Prêmio Top 5 2025
Sumário Regulatório
O Banco Central realiza, no dia 9 de abril, a cerimônia de entrega dos prêmios aos vencedores de cada categoria anual do Top 5 da pesquisa Focus de 2025. O evento ocorrerá no Edifício do Banco Central em São Paulo, das 9 horas às 12h30. A solenidade será aberta pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Após a abertura, o evento terá três mesas-redondas sobre o cenário internacional, o cenário doméstico e inflação e política monetária. Os debates serão mediados pelos diretores Paulo Picchetti e Nilton David, com a participação de representantes das instituições premiadas. Os jornalistas interessados em acompanhar o evento presencialmente deverão encaminhar pedido de inscrição para o e-mail imprensa@bcb.gov.br até as 18 horas do dia 8 de abril. Para efetuar o credenciamento, será necessário informar o nome do profissional de imprensa, o veículo de comunicação para o qual trabalha e o número da carteira de identidade.
Transcrição e Conteúdo
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Senhoras e senhores, bom dia. É um
prazer recebê-los para mais uma edição
da premiação anual Rankings Top,
promovida pelo Banco Central do Brasil.
Essa premiação visa destacar as
instituições cujas projeções mais se
aproximaram dos resultados obtidos para
o IPCA e seus componentes: taxa de
câmbio, taxa CELIC, taxa de desocupação,
PIB e seus componentes e variáveis do
setor fiscal.
Informamos que o evento está sendo
transmitido ao vivo pelo canal do Banco
Central no YouTube e permanecerá à
disposição para consulta futura.
Convidamos para a mesa de abertura
Gabriel Galipolo, presidente do Banco
Central do Brasil,
[aplausos]
Paulo Piquete, diretor de política
econômica e de assuntos internacionais e
de gestão de riscos corporativos.
Nilton Davi, diretor de política
monetária.
Obrigado. Obrigado. Tudo bem?
Passamos a palavra para o diretor Paulo
Piquete.
>> Bom dia a todos. Eh, vou dar uma
boas-vindas rápidas
para eh todos os participantes aqui de
mercado, para principalmente aqueles que
estão sendo premiados hoje pra imprensa
que tá sempre cobrindo os eventos do
Banco Central.
E essa terceira edição já dessa
premiação, acho que ela já tá se
consolidando aqui como uma tradição. É
uma ótima oportunidade pra gente eh
primeiro homenagear vocês e segundo
ouvir vocês também, que é importante
para nós. Então, eh eu vou passar pro
Nilton e daí a gente passa pro Gabriel
fazer a abertura.
>> Bom dia a todos. Perdão.
[limpando a garganta] Bom dia a todos.
Acho que não tem muito mais a falar, é
um dia de celebração e vocês são o
motivo delas, então é de vocês. Vou me
encurtar aqui. Bom dia.
>> Bom dia. Agradecer aqui aos diretores,
todos os presentes, dizer que, na
verdade, essa essa é uma homenagem que
pretende ser um agradecimento a todos
vocês, né?
Eh, porque vocês são os responsáveis
pela construção desse instrumento, que é
uma bússola tão relevante para nós na
condução da política monetária. Sem
vocês, seria o Banco Central não
contaria com essa com essa bússola tão
tão relevante que é que são as
expectativas que são projetadas através
da pesquisa FOCOS. Como vocês sabem, as
expectativas são sempre muito relevantes
na condução da política monetária, mas
em momentos como esse fica ainda mais
sublinhada a relevância da gente tá
analisando as expectativas como uma
referência importante sobre aquilo que
que vá que vai acontecer no
desdobramento da economia. muitas vezes
eh críticos, vamos dizer assim, da
pesquisa Focus ressaltam questões como
algum tipo de avaliação que pode ser
menos objetiva e mais subjetiva, algum
comportamento de manada em em algum tipo
de de de resposta ali. Eh, mas esses
componentes são tão importantes pra
gente existirem, eles estarem revelados
ali como qualquer outro componente mais
objetivo e exato. Porque para além de
vocês estarem aqui sendo os
representantes que mais acertaram sobre
as projeções futura futuras, eh importa
também o focus enquanto uma fotografia
de como os agentes econômicos estão
percebendo o futuro, como ele eles
imaginam que o futuro vai ser. E são
essas decisões e que vão ser tomadas a
partir da percepção de hoje que vai
criar o futuro. Então esta percepção
contendo qualquer tipo de subjetividade,
qualquer tipo de questão que possa vir a
ser debatida, né? Muita gente
comentando, por que que tá subindo as
expectativas de 28 frente frente um
chelque de oferta? vão poder ouvir todos
vocês aqui hoje debatendo isso, mas
todas essas essas informações são inputs
muito relevantes pro Banco Central poder
eh incorporar na análise da sua da sua
da da política monetária, né? E esse
evento também é bastante interessante
porque ele permite nesse debate aqui da
mesa demonstrar de maneira mais
explícita que mediana não é consenso,
né? seja, ainda que tem uma mediana, as
pessoas falam as opiniões de mercado e
muitas vezes as pessoas leem achando que
todo o mercado consensou naquele ponto.
Nesses debates aqui de mesa é importante
mostrar que existem divergências,
debates, né, Wix? Às vezes as pessoas
divergem de alguma coisa e dentro da
própria casa, até da própria
instituição, tem divergências. E isso é
importante pra gente mostrar essa
pluralidade dos debates de visões
distintas e como isso, como essa, essa,
essa junção de diversas opiniões são
relevantes pra gente poder construir.
Então, é um agradecimento aqui que a
gente faz a vocês, mais do que uma
homenagem para a vocês permitirem a
gente ter esse instrumento aqui para
construir eh e elaborar a nossa política
monetária. Junto com isso, eu queria
agradecer também eh no nome aqui do
Rocha todos os técnicos do Banco Central
que trabalham na construção desse
indicador pra gente. Eh, o Focus é das
coisas que o Banco Central tem muito
orgulho, né? ele é admirado como um
survey muito bem feito e e que e que tem
uma serventia enorme pro Banco Central
no mundo como um todo. Então, queria
agradecer aqui no nome do Rocha a todos
os servidores que trabalham na
construção, que trabalharam ao longo dos
anos na construção do Focus. Eu sei que
eh o Banco Central, como eu venho
repetindo, já tá há praticamente uma
década eh sofrendo com condições de
trabalho que não são as as mais
adequadas para todos os servidores do
Banco Central, né?
Eh, mas a gente tem muito orgulho disto,
né, do Focus, assim como de várias
vários outros elementos. Eh, e a gente
espera que a gente consiga avançar
eh em em ter um arcabonstitucional mais
adequado. Eu já disse algumas vezes que
a palavra autonomia às vezes precisa de
um rebrand porque parece uma ideia de
que a gente tá virando as costas paraa
democracia ou qualquer coisa desse tipo.
Mas é importante a gente completar o
processo de autonomia eh do Banco
Central. É muito importante a gente
completar esse processo, eh, não por
qualquer questão de comportamento,
porque a autonomia não vem de um
dispositivo legal. A autonomia significa
algo que é muito caro ao Banco Central,
que não é estar disponível para negociar
o seu mandato. O Banco Central é uma
instituição que não tá disponível para
negociar o seu mandato, que existem
questões que são com a
institucionalidade que estão acima de
qualquer coisa. Significa também quando
tiver alguma coisa errada ter a coragem
de apontar o que é de errado dentro do
Banco Central e não só pedir desculpas,
mas cortar na carne, porque é o que é o
mais forte pra institucionalidade,
independente de relações pessoais que
possam existir, mas é a é o que é de
mais forte. Então essa autonomia está
dentro do Banco Central. É um
comportamento do qual eu me orgulho
muito de estar trabalhando com diretores
que trabalham todos os dias para que
isso possa acontecer e com uma equipe
técnica que trabalha todos os dias para
que isso possa acontecer. Mas ela é
importante ser completada
justamente para que eh quem decide não
negociar algumas questões não seja
punida por isso amanhã. E aí, nessa
última fala, eu agradeço aqui também a
imprensa, que desde o início tem dado
toda a cobertura a a ao Banco Central de
maneira bastante transparente, honesta,
em busca dos fatos, porque a luz do sol
e a verdade é a única defesa que quem
escolheu o caminho da honestidade tem
num processo como esse. Então, agradeço
aqui a imprensa, agradeço a todos os
participantes aqui do Focus e
respondentes do Focus que nos fornecem
essa bússola tão relevante aqui para pra
condução da política monetária e é
homenagem à aqueles que mais acertaram.
é uma maneira de reconhecer aqueles que
se dedicam, que se debruçam para
responder o focus com tanto, com tanto
esmero. Muito obrigado a vocês.
Obrigado.
>> Antes de passarmos à nossa primeira mesa
de debates, convidamos o presidente
Galipolo para tomar assento na plateia
e o diretor Paulo para se dirigir à
lateral da mesa para a entrega dos
primeiros certificados desta manhã. A
primeira sessão tratará do cenário
internacional.
Você
fica aí.
Como debatedores da primeira mesa,
convidamos para receber das mãos do
diretor Paulo Piquete os certificados da
premiação Top Five e comporem a mesa.
Adriano Valadão, representando o Banco
Santander, que recebe o certificado top
five IPCA curto prazo anual.
>> [aplausos]
>> Ariane Amanda Benedito, representando o
PicPay Bank, que recebe o certificado
Top e PCA sexta longo prazo ano
seguinte.
[aplausos]
Aurélio Bicalo, representando a Vinland
Capital, que recebe os certificados Topa
de câmbio longo prazo ano corrente e
IPCA administrados longo prazo, ano
seguinte.
[aplausos]
Daniel Wix, representando a Safra Asset,
que recebe o certificado Top F taxa
Selic curto prazo anual. [aplausos]
e Flávio Serrano representando o banco
BMG, que recebe os certificados Topa de
câmbio médio prazo anual e PIB sexta,
longo prazo ano corrente.
[aplausos]
Pode sentar.
Diretor Paulo, por favor, a palavra é
sua.
>> Bom, então
começar parabenizando explicitamente
agora aqueles aqui que estão na mesa
e aproveitar a oportunidade, né, vocês
ganharam aí na segunda casa decimal
de muita gente boa fazendo previsão, né?
E
por conta disso, a gente tá olhando aqui
de variáveis, óbvio, fundamentais, né,
próprio PCA, Câmbio, eh, a nossa CELIC.
E é uma oportunidade enorme para
aproveitar e ouvir vocês nesse momento
de atualização de de projeções no
ambiente de grande incerteza, né?
Então eu vou fazer algumas sugestões
aqui pro debate e abrir para vocês
falarem. Começar com questões mais
simples, só para aquecer.
Como é que vocês imaginam o
desdobramento da guerra que tá vendo e
como é que isso vai impactar aqui nossa
economia, preço de ativos, inflação?
Então a gente pode começar por ordem na
mesa ou
dando preferência paraa representante
feminina. Vamos começar com a Ariane e a
gente vai seguindo.
[limpando a garganta]
>> Bom dia a todos. a única mulher na mesa,
não sei se isso é bom ou ruim, né? Vai
começar por mim. Meu primeiro top five,
primeiro top five da minha instituição,
do PICP. É uma honra estar aqui com
vocês hoje. Queria fazer um
agradecimento a todo o time do Banco
Central pela homenagem, é muito
importante para nós profissionais.
Também queria fazer um agradecimento ao
economista que esteve comigo no período
da premiação, Igor Cadilhaque, e
agradecer o Mateus Pisani, que já esteve
aqui nessa bancada, conhecido da casa,
que vai dar continuidade a esse
trabalho. Acho que sem time dificilmente
a gente faz um bom trabalho, né?
Obrigada. Ah, bom, eh, acho que a
palavra incerteza que a gente vem
falando diariamente, ela traduz muito
bem, né, o cenário como um todo. E não é
só um cenário internacional, a gente
pode chamar de cenário global,
exatamente pelo fato que isso nos
inclui, ah, no momento que estamos, né,
onde cada dia importa, é uma corrida
quanto contra o relógio, né, a cada dia
que passa, eh, a gente estima e estamos,
no caso, adicionando eh uma um número a
mais, uma vírgula ali nas projeções,
exatamente pelo pela dificuldade de, num
momento como esse,
a gente estimar, porque todo dia é uma
surpresa, né? Quando a gente tem uma
melhora nas expectativas eh do mercado,
nas curvas, a gente eh começa a se
colocar em dúvida em relação a tempo e
num dia ruim a mesma coisa, né? Só que
do lado contrário, a gente vai esticando
eh em períodos importantes, que a gente
chama de horizonte relevante para
previsão de impacto. Eh, eu gostaria de
chamar a atenção eh aqui na nossa
avaliação do cenário eh além do ponto
central que é a escalada do conflito,
né? a gente já fechou ali um pouco mais
de um mês dessa escalada e a gente já
começou a ver nos primeiros dados o
efeito disso. Eh, aqui no caso de
Brasil, eh, a balança comercial
divulgada ontem, né? O tamanho eh que
gerou, a janela em aberto ali que trouxe
impacto positivo. Mas, eh, vou puxar
aqui um ponto que é do outro lado, né? O
lado na qual a me deu o prêmio aqui, que
é o lado do longo prazo, né? Porque a
gente tem escutado muito de que até o
momento os efeitos seriam de curto
prazo. Eu costumo dizer que depende do
que você considera de curto prazo, né?
Ah, porque nesse um mês e pouquinho que
a gente já tem essa esse aumento, essa
crescente nos preços das commoditas, a
gente começa a ter uma defasagem muito
grande na dissipação desse efeito, né?
Então, a gente sabe que, obviamente,
vamos começar ver nos dados correntes a
partir de agora eh esses efeitos mais
negativos, principalmente para inflação,
mas o choque que eh eu acho que o
conflito vai deixar, ele não é só
conjuntural, tem uma questão estrutural
que é a composição desse choque, né, que
ele vem principalmente de oferta,
logística e custos simultaneamente e que
isso traz uma mudança estrutural
importante e que deve ser eh observada
com muito cuidado, principalmente paraa
projeção de preços daqui para frente.
Quanto mais tempo a gente tiver a essa
escalada desses preços e que boa parte a
gente pode considerar que é de pura
expectativa, né? Porque se a gente olhar
ali a parte de estoques, alguns estoques
apenas preocupa, mas não é
necessariamente o estoque de petróleo,
mas por exemplo o estoque de
suprimentos, insumos militares, né? que
aí a gente tem duas vertentes aqui. A
gente tem a composição da inflação via
preços administrados por comodes
energéticas, mas o outro ponto é se a
gente tiver um prolongamento muito
grande, cada vez mais essa diminuição de
estoques. E numa leitura em que a gente
tem aqui no nosso cenário de que a
intenção do conflito geopolítico ele tá
muito assimétrico, a gente considera que
os Estados Unidos já eh atingiu os seus
objetivos ali, seja eles econômicos ou
políticos, mas que Israel e os e os, né,
os países, as economias do Golf ainda
tem algumas intenções geopolíticas que
podem estender esse conflito, né, seja
pontos ali não resolvidos. Se isso
acontecer, a gente vai ter até uma
intenção eh eh total ali na na produção
de insumos militares para eh conseguir,
né, eh eh seguir, enfim, com com os
avanços e um tempo maior ali de
conflito. Isso eh obviamente vai aquecer
produção e a gente teria uma inflação
ouvindo de atividade também e não só a
inflação de preços, né? Eh, a gente tem
algumas questões de contaminação
indireta, que são, como eu citei
inicialmente, logística por parte de
fretes. Se a gente só pegar o que a
gente já tem nesse período acumulado
entre 250% a 750% de alta nesses preços,
algum momento vai repassar. é muito
difícil conseguir segurar uma magnitude
como essa e isso coloca os bancos
centrais
como a gente viu, né, e provavelmente
vai ver daqui pra frente, sem uma data
específica para saber em que momento eh
a gente sai e desse posicionamento que é
o data dependency e bancos centrais eh
reforçando cautela, parcimônia e um dia
após o outro para poder entender eh se
de fato terá espaço, né, para fazer uma
flexibilização na comparação com os
bancos centrais e eh eh de economias
desenvolvidas e o Brasil, eu diria que a
única diferença que a gente tem aqui é
porque a gente conseguiu iniciar o ciclo
de de cortes, porque a gente tem um
cenário eh um pouco diferente deles, mas
se eu se a gente considerar só a
comunicação, a gente tá muito em linha
com o restante do mundo, né? Eh, uma
comunicação de política monetária eh bem
apertada, bem a a a alertando cada vez
mais essa questão da cautela.
Exatamente, porque com inflação não se
brinca e a gente ainda tem um cenário de
risco eh bem eh voltado para choques eh
choques esses que a gente depende do
tempo para entender o que realmente vai
repassar e o que vai dissipar. Então,
acho que eh para concluir aqui eh aqui
paraa frente, a gente teria que tomar um
pouco de cuidado com o que a gente trata
em relação a curto prazo e longo prazo.
ah, olhar com um pouco mais de cuidado
sobre outros componentes ali, não só a
oferta para dentro da contaminação, ah,
para choques, né? daqui para frente, a
gente sabe que o Brasil tende a ser a
ter uma uma camada que esconde um pouco,
né, a parte negativa desses efeitos, que
é ser beneficiado por ser um país eh de
de eh, né, assim, campeão em em
commodities líquidas, né, exportador.
Isso tende a trazer um pouco de a a
ofuscar um pouco o risco. Mas quando a
gente tira essa variável da frente,
começa a observar só a função de
política monetária e inflação, acho que
o Brasil tá bem junto com o resto do
mundo, né? É uma é uma dificuldade, um
desafio global que a gente vai enfrentar
eh 2026 e agora estudando o que vem para
278.
Ali Puluben citou aqui a dificuldade de
falar de 2028. a gente tem sido
questionado bastante sobre o horizonte
relevante, mas dado não só os eventos
internacionais, mas toda a agenda que a
gente tem de eventos para esse ano,
realmente fica bem difícil, né, de
tatear. Ah, a nossa projeção ainda ela
com ela, aborda ali uma inflação 27, 28
dentro, eh, principalmente paraa
inflação, né, dentro eh de de acordo ali
com o efeito de política monetária. a
gente acredita que o Banco Central
Brasileiro vai continuar, né, tende a a
conseguir continuar a flexibilização,
porque a gente mesmo com todo o repasse
possível de preço, a gente fez estudos
até petróleo com preço do barril a 200,
né, ainda assim a gente tem eh uma
acomodação maior, né, para para pro
horizonte relevante. Mas, como eu disse,
todo dia é um dia num cenário de guerra.
Obrigado.
Obrigado, Oriane. Eh, Oriane falou um
monte de coisa interessante que eu
traduzo com a minha cabeça de
economista, né? Então, ela falou eh dos
efeitos potencialmente duradores que a
gente ainda tem, né? Porque que a gente
chama de estere, né? e da dificuldade de
você fazer previsões agora com um
ambiente que podem tornar inválidos os
modelos que a gente tem hoje. Então,
acredito que vocês todos aí por dever de
ofício e de novo é uma oportunidade
muito grande porque a gente tá ouvindo
aqui os vencedores, né? Vocês estão
construindo cenários alternativos
que envolvem tanto premissas
alternativas quanto mudanças nas
relações entre as variáveis, né? como é
que vocês estão pensando nisso e
atribuindo probabilidades diferentes a
esses cenários? Então, continuar com o
lado esquerdo aqui com o Adriano, por
favor.
>> Bom, bom, bom dia a todos. Eh, bom,
obrigado pela pela pergunta. Ah, um
prazer táar aqui representando o Banco
Santander. Ah, novamente, ah, dar
destaque aqui para para toda a equipe do
do banco que nos ajuda, desde time
econômico,
até as outras áreas do banco, ALM,
tesouraria, clientes que a gente visita,
todos eles dão dão insumos importantes
aqui para para que a gente consiga
finalmente ganhar um prêmio. É, vindo
aqui então do dos cenários, ah, um ponto
certamente choque de curto prazo, choque
de petróleo de curto prazo, eh,
vê ali o quanto que o o Streade de Ormo
é relevante para petróleo, seria coisa
de ah de 20% da produção global,
passaria pelo estreito. Ah, a gente
refina as contas, a gente vê que parte
dessa dessa desse petróleo consegue ir
por outros caminhos. ah, tem reservas em
alguns países, eh, de forma que o choque
global ali do do petróleo fica mais
próximo de 10%, um pouquinho abaixo
disso, eh, em termos de de volume, do
que o inicial.
Eh, efeitos diretos, indiretos,
principal impactado, a região mais
impactada parece ser a Ásia mesmo. Eles
dependem bastante do petróleo, gás
natural, tanto diretamente quanto para
para refino. Ah, então, ah, no momento
em que você tem Ásia também, ah,
sofrendo um choque desse, ah, que é hoje
é um dos grandes pilares da de
indústria, de manufatura do mundo. Eh, a
gente não fala só em choque do petróleo,
a gente não fala só aqui pensando em
Brasil de gasolina para cima, mas a
gente também tem que pensar no ah no
efeito indireto ah de cadeia de
produção, ah, problema de produção na
Ásia e como isso vai impactar Brasil.
Então, vindo aqui nesses cenários, além
obviamente de da gente pensar em
petróleo para cima, a gente tem algumas
[roncando] ah algumas coisas que não
usualmente não acontece quando você tem
um evento global dessa magnitude ah para
Brasil. até o até agora o câmbio
brasileiro super bem comportado. Ah,
normalmente quando tem evento
geopolítico, choque de petróleo, a gente
fala de
ali de de riscof e normalmente o BRL
apanha no nesse ambiente. Então a gente
tá com BRL bem bem comportado. A gente
já tá numa taxa de de juros aqui mega
mega restritiva, juro real de 10%, tem
ajudado a a diminuir a demanda agregada.
ah, vem sendo ressaltado por diversos
dos diretores em em várias da das
reuniões. Eh, e um ponto aqui que como
Santander, como Banco Grande que atende
diversos clientes, que a gente consegue
ouvir vários anedóticos ali de empresas,
as empresas então ah sempre retratando
ah custo capital muito elevado com
choque do petróleo. Ah, a gente já viu o
movimento na corre de juros, ou seja,
cujo capital continua elevado por mais
tempo. É, a gente eu mencionei mais
cedo, a gente tá tendo um choque de
custo ou talvez até problema de
disrupção da cadeia de cadeia de
produção de de indústria. E quando a
gente olha para mercado interno, a gente
ainda tá no mercado de trabalho aquecido
com crescimento real de salário,
crescimento realários.
Eh, quando a gente junta todos esses
pontos, eh, vira um ambiente muito mais
desafiador para as empresas. Ah, e e
nesse nesse ponto que a gente precisa
entender aqui que vai ser o impacto da
inflação. No curto prazo, a gente coloca
todo esse efeito de petróleo, gasolina
para cima, diesel para cima, efeito
indireto, eh fertilizante para cima,
enfim, todos esses efeitos ah que advém
do do choque do petróleo. Mas quando a
gente começa a pensar um pouquinho mais
de médio prazo, 2027, a gente também
precisa considerar a outra parte de ah
tanto de câmbio quanto de de atividade
econômica. Eh, aqui pensando no choque
de eh de cursos para as empresas, ah,
potencialmente eh fica um cenário um
pouquinho mais quando a gente pensa ali
para meio de 27, final de 27, ficam eh
um cenário mais desafiador. Ah, a gente
não sabe quão prolongado vai ser esse
choque de petróleo. Eh, mas
eventualmente a gente tem que colocar
nas hipóteses aqui de de modelo de
cenário econômico que esse choque passa.
Eh, então quando, pensando mais para
frente, 27, eh, a gente acaba colocando
assim mais peso para como a economia vai
se comportar até lá, eh, bem como o, eh,
bem como a dissipação desse choque. Eh,
então, esse efeito autista que a gente
vê nessa inflação de curto prazo, a
gente tem uma cabeça ali que se a gente
pensar num num evento um pouquinho mais
longo, a gente poderia falar de uma
inflação um pouco mais baixa. E aí vai
tudo depender também da duração desse
choque, se vai ter efeitos de de mais
longo prazo ou não na na toda a cadeia
de produção em suprimento de de
petróleo. Eh, mas para Brasil a gente
consegue tentar, a gente tem que tentar
pensar nesse curto prazo, médio prazo e
e partir desse ah, desse state space,
desse desse estado de espaço ali
inicial, dessa condição inicial, eh, de
juro já restritivo com juro real elevado
por bastante tempo ali. Tem que sempre
tem que ter tem que sempre ser levado em
consideração aqui.
>> Obrigado, Adriano. Então, vou continuar
com Aurélio aqui na sequência e vou
fazer o papel também meio de moderador
chato. A gente tem mais ou menos 5
minutos para cada um poder falar e dar
tempo para todos falarem. Aurélio, por
favor.
Obrigado, obrigado ao Banco Central pela
organização do evento, pela premiação.
Parabenizar todo o time da Vinland pelo
pelo desempenho. Bom, é a variável chave
aqui na nossa visão é sem dúvida o
caminho do preço do petróleo daqui paraa
frente, tá? Eu penso que o evento dessa
semana de maneira geral reduz bastante o
risco. A gente tem uma visão benigna do
que do que saiu dali. a gente tende a
caminhar para uma solução desse
conflito. O caminho vai ser tortuoso,
mas a gente tende a caminhar para para
uma solução. Qual será o preço do
petróleo daqui paraa frente diante desse
desse evento? Olhando a história, a
gente nos choques do petróleo da década
de 70, o choque 73, 79, a gente não teve
volta, foi permanente. Eventos de de
restrição de oferta fizeram com que esse
efeito fosse mais permanente, diferente
do que aconteceu na década de 90 e no e
no no na Guerra do Golfo e no conflito
Rússia e Ucrânia. tem o choque. 4 5
meses depois o preço do petróleo volta
para perto do que era antes do evento.
Nosso diagnóstico é que é mais parecido
agora com o segundo segundo caso, mas
com uma volta provavelmente mais
devagar, mais lenta. Então a gente tá
falando de ter um preço do petróleo que
pode voltar mais pro final do ano para
algo perto daquilo que era antes do
pré-pandemia. Então tem um efeito aí bem
relevante e contratado pra economia. E
aí a gente entra na questão do impacto
disso. Primeiro ponto, impacto na
atividade econômica. Simulações que nós
fazemos, uma vasta literatura sobre
isso, é muito sólida sobre a seguinte
conclusão. Grande parte da queda da
atividade econômica que vem de um choque
do petróleo é produzido pelo Banco
Central, pela reação da política
monetária ao combater a inflação que
joga a atividade econômica para baixo.
Bernan, que tem um paper com coautores
do final da década de 90. estima isso em
torno de 2/3/4.
O efeito sozinho do choque do petróleo é
pequeno. É pequeno.
Os anos 2000, Blanchar, outros autores
analisam esse negócio e identifica o
seguinte: caiu de forma substancial o
impacto de um choque do petróleo na
atividade econômica pós década de 80 e
pré-década de 80. O que que aconteceu
nesse período? dois fatores bem
relevantes. Primeiro, eficiência
energética. Para produzir uma unidade de
PIB, se consome muito menos petróleo do
que antes, cerca de 50, 60% a menos. Aí
o choque é menor, menor uso do petróleo
como insumo e outros fatores. Segundo
elemento que derrubou esse efeito do
choque do petróleo na atividade
econômica, Banco Central. Banco Central,
credibilidade, ancoragem das
expectativas de inflação. Isso faz com
que venha o choque do petróleo. Banco
Central tem que apertar menos a política
monetária. Efeito na atividade econômica
diminui. O que conversa com o paper do
Bernank da década de 90? Olha, é o Banco
Central que derruba a atividade, não é o
choque do petróleo sozinho. Não é o
choque do petróleo sozinho. Portanto,
primeira reflexão aqui é esse choque,
olhar o efeito dele nesse choque de
oferta como algo que possa ajudar a
diminuir o efeito da inflação, não vale
muito, tem pouco efeito por esse
diagnóstico muito sólido da literatura.
Então, sobra aqui pros bancos centrais,
sem dúvida, a reação, principalmente a
inflação. A inflação. E aí quando a
gente olha o mundo, a gente pode dividir
em dois grupos, né? Dois grupos. Tem um
grupo de países que a gente tem que
pensar o seguinte, né? A reação do Banco
Central aqui depende substancialmente do
ponto de partida dessa economia quando
houve choque. Tem economias que estão
com inflação abaixo da meta,
[limpando a garganta]
expectativas ancoradas não estão se
movendo e credibilidade. Se a gente
olhar aqui uma métrica de credibilidade,
vão pegar expectativa longa versus a
meta. É uma boa métrica. [roncando]
Tem um grupo de países com uma situação
muito benigna. Inflação tá abaixo da
meta. Tava abaixo da meta em fevereiro
quando veio o choque, antes do choque.
Expectativa ancorada e credibilidade. Aí
essa turma emergente europeu, República
Teca, Hungria, Polônia, alguns asiáticos
na Europa, Suíça,
essa turma pode olhar com mais
tranquilidade, olhar mais os efeitos de
segunda ordem e até se tiver algum
efeito negativo da atividade pode até
reagir, mas de maneira geral o efeito
inflacionário aqui predomina. Agora tem
um grupo numa situação bem mais difícil
que a inflação no ponto de partida tava
acima da meta,
tem um uma desancoragem de expectativa,
expectativa de inflação já começou a se
mover e tem problemas de credibilidade,
expectativa longa, eh, tá acima da meta.
Nesse grupo tem
Colômbia, tem México, tem alguns
desenvolvidos e tem o Brasil, né? O
Brasil pega o choque pega o Brasil nessa
situação menos favorável, embora com uma
taxa de juro real elevada numa situação
de um ponto de partida mais desafiador.
Mais desafiador, tá? E isso faz com que
a política monetária tenha que reagir a
isso. Isso, o choque por si só nos
diversos países que nós analisamos já
levou a uma necessidade de uma revisão
para uma política monetária mais
restritiva. Até mesmo em alguns desses
países que eu disse que o ponto de
partida era mais benigno.
Para esses países numa situação mais
desafiadora,
essa restrição, essa mudança no cenário
de política monetária é mais
significativo. Brasil para para
encerrar, caminhava nas nossas projeções
para ter uma inflação na casa de 3 em
junho, de 3%, na meta. Agora, com esse
cenário, n nossas estimativas, deve
caminhar para quatro, talvez até um
pouco acima disso. Uma inflação no final
do ano que vai para 4,5,
5% ao redor desse patamar. Então isso
muda completamente o cenário na nossa
visão. Isso considerando essa hipótese
de que o petróleo volta de maneira
gradual pra política monetária. A taxa
de juros pode até ter alguma redução,
mas é provável que o Banco Central tenha
que daqui a pouco fazer uma pausa para
observar esses efeitos e aí lá na frente
poder retomar esse ciclo de
flexibilização, esse processo de
calibração. Talvez a calibração nunca
tenha sido tão bem servida nesse caso,
porque de fato é calibrar mesmo, porque
o espaço diminuiu de forma substancial.
>> Obrigado.
>> Obrigado, Aurélio. Daniel,
você na sequência,
>> eu podia só assinar embaixo tudo que o
Aurélio falou.
>> Então vamos passar. Claro.
>> Mas bom, queria agradecer primeiro aos
diretores, ao presidente pelo pelo
evento. Eh, a gente como top five de
SELIC, né? Então ten que falar na minha
equipe porque a SELIC é uma, né, o call
de SELIC é uma construção de, enfim,
call de atividade, inflação
internacional e tal. Então, queria
agradecer toda a equipe lá da da Safra
Asset, que que ajudou eh a a curarça das
projeções, tá? Assim, eu concordo muito
com o que o Aurélio falou.
Eh, assim, dado que tá assim em moda
falar de do choque, né, de de oferta,
né, e o próprio presidente Galipo tem
falado das naciona internacional, tem
nos brindado com diversos choques de
oferta aí consecutivos,
mas eu gosto de lembrar também que a
gente teve um choque de oferta positivo,
né, ano passado, né, então assim, o
preço do petróleo veio caindo, vai desde
meados de 24, né, que tava lá 80, 90,
ele veio caindo até bater 60 ali no, né,
no começo desse ano, né? Então, até tava
vendo o RPM de vocês, a decomposição lá
da inflação do ano passado, né? Tem lá
inflação eh eh externa, né? e e o e o
petróleo sendo como principal
contribuinte aí para essa parte, né, que
detrator de inflação o ano passado. E
além do, né, do do, enfim, da melhora
dos preços de petróleo que a gente veio,
que a gente viu até então e agora a
gente tá vendo uma reversão forte, a
gente também teve um outro choque de
oferta que seria, né, essa guerra
comercial americana que gerou um grande
dólar fraco, né, que a gente pode ser
considerado também um choque de oferta,
né, positivo pra gente,
desinflacionário, que junto também com
uma ampla oferta de eh bens industriais
chineses, mais baratos também
decorrência dessa guerra comercial
ajudou em muito a inflação, né? Então a
gente tava, como a falou, né? A gente
tava caminhando para uma inflação muito
baixa esse ano, em grande medida por
isso, né? Até porque se você abrir eh a
surpresa do Focus, né? O que que é
assim? O Focus foi muito bem em prever a
a inflação de serviços, né? Ela foi 6%,
ele ficou sempre prevendo 6%, mas errou
muito, assim como eu errei muito o IPCA
cheio, né? E aí quando você pega onde
foi foi a parte de alimentação. A gente
teve um outro choque de oferta positivo
que foi a super safra, né? Mas essa esse
doméstico. Então a gente teve uma uma
conjunção de de choques que ajudaram,
né, a postura eh restritiva e
conservadora do Banco Central que ele
teve ao longo do ano passado inteiro,
né? Então acho que eh então essa essa e
e essa queda da inflação cheia por esses
motivos, né, grande parte por conta do
cenário internacional e por por causa de
alimentação, né, te ajudou a reancorar
ou pelo menos reenancorar parcialmente a
as as expectativas, né? Então ajudou
bastante o processo e agora a gente tem
um choque negativo que te joga pro outro
lado, né? Então é assim, eu chamo
atenção que nosso ganho de inflação pode
ter sido relativamente frágil por ter
sido mais baseado em efeitos externos e
alheios à política monetária do que de
fato a um grande reequilíbrio, né, da
economia doméstica, né? E aí indo para
um ponto que o que o Aurélio fez, eu
acho que assim, eu eu sou muito contra,
né, o a gente ficar olhando assim, qual
que é o qual que é o pá petróleo 70 no
final do ano vai acontecer X com a
CELIC? Se for 90 vai ser tanto. Mesma
coisa pro câmbio, né? O mercado tende a
tentar fazer essas regrinhas aí mais
simplísticas e o modelo do BC, né? Via
para caramba com isso. Mas o que eu acho
importante é assim, é em qual o estado
que esse choque agora negativo, né, vai
nos pegar, né? é uma economia que já
está reequilibrada, é uma taxa de
desemprego que já está no seu na Nairu,
assim e e me parece que ainda não, né?
Então, eh, eu acho que é exatamente isso
que o que o mercado tá fazendo, assim,
olhando, né, o estado inicial das
economias frente ao choque. Se você
olhasse só a taxa de juros, você ia
falar: "Pô, o Brasil tá muito bem
posicionado". Mas se você olhar outras
variáveis aí eh econômicas, né? E aí
concordo com a parte das expectativas e
mercado de trabalho e ato, etc. Não
poderia deixar de falar de ato, né? Eu
vi que vocês me botaram no Internacional
para eu tentar não polemizar
[limpando a garganta] nesse nesse
assunto, mas eu acho é é muito
relevante. Então assim, acho que o o o
trabalho aqui é entender como que os
choques de oferta vão impactar, vão
atingir a economia, se ela está num
nível equilibrado ou não. E eu acho que
ela ainda não está, né? Então isso que
me preocupa. E se eu fosse chutar por
que 2028 começou a andar? Acho que seria
isso. Assim, se você tem um choque de de
oferta que a gente não sabe o tamanho
dele nem a duração, mas a gente sabe que
ele vai acontecer, né? Essa volta acho
que é innegável que o petróleo no final
do ano vai est mais baixo, vai est mais
alto do que tava no começo desse ano,
né? Essa volta lenta. Eh, pegando uma
economia com uma taxa de desemprego que
a gente nunca viu, né? Super baixa e
tal. Isso daí acho que gera eh eh acho
que uma apreensão no mercado sobre
efeitos secundários mais longos,
principalmente quando isso pega já num
meio de um ciclo de calibragem, né, de
eh eh de política monetária, né? Então
acho que eh saúdo, né, a última fala do
do presidente Galipolo, né, mostrando
acho que um uma alguma parcimônia e e eu
acho que um conservadorismo, né, de
entender esse choque, né, de fato, a
gente não sabe para onde vai o preço do
petróleo amanhã, mas acho que mais do
que isso é entender o ponto inicial que
as economias estão sendo atingidas e no
nosso caso, eh, enfim, acho que ainda
tem um um trabalho por, por fazer, tá?
Minha parte é isso. Obrigado,
>> Daniel. Flávio, por favor.
Vamos lá. [limpando a garganta] Também
daqui todo mundo falando, não precisaria
nem acrescentar muita coisa, né? Só
primeiramente agradecer ao evento do
Banco Central em nome do BMG aqui
recebendo os certificados, ainda mais
das mãos do meu professor de economia,
né? Assim como muitos aqui, o Daniel,
acho que o Everton, muitas pessoas
passaram pro professor Paulo, né? Então,
eh, vindo assim um pouco de pegando um
pouco do que tudo que foi falado, né?
pra gente sintetizar. Concordo um pouco
que esse cenário a gente naturalmente
enxerga um pouco um choque de oferta.
Então a gente pensa o mais provável é o
Banco Central passar olhar através, né?
Tentar tirar essas fundações de curto
prazo e ver que que vai ser o efeito
final. Infelizmente a gente tá num
ambiente de mais volatilidade e aí o que
vai acontecer com o preço do petróleo?
Quanto tempo vai demorar? Se ele vai
voltar ou não, quanto tempo vai levar
para voltar, vai implicar realmente nos
resultados finais eh desse processo, né?
Então o que que a gente vamos pegar um
pouquinho o que que tava acontecendo
antes, que que pode acontecer agora, né?
Parecia que os o Fed ficaria parado para
um ou dois cortes eventualmente. Europa
enfrentando situação um pouco mais
complicada de crescimento e ela acho que
sofre também um pouco mais com esse
choque, assim como a Ásia foi
mencionado. Então Ásia e Europa sofrem
mais. A gente vê uma mudança importante
de especificação de juros pros bancos
centrais, pro Banco Central Europeu
especialmente, né? Então era uma pequena
queda, agora uma pequena alta e a gente
corre um pouco o risco de ter no no
momento um choque juros mais altos no
curto prazo e uma desaceleração mais
forte na frente, seja pelo juro, seja
pelo efeito de eh condições financeiras
mais apertadas, né? petróleo acaba
produzindo isso também e não seria na
assim impossível a gente pensar depois
numa desaceleração mais forte, mais eh
sincronizada do mundo e como
consequência os bancos centrais reagindo
num segundo momento com cortes mais
expressivos, né? Acho que pra gente
mudar um pouquinho assim só aqui a parte
de tirar um pouco também o curto prazo e
pensar um pouco no que acontece, a gente
tem vivido choques super importantes nos
últimos anos, né? a gente teve 2020 a
pandemia, depois 22 a guerra na Ucrânia,
a gente teve eh
recentemente aqui a guerra também que
afeta, né, os preços do petróleo e a
guerra comercial. Então a gente vai indo
para um cenário em que a gente já
começou reações eh mudanças importantes
na economia em função desses choques
relevantes, né? Então, mudanças do
mercado de trabalho, queda de taxa de
participação. Então, a gente fica com
mais dúvidas em relação o que que é a
taxa de desemprego que não inflaciona a
economia. uma uma um cenário de eh near
shoring, friendly shoring, estão
tentando buscar novos parceiros e, na
verdade, talvez um movimento de menor
globalização, né, os países voltando a
se defender um pouco mais, o que gera
então aumentos de custos, provavelmente.
Então, eh, enfim, um cenário que vai,
quando a gente vai olhando pra frente, é
muito louco, porque você tem talvez
juros mais altos no curto prazo,
eventualmente juros mais baixos num
período subsequente, mas estruturalmente
em função de todo aumento da dívida,
aumento dos custos de produção
eventualmente, né? Claro que tem aí que
fica uma coisa muito mais incerta, né?
Mas todo esse cenário que eventualmente
vai demandar ou a gente vai viver, na
verdade, conviver com taxas de juros
mais longas no horizonte mais longo. E
aí assim todas essas essas esses choques
que a gente viveu, eles acabam de alguma
maneira produzindo, né, mudanças, como
eu acabei de mencionar. Eventualmente a
gente vai ver uma corrida mais intensa
também por fontes alternativas de de eh
energia, né? A gente vai, isso já tá
acontecendo, tá em curso, talvez Europa
um pouco na frente, a gente, né? tenho
uma vantagem competitiva muito grande
nesse sentido em que energia hidráulica
mais barata, mais eficiente, a gente tem
sol, a gente tem vento e a gente tem
biocombustível, né? Então, tanto etanol
quanto biodiesel, a gente tá bem à
frente aí de muitos países nisso. Eh, a
gente tem aquelas a questão da briga
entre açúcar versus etanal, o que que a
gente exporta, o que que a gente não
exporta, mas eu acho que nesses próximos
anos, talvez a gente possa ter uma
janela interessante para que a gente
comece pensar também em produzir etanol
para exportar, né, e tentar cobrir parte
dessa dependência que a gente tem,
claro, química, plástico, essas coisas,
né? gente, o o petróleo sempre vai ser
importante, mas acho que a corrida por
fontes alternativas de energia nos
próximos anos, que deve se intensificar
por conta desses conflitos todos que a
gente vem vivendo,
desde 2020, né, acho que isso pode
acabar ajudando a gente num cenário
assim de médio prazo também, né? Então,
acho que o Brasil poderia sair muito bem
eh dessa situação se a gente souber
fazer as coisas, né? Então, acho que eu
não preciso acrescentar muito porque, de
fato acho que todo mundo cobriu muito
bem eh o que que a gente tá vivendo
agora, né? Então acho que m eh, só para
finalizar, né? Ambiente de muita
incerteza, acho que pro Banco Central
aqui ou para qualquer banco central, na
verdade, expectativa, né? Então a gente
vai tentar olhar através, mas continuar
expectativa,
eh, não tem muito jeito, vai ter que ou
parar ou eventualmente reagir. Isso vai
depender muito de cada ponto eh do ciclo
econômico que cada um dos países estará
ou está, né? É isso.
>> Obrigado, Flávio. A gente tem exatamente
5 minutos, então agradeço todo mundo
cumprir o prazo. Vou fazer uma pergunta,
aproveitando que vocês estão aqui, tá
falando de cenário internacional, uma
pergunta que a gente não tem no Focus,
uma pergunta muito objetiva, que daí
todo mundo respondendo não vai estourar
os 5 minutos, né? de tudo que vocês
estão vendo eh em relação ataque
autonomia do Fed, o novo desafio que tem
agora com esse choque, qual a
expectativa que vocês têm pro, eh, pra
política monetária até o fim do ano do
Fed?
Vamos lá, então. Vou começar já que eu
terminei.
>> Isso.
>> Começa daqui. A gente vai ao contrário.
Eh, manutenção. Acho que o cenário agora
fica paraa manutenção da taxa básica de
uso do Fed, com esse risco de num
eventual, né, na extensão dos efeitos
do que a gente tá vivendo. E então,
portanto, um impacto mais significativo
sobre a atividade econômica,
eventualmente um 2027 com juros pouco
mais baixos, né? Então ele ficaria
parado por mais tempo e depois e bom de
novo tudo vai depender de como vai
voltar o preço do petróleo, né? Esse
quanto o choque mais curto possível,
menor o estrago nessa nesse cenário, né?
Então acho que isso é importante para,
enfim, determinar o que que vai acabar
acontecendo com a política monetarela.
Mas é isso,
>> obrigado, Daniel.
a gente também considera que eles não
vão cortar mais os juros, mesmo com a
mudança de, né, na presidência do Fed, a
gente acredita que, enfim, o cenário
inflacionário piorando vai ser um
limitador a a qualquer vontade que que
exista, né, pré acho que vocês mais do
que todo mundo sabem quando senta aqui,
né?
Ah, acho que o o
acho que por mais que acho que exista
essa indicação que ele teria eh dado
esperanças ao ao presidente Trump que
poderia cortar, eu acho que o cenário
mudou muito e isso não vai acontecer.
Então, a gente trabalha manutenção na
taxa de juros até o final do ano.
>> Beleza, Aurélio?
eh manutenção e Estados Unidos, um caso
que teve uma mudança significativa do
cenário de de política monetária.
Estados Unidos tá ali no grupo junto com
a gente, ponto de partida de inflação
mais alta, eh ancoragem melhor, mas o
ponto de partida pro caso dos Estados
Unidos era ruim também.
antes do choque, se a gente pegasse uma
regra de Taylor simples e colocasse o
cenário para setembro, esperado paraos
Estados Unidos, passando o efeito do
choque de tarifas na inflação de bens e
o trend de queda da inflação de serviço,
uma regra simples de política monetária,
juro tem que est 3. Não há razão para
ter política monetária restritiva nos
Estados Unidos, não haveria lá em
setembro. Aí somava-se a isso, um banco
central que com viés de acomodar um
pouco mais, você tem margem 2,5 3, esse
juro era para baixo, provavelmente com
quedas significativas de juros esse ano
nos Estados Unidos em relação ao que o
mercado tinha e que teria um impacto no
dólar bem relevante, bem relevante. Isso
mudou de forma substancial. pega esse
mesmo exercício, joga numa regra de
Taylor, o que deve evoluir inflação,
mesmo olhando o core que filtra bem esse
efeito, não tem espaço para queda de
juros, não tem espaço. Versos há dois
meses atrás que dava uma estimativa de
de regra de política monetária que a
taxa de juros deveria estar exatamente
onde ela tá hoje. O quadro já
incorporando algum efeito do choque já
dá que deveria estar 4 e pouco, 4,30,
4:25. O Fed vai subir? Não, porque uma
parte desse choque passa, você olha um
pouco mais paraa frente, permite que a
taxa fique no no patamar atual, mas a
mudança foi substancial, eliminou um
espaço enorme que havia para queda de
juros dos Estados Unidos. Esse esse
choque que já ocorreu, dado ponto de
partida da economia norte-americana.
>> Vamos caminhando para um consenso na
mesa. Vamos ver. Ariane,
>> eu vou corroborar com o consenso, eh, e
vou pegar a linha do Aurélio para dizer
que antes do conflito a gente tinha um
PI ali que já mostrava, né, na última
medição, antes, eh, do conflito, ah, o
núcleo de serviços ainda estava em torno
de 3%, bem apertado. Eh, e tudo que a
gente tinha de possibilidade de impacto
não aliviava esse núcleo, né? CPI
[roncando] na mesma linha, mostrando ali
uma desaceleração bem gradual. E como no
nosso cenário base a gente também tem
uma desaceleração bem gradual da
atividade, eh, não só Estados Unidos,
mas Europa, a gente ainda tem, acredito,
em alguns resquícios, principalmente de
impulso fiscal ali, né, dado o tamanho
do problema que agora eles têm também lá
fora e que precisa gerir, a gente teria
repasses ainda que pressionam essa
inflação. Imagina com adicional do do
conflito, né, o que que tinha. Mas eh
antes a gente ainda trabalhava no melhor
cenário com uma possibilidade de um
corte apenas em 2026.
Agora com o advento do conflito, a gente
segue com a manutenção.
>> Obrigado, Adriano. Você fechando.
>> Bom, para fechar aqui também sem sem
divergência, a visão bem parecida com
com a do Aurélio. Eh, Estados Unidos
fica sem espaço de corte, mas também
achamos muito difícil que tenha alguma
elevação de de juros para esse ano. A
discussão antes era de fato de queda, qu
seria o espaço de de corte que teria
antes ah sair desse desse cenário de de
espaço de corte e para para um cenário
de alta. Acho que a gente ainda tá bem
distante disso, então a gente fica com
com manutenção aqui até o final do ano.
>> Obrigado. Vou terminar essa mesa de
novo, parabenizando e agradecendo todo
mundo pelo debate.
E sem mais, vou passar pro Henrique que
a gente vai passar agora do cenário
externo pro cenário doméstico na segunda
mesa. Perfeito.
>> Agradecemos aos premiados da primeira
mesa, a quem convidamos a ocupar seus
lugares na plateia.
>> [limpando a garganta]
>> Não tinha essa aqui. Tinha.
A segunda mesa de hoje debaterá o
cenário doméstico e será presidida pelo
diretor de política monetária, Nilton
Davi, que fará a entrega dos
certificados para os debatedores.
Para compor a mesa, convidamos André
Nunes de Nunes, representando o Banco
Sicred, que recebe o certificado top
five fiscal, sexta, longo prazo, ano
corrente.
Gilberto Borsa, representando o BNDS,
que recebe os certificados Top Five,
IPCA, médio prazo anual, IPCA sexta,
médio prazo anual e PIB total médio
prazo anual.
[aplausos]
Luís Otávio de Souza Leal, representando
a G5 Partners, que recebe o certificado
Top PIB total, longo prazo ano corrente.
Nelson Rocha Augusto, representando o
banco BRP, que recebe o certificado Top
PCA, longo prazo, ano corrente.
e Víor Vidal, representando a Víor Vidal
Consulting, que recebe os certificados
Top, taxa de desocupação médio prazo
anual e taxa de desocupação longo prazo
ano corrente.
Diretor Newton, por favor, a palavra é
sua.
>> Obrigado. Bom, bom dia mais uma vez.
Parabéns aqui a aos membros da mesa.
Teve vários vários enelopes aqui. Muito
legal. H, dando sequência eh, aqui sobre
sobre isso, eh, gera de de saber de
vocês aqui, eh, especialmente na parte
do mercado de trabalho, que é, né, que a
gente vem comentando bastante, que
demanda mais estudos, devotando tempo de
estudos. E
queria começar perguntando aqui como
vocês estão montando o quebra-cabeça
desse mercado quando a taxa de
desocupação tá na mínima histórica, eh
bem abaixo da estimativa de equilíbrio
não inflacionário que a gente imaginava,
eh mesmo com política monetária
contraionista, rendimento real em nível
recorde, também conjugado com o
endividamento das famílias também
recorde e crescimento no nível de
formalização da economia com pequeno
impacto em termos da produtividade. Como
vocês equacionam isso?
Eh, começamos, começamos pro lado de lá
agora, Víor, que que é a sua área aí?
Desligguei. Tá correto. Bom dia. Eh,
obrigado pelo convite. Eh, para mim é
uma honra estar aqui diante do BC
conquistando esse prêmio diante de
tantos bontos economistas que estão na
plateia e também falar para uma plateia,
para uma audiência um pouco mais ampla
eh do que a gente imagina. eh tentar
expor minha cabeça um pouco sobre o
mercado de trabalho, eh, e justificar um
pouco o esse prêmio. Eu acho que desde
2022,
a visão que eu tenho pra economia
brasileira, ela passa por uma
transformação estrutural significativa e
muito lenta, a ponto da gente estar
vivendo ela e não tá reconhecendo o que
se passa diante do que aconteceu,
digamos, nos últimos 15 anos.
Quando falo dos últimos 15 anos, eu tô
comentando aqui principalmente a
recessão ali de 15, 16, mas mais ainda a
pandemia.
Eh, muita parte da cabeça que eu tenho
para mercado de trabalho no Brasil passa
por uma
redução drástica do que a gente via da
eficiência da política monetária batendo
naqueles setores mais cíclicos,
principalmente na indústria.
E a gente indo migrando agora nos
últimos, digamos, nos últimos 8 anos
para uma economia muito mais intensíveis
em serviços, em que você tem junto com
essa rearranjo da economia de 15, 16 e
da pandemia de 2021, eh, a base da
pirâmide entrando no mercado de trabalho
de uma forma mais fácil do que foi no
passado. Então, quando eu tenho um
modelo de equilíbrio geral pro Brasil e
olho o que que seria a taxa de juros
neutra, claramente a gente tá muito
abaixo. 5% de desemprego com taxa de
celica 15, eh, juros reais de 10,
realmente é algo surpreendente. Mas
quando você tenta botar algum nível de
heterogeneidade entre
esses trabalhadores, principalmente da
da mediana de salários para baixo no
Brasil, a toda essa esse essa força de
trabalho que entrou na economia gig, uso
de aplicativos e mais ainda com o
rearranjo da transição de forma de
circular moeda na informalidade
brasileira. E aí eu tenho que dar o
parabéns ao Pix. O Pixel exerceu um
poder extraordinário sobre a base da
pirâmide no mercado de trabalho
brasileiro. Hoje é muito difícil a quem
quer trabalhar ficar parado totalmente.
A gente, claro, tem essa dinâmica
brasileira que é muito parecida com
outros países emergentes de
transferência.
a gente tem essa dificuldade de entender
por esse chift para baixo da da taxa de
participação, mas mesmo assim olhando um
nível de ocupação, a gente fala assim, a
gente aconteceu alguma coisa no Brasil e
passa por esses dois desarranjos da
economia que foram esses dois períodos
que eu mencionei. Para provar que eu não
estou louco e acho que tem um pouco de
evidência empírica nos dados da PINAD, é
simplesmente fazer uma conta simples,
pegando os microdados da PINAD e ver o
que que aconteceu com o custo de um
trabalhador da indústria brasileira de
2020 para cá, pós pandemia, você teve
uma onda de demissões, muita gente foi
mandada embora, a gente teve que reajar
a economia. A partir daquele momento,
você vê, opa, aconteceu alguma coisa
aqui que já vinha acontecendo nos anos
de 17, 18, 19, que mudou a dinâmica de
mercado brasileiro, que não é comparável
do que foi, por exemplo, entre 2000 e
2010.
Então isso foi o um pouco da hipótese,
porque aqui a gente tá discutindo, por
exemplo, ah, quem acertou mais o taxa de
desemprego, a gente vai recebendo
informação, a gente vai adaptando a
nossa a o nosso forecasting, mas até eu
acho que muda de um para uma casa para
outra é a hipótese. A minha hipótese é
de que essa taxa de participação é o
novo normal do Brasil, de que a nossa
Nairu não tá próxima de sete e sim,
alguma coisa próxima de seis. Essa é a
minha cabeça hoje, porque eu tenho por
trás uma hipótese de que essa base da
pirâmide, ela vai conseguir ficar um
pouco mais com maior empregabilidade
do que a gente viu no passado em que
você tinha uma correlação mais forte dos
juros batendo no setor de serviços. Um
exercício simples, o IPIA dar esses
dados, vê a transformação industrial, a
transformação estrutural no Brasil da
década de 80 para cá, agricultura,
indústria e serviços. E mais, eu dizer
que eu acho que de 2024 para cá, e eu
sou um pouco produto disso, né? Tô
competindo aqui com grandes economistas,
com bancos, mas aqui numa consultoria de
duas, três pessoas, o uso intensivo da
minha produção é inteligência
artificial.
Eh, basicamente inteligência artificial.
E eu não sou uma novidade. Eu acho que a
gente vai viver a partir do momento em
para quem se qualificar, quem correr
atrás e não necessariamente pessoas
muito bem educadas. A gente tem que
botar componente de educação também
nessa conta de que você vai ter ali uma
possibilidade cada vez maior de alguém
tá podendo ter diante da métrica de
mercado de trabalho empregabilidade, de
conseguir empregar, conseguir produzir
alguma coisa.
Um trabalho muito bom do
Gabriel do Seia, eh, que utiliza os
dados de informalidade do Enciif do IBGE
de 2003, mas que é dá para enferir até
hoje de que até paraa estrutura atual
brasileira você tem uns informados que
querem continuar informais. Então assim,
você tem várias camadas de nuances de
heterogeneidade do trabalhador
brasileiro e você pega esses rearranjos
que houveram, aconteceram entre 15 e 16
agora em 2020, mas que explica um pouco.
Você vê, olha, a taxa de a taxa cíica tá
em 15, isso vai bater no crédito, vai
bater na atividade e consequentemente no
mercado de trabalho. numa economia tão
focada em serviços assim que você teve,
a gente comenta muito da transição
demográfica no mundo, né, e no Brasil é
muito rápido, mas a transição setorial,
né, essa transformação estrutural do
Brasil também foi muito forte nos
últimos 15 anos, eu diria, de 2010 para
cá. Isso importa, isso complica nossos
modelos. Acho que uma coisa que eu acho
que todo mundo brinca é: "Tá bom, e se o
mundo Brasil fosse criado de 2012 para
cá? E se fosse o Brasil de 2017 para cá?
E cada vez você vai fazendo esse shift,
seus modelos vão apontando para uma
Nauru um pouco mais baixa. Claro que
nossa Philips ainda não é uma Philips
americana, mas claramente a gente tem
uma inclinação um pouquinho mais
um pouquinho menos pior do que era no
passado. Porque alguém aqui dorme em
2021 e acorda em 2026, fala: "Olha, taxa
de desemprego no Brasil é cinco. Qual é
a sua inflação de serviços?" Acho que
todo mundo nessa plateia eu falaria
alguma coisa próximo de oito, nove e
não, né? Hoje tem temos uma taxa de
cinco, apesar dos juros reais. Então
assim, mudou a dinâmica. Eu acho que o
que vem por trás da minha cabeça corre
muito em cima dessas hipóteses. E a
minha preocupação hoje, mirando 27, eu
não sei se estarei aqui ano que vem pra
gente esse prêmio pensando na taxa de
desemprego do ano que vem, é de que com
o que a gente tá vendo paraa atividade
econômica, eu tenho, por exemplo, um PIB
de 1,5 para esse ano, eh, queda de
juros, né, não para níveis do Focus, um
pouquinho acima, mas um pouco de em
linha com o consenso do mercado. tem uma
taxa de desemprego que ainda é taxa sub.
Então assim, eh eh complicado eh
explicar isso para alguém que tá
acostumado, cara, isso não funciona pro
Brasil, que a gente conhecia até o
passado. É difícil. Então, a minha, o
que que eu posso explicitar e tentar eh
dizer o que tem por trás das minhas
projeções e pensar Brasil para mercado
de trabalho são as hipóteses. Eu acho
que essa de vento da inteligência
artificial vai ser cada vez mais
relevante e que essas mudanças
desde a reforma trabalhista, esses dois
arranjos de 15, 16 e pandemia para cá,
mudaram um pouco dessa relação eh entre
o trabalhador e o empregador e
principalmente o o cara que produz por
conta própria. Acho que é um pouco a
minha cabeça, eu não quero me estender
um pouco mais sobre o tema, senão
>> Obrigado, Víor. Nada.
>> Dando na sequência, Nelson, pode ser.
Obrigado.
>> Bom dia a todos. Também queria
parabenizar o Banco Central, não só pelo
trabalho do Fox, mas por todo o trabalho
eh fundamental paraa economia brasileira
e pra sociedade brasileira como todo.
Eh, em nome dos diretores presentes, eh,
o Paulo e o Newton, eu quero
cumprimentar a todos e agradecer
fortemente aqui pela organização desse
evento também, mas por todo o trabalho
dificílimo, extremamente relevante e e
aqui estando a a toda a equipe do do
Banco Central Brasileiro, que todos nós
sabemos o diferencial que tem o Banco
Central desta qualidade, dessa força,
dessa competência, dessa dedicação. e
etc. Não, não, não me sentiria bem de
não deixar isso muito claro num ambiente
tão complexo como que nós estamos
vivendo no Brasil hoje.
É, eu vou procurar falar coisas aqui um
pouquinho diferente e saindo um
pouquinho daquilo que a grande maioria
colocou até agora, pelo simples fato de
que nós temos um bom nível de
convergência
quando a gente olha os aspectos e ou
pelo menos do do ambiente de trabalho
nosso, dos economistas, né? Eh, quando a
gente observa os aspectos
macroeconômicos, sobretudo no foco da
inflação.
E no nosso caso aqui, a gente tem uma
força grande, a nossa premiação é essa,
né, para a inflação de médio e longo
prazo, que isso é a dedicação principal
eh que a gente atua e realmente bota uma
energia muito maior. Nosso banco é
pequeno, o nosso time é pequeno e a
gente foca muito nisso.
Quero dividir com vocês, por favor, eh
uma leitura bastante eh transparente com
relação a isso. E por conta desta
premiação, a gente acabou olhando,
fazendo um exercício, né, eh que nós
somos a instituição
que mais frequentou o top five desde que
o Fox começou na inflação de longo
prazo. Nas outras coisas não. De vez em
quando a gente vai bem, fomos bem no
câmbio, ficamos em segundo no ano
passado e tal. Não tô dizendo isso para
falar bem da instituição, muito pelo
contrário, isso seria absolutamente eh
não adequado e irrelevante, mas para
enaltecer esses outros aspectos que eu
quero destacar aqui para vocês de uma
maneira bastante breve, que eu acho que
pode ser útil eh pro debate como um
todo, as expectativas estão bastante
turvas, não tem como ser diferente.
Bolsonaro tá extremamente opaco, já
estava e piorou muito com o Advento da
Guerra. Sem a menor soma de dúvida, como
foi amplamente dito por todos os colegas
economistas aqui. Isso não tem novidade
e redundância nenhuma. Então o que que
nos cabe, né? obviamente observar tudo
isso, como foi muito amplamente falado,
por isso que eu não vou repetir, porque
eu acho que seria uma redundância, mas
olhar os aspectos estruturais
extremamente relevantes dentro do
processo de formação de preço e do
equilíbrio macroeconômico brasileiro,
né, naquilo que a gente consegue
enxergar como algo mais tangível, mais
palpável, em que a gente tem uma
hipótese de trabalho mais robusta com
relação a esse ponto. São poucas coisas,
mas são muito importantes e a gente
consegue enxergar elas de uma maneira
muito clara que eu quero dividir com
vocês. Claro, a gente pode estar errado,
mas a gente tem acertado bastante, por
isso que eu citei isso.
Uma delas é a questão da safra agrícola,
por exemplo, né? Nós tivemos uma safra
agrícola gigante no ano passado, tendo
tido em 2024 a maior seca de todos os
tempos no Brasil.
Estamos colhendo agora uma safra maior,
substantivamente maior do que a safra
gigante do ano passado. A primeira safra
já foi colhida e todo mundo sabe os
números e sabe a importância e o tamanho
dela. A segunda safra foi plantada e a
perspectiva climática
é extremamente positiva. Pode dar tudo
errado, amanhã pode ter um problemaço,
mas hoje é extremamente positivo pra
segunda safra. e sobretudo para as
culturas perenes e semiperenes.
Semiperene é principalmente cana de
açúcar. As perenes entra muito café,
laranja e e outros aspectos de dessa
história. Isso tá dado, né? Obviamente
você pode ter flutuações aqui, mas isso
tá bastante dado, né? Então isso vai
ajudar, sem dúvida nenhuma, o
comportamento dos preços, né, no no
próximo período ou nesse período que nós
estamos em curso.
Segunda coisa bastante importante, há
uma sobra de energia, de produção de
energia no Brasil inequívoca e
amplamente conhecida por tudo que
aconteceu dentro do setor, né? Isso
também não vai mudar, porque a gente não
tem uma atividade, não tem uma demanda,
não tem uma perspectiva de um consumo
extremamente significativo que consiga
efetivamente dar conta disso. Além do do
da solar, né, da da e da eólica, etc.
tal, fruto da própria serfa, tem a
questão da biomassa e etc e tal, que
incorpora dentro disso. E todos os
outros aspectos que estão por trás, que
a gente conhece bastante bem a matriz
energética brasileira. Isso também tende
a colaborar de uma maneira importante.
Tem uma série de questões estruturais
dentro desse segmento que a gente
conhece aí eh bastante bem, mas o fato,
objetivo é que você tenha uma sobra de
energia bastante relevante aqui dentro
da história. Um outro aspecto mais que o
diretor nos perguntou aqui hoje na do
mercado de trabalho, o Vítor falou
amplamente sobre isso, não tem o que
acrescentar, ao contrário, tem um nível
de convergência que ele falou bastante
grande, mas eu quero chamar a atenção de
um ponto que a mudança do imposto de
renda para quem ganha até R$ 5.000
gera uma atratividade para o emprego
formal que não foi medido e que nós
estamos pesquisando isso, perseguindo
isso e encontrando achados bastante
interessantes, porque o sujeito que
estava lá no Pix ou no aplicativo, etc.,
como o Víor citou, quando ele observa
porque não tem mais imposto até o nível
de renda que ele consegue receber, a
atratividade pro emprego formal muda
completamente. Então, uma questão de
postura, uma questão comportamental, né?
Todo mundo olha o a redução ou a isenção
até cinco, né, como um instrumento de
expansão de demanda. nós temos que
enxergar como instrumento de atração
para o mercado de trabalho daqueles que
não estão dentro do mercado de trabalho.
Portanto, aqui nós estamos um ponto
importante, diretor, que eh eu não
consegui medir. Eu tô chamando atenção
dos pontos que a gente tá estudando e
que a gente tá tentando medir, até
porque é um fenômeno extremamente eh
recente e difícil de ser de ser medido,
mas inequívocamente tem um efeito
relevante aí que a gente vai observar ao
longo do tempo. Outro aspecto muito
amplamente visto por nós e que a gente
conhece bastante, etc. e tal, né? E aí
tá discutido, mas não foi muito falado
aqui hoje de manhã na primeira parte,
por isso que eu tô colocando agora, é o
tamanho do grau de endividamento das
famílias e das empresas brasileiras com
essa taxa de juros real que nós tivemos
que praticar. Tivemos que praticar. Não
tem não, não, não, não. Aqui não, não,
não dá para para para ter dúvida com
relação a isso. No entanto, nós estamos
num situação agora que este cenário, ele
é, ao meu ver, com todo respeito, a a
todos que pensam diferentes, muito
francamente falando, tá certo? Quer
dizer, ele é muito mais oneroso do que
benéfico a partir do ponto do nível de
endividamento das empresas, das
famílias, etc. É, obviamente tem bancos
grandes que estão aqui, mas a gente
também tem um relacionamento porque o
nosso banco é pequeno, mas a gente tá
dentro de uma estrutura bastante robusta
com investimento direto na economia
real. Eu fui um dos suas fundadores da
20 Partners e a gente pertence a esse a
a essa estrutura, digamos assim.
É importante dizer isso porque os que
não sabem ou não me conhecem às vezes
não conseguem enxergar bem isso. Então
estamos olhando bastante de perto tá
acontecendo na economia real em vários
dos segmentos.
As vendas vão mal,
elas não estão bem.
Não adianta a gente enxergar e dizer o
seguinte: tem uma demanda extremamente
importante, robusta acontecendo aí
dentro. Quando você olha no detalhe
dentro de cada um dos principais setores
e de cada uma das principais empresas,
não é isso que você tá vendo. Ao
conversar com os CEOs dessas empresas, a
grande maioria dos setores da economia
real estão atrás do orçado no primeiro
trimestre desse ano. Bem atrás do
orçado, né? Alguns deles, as redes de
supermercados, atacarejos, etc. tal,
chegam atar 7 8 9% atrás do orçado. que
tem fenômenos de preço, tem fenômenos do
que estão acontecendo dentro desse
segmento de share, precisa de olhar isso
com bastante cautela, mas eu queria
dividir eh bastante isso eh com vocês
para para manifestar nos aspectos macro,
né? a gente tem obviamente um benefício
bastante grande, de um lado, como foi
amplamente falado, eh pela taxa de
câmbio, todos os efeitos que ela traz eh
do ponto de vista desinflacionário e
que, obviamente, na nossa percepção, não
há razão nenhuma para enxergar algo
diferente disso ao longo desse ano.
Muito pelo contrário, né? a gente tá com
um call bastante eh tranquilo com
relação a esse ponto aí que esse cenário
deve eh continuar.
Por último, a na verdade pro penúltimo,
mas é bem bem rápido pra gente não
estender muito no tempo aqui, tá? Eh,
dois aspectos mais bem bem rápidos, tá?
Quando nós estamos olhando a inflação de
médio e longo prazo, estará em
funcionamento no ano que vem já a
reforma tributária aprovada pelo Brasil
nos impostos sobre consumo. E obviamente
isto vai impactar nos preços de uma
maneira completamente diferente do que
todos nós estamos enxergando hoje. E é
preciso levar isso em consideração de
uma maneira eh muito importante, muito
robusta, né? E a economia política em
função da eleição, certamente não será a
que nós estamos enxergando hoje. É, a
gente não sabe qual qual será, mas a
gente sabe que será bastante diferente e
tem uma cara muito forte, sobretudo do
Senado, né? porque nós vamos trocar 2/3
do Senado esse ano. Você pode ter um
Senado bem mais conservador do ponto de
vista fiscal, porque todo a a discussão
da da eleição no Senado passa por um
aspecto de moralização, passa por um
aspecto de conservadorismo em função de
tudo que tá acontecendo na sociedade
brasileira. Desculpa me estender um
pouquinho, mas era o que eu tinha para
trazer de um pouquinho diferente da
questão da da das modelagens macro, que
obviamente a gente faz também, converge
com boa parte do que os colegas já
trouxeram.
>> Muito obrigado, Nelson. Eh, Luís Otávio,
eh, também acho que se pudesse se conter
5 minutos. Obrigado, Cláudo.
>> Bom, primeiro agradecer ao Banco Central
pela premiação e pelo pelo ótimo
trabalho feito com esse com focos, tá? E
agora com firmos também. que são
ferramentas importantes, tá, pra gente.
Eh, agradecer também a ao Pedro Crispim,
que não que não tá aqui, que trabalha
comigo. Nós somos dois na G5, então é
sempre é muito gratificante receber esse
prêmio eh de uma de uma variável tão
difícil de modelar como o PIB. Eh, e eu
vou, eh, tentando ser bem breve, eu vou
juntar dois, eu vou pegar uma peça do
Quebra-cabeças que o diretor Non Davi eh
eh questionou eh uma peça do do Víor e
colocar uma outra peça, tá? E eu não sei
eh honestamente como a gente pode vai
encaixar essas duas peças, tá? Então, o
Vittor trouxe eh uma questão muito
relevante, que é a questão do eh da
trabalhador por conta própria, tá? a
gente tem uma geração que valoriza a
liberdade, tá, de ter seu próprio tempo.
Eh, a gente tá vendo aí essas começou
com Uber, eh passou para outras
plataformas eh de entrega.
H, e essa, eh, essa mudança de paradigma
do mercado de trabalho brasileiro, eu
acho que é extremamente relevante,
porque antigamente ah as pessoas perdiam
emprego e viravam desempregados. Hoje em
dia as pessoas perdem emprego, vão virar
entregadores, vão fazer, vão trabalhar
por conta própria, tá? Então isso mudou
estruturalmente, eu acho, o mercado de
trabalho e fez com que o mercado de
trabalho, e aí lev pegando o gancho lá
do Vittor, tá? Eu acho que isso fez com
que o mercado de trabalho ficasse cada
vez mais eh resiliente à política
monetária, tá? Então, ah, uma um um
modelo que a gente tinha antes, que a
pessoa fica perdi o emprego, ficava
desempregado e com isso perdia a renda,
hoje em dia não existe mais, tá? Eh, a
segunda, e aí a minha minha peça nova,
né, nesse quebra-cabeças, é uma, a gente
pegou também os microdados da PINAD, eh,
e foi entender por que a taxa de
participação caiu tanto, eh, desde a
pandemia, tá? Eh, como o Víor chamou
atenção, a taxa de desemprego, se a
gente fosse eh normalizar pela taxa de
participação que tinha pré-pandemia,
devia tá mais próxima de 7% do que
desses 5% que a gente tem agora. Eh, e
por que que houve essa mudança, tá? a
gente pegou quais são as faixas de de
idade e em que ocorreram essas essa
saída de trabalhadores do mercado de
trabalho. E a gente pegou eh basicamente
é de 35 anos para baixo. Eh, e aí a
gente foi saber por eh que isso
aconteceu. Inclusive, eh, na parte de 60
Plus, eh, houve uma entrada líquida de
trabalhadores. Então, aquela hipótese de
que você teve uma aposentadoria precoce
por conta da pandemia e que isso fosse
uma um motivo paraa queda da taxa de
participação, não é corroborado pelos
dados dos microdados da PINADE contínua,
tá? Então, por que que aí a gente foi
ver por que essas pessoas 35 menos, eh,
foram as que saíram do mercado de
trabalho. E também no microdado da
PINADE, a gente vê eh tem uma, a gente
consegue saber o motivo pelo qual eles
saíram. Eh, e na parte mais jovem de 24
para baixo, basicamente foi eh o saíram
para estudar
eh e entre 24 e 35 anos saíram para
cuidar da família, cuidar de parentes,
cuidar de filhos, etc. Eh, o que
eh a gente concluiu disso, tá? é que a
gente tem um círculo virtuoso atualmente
na na no mercado de trabalho brasileiro,
em que o aumento da renda proporciona eh
aos aos familiares dessa que aumenta a
renda familiar, acaba propiciando para
que as pessoas mais novas continuem seus
estudos e e tenha mais tempo para cuidar
da família, tá? Eh, e aí é nesse ponto
que eu não sei onde encaixar as duas
peças.
Eh,
teoricamente,
se isso é verdade, a partir do momento
em que o mercado de trabalho começar a
piorar, pode ser que essa piora não seja
linear, tá? Você pode ter uma quebra
estrutural, eh, num momento em que essa
renda não seja mais suficiente para que
esse pessoa abaixo de 24 anos estude,
essa pessoa entre 24 e 35 anos e cuide
da casa. Eh,
>> e aí eh aí entra a peça do do Víor. Mas
será que essa pessoa que vai eh eh ela
vai voltar pro mercado de trabalho, ela
vai voltar pro mercado de trabalho, vai
voltar pro mercado de eh de informal,
tá? De qualquer maneira, eu acho que a
gente pode ver uma não linearidade
nessa piora do mercado de trabalho. O,
eu já tinha colocado essa essa
provocação numa reunião com o professor
Paulo Piquete e ele me me eh me provocou
para ver por faixa de renda. A gente não
conseguiu ainda fazer essa essa divisão,
mas a gente tá nesse nesse processo
também. Então, eu acho que é esse o é
esse o o a peça do quebra-cabeça que a
gente queria eh colocar, tá? Essa
questão de de que talvez não haja uma
linearidade na piora do mercado de
trabalho, porque a partir do momento que
essas pessoas voltam pro mercado de
trabalho, a taxa de participação eh
volta a crescer e a taxa de desemprego
volta a subir rapidamente, tá? Então era
isso. Obrigado.
>> Muito obrigado, Otávio. Muito obrigado.
Eh, passando aqui pro triplo premiado
Gilberto.
>> Bom dia, gente. Eh,
no primeiro lugar, dizer que é uma
satisfação grande aqui eh a gente tá
participando da premiação, eh eh
representando o BNDS, particularmente
Departamento de Pesquisa do BNDS. eh
acho que vem coroando aí uma uma
parceria já de longa data aí nas
projeções, enfim, com com o Banco
Central. Segundo agradecer eh minha
equipe, né, a Letícia e Maurício, que
estão aqui comigo, assim, sem sem o
trabalho deles, obviamente isso não
seria possível.
Eh, como eh o tema era cenário
doméstico,
eh eu não vou me furtar a responder as
coisas sobre mercado de trabalho, mas a
minha ideia aqui era tentar sistematizar
eh de alguma forma os efeitos do cenário
domé do do cenário externo no cenário
doméstico, né? Eh, acho que eh se há 45
dias atrás a a cabeça média de 9 entre
10 economistas eh tava mais ou menos bem
delineado, né? uma atividade eh em
moderação, eh uma inflação eh eh que
teria um um meio de ano bem bem próximo
ali dos 3% de meta, um fechamento de ano
abaixo de 4% e um ciclo de queda de
juros ali em torno dos 300 bases. Acho
que essa era a cabeça mais geral eh eh
de todos. Eh PIB pode ser um pouquinho
para mais, um pouquinho para menos, o
ciclo de juros pode ser de 300 ou 275.
Enfim, acho que o cenário ele era mais
ou menos convergente. Aí vem vem o
conflito, o choque e a a alta do do
preço do petróleo, né? E isso balança um
pouco o coreta. Então assim, a nossa
cabeça, né? Como é que isso se transmite
pra economia brasileira? Quais são os
canais de transmissão? Então, pensando
rapidamente e de modo não tão
sofisticado, eh a gente enxerga assim
quatro canais de transmissão eh mais e
eh intensos e e visíveis, né? Um acho
que é a balança comercial, né? Os dados
de ontem já mostram isso, né? O Brasil é
é exportador líquido de petróleo
derivados, obviamente, né? é eh
exportador líquido de petróleo bruto e
óleo combustível e é deficitário nos nos
eh nos derivados mais finos, né? Mas de
toda maneira o o net ele é positivo, né?
Então esse é um efeito claro que eh
afeta a economia. O segundo efeito eh e
aí já vai mais para uma questão de de
hipólice, é o efeito sobre arrecadação
federal, né? o petróleo eh vem sendo eh
sistematicamente uma força eh eh que
aumenta a arrecadação no Brasil, né? Boa
parte eh dessas receitas são repartidas
com com estados e municípios, mas com
hipóteses razoáveis de branch a 100,
câmbio, 520, 5:15. A arrecadação federal
eh ela é ela vai ter um incremento
significativo
de modo que o governo possa ter margem
de manobra para as medidas que foram
tomadas de subvenção,
com até com algum espaço para eh medidas
adicionais a partir também da introdução
do do imposto de exportação, né?
Eh, então na nossa visão, assim, eh, a
arrecadação tem um sinal positivo. Eh, o
governo tem margem de manobra para as
políticas de subvenção e isso eh a
depender da do do período de tempo, seis
6 meses, 8 meses até o fim do ano, eu
acho que isso eh ainda tende a
contribuir marginalmente pra meta pra
meta fiscal do governo. Eh, o terceiro
canal é o canal inflacion, né? É o mais
eh claro assim, né? é um um choque de
ofertas, já falaram, a inflação de curto
prazo, ela vai ser mais alta, né? Então,
se a gente estimava a há um mês atrás
uma inflação, talvez ali de 4,2 no no
fim de ano, fazendo alguns exercícios, a
gente pode enxergar uma inflação ali de
5,5 a partir eh tomando como hipótese
nenhum tipo de reação do governo, mas
reações essas que já aconteceram, né?
Então, eh mais ou menos isso que eh eh
versava a nossa cabeça. E por fim, o
impacto na atividade.
Se por um lado sobre arrecadação, sobre
a balança comercial
e a inflação, eles são bem definidos,
acho que so sobre a atividade ele é
menos claro, né? Se por um lado as
exportações são estimuladas e e o quânum
de petróleo vem subindo muito, isso
tende a a elevar o PIB, uma inflação
maior de curto prazo, eh, tende a a
arrefecer um pouco a renda disponível
das famílias, já com excesso de de
endividamento. Isso pode, eh, afetar um
pouco o consumo e e afetar o PIB, né?
Então, esses efeitos são ambíguos.
Se o conflito eh for eh relativamente
curto, 3 4 meses, eu acho que iso ser
mais ou menos neutro do ponto de vista
da atividade, se ele se estender um
pouco mais, eu acho que ele é ele é ser
marginalmente eh negativo para pra
atividade. Acho que esses são os quatro
canais de transmissão mais visíveis e
diretos que a gente pode enxergar. e
sobre mercado de trabalho, né? Eh, é
difícil eh discordar do do Vidal, né?
Dado a a precisão com que ele olha esse
esse esses números. Eu quero trazer
assim coisas mais simples, né? Na minha
visão, eh o mercado de trabalho ele ele
é legging, né? ele é endógeno ao que
acontece a atividade. E a gente não pode
esquecer que ao longo dos últimos 2
anos, 2 anos e meio, até um pouco mais
de tempo, a gente teve surpresas
positivas com o livro de atividade. Isso
se reflete marginalmente, ou não tão
marginalmente assim, em termos de de
mercado de trabalho, né? Então, essas
essas surpresas conjunturais, eu acho
que jogam um papel importante, sem eh
abrir mão das mudanças estruturais que
os colegas eh aqui já colocaram, tá? E
que eu encerro participação e agradeço a
todos.
>> Muito obrigado, Gilberto. André
derradeiro. Vamos lá. Obrigado.
>> Valeu. Obrigado. Bom dia a todos. Quero
agradecer pro o Banco Central pela
premiação, dizer que esse a gente
conseguir esse primeiro lugar aí é
resultado do time de trabalho do time de
análise econômica do CCR, do time de dos
times lá de tesouraria também que dão
todo o apoio, o apoio pra gente. Eu acho
que faz, pelo menos pelo que eu vi numa
uma busca rápida ali, faz mais de 15
anos que se créd aparece com frequência
nesses nesses rankings. Então, é uma
busca, resultado, uma busca incessante
por melhora de processo que a gente tem,
faz com que a gente tenha sempre a
capacidade de tá provendo ali eh boas
projeções.
Olhando pro pro pra questão da mesa, né,
pro pro cenário, eu acho que é é super
importante a gente e nas discussões
surge muito que a gente faz lá dentro eh
essa divisão do que que é cíclico e do
que que é estrutural. Eu acho que por
vezes o debate todo ele tá correto, mas
ele acaba misturando um pouco o que que
é um movimento estrutural da economia
brasileira, que talvez muito
provavelmente se acentuou após eh a
pandemia com a digitalização da
economia, com o crescimento do setor de
serviços. Eu acho que isso não tenho não
tenho dúvida que isso tem um impacto
muito grande de trazer a Nair um pouco
para baixo. Feito da reforma trabalhista
também deu uma deu uma maior fluidez no
mercado de trabalho, diminuiu eh o custo
de empregar, né, o o aquele custo
intangível ou incalculável por parte do
empresário, né, para fazer qualquer
contratação. Isso deu dinâmica pro
mercado de trabalho. ainda no campo
estrutural, a gente vê uma mudança
demográfica e aí muito por conta talvez
de uma uma desaceleração ali do
crescimento
eh da oferta de trabalho. Então acho que
a gente já começa a sofrer um pouco
desses um pouco desses efeitos. Mas tem
também uma outra uma outra componente
que ela é que ela é cíclica. Eu acho que
esse o Gilberto trouxe aqui um pouco
isso no final. a gente vem surpreendendo
eh em termos de crescimento. E eu me
lembro muito de um de um texto para
discussão do Banco Central lá do do
Sérgio Afonso e do Arnildo lá de 2013,
que era o conto de 13 atos, que ele
falava do iato do emprego, da utilização
da capacidade instalada e do iato do
produto. Eu acho que de certa forma em
termos de cíclico, em termos de análise
cíclica, a gente tá revivendo um pouco o
que aconteceu lá naquele período que
eles analisaram. né, que a economia
brasileira também crescia bastante,
também crescia o setor inflação de setor
de serviços mais alta, desemprego um
pouco um pouco mais baixo, aumento de
gastos sociais também tem acaba tendo um
pouco de impacto ali dentro do da
dinâmica do mercado do mercado de
trabalho. E o que a gente vê é bastante
essa dicotomia. Quando eu olho paraa
indústria, quando eu olho algum para
alguns segmentos do varejo da indústria,
a gente vê eh eh de serviços, a gente vê
ali uma ociosidade crescendo. Acho que
alguém na mesa comentou isso, né? Como o
realizado esse ano tá vindo abaixo do
que foi orçado. Isso a gente também vê
em diversos setores, conversas que a
gente tem lá com associados. Eh, mas
quando olha ali pra dinâmica para um
outro eato que é importante, que é oato
do mercado de trabalho, esse continua
bastante apertado. E eu e isso é meio
histórico. Quando a gente pega a média
de inflação de serviços da economia
brasileira, ela roda eh acima da média
de inflação do do de bens dos outros dos
administrados. Então ela tende eh a
puxar um pouco para cima e quando a
gente começa a crescer um pouco mais,
inflação de serviços tende a apertar um
pouco um pouco mais de força. Eu acho
que esse é um grande grande problema.
Ele se agrava quando a gente tem, por
exemplo, né, reindexação de salário
mínimo. Isso foi uma coisa que também a
gente fez nos últimos anos. Isso acaba
tendo impacto ali sobre eh sobre
salários, aquece um pouco, né, o o a
inflação, a inflação de serviços. Mas o
que a gente vê fundamentalmente é um
pouco dessas duas coisas. uma economia
que cresce um pouco mais e junto disso
uma uma mudança ali estrutural que eu
acho que é que é super importante dessa
economia informal, mas que consegue ter
ali competir muito com a economia com a
economia formal. Esse é um é um ponto
super importante, mas não não acho que
não dá pra gente eh esconder que tem ali
um efeito crowding out também de setor
público, de mais gasto. Eh, isso tem
também tem tido um efeito bastante
importante no mercado de trabalho e que
por fim é um desafio para para tem sido
um desafio tanto para projetar atividade
quanto para projetar eh quanto para
projetar inflação, inflação de serviços
então sempre mais alta. agora com um
choque, né, de energia, vai fazer com
que ela se aproxime do teto da meta, de
repente até passe um pouco disso. Isso
acaba sendo também ali um desafio pro
cenário no ano. Também quero eh eh
chamar a atenção ainda para essa
dicotomia, né, para esse movimento
cíclico, como eh quando a gente separa,
né, e o Banco Central fez isso em alguns
relatórios de política monetária, que é
separar o PIB cíclico do não cíclico. E
aí também tem a ideia lá do do do de
como agroextrativa
e teve um impacto positivo no ano
passado. A gente gerou grande parte do
crescimento vindo desses setores,
enquanto quando a gente olha desde o
segundo trimestre, desde abril de 25, a
gente teve um resultado ali do PIB mais
cíclico, já eh refletindo bastante ali o
impacto de política monetária ou
perdendo um pouco de um pouco de força,
né? O que a gente vai ver esse ano
talvez seja um pouco de certa forma uma
repetição disso. A gente vai ter ali o
PIB não cíclico agora por conta desse,
né,essa parte extrativa ali pode dar uma
pode dar uma uma reavivada. Safra também
tende a est positiva ali em termos de de
quantidade produzida. Isso também tende
a ter um impacto positivo,
principalmente no primeiro no primeiro
trimestre. E aí fica aquela dúvida, né,
o o qual é o efeito do da parte cíclica.
A gente teve uma desaceleração de
consumo no segundo semestre do ano
passado, mas a gente tem medidas ali de
redução de imposto de renda, o mercado
renda que continua crescendo, mas mesmo
isso acontecendo no ano passado e não
foi suficiente, né, para eh para
segurar. Então, a gente vai ter uma
desaceleração e eu acho que o grande o
grande ponto de interrogação eh pra
gente esse ano vai ser entender um pouco
essa dinâmica aí do PIB cíclico a partir
dessa política monetária que vai
princípio, pare ficar um pouco mais
apertado do que a gente imaginava no
início do ano.
>> Muito obrigado, André. Bom, assim,
encerramos aqui. Gostaria de agradecer
uma vez mais, não só pela pela
contribuição no Fox, mas pelos insightes
aqui de hoje. Muito obrigado.
>> Valeu. Obrigado.
>> Agradecemos aos participantes da segunda
mesa. Faremos uma pausa de 15 minutos
para um café que está servido no rall do
auditório. Obrigado.
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>> [música]
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>> هكذا
>> [música]
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>> Dando sequência ao evento da premiação
anual rankings top 5 2025, teremos a
terceira mesa que debaterá a inflação e
política monetária e será presidida pelo
diretor de política econômica de
assuntos internacionais e de gestão de
riscos corporativos, Paulo Pinquete.
Convidamos para receber seus
certificados e ocupar seu lugar à mesa.
Daniel Silva, representando a JGP Gestão
de Recursos que recebe o certificado Top
Five taxa Selic longo prazo ano
seguinte.
Eduardo Yuk, representando o Banco
Safra, que recebe o certificado Top PCA
sexta, longo prazo, ano corrente.
[aplausos]
Ton Gomes de Abreu, representando a
Verde Asset, que recebe o certificado
Top e PCA longo prazo ano seguinte.
Éton Pinheiro de Souza Gonçalves,
representando a BBC, que recebe o
certificado Top taxa Selic longo prazo
ano corrente.
Felipe Sales, representando o C6 Bank,
que recebe o certificado Top taxa CELIC,
longo prazo, ano corrente
e Maurício Uni, representando o Rubbank
Brasil, que recebe o certificado top F
taxa Selic, longo prazo, ano corrente.
Diretor Paulo, podemos dar início ao
debate.
>> Obrigado, Henrique. Eh, parabéns a todos
agora coletivamente aqui.
E a ideia dessa última mesa é falar de
infração e política monetária, né?
Então, é um desafio bastante grande. Eh,
nesse sentido, uma ótima oportunidade de
ter vocês aqui para falar sobre isso. E
o que a gente gostaria de ouvir, de dar
oportunidade para vocês falarem,
obviamente são as grandes questões aí
que estão dominando, né, o cenário
atual. a gente tá vivendo um desafio
grande de política monetária no Brasil e
no mundo, ainda que a gente esteja
vivendo fases diferentes do ciclo, né? O
Brasil, desde a pandemia meio que anda
na contramão eh dos principais bancos
centrais. Isso por um lado aumentou eh a
nossa margem de manobra quando a gente
começou a subjuros antes de todo mundo
ali após a pandemia, durante a pandemia,
né? E e recentemente é a mesma coisa,
né? a gente comunicou aí na ata e na
última decisão do COPOM que o ciclo que
a gente iniciou de
calibração eh aconteceu no momento eh
que foi propiciado pelo eh o que a gente
conseguiu durante todo o ano passado de
eh em termos de manter uma taxa
restritiva por um período bastante
prolongado
E agora a gente tem esse desafio, né, de
tá vivendo um novo choque de oferta que
mudou bastante o cenário. Então, a ideia
era ouvi-los
eh que como é que vocês estão enxergando
a trajetória da política monetária tanto
no mundo quanto no Brasil. Nesse cenário
bastante incerto que apareceu esse ano,
a gente na falta de um critério melhor
pode começar ali pelo lado direito da
mesa e daí a gente vai andando. Então,
por favor, Maurício.
[limpando a garganta]
Opa,
muito bem.
Bom, antes de mais nada, obrigado então
ao Banco Central também aqui pela
premiação. primeira vez que a gente tá
na casa, eh, e, ah,
explicar então um pouquinho como é que a
gente tá percebendo a situação para eh
principalmente inflação e também para eh
a nossa expectativa então de política
monetária
para esses próximos eh trimestres, né?
Obviamente que eh
acaba respingando muito, né, em função
do que que ah como é que a gente tá
vendo o cenário da guerra, né? Rabobank,
eh, baseado então em UTIST, eh, acaba
tendo uma visão bastante influenciada,
sobretudo por esse cenário de
dependência da Europa em relação ao gás
natural que vem eh bastante do Oriente
Médio. E nesse sentido, o Rabobenk hoje
tem uma uma cabeça de que essa é uma
guerra que eh talvez ela não tenha uma
resolução tão rápida. eh eh apesar das
eh tratas aqui da da do cessar fogo e
apesar também aqui da da perspectiva de
que eh haja algum tipo de resolução, mas
é uma guerra que eh ainda vai subsistir
eh com o fechamento então do estreito de
Ormis eh em alguma forma ao longo do do
desse trimestre e também eh ao longo do
segundo semestre. Então, nesse sentido,
o banco hoje tem uma uma sensação de que
eh muito provavelmente a gente possa ter
um cenário ainda eh bastante adverso com
relação ao ao preço do barril de
petróleo. Eh, e a gente fica então com
uma visão de que talvez eh
a gente só retorne, por exemplo, então a
a a patamares mais próximos de $90 eh ao
final desse ano, na verdade. Então, a
gente tá ainda com uma visão bastante eh
menos otimista do que eu do que eu tô
percebendo no mercado. Nesse sentido, eh
uma das coisas que a gente também acaba
vendo com relação ainda ao cenário
internacional é que sim, né, a gente
fica com uma perspectiva de bancos
centrais eh
nos países centrais aqui, também ficando
mais rock.
H, portanto, o Banco Central Europeu
possivelmente vindo ainda com uma alta
de juros eh nesse ano, mas eh a gente
quando a gente percebe, por exemplo,
então como é que e talvez isso aqui
também é uma uma diferença em relação às
outras casas, a gente tá ainda bastante
também pessimista com relação à
atividade econômica nos Estados Unidos,
né? H, não só a gente tá vendo, eh, como
a guerra acaba trazendo também
complicações, né, de não só de de
insumos, mas também acaba trazendo aqui
uma incerteza bastante forte com relação
ao ambiente de negócios de uma forma
geral nos Estados Unidos, apesar da
gente ver eh um segmento de alta
tecnologia muito forte, eh mas a a a o
mercado de trabalho americano tá em
processo de de enfraquecimento.
Eh, e a gente acaba, eh, interpretando
que, eh, essa confusão também tarifária,
que ainda tá subjacente, acaba também eh
eh fragilizando a economia americana e a
gente conta então com um crescimento
mais ou menos aí de 1,8% eh nesse ano
então pros Estados Unidos. Nesse
sentido, acho que o Rabobank acaba
ficando pouco diferente também, porque o
banco ainda considera uma perspectiva,
então, de
também de corte de taxa de juros ainda
eh nos Estados Unidos eh eh mais pro
segundo semestre, de alguma coisa então
como eh dois cortes ainda, eh, e muito
também em função da eh da nova muito eh
eh da nova direção que o Banco Central
americano acabar eh vai acabar adotando
a partir então agora de maio e junho.
Eh, nesse sentido fica uma dúvida então
o que que ah como é que esse ambiente
internacional acaba impactando na nossa
perspectiva de inflação desse ano? eh e
também eh como é que eh o Banco Central
aqui acaba eh também reagindo. Na nossa
eh na nossa visão, a gente tá com uma
uma perspectiva de que, de fato, né, a
gente tem uma eh um enfraquecimento da
demanda eh eh em curso.
a gente fica bastante preocupado, por
exemplo, com o lado eh das famílias, né,
dos consumidores, eh, e também das
empresas com eh o alto eh nível de
endividamento eh e comprometimento então
de renda, né? Então, a gente acabou de
eh dividir aqui um com os nossos
clientes um relatório sobre consumo, né?
Mas se a gente parar para perceber, por
exemplo, eh, o poder de compra, né, dos
consumidores antes da da pandemia, era
praticamente o regimento médio conseguia
comprar praticamente quatro cestas
básicas, né? Eh, esse número caiu para
2,5 ao longo desse período todo e agora
tá eh recuperando um pouquinho para 2,7.
Ou seja, a gente tem ainda eh uma uma
preocupação muito forte, né, com com os
consumidores não tão conseguindo de fato
aumentar o o o apesar do rendimento
médio crescente, eh dá vazão a esse a
esse esse consumo. Ah, e, portanto, dá
uma uma sensação pra gente de que, de
fato, e em comparação então com eh 2022,
quando a gente teve a guerra da Rússia e
da Ucrânia, a gente teria menos espaços
para efeitos secundários. Então, nesse
sentido, ainda que a gente esteja com
esse petróleo, eh, que roda então aí os
$ por barril no segundo tri e cai para
90 no segundo semestre, eh a gente tá
hoje com uma cabeça então de uma
inflação de 4,4,
eh, e, ã, pro ano que vem, então, 3,9.
E com isso a gente fica com ainda espaço
para fazer corte de taxa de juros. Nesse
momento a gente acha que o o BCE tá de
fato eh vindo cauteloso como deveria,
porque a gente de fato precisa entender
como é que esses efeitos de segunda
ordem acabam impactando, né, o o o
Brasil. Enfim, não vou me estender muito
eh no que a gente já falou por esse eh
que os colegas já já mencionaram aqui,
mas eh toda a questão da da do Brasil
também ser um exportador líquido eh de
petróleo cru, mas importador de
derivados, a melhora um pouco a parte de
de arrecadação, eh melhora um pouco
exportações, mas por outro lado a gente
tem ainda esse desafio, né? Então, o
Banco Central de fato vai continuar
cauteloso, dá uma sensação então de que
eh vai a gente vai acabar tendo também
por causa do cenário internacional mais
um um corte eh de 25 bips, então, na
próxima reunião e a gente ainda pode
caminhar então em direção aos 12,5 eh no
final do ano. Então, eh, enfim, só que é
um ano de eleições, eh, e que tá tudo
ainda muito eh a gente precisa entender
como é que vai ser essa questão fiscal
eh a partir do do próximo ciclo político
que eh só que, enfim, os debates ainda
não começaram. Então, por enquanto, dá a
sensação de que a gente tá eh os 10,5%
que a gente tem ainda de expectativa pro
ano que vem eh acabam ficando subjúdice
eh em relação a esse esse cenário que a
gente pode ter então do ciclo político.
Mas deixa eu parar por aqui, tá bom?
Obrigado,
>> Felipe, por favor.
>> Bom, muito bom dia a todos.
Eh, em primeiro lugar, eu queria
agradecer ao Banco Central pelo evento,
pela própria pesquisa Focus, que é uma
bússola não só paraa autoridade
monetária, mas também pra gente. Assim,
ajuda muito para mim, realmente eu
acompanho toda segunda-feira de manhã,
primeira semana começa com a gente
acompanhando as revisões da pesquisa
focos. É muito útil pra gente. Queria
agradecer também a minha equipe, tá?
aqui é um trabalho em equipe, a
excelente equipe de macroeconomia do C6,
que realmente graças a eles que eu tô
podendo estar aqui eh falando com vocês,
expondo aqui o nosso cenário.
Pois bem, o diretor Paulo Piquete pediu
para falar sobre as grandes questões,
influenciando a política monetária e
inflação no Brasil e no mundo. Então, o
primeiro ponto é quais são as grandes
questões da forma como a gente vê.
Bom, eh, primeiro ponto que eu quero
levantar é o seguinte.
Em 2019, 2020 teve a pandemia,
depois teve
a invasão da Rússia na Ucrânia,
depois teve toda a questão do tarifaço,
depois teve a guerra no Irã.
Então, eh, existem duas hipóteses.
Ou a gente tá sendo incrivelmente
azarado
numa sequência ininterrupta de choques,
as quais a gente passou décadas sem ver,
ou algo mudou, ou esse é o novo normal.
Eu tento achar que esse vai ser o novo
normal,
porque
bom, basicamente, eh, vários
comentaristas, estudiosos falam que, de
fato, a geopolítica global mudou. A
gente tá vendo o enfraquecimento das
regras e das instituições globais e a
consequência que a gente vê são essas
grande parte que eu citei agora. E não
há motivo para achar que o mundo vai
voltar a ser o que era antes.
Então, mesmo que choque do petróleo
atualmente ele o petróleo sobe, depois
volta, etc., muito provavelmente novos
choques virão. E é nesse ambiente em que
o
política monetária vai passar a ser
feita no mundo.
Eh, isso é bastante desafiador para as
autoridades monetárias. Por quê?
Porque o ponto mais importante
do Banco Central, maior ativo do Banco
Central
são as expectativas.
É manter as expectativas ancoradas que
facilita, que possibilita o trabalho do
Banco Central.
Só que uma sequência de choques dessa,
tanto no passado, possivelmente no
futuro, faz com que a inflação fique
acima da meta por um longo período. Isso
aqui eu tô falando não só de Brasil, tô
falando de mundo. Estados Unidos é a
mesma coisa,
por exemplo, tá? Então, de fato, nesse
ambiente vai ser mais desafiador e exige
mais cautela, serenidade do Banco
Central.
Segunda grande questão é a seguinte,
eh,
quando a gente olha também, mesma coisa,
Brasil e Mundo,
a gente vê uma expansão fiscal
que não é pequena. Você pega a projeção
da dívida norte-americana, dívida
pública, sobe consenso. Quando a gente
pega a pesquisa focos e vê o que nós
estamos projetando paraa dívida
brasileira, também sobe. a gente faz a
conta paraa França,
Inglaterra, Japão, todos esses países
tiveram recentemente
ruídos por conta de aprovação ou
proposta de orçamento,
possibilidade de aumento da dívida.
E aqui também não é diferente. Nós
também temos essa questão fiscal
conosco. E esses dois pontos
eles não são separados
porque boa parte da expansão fiscal que
a gente tá vendo no mundo aqui, eu vou
citar, por exemplo, o caso da Alemanha,
vem por uma situação geopolítica mais
incerta, ou seja, gastos com armamentos,
com defesa, etc.
Então, eh, acho que a
mensagem aqui é que, de fato, o, as
autoridades monetárias vão se deparar
com um mundo mais difícil, mais incerto,
mais desafiador, tá? E possivelmente eu
acredito que essa combinação de choques
inflacionários mais frequentes com uma
expansão fiscal global tende a levar a
juros reais mais altos o equilíbrio, tá?
Difermente cair juros como a gente juros
baixos como a gente viu na década
passada.
Eh, ficou para trás,
tá?
Eh,
por fim, vou só fazer uma palavra aqui
pro [música] pro Brasil.
Eh, tem também algumas
boas notícias aqui pra gente, tá? A
gente tá muito bem posicionado na
questão energética, como já foi
comentado aqui, não vou me estender. A
gente tá geograficamente longe dos
conflitos.
Então, no relativo,
a gente fica melhor na foto do que a
maior parte dos países. E isso imagino
que tenha ajudado bastante na questão da
taxa de câmbio, o que tem ajudado aí a
diminuir um pouco a inflação.
Eh, ao nosso favor conta também
o fato de que a política monetária tem
agido de forma tempestiva.
Isso ajuda a ancorar as expectativas,
tá? Eh, mais paraa frente eu imagino que
vai ser desafiador trazer inflação pra
meta. De novo, tô falando Brasil e mundo
pelos motivos que eu comentei, tá? E de
fato o termo calibrar ação de taxa de
juros é o termo mais apropriado nesse
cenário. Quer dizer, eh, taxa de juros,
aqui tô falando mais uma vez, Brasil,
Estados Unidos, etc.,
vão continuar muito provavelmente no
território contraista
e a arte da política monetária vai ser
exatamente calibrar o nível ótimo de
contração que se deseja para buscar
trazer inflação pra meta de forma
tempestiva.
Acho que é isso. Muito obrigado.
>> Obrigado, Felipe. Na sequência o Éton
pode usar esse pequeno.
>> Bom dia, pessoal. Eh, deixa eu começar
aqui em com agradecimentos ao time da
ABBC, eh, Associação Brasileira de
Bancos, eh, Simone, Thiago e Pedro, que
me ajudam muito na no trabalho árduo que
a gente tem, não só de economia, mas em
regulação, produtos e que que tem
impacto em todas as decisões que a gente
toma como associação, tá? Aí eu costumo
brincar assim que o top five na
realidade não é não são os que mais
acertam, mas são os que menos erram, né?
>> Porque por definição eh é é uma é um
desafio muito grande, é uma dificuldade
muito grande de fazer projeção, né?
Estimar modelos e e cada vez tá ficando
mais complicado diante das incertezas.
Incertezas são diferentes do que risco.
Risco a gente consegue calcular e
certeza a gente não tem ideia, né?
Eh, a gente foi e eh tá recebendo esse
prêmio pelo pelo ranking de do da taxa
Selicorrente, que foi 2025, né?
foi um ano favorável eh em termos de
apreciação do real,
alguma moderação no ritmo da da
atividade, né, que ajudou eh na no
processo de de desinflação, ainda que
lentamente ainda distante do do da meta
de inflação eh eh estipulada pelo CN,
né?
Contudo, essa manutenção da taxa bem
elevada em termos restritivos, né,
permitiu que o o Banco Central tem um
bom posicionamento para enfrentar essa
crise. tá com um nível eh de taxa bem
elevado nesse momento, que permite essa
calibragem eh possa ser feita de forma
cuidadosa, analisando dados a dados, que
isso vai tá mudando constantemente,
constantemente
eh e que permite esse bom bom
posicionamento.
Ainda no que tange, assim é o rank de da
do Selic, né? assim, além de você
analisar as os fatores de atividade,
inflação, risco, né, eh vale a
interpretação de como o Banco Central tá
vendo o processo como um todo. Então,
assim, eh, além de modelagem e tal, você
precisa entender como o Banco Central eh
tá enxergando, como ele tá se
comunicando via eh os relatórios, eh,
entrevistas para interpretar o caminho
que ele vai tomar.
eh eh da na na condução da política
monetária. Isso ano passado foi
relativamente fácil, mais fácil do que
projeção de de taxa de câmbio, enfim, de
de vários vários fatores, tá?
Eh, o que deixa a tarefa aqui para para
pra gente mais pelo menos para mim mais
fácil, né? que eu interpreto, como vocês
enxergam a a o cenário de balanço de
risco da inflação e como vocês vão agir,
não necessariamente convergindo com o
que eu penso, né?
Eh,
contudo, infelizmente, né, esse ano aqui
eu não vou ganhar prêmio nenhum porque
eu já
eh profundamente, né? Então, tinha uma
eh tinha uma expectativa de de uma
flexibilização um pouco mais rápida, que
eu acho que não vai se concretizar. Eu
ainda tenho eh estou estipulando,
projetando algumas quedas, mas o cenário
tá bem difícil e várias variáveis têm
que ser interpretadas eh passo a passo,
né?
E aí, aqui no debate aqui de hoje, eh,
eu queria trazer, eh, eh, um ponto
relativo ao crédito, tá? A gente é uma
associação brasileira de bancos. Os
associados eh nossos têm preocupação com
o crédito. Eles são na nasceram para
conceder crédito e e aí surge essa
preocupação,
essa taxa de juros extremamente alta,
né, de real, combinada com com a
desaceleração que vai ocorrer. Não tenho
dúvida nenhuma que vai ocorrer a
desaceleração com todo esse choque que
tá ocorrendo na provocado pela
geopolítica internacional. eh traz
preocupação no na evolução, no
comportamento da NL, né?
Eh, no segmento de pessoas físicas, a
gente tá vendo um crescimento mais
acelerado de linhas de maior risco e
maior taxa,
que num cenário de reversão da do
mercado de trabalho, todo mundo aqui
comentou que ele tá pressionado, enfim,
mas pode ocorrer uma reversão a a a
daqui paraa frente, né, que vai
atrapalhar mais ainda eh essa e essa
evolução do cenário de Nad Claes, né?
Tudo bem que tem uma parte dessa
imprensa que a gente tá vendo ainda eh
retrovisor, efeito retrovisor, né? Eh,
devido a a 4966 que mudou os critérios
contábeis para
fazer as baixas a prejuízo das
operações. Então, tem um pouco dessa
elevação eh que ocorreu devido a a esse
critério contável, mas tem muita coisa
relativo à deteriorização do cenário de
crédito, né?
com todo esse cenário, essa preocupação,
certamente vai ter impacto na oferta de
crédito. A oferta de crédito aí vai
ampliar essa desaceleração, né? E aí vai
ter efeito do lado fiscal,
a arrecadação tende a cair, né? E e
prejudicar outros indicadores da
economia. Então essa esse processo de
calibragem é super importante, tem que
ser cuidadoso, né?
Eh,
essa busca pela convergência meta é bem
têno esse esse esse caminho, né,
perigoso, né,
pelo pelo efeito que pode ter na nas
variáveis reais da economia, tá? Então,
eh, ao invés de falar como vai ser, eu
tô preocupado como vai ser, né, da esse
caminho da trajetória da da CELIC que
vai ter feito no SPRAD bancário, enfim.
Então, toda essa preocupação que tem tem
trazido ali eh no no ambiente da ABBC,
das comissões técnicas de de produtos de
de de riscos e que eu tô querendo
compartilhar aqui com vocês, tá?
Então, eh,
tem outros impactos alé além de alocação
de capital que tem aumentado nos últimos
anos, crescimento do Shadow Bank também,
que é uma eh a desintermediação
financeira, que é uma coisa que a gente
tá cuidando, a gente tá fazendo uma
análise lá do comportamento desses
fundos de de FIDIC, como é que tá o
risco, a gente a gente tem uma
preocupação baseada em risco. Sim,
sumarizando aqui, agradeço aqui
novamente vocês. É, o trabalho da do
Focus é super importante para todos aqui
para conduzir os trabalhos, né? E passo
já a palavra.
>> Obrigado.
>> Obrigada.
>> Mant as esperanças, ainda pode errar
menos que os outros, né? [risadas]
>> É verdade. É verdade.
Bom,
>> de um, de um Everton pro outro. Isso é a
primeira vez na minha vida que isso
acontece.
Bom, também agradeço
[limpando a garganta] aí o Banco
Central, tanto pelo convite hoje como
pela organização do Focus, né, assim,
quem já cobriu os países e precisou
caçar lá as expectativas, dá mais valor
pro Focus, né, porque de fato acho que é
de longe o melhor sistema de
expectativas do mundo, talvez pelo menos
das países que eu já estudei. Eh,
professor Piquete fez uma pergunta que
eu acho interessante, como projetar, né,
em tempos de incerteza? Eh, as projeções
estão lá, né, pra gente errar. Eh, e
acho mais e em momento de incerteza os
erros crescem, né? Não é só o Everton
ali, meu xará que vai errar, todo mundo
vai. Eh, mas acho que um bom
procedimento, que é similar ao que o BC
faz no modelo é consumir as curvas, né?
Não vou eu lá ficar, claro, que tem que
ter algum cenário, tal, mas não vou
discutir muito com a curva de petróleo,
né? estão lá os melhores especialistas
do mundo tradíbrio
é tal com, né, com uma curva que vai
caindo em tal ritmo, tal, eu consumo
aquela curva, né, petróleo é um exemplo,
mas outras commós também. e custo lá um
IPCA, né, usando um modelinho, que no
mínimo me dá uma coerência em relação ao
que tá todo mundo achando, né, todo
mundo digo o equilíbrio de preços, né, o
que as curvas estão refletindo. Tem a
vantagem você tá consumindo, né, o no de
especialistas do mundo inteiro aí e tem
a outra vantagem que lá no final, quando
a minha projeção tiver errada eu tenho
quem culpar, né? A curva mudou, então
assim, né, importante
>> ter o boi de piranha. Eh, e como, né,
pensar a política monetária, na minha
visão, nesse contexto de mais incerteza
e guerra e tal, pegando um pouco aí os
discursos, né, do presidente Galípolo,
do diretor Milton, eu acho que é
bastante importante de fato a questão da
composição e do tem folga e não tem
folga. Acho que são duas coisas chave.
Eh, primeiro, composição, né, voltando
um pouquinho lá atrás, né? Ah, a
política monetária estava funcionando.
É, acho que sim. É verdade que muito
ajudada por choques externos. O o real,
né, ele tende se sair melhor em momentos
que emergentes estão indo bem, que o
dólar tá enfraquecendo e tal. A tal do
moeda high beta, né, isso é verdade. O
externo atrapalhou 24, tava ajudando em
2025. Mas não é só isso, né? Óbvio que o
eh política monetária tava ajudando
também.
Tanto que qualquer relatório de Celside
aí, mundo afora que recomendava a compra
de de real tinha lá no meio das
explicações um carry alto, né? Então
acho que era uma prova ou um indício
grande de que de fato juros estava
ajudando, né? Não é só o externo, embora
o externo seja importante. Então
política monetária tava funcionando,
tava funcionando por todos os canais
usuais. Eh, diria que em alguns menos do
que esperado, por exemplo, pelo canal de
demanda, atividade, etc.
É verdade que o ano passado, por acaso,
né, a gente não errou muito a projeção
do PIB, o FOC estava mais ou menos
certo, mas o mercado de trabalho tava
bem errado, né? No começo do ano
projetava 60, 70 bips de alta de
desemprego e caiu tipo 100. Então, um
erro de 170 bips é algo, né, notável,
eh, um erro importante. Eh, acho que
parte da explicação vendo que o diretor
Newton fala bastante, né, sobre um
mercado de crédito, passando por
mudanças estruturais importantes de
médio e longo prazo, que provavelmente
até aumentem eh a potência da política
monetária, mas nessa fase de transição,
antes desses mercados chegarem no seu
equilíbrio, você tem um período ali de
redução da potência. Então, acho isso
importante também. Acho que foi pouco
falado, né, eh, sobre o papel
da oferta de mão de obra na
desaceleração da atividade também, né?
Acho que a gente viu uma desaceleração
importante na qual a política monetária
teve algum efeito, mas além disso, parte
da desassação se explica porque não
tinha mais quem contratar, né? E acho
que a maior evidência disso
é a pesquisa lá da da FGV, né? A
sondagem, quando você olha no setor de
construção e pergunta lá qual é o maior
problema, tem mais empresa respondendo
que o maior problema é o gargalo de mão
de obra do que respondendo que o que o
maior gargalo é os juros ou a demanda,
né? Num setor super cíclico, olhando
juros onde tá hoje. E mão de obra é um
problema mais frequente, segundo as
empresas, do que eh juros, né? Isso
chama muita atenção. Acho que isso
fortalece o argumento de que o IAT no
mercado de trabalho era bem apertado e
tinha tido eh pouco alívio, né? Então,
até o pré-guerra, acho que eu tava ali
entre os achava que tinha algum espaço
para corte, enfim, eh mas um pouco menor
do que o consenso, né? Do que a mediana.
Eh, aí vem a guerra, assim como todo
mundo aqui, né? Concordo que esse
espaço, que acho que já era menor do que
o Fox tinha, na minha opinião, eh,
diminuiu ainda mais pelos motivos já
amplamente citados, né? Eh, mas de novo,
voltando na composição, concordo
bastante com o presidente Galilplo, com
o diretor Newton, que ficou ainda mais
importante olhar paraa composição. Não
que já não tivesse olhando, né? Eh, acho
que assim como há poucos meses a gente
não tomava valor de face alguns prints
de inflação, né, no DSAS analisado, etc,
etc, rodando abaixo da meta, porque a
gente sabia que tava sendo ajudado para
alguns choques favoráveis, imagino que a
gente não vá também levar a valor de
face alguns prints de inflação que vão
vir acima da meta por conta de
combustíveis e derivado, etc, etc. Não
quer dizer que a gente vai ter paciência
infinita isso, mas acho que o peso de
fazer essa decomposição aumentou. Eh,
por fim, né, o eh, presidente, o diretor
tem falado bastante, os diretores, né,
professor Piquete [música] também tem
falado, né, na existência de alguma
folga. Eh, eu concordo, né, óbvio que é
sempre difícil estimar, mas qual é o
tamanho dessa folga? Não sei. Eh, mas
acho que tem algumas boas referências.
Por exemplo, quando a gente olha lá em
2022, né, 202, fim de 22, 23, enfim, na
sequência ali eh da guerra, né, o
episódio mais par choque mais parecido
que a gente tem aí. Eh, acho que as
condições de inflação eram bem piores,
né? Vinha já com um acúmulo de choques
ali incrível. A inflação rodava num
nível muito acima de onde tá rodando
hoje. É verdade que o desemprego tava
maior, eh, porém a atividade tava
crescendo mais rápido e o desemprego
tava em queda livre. Então, tudo
considerado. Na minha visão, a situação
lá era mais difícil e lembrando, juros
era 13,75, hoje é 14,75. Então isso quer
dizer automaticamente que tem uma folga
de 100 bips? Não, acho que não. Mas acho
que é um indício de que ex um indício a
mais, né, para além do que já foi
comentado, de [limpando a garganta] que
algum alguma folga tem
>> eh dado isso, né? Acho que foi, né, uma
boa decisão, né? Teve um questionamento
se ah, deveria ter parado ou não, enfim.
Acho que foi uma boa decisão manter o
ciclo em andamento por argumentos que já
apareceram também nas falas dos
diretores do tipo, eh, previsibilidade é
bom, né? Aí ter parado, por exemplo,
>> eu acho que era uma mudança em relação
ao plano de voo abrupta, mesmo
considerando o choque que a gente tá
vendo, acho que tem valor eh tentar se
manter o mais próximo possível, né,
dentro das possibilidades e de tudo que
mudou do plano de voo original. E também
tem algum valor, né? Eh, gostei muito
quando, eh, o diretor Newton falou lá no
Bradesco, né? É, lá em dois, eh, lá
quando a gente parou em 15, se a gente
tivesse olhando única e exclusivamente
paraa inflação, embora esse seja o maior
foco, provavelmente teria ido além dos
15, eh, né, parou ali nos 15 e acho que
hoje se mostrou uma boa decisão. Eh, da
mesma forma, né, quando penso em, ah,
tem algum custo parar, acho que tem sim,
né, considerando tudo, estabilidade
financeira, etc, etc. De novo, maior
foco é a inflação, mas acho que
considerando que tem alguma folga,
embora difícil dizer quanto, e que tem
algum custo não fazer nada, me parece
uma boa decisão, né? E consumindo aí os
dados e indo com bastante mais
moderação. Obrigado. Isso aqui
passar pro Eduardo [limpando a garganta]
agora.
Acho que é.
>> Alô, qual foi? Bom, gostaria de
agradecer ao Banco Central pela
premiação. Eh, agrade agradecer também
toda a equipe, né, de economia do Banco
Safra, ao Mateus Rosinholi, né, que é o
nosso especialista em inflação e nos
ajuda também de forma geral. E eu
gostaria de começar então falando,
relembrando um pouquinho do que que foi
a inflação do ano passado, né, dado que
é o top five de 2025 e é para engrenar
no ano de 2026.
[limpando a garganta]
No ano passado a gente começou o ano
entendendo que a inflação ela viria para
baixo, né, que a gente teria um bom
arrefecimento da inflação ao longo de
25. Você tinha alguns fatores lá que
contribuiam para essa visão, né? Então
você tinha lá o preço de commods eh lá
fora super bem comportado. Eh, tinha uma
política monetária que pra gente sempre
funciona, né? E funcionou como ela
deveria funcionar através de vários
canais. E um canal foi o câmbio, né?
Obviamente que os juros mais a
desvalorização do dólar ajudou ao real a
valorizar, a voltar. Eh, tivemos também
uma contenção de demanda, especialmente
no segundo semestre. Então tudo isso
tava levando a inflação para baixo,
desacelerando e todo mundo revisando a
inflação de 2025 eh eh e 2026 para
baixo. E aí no meio do caminho veio o
choque de oferta, o choque do petróleo,
né? Como que a gente tá olhando hoje o
choque? Eu vou separar em temas, né?
Então primeiro, em relação às contas
externas, o fator é positivo, né? 16% de
tudo que a gente exporta é petróleo
bruto ou derivados, né? Então isso
aumenta a expectativa de saldo
comercial, isso diminui a expectativa de
déficit da conta corrente, isso melhora
as contas externas e eu entendo que isso
ajudou ao real eh ter um desempenho
diferente das outras moedas de países
emergentes, né? Tiveu vários países
emergentes com uma desvalorização muito
forte ao longo do mês passado e o real é
com uma com desempenho relativamente
melhor, né? E agora até hoje num
comportamento melhor, tá? Eh, em relação
às contas públicas, eh, por hora, a
gente entende que a arrecadação que o
governo deve ter com com
royalts, participações especiais,
impostos de renda do setor também eh
petrolífero, isso deve melhorar
marginalmente também as contas públicas.
Claro que ainda é algo a se observar,
né, o que vai ser feito para se
contrabalancear o efeito sobre economia.
E aí vem a parte um pouco mais difícil,
né, que é na parte da inflação. Eh, a
gente entende que no curto prazo teremos
um aumento de preço no atacado muito
forte, né? Isso vai repassar para
fertilizantes, repassa para
petroquímicos, químicos e os IPAs como
um todo devem apresentar pressão mensal
muito forte agora e especialmente no
dado de abril, né? Consequentemente
entendo que uma parte desse custo vai
ser repassada ao longo da cadeia
naturalmente, né? Isso deve gerar uma
inflação de curto prazo no IPCA também
mais forte, né?
eh essa essa pressão inflacionária de
curto prazo mais forte, ela também
naturalmente prejudica o poder de compra
das famílias, né? Então isso vai eh
prejudicar também o consumo das famílias
ao longo do segundo trimestre. Isso
prejudica o desempenho da atividade
econômica. Eh, no banco nós seduzimos
marginalmente, né? Nós seduzimos um
pouquinho a projeção de PIB desse ano
por causa desse fator. E tem um fator
importante que a gente ainda não viu nos
dados, que é um choque desse tamanho,
nem que seja esperado que seja de curto
prazo, vai ter um choque na confiança,
gera a tal da incerteza, né? Então isso
também tende a impactar na atividade,
tanto no consumo quanto nos
investimentos. Eu acho que esse impacto
da confiança ainda veremos eh nos
próximos dados. Então isso leva a
perspectiva de um crescimento econômico
um pouco menor nesse ano e na nossa
visão crescimento abaixo do potencial,
né? Nós temos PIB descendo de 1.6 e nós
entendemos que o PIB potencial é acima
de 1,6%
eh por alguns fatores. Primeiro, quando
todo mundo faz aqueles modelinhos,
função de produção, a gente chega lá no
PIB de 1.6, 1.7, alguns menos do que
isso, mas quando não chegando num número
lá que não é 2%, né? No entanto, a gente
tem que lembrar que alguns fatores
talvez não estejam plenamente
incorporados nos nossos modelos de
função de produção. Primeiro,
extração de petróleo, né? a gente vem
aumentando a extração de petróleo. Isso
vai continuar nos próximos anos.
Fazendo, olhando os dados da EPE,
olhando os dados disponíveis, a gente
entende que isso deve contribuir ao PIB
potencial em torno de 0,2 pontos
percentuais ao ano nos próximos 5 anos
em média. Eh, outro fator importante é a
expansão da fronteira agrícola, né, que
veio acontecendo ao longo dos últimos
anos e o que, mas talvez você não tenha
mais tanta expansão da fronteira
agrícola, mas os próprios estudos
mostram eh que existe uma área degradada
de pasto que pode ser convertida em
grãos, né? E se isso acontecer, isso
poderia isso poderia eh aumentar a nossa
área plantada em torno de 8% nos
próximos 5 anos, 7,9%, segundo o
governo, né? Eh, isso naturalmente
também ampliaria a nossa capacidade de
oferta de produtos agrícolas e seria uma
expansão nesse período, né, de PIB
potencial. Então, crescer 1,6% nesse
ano, entendo que é crescer abaixo do
potencial. E lá na frente, né, quando a
gente vai olhar a inflação, então, de
médio prazo, inflação do horizonte
relevante, a gente enxerga que depois
desse pico de inflacionário de curto
prazo, teremos um processo de
desinflação eh bem importante, né, por
vários fatores. Primeiro, a própria
curva do petróleo, como o o Everton
colocou. Hoje o petróleo tá em torno de
$, chegou a bater 120, 110, né? Mas
quando a gente olha pra curva do branch
para dezembro desse ano, ela tem 80. Não
são os mesmos, não. Não é o mesmo
patamar de antigamente, antes do choque,
mas há uma é uma reversão ainda que
parcial do preço e para o final do ano
que vem hoje o branch.
Então você tem um choque muito forte no
curto prazo que vai ser sendo revertido
eh ao longo eh dos dos meses
subsequentes. Outro ponto é a própria
valorização do real, né? Então, entendo
que lá pra frente a gente vai ver uma um
arrefecimento do custo de produção das
empresas e eu acho que o mais importante
é o arrefecimento da demanda doméstica,
né? Se a gente tá falando que o PIB
potencial pode ser 2 ou acima de 2% e o
PIB cresce 1.6, eu concordo com a visão
do Banco Central de que o IATO ele vai
caminhando por terreno negativo ao longo
do tempo. E acho que tem alguns dados
muito importantes, né, dessa visão. Eh,
a política monetária, ela funciona
através de vários canais, não é só da
concessão do crédito, né? Acho que tem
um canal muito importante que a gente
leva em consideração, que é o
comprometimento de renda, como foi
citado. Eh, o comprometimento de renda
das famílias com serviço da dívida no
final de 2023 tava em 26%, 26,3, né?
Hoje, pelo último lado do Banco Central,
tá em 29,3%.
E o Banco Central ele divulga no
relatório de no relatório de no
relatório de política monetária,
eh, a concessão líquida de crédito. Hoje
você chamam de fluxo financeiro, né? Eh,
quando a gente olha o fluxo financeiro
líquido para famílias, nos últimos 12
meses, ele foi negativo em 1,5% do PIB,
dado do relatório que vocês divulgaram.
Transformando isso em dinheiro, n 1,% do
PIB, isso dá um fluxo financeiro líquido
negativo de R$ 191
bilhões deais. A política monetária
funcionou, né, como contenção de
demanda, tá? Por isso que a gente viu o
consumo das famílias que caiu 0,1% no
terceiro trimestre no ano passado. A
gente viu o consumo das famílias que não
subiu no quarto trimestre. Então o
consumo da famías ficou praticamente
estagnado ao longo do segundo semestre.
A gente viu a absorção doméstica eh
caindo 0,4% no quarto trimestre. Então
mais um efeito de política monetária. E
um dado bem interessante é quando a
gente olha a balança comercial de bens e
serviços, né? A balança comercial de
bens e serviços, ela virou para um
superait importante ao longo dos últimos
meses. É um sinal dessa discrepância,
né, entre o que eu produzo de commodos,
que eu vou aumentando minha produção,
vou aumentando minha capacidade de
oferta e a minha demanda doméstica mais
contida, né? Então entendo que isso
também faz parte desse cenário. Então
dito isso, entendo que a inflação no
médio prazo, ela depois vai voltar a
refecer. Teremos um susto aqui no meio
do caminho, depois ela volta a refecer.
Eh, isso para mim sugere que o Banco
Central, sim, tem uma gordura eh na
calibragem da taxa de juros e que a Pit
Monetária funcionou, né? E hoje ela está
no patamar restritivo que dá uma
segurança para que a gente possa eh
olhar no horizonte relevante e ver um
processo desinflacionário. Vai ser igual
antes? Não é igual antes, mas a ser um
processo desinflacionário eh importante,
inclusive pelos próprios modelos do
Banco Central. Obrigado,
[tosse]
>> Daniel. [limpando a garganta]
Bom, bom dia a todos. Queria agradecer,
primeiramente o Banco Central pela
organização do evento e pela própria
pesquisa Focus, como todos já fizeram,
né? Uma pesquisa de referência
internacional e tem ótimos incentivos
para terem as previsões mais acertadas
possíveis. Eh, agradecer também a equipe
de macroeconomia da JGP, Fernando Rocha,
economic chefe, também Eric Almeida, que
trabalha mais perto ali comigo com a
cobertura de Brasil. Eh, [roncando] e
passando agora pro cenário, é sempre
difícil falar primeiro depois de 15
economistas e depois e nesse evento, né,
que quando a gente vê o ano passado, ele
ocorreu logo ali e nos primeiros
momentos do Liberation Day e agora tá
ocorrendo aí enquanto a gente ainda tá
tateando qual que vai ser o resultado
dessa dessa guerra no Oriente Médio, né?
um ambiente sempre de muita incerteza,
mas a gente começando por partes aqui,
né, pelo lado da atividade, a gente tem
uma visão de que a política monetária
tem funcionado, a atividade tá em
desaceleração, principalmente quando a
gente olha os componentes mais cíclicos
do PIB. Por outro lado, os componentes
menos cíclicos, por diversos motivos,
alguns até estruturais, em particular
desde a pandemia para cá, eles têm sido
muito resilientes. Então, no agregado
ali do PIB, isso aí tem gerado uma
desaceleração a quem do que seria até
mais benéfico para uma desinflação mais
rápida ali da economia, mesmo com todo
esse aperto monetário que a gente tem
atualmente.
Eh, e mesmo essa parte cíclica que tá
atualmente em desaceleração, a gente
acha que isso não vai durar por muito
mais tempo, né? a gente tem eh pelo lado
de crédito medidas novas ganhando
tração, como novo crédito consignado
privado. A gente tem um mercado de
trabalho que tá super resiliente, é
improvável que tenha uma grande virada
eh até o fim do ano. E a gente também
tem eh todo o a parte fiscal, né, que o
lado dos gastos do governo seguem numa
trajetória ali de alta. Eles saonalmente
foram até contracionistas até meados do
ano passado, mas de lá para cá eles têm
gradualmente ganhado tração e vão
atingir o maior o o momento de maior
efeito ali meados desse ano. Então, pela
conjunção desses efeitos, tiver vê a
atividade ainda resiliente, tende a
ganhar um pouco mais tração até o fim do
ano, embora não seja de uma grande
magnitude.
Então, passando pra parte de inflação,
isso por si só colocava um cenário
desafiador pra inflação desse ano. Na
nossa visão, a gente vinha com via com
muita pouca probabilidade a chance da
inflação desse ano ficar abaixo de 4%.
Eh, mesmo com todos os argumentos ali de
commóteses para baixo antes da guerra e
também com ajuda ali das exportações eh
chinesas.
estava trabalhando com range de inflação
para esse ano entre 4 e 4 e5 e
pós-guerra e esse cenário complicou
ainda mais, né? Agora a gente trabalha
com intervalo entre 5 e 5,5, justamente
porque a gente vê um balanço de riscos
que já era autista, tanto pelo lado de
serviços quanto pelo lado de eh eh de
administrados com com energia elétrica,
quanto pelo lado de alimentos com riscos
climáticos. e agora tem esse risco ainda
maior e mais óbvio do conflito no
Oriente Médio. Eh,
além disso, tem a própria volatilidade
do do BRL, que ao longo desse ano segue
surpreendendo a todos positivamente, mas
eh é é um cenário atípico por por ser um
ano eleitoral. Eh, um ano eleitoral
historicamente a gente tem uma
volatilidade maior do que a gente tem
visto até agora no BRL. Isso aí também
pode ter eh jogar pro outro lado da
moeda que a gente tem visto até agora ao
longo do ano e também ser uma
contribuição eh negativa adicional paraa
inflação. E por último, a gente tem as
expectativas de inflação, né, que tavam
eh se reduzindo antes do conflito, mas
ainda se reduzindo para um patamar que
ainda era de desancoragem e na margem
essa desancoragem tem voltado a
aumentar, né? Então, como um todo, eh,
ali paraa política monetária, eh, a
gente vê um quadro de bastante
preocupação nesse contexto todo de
cenário doméstico já pressionado e com
esse cenário externo adicionalmente com
adicionando, né, uma complicação
adicional. Eh, é uma incerteza muito
elevada, eh, tem que ser muito cauteloso
nesse momento e o Banco Central tem
feito um bom trabalho em ressaltar eh
toda a cautela e incerteza que a gente
tá lidando atualmente, mas a
visibilidade é muitíssimo baixa, mais do
que o normal, né? Então, na nossa visão,
dado esse conjunto da obra, por enquanto
a gente não consegue, sendo bem sincero,
enxergar além da próxima reunião do
COPOM, né? Então, por exemplo, está
procurado pensar reunião a reunião, né?
a gente sabe que pelas condições atuais
que tão adversas, pode-se ainda ter uma
alta, uma uma queda residual ali da taxa
siliic na nossa visão. Mas depois com a
foto que a gente tem hoje e com a visão
do conflito que a gente tem também, que
é um pouco mais adversa do que os
mercados a princípio parecem que queria
acreditar, a gente acha que é muito
difícil seguir nesse ciclo de
calibração, eh, nessa foto atual que a
gente tá hoje, né? pode evoluir para
melhor, né, daqui a uma, duas semanas,
mas o cenário atual que a gente vê eh é
muito diverso, adverso por esses
fatores. É o mesmo vale para para outros
países, né, na Europa, nos Estados
Unidos, eh é um choque que nenhum Banco
Central gosta de lidar. eh, pegou a
gente até no contrapé, né, quando por
por tá começando um ciclo de de baixa,
que já era difícil por ser um ano
eleitoral, mas para outros países também
é é um choque eh adverso e e
indesejável. Estados Unidos, por
exemplo, a gente tinha uma visão de que
tinha espaço para uma queda de juras
agora meados do ano. Eh, a princípio tá
postergando, mas pode ser que até que
não tenha a depender da evolução do
conflito. e pro cenário ali de Europa,
que tá até um pouco mais próxima e
afetada mais negativamente, mais de
perto ali pelo conflito, é um cenário
até pior no relativo aqui Estados
Unidos, né, que passa a ser uma
necessidade até de aumentar as ouros,
eh, na nossa visão ali mais duas altas
nesse ano. Então, como resumo, é o que a
gente tá pensando aí, isso é um cenário
mais adverso para todos os países, mas
cada país, como já foi ressaltado na
mesa anterior, em um ponto de partida
diferente. E o nosso ponto de partida
nesse relativo aí internacional, a gente
vê como ponto de partida pior e que
demanda maior cautela, né? tem sempre a
recomendação ali do livro texto de
tentar num primeiro momento, diante
desses choques, não fazer um um fazer um
look through, né? Eh, tentar ver os
efeitos secundários em vez de se
assustar muito com os efeitos primários.
Mas eu diria que vale também pro outro
lado, né? Eu acho que também a gente não
pode dar um look through completo na na
no que tá acontecendo no curto prazo,
né? É óbvio que não é o fato da da
inflação de março, de abril ficar muito
alta que vai alterar o curso ali da
política monetária, mas acaba sim tendo
implicações o fato da inflação anual,
né, de 2026, mais do que a mensal ficar
1% acima do que a maioria das casas
estavam prevendo anteriormente, né? Isso
aí tem efeitos eh que a gente sabe pro
pro ano seguinte, pro pros seguintes
também via inércia, via efeito indireto
nas expectativas.
Eh, então a gente mais [roncando] uma
vez acho que a palavra do momento é
mesmo cautela, cautela, cautela, como o
Banco Central tem sempre reforçado nas
comunicações oficiais.
Obrigado.
>> Obrigado, Daniel. Eh,
vou fazer um encerramento
e falando desse evento, né?
Acho que a gente viu aqui ao longo
dessas três mesas uma série de
contribuições que
complementam o que os próprios números
da Focus, né, eh nos informam toda as
semanas.
E isso eu acho que consolida esse evento
aqui que tá na terceira edição como um
fórum bem importante ao longo do
juntamente, né, com outros que a gente
tem, a nossa conferência anual. Esse já
é um
um momento bem eh importante para nós e
acredito que para vocês também, né?
Então aqui cabem agradecimentos
de novo para vocês que estão aqui, tanto
pessoal do mercado quanto pessoal da
imprensa prestigiando.
Eh, e agradecimentos vou fazer em nome
do Fernando Rocha, o nosso chefe do
Estate, por toda a equipe que faz isso
acontecer, né, que tá dando continuidade
a esse projeto aí da pesquisa Focus que
foi bastante enfatizado. E aí eu vou
falar sobre ela aqui mais um pouco pra
pra gente encerrar, né? Então o sistema
expectativas de mercado já superou 25
anos desde a sua idealização e
implementação em 99, juntamente com o
próprio regime de metas para inflação.
Ao longo desse período, o relatório
Focus passou a marcar presença todas as
segundas-feiras pela manhã. Tava aqui o
Felipe falando que antes de tomar café
da manhã na segunda, ver o que que deu
na Focus, né?
na imprensa, nas empresas, nos mercados
e na sociedade, com as informações mais
tempestivas e atualizadas das projeções
do mercado sobre as variáveis econômicas
mais importantes do nosso país.
Além do relatório em si, que é a síndese
das principais variáveis coletadas, as
séries históricas expectativas de
mercado trazem bem mais informação sobre
mais eh as variáveis econômicas.
Essas mesmas bases de dados também estão
disponíveis no portal de dados abertos
no do Banco Central para serem baixadas
em linguagem informatizada moderna
direto para as bases de dados de
acadêmicos, organismos internacionais do
governo e de mercado.
Os dados diários do sistema de
expectativa de mercado com séries
históricas razoavelmente longas,
diversidade de variáveis e de períodos
projetados permitem avaliar não apenas a
opinião do mercado a cada momento, mas
também as reações do mercado aos choques
econômicos, como eh estamos
experimentando frequentemente nesse
momento de elevada incerteza.
O amplo escopo de variáveis pesquisadas
permite também observar os impactos e a
transmissão dos choques ao longo dos
diversos setores da economia brasileira.
O foco do foco, se vocês me permitem,
são as projeções de inflação consistente
com o mandato do Banco Central.
Mas o sistema de expectativa traz
projeções de variáveis de atividade
econômica, PIB, suas eh desagregações,
taxa de desocupação
dos setores, resultado eh primário
fiscal e dívida pública, externo,
balança comercial, transações correntes,
investimentos diretos e câmbio e da
própria taxa Selic.
Em termos de tempestividade, já está
consolidada também a métrica da mediana
dos últimos cinco dias úteis, buscando
captar rapidamente os movimentos de
projeção na margem. Essa métrica se soma
a principal da mediana das projeções
informadas nos últimos 30 dias, tornando
o conjunto de informações bastante
robusto.
Outro aspecto importante do sistema de
expectativas de mercado é exatamente o
tema desse evento, o ranking dos top
five.
Desde o começo do sistema, já eram
calculadas as medianas das instituições
top five pro mês corrente, o mês
seguinte, o ano corrente e o ano
seguinte. Ao longo do tempo, foram sendo
incorporadas outras variáveis e esse,
aliás, é um processo que prossegue até
hoje, como vocês sabem, com revisões
periódicas das variáveis pesquisadas.
Um marco importante dessa evolução
ocorreu em 2010, quando foi instituída
no sistema Nova Plataforma
Informatizada, com importante novidade
para as instituições participantes dos
rankings top five, a possibilidade de
verificação de cada parcela do cálculo
das notas obtidas, o que trouxe maior
transparência e confiabilidade aos
rankings. Em 2020, passamos a considerar
duas datas de referência pro cálculo do
ranking das top five. A ideia foi
alinhar o top five as datas mais
importantes paraa decisão de política
monetária pelo COPOM, de modo a dispor
das mais atualizadas projeções
possíveis. No caso da Selic, por
exemplo, essas datas são a sexta-feira
anterior à reunião e a sexta-feira
posterior à divulgação da ata. Com isso,
passamos a contar com expectativas mais
atuais possíveis paraa reunião do COPOM
e depois ver a reação do mercado a
decisão de política monetária.
Pros demais indicadores, as datas de
corte são a sexta-feira anterior à
reunião do COPOM e a penúltima
sexta-feira de cada mês.
Em 2021, ampliamos o foco no IPCA com os
ranking top five, passando a incluir as
variáveis IPCA administrados e IPCA
sexta, composta por IPCA serviços
industrializados, alimentação no
domicílio e preços livres, além do PIB
total e da taxa de desocupação com um
novo prazo, longo prazo anual no ano
seguinte.
A partir de 25, os ranking top fives
também foram atualizados para sua atual
configuração, destacando o ranking
trimestral PIB e o PIB sexta, a
incorporação dos administrados no IPCA
sexta e o novo ranking anual de fiscal
sexta, entre outros.
Gostaria de encerrar com meu muito
obrigado a todas as quase 170
instituições que participam
rotineiramente da pesquisa Focus,
prestando ao Banco Central suas melhores
projeções sobre as variáveis chave da
economia brasileira. Sua contribuição é
muito importante pro Banco Central e
fazemos questão de reconhecer essa
importância com eventos como o de hoje.
Muito obrigado. Esperamos rever vocês
todos aqui no ano que vem.
>> [aplausos]
>> menos que
>> chegamos ao fim do evento de premiação
anual Rankings Top 2025. Lembramos que o
evento foi transmitido pelo canal do
Banco Central no YouTube, onde
permanecerá gravado. Uma boa tarde a
todos e muito obrigado.
>> [música]
[música]
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