Papo de Gestão com Carlos Woelz | Vai Fundo
Sumário Regulatório
Fizemos um Papo de Gestão imperdível com Carlos Woelz no novo episódio do Vai Fundo! Sócio fundador e diretor da Kapitalo Investimentos, ele falou sobre sua trajetória no mercado e o que aprendeu em mais de 30 anos de gestão ativa. Woelz construiu um estilo de gestão marcado por análise profunda, agilidade e visão de longo prazo. Durante a conversa, compartilhou sua visão sobre o atual cenário macroeconômico, os desafios da política monetária e o futuro dos fundos multimercado. Ele destacou: ▪️ O amadurecimento do investidor brasileiro; ▪️ A força da gestão ativa, que continua gerando valor no Brasil e no mundo; ▪️ E uma visão otimista para o mercado de fundos, que, apesar dos desafios de curto prazo, deve sair fortalecido em um cenário mais maduro e competitivo nos próximos anos. Ouça o episódio completo e mergulhe nesse papo com um dos gestores mais renomados da nossa indústria.
Transcrição e Conteúdo
[música] Olá, sejam todos muito bem-vindos e muito bem-vindas ao Vai Fundo, o podcast da BIMA. Eu sou a Sorar Barros e no papo de gestão de hoje recebemos Carlos Bous, sócio fundador e diretor da Capitalo Investimentos, uma das gestoras independentes mais respeitadas do país. Com mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro, Carlos construiu sua carreira no banco BBM, o...
Olá, sejam todos muito bem-vindos e
muito bem-vindas ao Vai Fundo, o podcast
da BIMA. Eu sou a Sorar Barros e no papo
de gestão de hoje recebemos Carlos Bous,
sócio fundador e diretor da Capitalo
Investimentos, uma das gestoras
independentes mais respeitadas do país.
Com mais de 25 anos de experiência no
mercado financeiro, Carlos construiu sua
carreira no banco BBM, onde ele passou
pelas mesas de renda fixa e tesouraria
internacional antes de liderar áreas
executivas. Aí em 2009 o Carlos fundou a
Capitalo com uma proposta muito clara
que é combinar uma análise profunda, mas
com agilidade na tomada de decisão. Bom,
hoje eh a Capitalo tem cerca de 25
bilhões sobre gestão, né, final de
setembro e conta com uma estrutura de
gestão descentralizada e diferentes
times atuando com total autonomia. Bom,
no episódio de hoje vamos falar sobre um
cenário macroeconômico, os desafios de
política monetária e a evolução dos
fundos multimercado diante de um
ambiente cada vez mais complexo. Bom,
Carlos, seja muito bem-vindo. É um
prazer ter um gestor com a sua
trajetória aqui no Vai Fundo da Ambio.
>> Prazer é todo meu. Obrigado pelo
convite. Eh, bom dia, boa tarde, boa
noite aí a todos os ouvintes barra
telespectadores. Hoje em dia, nessa
tecnologia, você tem que fazer várias
introduções, né? Verdade.
Bom, vamos lá. Eu eu quero começar aqui
o nosso bate-papo já pedindo para você
contar um pouquinho aqui pros ouvintes
do do Vai Fundo sobre a sua trajetória
profissional. Então, né, antes de você
fundar Capitalo, você passou aí por
áreas de renda fixa, tesouraria. Conta
pro ouvinte qual dessas experiências
mais acabou moldando o seu estilo de
gestão. Enfim, compartilha um pouquinho
aqui com Vai Fundo da sua trajetória.
>> É, então assim, em gestão com quase tudo
no mundo, você é muito marcado pelos
seus primeiros anos. Acho que os
primeiros anos eles vão definir uma
expertise que é que para você largar
essa expertise você tem que jogar muito
muita bagagem fora e começar do zero, o
que na prática quase ninguém faz. Então
isso vale para quase todas as
profissões. É o grande barreira de você
fazer uma virada de 180º na sua vida é
você aceitar que você tem começado zero
e quase ninguém aceita, né? Então assim,
então eh você acaba sempre construindo
em cima daquilo que você já fez, né? Eh,
e é por isso que, de maneira geral,
assim, os primeiros 5 anos profissionais
de uma pessoa acabam marcando o estilo
de ação dela, porque você acaba
construindo todo o seu estilo em cima do
seu conhecimento. Então, minha primeira
eh carreira, cadeira de gestão, foi na
parte renda fixa Brasil, né, onde na
época a gente operava muito a parte
curta da curva, ou seja, as próximas
reuniões, porque não tinha tanta
profundidade assim o mercado em termos
de horizonte.
Eh, e assim, e são características que
eu carrego até hoje. Até hoje eu eu
tendo tenho uma característica de eh de
ter uma atuação maior em política
monetária do que em outros. E eu tenho
uma atuação, tendo a ter uma uma atuação
bastante forte na parte curta de todos
os países que eu atuo. Então, depois de
fazer renda fixa Brasil, eu fui cuidado
internacional, onde eu passei um ano
operando tudo menos Brasil, mas eu
trouxe todos os aprendizados que eu que
eu que eu que eu tinha de Brasil. Eu
ampliei muito a quantidade de ativos,
países, etc.
Mas eu trouxe isso. Eh, e nessa época eu
cheguei a até a trabalhar com muito mais
países e instrumentos do que eu trabalho
hoje. E assim, conforme o tempo foi
passando, eu fui restringindo um pouco
os países, porque hoje, por exemplo, eu
não opero Ásia. eh eh na mesma magnitude
que que operava antes. Eu ainda opero um
pouco, mas assim, mas eu tendo a evitar
eh alguns tipos de investimento que
exigem você tá ligado online o tempo
todo, eh, para acompanhar detalhes,
como, por exemplo, a própria parte de
política monetária curta da Ásia. Eh,
naturalmente você tem que ficar acordado
para o o índice de inflação deles, para
todas aquelas aqueles números que que às
vezes mexem com a parte curta de juros o
tempo todo, decisões de Banco Central,
que assim que eh dado o escopo do que eu
atuo, eu prefiro focar naquilo que eh eu
consigo acompanhar com mais qualidade.
Então, assim, então nesses últimos, sei
lá, 15 anos, eu diminuí a coisa que eu
opero, e aumentei a profundidade.
Eh, em termos de experiência
profissional, eu acho que é isso, né? Eu
acho que esses primeiros anos com o
Brasil ultra volátil, com eh com
mercados mais onde onde você tinha uma
mudança muito mais rápida de mercado até
hoje, eu acho que eles foram marcantes
na minha na minha trajetória
profissional. em algum momento da sua
trajetória, você toma a decisão de
empreender, né, e ter lá o seu próprio
negócio. Ao fazer esse movimento, você
também carrega com você esse estilo de
gestão ou nesse momento você falou:
"Bom, agora eu quero virar completamente
aqui o que eu o que eu vislumbo pra
frente". Eu trabalhei num banco médio
que era o BBM, eh, que tinha uma uma
composição de de atuação muito parecida
com o que eu faço hoje no head fund,
porque a gente não tinha cliente
operando deverativo. assim, a parte que
você tem num grand banco que é típica e
é bastante diferente da gestão num num
fundo de investimento, é a parte da
preço para cliente que você gera
bastante informação e eventualmente você
gera uma base de ganhos para você poder
operar em cima, né? Então assim, então
essa experiência de trabalhado com com
esse clientes foi uma experiência que eu
nunca tive. Eh, então a transição para o
fundo de investimento foi muito mais
fácil, eh, porque eu não tive que abrir
mão de quase nada. No BBM, quando eu fui
tesoureiro, a gente tava desenvolvendo
um banco para clientes que tinham uma
atuação de clientes muito maior do que
eu tive durante a minha carreira toda
lá. Mas essa foi a exceção, assim, foram
1 do anos dentro de 16 que eu passei no
no BBM. Então, eu já tava formado como
um gestor de byside,
eh, ou seja, um gestor que trabalha sem
sem informação específica de fluxo que
os grandes bancos têm. Eu nunca tive
essa informação. Eh, eu consigo até
entender o que, qual que é o insight que
ter esses fluxos eles dão, porque eh
quando nesse um, dois anos que a gente
passou operando maior, eu era o
tesouriro do banco, então eu tinha uma
visibilidade do que passava no mercado
diferente. E de fato, assim, em momentos
como a crise de 2008, acaba sendo útil
você entender melhor qual é a estrutura
do mercado. Você fala assim: "Putz,
assim, tá cheio de strike aqui. que
passar daqui vai explodir. Então assim,
então isso é uma coisa que eh que de
fato ajuda, mas eu eu essa transição foi
muito mais fácil do que se eu tivesse
numa mesa eh de preço, tá? Que é uma
atividade bastante diferente. E não é à
toa que os meus ex-colegas que
trabalharam no mesmo ambiente tiveram
uma facilidade muito maior que a média
para passar paraa gestão de terceiros,
né, numa gestão em fundos, porque assim,
porque era uma experiência muito mais
compatível. Entendi. Bem interessante.
Confesso que eu não não tinha imaginado
que a correlação vai com fundo de
investimento, ela fosse maior. Eh,
pensando num, né, numa estrutura de
repente de um banco. É o que traz a
estrutura diferente. É assim, é essa
atuação diferente de dar preço, assim, é
totalmente diferente você trabalhar
>> assim numa mesa, por exemplo, de um de
um Jap Morgan, dando preço para cliente
o dia inteiro e fazendo o que a gente
faz, que trabalhando em silêncio, né,
basicamente assim, só com o barulho,
porque hoje em dia não tem mais pregão.
Então assim, tem um tem um ambiente que
é que é um ambiente calmo, assim, um
ambiente onde você discute, pensa, você
dá as ordens, então você é pretaker do
mercado, você não é pricemer, você não
fica dando preço pro mercado, você fica
olhando o mercado e tomando a decisão
das operações que você quer fazer. E
isso é muito mais muito parecido com o
que eu fazia no BBM. conta pra gente um
pouquinho como é que você lida eh com
esses períodos, né, em que a gente tem
uma alta volatilidade no mercado. Eh,
compartilha um pouquinho com com o
ouvinte aqui do Vai Fundo.
>> Na minha carreira, eu passei por muitas
crises. Eu acho que as crises mais
desesperadoras para mim foram as
primeiras. Eu acho que em parte porque
de fato eu eram mais desesperadoras.
Eh, e segundo porque eu era mais
inexperiente. Então, você teve em 95 a
crise do México, você teve em 97
eh, você teve Ásia, tá? você teve eh
depois na crise da Argentina, depois
você teve a própria eleição brasileira
eh que de 2002 2003, onde você teve uma
desvalorização eh absurda e você teve
períodos de desvalorização bastante
forte na época da Dilma, que foi uma
crise bem relevante, eu acho, onde você
chegou a questionar mais a parte fiscal
brasileira. Eh, eu acho que foram até
assim, olhando pro cenário brasileiro,
foram mais fortes e mais impactantes na
gente até do que a crise de 2008. Foi
uma crise onde as pessoas 2008 as
pessoas estavam muito tranquilas com o
Brasil e muito inseguras eh com o mundo,
né? Então foi uma crise também bastante
forte a de 2008. Mas eu diria que assim
que é ao contrário dos Estados Unidos,
que de fato é a maior crise de todas, eh
a 2008 é mais parecida com outras que
que a gente passou aqui, onde o foco era
na gente, na no Brasil mesmo, né? Eh,
então todas essas essas crises elas elas
trazem aprendizados assim no final. Eh,
eh, eu acho que naturalmente o jeito que
você que você percebe uma crise tem
muito a ver com a maneira com que você
começa ela, né? Como você como que você,
qual o seu posicionamento, né? o que
você tava achando antes. Se a crise tá
de acordo mais ou menos com aquilo que
eh eh que você tava posicionado,
naturalmente é muito mais fácil de você
navegar se você entrar na crise com uma
com um posicionamento correto. Eh, e eu
acho que assim que o aprendizado que
você tem é manejar o risco eh e ser o
mais frio possível. Assim, eu acho que
eh tem que olhar assim qual é a
magnitude, se foi demais. Tem um lembrar
que mercado tem todos os dias, né? Então
assim, então você não precisa ter
desespero para entrar numa posição. Você
pode fazer o manejo de risco da melhor
forma possível, mas sim, mas eu acho que
eh
se você não não crise é oportunidade,
né? Se você não entrar, não ficar
olhando com
eh com uma lupa, qual o risco retorno
das operações que que aparecem, você
pode uma perder uma oportunidade
incrível. Então, as crises são os
momentos, principalmente quando tem de
crise de liquidez, onde você
eventualmente assim, o direcional é
ótimo, né? Você tem preços muito bons
para você entrar, mas eventualmente você
acha posições de valor relativo assim
que tão mais sorcidas, que são num risco
retorno até muito melhor do que o
direcional.
Então assim, então é uma época para você
trabalhar muito, porque assim, porque
olhar muito eh o que acontece nos
preços.
Eh, porque assim, porque você penera e
com bastante trabalho nessas horas,
bastante foco, você vai encontrar
posições de preço relativo que são até
melhores do que o direcional, embora o
direcional seja ótimo. Então, assim,
então é uma época de muita oportunidade.
Eh, eh, então e e muita incerteza
também, né? Mas muita oportunidade para
fazer. Daí, naturalmente, quando você tá
num fundo que você não tem um capital
fixo, você tem um capital mais variável,
você tem desafios diferentes de um
banco. Assim, quando você tá no banco,
você tem um capital fixo, você
teoricamente pode eh pode tomar mais
risco, né, assim, porque você não tem
dúvida se o se aquele capital vai ficar,
etc. Eh, mas só na teoria, porque na
prática o presidente do banco ou dono do
banco pode falar assim: "Olha só, tô
inseguro com as minhas com a minha
carteira de crédito, vamos congelar
tudo". E daí você fica chupando o dedo a
crise inteira. Na parte de fundos, você
naturalmente tem resgate em 30, 60 dias.
Então você pode ter uma variação de
capital, mas você tem mais controle
sobre aquilo que você que você tem, pelo
menos em cota, ou seja, em proporção do
dinheiro que você tem, você tem mais
capacidade. É claro que tem uma pressão
do cliente de de falar assim: "Nossa,
assim, o que você tá fazendo nesse
momento de crise e tal". Mas eu acho que
isso era mais há 10 anos atrás. Mas hoje
em dia o cliente tá querendo saber como
que você tá posicionado, como você vai
ganhar dinheiro. Então eu acho que é
mais fácil hoje em dia você tem mais
espaço para trabalhar numa crise hoje,
eh, tando numa asset do que você tando
num banco. Eh, eu acho que você tem
menos chance, por exemplo, de receber
uma ordem de cima, falar assim: "Olha
só, vamos eliminar tudo, etc." Então,
assim, então essa eh, e eu acho que essa
tranquilidade para trabalhar, eu acho
positiva dentro de uma verdade a gente
tá num lugar melhor agora.
>> Bacana. você tocou num ponto aí eh sobre
a questão do dfil do investidor mesmo.
Então você você já enxerga realmente o o
investidor brasileiro que tá investindo
no multimercado com um pouco mais
realmente dessa tolerância, né, essa
esses períodos de volatilidade, porque a
gente sabe que, né, muitas vezes eh o
investidor tende a bom, vou resgatar meu
dinheiro aqui e não não tô seguro,
enfim, né? um pouco do comportamento ali
do do investidor.
>> Eu acho que assim que o investidor ele
evolui muito, ele vem evoluindo no
tempo, assim, é muito diferente do que
era há 15 anos atrás, muito melhor, na
verdade. Eh, ainda tem muita evolução
para acontecer, mas assim, mas o que eu
acho que evoluiu muito nesse ponto
específico é que o investidor antes ele
não sacava, ele achava que você tinha
que mudar o seu comportamento
eh para eh para ajustar ao risco dele.
>> Hum. E hoje ele entende que é ele que
tem que ajustar o a carteira dele para o
perfil de risco dele. Então assim, então
ele não chega para você e fala assim:
"Olha só, você tem que correr menos
risco." Se ele quiser menos risco, ele
saca e pronto.
>> Uhum.
>> Tá? Então assim, então ele não fica
exigindo que você mude o seu produto, o
seu fundo é aquilo que você se
comprometeu com seus clientes.
>> Sim. Então assim, então ele tem um
compromisso de longo prazo e hoje o
mercado respeita mais esse compromisso
porque assim, porque hoje o mercado sabe
que assim que existe o risco de você
correr risco de mais, mas existe o risco
de você correr risco de menos. Então,
ninguém fica cobrando de você que você
fique modulando assim o tamanho conforme
a, digamos assim, a vontade média do
investidor. Não, você tem que ter um
norte que é o que é o seu mandato e você
tem que seguir o seu mandato. Então,
então esse tipo de discussão ele eh ele
não tem, o que não quer dizer que um que
o investidor esteja totalmente
confortável. Eu acho que assim, que ele
expressa o desconforto dele sacando. Eu
acho que essa é a mudança, tá?
até em termos assim, até respondendo a
sua pergunta de maneira mais ampla,
assim, o que que eu acho que o
investidor mudou nesses últimos anos?
Primeiro lugar é o alcance, né? assim,
há 10, 15 anos atrás, você não tinha
acesso a o investidor de varejo, ele
ficava protegido aí, assim, cercado e
você tinha que fechar negócios com os
grandes distribuidores eh de uma maneira
a contagotas assim, eh, não era não era
um negócio eh que todas as camadas
tinham acesso. com a competição,
assim, você teve uma competição cada vez
maior para eh ter um um uma prateleira
de investimentos mais completa para uma
gama muito grande de investidores,
certo? Então hoje a bola ela tá com o
investidor final, né, num campo muito
muito muito maior, né, e num campeonato
muito maior, certo? O que não quer dizer
que o que o investidor ele tenha assim a
vontade até de gastar o tempo para
entender o que são as 30 maiores
gestoras ou que são as 30 melhores
gestoras, assim,
>> as inúmeras estratégias de investimento.
>> Varejo, ele tem um tempo limitado assim
no final assim, ele tem o foco dele.
Então assim, tão muito difícil você
achar que assim que o cliente realmente
vai entender o seu estilo de gestão,
esse esse cliente mais varejo, etc. ele
vai olhar para um produto, vai ter uma
relação com esse produto, se ele
investir e tiver uma uma performance
bastante boa ao longo do tempo, ele vai
ser mais paciente,
né? Então esse esse ponto de entrada,
esse processo de entrada eh eh
naturalmente ele depende um pouco do seu
relacionamento com as pessoas que estão
aconselhando esse investidor.
>> Então assim, então não pode esperar que
todo investidor pessoa física vai ser o
analista de fundos que um family office
tem, assim, tem ou um grande banco tem.
Então assim, então do nosso ponto de
vista assim, é eh eh é uma vontade
enorme de fazer com que o cliente
entenda exatamente qual é a sua
característica específica, mas assim,
mas também compreendendo que assim que é
muito difícil isso chegar em em todos os
pontos, digamos assim, da
eh da escala. E daí assim, daí
naturalmente você tem uma competição com
os próprios fundos, você tem com outras
categorias, você tem as questões
fiscais, são colocados pelo governo que
vão e voltam, né? As assim em 2014, 15
você também teve essa disputa dos
incentivados, depois isso eh recuou e
assim e e é esse esse é o é o mar que a
gente navega, né? Então assim, então a
gente vê isso com muito realismo, assim,
no final, eh, não tem como você achar
que o que um cliente com, eh, com R$
10.000 R$ 1000 investidos na capitalo,
ele vai gastar o tempo necessário para
entender a Capitalo totalmente,
porque o cliente tem mais o que fazer,
sinceramente, assim, no final assim, não
não faz não faz sentido, assim, ele vai
usar um vai terceirizar em parte e daí
você tem que entender qual é a estrutura
e assim tentar alcançar eh onde são
tomadas as decisões eh em toda a cadeia
de investimento do Brasil, certo? Uhum.
>> Então assim, então é isso, é isso,
assim, e essa cadeia é que é que a gente
tem que atender eh entender, atender,
entender, alcançar,
satisfazer, assim, eh, trazer os
resultados que que todo mundo quer.
>> Não, bacana. E acho que você trouxe uma
coisa super relevante na sua fala, que é
a questão mesmo do mandato do gestor,
né? Então vocês têm ali um mandato, t
uma uma estratégia de investimento
definida e é importante realmente, né,
seguir essas diretrizes, enfim, então
não ficar realmente ali eh dependendo
desse efeito também do investidor, né,
de de de eventual pressão.
Exatamente. É,
>> acho perfeito. Vamos falar de Capitalo
agora. Eh, a Capitalo hoje ela conta
então com uma estrutura descentralizada,
né, de tomada de decisão, de gestão. É,
eu queria, se você puder, compartilhar
um pouco aqui com a gente como é que
isso contribui ali no dia a dia, né, na
na gestão dos dos fundos de vocês e
contar um pouquinho também como é que
vocês têm usado tecnologia, análise de
dados, enfim, nesse processo todo aí de
de tomada de decisão, de análise, né,
dos componentes eh econômicos ou, né,
enfim, dos do próprio eh mercado como um
todo. Então, a gente tem, por exemplo, o
K, o Z, eh, o alfa Global, eh, que são
descentralizados, né, que tem essa
estrutura que você tá falando, que são,
eh, eh, 11 times distintos, com, com
limites de perda distintos.
Eh, eh, e a gente tem vários
especialistas dentro desse grupo, né?
Então, uma diferença muito grande que eu
acho que ajuda a exemplificar a
diferença da capital para outras casas
que também tem várias mesas é que assim,
se você tem uma um grupo ou uma pessoa,
um grupo que tem 60 70% do risco, a
diversificação que você tem dos outros
30, 40%, na realidade dividida em várias
outras mesas, na realidade ela serve
para trazer ideias, um retorno, eh, mas
ela serve como um acessório para o book
principal. Por que assim? Porque você
não tem diversidade de geração de alfa.
Você você não consegue ter de fato
assim, se esse book certal perder, muito
pouco provável que a soma dos outros
elas compensem o book central, tá? Então
assim, então eh é muito diferente mesmo
uma estrutura parecida com a da Capitalo
que seja muito mais concentrado em risco
em uma mesa só, né? você acaba não
conseguindo ter esse efeito de
diversificação que que a capital tem.
Então, o principal característica assim
positiva, eu acho que do nosso modelo,
não é só a gestão de risco, tá? Que a
gente tem, digamos assim, várias ideias
grandes, mas nenhuma ideia é enorme, tá?
Isso traz vantagens de gestão de risco,
tá? Mas o principal vantagem é a
diversificação de resultado positivo,
de geração de dinheiro. Então assim,
então você consegue efetivamente num ano
que as umas que a mesa que perdeu seja
mais do que compensada pelas mesas que
ganham. É essa. E aí isso a gente só
consegue porque não tem nenhuma mesa,
não tem nenhuma área interna que domina
o fundo como um todo, tá? Então assim,
então você tem vantagens de de gestão de
risco, mas elas são vantagens, elas são
diminuídas pelo fato de que à medida que
a gente consegue eh diminuir o risco, a
gente acaba aumentando o tamanho das
operações todas, né, para poder eh gerar
é o máximo de resultado pro nosso
cliente, né? Então assim, então a gente
regula um pouco, à medida que a gente
ganha espaço no risco, a gente meio
aumenta também as operações. Então
assim, o principal vantagem acaba sendo
na parte do retorno mesmo, de você
conseguir ter eh áreas que conseguem
compensar eventuais perdas de outras. E
se você pegar um ano onde você teve
nenhuma área perdendo, etc., você pode
dar uma porrada enorme, ganhar bastante
dinheiro com os nossos fundos
condominiais, como já aconteceu várias
vezes no passado. Então, nos últimos 10
anos, a gente, mesmo no pior ano,
eh, nunca perdeu muito pro CDI e a gente
teve anos de retorno absolutamente
excepcionais, que assim, que acho que
são um pouco reflexo da nossa estrutura.
Então essa é a principal vantagem. Eu
acho, tem poucas,
hoje eu consigo pensar em uma, duas, no
máximo, estruturas no Brasil que são
parecidas com a capital, o que eu acho
uma pena, porque eu acho que seria muito
melhor pra gente a gente ser eh ser
segregado, porque a nossa estrutura é de
fato muito diferente dos outros e tem
muitas vantagens, tá? Eh, e e
desvantagens também assim, porque no
final, se você tiver uma grande
oportunidade que você quer alocar todo o
risco, outras gestoras que não têm essa
estrutura que a gente tem vão conseguir
pegar o capital de risco como um todo e
concentrar. E eu não consigo, tá? Eu não
consigo pegar. Tanto que a gente acaba
tendo um risco Brasil, por exemplo,
muito menor do que a média das outras
gestoras.
Tem menos Brasil, digamos assim,
principalmente juros, menos juros
Brasil, menos câmbio Brasil do que as
gestoras. porque a gente é muito mais
diversificado do que outras gestoras,
tá? Isso no produto, nos produtos que a
gente chama que misturam. Além disso, a
gente tem várias áreas, vários fundos,
como NW3, que é um fundo de eh que é que
tem do Super Bank, que é um fundo de
merge arb, ou seja, que compra e vende
empresas que estão em fusão eh e
aquisição,
eh baseados na probabilidade de isso
acontecer, que assim que é um é um um
fundo que a gente disse há muito tempo,
eh eh que foi eh que é gerido pelo pelo
Daniel Dupom, eh que se juntou à capital
há um tempo, a empresa dele já existia,
tem os nossos fundos de bolsa que assim
que são excepcionais, o Tarcos que
também é gerido pela nossa equipe de
bolsa. A gente tem o K10 que assim que é
um fundo muito releguante que é gerido
pela pela área que a gente chama K10,
capital 10, que é do Bruno Cordeiro, né?
Eh, a gente tem eh outros fundos que
estão sendo lançados agora, eh, que vão
ser lançados. tem um fundo agora que vai
ser lançado pela minha área de eh cross
eh de cross asset, né, pelo do
Diorgenes. Então assim, então a gente
vai continua lançando fundos e produtos
eh
eh das áreas específicas, porque a gente
acha que que a gente tem o nosso
trabalho de fazer alocação entre as
áreas, mas o cliente pode querer uma
área específica, assim, pode querer um
fundo específico, que eles são muito
parecidos os fundos com os outros fundos
que são mais com cara de CIO eh que tem
no mercado. Então assim, então eh eh e
em particular, por exemplo, o K10 é um
fundo que tem tido nos últimos 5 anos um
desempenho excepcional e relativamente
pouca eh perda acumulada, assim, quando
perde perde durante pouco tempo. Então
tem feito um sucesso enorme com os
clientes também e não é e não é não tá
dentro desse grupo eh de fundos
condominiais. O que todos esses produtos
que são de single manager, eles se
beneficiam na Capitalo, é esse acesso
que tem a 11 áreas especialistas, né, em
cada um dos mercados, assim, que é um
diferencial eh de informação assim muito
grande para você poder gerir as suas
estratégias, tá? Então, todas as áreas
sabem o que as outras áreas estão
fazendo, tem acesso a a a ao racional, a
porquê. Eh, isso acaba também criando um
ambiente muito bom. Hoje na capital hoje
tem 150 pessoas, então é uma das maiores
gestoras em equipe e tem essa
característica de que as equipes não são
tão grandes porque são 11 equipes. Então
você tem equipes dinâmicas, rápidas, eh
com onde todas as pessoas participam da
tomada de decisão. Então assim, então eh
eh embora seja uma equipe total muito
grande, você acaba tendo uma equipe de
especialistas e não eh pessoas ali que
não estão fazendo nada eh ou que tão eh
sei lá, três, quatro níveis separados da
tomada de decisão, tá? Então, enfim, é
esse mix aí que acaba fazendo com que a
gente tenha uma grade eh de produtos
muito grande que vai crescer no tempo e
a gente hoje pela nossa estrutura, a
gente consegue oferecer com uma
aderência enorme, ou seja, os fundos são
muito parecidos entre si. A gente
consegue oferecer em previdência,
eh, no formato multimercado,
no exterior. A gente tem alguns fundos
que a gente tem no exterior para para
brasileiros. Brasileiros que quiserem
investir no exterior, eles podem. Eh, e
a gente tem também eh fundos de ação,
né, que são fias. Eh, então assim,
então, eh, e ainda tem toda tecnologia
para você, eh, rodar todos esses esses
fundos na mesma característica ao mesmo
tempo em diferentes eh formatos aí e
legislações.
>> Não, legal. Acho que eh a questão desse
modelo mais descentralizado, ele
propicia essa agilidade que você
comentou, né? Eh, bacana. Eh, vamos
falar um pouquinho da indústria de
fundos de multimercados, né? A verdade é
que a gente vem passando por um momento
super desafiador, né? A gente tem
acompanhado ali uma captação eh
negativa, né? Para esse tipo de produto.
Se você puder contar um pouquinho aqui
como é que você tá enxergando a evolução
desse produto, né? E agora olhando um
pouco mais realmente de forma agregada,
olhando paraa indústria aqui brasileira
de multimercados, como que você tá
enxergando isso aí nesse horizonte aí de
curto médio prazo?
>> Eu acho que o gestor brasileiro tem
capacidade de geração de alfa. Acho que
tem desafios de construção de produto e
de construção de empresa para capturar o
talento do gestor brasileiro. Eu acho
que assim que tem alguns tipos de
produto e alguns tipos de empresa que
acabam eh jogando fora a capacidade de
você absorver esse talento e gerar
resultado pro cliente, tá? Mas eu acho o
gestor brasileiro muito talentoso, eh,
muito ganhador de dinheiro. Eu trabalho
no mercado de gestão atitiva há 30 anos
e a quantidade de geração de resultado
que foi realizada é é absurda, tá? Então
assim, então eu acredito muito na gestão
ativa no Brasil e no mundo. Eu acho que
a gestão ativa no mundo tá se provando
ganhador de dinheiro. Você no mundo você
tem essas grandes plataformas de
investimento que assim descentralizadas
até num modelo muito parecido com o
capital tem resultados excepcionais.
Então assim, então é o mundo tá andando,
o Brasil tá andando na contramão do
mundo, no sentido de aceitar que a
gestão ativa ela gera dinheiro, tá?
Então assim, então a gestão ativa gera
dinheiro de maneira significativa e a
questão é como você empacota ou como
você organiza ou como você atrai os
talentos para conseguir pro cliente
conseguir absorver esse ganho no médio
prazo, tá? Eh, eu acho que a os
resultados dos fundos
melhores, mas melhores no sentido de
produto, ou seja, mais voláteis, mais
bem construídos, etc., são excepcionais
ao longo do tempo. A Capitalo mesmo tem
um retorno excepcional nos últimos 2
anos, nos últimos 5 anos, nos últimos 10
anos. O retorno do Z é excepcional,
retorno K10 nos últimos anos
excepcional. Retorno do Tarcos, que é o
nosso fundo de bolsa nos últimos anos,
excepcional. Então assim, então eh é
muito difícil conversar comigo a
respeito de querendo discutir a
capacidade de geração de ganho de
resultado, porque eu não tenho nenhuma
evidência que que de que essa capacidade
de geração de resultado tenha tenha
diminuído no tempo, eh embora assim a
indústria tenha gerado um resultado ruim
nos últimos três anos, tá? Assim, no
final o resultado da indústria como um
todo eh não não foi bom, não foi o nosso
caso, mas assim, mas da indústria não
foi bom. Mas aí fica muito difícil
responder eh por terceiros. E eu acho
que parte eh dos problemas que que você
tem em parte é você não atingir todo o
seu potencial por motivo de desenho de
produto ou de desenho de empresa, tá?
Eh, então, enfim, assim, eu tenho uma
visão muito otimista sobre a capacidade
de geração de resultado da da capital de
médio prazo, assim, mais do que do que o
normal, mas de boas gestoras bem
estruturadas também, tá? Daí o que é ser
bem estruturado é você ter um um produto
com risco razoável, porque se você tiver
um risco muito baixo, ele não paga os
custos, tem que ter um risco razoável e
tem que ter uma política de alocação de
capital, ou seja, de captação e de
execução de de gestão de talentos que
faça sentido, tá? Esses são os dois
pontos principais que eu colocaria para
para serem julgados. Ou seja, eh, a
capacidade de você transformar aquela
sua capacidade de gestão, certo, de
maneira consistente em resultado pro seu
cliente, tá? Que depende dessas duas
coisas. E daí eu acho que é o máximo que
eu posso falar sem estourar demais o
tempo, tá? Assim, senão a gente pode
entrar assim, gastar um tempo infinito
em cada um desses pontos, tá?
>> Não, você já deu a deixa, né? Tem que
ser um podcast só pra gente falar desse
ponto, não é isso?
>> Ah, é. Pois é, assim, isso daí, assim,
isso daí é assim, é conversa infinita.
como alocar, nossa, isso aí, como alocar
dentro das estratégias, tem uma uma gama
enorme de de conversa em cima disso.
Então, então assim, então eu sou
convencido de que a existe a capacidade
de geração de resultado assim e que a
gente vai conseguir aproveitar nos bons
produtos, né? Eh,
e eu acho que assim que isso é cíclico,
tá? Então, assim, então, uma hora volta,
tá? A outra coisa que eu acho positiva é
a parte de eh tamanho de mercado. Eh, o
hoje eh o tamanho de mercado explodiu
assim porque basicamente a nossa nosso
mercado é o a renda fixa no Brasil,
assim, que é o principal ativo que tem
no mercado. Então, de maneira geral,
você tem a dívida pública brasileira que
o cliente fica decidindo se ela quer
carregar diretamente, se quer carregar
através de bancos, de depósitos em
bancos, eh, CDBs, etc., ou se quer
carregar a dívida pública através de
fundos, porque fundos compram a dívida
pública e e fazem outras operações, né?
Então, tanto que um fundo de
investimento ele não sofre com o aumento
da taxa de juros, assim, pelo contrário,
ele se beneficia da aumento da taxa de
juros, porque a gente aplica o nosso
caixa em títulos públicos, tá? Então
assim, então o fundo de investimento ele
é um produto pós-fixado, então quanto
maior os juros, mais o retorno é de
longo prazo de quem carrega fundos de
investimento ou de quem carrega títulos
públicos. E esse crescimento da base de
títulos públicos fez com que o mercado
total aumentasse muito. Além disso, o
processo de aumentos da qualidade das
plataformas e dos e dos eh e da grade de
produtos, ele continua no mercado. Hoje
você tá avançando paraa previdência que
você não tinha antes, assim, a
previdência tá sofisticando a grade.
É, de e assim e você continua nos
próprios grandes bancos, como por
exemplo, o Itaú tem um esforço gigante
em torno do ION, eh, para formar
profissionais e aumentar o contato.
Então, você vê que assim que não só o
mercado tá subindo, como o market share,
eh, das pessoas que têm liberdade para
locar, ele continua crescendo, né? Então
assim, essa queda dos multimercados que
tá tendo na margem, uma queda absoluta,
ou seja, você tá diminuindo
nominalmente, ela é muito maior ainda.
Se você olhar em termos relativos. Em
termos relativos, essa queda ela é maior
ainda, o que faz com que você chegue em
níveis de participação de mercado que
são ridículos. Então, eu acho que quem
persistir, quem tiver cabeça fria, quem
trabalhar bem, etc., vai est, talvez
quando essa onda virar assim, vai tá
trabalhando no mercado duas, três vezes
maior do que era há 5, se anos atrás,
somando esses dois efeitos. Então, o
tamanho total de mercado ele é enorme.
Então, isso é uma coisa muito grande,
muito importante para você ter em mente
na hora que você tá olhando para
notícias ruins, assim, porque eh porque
assim, porque o o retorno à frente de
você acreditar, persistir e fazer um
trabalho excelente, excepcional, ele tá
aí, entendeu? Assim, é só ter a
capacidade de entregar para você
conseguir fazer isso, tá? Eh, mas assim,
mas no curto prazo o que acontece é que
você soma essa performance um pouco pior
com taxas de juros altas que deixa o
investidor mais menos
propenso a analisar alternativa de
investimento,
que na minha opinião nem é racional, tá?
Assim, você não deveria investir mais em
multimercados porque o juro tá baixo,
nem nem mais, nem menos porque o juro
está alto, porque na verdade o fundo
multimercado investe exatamente nesse
título público. Ele vai investir em
título público quando o juro tá dois e
vai investir em título público quando o
juro tá 15. Então assim, então eh não
era assim que você deveria olhar o
multimercado, você deveria olhar se ele
consegue bater o CDI assim, não. Então
qual o nível do CDI não deveria ser
relevante, mas a gente sabe que é. Ele
sabe que é porque o investidor ele fica
mais propenso a procurar alternativas
quando o juro tá baixo. Ele fica mais
insatisfeito com a rentabilidade total
do portfólio dele e mais satisfeito
quando o juro tá alto, tá? Então, eh eh
somado à questão dos incentivos, certo,
que também assim gera eh eh uma
diferença de tratamento fiscal entre os
produtos, fez com que você gerou essa
essa essa tempestade perfeita, onde você
teve uma indústria contraindo de maneira
forte, né? Eh, eu acho que a minha
opinião é que eh isso não vai ficar, tá?
Assim, essa esse cenário, eu acho que
principal a começar pela parte
tributária, tá?
Se se você não precisa você encerrar
os isenções para esse mercado se
equilibrar,
basta você diminuir diminuir a emissão
de títulos isentos. Se você diminuir a a
emissão deentos novos, o que acontece
é que eh ao invés de equilibrar, por
exemplo, a LCLCA em 92% do CDI, ela vai
equilibrar em 85, como era como já foi
no passado. Quando você tinha restrição
à emissão de 200, no final o ganho da
emissão, ele não vai pro cliente final,
ele vai pra empresa que tá emitindo, ela
ele vai para o banco que intermedia,
certo? Porque o inv porque falta é
oferta e demanda, falta papel isento.
Quando falta papel isento, você já
ajusta esse mercado de maneira
significativa, tá? Eh, então assim,
então, eh, assim, você achar que assim
que você vai, eu acho que o contrário,
se você tiver a oferta de papéis
exemplos que você tem hoje, que é uma
oferta de papel descontrolada e assim e
crescente, no final você diminui os
efeitos positivos para as empresas,
porque você tem que emitir o papel
exemplo mais próximo de 100% CDI. você
diminui o ganho pra empresa, a empresa
se procura menos do ganho e você tem uma
um aumento
eh de eh tamanho do benefício fiscal que
você tá dando totalmente insustentável.
Você tem que para você ficar na
situação, você tem que aumentar de 40 B
para 50 B, para 60 B, para 70 B, para 80
B. Você tem que sempre estar expandindo
o mercado para nunca faltar papel. Então
assim, então eu acho que assim que essa
situação atual que a gente tem, ela é
muito pouco provável de continuar, mesmo
se você mantiver as zenções,
mesmo mantendo em partes asões, basta
você interromper esse processo de
crescimento eh desse buraco fiscal
enorme. Assim, à medida que o tempo
passa, acho que você pode ter
movimentos, como você teve, por exemplo,
de 15 até 17, onde você veio fechando
esses caminhos para diminuir exatamente
esse benefício fiscal que tá chegando
num tamanho que assim que é sensível. em
relação ao orçamento total, tá? Então
assim, então eu eu não acredito que
assim que nos próximos anos você vai ter
o mesmo nível de movimentação e
benefício que você teve nesses anos. Na
hora que isso eh diminuir, assim, eu
acho que assim todos os outros produtos,
não só multimercados, mas todos os
outros produtos não isentos, eles voltam
a ser ultra competitivos. E nesse
sentido eu falo até, por exemplo, do
crédito isento e do crédito não isento.
Até dentro do crédito, por exemplo, você
tem uma uma guerra competitiva entre os
dois entre os dois mercados. Então eu
acho que isso vai voltar, tá? Tá numa
situação ruim, mas vai voltar. Assim,
acho que esse equilíbrio que tá hoje é
totalmente instável.
Eh, e assim, e tem a questão da da
performance, né? Então, eh eh eu acho
que o momento atual ainda é um momento
de fragilidade, assim, porque você ainda
tem uma emissão de zentos bastante
forte, você tem eh uma performance de
dos fundos que tá melhorando bastante,
mas ainda não não tá na na cara
das melhores que já teve, certo? Mas
assim, mas continua melhorando bastante.
E eu assim acho que com essa
participação de mercado ridícula que os
multicados têm hoje no no total, assim,
eu acho que fica super fácil crescer em
qualquer um desses cenários que você tá
que eu tô colocando, tá? Então, enfim,
eu tenho uma visão bastante positiva
sobre o mercado no longo prazo, embora
eu reconheça que assim que a situação de
curto prazo ela é bastante ruim. E ela é
bastante ruim porque a paciência no
investidor ela tá muito muito baixa.
Então qualquer gestora do Brasil que
tiver uma uma janela, por exemplo, de um
ano ruim, mas ruim normal assim dentro
do mandato, eu acho que ela tá sujeita a
uma quantidade eh absurda de saques no
curto prazo. Então, de fato, você tem um
desafio de navegar esse período eh eh
você ter essa persistência. Eh, enfim, é
uma situação desafiadora, mas que eu
acho que assim que ela tende a a
terminar uma situação muito muito
diferente de hoje em em quatro a 5 anos,
mas muito
>> legal, né?
>> É, não sei se eu tô sendo otimista ou
pessimista, comentar isso. Que bom ouvir
essa visão otimista, [risadas]
>> mas acho que temos que ser otimista, né?
Mas eu eu mas eu eu acho que assim que
os desafios de curto prazo são verdades,
assim, você pegar o que as pessoas mais
eh que estão contando uma uma um lado da
história assim um pouco pior, né, ou
muito pior, assim, elas estão falando a
verdade, entendeu? Porque assim, porque
realmente assim no curto prazo os riscos
de under performance assim, de você
performar mal durante uma janela são
enormes, enormes assim, eh assim pristas
assim, você realmente tá tendo resgates
assim e absurdos e às vezes de uma forma
que você não consegue nem explicar em
relação à trajetória da casa, que às
vezes é uma trajetória de resultado de
longo prazo excelente.
>> Não, verdade. você até trouxe um
pouquinho na na sua fala essa questão da
da política de juros alta e como ela
acaba afetando ali o comportamento do
investidor, né, que no final das contas
ele acaba olhando mesmo paraa renda fixa
nesse nesse cenário e tudo mais. Eh,
queria, se você puder, dividir um pouco
aqui com o ouvinte do do Vai Fundo, um
pouco como que tá a sua percepção eh em
relação a esse atual ciclo de política
monetária, enfim, falar um pouquinho de
cenário, né? como é que você tá vendo aí
cenário, tanto aqui na economia local e
se puder falar um pouquinho de como que
você tá vendo o cenário global,
>> tá? Então assim, então assim, começar
para a parte de juros, né? Eu eu acho
que assim que eh eu acho que você tá
vendo já alguns algumas rachaduras na
parte crédito, você já enxerga aí
algumas alguns sinais incipientes assim,
é o o Brasil hoje tem um nível nível de
juro real absurdo. Então assim, então
sobre ponto de vista não econômico, mas
de trading, se você tiver uma qualquer
dado de mercado de trabalho confirmando
uma trajetória de desaceleração, eu acho
que todo mundo vai achar que é óbvio,
que vai que tá funcionando e que vai
cair. Então o mercado vai precificar um
ciclo de quedas bastante forte, tá? Se
você tiver, por quê? Porque a história
tá aí, né? Você eh subiu juros para
caramba. eh criou eh um nível de de juro
real que você não vê desde os anos 2000,
né? Então assim, eh eh
é um é uma coisa que deveria funcionar.
Então qualquer sinal de que tá
funcionando, o mercado vai acreditar, de
que tá desacelerando e que tá fazendo
efeito e que vai fazer um efeito longo e
que talvez você tem que calibrar os
juros, etc. Tá? Eh, o o grande fiel da
balança para você saber se isso vai ser
sustentável ou não, ou se não é mais um
daqueles inúmeros momentos em que você
achou que ia desacelerar e não
desacelerou,
é o mercado de trabalho, tá? O mercado
de trabalho até agora não mostrou muito
sinais de aceleração, mas tá mostrando
alguma coisa, tá? Então, hoje você tem o
quê? Você tem sinais incipientes,
desaceleração,
compatíveis com o nível de juros que a
gente tem, tá? eh e um dado de mercado
de trabalho eh meio médio, médio fraco,
tá? Então essa essa é a mas ainda não
suficiente para de fato relaxar
eh
a o grau de ociosidade da economia,
assim, a economia tá tá bem apertada, tá
inflacionária e assim você deveria ter
eh um emprego relaxando bem mais assim
teoricamente para você fazer um efeito
mais forte e desinflacionário que tem.
Então, essa essa é a é a é o quadro. Eu
eu não aplicaria, eu não tomaria dia
nenhum juros por causa disso. Eh, então
assim, então você fica entre
aplicar uma um juro real, aplicar um
pouco mais curto, ficar zerado assim, eh
eh acho que é mais por aí do que
eh do que ficar pessimista, mas mas eu
ainda acho que assim que a gente tá
dentro assim, a gente ainda tá dentro de
uma normalidade. foi demais, foi de
menos, você não teve ainda aqueles dados
matadores para você acreditar que assim
que o ciclo de juros ele tá eh
inequívoco na sua frente. Então assim,
então você continua operando o que seria
basicamente para mim mercado de
trabalho, tá? Mas o meu viés é nessa
direção, não tem dúvida olhando para
esses dados. Eu acho que assim que
mercado de fundos, só para deixar claro,
mercado de fundos é uma coisa, mercado
de de mercado de juros é outra. Então
assim, então eh eu acho que assim que eh
como empresário ou como gestor de
fundos, como eh tocando uma empresa de
gestão,
eh eu não tenho que reagir rápido às
mudanças de mercado, assim, eu tenho
tempo para o cliente reage devagar, todo
mundo reage devagar, no mercado eu tenho
que reagir rápido. Então, então na
verdade assim, se você tentar dar um
gancho nessa minha visão sobre o que tá
acontecendo na política monetária com a
parte e de business, eu nem vou
conseguir porque eu nem penso dessa
forma, tá? Eu penso totalmente separado,
tá? Totalmente separado.
Eh, então assim, então essa essa é a é
nossa visão atual. E lá para fora a
gente vê uma desaceleração parecida,
eh, que tá sendo contrabalanceada por
condições monetárias cada vez mais
frouxas, tá? Então assim, então, e
assim, falta de definição de uma
desacelação mais forte na parte
industrial, que tá com a cara meio
zerada, a parte de emprego muito fraca,
alguma discussão de eh de aumento de
produtividade, que tem dois lados, né?
Por um lado você substitui trabalho, por
outro lado você eh aumenta o equilíbrio
de juros porque você
porque você eh eh tem mais oportunidade
de investimento quando você tem é uma
produtividade mais alta. Então assim,
então o nível de juro real de
equilíbrio, ele sobe. Então são dois
efeitos meio contraditórios, né? Assim,
por um lado você vai sobrar mais emprego
se você tiver muito mais produtividade.
Por outro lado, assim, essa
produtividade leva eh o juro, equilíbrio
juro real um pouco para cima. Então
assim, então isso é meio neutro, eu acho
assim paraa discussão de juro de longo
prazo no mundo. Mas assim, mas você tá
tendo aí assim essa revisão de atividade
um pouco para baixo aí nos últimos meses
que trouxe para baixo
os níveis de juro de maneira geral eh
nos principais países do mundo, assim de
curto prazo. Eh, e mexeu bastante pouco
na curva de juros que eu acho até
estranho, tá? Acho que a curva no mundo
deveria est bem mais inclinada do que tá
assim por vários motivos, tá? Mas enfim,
mas é isso, assim, é uma desaceleração,
eh, que até agora tá com uma cara
razoavelmente benigna, eh, até porque
tem bastante espaço de juros para cair.
Pode não ser.
Eh, o mercado
acha com alguma razão de que, eh, vai
ser benigna, porque você tem espaço todo
de juros para cair. Então, assim, então
é um cenário, na verdade, espetacular,
eh, mais frágil, assim, é, o cenário é
espetacular. Esse cenário aí que a gente
tá desenhando assim, é tipo o melhor
possível, é mais crescimento com menos
juros, assim com produtividade, assim, é
um cenário incrivelmente bom, né? Assim,
que eu acho que ele pode descarrilhar
pelo lado de você ter uma economia fraca
demais,
eh, eh, ou uma,
eh, ou uma saída desse ponto que a gente
tá de desaceleração muito forte, porque
hoje em dia, ao você não ter imigração,
eh, você também não tem muito espaço
para crescer o emprego rápido demais.
você provavelmente vai cair numa
armadilha de você cair o desemprego numa
velocidade grande. Então é uma é um é um
cenário espetacular e muito frágil, eu
acho, pros dois lados. Então assim,
então você tem que caminhar num num num
caminho extremamente estreito para para
tudo dar certo. Mas eu acho que no curto
prazo assim, eh, dado que a gente tá no
meio desse caminho, vai, assim, você tem
bastante espaço para cair juros ainda e
você tem, eu acho, eh, os medos do
mercado mais na direção de desacelerar
para reagir mal a uma notícia de
atividade boa. Eu tendo achar que assim
que no curto prazo tem uma gordurinha aí
assim para trabalhar paraos dois lados,
né? Embora no médio prazo, talvez seja
estreito no curto prazo, acho que tem um
espaço bom aí para você trabalhar nesse
cenário. Tem que falar um pouquinho de
eleição aqui, né? Eu acho que a eleição
brasileira, ela é um cenário binário,
uma das eleições mais importantes que a
gente tem. E assim, e saindo da questão
ideológica, ela é uma é uma eleição
importante, porque a gente tem uma
trajetória fiscal horrorosa, eh, que,
portanto, se você vai ter um governo que
vai tentar combater isso ou um governo
que vai tentar acelerar ainda mais essa
piora fiscal, é a grande questão, né?
Eh, então se então acho que o governo
atual provavelmente ele vai fazer uma
campanha eh como tá mostrando pela
esquerda, ou seja, eh tentando eh fazer
propostas ou lançar debates
eh para gastar
muito mais. Podem ser debates parecidos
com o que ele fez da outra vez, onde ele
lançou a ideia, mas foi só implementar
no final do governo para não ter impacto
fiscal durante aquele governo. Mas fica
aquela ideia sem arrumar a receita. Eu
acho que basicamente é isso que vai
acontecer. Vai lançar ideias de gasto
sem arrumar receita. Então eu não vejo
muita melhora, eu posso ter enganado,
mas eu não vejo muita melhora vindo do
candidato do governo, seja ele quem for,
se for concorrer ou não, assim, que é o
mais provável assim, mas não vejo. Eh, e
assim, na situação atual, acho que é
muito ruim. e do lado da oposição, que
eu acho que a gente não sabe direito
quem é um candidato ainda, assim, pode
ter ainda vários tipos de candidato, com
vários tipos de discurso,
eh
eu acho que tem a esperança de você
tentar atacar esse problema.
Embora eh, eu acho que os principais
candidatos que a gente chama de
governadores, digamos assim, eu acho que
de maneira geral eles têm um discurso
muito mais alinhados com atacar esse
problema, como eu acho que o problema
fiscal brasileiro ele é muito ligado à
própria falta de estratégia para lidar
com ele, porque a falta de estratégia
para lidar com esse problema acaba
elevando o os juros de equilíbrio e daí,
portanto, piora o problema. Então assim,
então é um problema meio para cíclico
que se você não atacar, você pode chegar
num problema gigantesco e você já está
nele e já é explícito, porque chegando
em 25 a gente vai ter uma dívida muito
maior do que no final de 24 e em 26 a
gente vai ter uma dívida muito maior do
que no final de 25. Então o gringo até
quem não tá prestando atenção vai
conseguir enxergar essa curva, entendeu?
E e e vai ser muito difícil. E daí você
chegando mais perto da eleição, eu acho
que o nível de juro alto,
eh, contra um tempo mais curto até a
eleição, vai deixando o investidor mais
avesso. Assim, no final, quem vai querer
fazer uma aposta gigante eh no Brasil
sem saber qual é o resultado disso,
faltando dois meses paraa eleição,
assim, faltando um ano, o cara fala
assim: "Putz, mas com esse juros aí de
15 eu invisto", entendeu? Mas e faltando
dois meses, tá?
Então assim, então eu acho que a gente
tá numa discussão que assim que vai
depender do posicionamento dos
diferentes agentes eh políticos sobre
qual que o que que eles querem fazer no
seu governo. Então vai depender,
eventualmente a gente pode ter uma
mudança nisso para melhor ou para pior.
Eh assim, no final eu lembro do Serra
contra o próprio Lula, que você teve, na
realidade uma corrida de promessas.
Obviamente, o pior cenário você ter uma
corrida de promessas, todo mundo
prometendo uma coisa maior que o outro e
todo mundo jogando a trá fiscal para o
buraco. Não acho que é claro a
perspectiva de você ter um um candidato
e pró equilíbrio e um candidato contra o
equilíbrio. Assim, às vezes você tem, às
vezes não. às vezes você tem os dois
para equilíbrio, eh, que eu acho nesse
momento
impossível quase assim, dada a pelo
menos, eu acho que a gente tem pelo
menos um que é contra o equilíbrio, pelo
menos um, é assim que seria o governo
atual, tá? Então, assim, então, e eu
acho que muito provável que tenha um
outro pró, mas eu não consigo garantir,
não consigo garantir, certo? Então, eu
acho que é uma dinâmica assim pra moeda
e para economia de maneira geral super
perigosa, tá? entendo quem queira
diversificar desse desse processo e
assim transforma a eleição numa eleição
super importante, tá? Então assim, então
eu acho que infelizmente a gente vai ter
que lidar ou felizmente, dependendo do
de qual que é a a
eh o caminho que a gente vai trilhar, é,
a gente vai ter que lidar com essa com
essa dinâmica, tá? que é uma dinâmica
extremamente procíclica, porque como eu
tô falando assim,
se você caminhar na direção errada, você
vai aumentar o juro de equilíbrio, ou
seja, e e o déficit. Então assim, então
dado que a dívida é grande, esses
efeitos pró cíclicos, eles são muito
acelerados e do lado contrário, se tiver
alguém que resolva esse problema, você
vai aumentar o superávit ou diminuir o
déficit e diminuir o custo ao mesmo
tempo, tá? Então assim, então não tem
como você falar assim: "Ah, não, o
mercado é sempre exagerado, ele vai e
volta, vai e volta, vai e volta, vai e
volta". Cara, esse processo não é um
processo convergente. Não é um processo
convergente. Você precisa atuar nele
para ele eh convergir. Eh, então eu acho
que a gente tá num processo divergente,
assim, ou você escolhe um caminho para
um lado ou pro outro. E é por isso que
eu acho que esse processo, não vou dizer
nem eleitoral, mas esse processo de
definição de política fiscal de médio
prazo, assim, é um é ultra relevante
para todo mundo, paraas pessoas físicas,
pro mercado, etc.
Eh, e a gente pode ficar aqui meio eh
anestesiado, mas assim, mas não deixa de
ser o que vai acontecer,
>> não. Perfeito. E acho que um ano então
aí com volatilidade pela frente, né,
normalmente ano de eleição e com todas
essas nuances aí na na esteira, né?
>> Eu acho que eu acho que é eu acho que
quando você tem uma situação de dívida
mais tranquila, naturalmente isso é tudo
menos importante. Daí o mercado exagera,
entendeu? às vezes na no negócio, mas eu
não acho que é o caso do exagero ou não.
Eu acho que é importante para valer
mesmo.
>> Perfeito, Carlos. Agora nós vamos passar
pro nosso quadro Mergulho e fundo, eh
onde a gente faz eh perguntas pro nosso
convidado para ele responder de forma
curtinha, certeira em relação aqui
algumas perguntinhas. Então vou começar
com a primeira. Qual é o maior desafio
que você vê paraa próxima geração de
gestores?
>> Eu acho que com certeza é competição com
processos automatizados.
Acho que a gente já vê isso claramente,
assim, a parte de curto prazo que você
tinha, um gestor no passado de giro, que
assim que esse cara tá sendo torcidado
pela pela tecnologia, né? E eu assim
acho que você vai ter pressão em
diferentes camadas.
Eh, a gestão sistemática,
eh, principalmente de médio prazo, ela é
tudo menos automática. Ela é
sistemática, mas ela não é automática.
Não existe nada mais importante para
fazer uma gestão sistemática do que uma
pessoa que entenda o que tá acontecendo,
o que tá fazendo. Então, a ideia de que
você vai colocar uma máquina para gerir,
ela é irrealista.
Quanto mais automático, mais bom senso
você tem que ter para você entender o
que tá acontecendo. Então, os grandes
gestores sistemáticos, principalmente os
de médio prazo, são aqueles que combinam
muita capacidade de visão com a parte
quantitativa.
Eh, e à medida que você vai tendo cada
vez menos gestores qualitativos, você
vai perdendo essa inteligência para
combinar.
>> Uhum. Então eu acho que trabalhar nessa
fronteira assim da tecnologia com o
entendimento do que acontece assim é um
é uma é um eu acho que assim que é
absolutamente fundamental para dar
certo.
>> Perd,
>> certo? Mas eu acho que assim que você
vai ter mais competição, eu acho,
>> se você trabalhar eh num horizonte com
pura eh pura pura gestão qualitativa,
tá? Então, se então eu acho que essa
essa é um pouco da do desafio, digamos
assim, eh
que assim que é extremamente difícil de
você acompanhar. E daí com quais são
essas ferramentas
que você vai utilizar para eh para
servir com você junto nessa nessa tomada
de decisão? Aí também tem um um processo
competitivo forte de você escolher e
desenvolver as melhores ferramentas.
Então, acho que vai ser cada vez mais
difícil você ser um gestor menor,
eh, principalmente quando está buscando,
eh, um, um mercado mais menos de nicho,
certo? Assim, quando tá buscando o
mercado de nicho, acho que é mais fácil
você ser um gestor menor, mas à medida
que você não busca mercado de nicho, eu
acho que vai ficando mais difícil.
Enfim, essa é essa é a principal dúvida
que a gente tem. Uma outra coisa que
talvez seja circunstancial é que assim
que mais que tem tem ficado nos últimos
tempos é que a quantidade de grandes
movimentos econômicos, eu não tô falando
nem de preço de mercado, diminuiu muito,
tá? Nos últimos anos tem menos ciclos,
os ciclos são mais longos. Então isso
para os os gestores macros é um desafio,
tá? Pro gestor macro.
>> Uhum.
>> Você ter menos ciclos
eh médios
por ano, tá? e assim, e até eh a parte
industrial, que sempre foi um grande
gerador de crise
e de movimento dos bancos centrais, ela
tem ficado cada vez menos importante no
total, assim, então isso talvez tenha
gerado menos movimento, seja uma das
causas aí desse dessa falta de ciclo de
movimento e de medo assim e de mini
ciclos no meio de um ciclo grande,
assim, você vê que assim que eh a
volatilidade
média dos dados tem diminuído, o que
assim o que tira um pouco do interesse
de alguns tipos de gestão que tem que aí
buscar, tem que dig dig, você tem que ir
buscar relativos, tem que buscar cases
especiais,
>> assim, você tem que eh que investir
muito mais tempo, foco, cobertura para
você conseguir gerar a mesma quantidade
de operações com risco, tá? Então assim,
então acho que são os dois principais
desafios que eu vejo. Obviamente essa
parte eh eu tô puxando um pouco mais pro
macro, que é o meu lado, né? E daí na
parte de bolsa, naturalmente a é a
fronteira da informação, né? de você ter
uma informação de mais qualidade e você
competir assim com gente assim que tá
investindo loucamente, tecnologicamente
ou não, tá em escala de para buscar
informação. Então assim, então o
investidor pequeno ele parte com mais
desvantagem de novo, para produtos,
eh, para fundos mais que buscam mais a o
o
mercado como um todo, né? produtos mais
de massa mesmo, eh, e não de nicho, né?
Então, então você vai competir com
outras pessoas que têm um investimento
enorme, né? Então, assim, então essa
escala acaba sendo um pouco importante,
mais importante do que era no passado.
>> Perfeito, Carlos. E pra gente terminar
aqui nosso bate-papo, tem alguma dica
que você gostaria de dar para aquele
gestor que tá começando agora nessa
carreira ou que pretende ingressar no no
na gestão de recursos de terceiros? Sim,
eu falei que assim que os primeiros anos
são formativos e que assim que
dificilmente você Então assim, então eu
acho que você tem que tá do lado de
pessoas que eh você acha que seriam
excepcionais professores, tá? E essa
pessoa não basta ser boa, ela tem que
ser boa professora.
>> Então assim, então não basta ser bom
gestor,
>> tem que ser bom professor, tem que ser
tem que ser um processo de investimento
que você consiga gradualmente entrar
nele, tá? E a única forma de você
descobrir isso é conversando, é, é
fazendo a checagem,
eh, não só das casas, mas das pessoas
específicas com quem você trabalharia.
Então, você tem que entrar num lugar
onde onde você de fato tem a capacidade
assim de de gradualmente, onde tem uma
cultura de aceitar o argumento pelo
argumento e de de fato dividir as
tarefas na hora de você gerir.
>> Uhum. Eh, e assim, e daí assim são boas
pessoas, não são boas pessoas. Você tá
vendo? Você tá começando a entrar num
monte de temas que assim que é
impossível uma pessoa olhando o website
de uma gestora ou olhando o resultado do
fundo, a cota sem saber.
>> Uhum.
>> Não tem como saber. É impossível. A
única maneira é você procurar pessoas
que trabalharam naquele lugar, procurar
pessoas de outro lugar, você olhar pra
carreira, ver se aquela aquela cultura
ela gerou outras gestoras, gerou outros
gestores, assim, gerou conhecimento.
Como é que foi isso ao longo dos últimos
20 anos, dos últimos 10? assim, eh, teve
gente que aprendeu, porque se ninguém
aprendeu naquele lugar, qual a chance de
você aprender?
>> Uhum.
>> Certo? Assim, qual que é a, então assim,
então, eh, e essa tomar decisão é uma
decisão muito importante na carreira de
uma pessoa, assim, eh, essa acaba
definindo o mercado onde ela trabalha, a
forma de atuar, etc. Então, assim,
quanto mais você puder absorver disso,
melhor, né? E assim, eu sempre brinco
que assim que se entrar no web, na web e
olhar o site de uma gestora, você vai se
apaixonar por todas, porque de maneira
geral o cara que assim que vai
empreendendo uma gestora, ele tem um
assim, ele ele ele acha que assim que
ele tem um currículo e uma experiência
boa suficiente
para atrair capital de terceiros que no
mercado ultra competitivo. Então, de
maneira geral, ele tem mesmo esse esse
currículo, tá? Então é muito difícil
você olhar e falar assim: "Não, cara,
essa gestora aqui não dá para trabalhar
porque os caras são horrorosos". Não,
claro que não. Assim, acho que não tem
nenhuma gestora que eu pelo menos de
ativos líquidos que eu tenho olhado e e
o site não parece com que tem gestores
excepcionais, né? Então, como é que você
vai se eh como é que você vai se
movimentar? Como é que você vai
entender? E assim, é só primeiro
identificando um grupo de que você a
princípio acha bom.
>> Uhum. Certo? E pesquisando, ligando, eh
achando pessoas que trabalharam lá no
passado e já saíram, achando pessoas que
já trabalharam lá e que você tem acesso
de alguma forma. Então assim, você
conversando um pouco com o concorrente,
olhando assim qual que ao longo do tempo
quais culturas geraram bons
profissionais que tiveram sucesso depois
que saíram,
>> tá? É essa.
>> E ninguém faz isso, tá? Ninguém faz
isso. Assim, as análises são super
superficiais. Eu entrevisto gente há 30
anos e assim, de maneira geral, as
pessoas eh fazem às vezes algum tipo de
análise mais superficial, olha um pouco
quanto que tem sobre gestão, olham a
cota nos últimos anos, olha um pouco o
currículo, mas ninguém para para
entender,
porque é difícil mesmo assim que na
prática assim você tem que entender se a
cultura é uma cultura de de eh de
divisão da tomada de decisão e de eh eh,
e e de ensinamento, vai, assim, digamos
assim. Então, assim, então eh e isso vai
te dar uma boa noção do que do que te
espera, digamos assim. Daí assim, daí
obviamente assim, no Brasil tem vários
lugares, vários lugares que vieram de
boas culturas nesse sentido e tem alguns
lugares que são um pouco mais eh
centralizadores e e onde você tem mais
dificuldade de aprender, o que não quer
dizer que não vai, tá?
>> Uhum.
>> Acho que vai sim, mas assim, mas é é um
>> um pouco mais longo, né?
Carlos, muito obrigada por compartilhar
a sua experiência aqui com os seguidores
aqui do podcast do Vai Fundo, né?
Compartilhar aí as suas reflexões, sua
experiência com a gente. Foi um prazer
contar com você aqui no nosso podcast.
>> Prazer é todo meu. Um grande abraço para
vocês. Boa noite, boa tarde, bom dia.
Isso para todo mundo. Um abraço.
>> Obrigada. E você que nos acompanha,
continue aí mergulhando conosco nos
próximos episódios do Vai Fundo.
Compartilhe, comente e siga o podcast no
Spotify. Até a próxima. เฮ
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