Relatório de Política Monetária - Março 2026
Sumário Regulatório
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, participam na próxima quinta-feira (26/3) da apresentação e da coletiva de imprensa do Relatório de Política Monetária.
Transcrição e Conteúdo
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Bom dia.
Vamos começar aqui mais uma coletiva do
relatório de política monetária. A gente
tem o Gabriel Galipolo, presidente do
Banco Central, Paulo Piquete, diretor,
eh, neste momento também acumulando a
diretoria de política econômica.
Gabriel, não
>> é só
dar boas-vindas aqui, boa sorte ao Paulo
no primeiro RPM dele aqui, que eu devia
chamar de professor Paulo Piquete,
porque eu nunca entrei em uma sala em
que não tivesse alguém que manifestasse
que é ou é ou foi aluno dele, né? E como
desde que eu conheci o Paulo também
aluno dele, então vai ser impossível
entrar em qualquer sala que não tenha um
aluno do Paulão, que a partir de agora
vai ser chamado de Paulão para todos
aqui. [risadas]
Boa sorte, Paulão.
[roncando]
>> Obrigado aqui. Bom, obrigado, Gabriel.
Obrigado a todos pela presença que estão
aqui, que estão nos assistindo.
E eu vou começar agradecendo, né? Vocês
estão vendo aqui um relatório
eh que é produto do trabalho aqui de
algumas equipes, né, nas diretorias
internacional e de política econômica.
E
nesse momento, inclusive, que eu tô
acumulando as diretorias, eu pude
acompanhar de perto o trabalho dos dois,
me ajudaram muito, né, a fazer esse
catchup.
E o resultado tá aqui como sempre, eh,
com uma qualidade muito grande.
E ressaltando que nessa edição também
tem 10 boxes, né,
que ajudam eh os analistas que querem
conhecer a fundo metodologias eh que o
Banco Central usa para diversas coisas e
que tem impacto aqui nas análises e nas
projeções que a gente faz. Então,
agradecendo as equipes e sem mais
delongas, começando aqui a apresentação.
Eh,
grande tônica aqui, obviamente, eh, o
crescimento da incerteza recente por
conta do cenário externo, né?
Então, a gente vai falar obviamente
bastante sobre isso.
E no cenário doméstico, como a gente
chamou atenção tanto no comunicado, na
ata e aqui reforçando,
a atividade vem desacelerando como
esperado e também a gente vai qualificar
bastante isso.
e a inflação eh também vem mostrando
algum arrefecimento nas várias medidas,
né?
Hoje a gente acabou de ter a divulgação
do IPCA 15, que tá reforçando
de certa forma essa visão. Então também
a gente, óbvio, vai falar sobre isso,
né?
Aqui no cenário externo a gente na
esquerda tá vendo um gráfico com
diferentes medidas de incerteza.
E coincidentemente, né, a gente tá aqui
às vésperas do aniversário do Liberation
Day, né, e tudo que a gente ouviu na na
sequência do que aconteceu lá foi
incerteza, incerteza, incerteza.
E depois isso de alguma forma arrefeceu,
voltou, né? Você teve ali algum
assentamento naquela questão das
tarifas,
mas mesmo assim sobraram em certeza,
inclusive com relação a isso. Então você
estabilizou num patamar eh maior do que
você tinha antes. E olhando esses
gráficos, fica bastante claro isso, né?
E agora na ponta já tem alguns
indicadores, obviamente pegando o que tá
acontecendo com essa questão do conflito
no Oriente Médio. E certamente esses
dados atualizados vão mostrar uma
elevação tão grande quanto eh quem sabe
comparável, né, com o que aconteceu há
um ano atrás. Mas a grande questão é
como que esse gráfico vai evoluir daqui
para frente, né? Então, tem uma
incerteza muito grande em relação
aos desdobramentos desse conflito, a
duração, a intensidade.
E isso, eh, a gente ressaltou bastante
por trás da decisão
de política monetária, a última que a
gente tomou.
Eh, em termos de atividade econômica,
vocês veem que já havia uma perspectiva
de desaceleração da do nível de
atividade da economia global nos vários
países. Isso aí tá em relatórios eh de
várias instituições. O próprio FMI já
tinha atualizado um mostrando isso.
E esse cenário, obviamente, e tem agora
um viés de redução adicional
nesse contexto da da incerteza que tá
marcando o conflito.
A própria economia americana, né, que eh
já vinha
apresentando um dinamismo muito maior em
relação a todas as outras, vocês veem
que tem alguns indicadores mostrando
alguma desaceleração. Isso já
vinha em meio a dúvidas aí sobre
exiliência da questão eh das empresas de
tecnologia, do que tava acontecendo no
mercado de trabalho lá. E agora eh se
ainda tem um efeito, né, que pode,
acontecer
defasado ainda da política tarifária,
você teve novas incertezas que vieram aí
com as decisões judiciais.
Em cima disso, você tem um choque de
oferta de preço de energia.
Então, eh,
com isso você também criou um nível de
incerteza adicional em relação à
política monetária dos Estados Unidos,
que, óbvio, norteia aqui decisões de
todo o resto do mundo.
E em termos de inflação,
você estava vendo uma convergência ainda
que lenta, né, da inflação, tanto em
países avançados quanto emergentes.
E
essa convergência ainda mantinha eh a
inflação na maioria dos países acima,
né, das metas, mas eh vinha num processo
gradual aqui de convergência para esses
níveis. E agora, eh, esse é mais um dos
desdobramentos possíveis aqui da crise
de energia, que a gente pode, eh, ver
daqui paraa frente, já tá vendo ou não
sabe a extensão, mas certamente isso já
tem impacto nos preços e a grande dúvida
é como que isso vai evoluir ao longo do
tempo.
Por enquanto, né, em termos de
expectativas de inflação, vocês têm aí
esse gráfico mostrando para vários
países,
eh, no caso emergentes, né, o Brasil tá
ali, logo à esquerda, você tem a banda
de meta de inflação para cada país, você
tem um número corrente e você tem a
expectativa.
Então você vê aí eh a maioria dos países
com leituras correntes dentro da banda,
o Brasil inclusive, mas eh alguns deles
aí destaca obviamente Colômbia, Ucrânia
e Rússia por as duas últimas por motivos
óbvios, né, com valores ainda bem acima
do teto da banda, mas eh por enquanto as
expectativas ainda mostravam eh um
comportamento dentro da banda.
os impactos disso da sobre a política
monetária, né, mostravam que você
tava tendo ali um processo gradual de
redução de juros nas economias.
E
em termos de expectativas, né, aqui no
no gráfico da direita, você vê que eh
esse processo gradual aparentemente já
havia eh mostrado sinais de que
convergiria pros patamares não muito
longes do atual. A grande dúvida é como
isso vai ficar em resposta ao que vai
acontecer de agora em diante.
Olhando aqui para dentro agora, a gente
viu o resultado do último trimestre do
PIB e corroborando
o cenário esperado, né, do Banco Central
de Desaceleração do PIB. Então, 2025 foi
primeiro ano aí desde 2021 em que o
valor realizado do PIB não surpreendeu
para cima em relação às expectativas.
E esse era o nosso cenário, né, em
várias falas aqui, eh, dos diretores, do
presidente, a gente já apontava para um
segundo semestre de variação próxima de
zero. Isso não implicava a expectativa
de uma recessão,
mas implicava essa desaceleração que
efetivamente aconteceu.
Agora, olhando paraa abertura do que foi
esse número, né? Uma coisa que chama
bastante atenção é que essa
desaceleração foi muito mais acentuada
nos componentes cíclicos do PIB e,
portanto, nos eh componentes mais
sensíveis à política monetária. Então,
aquela discussão na virada do ano
passado, né, se a política monetária
tava funcionando ou não, aparentemente
eh tá agora pacificada. A política
monetária funciona. E um dos efeitos
além da redução das expectativas de
inflação e dos números correntes é a
desaceleração da atividade, como a gente
tá vendo aqui de novo enfatizando que
isso acontece nos componentes mais
cíclicos, né?
Então, a grande eh
contribuição para cima em contraposição
a isso foi o setor agropecuário,
mais uma vez, como a gente vê aí na
parte esquerda do gráfico, enquanto
indústrias e serviços eh desaceleraram
bastante em relação ao ano de 2024.
Olhando pelo lado da demanda, a gente vê
que consumo das famílias e investimento,
né, formação de capital desaceleraram
bastante também, enquanto o consumo do
governo ainda manteve
ali a contribuição eh equivalente ao do
ano de 2024, até um pouco superior.
E aí a gente passa para olhar a série do
PIB aqui em nível, né?
E na ponta aparece no lado esquerdo aqui
a desaceleração bem clara no PIB como um
todo e a trajetória de novo de redução,
né, no na parte mais cíclica de consumo
das famílias e investimento do lado
direito.
Aí tem a questão de interpretação, né,
eh, dos números, principalmente com
relação ao que vai acontecer agora no
primeiro trimestre. E a gente já tinha
feito um box no relatório de política
monetária de março do ano passado e tem
outro desse ano falando do impacto do
método de ajuste sazonal sobre as
leituras do que acontece essencialmente
no primeiro trimestre, né?
Então, eh, sem entrar em termos muito
técnicos, o que aconteceu desde a
pandemia é que os padrões sazonais se
alteraram, né, no Brasil e no mundo com
relação a várias eh séries de agregados
macroeconômicos, em particular o nível
de atividade.
É, com o tempo a gente vai ter mais anos
aqui no período pós pandemia e com isso
você vai ter estimativas mais robustas
do do dos coeficientes sazonais. Por
enquanto, a gente pode imaginar que tá
num período de transição, onde não dá
para afirmar com clareza que você tem um
padrão sazonal que claramente mostra eh
o que que é a realidade. Então, tem
diferentes métodos de ajuste e tem uma
diferença entre você fazer o ajuste
direto na série agregada, que é o que o
BGE faz, e você fazer o ajuste nos
componentes individuais do PIB e depois
agregar.
Nenhum, a princípio, é melhor ou pior
que o outro, mas são duas maneiras
diferentes de olhar a coisa. E é bom ter
a o contrafactual das duas pra gente
poder ponderar as análises,
principalmente em relação, como eu
falei, em relação ao primeiro trimestre.
Então, a gente tá reproduzindo aqui,
atualizando, né, esse gráfico que já
tinha. E o que a gente tá olhando aqui é
a diferença nos métodos de ajuste
sazonal
direto, ou seja, eh de cima para baixo
pegar a série agregada e indireto de
baixo para cima, pegando as séries
individuais e agregando.
Então, só falando rapidamente para
refrescar a memória de todo mundo ou até
esclarecer, porque esses gráficos não
são tão intuitivos assim, né?
Aqui a gente tá olhando pro PIB do
primeiro trimestre de 2026, que ainda
não é conhecido, mas pro qual a gente já
tem projeções.
Então você em cima dessas projeções tem
aí a diferença do eixo X, que é a
variação ano sobre ano, que portanto não
tem nenhum impacto de coeficiente
sazonal, com o eixo Y, onde você tem um
número com ajuste sazonal, que óbvio,
sempre tem bastante destaque, né?
Então, a linha vermelha é o método
direto que dá sempre para todos os
níveis de variação interanual um valor
dessazonalizado maior e a linha azul é a
mediana do que é um conjunto de
simulações pro que acontece no método
indireto. Então, o que que são essas
simulações, né? Eh, a gente não conhece
o PIB do primeiro trimestre de 2026. a
gente faz uma projeção sobre ele, mas
quando a gente olha o método indireto,
as projeções pros componentes indiretos,
são aqui 13 componentes, né, do PIB que
a gente tá projetando, elas têm que
bater com o número agregado e existem
diferentes combinações dos itens
individuais que são compatíveis com o
nível agregado. Então, essa metodologia
tá bem explicada no relatório de
política monetária de março do ano
passado
e basicamente tem um método bem
sofisticado de fazer essas simulações
para fazer essas trajetórias
serem compatíveis com o número agregado
e aí a gente simula literalmente
milhares delas, né? Então, esses
pontinhos azuis que estão aí são o
resultado dessas simulações e a linha
azul é a mediana de todas elas.
Eh, resumindo a história,
o que acontece é que se você olhar pelo
método direto, você tem essa perspectiva
de reaceleração do PIB do primeiro
trimestre, que vai dar um número
ajustado sazonalmente entre 0.8 ou 0.9.
Porém, se você usar pelo método
indireto, você tem um valor que é
praticamente metade disso. Então, de
novo, não tem eh nenhum juízo se um é
melhor ou pior. Tem o que o IBGE faz.
Eh, nós próprios usamos o método direto
no nosso indicador de nível de
atividade, que é o IBCBR.
Mas é interessante você ter essa esse
contrafual para entender o que tá
acontecendo em termos de tendência.
E falando do IBCBR, justamente a gente
já tem aí números mais recentes eh paraa
atividade, mostrando essa reaceleração
que tem na ponta.
E essa reaceleração é compatível com uma
trajetória que quando fechar o ano de
2026 vai dar na nossa projeção
crescimento do PIB de 1.6%.
Esse número, por um lado, é igual ao do
relatório de dezembro, né? é o último
relatório de política monetária,
mas por outro lado chama a atenção por
eh uma diferença importante de
composição, que é justamente análoga à
leitura do que foi eh o último trimestre
do ano passado que eu tava comentando,
né? Então, se vocês olharem a abertura
dessa projeção, vocês vão ver que o
número agregado é o mesmo, mas eh os
componentes cíclicos foram revisados
para baixo, principalmente consumo das
famílias e investimento,
enquanto que, principalmente a
agropecuária, mais uma vez com
perspectiva de uma boa safra, tem eh uma
projeção revisada para cima, compensando
as demais e Eh, você tem a partir daí o
número agregado do ano, né? Então, de
novo, independente do que você lê e em
termos do padrão de ajuste sazonal, você
tem uma aceleração no primeiro
trimestre. Essa aceleração é compatível
com uma trajetória de crescimento pro
ano que mostra outra desaceleração agora
em relação ao resultado fechado de 225.
deve deve-se ressaltar, é óbvio, né, que
todo esse cenário de incerteza que a
gente tá mencionando afeta as projeções.
A gente dá muita atenção aos números
pontuais, né, que na verdade são o
centro de uma distribuição de
probabilidades de valores projetados. E
quando você aumenta a incerteza em
relação a várias coisas importantes,
como eh o cenário atual, você aumenta
esse intervalo de confiança. Então, eh a
gente tem, óbvio, o número fechado aqui,
mas a gente chama atenção que para ele e
outros que os nossos modelos estão
projetando, você tem agora um intervalo
de confiança mais ampliado por conta da
incerteza.
Falando de mercado de trabalho, a gente
eh vê um mercado de trabalho ainda
resiliente.
O nível de desemprego, apesar do da taxa
de participação ter aumentado na margem,
continuou caindo. Olhando o gráfico, é
fácil ver que ele tá no menor nível da
série histórica.
E se a gente olhar outros indicadores,
como pra direita, por exemplo, a geração
de empregos do CAGED, né, formal, você
vê alguma desaceleração na ponta, mas
ainda assim é uma desaceleração em cima
de um crescimento positivo. Então, essa
é a mensagem que a gente manda ali na
ata de um mercado de trabalho ainda
resiliente, que demanda atenção para
saber eh separar questões conjunturais
de questões estruturais.
Esse continua sendo um objeto de atenção
bastante grande do comitê que a gente
vai acompanhando.
Eh, o outro lado da moeda desse mercado
de trabalho resiliente dinâmico, é que o
rendimento eh médio real do trabalho
seja medido de diferentes formas pela
PINAD, que pega também a parte informal,
mas seja também medido pelo CAJED, que
pagou a parte formal.
continua mostrando eh elevação na ponta.
E aí você tem um dos boxes eh do nosso
relatório que eh tá analisando a
evolução recente da produtividade.
E resumindo o que tá lá no box, a gente
tem a produtividade do trabalho
estagnada
no período recente, tá? A elevação que
tem e por conta principalmente do setor
agropecuário e do deslocamento, né, de
certas eh atividades para atividades com
produtividade maior, mas quando você
agrega, você tem a produtividade do
trabalho praticamente estagnada. Então,
a gente chama atenção para isso na
última ata, chama aqui também no
relatório que esse é um fator de atenção
na medida em que crescimentos do salário
real, dos rendimentos reais médios, né,
num contexto onde você eh não tem ganhos
de produtividade e tem, por outro lado,
limites, né, para expansão da força de
trabalho que vem de fatores demográficos
e outros. você tem uma preocupação em
relação à dinâmica da transmissão de
preços pro principalmente setor de
serviços.
Eh, em termos de crédito, a gente tem
uma redução na expansão de crédito desse
ano, mas quando a gente olha para esse
para essa medida do fluxo financeiro,
né, que pega a diferença entre o que o
sistema financeiro tá concedendo de
recursos eh pro setor privado e
governamental e o que tá sendo pago de
volta, a gente vê que você tem o fluxo
financeiro ser um em terreno negativo
ainda, o que mostra um efeito de
contração, né, do estímulo do crédito à
atividade e é um efeito esperado da
política monetária contraionista.
Aí você tem eh outro efeito esperado da
política monetária contraista, que é a
transmissão
da taxa básica de juro paraa taxa para
as taxas, né, de empréstimos na ponta.
Então, tanto aqui para pessoas físicas
quanto para pessoas jurídicas, você tá
vendo aqui o aumento das taxas de eh
empréstimos pros tomadores finais. E no
relatório passado já tinha um box
mostrando que a gente tem evidências que
isso é um comportamento sistemático e
esperado da política monetária
contraionista que aqui aparece nos
dados, né?
Em termos de concessões,
a gente eh ainda também teve elevação,
apesar de elevação em desaceleração.
a gente teve alguma surpresa no volume
de concessões do ano em relação às
nossas projeções, à projeções do próprio
mercado, do próprio setor bancário,
mas eh apesar disso, ainda houve uma
desaceleração
na taxa de crescimento das concessões e
isso é eh um efeito também esperado da
política monetária em nível
contracionista.
E esse assunto de outro dos boxes que a
gente tá divulgando hoje, né? Então, já
tinha um um estudo econométrico sobre o
efeito das taxas de juros sobre o as
taxas de juros básicas sobre as taxas de
juros finais. E aqui a gente tem agora
um estudo sobre o efeito das taxas de
juros básicas, sobre o volume de
concessões. Então, como esperado também
existe um efeito negativo e
significativo ao longo do tempo no
volume de concessões, mas ele é
heterogêneo e não surpreendentemente ele
é concentrado aqui nos nas taxas de
empréstimos de longo prazo. quanto tanto
para pessoas físicas quanto jurídicas em
termos de
eh empréstimos emergenciais, esse efeito
não aparece e aqui nesse exercício
econométrico e não aparece nos últimos
dados que a gente eh observa também.
Inadimplência, né? A gente também tem um
aumento da inadimplência. E aqui, eh, de
novo um efeito esperado
da política contraista, porém a gente tá
atualizando
um exercício que foi feito anteriormente
já, porque a gente tem o efeito
misturado aqui da elevação da
inadimplência na maneira como a gente
mede a inadimplência.
Então, lembrando, né, essa resolução
4966
mudou a fórmula de contabilização eh da
inadimplência. Agora, as empresas eh têm
que reportar a
eh empréstimos inadimplentes que estão
na carteira por mais tempo. Isso eleva a
inadimplência. Então isso dificulta a
comparação ao longo do tempo do que tá
acontecendo. E a gente tá atualizando
esse contrafactual, que é basicamente
calcular a inadimplência pela regra
anterior. Então a gente tem aqui tanto
no crédito total quanto nas pessoas
físicas e e nas jurídicas, né? E a linha
tracejada é esse contrafactual. Isso é
importante, né? ajuda quem tá querendo
entender. É uma demanda de analistas do
mercado, inclusive. E basicamente a
gente pode resumir com
50% aproximadamente do crescimento da
inadimplência eh no período recente se
por conta da maneira como ela tá sendo
medida. Então isso também heterogêneo
entre pessoas físicas e jurídicas, né? é
mais marcado aqui no caso de pessoas
físicas, mas a mensagem final é: você tá
tendo sim um aumento da inadimplência,
mas eh quando você faz a comparação com
os números de antes, esse aumento não é
tão grande quanto a leitura direta faz
sugerir.
Eh, a gente pode atualizar isso aqui ao
longo do tempo, justamente com esse
objetivo, mas já já isso entra em
processo, né? Então, principalmente com
uma base de comparação interanual,
eh em breve você vai ter a bases, eh,
comparáveis com a mesma metodologia
e até lá a gente vai acompanhando como é
que isso aqui tá evoluindo.
Aí em termos de saldo de crédito, né, a
gente tem uma queda no saldo, como eh
era de se esperar, porque a gente já
falou do efeito do da redução das
concessões.
Eh, a exceção vem do saldo do crédito
direcionado,
que no gráfico da direita aparece aí
como tendo crescido ao longo do ano
passado, né?
Para eh 26 a gente tá atualizando as
projeções para a evolução, né, da
concessão do crédito e teve um aumento
nessa revisão de 8.6 6 para 9% no ano.
Mas note que, apesar dessa revisão, o
resultado final ainda mostra uma
tendência de desaceleração.
Falando do lado fiscal,
a gente no lado esquerdo aqui tem o
gráfico mostrando as respostas do QPC.
Então, existe uma melhoria na percepção
do fiscal em relação aos resultados
primários,
porém o gráfico da direita mostra que eh
pelos dois critérios aí de
contabilização da dívida
do setor público, a gente ainda tem uma
trajetória até onde o gráfico tá
mostrando aí de crescimento
da dívida eh pública
contas externas, né? A gente teve um
déficit nas transações correntes que
ficou praticamente estável. você teve
ali na balança comercial eh alguma
melhoria que
pareceu de uma redução eh das
importações pela atividade menor
doméstica e também de um aumento de
exportações.
E com esse déficit da balança comercial,
juntando aí o que tá acontecendo em
serviços, você tem um déficit em
transações correntes que ainda é coberto
pela parte de investimentos diretos, eh,
como o gráfico da direita mostra, né?
Daí tem outro box detalhando aí o que tá
acontecendo, o que tá acontecendo com
déficites no balanço de pagamentos, né?
E a gente tá chamando atenção que eh tem
movimentos
conjunturais e estruturais que estão
misturados. a gente tá chamando a
atenção para isso. Eh, principalmente na
parte de serviços, você tem aí um
aumento de eh despesas externas com
serviços de tecnologia,
eh computação e nuvem, serviços de
streaming e transporte, né, por conta do
aumento do comércio exterior e também eh
o fato do investimento direto tá
aumentando, continuar aumentando,
aumenta a remessa de lucros. e
dividendos,
mas isso tudo tá bastante detalhado no
box. Então, para as contas externas em
26, a gente tem uma projeção também que
tem alguma melhora e
mais uma vez tem um déficit em
transações correntes, mas mais uma vez
tá coberto aí com folga pela entrada de
investimentos diretos.
Falando de preços, eh, a gente tem aqui
o índice de commodities, né, que a gente
calcula no Banco Central e esse vinha em
declínio até o último relatório
de dezembro, que é essa linha vertical,
né, que tá aí na direita do gráfico. E
agora a gente tem uma reversão, né, eh,
claramente pela situação corrente aí de
uma perspectiva de aumento de preço de
comodos que em parte já se materializou.
Olhando pro IPCA, a gente na esquerda
tem a trajetória, né, da do acumulado em
12 meses, tanto do índice cheio quanto
dos núcleos, mostrando aquela
desaceleração que eu havia comentado.
E se a gente pegar os números do IPCA
15, que saiu hoje de manhã, apesar do
aumento do número cheio, a gente ainda
mantém tendência de recu para tanto o
índice cheio quanto a medida dos vários
núcleos, todos eles e obviamente a
partir daí a média, né, considerando o
resultado acumulado em 12 meses.
Aí, eh, olhando pra contribuição, pra
variação em relação a os componentes, a
gente vê que a alimentação no domicílio
ajudou bastante no passado recente.
E se olhar pra outra abertura que é a de
serviços, você tem essa preocupação que
eu já tinha mencionado, principalmente
relacionado ali à questão do mercado de
trabalho e que mostra que a inflação de
serviços ainda resiliente e num nível
bem superior à meta de inflação.
a gente tem uma contribuição, né? eh,
como inclusive vai mostrar do câmbio
para o que tá acontecendo, o que
aconteceu
eh e o que tá acontecendo na inflação. E
outros dos boxes tem uma atualização aí
desses exercícios de transmissão do
câmbio para inflação. E vocês têm aí o
resultado resumido nos gráficos que a
gente tá apresentando.
Então, a gente tem ao longo do tempo um
eh coeficiente de repasse ali em torno
de 1%, né, de de 10%, desculpa, do da
variação do câmbio paraa variação do do
IPCA, mas eh como era de se esperar, de
forma heterogênea, né? Então, em
componentes comercializáveis, como bens
industrializados em alimentos, você tem
um efeito significativo,
ao passo que em itens não
comercializáveis, principalmente
serviços, você tem aí um efeito que do
ponto de vista estatístico é nulo, né?
Quando a gente olha os intervalos de
confiança, essa é uma maneira de medir.
Eh, existem vários modelos alternativos,
mas é uma contribuição
boa, né, para para o entendimento do que
acontece aí na relação entre câmbio e
inflação. Lembrando que tem sempre uma
incerteza inerente
a exercícios econométricos dessa
natureza e o tamanho dos intervalos de
confiança que a gente tá vendo nos
gráficos aqui mostra isso.
Depois você tem outro box que ajuda
bastante, né, a vida daqueles que seguem
a planilha com todos os subitens do IPCA
ali, eh, constantemente para
homogeneizar as várias aberturas de
núcleos e outras que a gente faz. A
gente tornou tudo isso agora eh bastante
explícito e homogêneo e recalculou as
séries para trás. Tem alguma diferença,
como dá para ver nesses gráficos aí. ao
longo do tempo, mas muito pouca
diferença, óbvio, no passado recente e
do ponto de vista de trajetórias e na
ativa qualitativa,
tudo tá eh igual, mas é um refinamento
importante para quem tem por dever de
ofício aí seguir a inflação com o
detalhe da lupa ali dos subíens na
planilha.
Expectativas, né? a gente tava
observando um recuo das expectativas,
principalmente pro ano de 26, como tá no
gráfico da esquerda.
E esses números estão sendo revisados
agora, levando eh em conta
principalmente os efeitos aí do dos
choques de preço de energia que a gente
já tá vivendo.
Em termos das expectativas de prazo mais
longo, eh elas não sofreram revisões eh
significativas no passado recente, porém
isso é objeto constante, né, de
comunicação do comitê. ainda nos
preocupa a inflação eh desancorada pros
horizontes mais longos em relação a
meta.
E aí, falando das projeções,
eh a gente tem aqui no curto prazo
a tabela mostrando as surpresas, né, nas
projeções de inflação. Isso tudo tá
bastante detalhado
no box, né? Mas teve de novo umas, como
eu já havia mencionado, uma surpresa
concentrado aí no item alimentação no
domicílio.
E se olhar para as projeções agora eh
através do modelo ali pra frente,
olhando pros condicionantes,
você vê que em relação aos resultados do
último relatório, a gente teve eh um
aumento, né, na no valor do
condicionante, principalmente da taxa
Selic, da trajetória
agora do do preço do petróleo e uma
revisão para baixo que ajuda ajudou ali,
né, na na parte do câmbio. E com isso
a gente, olhando também pro IATO, que
vai entrar no nosso modelo de projeção,
tem uma revisão em relação ao relatório
anterior e o IATO no primeiro trimestre
agora tá estimado positivo em 0.1%.
E pro horizonte relevante, ele seguindo
a trajetória de queda que já vinha
anteriormente,
tá de novo em terreno negativo aqui em -
0.4%.
Então, lembrando, né, a nossa medida de
ato é revisada sempre eh potencialmente
ali por ocasião do relatório de política
monetária e o nosso IATO leva em conta o
modelo e várias outras variáveis e
modelos auxiliares também. Então entram
aí PIB, entra nível de utilização da
capacidade medido pela Fundação Getúlio
Vargas, entra mercado de trabalho. E
basicamente essa revisão para cima foi
eh bastante relacionada
a aumento do nível de utilização de
capacidade e surpresas. Mais uma vez no
mercado de trabalho.
A gente faz a decomposição de inflação,
né? Eh, isso é parte da governança aqui
que a gente passou a adotar
continuamente, independente da inflação
eh ficar dentro do intervalo ou não,
agora que mudou, né, a governança
de ano calendário para meta contínua,
mas a gente tá sempre acompanhando isso.
E basicamente, se a gente olhou o que
colaborou pra redução da inflação de 25
em relação a 24, a gente tem esse
exercício de decomposição que é baseado
no modelo. Então a gente parte de um
nível dos condicionantes que
corresponderia ao que o modelo preveria
como a inflação na meta e a partir vai a
partir daí vai mudando um por um os
condicionantes e vendo o que realmente
aconteceu e daí qual que é o impacto
disso na inflação realizada. Então,
resumindo, né, isso aqui tá bem
explicado também outro dos boxes, mas
você tem uma contribuição importante da
inflação importada que tá aqui dividida,
parte em petróleo, parte eh no que
aconteceu com o câmbio e eh do pro outro
lado você tem um componente de inércia,
né, eh desempenhando junto com a
expectativa o eh papel de fazer ali uma
decomposição para cima na no resultado
da inflação de 25.
Aí olhando para os resultados do nosso
modelo, você já tinha aqui o resultado
do eh terceiro trimestre, que hoje é o
horizonte relevante, né, paraa política
monetária, terceiro trimestre de 27 foi
revisado de 3.1
no relatório anterior para 3.3. nesse
aqui. E aqui o relatório também detalha
o que aconteceu nessa revisão, mas eh
existe aí, óbvio, um papel muito
importante do choque de preço de energia
nessa revisão.
E olhando pro acontece em termos do
modelo paraa projeção do PIB e do IPCA,
a gente tem aqui de novo 1.6 6 de
crescimento pro ano, 3.3.
Eh, ressaltando mais uma vez uma
inflação menor do que a de 25
com eh um número que tá acima da meta. E
mais uma vez, né, eu queria chamar a
atenção pro fato que esse número sempre
concentra as atenções, mas ele é o
número que é o centro de uma
distribuição de probabilidades de
projeção. tão tão importante ou no
momento como atual, assim, eh,
eventualmente até mais importante é
olhar o que acontece com a dispersão
dessas distribuições com toda a
incerteza que a gente tem. E essa
dispersão, óbvio, aumentou bastante.
E finalmente falando ali do balanço de
riscos, né? Balanço de riscos tá aqui
reproduzindo o que foi eh comunicado na
última ata e ele tá igual ao balanço de
riscos que a gente adotou desde maio do
ano passado.
E nesse sentido, eu só queria eh
ressaltar
que esses riscos tão aí e são riscos,
né? São questões que sempre vão chamar a
atenção no contexto atual.
E não é só uma questão de contar número
de riscos para cima ou para baixo. Cada
um desses riscos tem uma probabilidade
associada e cada um desses riscos tem um
impacto associado sobre o que que é, no
fundo, o que é a nossa preocupação
central com o mandato de atingir a meta
de inflação.
E isso muda ao longo do tempo. Mesmo que
os itens não muda, não mudem, né? tanto
a dimensão das probabilidades relativas
de cada um, quanto a dimensão do impacto
relativo de cada um, mudam ao longo do
tempo. E nesse sentido, eu só reforço
ali o que foi comunicado na ata neste
parágrafo de balanço de riscos, que eh a
gente discutiu mudar o balanço de
riscos, mas que dada essa incerteza
muito grande, a gente achou prudente
nesse momento ter mais informações,
acompanhar mais os desdobramentos aqui
do que vai acontecer antes de fazer uma
revisão.
eh em relação ao que a gente já tem aí.
Então é isso. Falei demais.
>> Excelente.
>> Não, então obrigado. Passar pro pras
perguntas agora, né, Arnaldo?
>> Isso. Vamos fazer as perguntas aqui,
como sempre em bloco de três
jornalistas, tá? Bernardo,
bom, bom dia, presidente, diretor. Eh,
duas questões aqui. Eh, a primeira é que
na comunicação do BC vocês deixam em
aberto ali os passos futuros da
calibração.
Eu queria entender se a dúvida é sobre o
tamanho da calibração daqui pra frente,
se a porta tá fechada ou se a barra tá
alta para uma manutenção da SELIC
depender do cenário. Eh, eu queria
entender um pouquinho mais sobre a
discussão do balanço de riscos. Vocês
dizem que houve um debate sobre o tema e
considerando um cenário agora com
guerra, com pressão de petróleo sobre
inflação, com ato mais positivo, a gente
pode entender que a discussão se deu no
sentido de colocar ou não uma simetria
altista no balanço. E se o presidente
puder comentar sobre a ausência de dois
diretores no COPOM, se isso atrapalha o
funcionamento do do do Banco Central, se
os senhores estão em diálogo com o
governo, se tem perspectiva, se
apresentaram nomes para para composição
da do COPOM. Obrigado,
Cícero.
>> Bom dia, presidente. Bom dia, diretor.
Eh, algumas dúvidas. No na sessão de
cenário externo do relatório, vocês
mencionam que pode haver uma resposta
préimpitiva de bancos centrais, eh,
entendo que se referindo aos bancos
centrais avançados, né, desenvolvidos,
eh, das economias desenvolvidas na
questão dos choque do choque de
petróleo. Isso é um risco para cá
também. pode ser necessário uma resposta
preempitiva para evitar um eventual
choque, eh, evitar um eventual impacto
muito grande dos preços de petróleo na
inflação.
Eh, segunda questão, o presidente
Galipolo várias vezes se referiu à
importância de uma agenda de
normalização da política monetária. Eh,
queria entender como eles conversa com
essas estimativas de impacto do crédito,
quer dizer, da taxa Selico, mostra alhe
que aquele crédito emergencial tem uma
tendência de aumento nas concessões. Eh,
e nem sempre ele é usado de forma
emergencial mesmo, né? Então, queria
entender se tem um impacto como isso
conversa com o fato da gente ter que ter
uma celicão alta nesse momento. Eh,
queria mais um detalhamento também. Eh,
na sessão de atividade doméstica vocês
mencionam que a isenção do IR deve ter
um algum estímulo para atividade no
primeiro trimestre. Eu queria entender
eh se tem um número, se tem uma queria
entender se tem um um qual o tamanho do
impacto que tá sendo esperado com isso,
já que ele ainda não apareceu nos dados
de fevereiro. Obrigado,
>> Marta.
Alô,
>> bom dia. Eh, eu queria repetir um
pouquinho sobre essa questão do balanço
de riscos que o Bernardo já perguntou,
eh, que o senhor, o senhor disse que
vocês discutiram, né, uma alteração, mas
preferiram esperar. De qualquer maneira,
dado o tamanho do choque do petróleo,
eh, não deveria ter um peso maior
altista dentro do balanço de riscos? E
no COPOM, na o COPOM NATA diz que vai
avaliar a magnitude e a duração do
ciclo, né? né, que eles vão depender de
novas informações que vão ser
incorporadas à análise. Isso foi lido,
eh, por alguns analistas como um sinal
de que o Banco Central tende a fazer um
ciclo mais curto e de menor magnitude.
Essa leitura estaria correta?
por favor.
Eu acho que tem algumas que se eh tocam
aqui perguntas que talvez dê para eu
tentar colocar num único bloco. Aí se eu
não
contemplar alguém, por favor, vocês
reclamem e digam que eu não respondi a
pergunta, porque eu acho que a de futuro
de política monetária
conversa com balanço de risco, eh, e com
a questão da resposta preitiva para para
cenário externo, né?
Se eu fosse tentar sintetizar numa
expressão o que que eu acho que é o é o
momento em frente à questão do impacto
do conflito, é eh tempo para entender.
Acho que tempo para entender. E
obviamente esse tempo ele é diferente
para cada um dos agentes.
Direiam físico, que eu tô atrasado nessa
observação, né? tempos realmente ele vai
ser relativo aqui para para cada um dos
agentes. Se a gente olhar o que que foi
a reação dos governos ao redor do globo,
a gente vê que eles tiveram uma reação
mais rápida ao choque do petróleo de
diversas maneiras, né? Ou seja, a
depender do das ferramentas que cada
governo tinha à mão. Então, alguns
criaram
benef algum tipo de de despesa fiscal
para conseguir conter o repasse do
aumento dos preços paraa população, seja
com redução de imposto, como foi o caso
aqui na Índia, por exemplo, seja com um
cap limite eh para você subir o preço
dos combustíveis, né? Esse seg, o
primeiro, lógico, dependendo aí dos
impactos fiscais, o segundo, com as
restrições que a gente conhece bem, toda
vez que você põe ali algum tipo de
limite de preço, você tira um
desconforto lá da população do da
pressão de preço, mas você pode gerar
restrições de oferta, como todos vocês
sabem bem, quando você põe algum tipo de
de limite de preço, então você troca um
desconforto por outro ali, né? Em alguns
casos, como é o caso dos países mais
avançados, eh eles estão já utilizando a
as reservas emergenciais que eles têm,
combinados com algumas outras tipos de
alternativas, mas tentando fazer uma
compensação do conelho de oferta com
reservas emergenciais. Então a gente vê
por parte do gover dos governos ao redor
do Globo uma resposta mais imediata.
Os mercados também eh tem tem um uma
imposição, né? são impelidos a responder
de maneira mais eh contínua e rápida
conforme o fluxo de informações vai
chegando. Porque quando você tá no
mercado, não se mover conforme tudo se
move é também ser movido para um lado ou
pro outro conforme as coisas vão
acontecendo, né? E aí eu acho que eh é
possível dizer que
os diagnósticos sobre intensidade,
duração e o que que é esse esse choque
também vem se movendo quando a gente
olha pro pro início ali do conflito,
olhando pra curva eh de petróleo ali,
para precificação,
talvez a gente possa dizer que o
diagnóstico original era um diagnóstico
de um choque de oferta decorrente de um
estrangulamento mais de ordem logística,
né? né? Ou seja, fechou o estreito de
Ormus e e até as respostas que vinham
rápidas, positivas a partir de
informações de que pudesse ter algum
tipo de acordo que reabrisse o estreito
de Ormuso também devolvia muito
rapidamente. Ou seja, uma ideia de que
se existisse algum tipo de acordo que
permitisse liberar voltar a operar
normalmente com estreito de Ormuso, isso
poderia trazer uma volta mais rápida à
normalidade.
Parece que a gente vem vem ganhando uma
interpretação de que hoje esse é um
choque de oferta que não afeta mais
simplesmente uma questão logística a
relativa a fechar o estreito de Ormus,
mas que afeta logística e capacidade
produtiva também que pode ter sido
destruída e que demora um tempo maior
para você conseguir fazer uma
recuperação. Então, esse me parece ser
um pouco eh do cenário que vai sendo
agregado do ponto de diagnóstico, além
de que eh você tem uma dimensão também
agora sendo incluída de impactos que
transcendem exclusivamente ali a questão
do do petróleo ou do fluxo de petróleo
efetivamente, né? existem uma série de
outros produtos que saem ali do Golf,
que entram no Golf, que começam a ser
afetados, além de outros mercados eh que
que vão sendo afetados ali. Então, acho
que para fim de mercado tem essa
necessidade de tá respondendo a que
estamos recebendo aqui enquanto estamos
fazendo aqui, né, o que que tá sendo
dito às vezes por comunicações de redes
sociais e isso tudo eh impõe ali ao
mercado uma reação.
do ponto de vista dos bancos centrais,
foi interessante analisar porque a gente
teve uma concentração grande de decisões
ali ao longo da das últimas semanas de
de banqueiros centrais, né? E aí,
obviamente, eh, você entender o que que
é esse esse conflito eh envolve pensar
nos diversos casos anteriores que a
gente teve, quais são as recomendações
de casos anteriores, né? Eh, você vai
lembrar, vocês vão lembrar do caso, por
exemplo, eh, do Banco Central Europeu em
2011, quando também a gente tem ali um
choque de oferta eh de energia e que
teve uma resposta rápida e que teve que
ser caminhar teve caminhar numa direção
contrária com impactos que são sempre
difíceis para os banqueiros centrais
quando você muda de posição. E do outro
lado também a gente pode lembrar que nós
estamos passando pelo quarto choque de
oferta consecutivo grande em 10 anos
mais ou menos, né? e que os banqueiros
centrais ficam mais relutantes em usar a
expressão look true, dado que aconteceu
mais recentemente. Ainda que a a
literatura convencional fale que choques
de oferta são choques que você deve
considerar eh a partir do que você é
possível ser feita do alcance da
política monetária. Mas ficou claro ao
longo dos últimos anos as possibilidades
de impacto de de efeito de segunda
ordem, vamos chamar assim, né? eh, que
que que podem fazer a coisa ser um pouco
mais duradora. E é por isso que quando a
gente olha a comunicação de quase todos
os banqueiros centrais são ainda não
temos visibilidade clara sobre quais são
os desdobramentos da do conflito, né?
Eh, quase todos dizendo, ou para não
dizer todos aqui, dizendo que o impacto
esperado num choque de oferta é inflação
para cima e crescimento para baixo, né?
um pouco desse desta lógica. Isso deve
impactar negativamente crescimento e
positivamente inflação. É assim que é
esperado. Eh, e a partir daí tentar eh
entender em que posição cada banco
central está eh do ponto de vista de
neutralidade da política monetária ou
não para saber se está numa boa posição
ou não, né?
No nosso caso, no caso do Brasil,
eu acho que de um lado o que aconteceu
ao longo do ano de 2025, ou seja, o
conservadorismo que o Banco Central
Brasileiro adotou ao longo de 2025, eh,
reservou pra gente uma posição, eh,
melhor do que se a gente não tivesse
sido conservador, né? a gente fica numa
posição melhor do que se a gente não
tivesse sido conservador, porque nos
permite eh ter ali alguma gordura para
que a gente possa ir analisando o
desdobramento e entendendo como isso vai
impactar eh a economia brasileira. É
lógico que esse conservadorismo e essa
taxa de juro, se a gente comparar com
outros banqueiros centrais que falaram
ali que estão próximos do limite do que
é uma taxa de juros neutro, a gente tá
numa numa instância mais contraionista
da política monetária e e que foi
decorrente ou foi motivada esse
conservadorismo justamente das
informações que o Paulo elencou aqui de
um mercado de trabalho mais apertado,
né, né? Nós temos, evidentemente, o
mercado de trabalho mais apertado, entre
outros fatores que influenciaram a gente
permanecer com essa taxa de juros num
patamar restritivo por um período
bastante prolongado. Mas eu tô dando
ênfase aqui no mercado de trabalho mais
apertado, porque também esse é um
componente que tende a potencializar
efeitos de segunda ordem do ponto de
vista do impacto da da política
monetária, o que vai de novo, reforçar a
gente ter uma cautela ao longo da
condução da política monetária, né, para
poder eh observar. Além disso, acho que
também existiam leituras iniciais,
quando eu olho aqui para o mercado
brasileiro, especificamente, de que esse
era um choque que tenderia a ter um
impacto de eh negativo, positivo paraa
inflação, inflação para cima e eh
crescimento para para cima e também
benéfico para transações correntes, que
vai sendo depurado e sendo analisado com
mais com mais atenção, né? Sim, a
inflação eh pode ser impactada eh
positivamente ali para para cima. O
crescimento precisa ser estudado com
mais atenção, porque historicamente a
gente estabelece essa correlação
positiva entre preço de petróleo e
crescimento da economia brasileira, mas
no passado, quando o petróleo estava
subindo, geralmente era porque a gente
tinha um ciclo de demanda global
pressionando esse preço do petróleo. Não
é este o caso que nós estamos discutindo
agora. é, o petróleo tá se movendo por
outras razões, então a gente precisa
considerar isso e além disso, é óbvio
que é muito melhor você ser eh
exportador líquido de petróleo numa
situação como essa, mas o Brasil ainda
assim é dependente da importação de uma
série de derivativos e é importante
acompanhar como esses preços relativos
vão se movimentar eh a partir de agora,
né? Eh, então tudo isso a gente ainda tá
entendendo e vamos aprender mais daqui
até a próxima reunião. Aí o Banco
Central tem esse benefício de que ele só
precisa tomar uma decisão a cada 45
dias. A gente vai poder aprender mais a
cada a cada 45 dias. Mas eu acho que eh
a posição que o Banco Central está hoje
e que o Brasil está hoje, ele tem alguns
benefícios que decorrem de você ser
exportador líquido e petróleo e destaca
uma taxa de juros num patamar bastante
contraionista, né, e que eh permitiu
esse conservadorismo nos colocar numa
posição talvez um eh eh um pouco melhor
comparativamente se a gente não tivesse
sido tão conservador ao longo de de 2025
e início desse ano. Por outro lado, é
sim muito importante a gente prestar
atenção eh nos efeitos de segunda ordem,
em especial para uma economia que vem
mostrando tanto tanta resiliência como a
gente a gente vem observando, né? Eh, do
ponto de vista da do balanço de risco,
acho que eu só vou repetir aqui o que o
Paulo falou, né? E acho que o que o
Paulo falou, Paulo me corrige se eu
tiver equivocado, vai na mesma direção
do que eu disse sobre o tempo para
entender, né? A gente precisa entender
neste balanço de risco se eventualmente
algum risco efetivamente eh se
materializou, o que poderia encejar a
retirada dele, né? se algum risco eh eh
por outro lado desaparece, dado que o
caminho que foi tomado e a tendência que
a economia tomou foi para outra direção.
Então tudo isso a gente chegou a debater
dentro da da reunião do COPOM, mas
entendeu que o mais adequado era dada
essa posição que a gente tá, nós podemos
aguardar e ganhar tempo para poder
analisar e ver como é que as coisas vão
vão se desdobrar ao longo dos do dos
próximos dias, né?
Eh, sobre
a ausência dos dois diretores,
acho que quem tá sofrendo mais é o Paulo
e o Junu, que estão tendo que ocupar os
dois chapéus e ter eh reuniões com duas
diretorias ao mesmo tempo ali, né? Eh,
mas obviamente essa é uma decisão que
cabe ao presidente da República. A
prerrogativa é do eh é do presidente.
sobre normalização de política eh
monetária.
Eu acho que esse é um ponto muito
importante, sincero que você colocou,
porque
talvez tenha tenham duas coisas que
estão se somando na discussão de
endividamento que não estão tão claras
até e isso é bastante eh complexo a a
depender de como é que a pessoa que
recebeu a pergunta numa eventual
pesquisa eh compreende
eh aquele conceito. Só para dar um
exemplo aqui para vocês, as pesquisas
que nós fazemos aqui revelam que a maior
parte das pessoas que têm algum tipo de
crédito entendem que elas não estão
endividadas,
a não ser que elas tenham atrasado uma
prestação. Então, tomar crédito não é
ter dívida na cabeça da pessoa. Ela só
se ela atrasar uma prestação, ela está
endividada, né? E obviamente a gente
consegue migrar de um lado pro outro do
do entendimento, assim, falar: "Bom, que
bom, o crédito para as famílias está
expandindo". que ruim o endividamento
está crescendo, né? Eh, mas acho que o
ponto central é o que o Colocou, assim,
é, a gente tem um arranjo naquilo que
envolve o crédito emergencial e o
rotativo, que sim, muitas vezes dá
incentivos que não são os melhores para
quem tá tomando crédito e também não
garante a melhor condição para a
política monetária, né? As pessoas tomam
sim o o crédito emergencial como uma
renda disponível para elas ali que elas
têm, né? Esse é o crédito mais caro que
existe. É o crédito que deveria ser
utilizado, como foi dito aqui, só em
condições emergenciais, né? Quando a
gente olha pro pro paraa quebra do que
envolve a composição eh das da das das
taxas de juros. E quando a gente mostra
aqui, mostrou pessoa física livre,
quando você olha pra pessoa física
livre, você tá retirando ali basicamente
todo direcionado que muitas vezes corre
abaixo da SELIC, o que é também uma
anomalia, né? Você olha para
imobiliário, você olha para
habitacional, você vai olhar para outros
tipos de créditos direcionados que vão
estar correndo abaixo e aí você vai ver
uma fatia e você vai ponderar por
valores. Isso vai aparecer bastante
representativo, mas quando você vai
ponderar por pessoas, a concentração
muito maior tá no rotativo, muito maior
no rotativo. E essa concentração no
rotativo também tem distorões lá dentro
dele, porque o à vista no Brasil também
não é à vista. você passa no seu cartão
à vista, ele vai ser pago ali em 28, 30
dias e ele você vai você vai entrar na
estatísticas como se eu tivesse com
crédito, enquanto a pessoa que tá
entrando ali no rotativo tá pagando uma
taxa que é assim, não passa perto do que
é a CELIC, é uma mera fração do que é
essa taxa. Ou se a gente fosse pegar,
por exemplo, o próprio programa do
consignado privado, que quando foi
concebido, foi concebido esperando que
você pudesse pegar essa dívida, que
seria mais barata, e substituir e eh eh
eh uma mais cara por essa mais barata.
Mas o que aconteceu quando a gente olha
pra evolução do gráfico é que em função
de tudo que tá ocorrendo relativo a NSS,
o NSS cai quase pela metade a concessão
e você vê o consignado privado crescendo
e crescendo com taxas bastante mais
altas, acima de 50% ali, 60% quase. É
porque você tá colocando, você tá
restringindo uma oferta que existia
antes e colocando pessoas que antes não
tinham acesso a crédito, elas têm um
score um pouco pior e aí o custo de
crédito fica mais alto. Se soma essa
questão de um crédito que é caro,
rotativo e com baixa sensibilidade à
Selic, vamos dizer assim, né, ou com
baixa relação com a CELIC, eh, há um
fato que também impacta o custo de vida,
aquilo que tá sendo discutido no resto
do mundo como affordability. que é
importante colocar. Eh, tem um estudo
que já não é mais tão recente do Larry
Summers, onde ele vai pegar aquele
índice do Kumer Index, que a gente tem
traduções sempre muito difíceis aqui
para Brasil, mas o índice de
desconforto, vamos chamar assim, né, que
que coloca ali que quanto menor a soma
entre inflação e desemprego, menor é o
desconforto econômico ou melhor é o
bem-estar econômico, né? E e ele mostra
que nos Estados Unidos a relação entre
esse índice que some inflação e e
desemprego com aprovação de governo ou
sensação de bem-estar econômico se
quebrou nos Estados Unidos. Ela ela tá
respondendo de maneira com uma
correlação mais baixa, vamos dizer
assim, né? Ele tem uma série de
explicações ali que envolvem
como se calculam a inflação nos Estados
Unidos e mudança que que ocorreram a
partir dos anos 80, em especial na
inflação que impacta eh a habitação.
Mas o curioso é que apesar dele focar
tanto nos Estados Unidos, ele vai depois
fazer esse mesmo estudo para uma série
de outros países, quase todos os países
avançados. E essa perda de correlação
acontece em vários outros países. Não é
só nos Estados Unidos que essa perda de
correlação acontece. E aí a minha a
minha explicação favorita, sempre tem
várias, mas a minha explicação favorita
é, eu acho que nesses 10 anos a gente
passou por esses quatro choques de
oferta e nós temos uma dificuldade que é
nós banqueiros centrais somos eh
inflation target, né? Somos, somos
focados em inflação. Nosso objetivo é
inflação. Mas o cidadão é nível de
preço. O cidadão sabe pouco quanto foi o
PCA, quanto foi o núcleo, mas ele sabe
quanto custa o litro de leite, quanto
custa o preço da carne, quanto custa o
pão. E aí você vem de quatro choques
sucessivos de oferta que a cada rodada
dessa você foi subindo o nível de preço,
né? ainda que depois você consiga
controlar a inflação, mas o nível de
preço sofreu, eh, subiu 4 degraus ali
bastante elevados do ponto de custo de
vida. Então, acho que isso se soma eh
nessa nessa condição de
de análise, vamos dizer assim, mais
complexa, eh, para o que o que tá
impactando o orçamento das famílias,
vamos dizer assim, né? Eh, então a gente
tem tem isso da normalização da política
monetária e essas distorções que são
próprias de quais são as linhas de
crédito que estão mais à disposição e
mais à mão da população e que são eh
muitas vezes um número muito superior à
a à SELIC, com baixa sensibilidade à
SELIC, né? Mas vemos também que, por
outro lado, após uma taxa de juros
restritiva por um período bastante
prolongado, como o Paulo explicou aqui,
a política monetária produzindo seu
efeito e que o a parcimônia, a
serenidade, o conservadorismo do Banco
Central ao longo do ano de 25 e e até do
final de 24, né, do início de final de
24 ali, começo de de 25 e e agora pro
início de 26
concede
ao Banco Central a possibilidade dele
tomar mais tempo para poder entender
quais são os desdobramentos desse
conflito. Eh, até porque como estão
saindo, saiu hoje, inclusive você tem um
consenso, talvez entre os banqueiros
centrais de que um choque de oferta
tende a produzir sim inflação para cima
e crescimento para baixo, mas inclusive
a depender da de quão agudo é essa
crise, né? Se você chegar a um preço de
petróleo eh eh muito mais alto, talvez
as os pesos e proporções começam a ser
diferentes, né? Ou seja, se você chegou
um preço muito mais alto, talvez você
ter uma ruptura maior, um choque maior,
inclusive para deprimir a demanda eh da
economia. Então, neste cenário, o que
acaba acontecendo é que, como Paulo
falou, o intervalo de confiança para as
projeções se amplia, né? Às vezes, eh,
Paulo tomou cuidado aqui de explicar
cada uma das categorias, né? O que a
gente tá querendo dizer com isso é que
aquela confiança que a gente tem em 10
pontos base numa projeção, ela se reduz,
né? Você tem menos certeza sobre aquilo,
dado o aumento da incerteza e da
dispersão. E que também muitas vezes, a
partir de agora a composição passa a ser
mais relevante do que o número cheio,
né? você tem que fazer análises mais
qualitativas sobre o que tá acontecendo
para entender qual é a natureza eh
acessar qual é a natureza do que tá
impactando eh os preços. Falei bastante.
Paulo, quer corrigir alguma coisa que eu
falei ou complementar?
>> Não, só complementar porque teve uma
questão sobre isenção do IR, né?
Eh, a gente incorpora
alguma coisa já do efeito da isenção do
IR, mas eh não fala explicitamente
porque não é claro para nós, eu acredito
que essa altura para ninguém qual que de
fato vai ser o impacto, né?
Eh, tem um número eh saiu ontem, eu
achei interessante, é uma história
preliminar,
mas você tem a sondagem do consumidor da
Fundação Getúlio Vargas, né? Então, além
dos números agregados, tem aberturas por
perguntas e por classes de renda. Então,
bem preocupado com isso mesmo. Eu
preocupado, digo, no sentido de curioso,
né? Eu peguei três perguntas que tem lá,
que é a expectativa com relação à
situação financeira futura da família, a
expectativa quanto a taxa de juros no
futuro e a expectativa eh no fundo é a
intenção de compras de bens duráveis no
futuro.
Então, quando abre nas quatro classes de
renda que a sondagem tem desagregada,
a expectativa de juros caiu para todo
mundo.
Daí quando você olha eh pra classe que
seria mais beneficiada pela isenção do
do imposto de renda, você tem uma
combinação curiosa que a situação
financeira futura da família melhorou
para eles, mas a intenção de compra de
bens duráveis, obviamente bastante
sensível ao crédito, ficou praticamente
parado. Então isso é parte do que eu
falei que a gente continua acompanhando
para entender, porque eventualmente isso
pode ficar mais claro ao longo do tempo.
É parte da história do que eu mostrei
aqui do fluxo financeiro negativo, né?
eventualmente as pessoas vão usar a
renda extra para pagar dívidas e isso
tem um impacto diferente sobre a
atividade do que se fosse de
integralmente deslocado pro consumo. Mas
de novo, tudo isso por enquanto são
números que a gente olha na margem, quer
dar alguma interpretação, mas só vai ter
realmente uma clareza maior sobre eles à
medida que o tempo transformarem eles
numa tendência ou não. Tá, só para dar
um um número que pode interessar aqui a
vocês.
Eh, quando a gente vai olhar a
composição ali de números de clientes
por linha de crédito, para ir na linha
do que o Sister tava me perguntando
aqui, né, a gente tem no rural
aproximadamente 1 milhão de clientes pro
rural com uma taxa de juros ali em torno
de 10,7%.
Eh, no consignado, a gente vai ter quase
30 milhões de clientes.
No consignado público, a gente tem 7
milhões de clientes que pagam 22% de
juros. No privado, 9 milhões de clientes
que pagam 51% de juros. No INSS a gente
vai ter 14 milhões de clientes que pagam
23% de juros.
Então, somamos aqui eh eh
29 milhões ali com mais 1 milhão
embaixo, mas quando a gente vai para não
consignado, nós chegamos em 49 milhões
de pessoas que pagam 100% de juros ao
ano. Eh, quando a gente vai pro cartão
de crédito, a gente tem 101 milhões de
pessoas no cartão de crédito. Então
assim, é quando a gente olha pro
breakdown de participação das pessoas, a
quantidade maior que nós temos são
de uma grande maioria que tá pagando uma
taxa, tá acima de 100%. Eh, nessas
linhas de crédito que a gente chamou
aqui de emergencial e que realmente acho
que envolve uma discussão mais de ordem
estrutural desse desse arranjo.
Presidente, quando é o corte aí desses
100 milhões de pessoas?
>> Como assim corte? Entendi. Eram 100
milhões de pessoas em janeiro,
>> janeiro de 26.
>> Janeiro de 26.
>> Janeiro de 26.
Presidente, se o senhor me permite, só
reforçar a a primeira questão sobre o
significado da calibração.
>> Se a quando o BC fala ali e dos passos
futuros da calibração em aberto, se a
porta para uma manutenção de juros tá
fechada, se a barra para esse cenário é
mais alto ou se tá tudo sendo
considerado. Eu acho que eu tentei
endereçar com a ideia do tempo para
entender, porque o ponto todo é quando
eu fiz a minha última fala pública no
ciclo anterior, eh a gente tinha feito a
sinalização sobre o que a gente vai
fazer pra próxima reunião e existe uma
grande pressão para que a gente falasse
sobre o que acontecer, o que a gente
pretendia fazer no resto do ano. E a
minha resposta, eu falei: "Olha, eu não
consigo, eu eu eu a gente sinalizou até
onde a nossa vista alcança." Dali paraa
frente a gente pode muito mais comunicar
como é que vai ser a nossa função de
reação, né? Eh, e acho que os eventos
que ocorreram depois corroboraram que a
gente deve ter uma cautela sobre fazer
projeções muito muito adiante, né?
Então, o ponto que acho que da resposta
que a gente pode dar é, a gente entende
que o conservadorismo que a gente tomou
e a parcimônia que a gente teve, a
serenidade que a gente teve na condução
da política monetária eh ao longo das
últimas decisões do COPOM, permite que a
gente consiga ganhar esse tempo para
entender os desdobramentos. E a gente
vai entender esses desdobramentos a
partir do prisma que o o Paulo comentou,
considerando que o intervalo de
confiança para as projeções se alargou,
né, ficou maior e considerando que
análises qualitativas e da composição
para entender a natureza do que está
produzindo aquela variação eh na
inflação ganha relevância.
E aqui
Thaí,
>> bom dia. Eh,
eu queria entender eh,
vocês estão eh o senhor falou agora,
presidente, que eh a o conservadorismo
que o BC adotou até aqui dá confere
tempo para entender os impactos eh da
guerra, enfim, a incerteza que tem no
ambiente agora sobre a economia e sobre
a condução da política monetária. Aí, a
primeira pergunta é por o
as projeções já subiram, ainda que elas
não sejam ainda que a incerteza sobre
elas tenha aumentado, né? O intervalo de
confiança tem menos confiança sobre
essas projeções, elas já subiram. Aí a
primeira pergunta é: "E estão fora da
meta até o terceiro trimestre de 2028?
Por que foi iniciado um ciclo se existe
mais conservadorismo?"
E a segunda pergunta é, eh,
dá para dizer então que agora vocês
estão mais conservadores do que em
janeiro eh diante da dos últimos
acontecimentos, não só em relação à
guerra, mas também em relação a uma nova
surpresa no iato do produto, né? não é?
Eh, queria entender se há uma
preocupação,
eh, eh, só conjuntural ou também
estrutural em relação a própria economia
doméstica com uma nova surpresa no inato
do produto. E por fim, eh, uma pergunta
aqui do meu colega Fábio Granner, que
teve que eh sair mais cedo. Eh, eh, o
diretor falou que a gente tem menos
confiança, né? tem maior dispersão sobre
as projeções e então a gente tem que
menos confiança sobre a mediana. Mas
qual é a moda dessas projeções? Para
onde elas indicam? Obrigada.
>> Gabriel.
>> Bom, bom dia, boa tarde. Na verdade,
presidente, diretor. Eh,
uma pergunta. O senhor falou sobre
quatro choques de oferta. Se puder só
mencionar quais são nos últimos anos.
Eh, e um e um uma questão que apareceu
no relatório e o governo tem discutido
antivamento das famílias. Queria saber
se o BC tá participando de alguma
discussão sobre isso, de como resolver
esse problema agora nesse momento de de
juros altos.
>> [roncando]
>> Eh, e o sobre o BRB, ele cancelou
recentemente a assembleia geral, que
discutiria capitalização. Eles tem que
entregar um balanço da semana que vem,
quer saber como que o BC tá acompanhando
esse processo, se tá conversando para
uma possível flexibilização dessa data
de 31 de março.
E por último, a CPI do INSS provou um
convite pro senhor. Quero saber se já
tem alguma data. O senhor deve ir.
Obrigado,
>> Natália.
Boa tarde. Aqui Natália Garcia Folha de
São Paulo. Eh, eu tenho algumas
perguntas. A, eu queria saber que em
relação ao caso master, né, se se isso
levou algum tipo de mudança de
protocolos, de procedimentos internos,
principalmente depois da investigação
interna que vocês fizeram, tanto seja na
área de supervisão bancária, na área de
fiscalização e quais seriam essas
mudanças. Eh, complementando a pergunta
do meu colega Gabriel, né, se o BC tá
disposto a dar mais prazo pro BRB, eh,
se seria melhor apresentar um balanço
com prejuízo, com rombo do que não
apresentar? Eh, e se quais podem ser as
possíveis consequências caso esse eh o
BRB não apresentar, né, o resultado de
2025 na próxima terça-feira?
Eh, com relação ao crédito rotativo, né?
Tem uma discussão no governo pedindo
mudanças. em 2024, em janeiro, foi
implementado o muro inglês. Eh, e eu
queria saber se tem uma avaliação que se
de na, né, na avaliação de vocês se essa
medida foi ou não, eh, ou se atingiu ou
não o resultado esperado, se ela precisa
de modificações ou se o BC tá estudando
outros tipos de mudanças, seja no
crédito rotativo ou outras linhas de
crédito. E complementando também a
questão dos diretores eh da ausência,
né, eu queria saber se tem um
desconforto no sentido de ter um cupom
desfalcado, eh não que isso, né, possa
mudar de fato ali as decisões, mas se
tem pela pela ausência, já são duas
reuniões no COPOM sem a presença, né, de
dois diretores. Eh, e se teve uma
sinalização do presidente Lula, embora
seja uma prerrogativa dele, se ele já
sinalizou quando ele pretende fazer
essas indicações. Obrigada.
começar com as de política monetária,
depois a gente vai para as demais, que é
acho que é da Thaíse aqui,
eh, sobre ato e crescimento, né? Então,
o quem o que eu tentei sublinhar aqui é
que
todos os banqueiros centrais entendem
que neste numa situação como essa de
choque de oferta, você tende a ter mais
inflação, mas crescimento, né? menos
crescimento. E talvez quanto mais aguda
for a crise, maior é o impacto nesse
outro pedaço aqui eh eh de menos
crescimento. Por isso que você tá
analisando ainda para entender como como
vão ser esses desdobramentos e como é
que isso vai impactar eh para uma
economia como o Brasil que tá com uma
taxa de juros que tá bastante
restritiva. Aí quando a gente tá
olhando, olhando sobre o passado, quando
a gente falou do nosso conservadorismo e
sobre as evidências que a gente eh já
reúne ao longo de do do PIB fechado de
25 da transmissão da política monetária,
né? Então, eh precisamos entender como é
que isso vai se desdobrar. Mas o o que
eu tava tentando chamar atenção é que a
gente tem uma tendência no Brasil a
estabelecer uma relação positiva entre
preço do petróleo e crescimento,
mas isso geralmente decorre de outro
tipo de pressão no preço do petróleo, de
demanda, de uma demanda global que está
pressionando o preço do petróleo, não é
a natureza deste choque. Agora, por isso
que a gente precisa entender como é que
vai ser o desdobramento para fins de
crescimento econômico a partir de um
choque de oferta como esse, que pode ter
intensidades diferentes, eh, e naturezas
diferentes com desdobramentos pra gente
aqui, eh, que são distintas. E aí vou
deixar o Paulo falar da da moda versus
mediana, mas a gente faz os dois
comentários na sequência
propositalmente. a gente perde eh
confiança na projeção, no no o intervalo
eh se amplia e além disto fica mais
importante a gente fazer uma análise
qualitativa sobre composição, né, para
entender o que que tá por trás daquilo
que está mobilizando uma uma inflação
mais alta, o que que tá motivando isso,
né? Isso que já é feito sempre com todo
por todos os os analistas, mas acho que
num momento como esse ele ganha ainda
mais importância, né? Eh, o Gabriel
pediu para eu falar um pouco sobre quais
são os choques na minha cabeça aqui.
Estamos falando de COVID, estamos
falando da invasão da Ucrânia, estamos
falando da guerra tarifária e estamos
falando agora dessa desse conflito.
Então, e algo também que põe os
banqueiros centrais numa situação
complexa, né? Você vai falar: "Não, é
mais um choque temporário". Fala, bom, é
o quarto choque temporário em 10 anos.
Então isso vai dando rodadas ali de de
piora no nível de preço, eh, que tendem
a causar assim um uma sensação de
desconforto eh paraa população. E vocês
estão acompanhando como no Resto do
Globo, essa discussão que ficou eh
relacionada a custo de vida, ganhou
muita relevância, né?
E eh para lincar isso com o que o
Gabriel falou sobre a questão de das
famílias também é um é um evento que
você percebe no resto do mundo. No
Brasil tem idiossincrasias
piores, vamos dizer assim, em função do
nosso arranjo eh relativo ao rotativo e
ao emergencial. Mas a gente vê estudos
no resto do Globo que a partir da COVID,
da pandemia, cresceu muito a utilização
do cartão de crédito e cresceu o número
de cartão de crédito que as pessoas têm
relacionamento. Eh, o o que faz algum
sentido lógico, você tá imaginando que a
renda caiu e naquele momento o juros
também caiu bastante, você tende a
tentar complementar a sua renda com
algum tipo de financiamento, né? Eh, o
que é o que é um pouco mais complexo
aqui, olhando para para Brasil e
entrando um pouco juntando o que o
Gabriel falou com que a que a Natália
colocou,
é que você tem essas particularidades de
você ter atores no meio do caminho, eh,
que, por exemplo, se você tem um
pagamento em 30 dias daquilo que é a
vista, o sujeito que tá num restaurante,
que tá vendendo alguma coisa no meio da
rua, ele vai, para conseguir receber
efetivamente a vista, vai pagar muitas
vezes cinco, sete 7% para receber
aqueles 30 dias à vista. Aí você fala:
"Bom, quanto que dá isto anualizado? Ele
não tá pagando mais do que 100, mas se
você fizer que ele tá fazendo isso todo
mês, todo mês, por isso que a questão do
rotativo, os juros que se impõe sobre
esse cidadão é é muito alto. Ele é muito
alto mesmo, né? assim como outras
distorções que a gente tem ali, eh, que
que não são simples de endereçar, não
são simples de endereçar, não tem uma
uma receita simples. E acho que a gente
precisa trabalhar cada vez mais em
alternativas que vão fornecer e garantir
à população que ela tenha uma escolha
que oferece mais vantagens para ela. não
cerciar e retirar o que ela tem, mas sim
dar alternativas que possam ser mais
competitivas para ela, né? Eh, eu acho
que o o Muro inglês cumpriu o seu papel,
né? Acho que de conseguir ali eh olhando
para outras experiências, né? E assim
como já tinha sido feito com o cheque
especial que se [roncando]
propunha originalmente, né?
Mas eh a talvez a extensão eh dessa
política precisa ser sempre ponderada à
luz daquilo que eu disse também pro
diesel, né? Cada vez que você põe um
limite de oferta, um limite de preço,
isso encorre num limite de oferta
também. E aí você fica nesse tradeoff,
né? Tipo, o que que é pior, né? O
crédito mais caro ou aquele crédito que
eu não consigo acessar? Então o ponto é
o que que a gente consegue fazer para
que exista assim uma redução de
percepção de risco para quem concede o
crédito, né? e que quem toma o crédito
tenha mais facilidade para ter acesso a
uma linha de crédito que é mais
compatível com a necessidade do cidadão.
Ou seja, que você não esteja usando o
rotativo de maneira permanente como um
pedaço da sua renda disponível, porque é
uma taxa de juros bastante punitiva, né,
que a gente que a gente tem ali. Eh,
vamos pros outros temas aqui.
o caso do BRB,
a gente não comenta, obviamente,
um regulado específico aqui, né? Eh, e e
o a única coisa que eu gostaria de falar
é que às vezes existe um entendimento de
que algumas coisas no que envolve eh
supervisão e Banco Central tem uma certa
margem negocial. E a verdade é que a
coisa aqui é é muito demembarcada.
por por triggers e e coisas que precisam
ser feitas a partir de de eventos, né?
Então assim, eh, eu acho que de um lado
existe o que é o rito da supervisão
tradicional e do outro lado, que me
parece ser e eu tenho assistido o
empenho da da gestão atual do BRB para
tentar equacionar a questão e achar uma
solução pra questão, que é uma questão
que tá menos na mão da gestão
efetivamente do BRB, porque é uma
questão hoje de patrimônio e não de
liquidez que o banco tem que solucionar.
e sendo uma questão de patrimônio, é uma
questão que envolve uma solução
fornecida pelo acionista do banco, né?
Eh, a gente tem assistido, mas para além
das discussões que existem aqui com o
Banco Central e o que é a supervisão e a
fiscalização tradicional do Banco
Central, a gente sabe que tem a
preocupação ali por parte da gestão
também com as questões que são de
mercado efetivamente, né? Acho que tenho
certeza que a gestão é quem tá muito
preocupado em conseguir publicar o
balanço o mais rápido possível, porque
não dá esse tipo de informação para o
mercado, nunca é visto de maneira eh eh
positiva, vamos dizer assim, né? Então,
eu tenho consciência disso e tenho
consciência que essa é uma diretoria que
se move com amarras adicionais por pela
que são as amarras próprias de quem eh
tá tá no setor público, né? que são são
amarras que são são distintas, que tem
que passar por instâncias eh decisórias
que são distintas ali eh no processo.
Que que eu tô esquecendo aqui? Ah,
procedimentos internos e e Banco
Central.
A gente tem a gente a auditoria do Banco
Central aqui que roda audit roda de
setores em setores, ela sempre tá
fazendo essas propostas de maneira
recorrente. A gente tem discutido com
isso de maneira recorrente, né?
Eh, é lógico que tudo que aconteceu aqui
dentro do Banco Central e veio à tona
mais recentemente,
eh, eu não gostaria de fazer nenhum tipo
de comentário que reduzisse o o a
consternação que gerou dentro do Banco
Central para todos os servidores do
Banco Central. A ética é um valor assim
muito caro, muito caro mesmo. E e
realmente foi um processo de luto que
ainda tá sendo vivenciado por todos os
servidores. Eu sinto isso, sinto isso,
mas a casa eh respondeu como sempre, de
maneira muito pronta, correta, eh
buscando sanear todos os problemas e
tendo, acima de tudo, acima de qualquer
coisa, este valor que tá dentro do Banco
Central, que é a retidão, a governança e
o que é o seu mandato. Então, a casa eh
e todos os servidores responderam de
maneira muito pronta e e e eficiente,
né? Deste lado,
a casa também tem tem
entendimento de que a governança que
funciona da maneira como ela funciona,
por colegiados, com processos,
contribuiu também para que a gente
pudesse fazer todo o nosso trabalho e
pudesse identificar tudo que foi
identificado.
eh fazer mais disso ou como fazer mais
disso.
Os servidores aqui conhecem bem e sabem
o que precisam para fazer isto. Eu acho
que hoje a gente vem sim eh a todo
momento, é uma cultura do servidor do
Banco Central tá se atualizando, tá indo
buscar o que são as melhores práticas e
otimizar a sua governança.
Eu acho que hoje a gente sofre sim com
limitações que decorrem de de eh
recursos
e de apoio do ponto de vista de
estrutura legal, de framework legal, né?
Eh, a gente tem, por exemplo, o PLP da
resolução bancária, que vai completar aí
uma década em discussão, né? E a gente
seria muito importante pra gente pudesse
ter uma atualização de uma legislação
que tem mais de 50 anos
e que a gente pudesse ter ferramentas
para poder fazer a atuação em casos de
problema de estabilidade, eh, de maneira
mais rápida, com mais instrumentos, com
mais ferramentas, né? Eh, e a gente tem
discutido na última fala, acho que minha
cai, eu, se eu não me engano, a
expressão que eu dizei, falei, estou
pedindo aqui ajuda, não tô pedindo
apoio, estou pedindo ajuda dos senadores
para que a gente possa avançar com a
PEC, que pode dar recursos tanto do
ponto de vista financeiros, tecnológicos
e humanos, para que a gente possa eh
aprimorar e fazer acompanhar tudo que
está acontecendo eh no mundo e
transformações no mercado financeiro.
Eh, a gente vem fazendo isso, o Banco
Central vem fazendo isso. Pegar um outro
caso, o exemplo que aconteceu ao longo
do ano passado, a gente teve os casos
dos dos ataques que foram sofridos para
para participantes do sistema, né?
Muitas vezes se diz que erroneamente o
ataque ao Pix, né? Que seria a mesma
coisa que você dizer que o ataque é o
dinheiro quando alguém faz um assalto a
alguém, né? Então, seja, o ataque foi a
essas instituições que tinham ali.
Rapidamente, eh, as áreas aqui do Banco
Central desenvolveram novos mecanismos
de controle e ampliaram mecanismo de
controle para que possam ess para que o
Banco Central possa ele dar aviso a as
instituições. O que não tá nem não
legalmente e do ponto desse de de de
normas, não cabe ao Banco Central fazer
isso. não cabe, mas o Banco Central
desenvolveu e essa essas tecnologias e
métodos que foram desenvolvidos pelo
Banco Central tem funcionado e tem
impedido que eh novos golpes ocorram e
que golpes que ocorram tenham uma
dimensão muito menor, tanto do ponto de
vista de alertas para para as
instituições, quanto de capacidade de
recuperação.
Mas só para dar um exemplo, eh, as
pessoas desenvolveram isso aqui
internamente pela competência eh dos
servidores do Banco Central. E às vezes
eu assisto ali no meio de uma madrugada,
num sábado pela manhã, um conjunto de
servidores do Banco Central tá ali
alertando uma uma instituição
financeira. Eh, e essas pessoas estão
trabalhando num sábado de manhã, numa
madrugada, simplesmente pela noção de
responsabilidade que essas pessoas têm
com o trabalho delas e com o sistema. Só
isso. Avisando alguém que tá numa
instituição privada, que tem um
orçamento
infinitamente superior ao do Banco
Central, eh, e que muitas vezes, eh, tem
uma velocidade de resposta não tão ágil
quanto tem aqui o dos servidores. Então,
é é muito importante que a gente, eu
volto a pedir aqui essa ajuda e acho que
a opinião pública tem ajudado muito eh o
Banco Central, jogando luz do sol em
tudo que aconteceu e, e apresentando da
maneira mais transparente o que tem sido
as demandas, mas é importante que o
Banco Central possa ter reforço, tanto
do ponto de vista de pessoas, eh, para
que a gente possa ter mais instâncias
colegiadas, para que as pessoas que têm
de trabalhar muitas vezes de madrugada,
de final de semana, possam receber os
incentivos adequados para isso, para que
a gente possa fazer reposição de quadros
que estão tão aposentando e que a gente
possa acompanhar o que os outros bancos
centrais do mundo estão fazendo do ponto
de vista tecnológico para poder
acompanhar de maneira mais granular a
questão da supervisão eh e operações e
prevenções a ataques. Então isso é é
bastante importante aqui pra gente. Acho
que eu acho que eu passei por tudo, né?
Acho que
>> faltou a questão do, desculpa, dos
diretores.
>> Dos diretores. É, é isso. Acho que quem
quem tem que se desdobrar mais são os
diretores que estão acumulando realmente
as duas diretorias. E aí do ponto vista
do tempo e das escolhas, realmente é uma
é uma prerrogativa do presidente e e
esse é um tema que no momento de
comunicar e quem quem vai ser quem vão
ser os diretores, o que comunicar é
absolutamente cabe ao presidente da
República a prerrogativa. Não cabe a mim
fazer qualquer tipo de comentário
>> sobre o convite da CPI. Verdade. É, a
gente, eu sei que tem um diálogo ali,
né, permanente com com cada uma das CPIs
ali, né, e a gente tá tá tá tá
analisando qual é a melhor maneira de
poder, como sempre, tá aqui à disposição
para para esclarecer e como considerando
isso em relação a a agendas, que são as
próprias agendas da CPIs, produções de
relatório e conclusão e as nossas, né,
eu tenho eh provavelmente, acho que
agora já no começo do abril já spring
Meetings do FMI e que é um evento que eh
a gente Brasil tem que tá representado
lá, então ele tá considerando todas
essas questões ali, né? Mas independente
de quando a CPIs acaba e tudo mais,
sempre dentro da legalidade daquilo que
as decisões judiciais e a lei permite,
eh o Banco Central tá sempre à
disposição para esclarecer. Eh, e e acho
que, como eu disse, o que o que a o
jornalismo profissional vem fazendo de
de ajudar a jogar luz no processo como
um todo, tem sido muito importante.
>> Paulo,
>> eh, faltou responder a Thaís, né,
>> modo mediana.
Eh, bom, só deixando claro rapidamente,
qualquer modelo econométrico, né, quando
tem um intervalo de confiança para
projeção,
incorpora nesse intervalo, incerteza, em
relação a várias coisas, né, a
especificação do modelo, estimação dos
parâmetros, qualidade dos dados que
entram.
Mas tudo isso para dizer que no modelo
atual que a gente tem, a distribuição de
probabilidade que sai da projeção é
simétrica.
Então isso significa significa dizer que
a moda é a mediana, é a média, as três
são a mesma coisa, né? Agora, eh
não necessariamente precisa ser assim.
Então, eh eu comecei elogiando as
equipes que produziram esse relatório e
falando da equipe de projeções, né, que
tá até aqui representada também.
Eh,
a literatura recente tem sugerido eh
métodos de fazer
eh de forma analítica essa distribuição
ser assimétrica até para ter uma forma
quantitativa de avaliação de riscos eh
assimétricos, né?
Então, eh, eu tenho o privilégio de ter
uma equipe, como todas as outras,
excelente. Realmente, do ponto de vista
de trabalho e de capacidade de absorção
de novas coisas, eu joguei a isca para
eles. é uma literatura que não tá
consolidada, tá evoluindo, mas faz parte
do processo contínuo de esforço nas
equipes do banco, de atualizar todos os
métodos de análise, de projeção e quem
sabe daqui um tempo ter um box aí eh
atualizando o modelo
aqui. Timóteo,
>> bom dia, presidente. Bom dia, diretor
Antônio Timóteo, do Platô BR. Eu tenho
algumas perguntas aqui rápidas aos
senhores. Eh, a primeira eu queria saber
qual é a função reação do BC se as
expectativas de 2027 e 28 começarem a
subir independentemente do motivo. Eh, a
segunda, eu queria entender e o
seguinte, a a palavra distensão
monetária, ela foi substituída por
calibragem. eh, de extensão e direcional
e calibragem pode ir para os dois lados.
Eh, foi essa a intenção dos senhores ao
usarem essa a palavra calibragem.
Eh, e por fim, presidente, eu queria
entender se o senhor fez indicações ao
presidente Lula de nomes para o Banco
Central, porque o ministro Hadad eh
disse publicamente que indicou dois
nomes. Eu queria entender se o senhor
fez indicações ao presidente. O senhor
tem dito que isso é um tema do
presidente, mas o Banco Central costuma
anunciar esses nomes quando é feita.
Então, eh, de fato, tem aí uma
participação do BC nesse processo.
>> Álvaro,
>> bom dia. Eh, bom, boa tarde, presidente
diretor. Eh, o Banco Central nos últimos
três meses, ele ficou quase
impossibilitado de comentar o Banco
Master em função de um sigilo muito
rigoroso que foi imposto imposto pelo eh
Supremo Tribunal Federal.
E nesse nesse período, acho que até no
último trimestral, era quando o ministro
Tofol tava enviando questões para o
Banco Central começar a responder. Eh, o
BC nesse período virou praticamente
investigado. Teve notícias de que o
Banco Central sofreu pressão até de
ministros do Supremo. Eh, depois o
banqueiro Daniel Vorcaro foi preso, teve
servidor envolvido e nessa semana a
gente teve esse relatório do TCU que eu
acho que foi muito favorável ao Banco
Central. queria pedir pro senhor fazer
um balanço desses três meses, o que que
foi esse período. Eh, e se o senhor
pudesse comentar esses esses eventos eh
específicos.
Eh, e o Banco Central já tem um
diagnóstico do que que aconteceu. Assim,
existe uma percepção na sociedade que o
Banco Central deixou o master crescer
demais. Eh, foram informações
envieszadas desses servidores que
impediram a diretoria de ter um
diagnóstico mais claro do do quadro ali
do má. E por fim, qual que é a posição
do Banco Central sobre esse PL da
resolução bancária, que eu acho que
daria mais instrumentos para o BC, mas
eh parece que o próprio governo e o PT
já se posicionaram contra esse projeto.
Obrigado,
>> Hamilton.
Boa tarde. Eh, Amilton Ferrari do poder
poder 360. São duas dúvidas.
A primeira é sobre a recente aceleração
dos preços dos alimentos eh no EPCA 15,
se isso pode indicar uma tendência maior
de pressão na inflação nos próximos
meses, nos próximos meses, e se esse
efeito pode intensificar com a guerra. A
outra pergunta é sobre o Banco Master.
Eu queria uma explicação melhor do BC,
do por esses créditos falsos
bilionários, eles ficaram de fora do
radar aí do Banco Central até meados de
2025. E se o Banco Central avalia hoje
que houve uma falha na fiscalização.
Obrigado.
>> Vou começar com o Timóteo. Eu acho que
assim, é o tema da função de de reação,
o que eu acho que a gente tá tentando
passar aqui como mensagem é que ela vai
ser menos eh independente do motivo,
como você acabou de falar. Assim, a
função de reação vai seguir, obviamente,
eh, o que é o a governança que tá bem
instituída aqui. O que tem de diferente
não é a mudança na governança, e acho
que é o que todos os bancos centrais
estão tentando fazer, é tentar entender
para onde, qual é a resultante eh do
ponto de vista dos impactos naquelas
variáveis que a gente tem de acompanhar
deste conflito somado ao que já vinha
acontecendo antes do ponto de vista da
política monetária e seus efeitos sobre
a atividade econômica. E aí, eh, eu acho
que a calibragem o mercado entendeu
correto, era uma calibragem do porta de
corte de juros mesmo, né? Era uma
calibragem desde o início, tá falando,
era fazer corte de juros, né? Então, e
acho que por isso que você também vai
ver na precificação das curvas dos
diversos bancos centrais, eh, elas elas
reagem de maneira diferente porque o
ponto de partida é diferente. Então, se
você tá numa instância mais contraista,
aí você vai começar a flexibilizar ali e
ver como é como é que se dá esse
orçamento e como é que isso vai
acontecer. Se você tá numa instância
mais neutra ou estimulativa, talvez o
que a curva vai precificar vai ser
diferente. Então, o ponto de partida eh
faz faz diferença.
E lembrando um pouco sobre o que a gente
falou também ao longo do ciclo anterior,
eu lembro que eu fiz uma metáfora
aquática ali, né, de nós somos
transatlântico, não jet ski, né? Eh,
isso também é uma coisa que vai tá
sempre presente na nossa função de
reação. Acho que a gente tem, acho que a
gente mostrou que a gente tem uma barra
mais alta para reagir de maneira eh
emotiva, vamos dizer assim, aos dados e
gosta de desde o ano passado eu venho
dito isso, né? a gente vem preferindo
ganhar tempo para poder compreender os
efeitos ao invés de reagir rapidamente à
incorporação. Durante vários momentos eu
tive aqui nessa sala onde tinha um
questionamento se a gente não devia já
ter incorporado alguma coisa, a gente
fala: "A gente tá incorporando
gradativamente, tá incorporando
gradativamente". Eh, a gente entende
perfeitamente que pro mercado é
obrigatório ter essa função de reação
mais rápida, né? Eu costumei, eu
brinquei nessa, nessa fala minha aí do,
do Jetski versus transatlântico, que a
gente ao ler muitas vezes o QPC ou a ler
eh algumas mensagens que a gente recebe,
é comum que a pessoa que nos criticou
por não ter levado a CELIC até 18 ou 20
esteja nos criticando por não ter
começado a cortar tão rápido. Ou, por
exemplo, a gente viu cenários de pessoas
que responderam o QPC na sexta-feira
alguma coisa e na segunda-feira estavam
mandando mensagem: "Olha, não precisa
responder que você tá em período de
silêncio, mas eu mudei de opinião de
sexta para segunda" ou coisas desse
tipo? Normal. É normal essa essa é a
função de quem tá do lado de lá. A
função de quem tá do lado de cá é botar
a bola no chão, analisar e tentar tirar
o que é ruído para entender o que que é
o sinal, né? E aí o sinal passa por a
gente depurar todas as questões que a
gente tá aqui eh comentando
de um choque de oferta que a maior parte
dos bancos centrais entende que tem esse
efeito, como eu falei, em inflação eh e
crescimento. E a gente precisa entender
quais são esses esses desdobramentos
aqui, né? Eh, quanto aos diretores, é
isso. Eu sinto muito, tá sendo chato e
ficar repetindo, repetindo, mas eh
conversas com o presidente, eu não
comento qualquer tipo de conversa com o
presidente e e realmente é é uma decisão
dele. Eu não, né, não não gostaria de
ficar expondo qualquer tipo de conversa
que eu possa ter tido com o presidente
nesse ou em qualquer outro tema
[suspirando]
sobre o balanço. Eh, eu vou eu vou
primeiro falar do PL. pele, como eu
comentei, assim, a gente acha que é um
avanço muito importante, né? Só para dar
um exemplo que talvez correlacione com o
que aconteceu e as perguntas que foram
feitas.
Eh, quando a gente olha, por exemplo,
para casos que a gente teve mais
recentes, a SVB,
Credit Suís, eh bancos 2008, ali, a
magnitude do ponto de vista de valor e
de problema para a questão da
estabilidade financeira e de resolução
que o Banco Central precisaria dar, era
muito mais complexa. Só para dar um
exemplo, eh, o Credit Suiss é tinha 2/3
do seu leverage ratio em moeda
estrangeira. Então, hoje o mundo tá
discutindo como é que você faz numa
resolução bancária algum tipo de apoio
em outras moedas que não é a moeda
local.
Então eles já tão no no resolução
bancária avançado. Nós estamos pedindo
simplesmente pra gente fazer um catching
up aqui de alguma coisa que é muito
importante pra gente, pra gente poder
fazer esse tipo de de estabilização. E
aí, às vezes eu acho que eh as coisas
são sequestradas por esses debates. Eu
eu tenho comentado com algumas pessoas
que eu sugiro que as pessoas voltem a
assistir to Big to Fail.
Assistam, assistam de novo. O que que
foi to Big to Fail? O que que são as
cenas que estão acontecendo ali? Quando
o Poon passa um tempão discutindo como é
que ele vai tentar aprovar um apoio para
tentar socorrer eh eh a o sistema, né? E
na verdade é o sistema, não são os
bancos, né? Ele falou: "Olha, as pessoas
só vão se dar conta do problema que é
isso aqui quando começar a ter problemas
mais graves." A gente precisa tentar
socorrer. Ele tem dificuldades grandes
para tentar passar no Senado e depois
ele conseguir trabalhar muito com o
Senado e conseguir convencer. Ou seja,
ele tá, como se diz aqui por no Brasil,
consertando goteira em dia de chuva.
Depois que ele conseguiu aprovar todo o
consenso, alguém fala: "É, mas os
trâmites demoram 3s meses para ser
aprovado, né?" Então, eh, o que a
história mostra que no final do dia a
gente vai, a gente tem que usar essas
ferramentas. É uma discussão se a gente
vai fazer isso em tempo de paz e
calmaria pra gente poder debater de
maneira tranquila, ou se a gente vai ser
pressionado. Eh, o Banco Central tem
pouca dúvida que quando acontece essas
coisas, os olhos se voltam pra gente e a
gente é obrigado a a encontrar soluções
ali nesse nesses momentos.
eh
sobre o balanço. E aí talvez o balanço
possa falar um pouco sobre a pergunta do
do
da identificação dos créditos ali, né?
Então, eu acho que a gente, eu assumo em
janeiro e já havia ocorrido ali ao longo
de 24
aquilo que ficou conhecido ali como um
termo de comparecimento, mas para
facilitar aqui é como se fosse um TAQUE,
né? Um TAQUE lá em novembro de 24 que
dava justamente ao master ali 6 meses
para ele fazer as adequações do ponto de
vista de capital, de governança e de
liquidez.
Eh, em janeiro
o o diretor Aíton identifica que o
Master está fazendo venda de carteiras,
o que é esperado para um banco tá com
dificuldade de liquidez, né? Só para
repetir algumas falas que eu já fiz, mas
um banco é um é um negócio que
basicamente
toma dinheiro emprestado de umas pessoas
e empresta para outras. e ele vai ser
bem-sucedido se ele conseguir emprestar
mais caro e receber antes do que ele tem
que pagar. Basicamente é isso. Então, um
banco que não consegue fazer novas
captações, se ele tiver bem casadinho de
passivo e ativo,
eh, o que vai acontecer é só que ele não
vai conseguir crescer, ele não vai
conseguir oferecer novas novos
empréstimos, né?
É normal que tenha algum problema de
descasamento. Se tiver algum problema de
descasamento, você faz alguma venda de
algum ativo para conseguir pagar alguma
pressão que você tá tendo ali de
pagamento, né? Para usar um exemplo
aqui, uma metáfora que nem a gente na
nossa vida, se sofreu alguma emergência,
você vai vender algum bem que você tem
para você conseguir equacionar aquele
problema de liquidez, né? Isso é normal.
O que chamou atenção eh logo em janeiro
foi que essa venda que tava sendo feita
eram vendas de carteiras novas, ou seja,
por que um banco que tiver tá com
restrição de liquidez está constituindo
uma carteira nova. É isso que chamou
atenção, né? O que leva ao diretor de
fiscalização, Ailton, a se debruçar ali
sobre o tema. Em fevereiro, ele já
constitui essa esse grupo eh para poder
fazer a análise da carteira, né?
e depois em março ele e aí precisa tomar
muito cuidado. Eh, de novo, né? Eu
agradeço muito ao jornalismo
profissional que tem ajudado muito, mas
às vezes eh não por dolo, mas por
confusão, se retira alguma palavra de
contexto e pode dar a entender alguma
coisa que não é o que foi dito, né? Eh,
quando alguém está tentando identificar
se tem ou não aquela carteira, ela tem
lastro, você tem que encontrar o lastro.
Então, ah, não encontrei. Ao não ter
encontrado, isso não se esgota na
primeira investigação. Disse: "Bom, até
agora investig estou encontrando
dificuldades." Dificuldades significa?
Eu pedi um documento, o documento veio
com dúvidas incompleto. Há uma resposta
que por parte do respondente ele
entendia que era satisfatória, mas a
gente ao eh escrutinar aquela resposta
entende que ela não era satisfatória.
Então, é nesse sentido que quando a
gente usa aqui, a gente tem dificuldade
de encontrar evidências, né? Ela não é
uma colocação eh perimptitória de que
assim, então a partir daí tava
comprovado? Não, não é isto. Nós estamos
investigando, poxa, tô aqui encontrando
algumas coisas que se você e o
raciocínio de uma pessoa normal seria
pensar o que que significa isso?
Significa que se você não encontrou você
vai investigar mais. Se você tivesse
encontrado, não precisava investigar
mais. É isso. Então, a partir de março,
o Aíton me comunica a partir daí, né?
Eh, e em abril a gente abre um processo
administrativo sancionador em função de
não
eh recolhimento compulsório, do depósito
compulsório e a partir daí passam as
tratativas da análise da proposta de
aquisição do BRB em relação ao má. Eh, e
essa análise vai sendo feita também com
um processo em paralelo sobre o
questionamento das das carteiras até
culminar no momento em que as próprias
instituições, a partir dos
questionamentos que foram feitos,
decidem desfazer o negócio, fazer o
desfazimento daquelas daquelas
carteiras, né? Eh, e aí é muito
importante a gente entender duas coisas.
A primeira é o quão relevante é para que
tenha saído o relatório como saiu do
Tribunal de Contas. E eu agradeço demais
a diligência e o espírito técnico e o
comprometimento da área da de bancos,
que foi irretocável do ponto de vista de
ser diligente, de analisar e de e de
fazer todo o trabalho dele. Então, mais
uma vez aqui só elogiar o de bancos, mas
como foi importante que o Banco Central
eh se ativesse a seguir o que é o rito
legal de um processo como esse, né? eh
sobre resolução e e questões como essa,
vale lembrar, eu já citei duas vezes,
que tanto o Banco Central quanto o FGC
estão respondendo por processos a de
liquidação de bancos que ocorreram há
50, 20 anos atrás, no que se volta
contra os administradores públicos, que
se os servidores públicos e se volta
contra o herário público. Então,
todo este processo de questionar quando
vinha uma um primeiro papel sobre a
aquisição do BRB em relação ao máster e
dar mais uma segunda chance para que
fosse esclarecido e fazer todas as
comunicações e fazer todos os avisos. É
muito importante para que esse processo
possa est bem fundamentado e primeiro
sobreviver ao longo do tempo e não
responder ao calor do momento. Ele tinha
que estar bem fundamentado para
sobreviver ao longo do tempo e responder
ao calor do momento. E segundo, num
momento como esse, como a gente tá
passando,
é muito importante que cada um de nós e
e o jornalismo profissional tem um papel
muito importante nisso. Desenvolva o seu
papel institucional.
dentro do mais absoluto rigor. Que que
eu quero dizer com isto? Significa não
recuar
e não ceder sobre o que que são as suas
prerrogativas e o que é o seu mandato,
nenhum milímetro. e também não exacerbar
buscando qualquer tipo de protagonismo
ou buscando
passar ilações, distorções, fazer coisas
para tentar empurrar numa direção que
possa existir algum tipo de interesse.
É muito importante isso. Eh,
para o bem da institucionalidade da
República. Eu acho que a gente tá num
momento que é essencial que cada um de
nós respeite o rigor do que é o seu
mandato institucional.
Eh, não vai ter salvador da pátria para
um momento como esse. Vai ser cada um de
nós fazendo o que que é o nosso papel
institucional que vai fazer a gente
poder passar eh por por esse desafio que
tá tá colocado pro país. Acho que é
falei demais já.
só responder uma pergunta sobre o
alimentação no IPCA 15.
Eh, tem ali um aumento de itens, não é
generalizado. Então, uma maneira de ver
isso é que o núcleo de alimentos
inclusive desacelerou no acumulado 12
meses. E a gente no próprio RPM chama
atenção para que pro fato de esperar
algum aumento de alimentos agora em
janeiro. Então, traduzindo, não muda a
nossa projeção pro ano e
até prova em contrário, não é uma
tendência do grupo como um todo.
>> Eh, seguindo aqui, Martelo.
>> Eh, bom, boa [limpando a garganta] tarde
já, né, Martelo do João. É, eu queria
tirar dúvidas sobre essas informações de
cartão de crédito nesse momento que o
presidente Lula tá falando muito de
envidamento em meio à campanha
eleitoral, né? O senhor falou que 101
milhões de pessoas eh estão no crédito
rotativo do cartão de crédito, né?
Porque às vezes tem uma sobreposição, o
cara pode estar em duas, tá? Então são
pessoas, mas ele pode estar em dois
lugares, tá? El quando você somar todos
os valores, pode dar mais do que eh o
>> Mas são são ao menos 101 milhões de
pessoas. Perfeito, perito.
>> OK. conjuros acima de 100% ao ano. Ou
seja, cada um em cada dois brasileiros
ou mais de 70% da população adulta estão
em dívida no cartão de crédito. Então,
número alarmante, a princípio que a
gente vê aqui, né? A gente viu que o
estoque da modalidade subiu 30% em 12
meses, o que é um maior crescimento eh
do crédito livre das pessoas físicas.
Cresceu muito, né, essa modalidade.
Eu queria entender eh quantas pessoas tm
cartão de crédito no Brasil. Uma dúvida
básica que me pediu para perguntar aqui
e o que pode ser feito, né, nesse
momento. Vocês estão discutindo com o
governo, com o Congresso, porque é uma
situação muito preocupante pelo jeito,
né? E momento que não inades, mas
endividamento tá batendo recorde também
de acordo com os números do próprio
Banco Central. Vocês estão discutindo
com o governo o que que pode ser feito
para melhorar isso? Obrigado,
David.
Boa tarde. Eh, na linha até do que o
Marcelo, o Martelo já comentou, eh, a
apresentação ela também trata do aumento
do endividamento e o presidente Lula
voltou a falar sobre o endividamento das
famílias hoje e pelo menos na primeira
vez ele questionou as taxas de juros
praticadas no Brasil. E aí eu quero
saber eh como que o Banco Central
enxerga o reflexo dos juros na questão
do endividamento e qual a disposição da
instituição do ponto de vista de
regulação para o monitoramento da das
taxas praticadas pelas instituições
financeiras. A outra questão é: a
meteorologia tem considerado a
possibilidade de euninho no segundo
semestre e o relatório, ele manteve as
previsões quanto à segurança hídrica e
até as bandeiras tarifárias. Eh, eu
quero saber, o relatório já contempla
essa possível ocorrência do Elninho no
segundo semestre? Obrigado,
>> Larissa.
>> Boa tarde, presidente diretor Larissa
Garcia do Domenai. Eh, eu tenho uma
pergunta sobre as discussões na reunião
do COPOM. Para mim não ficou muito claro
na ata se teve algum debate sobre outras
opções entre cortar 2550.
Eh, então vocês chegaram a considerar um
corte de 50. Quais foram as discussões
nesse sentido? E se não fosse a guerra,
vocês teriam optado por 50? E aí
reforçando um pouco a pergunta da Thaí
nas projeções do do COPOM, a inflação
não chega na meta, né, em todo o
horizonte de projeção. E aí eu queria eh
saber se vocês consideram que chega ao
redor da meta em 2028, porque fica em
3.1, 3.2. E aí eu queria aproveitar para
perguntar o que que significa ao redor
da meta pro COPOM, porque lá atrás a
gente tinha o entendimento de que era
0.2 do eh ponto percentual. E aí eu
queria saber se continua assim ou não.
Obrigada.
Vou começar de trás para frente. Eh,
sobre a reunião do COPOM, eh, o que
acaba acontecendo é a gente tem um
ciclo, né, que começa bem antes das
reuniões efetivamente de terça e
quarta-feira, onde todos os diretores
vão sendo expostos ali a cursos de
formação e pós-graduação, né, que eles
dão pra gente, os os servidores do BC,
ali, explicando, entrando no detalhe de
cada uma das variáveis. E obviamente ao
estarmos todos ali expostos aqueles
dados e continuarmos conversando entre
nós sobre ele ao longo do período, é
normal que já vá aparecendo ali
impressões, opiniões, a gente vai
trocando essas ideias, né? E aí depois a
gente tem toda terça-feira e
quarta-feira pela manhã ainda mais um um
uma coisa mais intensa ali passando por
por cada um dos tópicos. E aí o processo
de decisão efetivamente ocorre só na
quarta-feira à tarde ali. E aí o debate
passava primeiro por uma discussão de se
a gente entendia que o cenário havia
mudado de maneira suficiente para que
tivesse mudado a orientação, o guidance,
né, na na da da reunião anterior. O
entendimento eh geral foi de que não,
né, de todos os diretores e a partir daí
cada diretor vai manifestando o seu
voto. E aí foi uma manifestação de
consenso, todos manifestando os 25
pontos base. Então foi foi basicamente
essa
eh a dinâmica, né, sobre
>> ou seja, vocês não consideraram outras
opções nessa reunião, nesse processo
decisório, não teve assim, um chegou com
outro com outro, foi todo mundo por 25.
cada diretor dentro de si pode ter
considerado, mas na hora de manifestar o
voto, todos manifestaram o voto pelo 25
ali. Mas esse é um processo que vai se
conformando assim e e talvez seja das
coisas que mais
eh mais eu tenho orgulho de participar
desse comitê e dessa diretoria. Eu eu
jamais assisti uma reunião por parte
dessa diretoria que os argumentos fossem
apresentados de maneira a tentar
convencer o colega sobre uma posição
préconcebida na entrada. Eu acho que eh
eu dei muita sorte de ter uma diretoria
que para além de uma formação técnica,
uma captação capacitação técnica muito
grande, eles eles têm dúvidas. É uma
coisa muito boa para um economista ele
ter dúvidas assim, será que é isso? E e
esse outro lado, ele considera, todos
consideram que tem tradeoffs nas
decisões e o que que tem no outro lado.
Então, os diálogos são muito
construtivos nesse sentido. Eu eu gosto
muito da dinâmica que a gente conseguiu
estabelecer aqui ao longo das
das reuniões, né? Do ponto da projeção,
eu acho que é um pouco do que a gente
vinha falando antes, né? Ou seja, se
você tá dizendo que que o intervalo de
confiança se ampliou, né? também a ideia
de que é eh o entorno fica um pouco mais
elástico e aquela ideia que eu falei já
algumas vezes de que você tá comentando
sobre uma analisando mais a composição
do que um número cheio, né? Então, eh,
de novo, não é uma mudança de
governança, é uma mudança da realidade.
Nós estamos agora tratando de um
ambiente onde a gente tem um choque de
oferta, onde choques de oferta ao longo
dos anos tiveram desdobramentos
distintos na na economia, né? O
esperado, como eu já comentei e
amplamente pelos banqueiros centrais, é
inflação para cima e crescimento para
baixo, mas que a gente não tem ainda
noções claras de quais são, qual é a
intensidade, qual é o desdobramento
do do conflito.
>> É esse desdobramento mais elástico, mas
mais elástico, quanto vocês t um e acima
de 02? Tem algum algum parâmetro
numérico pra gente?
é menos sobre se a gente tá cravando um
novo número e mais aquilo que o Paulo
tava comentando. 01 a sua para traduzir
para um português bem bem pedestre assim
é a o quanto eu acredito naquele 01
daqui a 18 meses ele perdeu um pouquinho
de confiança. Eu preciso analisar ele
com um pouco mais de dúvida do que eu
analisava, dado que tem mais variáveis
que podem impactar ele, que a gente tem
menos confiança ali, né? Então, acho que
passa passa por isso.
Eh,
sobre cartão de crédito, então os o 100
milhões é é mais ou menos o o número de
clientes de cartão de crédito, martelo.
Então, quando a gente fala dos 100
milhões, é isto. Talvez vha a pena
depois até a gente passar para vocês
assim e ess a composição desse número de
maneira detalhada, porque tem uma série
de de
dificuldades ali de entender de maneira
tranquila em função das particulares do
Brasil, porque como eu comentei, quando
você vai no mercado ou vai em qualquer
lugar e paga com o seu cartão de crédito
eh e você diz que você tá pagando à
vista, como vai receber ali num prazo
mais elástico, aquilo lá vai entrar em
crédito. Então tem um pedaço desse
cartão de crédito que entra como
crédito, mas não é uma operação de
crédito para você. Você não tá pagando
juros nisso, não tá pagando nada disso.
Assim como no parcelado sem juros, você
também não tá pagando juros.
>> Então então não são 100 milhões de
devedores.
>> Perfeito.
>> Quantos são devedores? Então porque o
senhor falou 100 milhões de pessoas
estão no rotativo do cartão de crédito
com juros acima de 100% ao ano. Não está
correta essa afirmação? Então
>> é posso passar para você o dado exato
que a gente tem depois de quantas
pessoas? Eu não tenho aqui a quebra de
cada um dos à vistas e e rotativo e
parcelado. Podemos depois passar para
vocês aqui.
>> Pode ser geral, presidente. É que esse
essa informação interessa a todo mundo.
>> Isso é não, desculpente, pra gente poder
passar para para vocês esse
>> esse dado ali. E tem duas dificuldades
além disso, você ter o cara do avista
que entra ali no crédito. É, você vê as
estranhezas que a gente produz até do
ponto lógico, né? O a vista que entra no
crédito, o parcelado sem juros. E apesar
de você ter o muro, que é essa ideia do
muro que a gente comentou, se você pegar
o que o cara pagou naqueles meses e
anualizar, muitas vezes o número vai
aparecer maior. Então, tem uma série de
de implicações ali que não que não são
não são simples de você eh tratar, mas
sim, a maior parte, como vocês mesmos
publicaram já, das pessoas que estão
endividadas e estão atraso, são pessoas
que estão com pagando para juros para
cartão de crédito.
Só para entender, são 100 milhões de
clientes ativos com cartão de crédito no
Brasil. É isso.
>> Mas não quer dizer que essas pessoas
estão devendo. Devedores. É isso.
>> O senhor não sabe quantas estão devendo.
Então
>> é o número 100 milhões do que a vista e
rotativo. Eu não tenho número aqui para
te passar. Eu posso te passar depois.
>> Então pelo fato de ser pelo fato de
fazer uma compra tá devendo. É isso que
quer dizer. Mas não quer dizer que tá
pagando juros.
>> Não quer dizer que tá pagando juros.
Exatamente. Exatamente.
>> O ponto é a maior parte das pessoas que
estão inadimplentes, a maior parte da
inadimplência está relacionado com com o
cartão de crédito e com o rotativo. Esse
é o ponto.
>> Uma correlação direta.
É, com relação direto dizendo assim, é o
juros mais alto, então tem uma chance
maior do cara ficar inad nesse processo.
E aí tá relacionado com isso que a gente
tava comentando, que é que é o fato de
que você a pessoa acaba utilizando ele
como um crédito que tá disponível ali
para ele o tempo todo e vira um um
complemento de eh de renda. E acho que
vale também a pena fazer uma ressalva,
martelo, no caso da inadimplência.
Se a gente fizer aquele contrafactual,
que é considerando como é que seria
lançada a inadimplência sem a mudança
que o Banco Central fez, a gente não
estaria na inadimplência mais alta, a
gente teria não estamos no recorde
porque 50% da inadimplência foi
explicado por essa mudança contábil ali,
tá?
>> Só para entender quais são as discussões
para para melhorar, né, esse ambiente aí
do cartão de crédito. Pode ser feito
alguma nova mudança? vocês estão
discutindo.
>> Eu eu acho que tem a nossa dimensão aqui
do Banco Central e o Císero lembrou bem,
eu venho batendo no meio nesse martelo
já algum tempo aqui de bater, de falar,
ó, tem que tem que falar disso, tem que
falar disso, tem que tentar discutir, é
como é que a gente consegue achar
alternativas, construir alternativas
para que o cliente possa ter uma
alternativa que é mais adequada pra
situação dele, para o que ele precisa.
Eu acho que é isso que a gente precisa
fazer.
Eh, eu pessoalmente, e não sou eu que
vou desenhar as políticas, é uma
discussão que transcende o Banco
Central, eu pessoalmente sempre tenho,
sempre lembro que estratégias de
limitação de preço produzem limitação de
oferta também. Então você pode muitas
vezes até aumentar a sensação de
desconforto, né? Porque quem hoje já tem
a dívida não vai ser beneficiado por
isso. E quem fosse capturar, captar uma
dívida nova, pode não captar porque você
vai ter uma restrição de oferta, né?
Então, eh, a dificuldade é todas as
soluções estruturais, matelo, são
soluções que costumam levar mais tempo,
né? e você não consegue fazer uma
transição onde você desliga uma coisa e
liga outra coisa imediatamente.
Mas esse é um tema que vem sendo
debatido aqui eh bastante dentro do
Banco Central sobre como é que a gente
produz arranjos mais saudáveis para quem
tá tomando crédito ali.
>> Eu acho que sim, né? Paulo, pode falar
do Einho. Paulo,
>> é só uma resposta rápida. Eh, o Elninho
tá incorporado no nosso modelo como
sempre. E sobre o cenário hídrico, a
gente considera bandeira amarela no
final do ano, inclusive como o QPC
também.
[roncando]
>> Sigo aqui,
>> por [limpando a garganta] favor. Bom,
último bloco. Elis,
>> boa tarde, presidente. Boa tarde,
diretor Elis Barreto da CNN. Eu queria
fazer algumas perguntas. Primeiro, vocês
citam levemente assim os efeitos da
desoneração e subvenção feitas pelo
governo para conter o aumento de preço
de combustíveis aqui. Vocês citam ali
levemente na questão fiscal, mas não
falam se já impactou a projeção de
inflação para esse ano. Essa tentativa
de conter o preço dos combustíveis no
ambiente doméstico. Segundo sobre a PEC
do BC.
Eh, o projeto tá travado no Congresso e
pelo que a gente sabe e precisa de uma
resposta por parte do governo. O BC tem
conversado com o governo para tentar
destravar o andamento do projeto. E
sobre essa mudança de posição no tempo
de reação do BC tem a ver também com a
mudança da meta para meta contínua.
Então, vocês tiveram ali mais fôlego
para decidir as decisões do Banco
Central. Obrigada,
>> Marcela. Foi a primeira.
>> Qual que foi a primeira, Eli? Desculpa,
perdão.
>> Sobre os efeitos da desoneração e
subvenção do diesel. Vocês citam ali a
sobre a questão fiscal. Queria saber
tanto sobre o impacto na inflação, sobre
o risco fiscal.
>> Obrigado.
>> Boa tarde, Marcela Aires na Riters.
>> Marcela. Depois das revelações que o
ex-diretor Paulo Sérgio e o ex-chefe do
Desup Bel Santana participaram aí eh de
interações com o Daniel Vorcaro,
prestando assistência a ele num contexto
em que seguiam como servidores aqui. Eu
gostaria de entender qual é o status
atual da auditoria do Banco Central que
vinha sendo conduzida. Esse trabalho já
acabou? O Banco Central tem confiança
que apenas esses dois servidores estavam
envolvidos nesse tipo de conduta
bastante reprovável. A minha segunda
pergunta é sobre recuperações
extrajudiciais. A gente tem visto aí eh
anúncios vultosos de empresas
importantes com dívidas também
relevantes no mercado. Como o Banco
Central tá acompanhando esse tema, se há
uma preocupação e se há uma preocupação
também com as implicações disso para um
mercado de crédito privado, pro mercado
de capitais. Por último, qual o racional
do Banco Central nas últimas
intervenções no mercado de câmbio e se
conversou com o tesouro antes das
intervenções, recordes que foram feitas
na semana passada, eh, antes da decisão
do COPOM. Obrigada,
>> Fábio.
>> Boa tarde. Boa [limpando a garganta]
tarde a todos. Eh, presidente, teve uma
eh um ponto levantado aí pelo mercado
nesses últimos dias que é a gente vai
ter números de inflação aparentemente
bem altos nos próximos meses, puxados
por combustíveis. Por outro lado, o
modelo usando a curva de petróleo 6
meses à frente projeta uma inflação ao
redor da meta no horizonte relevante,
3,3.
Eh, qual que é a análise do BC frente a
essa possível dicotomia? E mais peso
para esse curto prazo?
eh ou segue olhando para pro longo prazo
de fato para seguir a política
monetária. Eh, sobre crédito, eh só
queria uma confirmação de o PC tá
participando das dessas discussões sobre
eventuais mudanças no mercado de
crédito, nas regras, eh se sim, eh seria
tanto no rotativo como no consignado
privado. e que tipo de mudança, em que
direção que elas devem ser aplicadas,
qual que seria o racional delas, até
porque tem algum receio do mercado,
governo já teve que eh sair por aí
falando que não vai ter teto sobre juros
e etc. E sobre indicações, entendo que o
senhor não pode abrir muito, mas queria
pedir uma análise eh sobre essa demora,
do por que que tá existindo essa demora,
até porque [limpando a garganta]
tem a perspectiva do começo do período
eleitoral e esse cenário pode inclusive
ficar ainda mais complicado, né?
Obrigado.
>> Vou começar aqui com um ponto que Elise
falou assim, eh, não houve uma mudança
de reação do ponto da nossa da nossa
função de reação, até porque antes mesmo
da mudança da meta contínua para a meta
contínua, o Banco Central já vinha antes
da mudança legal operando do do ponto de
vista eh eh prático com a meta contínua,
olhando 18 meses à frente. Então, a
gente já tava eh obviamente tendo que
respeitar legalmente, escrever a carta,
quando dentro do ano calendário a gente
não cumprir a meta, mas a gente já
comunicava que tava mirando uma inflação
18 meses à frente. Tudo isso do
horizonte relevante a gente já vinha
fazendo. [limpando a garganta] O que a
gente falou aqui sobre tentar analisar a
composição e o que que são o que que tá
movendo a inflação, que mais estão
reagindo os indicadores, é menos sobre
uma mudança da função de reação e mais
sobre uma mudança de um cenário que
agora além daquilo que a gente já vinha
discutindo, olhar como é que tá se
comportando eh eh os os componentes mais
cíclicos da atividade econômica, como é
que tá se comportando todos os núcleos
de inflação e tudo aquilo que a gente
analisa, como é que tá se comportando o
mercado de trabalho, a gente tem uma
variável adicional que tem influenciado
muito os preços do
do no mercado, dos ativos, que é o um
choque de oferta em função do conflito
eh no Irã. Então, é mais um um elemento
adicional que sugere que tem que ser
considerado na nossa reação, né? Eh, e
menos uma mudança da nossa governança,
né? Tanto que nas projeções e tudo mais,
a gente continua considerando a
governança tradicional. não fizemos
nenhuma alteração na governança das
nossas projeções, né, em função do que
do que que aconteceu
da PEC do BC.
Eu acho que eu falei isso já nas duas
últimas aqui,
desculpa.
A conversa eh tinha sido feita de uma
maneira de que a resistência que existia
era que a proposta não viesse de forma
que o BC migrasse para direito privado,
tinha que permanecer no direito público.
Essa foi a condição que foi colocada na
na nas negociações, vamos chamar assim,
né? A proposta original do senador Plíma
tinha direito privado. O governo e até
alguns senadores da base levantaram a a
resistência. A gente tomou o cuidado de
ir dialogar com a AGU e pedir para que a
GU e endereçasse a questão. A AGU
redigiu uma proposta com o direito
público que o Banco Central apoia e está
de acordo. A GU já foi ao gabinete do
relator e ao Senado, inclusive
esclarecer as alterações e e por tinha
feito e como tinha feito. o meu
entendimento e a informação que eu tenho
é que o relator acatou e apoia também
esta mesmíssima eh proposta.
Então, do nosso lado, a gente entende
que a gente cumpriu o que tinha sido
demandado ao Banco Central de que
migrasse para direito público, solicitou
à advocacia geral da União que
elaborasse a redação, conversou com o
relator e o relator está de acordo.
Eh, então eu só me resta de novo pedir
ajuda para que a gente possa avançar
neste tema. é da mais alta relevância
para que a gente possa endereçar
questões como essa que tão ocupando eh
diariamente o debate na opinião pública.
Então, é muito importante que a gente
consiga dar celeridade no processo de
aprovação da PEC e nos preocupa o o
calendário político de que se a gente
vai de que a gente consiga dar o devido
urgência que o tema merece.
Eh, do ponto de vista da das
intervenções, as intervenções eh do do
mercado de câmbio seguem as mesmas
orientações de sempre. a gente só tem
qualquer tipo de intervenção quando a
gente entende que aquela intervenção vai
colaborar do ponto de vista da
funcionalidade do mercado de câmbio. Eh,
e é assim que tem tem sido feito e acho
que tem sido uma condução que tem sido
muito elogiada ah a do Newton à frente
da Dipon ali. Acho que tem sido muito
bem feito todos esses processos.
Eh, do ponto de vista da intervenção do
tesouro, os diálogos ocorrem porque quem
operacionaliza as intervenções do
tesouro, as atuações e os leilões do
tesouro é o Banco Central. Então, há um
diálogo permanente entre o Tesouro e o
nosso departamento de de mercado aberto,
porque é o departamento de mercado
aberto é o DEMAB que que vai fazer a
a operacionalização de qualquer
determinação, que obviamente a
determinação e a decisão é de inteira
exclusiva a prerrogativa do do Tesouro
Nacional, né? Eh, sobre as
investigações,
eh, elas são elas assumem agora duas
frentes, né? uma frente que dado que a
competência
do ponto de vista de corregedoria é da
CGU, a gente passou eh o processo paraa
CGU e agora a CGU vai dar continuidade
do ponto de vista legal naquilo que se
refere à questão administrativa e do
ponto de vista criminal. É uma
investigação que segue com a a Polícia
Federal e só qualquer Ah, mas então como
é que tá a investigação, né? aí, a
Polícia Federal que vai responder. Não
cabe ao Banco Central fazer qualquer
tipo de comentário sobre investigação
que a Polícia Federal tá fazendo, até
porque isso iria contra os interesses da
própria investigação, né? Eh,
>> mas a auditoria aqui, perdão, terminou,
posso dizer isso?
>> Talvez vha a pena a gente explicar como
é que funciona a auditoria do Banco
Central. A gente tem uma área que chama
Audit. Essa auditoria ela vai rodando de
áreas em áreas e ela é permanente, ela
fica o tempo inteiro. O Banco Central
está em permanente auditoria sempre, a
todo momento.
Eh,
qual que era a pergunta, Fábio? Mudanças
do que a do
crédito. Mudanças no crédito. Boa fala.
Eu acho que são duas dimensões. A
dimensão que o Banco Central tá
analisando é uma discussão estrutural
sobre como é que você tá o tempo todo
produzindo normas e arranjos que são
mais saudáveis do ponto de vista do
consumo de crédito. Vou dar um um
exemplo de um debate que só para como
evidência anedótica aqui, mas é
interessante.
Pix parcelado. O Pix parcelado,
quando a gente começou a pensar nele, a
gente tinha uma preocupação que foi a
preocupação de origem do Pix, que era
como é que a gente faz, como é que a
gente garante que o Pix vai ser
devidamente oferecido aos clientes?
Porque quando o Pix nasceu, existia uma
preocupação de que eles não fossem, ele
não fosse oferecido, não tivesse os
incentivos corretos, dado que ele é
gratuito, para ser oferecido, né?
A gente percebeu agora que o produto Pix
é um produto que já tem tanta exposição,
conhecimento e apelo que a preocupação
era quase o contrário. Como é que a
gente garante que as pessoas não vão
usar o Pix parcelado de maneira
excessiva eh e e de maneira inadequada
para aquilo que a gente pensava que era
o correto?
Dentro dessas preocupações,
um debate que existe é se você deveria,
por exemplo, informar qual é o limite de
crédito que a pessoa tem para utilizar o
Pix parcelado. E não é uma solução
simples, porque você fala assim: "Bom,
se eu informo o limite que ela já tem, é
comum as pessoas entenderem aquele
limite como um dinheiro que elas têm
disponível, igual no rotativo, e elas
passam a utilizar aquilo de maneira que
não é desejável, vamos dizer assim. Mas
se você não informa, talvez a pessoa só
vai descobrir que ela não tem aquele
limite no momento que ela chegou num num
varejo ou em qualquer lugar para pagar
parcelado e ela vai ter aquele aquele
parcelamento reprovado e pode gerar um
constrangimento que que não é desejável,
né? e pode até inibir o uso do produto.
Então, as soluções não são não são
sempre triviais e como tudo que o Banco
Central toma decisão tem tradeoffs. São
essas discussões que o Banco Central vem
fazendo de como que a gente consegue
oferecer alternativas que possam ter um
custo menor para o cidadão, que podem
ser mais competitivis, serem menores pro
cidadão. Eu acho que essa essa essa é a
trilha do Banco Central, a trilha do
governo. Obviamente vão passar por
outras discussões que estão sendo
conduzidos ali dentro do governo.
Deixei de responder alguma coisa? Acho
que eles tinam uma
>> sobre os efeitos da desoneração e
subvenção do diesel.
>> Eh, primeiro é bom lembrar, o diesel
tem um impacto bem pequeno, né? um peso
bem pequeno no IPCA, que é o índice que
baliza a nossa meta. Eh, mesmo assim, o
tanto a o a subvenção quanto a
desoneração já haviam sido anunciadom,
tão incorporadas nas nossas projeções.
E sobre o impacto fiscal disso, a gente
não comenta como de nenhuma outra medida
específica. A gente sempre olha o fiscal
como um todo e o impacto que ele tem
sobre preços de ativos. E e acho que
assim dentro dessa dessa linha, vale a
pena lembrar que as meninas já tinham
sido anunciadas antes do da reunião do
COPOM, né? Então, de maneira, ela elas
foram consideradas na nossa discussão e
e acho que é o final do dia, assim, é
isso, é um é um cenário, como a gente
falou, de estamos
eh usando o tempo para entender e
estamos partindo de um ponto inicial que
é distinto dos dos de alguns outros
bancos centrais nesse processo de ganhar
tempo para para entender nesse sentido.
Por isso que a gente vê essa divergência
de precificação. Quem tá mais próximo
uma taxa de juros neutra, a gente começa
a assistir um pouco de precificação para
cima. No nosso caso, parece fazer
sentido que o mercado esteja
precificando muito mais até onde vai
esse orçamento, como vão ser os próximos
passos, em que intensidade do que
efetivamente a direção da do ponto que a
gente tá.
Só o comentário a respeito das
recuperações desses judiciais, por
gentileza, presidente, implicações pro
mercado de crédito privado.
Eh, o o Paulo comentou aqui, né, a gente
eh a gente discutiu tanto no COMEF
quanto eh sobre os impactos que a gente
tinha ali, fez um comunicado e agora
aqui na apresentação do Paulo de que a
gente tem hoje um impulso negativo de
crédito, como é esperado do ponto de
vista da política monetária, mas ainda
assim a gente assiste uma velocidade de
crescimento do crédito que não é
desprezível para
para pro o nível de restrição da
política monetária. E aí e é lógico, é
um tema de atenção que a gente vai estar
analisando o ponto de estabilidade, mas
não há nenhum tipo de preocupação do
ponto de vista sistêmico de estabilidade
pro sistema financeiro eh que esteja no
radar. E acho que quando a gente analisa
a questão das empresas, vão ter questões
que são mais eh conjunturais e vão ter
questões que são mais pontuais,
específicas de de setor ali. Então o
Banco Central segue acompanhando isso.
>> Presidente, só ficou faltando a análise
sobre essa dicotomia de curto prazo e
longo prazo do combustível e também
sobre as indicações, essa análise sobre
o timing e o a complicação do período
eleitoral.
Eh, das indicações. Sinto muito aqui,
Fel, vou repetir a mesma coisa. É aquilo
que eu já comentei aqui com você, peço
desculpas. eh, do curto longo prazo, eu
acho que tá muito relacionado com isso.
Eh, se a gente olhar desde o início do
do conflito, o que aconteceu foi você
tinha essa precificação majoritária, que
me parecia tá na curva de um conflito
que poderia durar pouco tempo e voltar
rapidamente.
Depois você migrou para essa ideia e e
não é que você migrou todo mundo foi uma
mesma posição, acho que elas foram
ganhando mais peso ao longo do tema, né?
De que talvez não seja só um
estrangulamento de oferta que envolva só
o est de ormos, mas alguma coisa de
capacidade produtiva que talvez voltar
demore um pouco mais. Mas também depois
você pode ir para uma coisa ainda mais
extrema que dá uma outra volta. Como eu
comentei, hoje de manhã tinha um tinha
um tava circulando inclusive um
relatório com informações sobre o Fed,
onde nessa composição de análise de
risco, se você por acaso começa a ter
uma crise que é ainda mais aguda e um
preço ainda mais alto, talvez o impacto
no crescimento seja ainda mais negativo.
Então perceba que você tem um muito
curto que não impacta tanto crescimento,
um outro cenário que pode ser mais
durador e um que é ainda pior que pode
impactar mais negativamente crescimento.
Então, eh, o mercado está reagindo a
isso e tem e obrigado a reagir conforme
as expectativas de cada um desses
cenários impacta os preços dos ativos. O
que eu acho que a gente conseguiu, o que
a gente vem tentando transmitir ao longo
do do das nossas decisões de política
monetária, a nossa função de reação não
é a função de reação do mercado. A gente
tá tentando sempre separar o que que é
eh ruído de sinal e cavar ali para
tentar olhar o que que são as correntes
mais profundas que realmente impactam o
nosso mandato, né? o que que é a
ferramenta que nós temos e o que é o
nosso mandato. É dessa maneira que a
gente vem encarando.
Encerramos.
>> Boa tarde. Obrigado.
>> Obrigado, gente.
>> Obrigado a todos.
[música]
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