar
fora de quem não vai se beneficiar, quem
não vai usar, porque vão ficar para
trás, né? Mas é
não é trivial, né? É uma luta do dia a
dia aqui pra gente achar esses esses
essa essa combinação do portfólio.
>> Sim, sim, imagino. Eh, eu queria,
voltando para Brasil agora, queria falar
um pouquinho de de investidor, né?
Investidor brasileiro. Eh, a gente, né,
quando a gente observa aqui as classes
de fundos, a gente vê lá renda fixa
captando super positivamente, né, os
fundos de infra e tudo mais. Por outro
lado, a gente vê aquelas classes de
fundos como multimercados, fundos de
ações, sofrendo ali com com captação
negativa e tudo mais. Como que você
encara esse comportamento do investidor
brasileiro? Você acha que eh acaba sendo
mais do mesmo? Ele sempre vai olhar ali
paraa nossa taxa de juros? Isso faz toda
a diferença para ele ficar no renda fixa
ou ou ir mais paraa renda variável? Você
acha que teve alguma mudança eh no
comportamento desse investidor nesses
últimos anos?
conta pra gente um pouquinho como é que
você tá vendo a cabeça do investidor
brasileiro.
>> É, acho que de certa forma, né, você tem
aqui no Brasil um um é uma tempestade
perfeita assim para para passou por uma
tempestade perfeita nos últimos 2 tr
anos paraa indústria de fundos, assim,
né, um movimento conturbado, um pouco de
mercado, né, com uma uma performance
mais apertada. Eh, aí simultaneamente o
governo fazendo uma série de medidas que
incentivavam o dinheiro a sair eh de
onde estavam sendo alocados, né, com
abertura dos fundos exclusivos, né,
tiveram, moveram muito recurso do Brasil
e foi pro exterior. O governo na ânsia
de arrecadar, ele acabou diminuindo a
base tributária local dele, né, e
mandou, o pessoal mandou esse dinheiro
para fora e aí coloca em outras
estruturas e etc. O governo no final ele
acaba arrecadando menos e expatriou a
poupança do brasileiro. Então a gente
viu aquela saída enorme de recursos
brasileiros ao longo dos últimos do
anos. eh, muito por conta dessa abertura
dos fundos exclusivos, né? Então, só por
essa abertura vocês já terem uma
migração de de ativos locais, exposições
locais para exposições internacionais,
né? Aí, paralelo a isso, a gente teve
toda a condução da política fiscal que
exigiu que o governo colocasse juros
muitos muito altos, né? Então, você
trabalhar com juro muito alto, você
acaba incentivando menos tomada de risco
por pont ponto de vista do investidor
local, né? porque a bolsa perde
atratividade, porque o juros eh ganha
muita atratividade. E aí, bom, além
disso tudo, você tem um incentivo muito
grande para esse pro para esse mercado
de zentos no Brasil, né? Então tem uma
coqueluste enorme, né, para você ter
investimento em instrumentos isentos. No
primeiro momento as pessoas estavam se
posicionando no juro real eh isento, mas
com as políticas fiscais do governo
levaram um juro real muito mais alto, as
pessoas acabaram perdendo dinheiro nessa
migração. Quem deixou o dinheiro no
Brasil, em vez de para fora, colocou o
dinheiro no juro real, porque ele era
alto 6%, acabou perdendo dinheiro. Mesmo
mesmo tendo isenção, acabou que essas
essas essas taxas de juros acabaram
abrindo. Então gerou uma certa
frustração e as pessoas correram pro
CDI, né? Então com a taxa de juros muito
alta. e o governo dando essa isenção,
esse subsídio enorme eh para investidor,
eh o que acaba acontecendo é que você
acaba tendo uma com a taxa de juros alta
e com a questão da isenção, o benefício
da isenção, ele fica muito alto. Se a
taxa de juros fosse bem baixinha, 2 2, 2
3% 4%, que nem nos Estados Unidos, o
benefício dessa isenção seria bem menor.
Então a tratividade você comprar um
ativo e ficar parado lá por muito tempo
numa taxa de luz baixa para ter uma
isenção, ela seria menor. Mas no Brasil
com julo de alto gigante é quase como
você, a gente brinca na na metáfora, é
quase como você correr ali contra o Ben
Johnson dopado ali na na Olimpíada, né?
Porque você final tem um cara que
polento.
Aí no final você tem que render 15 mais,
né? O risco que você corre, é botar uma
V de sete, um sharp de um, você vai
ganhar 15 mais 7, mas com volatilidade,
com risco, né? Com bala, com a cota com
vária, com vol mensal, eh, da cota, né?
sem injeenção, né? Então você compara os
dois instrumentos, né? Então você acaba
que fala, pô, é uma competição que você
prec você dá um retorno, você precisa
correr um risco maior, ter uma vol maior
para você oferecer um retorno ainda
maior pro investidor, eh, para ele
compensar a questão da isenção. Então,
na medida que a gente, se a gente
continuar com juro muito alto no Brasil
por muito tempo, não é o cenário que a
gente acredita, a gente acha que tem
espaço aí para uma uma certa
normalização, uma certa calibragem de
juros no ano que vem, dado que a
inflação deu uma convergida, a gente tá
com juro no pé muito alto. Eu acho que
dá para trabalhar com juros aí entre 11%
tranquilamente, eh, se não tiver nenhuma
uma barbaridade no lado do governo
federal. Eh, se tudo tiver mais ou menos
como tá caminhando, a gente vai ver uns
juros entre 11 e 12, eh, provavelmente
ao longo do ano que vem, eh, a
velocidade, tem gente que acha que é
mais rápido, tem gente que acha que é
mais devagar, etc. Na medida que os
juros caem, a atividade atratividade da
isenção, ela diminui, né? E os
investidores que esferem travados em
instrumentos em CDI eh por longo prazo,
eles não vão eles não vão ter saída
porque vão ficar presos num juro que
pode cair, né? Então vai ficar mais
atrativo você ter dinheiro investido nas
devendas incentivados em juro real. Em
vez de est travado no CDI, você vai ter
mais atratividade de multimercado, né?
Porque você p tem além do CDI, você
ainda tem o o alfa gerado pela pelas
posições. Você gera uma atratividade num
outro momento também na bolsa que já tem
subido aí nesse passado recente. As
pessoas vão olhar, pô, eu tô aqui no CDI
que tá caindo e a bolsa subiu 30% esse
ano. Pô, eu tenho que ter mais bolsa,
né? Geralmente investidor ele quer
comprar o que subiu no ano anterior, né?
Então tem um pouco esse movimento, né?
Então a gente eh vê um pouco essa essa
questão. Então teve uma uma tempestade
perfeita que eu acho que tá ficando para
trás, né? com essa perspectiva de queda
de juros e já com os fuxos tendo se
dando tendo já deu uma assentada, já deu
uma organizada, né? Na medida que você
também eh tem a indústria performando
melhor, eh como já tá performando nesse
ano de 2025, né? Com um cenário de queda
de juros e essa perspectiva eleitoral,
né? Com agilidade que os multimercados
oferecem, eh, de você tá operar
otimista, pessimista, comprado em juros,
vendido em juros, né? eh, com
diversidade, diversificação geográfica,
diversificação de classe de ativos, eu
acho que acaba eh sendo uma classe muito
interessante para estar no portfólio do
investidor que vai ver daqui a uns x
meses à frente, 18 meses à frente,
provavelmente um juro mais baixo e aí
você vai ter que ter um pouco mais de
risco para você poder rentabilizar
melhor o seu portfólio. Então acho que
faz sentido daqui pra frente, né, um
alocador, ele tá um pouco mais
diversificado, com um pouco mais de
risco, porque tem essa perspectiva dos
juros, dos juros cair à frente.
>> Legal. E aí, assim, com todas essas
nuances e tudo mais que você trouxe,
você acha que eh tem alguma eh
perspectiva ou alguma algum sinal de
algum novo produto no no na né, olhando
paraa indústria de fundos, eh, de novas
estratégias, novos produtos, né? a gente
teve a própria 175 que trouxe agora a
possibilidade de multiclasses,
subclasses, enfim, trouxe ali algumas eh
eh ferramentas, né, eh novas ali pro
arcabolso regulatório. Você acha que tem
espaço para isso ou você acha que o
momento ali, olhando pros próximos anos
é muito mais de acomodação, recuperação,
olhar para esses setores, né, para para
esses essas questões mais conjunturais e
seguir muito no que eh já tem montado
hoje de de produtos e de portfólios.
como é que você tá enxergando um pouco
esse esse campo da inovação, vai, ou de
de novas estratégias?
>> Não, a gente falando pela gente assim, a
gente acha um mercado super dinâmico,
né? O mercado ele é dinâmico, ele se
adapta às circunstâncias que acabam
sendo impostos pelo governo e pela taxa
de juros, né, e pela política econômica,
né, de uma forma geral. Então assim, a
gente, por exemplo, na Lega, a gente
começou era multimercado, hoje a gente
tem uma plataforma de crédito, a gente
tem sete B sobre gestão em produtos de
crédito, a gente tem crédito e juro real
isento, temos dement temos CDI is
exemplo, temos crédito privado, temos um
produto que a gente oferece pro cliente
eh uma rentabilidade fixa de 97% CDI, é
um produto que já tá fechado. Então, a
gente foi ao longo da ao longo dessa
tempestade perfeita, a gente não ficou
parado, a gente desenvolveu uma
plataforma de crédito, a gente tem
captou R$ 7 bitos de de crédito. A gente
tem uma para uma perspectiva, acho que
vai ficar mais atrativo por conta da
questão de comicota, você montar fundos
com mais exposição a renda variável, né?
Que aí você consegue classificar o fundo
como renda variável e aí você consegue
correr o risco de multimercado e ainda
ter uma uma exposição maior renda
variável, então você consegue sair um
pouco do comicot. Então você acha que
vai, a gente vai se adaptando de acordo
com a com o que o investidor quer, né?
No momento o estudou tá querendo muito
CDI isento, então a gente foi lá e
captou muito CDIO nesse passado recente.
Eh, mas eu acho que no futuro próximo
acho que ele vai querer menos CDent. ele
vai querer um multimercado que não tem
comicota, ele vai querer talvez o fundo
de demens incentivada, eh, com um pouco
mais de risco, eh, dentro desse fundo,
eh, cada vez com y buscando um y maior.
Então, a gente tá sempre se adaptando ao
aonde a gente vier a demanda e, na
verdade, a gente quer sempre oferecer na
nossa plataforma paraos nossos clientes
o que a gente acha que vai ser a melhor
rentabilidade à frente. Tanto que a
gente no passado recente agora, a gente
acabou de fechar o nosso fundo CD. Por
quê? Porque a gente acha que um juro
caindo, atratividade pro cliente ficar
no CDI, o benefício da injeção vai cair,
os spreads das das debentoras, né, que
são suapas para CDI tão magros, eles
podem abrir, né, e o cliente pode se
deparar com uma rentabilidade
eventualmente, né, se os juros realmente
cair e os prédios abrirem, com uma
rentabilidade muito inferior a 100% do
CDI. Pode ser uma rentabilidade 50 do
CDI, 40 do CDI, 60 do CDI. E muita gente
que compra esses produtos acha que isso
aí é uma LCA, uma LCI, uma um CDB
isento, mas na verdade não é, porque lá
dentro desses fundos eles tem um risco
de crédito que é sua apado para CDI, né?
Então se o crédito piorar esse fundo ele
tem uma volatilidade. Se, né, o Julo
cair, ele tem uma menorabilidade porque
ele é ele ele tá ele tá indexado pra
CDI. Então a gente fechou porque a gente
acha que para frente, né, não eh faz
mais sentido os clientes estarem alocado
em outros produtos com mais
volatilidade, com mais risco, com mais
duration, né, do que o o CDent, que é
duration eh curtíssima, né, de curto
prazo. Então, a gente vai se adaptando.
Eu acho que é um mercado que tá sempre
em transformação. Eh, o governo mexe
muito nas regras. Eh, o mundo ideal
seria que você pudesse ter uma
plataforma de investimentos e todas elas
tivessem a mesma tributação. E aí o
investidor no final ele fala assim: "Pô,
qual que é o melhor cavalo pro 202? Ah,
eu quero estar investido em bolsa, quero
est investido em multimercado, eu quero
estar investido em juro real, eu quero
ter investido em CDI, porque eu acho
isso, porque eu acho aquilo. Mas na
verdade, quando o governo causa essas
diferenções em termos tributários, ele
causa uma divergência enorme, né? E além
disso, né, que a gente tá vivendo nesse
passado recente, essa essa questão de
você incentivar essa migração em massa
para ativos isentos, ela provoca uma
dificuldade enorme no tesouro colocar a
a rolagem da sua dívida pública, que é
uma dívida enorme, né? né? Então a gente
tem visto aí taxa de juros do Brasil
super alta, muito diferente do mundo
inteiro. O tesouro colocando aí a taxa
de ouro real de 7,5 a 8%, prazos longos,
travando a dívida num preço absurdo, mas
porque você tem a uma parte é política
fiscal mal feita, a outra parte é porque
você tá incentivando as pessoas a não
ter não darem dinheiro pro governo, as
pessoas darem dinheiro para as empresas
porque elas elas têm o benefício da
isenção, né? Então você acaba causando
uma série de instruções. Então no nosso
ponto de vista, a gente da velha de
acordo com com o cliente quer e e aonde
a gente vai para onde o cliente quer,
tentando desenhar um produto que ofereça
a melhor rentabilidade possível pro
cliente dessas circunstâncias, né? e
tentar evitar de também colocar o
cliente final em produtos que são aí uma
uma roubada, comprar uma uma coisa aí
que, né, que acaba acontecendo aí, que a
gente viu ao longo do ano, alguns
produtos que falharam, a gente tá sempre
eh muito cauteloso, muito criterioso
para, né, o mais importante, pra gente
mais importante é é preservação de
capital, escapar aí do campo minado, né,
e você no final sair com rentabilidade,
com produtos bons, com rentabilidade, tá
sempre ali naquela classe que a gente se
propõe a fazer. no tier one, né, na no
primeiro quartil das melhores performas.
Esse é o mais importante para nós aqui,
>> não? Bacana. É, você falou uma coisa
super relevante, né? E o mundo ideal
realmente era que você tivesse uma
prateleira ali de produtos e que eles
não, o processo de decisão do investidor
não deveria ser calcado justamente na
questão fiscal, né? deveria ser
justamente em relação à tratividade do
produto, o quanto esse produto se adequa
a a ao perfil que o investidor tá
buscando. Mas, infelizmente, hoje a
gente tem essa dicotomia realmente no
mercado. Eh, você também trouxe uma
coisa na sua fala que eu queria explorar
um pouquinho. Você falou, né, que então
eh vocês foram lá também eh trabalharam
na na abertura de uma plataforma de
crédito e tudo mais. Eh, se você puder
eh contar um pouquinho aqui pro pro
ouvinte do Baifundo como é que a Legacy
tem trabalhado nesse ponto de vista de
processos, o quanto isso pode, né,
modelos proprietários, ferramentas
quantitativas, não sei se vocês já estão
usando ou tem no no pipeline de vocês o
uso de inteligência artificial para
trazer competitividade pro pro negócio.
se você puder explorar um pouquinho isso
aqui pro ouvinte do do Baifundo.
>> Não, a gente, né, o como eu coloquei
aqui agora, né, assim, a gente, a
questão mais importante aqui é você ter
boa governança, né, eh escapar das das
grandes roubadas que acabam aparecendo
no mercado, né, dos grandes traps. Eh, a
gente tem nossos comitês de de
investimento, né, tanto do macro como
comitê investimento de crédito, né,
todas as operações passam pro nosso
comitê de compliance, passam pelo nosso
comitê de crédito, né, quando é quando é
uma operação de crédito, né, na questão
macro já é uma na nas nossas discussões
diárias aí na na parte macro. Eh, a
gente tem um um processo que ele é o
mesmo há muitos anos, desde a época que
a gente nem tava na lealhava em banco. O
processo é muito parecido, ele muda
muito pouco ao longo do tempo, né? é
uma, a nosso processo de investimento,
ele é muito consistente, muito, ele é
muito e eh recorrente, né, assim. Então,
a gente pode bem ou pode mal, mas a
gente sempre faz do mesmo jeito. E a
gente tem um time que trabalha junto há
muito tempo, pessoas que já estão
aculturadas com a gente há também há há
bastante tempo, né? Eh, desde o começo
da Lega. Então, isso pra gente é bem
importante. É é um business de pessoas,
é um business de processo, é um business
de governança, né, de governança forte.
Então a gente dá muito valor valor a
isso com relação à inteligência
artificial, né? Falei a gente tem uma
felicidade de nascer na nuvem. A gente
tem aí o no, a gente inclusive teve fez
uma, ao longo da nossa trajetória aqui a
gente desenvolveu uma parte muito forte
de sistema, a gente fez o spinoff da
nossa área de sistema, montamos uma uma
empresa, né, fora da lega, a gente
spinofou toda a nossa parte operacional
porque a gente desenvolveu um sistema
que ele é tão bom do lado do ativo para
me ajudar, eu guerra que opero vários
ativos, várias geografias, como ele é
bom também pra parte de controles, para
você tá de acordo com as regulações, com
as regulamentações da CVM, da BIMAR, né,
ele já tem os os avisos, os
enquadramentos, etc. Então, a gente fez
um spinoff desse dessa dessa nossa parte
operacional. Acabamos de anunciar uma
parceria com a B3, né? A B3 vai ser a
nossa sócia eh nessa empresa. Eh, então
uma empresa que vai a gente vai acabar
oferecendo pro mercado, né? Tanto para
outros fundos de mmercado ou renda fixa
ou renda variável, crédito, eh fundos de
pensão, eh privos de family office, né?
O que a gente usa, né? Que a gente
considera que é o state of the arts aqui
na na Allega tem de controle, né? tanto
no parte do controle do ativo, que é o
que a gente opera, a gente escolhe para
comprar e vender ao longo do dia, como
na parte de passivo, que é da onde a
gente capta, da onde é o dinheiro, da
onde vem, quem são os nossos alocadores,
eh como é que é a nossa cota, como é que
é, né, a a os os processos de de
aplicação em resgate, etc., né? Então, a
gente vai oferecer isso pro pro mercado
através dessa parceria com a com a AB3.
Então esse é mais um um ponto aqui. E aí
em relação à inteligência artificial,
né, a gente eh obviamente a gente tem
tentado, né, usar já aqui no nosso dia a
dia, acho que todos usam aqui na lega a
gente já tem uma uma frequência de de a
gente já sabe mais ou menos quais são os
processos que a gente faz, né, tanto
para tomar decisão como que a gente o
que a gente gosta de acompanhar no dia a
dia. Então, a gente tenta colocar tudo
isso dentro de uma do motor que consegue
eh fazer isso de uma forma mais rápida
pra gente, traduzido, eh resumido e que
a gente consiga ver aquela informação da
forma mais rápida possível, com maior
qualidade possível. Eh, e aí se você
quer se aprofundar, depois você vai lá e
procura qual que é o repórter, qual que
é a matéria, qual que é o o
da onde é a fonte, né? E a gente já usa
isso muito no nosso dia a dia. Eh, eu
acho que vai permite, já me permite
hoje, eu acho que permite também todo
mundo que trabalha comigo a cobrir mais
coisas, né? né? Então, o ideal é que lá
na frente eu tenha, eu consiga ter
cinco, se 10 agente aí a dese
trabalhando comigo e cada uma das
pessoas que trabalham comigo tenho mais
10. Imagina, a gente vai conseguir
cobrir eh de uma forma bastante ampla o
mercado, com bastante profundidade eh os
assuntos. Então, a gente já usa muito na
nossa análise, a gente usa muito na
nossa leitura de mercado, a gente tem
alguns pensado em alguns modelos já eh
baseados um pouco no, né, colher essa
como colher essa informação de forma
mais rápida, isso gerar eh
posicionamento, informações, eh pelo
menos avisos ou indicadores pra gente
poder tomar decisão. Então, a gente já
tá no nosso no nosso escopo, né? Acho
que a gente vai ter ainda muita evolução
eh pela frente eh em termos de modelos
melhores, em termos de eh essa questão
da chegada do do agente Ai, ela vai
melhorar muito ainda. Eh, hoje
programação é uma coisa que ficou muito
mais simples, né? Você precisa de menos
gente, mais eh e você tem mais
qualidade, mais assertividade, mais
produtividade. Acho que a palavra sempre
é produtividade no final, né? Você fazer
muito mais coisas com menos recursos,
né? com o mesmos recursos que você tem,
você não precisa nem desescalar, que nem
o pessoal fala muito assim: "Ah, vai ter
desemprego, vai ter Não, acho que não.
Acho que você vai poder, com as mesmas
pessoas, você vai poder fazer muito mais
e aí poder achar mais oportun achar
ganhar achar mais oportunidades, ganhar
mais dinheiro, fazer mais controles,
mais eh certificar que as coisas estão
dentro do nosso processo de forma
instantânea, né, e e recorrente. Então,
ó, acho que é isso aí, é mape mapeando
os processos e de como a gente investe,
de como a gente eh controla o risco,
como a gente controla as posições. Acho
que tudo isso dá para ser feito de forma
melhor, usando a a a E AI.
>> Não, muito legal. É, veio para ficar,
né? Não tem, é a ferramenta que é agora
saber fazer o melhor uso, né, dessa
ferramenta, porque ela não tem volta,
né? Acho que é um movimento que não tem
volta, né? Exato,
>> Felipe, deixa eu deixa eu explorar agora
um pouquinho sua evolução como gestor.
Vamos falar um pouquinho da sua
trajetória.
>> Conta pra gente, você conta aqui pro
ouvinte do Bundo. Você então começa toda
a sua trajetória ali muito numa áreas
área proprietária, né, tesouraria,
passou um bom tempo ali, eh, no
Santander também. E aí depois você vai
então para para uma, né, funda sua
independente. Como que foi essa
migração? Então isso eh você teve que
fazer algum ajuste na na no seu modelo
de gestão, na sua filosofia de gestão ou
foi uma coisa muito fluida? foi conta,
divide um pouquinho aqui com com o
ouvinte do Baifundo, inclusive para
aqueles que de repente pensam em fazer o
mesma o mesmo movimento, conta como é
que foi essa esse momento e e o que que
você eh teve que ajustar ou não em
relação aí essa essa migração.
>> É, foi uma migração de certa forma
natural assim para pra gente, né, no
sentido de que eh já fazia, a gente faz
o que a gente tá faz, o que a gente faz
hoje na LC é basicamente o que a gente
fazia há muitos anos no banco, né?
Então, eh, eu fiquei muito tempo
responsável pela mesa proprietária do
banco, né? E a gente, né, cobria uma
gama larga de ativos, uma uma gama de
geografias, eh, e a gente, pô, cuidava
do dinheiro de um único cotista que era
o capital do banco, né? E a gente sempre
se provocava, né, eu pessoalmente, né, e
alguns meus sócios, pô, de repente, por
que que a gente não pode fazer isso para
atender milhares de cotistas e até o
nosso próprio capital também, né,
próprio também, investir o nosso próprio
dinheiro, né? Então, era um movimento
meio natural até na medida que com a com
a questão da da crise de 2008 e aí você
foi avançando naquelas regras do Dod
Frank, que regras da Europa, de
regulação de capital, chamada de
capital, né? Para quem conhece o
conceito de risk weighted asset, né?
Você ficou, o capital ficou muito mais
competitivo dentro do banco eh pras
posições de varejo, para as posições de
crédito, paraas posições de tesouraria.
Então você tinha um movimento que o
banco tava meio que apertando e a
indústria do lado de fora crescendo, né?
com advento aí das dos das plataformas
digitais, da universalização de
investimento para para classe média,
paraa classe mais baixa. Então, juntou
as duas coisas, né? Você tinha do lado
eh menos capital disponível eh eh para
fazer o as posições proprietárias dentro
de um banco, dentro de uma tesouraria,
por questões regulatórias, por questões
estratégicas e por outro lado, você
tinha mais capital disponível fora do
banco para você poder tomar essas
decisões e e rentabilizar. Então, a
gente fez esse foi um chifre bem
natural, né? Aí a a a gente teve a
felicidade aí, né? Eu tive a felicidade
de vir junto com para Legacy, com
Gustavo, com Jobim, que eram pessoas que
trabalhavam comigo muitos anos na
Legacy. A gente tinha passado já por
diversos cenários, a gente tinha
confiança muito grande de que a gente
traria aquela boa performance do banco
para pr pra legacy. E aí juntar com
pessoas com muita com uma experiência
boa, né, como Duda na parte de controle
risco comercial, né, contatos com o
cliente, eh conhecimento das regras, né,
para para fazer com que a nossa
transição fosse mais suave. alguns
gestores também que já tinham trabalhado
em indústrias de fundos para com a com a
nossa experiência junto a gente
desenvolver e vai ter uma migração mais
suave, mais tranquila. Então eu acho que
muda muito pouco, assim, foi uma coisa
natural do ponto de vista estratégico,
foi uma coisa natural do ponto de vista
de processos. o que a gente faz, a
reunião que as reuniões que a gente faz
são exatamente no mesmo dia, no mesmo
horário que a gente fazia no banco.
Então nada muda, o processo é o mesmo.
Eu tinha respondido para você há pouco
tempo atrás, né, na na sua última
pergunta, eu falei assim que eh o nosso
processo de investimento ele é o mesmo,
né? A gente eh pode est indo muito bem,
como a gente já teve janelas
espetaculares, anos mais difíceis, a
gente faz de forma a mesma coisa.
reuniões são na mesma no mesmo momento,
as discussões são as mesmas, as brigas
são as mesmas, os desafios são iguais, o
mercado é super competitivo, eh, né, o a
gente gosta de do que faz, né, a
satisfação eh de você ganhar dinheiro do
mercado, né, que é um mercado super
competitivo.
ela não é só só satisfatória do ponto de
vista de investimento, mas ela é
intelectualmente também muito
satisfatória, né? Quando você acerta,
você sobre eh autoperforma a o a
indústria do mercado, o CDI, o exento,
né? Eh, todas as competições que
aparecem pela frente. Então, a gente
teve essa transição, equipe que trabalha
junto há muito tempo, processos são os
mesmos. Eh, você na você acaba como fora
do do tendo uma gestora, você acaba
tendo acesso a a mais bancos, você é
cliente de mais eh instituições, você
tem acesso a a talvez a mais informações
globais, né? Eh, e tem mais trabalho de
gerir mais essa essa essas esse essa
essa questão das informações e e acho
que é uma uma um caminho foi um caminho
natural e uma evolução aí porque que a
gente e aí a gente continua evoluindo,
né? Porque a gente fazia zero crédito no
em 2018. Hoje a gente tem 1/3 nosso em
crédito, né? A gente tem um comitê de
crédito com recorrência, com discussão,
um processo, como a gente já comentou.
Então a gente tá com uma gama de
produtos, né, eh variados aí. Acho que
temos tem mais de oito produtos na na
prateleira, eh, fundos de multimercado
com diferentes volatilidades, fundos de
crédito com diferentes indexadores e com
a questão da isenção, sem isenção. Eh,
estamos com a cobertura dentro do dos
produtos de crédit, a gente já tem uma
cobertura em cima dos Fediics, em cima
dos bondes internacionais, em cima dos
exentos, em cima dos créditos privados.
Então, a gente tá sempre aprendendo,
sempre evoluindo, né? A gente gosta
sempre de desenvolver internamente as
coisas. Eh, o livro de crédito não
começou uma filme de crédito nada, né?
Ele era uma uma estratégia de crédito
dentro do multimercado que começou a
ganhar dinheiro, começou a alocar um
pedaço do capital, acho que 10%, cerca
de 10% no nosso IUM, eh, na época. Aí
quando a gente viu que a gente utilizou
o nosso capac, tava conseguindo ter
mobilidade de girar a carteira, entrar e
sair quando a gente achava que poderia
fazer, porque o mercado foi ganhando
materialidade, a gente falou: "Pô, por
que que a gente agora não mostra só um
produto só exclusivo de crédito? Porque
a nossa rentabilidade é boa, pode ter
uma demanda somente para isso e não
terminado. Foi uma decisão acertada. A
gente decidiu, a gente decidiu lá atrás
crescer de forma eh
bem gradual na parte de crédito. A gente
queria se colocar realmente como uma
boutique, como cara, como um fundo que
tá sempre ali no primeiro quartila, uma
uma rentabilidade maior pro cliente, não
o que capta tudo e que faz aquele M
gigante. Aí você é obrigado a comprar
todos os papéis que tem no mercado e
quando dá um problema, você tá envolvido
com todos. acho que iria ser uma coisa
mais eh taade, né, uma coisa mais eh
diferenciada. A gente continua nesse
esforço, né, de de ter produtos bem eh
específicos e e com atratividade,
rentabilidade, com escetoro, é
interessante pro nosso cliente. Então é
um pouco da essa trajetória aí entre
banco, legacy é um pouco dessa dessa
nossa slus DNA.
>> Legal, bacana. Bom, agora a gente vai
passar pro nosso quadro que é o mergulho
e fundo. Nesse quadro eu vou fazer
perguntinha aqui bem curtinha para você
dar também uma resposta bem direta, bem
curtinha pra gente seguir aqui com com o
nosso episódio. E aí segue um pouquinho
aqui na nesse campo da trajetória, lição
que você aprendeu ao longo da sua
trajetória.
Elenca uma aqui para dividir por exemp
assim no final
>> tem várias lições, né? Aí tem lições da
da como empresa e tem lições como
trader, né? assim, como trader, assim, é
sempre respeitar o mercado, né? O
mercado é soberano, ele te dá os sinais.
Eh, ninguém é, né, melhor que tudo, né?
Você tem precisa ter equipe boa, com
qualidade, não existe super homem e
gênio no mercado. Acho que é tudo fruto
do de hard work, fruto de muita
discussão, muito debate. Eu acho que o
mercado ele te tá aí todos os dias para
te deixar cada vez mais humilde, assim.
Então, eh, eu acho que mercado é sempre
soberano, assim, acho que é uma é uma
lição assim de que tem sempre que
respeitar.
>> Legal. Boa, boa. Isso me me lembrou um
pouco daquela que muita gente fala, ó, a
gente tem que respeitar o mar ali
também, né? Pode ser o melhor nadador.
Ele sempre quando entra no mar, ele
precisa respeitar o mar. É um pouco,
enfim, fiz essa analogia aqui na minha
cabeça.
>> Segunda perguntinha.
>> Tem respeitar o mercado. Exatamente.
Analogia perfeita,
>> né? Bom, segunda perguntinha aqui, uma
dica importante para quem tá começando a
carreira de gestão. Que que você diria
para essa pessoa que tá ali ingressando
no mercado de gestão de recursos?
>> Também tem várias coisas também, né, que
você tem que eh cobrir assim, né? Ontem
inclusive tava conversando com com um
jovem, né, que tá se formando e tudo e
ele foi bater um papo comigo, perguntar
um pouco, né, do como é que faz, o que
que faz, né? Eu acho que tem um mundo de
coisa, né, de você tem que acompanhar,
não só ter uma uma ótima formação, né,
boas escolas, boas estudos, né, ter boas
notas, mas eu acho que além disso você
eh tem que ser muito interessado, tem
que ser muito curioso. Eh, hoje a gente
tem a diferente da nossa época lá atrás
até a gente tem muita informação, tem
muito podcast bom, tem muita, a gente tá
aqui conversando, tem sai muita
informação, sai muito conteúdo, muita
discussão, tem muita gente boa no
mercado. O Brasil tem, a gente tem essa,
ah, essa característica aqui de ter bons
gestores, bons, eh, boas discussões,
bons debates, né? Sempre rico, eu sempre
aprendo com meus colegas aí de da
indústria. Eh, eu acho que tem muita
informação boa, muito podcast bom, n?
Tem que ser curioso, né? Tem que correr
atrás eh da da das informações, né?
sugeria. Eu acho que essa questão que a
gente conversou um pouco sobre
inteligência artificial, ela é que a
gente colocou, veio para ficar, pô, eu
hoje eu até às vezes eu falo pra minha
esposa fala assim, pô, eu queria começar
de novo, né? Porque tem tanta coisa que
você poderia estar fazendo melhor e
maior e e tanta oportunidade que tá
aparecendo que, pô, tem uma avenida de
coisas para você fazer em termos de de
aperfeiçoar processos, né, e de entender
melhor de de AI,
programação, né, que hoje em dia tá
ficando até para trás, mas você como
utilizar isso para você ser mais
eficiente. Então, acho que tem uma tem
várias pegadas aí, né? Eu acho queria
essa combinação de você ser curioso, não
só do ponto de vista das das informações
macas que hoje são abundantes, mas
também você tá pular de cabeça nessa
questão da da inteligência artificial,
assim, eh, eu queria eu ter mais tempo
para poder dedicar a isso, assim, ter
outros braços, né, num povo assim para
poder ter outras frentes e e tá também
envolvido nesse mundo de de AI.
>> Legal. Eh, você falou de começar de
novo, mas eu vou te perguntar o
seguinte, tem algo que você faria
diferente ao longo dessa sua trajetória?
Pergunta difícil, né? Eu eu acho que eu
tive muita sorte na carreira assim de
trabalhar com pessoas muito boas, né?
Que que sempre me ajudaram a aprender
cada vez mais e até hoje todos as
pessoas que trabalham comigo me ajudam
no dia a dia também aprendo aprender
mais, né? E tô sempre estudando, tô
sempre tentando eh renovar assim, acho
que eh acho que deu deu deu tudo certo,
né? assim, você obviamente você queria
sempre performar mais, fazer mais, ter
mais coisas e tal, mas acho que no final
a trabalhar com pessoa
formação, de ter acesso a trabalhar em
bons bancos, com boas com pessoas
excepcionais, né? Eh, aprender bastante,
ganhar uma ter uma formação sólida, né?
Eh, encontrar o que eu que eu gosto de
fazer, que eu faço com paixão, né? Que é
o mercado todo dia de curtir negócio que
você fica fim de semana e você faz
porque você gosta, né? que você só uma
obrigação, né? E e eu acho que isso
acaba, né, você tendo essa esse ciclo de
boa boa formação, boas oportunidades,
boas pessoas, bom time ao redor, né?
Tentar eh botar todo mundo no mesmo
ritmo assim, né? No nosso dia a dia. Eu
acho que é que é que é que é importante.
Então assim, eu acho que eu faria tudo
mais parecido assim, não mudaria nada.
Muito legal, Felipe. Quero te agradecer
demais por compartilhar aí a sua leitura
de mercado, um pouco da sua trajetória
aqui com a gente. Super obrigado. Foi
muito legal aqui o nosso bate-papo,
>> né? Obrigado você, Soraia. Estamos à
disposição aí para para novos
bate-papos. Espero que os ouvintes
gostem aí da nossa conversa.
>> Legal. E você que nos acompanha,
continua aí mergulhando conosco nos
nossos próximos episódios do Vai Fundo.
Compartilhe, comente, siga o podcast no
Spotify e até a próxima. Obrigada,
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