Papo de Gestão com Fernanda Camargo | Vai Fundo
Sumário Regulatório
Este episódio do Vai Fundo recebe Fernanda Camargo, sócia fundadora da Wright Capital e diretora da Anbima, para uma conversa no quadro Papo de Gestão. Durante o bate-papo, Fernanda falou sobre: • Como direcionar capital privado para quem está na linha de frente das mudanças climáticas, da bioeconomia e da preservação de florestas • O avanço da agenda ESG e o desafio de transformar intenções em alocação real de recursos • Modelos de blended finance que combinam capital privado, filantropia e capital catalítico para viabilizar projetos • O papel do Brasil na nova economia verde • A importância da diversidade de gênero e raça para mudar a cultura do mercado financeiro Um episódio essencial para quem quer entender como conectar retorno financeiro, impacto socioambiental e diversidade na indústria de fundos. Assista agora e aproveite esse bate-papo. #VaiFundo #PapoDeGestão #FundosDeInvestimento #InvestimentoDeImpacto #ESG #MercadoFinanceiro #Sustentabilidade
Transcrição e Conteúdo
Olá, [música] sejam todos muito bem-vindos e muito bem-vindas ao Vai Fundo, o podcast da Ambiba. Eu sou a Soraia Barros e no nosso papo de gestão de hoje a gente recebe uma das principais referências da indústria brasileira quando o assunto é investimento de impacto. Nossa convidada é a Fernanda Camargo, sócio fundadora da W Capital e integrante da diretoria da Ambila. Recent...
[música]
sejam todos muito bem-vindos e muito
bem-vindas ao Vai Fundo, o podcast da
Ambiba. Eu sou a Soraia Barros e no
nosso papo de gestão de hoje a gente
recebe uma das principais referências da
indústria brasileira quando o assunto é
investimento de impacto. Nossa convidada
é a Fernanda Camargo, sócio fundadora da
W Capital e integrante da diretoria da
Ambila. Recentemente a Fernanda esteve
em pelo menos dois painéis da COP 30
discutindo temas centrais da agenda
global, como direcionar o capital
privado para uma nova economia que está
surgindo a partir de mudanças
climáticas. Bom, hoje nós vamos conhecer
a trajetória dela, entender como a
preocupação com o meio ambiente,
questões sociais, igualdade de gênero
vem moldando o mercado de investimentos.
Fernanda, é um super prazer ter você
aqui de novo no nosso podcast.
>> Obrigada. Obrigada, Soraia. Obrigada
pelo convite.
>> Legal. Vamos começar então. Fernanda,
queria começar aqui falando um
pouquinho, né? A COP 30, ela consolidou
debate sobre a necessidade de direcionar
capital privado para quem está na linha
de frente do impacto das alterações no
clima, desde pequenos produtores,
cooperativas, negócios comunitários.
Então, eh, se você puder compartilhar
com um ouvinte do Vai Fundo, como é que
essa experiência influenciou a sua
leitura sobre o que precisa mudar? para
que que para que de fato o capital
privado ele chegue a quem realmente
precisa. Então, quais foram as
discussões que mais te chamaram atenção?
Você puder então compartilhar um
pouquinho como é que foi essa
experiência lá na COP.
>> Boa, obrigada. Bom, primeiro acho que só
assim a quando a gente quando você fala,
né, referência impacto, aí eu não é nem
justo, porque tem a os gestores aí de
impacto que eu acho que eles ah tão
fazendo isso há bastante tempo também.
Ah, talvez a gente aqui na R seja o o
dos poucos family offices que se envolve
tanto com essa agenda, porque a gente ah
entende que a gente, né, ao fazer
preservação de patrimônio, a gente tem
que olhar para isso, né? Então, ah,
olhar só pro retorno, eh, você pode
estar ignorando vários riscos. Eh, e aí,
principalmente, né, quando a gente entra
na agenda climática, eh, eu acho que aí
são os os mais significantes, né? Então,
se você tá fazendo lá a a alocação do
seu portfólio, do seu patrimônio e você
nem liga para isso, ah, pode ser que que
daqui a um tempo ou essa indústria deixe
de existir ou que custe muito caro para
ela existir, porque, né, vão vir regras
aí de compensação e tudo. É, ou até
porque ah, vai faltar energia ou ah, ou
água. Eh, então não tem muita
escapatória. Para onde a gente olha, é
importante olhar para isso, né? Eu acho
que eh sobre a COP, né, quem só
acompanhou a COP pela mídia, acabou
ficando com uma sensação de que que não
foi tão bom, né? Eh, eu acho que
realmente foi é difícil, né? A gente tá
falando de um tema, né? Eh, o o
principal tema neste caso, né? A
transição para fora de de a combustíveis
fósseis. Eh, e aí eu sempre lembro de
uma frase de um mestre budista que fala
que expectations brings frustrations,
né? expectativas trazem frustrações.
Então, eu acho que a gente ah tem que ah
talvez ajustar a expectativa, né? Você
tá falando de um de um tema que hoje,
né, os maiores as maiores nações, né, e
principalmente quando você fala de
Estados Unidos e China, eh, dependem
totalmente disso, a indústria total. Eh,
então não vai ser assim da noite pro
dia, né? vai demorar, vai ser um um
caminho. E eu acho que uma das coisas
positivas que saiu dessa COP é o tal do
mapa do caminho, né? Quais as
alternativas
para para fazer isso? E eu acho que isso
o próprio André Correa do Lago ah se
comprometeu a dedicar tempo para isso,
né?
Então, eh, do nosso ponto de vista aqui
de mercado de capitais, você tem dentro
dessa agenda de clima alguns subeendas,
né, que a gente fala, uma é a transição,
ah, que é a transição energética e que
eu diria que essa agenda é muito do
norte global, né, porque são países que
dependem a totalmente de fósseis ou
carvão.
Eh, e aí essa agenda acaba vindo para cá
do mesmo jeito que ela tá lá no norte.
Só que o Brasil não precisa muito dessa
agenda. A gente tem 84%,
85% de energia limpa, né? Então, a aqui
no Brasil eu acho que há uma agenda
super importante é o power shoring que a
gente fala, né? Se uma indústria de
europeia ou de qualquer outro lugar vier
apenas produzir aqui, você já tá
produzindo num lugar mais limpo, né? A
nossa a a nossa matriz é mais limpa,
então vem produzir aqui. Eh, do outro
lado a gente tem uma outra questão que é
o desmatamento. E aí sim, ah, a gente
aqui no Brasil a tá encontrando aí
várias agendas para resolver essa
questão, né? Então aí entra tais das
soluções baseadas na natureza, né? Eh,
que é regeneração de áreas degradadas,
sistemas agroflorestais,
ah, o próprio TFF, né, que é o fundo que
vai ser gerido pelo Banco Mundial, o
retorno vai ser para investimento e
preservações de florestas.
E aí sim, ah, eu acho que aí a gente tá
falando com o problema que é nacional,
né? a gente eh tem um território imenso.
Eh, temos aí, né, que não é novidade,
baixa produtividade, né? a gente não
precisa de mais terra, a gente precisa
melhorar a produtividade. Então, eh,
nessa agenda tem aparecido muitas
soluções, né, principalmente a
agricultura regenerativa,
né, que que consegue trabalhar com
o o agro grande e mostrar que é possível
você ter uma produção melhor, menos
quebra de safra, mais retenção de
carbono, simplesmente mudando esse o
jeito de de de operar. obviamente não é
barato.
Eh,
e aí você perguntou como é que esse
recurso chega, né? Eh, aí a gente
enfrenta um outro problema que, e talvez
esse problema não se aplique só a coisas
do clima, né? Sempre que a gente fala de
negócios de impacto ou ah
ou bioeconomia, a gente tá sempre
falando de ah fundos menores ou negócios
menores, né?
E quando você busca investimento lá
fora, né, a turma sempre quer cheque
grande, né, fala assim, você vai falar
com um banco grande, eles falam: "Ah, eu
não vou olhar para esse negócio, a não
ser que tenha pelo menos 200 milhões de
dólares e 10 anos de track record." Aí
eu brinco assim, te ligo daqui 10 anos
ou 20, eh, né? A gente precisa encontrar
formas desse recurso chegar de forma
pulverizada nos pequenos.
né? Eh, então os bancos lá fora, os
grandes investidores, fundos de pensão
que estão investindo aqui, eles acabam
nessa agenda de transição energética
porque aceita cheque grande. A agenda de
bioeconomia e solução baseada na
natureza e outros são cheques menores e
tem muito mais dificuldade de chegar no
recurso. E aí eu volto sempre no mesmo
ponto, né? Por que isso? Porque você
liga em grandes instituições e a pessoa
fala: "Ah, eu não vou gastar o tempo do
meu time num negócio tão pequeno". É o
tal do transaction cost, né? E e até
quando você olha pro ecoinveste, né? Que
acho que o objetivo é esse, né? Que esse
recurso que tá vindo através de Banco
Mundial é 1% ao ano com R, né? Eh,
deveria tá chegando nos pequenos. Então,
a gente tá acompanhando os leilões, eles
ah, esses leilões do tesouro tem que
passar pelos grandes bancos. Ah, os
primeiros leilões foram principalmente
para energia renovável, mas a gente
ainda tá falando de empresas grandes.
Eh, o segundo, integração, eh, lavoura,
passe e floresta, que é a agro, é ainda
cheque grande. O terceiro tá começando
aí para fundos menores, mas não tão
pequenos.
E o quarto leilão que foi anunciado na
COP é para bioeconomia, né, e turismo
nessas regiões. E aí sim não tem jeito
do cheque tem que ser pequeno ou então
não vai ter, né? Então o grande
dificuldade é como é que você faz esses
recursos grandes chegarem pulverizados
nessa bioeconomia, nesses pequenos.
Eh, e ao mesmo tempo como você educa
essas grandes instituições para esse
tipo, né, de investimento. Mas eu acho
que saiu muita coisa da cópia a respeito
disso. Falou-se muito de capital
catalítico, de misturar, né, quando você
traz a filantropia junto com o
investimento. Então, a gente tem o
exemplo do fundo Vale, que entra como
cota subordinada em várias dessas
estruturas, ah, ou assistência técnica,
né, para que outros investidores possam
entrar tomando menos risco. Então, eu
acho que essa já é uma indicação de
caminho muito bom, né? Então,
eu diria que que foi nesse ponto
animador por ter visto várias vários
exemplos de caminhos, sabe?
>> Aham.
>> Bacana. E é isso, talvez eh eh essa
pauta, né, eh é é a gente, ela ainda tá
em transformação, né, então acho que tão
os caminhos estão sendo trilhados, né?
Então acho que ainda tem provavelmente
ainda vem muita ideia boa aí de como
conectar todas essas pontas, né?
[roncando]
Eh, Fernanda, você até comentou aqui um
pouquinho, né, as questão do fundo de
florestas, né, que foi uma das talvez,
né, uma das das questões ali, uma das
entregas, né, da da da COP 30, né, a
gente chegou ali numa marca de 5.5
bilhões de dólares, né, prometidos para
investimentos.
Eh, na sua visão, eh, o que que esse
case traz em como estruturar
investimentos que realmente eles
combinem o impacto socioambiental e essa
atratividade financeira que você
comentou, né? Porque no final
tem que combinar as duas coisas, né?
>> É, esse é um crise diferente, né? Você
tá unindo aí vários países, né, para
para ajudar nessa na preservação de de
florestas.
eh o o investimento, né, desse recurso
vai ser feito via Banco Mundial. Eh, eu
ainda não sei exatamente como vai ser
feito, mas sei que o retorno tem que ir
ah paraa preservação, né? Eu acho que
assim, no mínimo, o que acontece quando
você tem um uma estratégia dessas é que
ah você abre a cabeça para
possibilidades que não foram pensadas,
né? você tem alternativas. Então eu
diria que hã
mesmo quando você olha para, por
exemplo, lá atrás, quando nasceu o fundo
Amazônia, né? Eh, abriu muita coisa
fundo Amazônia, né? Ele ele ele é
principalmente filantrópico, mas eh ele
ele levou um olhar do Banco de
Desenvolvimento paraa Amazônia. Então,
ah, já foi muito importante. Hoje a
gente tem também o fundo clima. que
entra também com capital catalítico para
esse tipo de negócio, né? Mas vem muito
desse knowhow e muito dessas dessas
estruturas trabalharam com estruturas
filantrópicas, tipo TNC, C, WWF, esses
gigantes que fizeram vários trabalhos
para coleta de dados desses lugares que
a gente não tinha. Então eu acho que
esse ponto é super importante a o DFF
porque abre caminhos de vários governos
para esse para esse olhar.
>> Entendi. Bacana. Eh, assim, eu acho que
a a pauta SG, né, se a gente olhar para
ela aí nesses últimos anos, nas últimas
décadas, ela, sem dúvida nenhuma,
amadureceu bastante, né, quando a gente
olha lá para trás, que nem você deu aqui
exemplos de alguns cases ali um pouco
mais antigos. E aí a cada novo eh case a
gente vai de fato amadurecendo, né, o
debate nessa agenda, eh a própria
regulação, avançando as discussões sobre
taxonomia, enfim, né? Eh, e por aí vai.
Eh, mas sem dúvida, eu acho que ainda
tem desafios, né? Especialmente quando a
gente pensa eh na questão de você
transformar a intenção em efetiva
locação real, né? Eh, nesse sentido,
eh, divide aqui um pouquinho pro ouvinte
do BF fundo, como que você enxerga essa
evolução, né, eh, em relação a toda essa
pauta ISG em de fato, a gente olhar para
esses investimentos, desses fundos
temáticos, né, fundos SG, eh, como que
você tá vendo essa evolução ao longo do
tempo entre aquilo que é falado e aquilo
que você tem visto na prática
efetivamente de investimentos sendo
realizados?
>> De novo, né? Vou vou pro pro mestre
budista com expectations, né? A gente
você tem que trabalhar com uma
expectativa de muito longo prazo, tá?
Eh, porque essa pauta, principalmente o
o ISD, ele depende muito de uma mudança
de mentalidade. Isso não acontece da
noite pro dia, isso leva muito tempo.
Então assim, eh, eu lembro que logo que
a gente tava no meio da pandemia e a
gente começou a criar lá o GT, ah, para
fazer os fundos sustentáveis da MIMA,
né, a gente lembro que a gente abriu lá
uma base de dados e tinham 60 fundos com
nome verde, impacto
tal. E eu falei: "Nossa senhora, né, se
tem tudo isso, então o mundo devia estar
chovendo pétala de rosas, né?" Óbvio que
não, né? É porque a turma tinha
enxergado um cheque grande e falou:
"Bom, vou botar o nome verde aqui e ver
que que eu capto, né?" Eh, agora a
mudança de mentalidade realmente ela
demora muito mais. Então, os os gestores
sérios que embarcaram nessa parte do
ISD, eh, o trabalho é muito profundo,
necessita treinamento de time, necessita
uma análise constante, necessita
cobrança do das empresas o tempo todo,
eh, leva tempo, né? E e eu acho que
quando a gente pega, né, pós pandemia
até
o Trump entrar, as coisas estavam
andando. Ele Trump entra e é proibido
falar essa palavra. Muita gente falou:
"Acabou o mercado". Não, não acabou.
Teve muitos fundos que mudaram de nome,
só continuam fazendo a mesma coisa e
usam nomes diferentes.
Eh,
>> é, eh, os que eram de verdade seguem e
vão seguir. Não, não, não desmontaram,
né? Os que eram só porque acharam que
iam captar um cheque mais fácil, esses
sim desistiram. E que bom também, porque
eles estavam mais atrapalhando do que
ajudando, né?
Eh, eu eu não acho que isso tem volta,
né? Eu acho que esse essa agenda eh
principalmente conforme o mundo vai
esquentando e coisas vão acontecendo,
essa agenda ela se torna muito
importante. E não é só no quesito
ah o clima, aquecimento, é o quesito a
desigualdade também, né? a gente vai ter
questão com alimento, a gente vai ter
questão com refugiados do clima, eh a
gente vai ter várias questões aí que vão
exigir que essa pauta permaneça, né?
Então, eh, a gente tem aqui, né, um
olhar que é, sim, tem alguns fundos que
são ISD, ah, fazem direitinho. Tem
outros que fazem, mas não se chamam
assim, porque eles falam: "Não quero
essa responsabilidade, mas vou aprender
ao longo do tempo". E tudo bem. E a
gente, acho que o nosso, pelo menos aqui
na Wit é o tal do stewardship, né? E
acompanhando ao longo dos anos, né? a
gente tenta ajudar como pode, faz o
máximo de conexões possíveis,
eh, e entende que depende de mudança de
mentalidade. Então, a gente adora pegar
exemplos bons que deram certo ou fundos
que ganharam muito dinheiro por causa
dessa pauta e mostrar pros que são
céticos, ó, tá vendo? Não falei que dava
certo?
Eh, então isso tem tem ajudado.
Eh, a gente continua vendo eh fundos
europeus a investindo tal qual eh até
asiáticos ou Arábia Saudita, ah, também
olhando para isso. Então, eh, talvez,
eh, enquanto o Trump tiver por aí, a, a,
os nomes vão ter mudado, mas as coisas
continuam, né? E aí vem do gestor de
patrimônio a responsabilidade de checar
se aquilo é de verdade ou não, né? Acho
que a BIM ajudou muito com a a os fundos
IS, né? Os fundos IS eles ajudam porque
eles obrigam o gestor a ter uma
metodologia. senão você põe o nome verde
lá, eh, o o investidor que não conhece
entra numa plataforma, digita ISD e tal,
aparece um monte de coisa, é importante,
né, eh, saber se tem metodologia ou não.
Então, eu acho que o a exigência ela é
ela é importante. Você repara um
pouquinho, né?
>> É. E e é o que você falou, né? No
primeiro momento, quando a gente colocou
as regras no ar, eh, parecia que tinha
um encolhimento na indústria, né? E aí,
ai, nossa, então a indústria recuou?
Não, na verdade não é que recuou, não.
Houve um processo de adaptação daqueles
que de fato fazem esse tipo de
investimento, de manterem isso no nome.
E aqueles que estavam só surfando, né,
nessa nessa onda, eles com as nosso novo
arcabolso de regras, eles foram
obrigados a ter que, né, ter que que se
redirecionar, né? Então acho isso é
importante também porque às vezes tem
essa coisa, né, de ah, olha lá, tá
encolhendo, uma pauta que deveria tá
aumentando, encolhe, mas tem que olhar
qual a onda que tá por trás, né, dessa
desses números. Não, não acho que tá
encolhendo não. E você tem muitos
endowments e fundos de pensão no Brasil
pedindo isso. Então, mais e mais, eh,
principalmente esses investidores de
longo prazo, esses são os que podem
aguentar eh essa transformação e pedir
isso. Então, acho que eles acabam
ajudando um pouco nessa indústria.
>> É, é isso. Deixa eu te fazer uma
pergunta, né? Quando a gente pensa em
recurso para adaptação climática, é
sempre um desafio maior, né, a gente
conseguir eh de fato destravar recursos,
né, em,
enfim, para para esse tipo de capital.
Eh, você como que você avalia eh o que é
preciso, o que que falta para que a
gente ganhe escala efetivamente nesses
projetos de de adaptação? Você acha que
a gente já tá num modelo em que as duas
coisas se conversam mais, né, que é o
retorno financeiro versus uma uma
resiliência ali em relação à mitigação
do do do dos problemas climáticos.
Enfim, como é que você vê essa questão
especificamente ali para os projetos,
né, de de mitig de de adaptação
climática? Eu acho que assim, adaptação
é um tema super importante, né, que até
ontem super pouco debatido. Eh, se você
pensar bem, talvez o que a gente precise
é muita educação, né, do sistema, né?
Quando você olha lá para fora, você tem
exemplo principalmente de seguradoras,
né? Eu diria assim, disparado. A axa é a
que tá mais olhando para isso, né? E eu
acho que inspira muito a ver que tipo de
portfólio em teu ar que que é isso, né?
Eh, e aqui a gente ah não tá preparado,
tanto que você vê, né, toda hora que tem
um grande ah, sei lá, tem essas essa
esses eventos estilo Rio Grande do Sul,
você tem que reconstruir uma cidade
inteira, né? Eh, isso já é um exemplo,
assim, você falar assim, careca, quantos
Rio Grandes do Sul vão ter que acontecer
até a gente entender que é importante
investir em adaptação, né?
Eh, eu acho que que que foi um
aprendizado. E aí tem estudos ah sendo
feitos, né, por órgãos eh exemplo, a
CNSEG fez um trabalho sobre isso. O ICS
também tá participando desse trabalho
sobre isso, portfólio de adaptação e por
estado é diferente, né? você tem eh
depende de de da área urbana e tudo mais
de cada cidade. Eh, mas eu acho que é
isso. Falta eh essa trazer essa pauta,
né? Do mesmo jeito que lá atrás a gente
começou a falar de blended, blended,
blended, blend, tem que trazer
adaptação, adaptação, adaptação, até que
a turma fala: "Ah, adaptação".
Tem que tem que ter e aí entender que é
isso assim, principalmente pro mercado
de seguradoras. Perfeito. Perfeito. É o
é aquele velho ditado, como é que é?
Pedra eh água mole em pedra dura, tanto
bate até que fura. É isso, né? O difícil
é ver o sofrimento, né? Porque cada vez
que acontece um desastre desses, né?
Quantas pessoas ficam sem ter onde morar
um tempão e e né? Então, acho que a
gente precisa tá mais eh preparado para
essas coisas e a adaptação é um tema
bem relevante.
>> Você falou aí um pouquinho de Blended
Finance na sua na sua fala agora a
pouquinho. Eh, eu acho e e um pouquinho
mais também e anteriormente você também
trouxe essa questão dessa construção,
desses modelos híbridos, onde os
projetos eles, né, podem e devem ser
construídos tanto com capital privado,
filantropia, enfim, né, esses modelos de
de capital híbrido. É, na sua opinião,
quais os modelos de blended finance você
acredita que tem mais potencial para
escalar no Brasil, especialmente quando
a gente olha pra Amazônia ou mesmo agora
nesse tema que a gente acabou de abordar
de de adaptação climática. Como é que
você tá vendo esse esse modelo?
>> Boa. Eu acho que esse eh são vários, né?
Só para deixar claro, né? Quando a gente
fala de blended finance, a gente tá
misturando capitais, né? capital de
filantropia, capital de assistência
técnica, né, que que pode pagar time ou
coisas que talvez a empresa não pudesse
pagar.
Eh, e aí você tem a
alguns capitais pacientes ou você tem
garantias ou offtake, ah, depende do
projeto. Então eu acho que para dar
exemplos, né, na nessa parte que a gente
estava falando, né, de de ah sistemas
agroflorestais, por exemplo, um grande
um dos bons exemplos que usou todos os
tipos de capital é a Belterra, né, que
tem a uma cota catalítica do fundo Vale,
né, que é esse fundo que a Vale
tem tem trabalhado há bastante tempo,
ajudando a catalisar justamente esse
tipo de estratégia, né? Então, a
Belterra acho que é uma das maiores.
Eh, ao mesmo tempo, ah, tem offake de um
grande player de commodities, tem ah
outros capitais, fundo clima, por
exemplo, que tá dando um investimento
para teste de modelo por 5 anos até eles
terem que repagar.
Eh,
tem assistência técnica, porque num
modelo da BeTEA são pequenos produtores
aprendendo a fazer sistemas áglorestais,
né, no Brasil todo. E o principal
commodity que eles vão vender é o cacau,
mas junto com o cacau tem outras, né,
tem banana, mandioca e outras coisas.
Eh, e fazer isso exige uma tecnologia.
Então você precisa de gente para treinar
e precisa de gente para ficar ali
observando, né? Eh, e é numa escala
muito grande, então tem bons desafios
isso. Então, eu diria que se não
houvessem esses tipos de capitais, você
não teria um único investidor topando
tomar todo esse risco, porque além de
tudo o prazo é longo, né? Vai dar certo,
mas você tem que aguentar
20 anos, né? Então, ah, e aí tem gente
que fala: "Não dá para ser mais curto?"
Eu falo: "Não, conversa com a natureza,
vê aí".
Eh, então tem tem, eu diria que assim,
para sistemas agroflorestais, ah, para
regeneração, né? Então você tem, por
exemplo, hoje terra degradada, você tem
grandes produtores do agro querendo
entrarem nesses territórios para fazer
agricultura regenerativa. De novo, mesma
coisa, é caro, né? você tem um
investimento aí do teste de modelo aí
que leva um tempo até a coisa dar certo,
então você precisa de um capital
catalítico junto que ajuda a diluir esse
risco. Então eu diria nesses modelos
todos ah super importante.
Eh, depois mesmo em nessa parte de de
clima, transição também, eu vou dar um
outro exemplo que que eu sou muito fã,
que é o exemplo do Bandes, Banco de
Desenvolvimento do Espírito Santo.
Eh, eu achei muito bacana porque o
governador e resolveu que tinha que
descarbonizar o estado e ah usando o o
fundo de royalties de petróleo que eles
têm lá o Espírito Santo. Então, você
pensar hoje, né, todos os lugares onde a
Petrobras tá, você tem fundos de
royalties, né, de petróleo. A diferença
é que no Espírito Santo eles resolveram
pegar mais da metade desse fundo e usar
como um capital catalítico para que Ah,
então eles mapearam todas as indústrias
que poluem o estado e falaram: "Olha,
vocês vamos identificar os projetos que
precisam ser feitos para descarbonizar.
Cada indústria mapeou, vai custar tanto,
tal". Então esse fundo com o capital
catalítico do fundo de petróleo vai
ajudar a fazer esses projetos, só que
com menos risco. Então eles fizeram o
edital, né? Eh, a instituição então que
que ganhou levanta um outro recurso, só
que esse recurso então já tomando menos
risco para poder fazer esses projetos.
Eh, então esse é um baito exemplo, eh,
né, que eu brinco que podíamos fazer em
todos os estados. Eu acho que devia vir
a lei, né, usar os fundos de bras para
descarbonizar, né?
>> Sim.
>> E acho um baite exemplo super legal.
Eh, e aí você tem vários outros, né, de
dessa parte de de transição aonde é
isso. Você sempre tem um um capital que
topa tomar mais risco, né, e um outro
capital do lado que pode ajudar a
financiar a assistência técnica para que
o investidor comum entre na cota sior ou
na na estrutura tomando tomando menos
risco,
>> né? Então, eu acho que é eh não é que
faz dar certo. É isso que eu diria, né?
São esses esses arranjos. Sim, sim. Não
faz sentido. Eh, a gente tá falando, né,
navegamos aqui muito pela pauta
ambiental, né? Eh, mas eu queria também
explorar um outro lado que eu sei que
também é super eh importante aí na sua
trajetória, né? que falar um pouquinho
aqui da da questão da diversidade de
gênero, né? Eh, você defende, né, que
gestoras usem o seu poder para cobrar
políticas de diversidade nas companhias,
né, que são ali, eh, objeto dos
portfólios dos fundos, né, porque é uma
forma da gente conseguir ali ampliar a
presença feminina eh em conselhos,
cargos de liderança, enfim. Eh, queria,
se você puder, compartilhar um pouquinho
aqui com o ouvinte do Baifundo, como é
que tem sido essa essa
vou chamar de luta, né? Porque é uma
luta, né? A gente ficar ali
eh, brigando, né? aí para para conseguir
realmente o nosso espaço. Mas eh eu
queria, se você puder compartilhar um
pouquinho se isso tem dado certo, quais
são os principais desafios ou
compartilhar até cases aqui eh que você
tá vendo que tá dando certo. Enfim,
compartilha um pouquinho como é que tem
sido agora esse outro lado, né, que é
olhar e também tão relevante quanto a
pauta ambiental, que é justamente essa
questão da gente da igualdade de gênero,
né? Eh, eu só queria incluir, né, que
acho que igualdade de gênero é
importante, mas o o a a racial também,
tá? E e sei que essa é mais difícil, mas
acho que tá ah tem que tá na agenda, tá?
Não gostaria nunca de tratar desses.
Acho que tem que tá, né? Afinal, estamos
no Brasil, não preciso nem entrar no
detalhe, né?
Eh,
e eu acho assim de novo, né? Eu eu tive
um exemplo na minha família de uma tia
minha que acabou sendo a primeira mulher
a ser ministra no país, a Steve
Figueirdo Ferraz,
e dedicou uma vida a essas causas,
educação e e a
justiça e tudo mais, né? E todo mundo na
família falava assim: "Ah, a sua tia
abriu mão de casar pelo país, né?"
Depois eu descobri que ela não abriu mão
de nada, tá? Ela amava o que ela fazia.
Ela, ela escreve, tem cartas dela assim,
não abrir mão de nada, eu que escolhi. E
eu falava assim: "Nossa, a senhora
dedicou tanto, tanto, tanto, né, para
esses temas.
E talvez isso aí não fique pronto, né,
enquanto a senhora tiver viva, porque
ela já tava bem velhinha, né? E ela
falou: "Não importa, né? Eh, a gente tem
que fazer, né? Independente se a gente
vai tá vivo ou não, porque os que virão
depois de nós, né, vão vão vão viver num
mundo melhor, né?" Então, eu nasci
dentro desse exemplo, né? Talvez eu não
esteja viva para ver, né? Mas quem vier
depois vai tá, então vamos fazer, né? E
eu acho que é um
é uma é isso que você falou, é uma luta.
Eh, uma das coisas que eu fico
perturbando, né, é que a gente deveria
ter no formulário de referência de todos
os gestores uma perguntinha bem
pequenininha assim, só qual é a sua
política de diversidade, só não tô nem
aprofundando,
porque o fato de ser perguntar
ajuda a pessoa a refletir,
porque possivelmente não tem política,
né? Eh, então eu acho que essa era uma
coisa importante que a gente podia fazer
do ponto de vista de gênero, né? Eu tava
contando, eu acho que andamos muito, né?
Eu comecei a trabalhar no mercado eh em
92,
numa corretora no centro, onde tinha eu,
mais uma mulher e 60 homens,
>> né?
>> Então, né? Não preciso falar assim, era
aquela época aonde as salas de reunião
tinha tinha whisk, voddica e um charuto
e outro tudo que vocês né pode imaginar
era normal. Então a gente tinha que
sobreviver de um lado, do outro lado,
hã,
você tinha que vestir o o uniforme, né,
o andar de terno, o colete e tal, né? E
a gente quase que virava homem para
existir, né, nesse mundo. Eh, eu acho
que isso melhorou muito, né? A gente já
tá num outro lugar, né? E, óbvio, ainda
tem muitas regras, coisas que eu acho
que, né, é importante que que se crie
para ter respeito, né? Ah, muito hoje
aqui na W, né? Nós somos,
acho que 56% de mulheres e e também mais
mulheres na sociedade, né? E ao ser
assim, já de cara se torna um ambiente
mais fácil, porque eh você se sente mais
em casa.
Além disso, eh eh o nosso trabalho para
para fazer, né, paraa diversidade tem
sido um aprendizado cheio de de acertos
e erros, muitas dores.
E uma das coisas mais difíceis que a
gente vive ao fazer esse trabalho, e eu
lembro disso da minha época muito
novinha, vestida ali, né, com a com o
meu uniforme, era a violência
silenciosa, coisas que te agridem
profundamente
e você só respira, né? E quando você
olha isso hoje, né, para pessoas que de
raça diferente ou que vem de lugares
diferente, né, eh, se não houver um
treinamento da equipe a respeito do que
que é essa violência, né, o que que a
gente deveria tomar cuidado ao falar ou,
ã, né, de repente sai todo mundo para
almoçar em tal lugar, mas X pessoas
sempre ficam comendo aqui no balcão.
Por que será, né? Porque não dá para
pagar essa conta, né? Então, hã, são
coisas que afastam, são estilos de vidas
que afastam, né? No mercado financeiro,
as pessoas se acostumaram a andar com os
iguais, né? Como é que a gente faz para
misturar?
exige conversa, exige treinamento, exige
um monte de coisa que a gente foi
aprendendo com o tempo.
Eh, às vezes também a pessoa quando tá
chegando nesse lugar que é tão diferente
para ela, né, ela mesma tem dificuldade
de pedir ajuda. Então, vem da gente
entender isso, né? Eh, a outra coisa que
eu acho que é super tranquilo, mas
parece que não, eu falo, pô, hoje quando
você vai contratar pessoas, todo mundo
exige inglês,
beleza? Então você eliminou 99% do país,
né?
Eh, se você tirar a exigência de inglês,
você já abriu leque muito e eu acho que
pelo menos as grandes instituições têm
condição de pagar um curso extra, né, de
inglês paraas pessoas, já seria incrível
de de inclusivo isso, né?
>> É, e também pensar o quanto de fato
aqueles requerimentos são necessários,
né? Porque muitas vezes é aquele que tá
ali, né? precisa de inglês, precisa
faculdade de primeira linha, precisa aí
quando vai ver, tá, mas é, precisa de
tudo.
>> É, eu acho que tem áreas sim, se você
vai operar eh portfólios lá fora, não
tem jeito, né? Mas se você só vai fazer
Brasil, talvez você tenha mais tempo
para pegar, né? Então, eu acho que isso
é eh eh são coisas que não acho simples,
né? do ponto de vista de gênero. É isso.
Eu acho que já melhorou muito da onde eu
vim, né? Ah, óbvio, se você entrar hoje
em em principalmente em conselhos,
governança, né? Já tem mais mulheres,
mas podemos melhorar muito ainda, mas
também não vale a tokenização, né? Bota
uma mulher aí, deixa ela quieta, só para
dizer que tem, né? Não, isso isto também
acontece, como a gente sabe, né? E acho
importante a a os os investidores que
estão olhando para essas empresas
saberem, né, que olha, tá lá, mas tá
quieta. Então, como ah, né, fazer isso?
De novo, tendo visto a essa minha tia
que eu lembro, tem uns livros que ela
escreveu sobre prostituição infantil em
19 e 50. eh, que era quase proibido você
falar desse assunto, né? E e ela
resolveu peitar e demorou. A gente tá
aqui, ó, estamos aqui em 2026, entrando,
né? Agora, como é que pode que demorou
tantos anos e a gente continua falando
disso, não resolvemos ainda, como faz,
né? Então, eu acho que tem eh temas eh
que dependem de mudança de mentalidade.
Acho que, né, às vezes a gente anda
paraa frente, daqui a pouco estamos
andando para trás de novo, infelizmente.
Eh, ouvi muito esse fim de semana os
podcasts sobre misogenia, sobre, né, eh,
violência contra a mulher. São coisas
realmente chocantes
que a gente esteja discutindo isso hoje,
né? Eh, mas é isso. Eu acho que é
importante rede de apoio, acho que é
importante,
né, a gente a poder falar disso, né? E e
acho que no mercado a gente conseguiu
fazer um um trabalho aí razoável já.
Então, eu acho que gênero andou,
precisamos olhar pra raça,
>> sim. Sim. Quando você avalia esses dois
aspectos, você acha que a pauta de
gênero ela avançou mais do que a pauta
de raça?
>> Sim. É só você entrar na qualquer
entra em qualquer escritório na Faria
Lima e me liga.
[risadas]
É chocante, né? assim, eu e eu entendo
toda a dificuldade,
eh, e tem muita gente que fala assim:
"Ah, eu abri a vaga e não veio nenhum
currículo".
Lógico que que universidade você tá
indo, né? Acho que aí você tem que abrir
um pouco leque, eh, né? Você vai achar
talentos em outros lugares também, né?
Mas também tem que esticar a mão. Não dá
pra gente ficar sentado aqui esperando
que o mundo se mexa.
>> E passinhos, né? um passinho de cada
vez, mas que precisa ser paraa frente,
né? Precisam ser como é isso, passinhos,
um passinho de cada vez, né? E no, o
ideal é que não tivesse o passinho para
trás que você comentou aí, né? Porque às
vezes é isso, a gente dá dois paraa
frente, de repente um para trás, né? Tem
que paciência, mas e persistência. Mas é
isso, temos que continuar persistindo,
né, nessas nessas pautas muito muito
importantes para pra gente enquanto
sociedade. Fernando, eu vou te fazer uma
pergunta porque nós estamos aqui no papo
de gestão e a gente gosta de explorar um
pouquinho sobre a pessoa, né, ali por
trás do profissional também. E eu, mas
eu talvez até eh, você falou bastante da
sua tia, né? E eu não sei se talvez
tenha vindo daí eh a sua inspiração, mas
a minha pergunta é em relação à sua
trajetória. Quando a gente olha paraa
sua trajetória, em que momento ou como
foi embutir essas questões tanto
ambientais, né, de investimento de
impacto, como próprias questões aqui,
eh, sociais que a gente eh acabou de
abordar, enfim, em que momento te deu
esse estalo ou isso já veio com você
desde sempre? compartilha um pouquinho
da sua trajetória aqui em relação a
essas pautas tão relevantes.
>> Não, eu não acho que veio desde sempre
assim, né? Eu eu fico tentando entender
também, olho paraas pessoas, cada um
cada um eh sente de um jeito, vem num
momento diferente na vida, né? Eh, então
teve sim, acho que essa essa minha tia
tem um um peso. Ao mesmo tempo, eh, eu
eu meu pai trabalhou no mercado
financeiro e e era naquela época bem
rock and roll assim, né? Eu brinco que
ele era bem estilo lobo de Wall Street.
Então, assim, eu aprendi muito o que que
eu não queria porque eram era bem eh
agitado para dizer o mínimo, né?
E então eu tive em casa um lar um
pouquinho mais desafiador nesse sentido
e e de ter olhado assim muito nova e
falado: "Bom, estou by myself, eu tenho
que sobreviver e como é que eu vou me
virar", né? E então de um lado foi isso
e e tinha que sobreviver. Do outro lado,
eu fui eu fui nadadora, né, muitos anos
e
e ao competir pelo Brasil todo e tudo
mais, né, você convive com gente de
todos os lados. Então eu acho que o
esporte tem uma coisa muito importante,
porque eh dali não importa da onde você
veio, né? Se você veio da comunidade, da
onde você veio, você entrou na piscina,
né? Somos seres humanos e vamos que
vamos, né?
e e ao conviver com tanta gente
diferente, eu me questionava assim, né?
Por que que eh a minha vida é diferente
da deles, né? Muito nova isso veio, né?
E e aí quando eu fui trabalhar no
mercado,
eh,
anos depois, eu tinha umas amigas que
resolveram a fazer bibliotecas na
Amazônia. Legal. Chama, chama vagalume o
projeto.
E eu não podia ir com elas porque eu
tinha que trabalhar e eu falei: "Não,
mas eu ajudo a levantar recurso pro
projeto".
E foi muito forte porque primeiro era
uma coisa assim, ninguém falava de
Amazônia naquele tempo, né? Era muito
distante, né? Eh, e elas falavam muito
isso, se a gente não cuida, alguém
cuida,
né? E e ali acho que essa conexão, olhar
para o que que tava acontecendo lá e o
que que tinha de conhecimentos que
deviam vir para cá também foi uma troca
muito forte e e de ajudar a a buscar
recursos para esse projeto. Tudo aquilo
foi muito abriu, né, caminhos. Você vê
que era um projeto que acabou virando a
política pública o projeto, mas mudou a
vida de muita gente durante muitos anos,
porque três meninas resolveram que iam
abrir bibliotecas, levar livros e tal
para lugares que não dava para chegar e
elas iam de carona aqueles aviõezinhos
da FAB, né, um pouco malucas, mas deu
certo.
[risadas]
E e aí acho que isso foi um dos
primeiros pontos.
Depois eu acho que tem o lado da
espiritualidade, né? Durante muitos anos
a eu brinco que eu tava lá na tesouraria
de de bancos que eu trabalhei e as
minhas férias era com monges budistas na
Ásia. E
obviamente que se você passa as férias
com os monges, hã, o conceito, né, de
sucesso é outro, né? né? Então você
imagina sair de de umas férias com
sentar numa tesouraria, né? Meio
difícil.
Eh, e isso começa a perguntar
questionamentos, né? Que que eu tô
fazendo aqui? E eu acho que uma das
coisas que chega uma hora que você fala
que eu tô aqui para servir, né? Acho que
se você não tiver aqui para servir, qual
a graça desse dessa passagem na vida que
é tão rápida, né?
e aí faltava achar o caminho. Então, eh,
eu saí de tesouraria, acabei indo
trabalhar em gestão de patrimônio em
2002 com o Roger Wright. Ele era um
grande filantropo. Então, ali
a gente ah do lado de cuidar do
patrimônio das famílias já era muito
legal, porque a gente fazia tudo sem
conflito, com excelência, tal, então já
achava que era super bacana. Mas você,
né, tinha um sócio ali que tinha milhões
de projetos de filantropia
e e aí quando ele faleceu, eh, eu
resolvi em homenagem a ele montar lá
junto com vários amigos e empresários um
um instituto, né, que chamava Live Right
para ah para que o esporte pudesse
transformar uma nação. Então, a ideia
era como que o esporte transforma.
E a gente fez muitos anos isso, de 2009
até 2000 e tá sei lá, continua aberto o
instituto, mas a gente foi atuante até
16, 17, então levou muitos anos
e aprendemos muito sobre advocacos
a formar, né, o atletas pelo formar não,
eles já existiam, mas fizemos muita
parceria com atletas pelo Brasil e o
pacto pelo do esporte. Então tem um
legado aí muito muito grande e de novo
você aí vê o impacto do que você tá
fazendo, né? E nesse ponto todo ainda
não tava no dia a dia, né? Até que em
2010 a um dos clientes que eu tinha ah
chega e fala: "Olha, eu vou querer pegar
um pedaço do meu patrimônio, investir em
pacto". E eu falei: "Ah, você vai querer
fazer uma fundação?" E ele falou: "Não,
não é fundação, é for profit".
E eu falava for profit, como assim, né?
Ele falou: "É, vai aprender, né?" E
2010,
tava bem no começo, é quando o impacto
tava nascendo na Inglaterra, nos Estados
Unidos e tal, e aqui no Brasil a gente
tava, né, começando, tinha os fundos lá,
Movia, a Vox começando. E aquilo para
mim foi muito forte, né? porque eu
falei, bom, então dá para eu fazer o meu
trabalho, que é gestão de patrimônio e
incluir pessoas e planeta na conta.
E aí, finalmente, em 2014 a gente
resolve fundar W com um olhar de a gente
queria atender, né, famílias,
institutos, endalowments que tivessem um
olhar paraa transformação social
ambiental, né, isso era mandatório.
Na época eu brincava com com o meu
marido, que é meu sócio, que a gente ia
passar fome, né, porque não tava achando
que ia ter muito cliente.
E aí a gente acabou conhecendo o
primeiro cliente logo depois da decisão,
assim, numa coisa muito de
sincronicidades.
E e aí daí em diante o que a gente
combinou é que as famílias que viessem a
gente, né, alocaria 1% do patrimônio em
fundos de impacto, né, e só que não só
alocaria, mas ajudaria o ecossistema,
né, ia para dentro para ajudar a montar
o ecossistema, que quando entra
advoca-se pesado e, né, a gente passa a
a ajudar mesmo. E e desde então, então
são, né, são 11 anos nisso. Muitas
famílias que vieram tinham sim esses
valores, outras não, mas a gente foi
ensinando aos poucos.
Eh, e eu acho que o grande, assim, a
coisa mais gostosa é você tá
trabalhando, né, no que eu sempre
trabalhei, gestão de patrimônio, mas
trazer o propósito para dentro e e
assistir essas mudanças, esses impactos,
né, todos os dias, né, tem alguma
conexão ou alguém que que resolveu
investir ou algum Então, todo dia, né,
assim, outro dia a gente levou a jovem
da Paraisópolis para visitar o
acelerador de partículas em Campinas. E
foi muito emocionante, né? Porque para
eles é, eu posso estar aqui, sim, você
pode estar aqui, né? Eh, a gente já
levou pro paraaima também, né? E e eles
perguntaram: "A gente poderia trabalhar
aqui?" Sim, poderia, né? Então você
falar: "Olha, é possível que você sonhe,
você pode sonhar, né? Eh, eu tava hoje
eh vindo para cá e um desses jovens que
tem uma história linda de que veio de
comunidade, trabalhou em projeto social,
ele conseguiu hoje entrar em Stanford,
né? E ele só chorava no telefone e eu do
outro lado, né? Porque eh é possível,
né? ele conseguiu e
é muito, a trajetória é muito, muito,
muito mais difícil que a gente, né?
Então, ah, assim, são, eu acho que essas
essas coisas que vão acontecendo, você
vai vendo acontecer já
fala beleza, né? Então, acho que é isso,
essa coisa de de saber que você está a
serviço, né? E essa certeza te dá uma
uma paz e ao mesmo tempo controla um
pouco essa nossa ansiedade de querer
resolver as coisas tudo para amanhã, né?
Saber que vai demorar.
>> Entendi. Não, sem dúvida. É muito muito
gratificante, né? e ouvindo você falar,
eu acho que assim, não tenho dúvida que
é muito gratificante ver a a
transformação, né, que é possível para
essas pessoas, mas eu fico imaginando
que também deve ser muito gratificante
também pegar esses esses investidores
que você comentou, alguns já vêm mais
engajados, já tem, mas conseguir embutir
também naqueles que estão mais distantes
dessa pauta, embutir esse sentimento
também, né? Porque aí de fato consegue
conectar, né, os dois lados ali da dessa
transformação, né?
>> É assim, não, as famílias não vem
pronta, você vai ter um período aí de
explicar, de mostrar, porque não é
natural, né? E a gente no final a gente
foi fazendo esses veículos para
investimentos de impacto para facilitar
a vida dos clientes e a nossa são fundos
de fundos que você vai fazendo safras,
né? E o mais legal disso é falar: "Olha,
depois de 10 anos, tá aí, os
investimentos de impacto deram mais que
o CDI e mudaram a vida de mais de 20
milhões de pessoas, né? Então assim, não
vai dar o mesmo retorno que o fundo de
private equity, de VC, não era
expectativa.
A gente também não sabia se ia dar
retorno, mas deu e deu muito impacto.
Então acho que essa é a, né, é a graça.
>> Verdade. Muito bom. Fernanda, vou passar
agora pro quadro Mergulho Fundo, que é
onde a gente faz duas perguntinhas aqui
para batebola mesmo. Vou te fazer a
pergunta para você me responder aqui de
forma curta e direta. Primeira
perguntinha que eu queria te fazer é:
conselho você dá para que para as
mulheres que querem ou estão ingressando
no mercado eh financeiro e de capitais?
>> Bom, a primeira coisa, né? Eh, tem uma
amiga nossa que sempre fala, né? Eh, que
a gente não precise virar homem para
evoluir, né? Que a gente possa ser
mulher e evoluir a si mesmo, né? Eh, e
eu acho que principalmente no mundo de
hoje, com tanta tecnologia e tanto AI,
se você olhar as características que a
gente mais precisa no mundo, são
características bem femininas, né?
Criatividade,
eh, engajamento,
né? Olhar pro outro,
eh, né? o senso de comunidade. Então,
ah, são valores muito humanos que são
femininos e são necessários, né? Eh,
então porque a gente não deixe isso de
lado, né? Antigamente era isso, né? Eh,
você enfiava o feminino na gaveta e e
seguia, né? Acho que não precisa mais,
né? Eh, e isso, né? de de
ter essa rede, né, sempre, né, sempre
olhar paraa outra do lado, porque acho
que faz muita diferença, né, aqui por
termos mulheres na sociedade. Então,
quando uma tá com problema com filho,
licença maternidade, tudo isso, a gente
entende bem o que a gente passou.
É difícil alguém que não passou
entender, né? Eh, você escuta tantas
histórias de mulheres que voltam dar
licença à maternidade e perder o espaço,
né? Como, como não fazer isso, né? Se a
gente tem que fazer o contrário, né?
Então, eh, é, é, e ao mesmo tempo isso,
né? Se você não der esse espaço, nós
vamos ter crianças abandonadas por aí,
né? Sim.
>> Se a mulher não puder olhar para isso,
quem vai, né? Então, eu acho que tem que
ter esse equilíbrio, eh, e respeitar,
eh, essas essas coisas. E, e é isso.
Acho que hoje em dia, assim,
quando fala de talento, profundidade, tá
a gente aqui olhar para right tá todo
mundo aqui fiftyfy, é igual, né? Não,
não tem problema. Boa. Você sabe que eu
compartilhando aqui com com o ouvinte,
eu fui de uma época em que uma
recrutadora me falou: "Olha, nós vamos
te contratar porque você demonstrou na
dinâmica que você trabalha como homem".
>> Então, né? É isso.
>> Então, que a gente não tem esse tipo de
fala nos dias de hoje, né? Porque
realmente, como você falou, tem aspectos
que é do universo feminino que são
fundamentais, né, para para pras
habilidades de hoje, né?
Ah, não, são cada vez mais importantes.
>> Isso.
>> Bom, passando paraa segunda perguntinha,
agora virando o tópico, falando aqui de
investimentos sustentáveis,
divide aqui pro ouvinte do Vai Fundo,
como é a sua expectativa ou como é que
você enxerga o mercado brasileiro e o
internacional também em relação a esses
investimentos sustentáveis aí pelos
daqui 5 anos, 10 anos. qual é a sua
visão de futuro desse desse tipo de
investimento?
>> Olha, o Brasil, né, deveria ser assim
exemplo, porque a gente tem tanta
oportunidade, né, eh quando você pensa,
né, no ponto de vista de de só essa
parte de regeneração e essas coisas, a
gente, putz, tem o infinito para fazer,
né? Ah, o que eu falei do do power
shoring, né? A gente tem energia limpa,
né? Os outros países estão ali
dependendo de carvão e tal, a gente não.
Eh, e o outro ponto aqui importante, que
eu acho que mais e mais a gente tem que
olhar para isso é como é que o E resolve
o S, né? Como é que o ambiental resolve
o social. Então eu acho que o todos
esses novas oportunidades que tão vindo
com ambiental
são oportunidades de emprego, de
trabalho pro pro social, né? São novos
caminhos, né? A gente, outro dia eu
conheci um senhor que tá fazendo um
trabalho interessante de levar a gente
da periferia de volta paraa roça, porque
tem muita coisa acontecendo na roça que
precisa de gente, mas não não é trabalho
braçal, não. É trabalho
eh eh de inteligência mesmo, tem muita
coisa precisando, né? Você pega o
Brasil, hoje a gente tem a rapa exal,
né? E a gente precisa debrales exal no
nessa economia verde, né? Você precisa
de gente lá, né? Para que a gente
entregue toda essa potência. E o outro
lado que eu acho importante é a gente
não viver na bolha, né? Eh, se possível,
né? Brinco vai dar um rolê, né? vai lá
na periferia, vai entender como é que as
coisas estão funcionando.
Eh, tem muita coisa boa que você
aprende, tem muito talento na periferia,
né? Eh, eu acabei conhecendo
produtores de funk, essas coisas que que
você vai aprendendo, mas ah, muitos
deles hoje estão fazendo projetos de
inclusão através da economia criativa,
né? Então, ah, eu acho que tem um finito
de empreendedorismo para ser feito, né?
Eh, olhando para isso. E talvez não seja
do nosso jeito, com a nossa língua, com
a, mas tudo bem, é, a gente tem que
aprender a se comunicar mais, né? E
então para mim assim ter aprendizado
todos os dias. Então, eu acho que a
indústria tem muita oportunidade se a
gente pensar nisso, né? E e a gente, eu
tava contando outro dia para um
uma instituição da Inglaterra, né, que
quando você olha paraa América Latina, o
Brasil é um dos poucos países que tem
mercado de capitais desenvolvido e que
tem a possibilidade, né, do recurso
desses empresários e tudo, das famílias
ficarem no país. Quando você sai de
Brasil e você vai para outros países, na
América Latina, o recurso tá todinho
fora, todo na Europa, nos Estados
Unidos. E o que fica no país é a
filantropia,
né? Então, é muito relevante que a gente
mantenha o nosso o nosso mercado de
capitais desenvolvido, independente,
ah, né, que que a gente tenha
reguladores fortes,
eh, que continue possibilitando isso,
porque, ah, vou dar o exemplo. Quando
você tá falando de qualquer uma dessas
novas, esses tipos de investimentos de
de soluções baseadas na natureza ou
outros, é importante você ter fundos,
veículos, né, eh, que cheguem nisso. Não
vai ser só o crédito bancário que vai
chegar nisso. Então, de novo, a gente é
um dos poucos e mesmo quando você fala
de sul global, o Brasil tá muito na
frente. Eh, então a gente deveria cuidar
muito disso, né, de de proteger eh essa
esses valores eh eh e conseguir manter
esses investimentos aqui, porque se a
gente não tiver isso e e tiver muita
insegurança, o recurso vai embora, como
aconteceu nos outros países da América
Latina e outros lugares, né? Então, acho
que é a gente eh ter essas eh essas
regras, tal. O trabalho da Bima é é
vital, o trabalho da CVM é super super
importante.
>> Muito bom, Fernanda. Excelente bate-papo
aqui. Acho, na verdade
papo fundamental aqui. É muito, muito
bom mesmo ter ouvido aí a sua percepção,
você compartilhar aqui com o ouvinte do
fundo. Super obrigada por compartilhar
toda a sua experiência, a sua visão e a
sua energia em relação a todo todos
esses tópicos. Foi muito gratificante
aqui para mim esse bate-papo, viu? Super
obrigada. Imagina, Sora. Obrigada.
Obrigada, Lu. Obrigada pelo convite.
Obrigada.
>> Obrigada. E é isso. O Vai Fundo vai
ficando por aqui, mas eu espero você nos
nossos próximos episódios. Nos
acompanhem aí nas nossas plataformas.
Super obrigada e até a próxima o próximo
episódio.
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur. Excepteur sint occaecat cupidatat non proident, sunt in culpa qui officia deserunt mollit anim id est laborum.
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