MKBR26 - Painel "O que pensam as lideranças"
Transcrição e Conteúdo
[música] Chegou a hora de juntos então debatermos o futuro do mercado. Afinal, quais são os maiores desafios para o desenvolvimento do mercado? Como é que fica a confiança e a previsibilidade num ambiente global extremamente complexo como o atual? E os efeitos concretos desse cenário no mercado local e o impacto das eleições presidenciais. São muitas perguntas que temos pela fr...
Chegou a hora de juntos então debatermos
o futuro do mercado. Afinal, quais são
os maiores desafios para o
desenvolvimento do mercado? Como é que
fica a confiança e a previsibilidade num
ambiente global extremamente complexo
como o atual? E os efeitos concretos
desse cenário no mercado local e o
impacto das eleições presidenciais. São
muitas perguntas que temos pela frente.
Então, para abrir o MKBR 2026, vamos
entender o que pensam as nossas
lideranças sobre o momento atual do
mercado de capitais brasileiro. É hora
de receber o presidente da IMA, Carlos
André, [roncando]
e o presidente da B3, Gilson Finelstein.
Por favor, sejam bem-vindos.
Quero por gentileza se acomodar.
Bem-vindos. por favor. E quem vai mediar
essa conversa é a jornalista
especializada em mercado financeiro
Carla Espotorno. Vem para cá, seja
bem-vinda.
Carla, por favor,
sejam bem-vindos. Por favor, podem se
acomodar. Carla, a palavra é sua. Um
ótimo debate para vocês.
>> Muito obrigada. Um bom dia a todos. Bom
dia, Carlos. Bom dia, Gilson. Acho que a
gente tem uma manhã de muita eh de um
desafio muito grande, né? Como falou
Vanessa, falar sobre conjuntura, o
momento atual. Talvez hoje de noite tudo
mude, né? Às 21 horas. Vamos ver o que
que vai acontecer. Eh, mas acho que
antes de a gente olhar um pouco à frente
e falar dessa desse momento atóico, é
interessante a gente parar olhar onde a
gente tá e o que que fez a gente chegar
aqui. Quando a gente olha o mercado de
capitais brasileiro, é claro que tem um
monte de problemas, mas é claro também
que a gente tem uma evolução desde 2018
aí, desde o primeiro congresso, muito
grande, mais empresas conseguem se
financiar via mercado de capitais.
Quando a gente olha a B3, lá em 2018 não
tinha nem 1 milhão de CPFs. Esse número
queou até agora tem mais de 5,5 milhões
de pessoas físicas investindo na bolsa.
Eh, e quando a gente fala da indústria
de fundos, né, como jornalista é de
investimentos pessoais, acompanho muito
de perto, a gente tá falando de uma
indústria de mais de R$ 10 trilhões
deais. Então, assim, teve uma grande
evolução de lá para cá. Eh, e eu queria
entender como que a gente chegou até
aqui, o que que funcionou pra gente
chegar até aqui. Carlos, queria te
passar a palavra para tentar responder o
que que você destaca que deu certo de lá
para cá.
>> Legal. Obrigado. Obrigado, Carla. Prazer
enorme eh estar aqui nesse nessa nova
edição do MKBR ao lado do do meu amigo
aqui, Gilson. Eh, uma oportunidade pra
gente debater eh mercado de capitais.
que mercado de Capitais
aqui no Brasil já deixou de ser uma
pauta, eh, que eu diria acessória, ela
passou a ser uma pauta eh primordial
relacionada ao desenvolvimento econômico
do país. Eh, como você colocou, desde
2018 para cá, a gente consegue ver o
diversos ângulos em que a gente consegue
eh abordar o copo meio cheio. E eu, eu
costumo dizer que para mim uma das
principais revoluções que a gente
assistiu no mercado financeiro e de
capitais foi aquela pauta, hoje em dia
totalmente incorporada de ter o cliente
no centro dos negócios financeiros, dos
agentes que trabalham aqui no mercado
financeiro e de capitais. Isso, na minha
visão, também fez com que diversos
avanços fossem possíveis tanto sobre a
ótica regulatória, né? a gente teve ao
longo desses últimos anos um sem número
de de mudanças regulatórias, né, desde
mudanças na indústria de fundos, como a
175, que a gente acabou de eh de ter o
seu marco final atingido no meio do ano
passado. E o mercado tá, eu diria que
ainda está num processo de incorporação
dessas novas práticas para ganhar mais
eficiência. A gente teve mudanças nas
regras de ofertas públicas, a gente teve
mudanças nas regras de distribuição de
produtos de investimentos. Então esse
framework regulatório, eu acho que foi
um dos principais avanços que a gente
teve e muito desenvolvimento que o
próprio mercado também incorporou, né,
para quem é mais antigo, por quantos
anos a gente debatia o mercado de
crédito privado, né, e a ilicquidez do
mercado de crédito privado, a o curto
prazismo das emissões, a concentração em
pouquíssimos emissores. Quando a gente
olha [limpando a garganta] a o as
condições do mercado hoje, como que isso
evoluiu, né, eh, em todos os aspectos,
prazo, quantidade de emissores, liquidez
no mercado secundário, enfrentamento de
crises, porque a gente teve crises
corporativas bastante importantes, na
qual nas quais o mercado funcionou super
bem. Então, eh, eu acho que, sem dúvida
nenhuma, tem muita coisa pra gente
celebrar e pra gente ter convicção de
que estamos no caminho certo. Não quer
dizer que que esgotamos tudo que
precisava ser feito. a gente tem muita
coisa ainda para fazer, mas eu diria que
esse olhar pro investidor, o
desenvolvimento regulatório, né, o
aperfeiçoamento do arcabolso regulatório
e o dinamismo que o mercado eh criou ao
longo desses últimos anos, foram fatores
bem importantes. Deixar o Gilson falar
um pouco sobre isso,
>> Gilson.
>> Legal. Bom dia a todas e a todos. Bom
dia, Carla. Um prazer tá aqui mais uma
vez em parceria B3 com ANBIMA nesse
evento bacana que se transformou MKBR
pra gente discutir perspectivas e
evoluções do mercado de capitais. Carla,
assim, passa um filme na minha cabeça
muito bacana desses 8 anos, desde que a
gente fez a primeira edição do MKBR,
porque a gente viu de tudo no mercado,
né, na incerteza do Brasil, juro baixo,
juro baixíssimo, juro altíssimo. É, mas
a gente viu muita evolução e eu acho que
essa que o que nos traz até aqui na
linha do que o Carlos André falou foi
uma evolução enorme da combinação da
tecnologia, da digitalização, da
arquitetura aberta, da distribuição de
produtos, da evolução do mercado. Você
mencionou 1 milhão, né? A gente demorou
20 anos lá para chegar em 1 milhão de
CPFs em renda variável. E aí de repente
em 5 anos, em 4 anos, a gente chegou em
5 milhões, agora indo para seis. Esse é
um dos indicadores, mas a gente também
tem 3 milhões de investidores em fundo
imobiliário, 35 milhões e em tesouro
direto. Lembrar que a poupança tem 20
ainda. Então, eh, eu acho que foi uma
evolução enorme eh que o que a indústria
teve eh com essa combinação de
digitalização, educação financeira,
acesso, interesse pelos mercados
financeiros e de capitais. Eh, então dá
um orgulho enorme de ver que nos últimos
8 anos a gente de mãos dadas aqui B3 e
Ambima, eh tiveram seu papel de ajudar
nesse nessa evolução que eu chamo até de
sofisticação. A gente tem muito para
avançar ainda. A gente vai falar um
pouco aqui sobre produtos, sobre
oportunidades, mas eu acho que olhando
assim de onde a gente de onde a gente
vem, eh, dá um assim um um uma sensação
de que a gente tá indo, eh, pro lugar
certo em termos de evolução de mercado,
produtos, acesso, eh educação do
investidor. Eh, então acho que esse é o
é o caminho que a gente tem que seguir e
continuar seguindo.
>> Maravilha. falando um pouco de educação
do investidor eh e de crédito privado
que o Carlos mencionou, eh, nos nesses
últimos dois anos, o crédito privado
virou queridinho paraa pessoa física,
né, em algumas vezes, e aí como editora
de investimentos pessoais, às vezes mal
vendido, né, vi fundo de crédito privado
sendo vendido para reserva de
emergência, por exemplo. Mas tirando
assim essas esses questões pontuais de
distribuição, acho que tem uma questão
importante que é a evolução de mercado
secundário, eh, como você falou, mais
emissores no mercado de capitais, eh, e
um fluxo, uma demanda que não para, né?
A gente viu agora nesse início de ano,
esses dois primeiros meses,
principalmente, eh, multimercados até
voltando a captar um pouquinho em um dos
meses, mas o que realmente continuou
captando foi a renda fixa, mas não só a
conservadora crédito privada. Queria,
Carlos, entender a perspectiva que vocês
veem para crédito privado. A gente vê os
spreads bem amassados aí nesse ano. Eh,
gestores não querendo o chamado raild,
né, indo só pro high grade. E, enfim, as
tem emissão rolando, vai tem emissão
acontecendo, mas me parece que a demanda
continua maior e aí, portanto, os
spreads devem continuar amassados. Qual
é a perspectiva que você vê aí pro ano
para essa categoria que é a queridinha?
>> Legal. Bom, eh, acho, sem dúvida
nenhuma, e o Gilson, eh, tem que
concordar comigo, que assim, todas as
muitas surpresas positivas, né, e muito
dos frutos positivos que a gente vem
colhendo, tem vindo desse mercado de
crédito privado, né, quando a gente tá
falando de mercado de capitais. Claro
que juros auto é um dos componentes que
contribui paraa atratividade e pro
desenvolvimento e pelo interesse que a
gente tem visto no passado bem recente.
Mas o o realmente o essencial é que o
mercado está bastante funcional. O que
que significa o mercado estar funcional?
um secundário com eh atividade, com
liquidez, com transparência de preço.
Acho que um uma das grandes conquistas
eh que vem como efeito colateral desse
aumento de liquidez é você ter
referência de preço, né? Eh, com
referência de preço tudo fica mais
fácil, né? você consegue de alguma
maneira eh trazer novas emissões com
mais convicção de que você tá fazendo a
precificação correta e vai encontrar a
demanda que você desejaria no mercado.
De alguma maneira você dá saída a preço
adequado pros clientes, as instituições
se sentem mais estimuladas e mais
confortáveis em participar desse
ecossistema. Ah, e a gente vê isso
seguindo, né? A gente, eu conversava
aqui antes com o Cris, eh, e o Cris tava
falando, não, o mercado, na verdade,
agora num eh nos últimos, nas últimas
semanas, por conta da volatilidade, os
spreads até se reacomodaram um pouco
mais altos, né? Eh, e isso é super
bacana porque demonstra que o mercado tá
funcionando, né? Ou seja, quando vem
volatilidade, o spread se adequa. Tem
tido novos produtos, né, que o Gilson
também tava comentando sobre alguns
novos, alguns novos formatos de produto
de crédito privado para de alguma
maneira atender o que o cliente deseja,
né? Então, eh, eu eu vejo com muito
muito construtivo
o futuro dessa indústria de crédito
privado. Acho que eh novas emissores,
vai ter o fácil agora também, que eu
acredito que o acesso para para as
pequenas e médias empresas, ele tende a
ser mais concentrado também na parte de
crédito privado. Ah, então acho que eh
tá tudo funcionando.
>> Vocês projetam crescimento paraas
pequenas e médias nesse segmento?
>> Acho que assim, a gente tem que testar,
né? Eh, o mercado eh é um mercado novo,
acho que as condições estão ali na nova
regra. Eh, o que a gente precisa na
prática é começar a testar, né, novas
emissões que componham um portfólio
eventualmente ou que sejam direcionadas
para para um público específico. Mas o
mercado funcionando com preço, com
liquidez, com secundário, prazos
alongando, os novos emissores. Claro,
juros altos tem que ficar de olho,
porque as empresas também muito
alavancadas têm mais dificuldade de
honrar seus compromissos, né? A gente
tem alguns casos em voga hoje em dia
sendo discutidos e a gente precisa sair
do outro lado em condições que sejam
equilibradas entre emissores e
investidores. Mas eu sou bastante
construtivo.
>> Só complementar rapidinho, né? foram
mais de 600 bilhões nos últimos, em cada
um dos últimos 2 anos de emissões de eh
de empresas, né, em instrumentos de
renda fixa. E se a gente voltar um
pouquinho mais no tempo, lá pro início
dos anos 2010, 2011, era um mercado que
não existia ou não funcionava. Então,
mais uma vitória do nosso mercado. Eu
acho que é muito provável que a alocação
do investidor brasileiro nos próximos
muitos anos vai continuar
majoritariamente na renda fixa, porque a
gente tem um juro real também. Távamos
falando sobre isso, um diretor de um
fundo de pensão falando, bom, se a minha
meta atuarial lá é IPCA mais 5, 5,5 e e
a curva de juros tá PCA mais 7,5,
>> não preciso fazer nada.
>> É, eu tenho dormido bem, né? Né, Bob?
OAB tá dormindo bem aqui como diretor do
fundo de pensão da empresa, porque ele
tá fazendo a gestão da Duration. Mas eh
para quem viveu do mundo de derivativos,
aqui tá o Eric, meu meu amigo de longa
data em mundo de derivativos, ter o
mercado de renda fixa funcionando e as
empresas captando, fazendo derivativo,
suapando a curva de juros. A gente agora
tem um mercado normal. A normal era não
ter empresas emitindo dívida para
investidores. Então agora o que a gente
precisa corrigir, obviamente é juro
real, mas é muito positivo a gente ter
um mercado de DCM, né, que é o acrônimo
em inglês pro mercado de capitais local
de dívida, eh, da gente poder ter as
empresas e os CFOs quando acessados e
falarem: "Olha, a minha fonte primária e
principal de captação é o mercado de
capitais local com liquidez no
secundário."
>> Já 30 1/3 da do financiamento das
empresas já vem de instrumentos de
mercado de capitais. Isso. E agora a
gente pode trabalhar, enfim,
indexadores, opções sobre isso,
derivativos de crédito. Tem uma agenda
enorme pra gente trabalhar em cima
disso, para que as empresas possam fazer
uma gestão melhor de seus passivos e o
mercado consiga participar deste
crescimento, desses investimentos que
essas empresas fazem. Então, é muito
bacana ver essa evolução também.
>> Queria falar um pouco da evolução do
mercado de ações, né? A gente viu um
início de ano muito positivo, né? com um
volume negociado esperando aí R bilhões
deais na bolsa, né, Gilson? Eh, e um
volume estrangeiro extraordinário. Dado
de hoje é 55 bilhões de de saldo, né,
entre entradas e saídas do estrangeiro.
Eh, queria entender eh se eh a gente
pode pensar, ano passado a gente
entrevistava as pessoas e falar: "Ah,
acho que ano que vem tem IPO na bolsa".
A gente já viu IPO na bolsa. Eh, mas não
foi na bolsa brasileira, foi lá fora
esse ano. Queria entender se a gente
pode pensar numa janela de oferta,
apesar de todo esse cenário político e
de toda essa essa confusão que o mundo
tá vivendo. Eh, porque a gente, de novo,
vê o início de ano positivo e e o
estrangeiro continuando entrando. Acho
que não dá nem 10 dias de saída de
estrangeiro nesse ano, apesar de a
pessoa física não tá, de institucional
não tá entrando. Queria te ouvir ainda
sobre essa janela. É só acho que para
falar dos números de volume diário. Você
eh falou o volume diário eh negociado em
ações, né, que a gente chama de ADTV,
que é o volume médio diário, tá subindo
esse ano de 25 para eh enfim, bateu do
mês passado, a gente não divulgou, mas
eh fevereiro bateu 38 bilhões de 25 para
38. Então, um crescimento aí de 50, 60%
no viro diário com essa entrada e de
mais ou menos algo entre 40 50 bilhões
de reais de eh dinheiro estrangeiro,
majoritariamente de fundos passivos, ou
seja, é uma realocação global para
mercados emergentes e o Brasil tá
pegando seu pequeno quinhão lá de 4,5%,
muito pequenininho, lembrar que já foi
17, mas só isso já fez o mercado de
renda variável eh subir neste volume,
óbvio. a gente tava vindo também de uma
ressaca de 3 anos, né, dentro do mercado
de renda variável. E a tendência, me
parece continuar, porque o investidor
global eh tá percebendo que com os
riscos geopolíticos, talvez esteja
concentrado demais em alguns países, eh
o preço, vamos chamar assim, da da
classe de ativos mercados emergentes se
segue muito atrativo. E quando comparado
com as oportunidades que ele tem, vamos
chamar assim, um investidor global, ele
vê que Brasil é um desses lugares que tá
barato, tem boas empresas, bons
negócios, poucas empresas eh listadas.
Então você vê esse movimento tanto de
apreciação eh das da do valor das ações
quanto no giro. É bem verdade que o
investidor local não capturou
praticamente nada disso, porque a
indústria de fundos segue tendo de
alguma forma resgate ou ali um
finalzinho do resgate eh de fundos de
ações e fundos multimercados. E a pessoa
física, obviamente, com juro real de
10%, coloca o dinheiro marginal em renda
fixa. Então, eh eh foi um daqueles
movimentos um pouco frustrantes pro
investidor local, né? O institucional, a
gente falou, o diretor de fundo pensão
tá dormindo tranquilo 8 horas por noite,
comprando seu IPCA mais 768 na curva eh
de título público. A pessoa física
montando
>> marcar mercado, né? Também tem
>> debentros incentivadas. Eh, então o
estrangeiro tá sustentando esse
movimento, Carla. E assim, a perspectiva
me parece de continuidade de entrada eh
de recursos por parte do estrangeiro,
eh, com demais condições normais, né?
Quer dizer, assim, me parece que o
estrangeiro tá dando um pouco menos de
importância paraa transição política,
eh, pelo menos do que o local. Eh, e
acredita que a gente vai de alguma forma
fazer esse exercício como país de
discutir e formas de você ter
sustentabilidade fiscal. Então, com
isso, eu acredito que sim, a janela pode
reabrir de IPOs. Tem mais de 50 empresas
que estão preparadas, com registro na
CVM para vir a mercado. Eh, são empresas
grandes, são empresas de setores que
seguem fazendo investimento, são
setores, né, normalmente que t
maturidade
eh de de resiliência de como negócio.
Então, não são setores como tecnologia,
com incertezas, eh, como AI ou que tem
muita incerteza na sua geração de caixa.
Então, eu acredito que sim, a janela
pode eh reabrir.
>> E essa essa essa reabertura da janela
vai depender do estrangeiro na tua
avaliação?
>> Sim, sem dúvida. Assim, majoritariamente
eh eu diria que o o local pode vir a
acompanhar. Alguns investidores locais,
né? grandes investidores vão acompanhar
alguns desses dessas potenciais
aberturas de capital, mas
majoritariamente o fluxo estrangeiro é
que vai ditar eh a reabertura eh dessa
janela de IPOs e followers. Então, sigo
otimista, né? Acho que a gente, se a
gente falasse no início do ano passado,
quando a gente tinha terminado o ano de
2024 com dólar de 6,30, que a gente
estaria aqui em abril do ano da eleição
com o presidente atual, com, né, com
chance de 50% de ser reeleito, que o
dólar estaria 5,15. Acho que iam taxar
gente de malucos, mas aqui estamos. e
com uma perspectiva, né, do câmbio cair
mais, com uma perspectiva de você ter eh
queda de juros ao longo do ano, pelo
menos, né, se até vamos ver o como como
é o impacto aqui eh do dos preços de
petróleo, mas pro Brasil eh acaba sendo
de alguma forma até um ajuste fiscal eh
meio que de brinde com esse preço de
petróleo, obviamente com algum respingo
na inflação, mas veja, dizem que Deus é
brasileiro. parece que a gente tá aqui
até começando a de novo surfar um pouco
dessa dessa onda. Então eu sigo otimista
que sim a gente pode ver reabertura do
mercado de ações esse ano.
>> Eh, a gente noticiou que o tesouro deve
fazer uma emissão externa, né? Tá
começando um road show. Como que isso
pode ajudar eh a captar, a falar de o
Brasil lá fora? Eh, e também na renda
fixa, né? Qual a avaliação de vocês?
Bom, acho que assim, o tesouro costuma
ser um uma espécie de um front runner,
né? E você ter uma uma curva de emissões
do tesouro sempre ajuda no balizamento
de precificação das empresas que,
principalmente aquelas que querem
acessar ao mercado internacional, mas
também de alguma forma facilita para as
grandes empresas eh conseguirem fazer a
comparação entre o que que ela tem de
disponibilidade de acessar o mercado via
emissão lá fora comparativamente ao
mercado local. E aí de novo é um outro
aspecto bastante interessante.
Antigamente para quem para pra empresa
grande que precisasse principalmente de
prazo e volume, mercado internacional
era a única opção, né? Agora você já tem
prazos e volumes tão representativos
quanto que você encontra no mercado
internacional, no mercado local. Então
eu acho que isso paraa empresa é super
interessante, porque na prática eh ela
consegue otimizar as suas necessidades
de financiamento. Então, eh tendo o
tesouro ativo, primeiro que, claro, é
uma oportunidade de falar sobre o que
que tá acontecendo no Brasil, né, por
conta dos roads, etc. Isso ajuda também
o ambiente corporativo. E por tabela
você de alguma maneira facilita, né, a
criação dessas referências pro ambiente
corporativo. Claro que o mercado
internacional ele é muito mais acessado
por grandes empresas, né? empresas de
menor porte vão ter mais dificuldade,
principalmente pelos volumes, pelas
condições e pelo custo. Mas eu eu acho
que é super interessante, tem que manter
essa roda aí girando, né, daqui pra
frente.
>> Uma boa novidade, então, que a gente vê
aí na noticiária dessa semana. Eu
queria, a gente já falou um pouquinho de
do que que vocês destacaram de positivo
que aconteceu, o copo meio cheio nesses
últimos 8 anos. Queria que vocês
falassem o que que pode ser
aperfeiçoado, tanto em termos de
regulação, vamos falar de tributação, eh
o a gente falou agora a pouco que fundo
de pensão não marca mercado, então
existe diferenças, né, algumas
assimetrias, né? O que que vocês acham
que é o que é prioritário e que deveria
eh amadurecer mais rapidamente em termos
de aperfeiçoamento no mercado de
capitais?
É, eu acho que eu não vou destacar
nenhuma nenhuma grande agenda micro,
Carla. Eh, mas eh é importante que a
gente tenha estabilidade de regras, né?
A gente é conhecido pela volatilidade
das regras e das e dos tributos. Então,
acho que a grande lição que a gente
precisa eh para realmente ter um mercado
mais robusto é estabilidade, eh
diminuição de custos, simplificação, eh,
daquilo que pode ser simplificado, nos
tornar menos burocráticos,
eh facilitar o acesso ao a à via de mão
dupla, tanto o investidor brasileiro
fora quanto o investidor de fora
investir no Brasil. Ah, então, eh, a
gente deveria ter esta agenda como um
mantra, seja reguladores, seja Receita
Federal, seja indústria financeira, de
que a gente precisa de simplicidade,
estabilidade de regras e simplificação.
Eu acho que isso que eu acho que é o
grande destaque.
>> Eu acho que, bom, concordo 100% com o
Gilson. Eh, o que eu complementaria aqui
e que o Gilson mencionou, que eu acho
que ainda é eh existe uma distorção
grande aqui no Brasil, é que
tradicionalmente os investidores
institucionais,
eles são eh, normalmente os principais
agentes de fomento do mercado de
capitais, principalmente financiamento
de longo prazo, né? E aqui no Brasil,
por conta de distorões, que tem, acho
que tem diversos fatores que acabam
contribuindo, entre eles a própria
questão tributária de alguma maneira,
eh, mas claro, as condições
macroeconômicas também, a gente ainda vê
uma participação extremamente tímida de
investidores institucionais em mercado
de capitais, quando a gente compara
tanto investimento em renda variável, em
equity, quanto em investimento na
própria renda fixa corporativa, em
project finance, em investimento
alternativos tradicionalmente e nos nos
mercados mais desenvolvidos, esses
players, seguradoras, fundos de pensão,
né, fundos de pensão fechados, abertos,
eles são players que têm eh bolsos
profundos e que fomentam porque são os
primeiros a de uma certa forma muitas
vezes a alocar nesse tipo de ativo. E eu
eu realmente me recinto bastante de não
perceber esse protagonismo dos
investidores institucionais aqui no
Brasil. Eu acho que a gente precisa
manter essa discussão aqui viva para que
a gente propicie os incentivos
necessários para que esses agentes
voltem ao mercado e participem do
mercado de uma maneira mais ativa. Eh,
toda a parte tributária é sempre
importante aqui. Eu acho que quanto
menos assimetria
tributária, eu acho que melhor. Ou seja,
acho que a questão tributária em
qualquer mercado, ela é importante
quando você toma sua decisão de de
investimento, mas ela não pode ser a
única ou o principal fator na hora de
você tomar a decisão de onde alocar os
seus recursos. Então, eh, eu acho esse
tema importante pra gente seguir nessa
agenda de desenvolvimento.
>> É, só para exemplificar, né, a gente
acabou, Carlos André falou do regime
fácil, acho que esse é um exemplo, né,
de que a gente que deve ser seguido, um
exemplo de simplificação para as
empresas poderem acessar o mercado de
capitais de forma mais barata, mais
ágil, empresas menores. Eh, a única dor
que eu tenho é assim, é um um cliente
nos perguntou: "Bom, mas esse regime de
sama fácil porque se eu crescer fica
difícil?" Aí eu falei assim: "Não, não,
vai correr tudo bem, mas é uma boa
provocação que esse investidor fez. Será
que vamos ver o presente?
>> Será que é difícil demais e a gente
lançou fácil?" É uma boa pergunta que a
indústria tem que se fazer, o regulador
também tem que se fazer. Se a gente
torna as coisas difíceis para depois
tornar fáceis, deveriam ser todas
fáceis, obviamente acompanhando o
tamanho das empresas. Olha, [roncando]
deixei a pergunta de 1 milhão de dólares
de como é que vocês veem esse ano com
esse plot twist aí na cena na cena
geopolítica mundial, mas errei. Faltam
só 2 minutos, gente. Então, quero saber
se vocês estão animados, se não estão.
Você já falou que pode ter a IPO esse
ano. Achei isso bem otimista, achei
muito bom assim. E no próximo painel vai
se discutir do cenário geopolítico. Eh,
então queria de forma resumida ouvir
vocês do que esperar. Acho que a gente
tem esse elemento muito novo, né, que é
a guerra no Oriente Médio, eh, que não
para de escalar. Eh, eu queria entender
se vocês continuam animados, se esse
março sangrento aí para alguns fundos eh
vai ser recuperado. Queria ouvir vocês
pra gente finalizar.
Bom, meu comentário rápido é primeiro
que eh como o próprio Gus colocou, né,
uma surpresa, né, porque os elementos
que a gente viu acontecendo,
principalmente de eh de aumento do risco
geopolítico, das questões eh eh mundo
afora,
em cenários anteriores, a gente
esperaria de alguma maneira uma, né, uma
valorização do dólar em relação ao real,
eh uma desvalorização da bolsa. E a
incerteza ela se deu de uma maneira tal
que os investidores passaram a olhar de
alguma maneira mercados emergentes com
melhores olhos em termos de uma
estratégia de na margem, porque isso é
sempre na margem, porque o mercado
americano ainda é um polo de atração
muito grande de capitais, mas na margem
e e quando a gente fala na margem do
volume de recursos, que tradicionalmente
é direcionado para pro mercado
americano, qualquer qualquer franja é
muito dinheiro, né? E o que a gente viu
foi exatamente um efeito reverso, né, de
valorização da bolsa, entrada de de
dinheiro de investidores estrangeiros
aqui no mercado. Então, notícia super
positiva. Acho que volatilidade, sem
dúvida nenhuma, ela vai continuar. A
gente, como você colocou, né, basta um
pronunciamento às vezes pra gente ter
reações dos mercados. Então, sem dúvida
nenhuma, vai ser um mercado com
volatilidade. Isso sem falar dos
componentes domésticos, principalmente
de elei e que é normal no ano de
eleição, etc., a gente tem um pouquinho
mais de volatilidade. Então,
volatilidade vai existir. Aí quem quem
conseguir ser competente de trabalhar
nesse ambiente vai se destacar, sem
dúvida nenhuma.
>> Carl, eu sigo otimista, eh, mais
realista. Eh, a gente quando passa esse
filme aqui de 20 e poucos anos de
evolução de mercados de capitais, a
gente realmente avançou. A gente na
eleição lá de 2002 discutia possível eh
moratória, né? Não pagar no exterior.
Então, assim, isso ficou para trás. Eh,
a gente tava conversando aqui também
antes do evento começar, que há 15 anos
atrás você tinha eh CDB como alternativa
de investir poupança, CDB, fundo DI e
fundo multimercado. E no meio do caminho
eh existiam poucas opções de
investimento. E aparentemente a gente tá
preenchendo todas essas opções. A gente
não falou aqui de ETFs, um produto que
tem mudado a indústria de fundos e que
parece que nos próximos 10 anos vai ser
eh acho que um um destaque tá sendo já e
será um destaque na indústria.
>> Cresceu muito no ano passado
>> de fundos. Cresceu, vai continuar
crescendo. A gente é um filme que é o
filme que a gente viu no mercado lá fora
que tá chegando no mercado brasileiro. A
gente tem falado de assessor de
investimento, mas também de consultor de
investimentos. Eh, eu vi a Ana Leone por
aí também. Então é uma agenda bacana da
gente falar de que isso ajuda a
indústria a e o investidor a investir
melhor. E a gente tem, né, falamos de
fundo imobiliário, renda fixa, crédito,
high grade, raild. Então assim, a gente
tá num outro patamar. Agora, a gente tem
um encontro de contas eh como país, como
sociedade no início do ano que vem com
as nossas contas fiscais. Eh, o país
precisa fazer essa discussão de como,
né, o orçamento precisa caber no país.
>> E a reação [limpando a garganta] atual
do governo a a alta do petróleo tá indo
na ordem contrária.
>> Eu acho que esse é um em ano
[limpando a garganta] de eleições é é
até esperado e acho que ninguém tá
surpreso com essa com essa atitude. Acho
que também é um choque. Enfim, eu eu não
eu acho que o meu o meu comentário é
menos no curto prazo e mais a gente como
sociedade que no médio prazo a gente
faça essa discussão e que a gente
aproveite esse cenário eleitoral para
realmente cobrar eh que a gente consiga
a partir de 2027 garantir que as nossas
futuras gerações consigam ter um país
com juros mais baixos, com, né, com
vontade de viver no Brasil, de ter boas
empresas, bons investimentos e uma
indústria mais sofisticada. Eh, esse ano
acho que parece tá dado, né? Tomara que
a gente continue com esses fluxos
globais suportando o Brasil, porque pode
ser eh o início desse processo, mas isso
para ser efetivo e e contínuo, a gente
precisa trazer e estruturante, né?
Precisa trazer o investidor local. Tanto
o fundo de pensão que tá dormindo 8
horas por noite precisa dormir cinco,
Bob precisa dormir cinco, a pessoa
física precisa diversificar, eh o o
fundo, né, a indústria de fundos precisa
voltar a captar em produtos diversos,
seja do ETF, mas do multimercado, e a
gente vai ter uma indústria mais robusta
e um país melhor.
>> Maravilha. Gilson e Carlos, muito
obrigada, viu? E obrigada a todos por
esse primeiro painel. Valeu, obrigado
você pela mediação. Obrigado. [aplausos]
[música]
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur. Excepteur sint occaecat cupidatat non proident, sunt in culpa qui officia deserunt mollit anim id est laborum.
Acesso Exclusivo para Assinantes
Cadastre-se ou faça login com sua conta do Radar Finsiders Brasil para visualizar esta regulação na íntegra, fazer download dos arquivos e ter acesso a relatórios exclusivos do mercado financeiro.