Febraban Podcast #08 - Data centers, energia e o futuro digital do Brasil
Sumário Regulatório
A rápida expansão da Inteligência Artificial trouxe à tona uma infraestrutura essencial da economia digital: os data centers. Embora operem de forma quase invisível para a sociedade, eles concentram enorme capacidade de processamento e um consumo crescente de energia. No Brasil, alguns projetos de data centers voltados à IA já têm demanda equivalente à de milhões de residências. O que gera uma pergunta: o país está preparado para sustentar a aceleração digital sem comprometer o abastecimento da população? A conversa também destaca que o Brasil parte de uma posição estratégica nesta discussão. Mais de 80% da matriz elétrica nacional é renovável, percentual muito acima da média global, segundo o Balanço Energético Nacional 2025 (ano-base 2024). Esse diferencial tem colocado o país no radar de empresas multinacionais em busca de infraestrutura digital com menor pegada de carbono. Ao longo do conteúdo, você vai entender ainda: - Por que a IA representa uma oportunidade estratégica de crescimento para o Brasil - Como a matriz elétrica renovável se torna um diferencial competitivo - Por que os picos de demanda digital exigem planejamento do sistema elétrico - Como dados se tornam o novo “minério”, com potencial de agregar valor no país - A importância da coordenação entre governo, setor elétrico e empresas de tecnologia Para discutir o tema, Mona Dorf, diretora-adjunta de Conteúdo Digital da Febraban, e Majory Marcelino, assessora de Comunicação da entidade, recebem Renan Lima Alves, presidente da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC) e CEO da Boots, e Jonathan Colombo, professor do MBA de ESG da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Complemente seu conhecimento sobre o tema conferindo também o episódio “O avanço dos data centers no Brasil na era da Inteligência Artificial”, disponibilizado em todas as plataformas de áudio no dia 09 de abril. FICHA TÉCNICA: Apresentadora e Editoria-chefe: Mona Dorf Supervisão Geral e Co-apresentação: Carlos Cidra e Majory Marcelino Supervisão e Produção: Bianca Braga, Julia Alcassa e Leandro Lemella Roteiro, edição e produção: Rachel Cardoso, Lizely Naoum, Patrícia Travassos e Clovis Travassos Edição de vídeo: Leonardo Reali e Kris Arruda Videomaker backstage: Kris Arruda Gravação: Supernova Cinematográfica
Transcrição e Conteúdo
Hoje o Brasil ocupa então o 12º lugar no mundo em número de data centers. Mas com a chegada da IA generativa [música] e da computação quântica, esse cenário precisa mudar. >> Uma matriz com 89% de energia renovável, como nenhum [música] outro país tem, a gente consegue ajudar o mundo a fazer uma inteligência artificial de forma mais sustentável. >> O único data center de grande...
mundo em número de data centers. Mas com
a chegada da IA generativa [música] e da
computação quântica, esse cenário
precisa mudar.
>> Uma matriz com 89% de energia renovável,
como nenhum [música] outro país tem, a
gente consegue ajudar o mundo a fazer
uma inteligência artificial de forma
mais sustentável.
>> O único data center de grande porte pode
consumir a mesma quantidade de energia
que uma cidade inteira. Isso traz riscos
para o abastecimento do país?
>> Sim, aumento de carga imediata é uma
preocupação muito grande pro sistema,
seja ele de inteligência artificial, de
data center ou qualquer operação de
carga de consumo de energia.
>> É a oportunidade da gente eh trazer a a
indústria, não mais primária, mas a
gente trazer a secundária, terciária,
realmente inteligência de recursos
humanos [música] pro Brasil. Quando a
gente faz exportação de minério, de aço,
a gente não faz a agregação final, onde
o valor agregado acaba sendo fora. Acho
que o dado ele pode ser justamente ao
contrário.
>> É a primeira vez que nós temos essa
oportunidade de não só usufruir essa
oportunidade pro mercado doméstico, mas
também exportar dados.
>> A gente fala muito sobre inteligência
artificial, mas raramente sobre a
energia que alimenta essa tecnologia que
chegou para ficar. Será que o Brasil
está preparado para sustentar
digitalmente o seu próprio futuro? O
Brasil está na corrida para se tornar um
polo global de data centers e para isso
conta com um diferencial estratégico
especial, uma matriz energética
renovável, considerada uma das mais
limpas do mundo. Esse assunto é polêmico
e levanta questões urgentes. Como
garantir energia suficiente para
alimentar data centers sem comprometer a
sustentabilidade e a capacidade de
manter o país aceso? É isso que vamos
discutir no episódio de hoje com os
nossos convidados, eu e a cohost desse
episódio de hoje, a Mary Marcelino da
Febraban. Salve, Majore.
>> Oi, Mona. Prazer estar aqui.
>> E nossos convidados, não é? Que nós
temos o prazer de receber hoje aqui no
estúdio o presidente da Associação
Brasileira de Data Centers, Renan Lima
Alves. Seja muito bem-vindo, Renan.
Muito obrigado.
>> Obrigada pelo seu tempo.
>> Obrigado pelo convite.
>> Com mais de 20 anos na indústria, Renan
é também CEO da Boost Engenharia. Nós
recebemos também como convidado o
professor de MBA de ESG da Fundação
Getúlio Vargas, o Jonathan Colombo, que
é mestre especialista em energia pela
Poli, com mais de 25 anos de experiência
nacional e internacional, sendo 12 anos
dedicados às agendas de
sustentabilidade, ISG em setores como
finanças, tecnologia e energia
renovável. Seja muito bem-vindo,
Jonathan.
>> Obrigado por me estar aqui, Mona. Eu sou
Mona Dorf e desde já agradeço a sua
audiência internauta.
Bem, gente, hoje o Brasil ocupa então o
12º lugar no mundo em número de data
centers, segundo dados do site Data
Centerm. Mas com a chegada da IA
Generativa e da computação quântica,
esse cenário precisa mudar. Qual é a
real urgência de expandir essa
infraestrutura?
>> É importante entender que existem vários
tipos de aplicação de data center, né?
Existem aquelas aplicações que é pra
gente ver o streaming e a televisão da
nossa casa, acessar as informações das
nossas mídias sociais, da nosso
computador, porque tudo que a gente faz
hoje no nosso computador, no celular
está na nuvem. E esses data centers já
começaram a vir para o Brasil há algum
tempo para melhorar a nossa experiência
de usuário
>> de transmissão, de transmissão, por
exemplo, de internet, de transmissão de
televisão
>> e de todos os tipos de aplicação. Então,
por exemplo, um exemplo que é
interessante é quando a Apple TV lançou
naquela caixinha, né? Eh, e você
colocava na sua casa e para botava play
aparecia que seu filme ia começar ali a
30 ou 40 minutos. E na mesma época
lançou o Netflix que você colocava play
e imediatamente começava o filme. Qual
era a diferença? A diferença é que os
data centers da Apple, essa informação
que a gente assistia o conteúdo, ele
tava depositado lá nos data centers dos
Estados Unidos. E a Netflix, ela
distribuía esses dados por todos os data
centers que ela podia aqui no Brasil.
Então, nossa experiência de usuário, ela
é muito melhor. Quando a gente olha o
nosso Spotify e quer que imediatamente a
música comece, ela não pode esperar que
essa informação demore de um ponto a
outro. E isso são questões práticas que
a gente tem no nosso dia a dia. No
mercado financeiro não é diferente.
Imagina você fazer um Pix e demorar duas
horas para chegar a operação ou mais
tempo. As as operações financeiras têm
que ser imediatas e isso requerem data
centers para processar também os os
dados mais na borda. Essas operações a
gente chama de latência crítica. São
operações que você precisa que a
informação chegue muito rápido no
usuário. Com o advento da inteligência
artificial, surgiram também aplicações
que não têm latência crítica. Então,
essas operações, elas podem estar longe,
de repente do seu mercado alvo, pode
demorar um segundo para chegar lá. E
essas operações abrem a oportunidade pra
gente atrair esses data centers também
pro Brasil. Então, não só aqueles que
vão estruturar essa operação em função
da nossa nosso PIB, nossa densidade
populacional, da nossa economia, né, mas
também pra gente servir outros países
utilizando essa matriz elétrica
renovável, como você bem falou. Então, é
a primeira vez que nós temos essa
oportunidade de não só usufruir essa
oportunidade pro mercado doméstico, mas
também exportar dados.
>> Quer dizer, professor Colombo, essa
Colombo ou Jonathan? Jonathan,
>> professor Jonathan, quer dizer, essa
necessidade ela não veio apenas por
causa da IA, ela já é por causa da
própria digitalização. O mundo todo é
digitalizado. Hoje você pede por
aplicativo comida, você pede um carro,
um um Uber, um transporte por eh você
quer acessar um dado de um hospital.
Então isso é independente da IA. ela já
existia por pelo fato da gente estar
mais digitalizado, sobretudo após a
pandemia.
>> Sim, na verdade isso se intensificou.
Acho que o consumo de dados ele tá cada
vez mais próximo de qualquer operação
que a gente tem. Então essa que é a
dificuldade de como a gente consegue ter
uma expansão do acesso ao dado dentro de
um universo que ele tá concorrendo com a
energia para outros setores. Então acho
que esse é o ponto crítico que a gente
tem visto com a entrada de de data
centers. Como é que eu consigo garantir
que a latência não seja comprometida com
a qualidade de energia? Quer dizer, como
é que esse servidor não pode ficar a
mercê de um apagão, por exemplo, porque
se eu tô instalando num num local como o
Brasil e se e esse sistema não consegue
garantir esse suprimento, como é que eu
vou trair esse data center para aqui?
Então, quer dizer, e essa que é a
preocupação. Se eu tô lá pedindo o meu
aplicativo pro meu carro e acaba a luz,
ah, porque isso que a gente quer evitar.
Então, a preocupação de como é que a
gente integra tudo isso e que nem vocês
falaram, não é somente de agora. Isso aí
vem num processo histórico desde que
você começou a ter troca de dados entre
sistemas.
>> Jonathan, você trouxe um ponto
interessante. Um único data center de
grande porte pode consumir a mesma
quantidade de energia que uma cidade
inteira. Isso traz riscos para o
abastecimento do país no âmbito de
energia? Sim, na verdade aí a
preocupação é a o planejamento. Quer
dizer, o data center, como qualquer
outra carga, ele precisa ser planejada
para eu conseguir equilibrar o meu minha
capacidade de fornecimento. Então, uma
coisa que normalmente a gente tende a
ter uma pré-concepção é que quem comanda
o sistema é a geração, ou seja, a
geração que define, mas é o contrário,
na verdade é o consumo que puxa essa
energia. Então eu preciso ter o
conhecimento do consumo que eu vou ter e
como esse consumo ele é espalhado ao
longo do tempo para que eu consiga
garantir que eu vou ter um processo de
geração que vai acompanhar esse consumo.
Então que nem você comentou, se de uma
hora para outra eu tenho uma carga que
entra muito forte, será que meu sistema
tá preparado para essa carga adicional?
E se eu puser trazer um exemplo, teve um
caso que aconteceu recentemente, e
inclusive do aumento do uso dos do que
eu chamo hoje em dia da geração dos
dedinhos rápidos, né? Quer dizer, todo
mundo quer ter uma resposta rápida.
trocando seus vídeos, você espera que
ele seja carregado imediatamente. O
problema às vezes você tem até com
aquelas trends que acontece. A gente
teve uma recente em abril quando todo
mundo começou a simular a sua imagem na
cara de anime. Então você teve um
bombardeio de pessoas que cria essa
minha foto via chat GPT como se eu fosse
um anime. Você teve ali em poucos dias
400 40 milhões de imagens sendo criadas.
Esse pico foi o mesmo consumo de uma
cidade de 10.000 1000 habitantes. Então,
imagina o sistema de uma hora para
outra, porque virou moda você criar essa
imagem tendo esse aumento de carga.
Então, sim, aumento de carga imediata é
uma preocupação muito grande pro
sistema, seja ele de inteligência
artificial, de data center ou qualquer
operação de carga de consumo de energia.
É por isso também, Jonathan, que dizem
que não é para você ficar perguntando
qualquer coisa, que qualquer dicionário
ou outra fonte de informação te daria
pro chat GPT, porque ele consome
energia, então a gente tem que ter
também um consumo consciente e
sustentável nesse sentido para não
gastar essa essa energia.
>> É, eu acho que um dos maiores desafios
na era digital é o lixo que a gente não
consegue enxergar. Aham.
>> Eu faço uma analogia, eu lembro, vou
entregar um pouco a minha idade aqui.
Quando eu viajava com meus pais numas
férias, a gente, o meu pai falava: "Você
tem 36 poses de foto para tirar durante
um mês." Era o filme que eu tinha. Hoje
você vai jantar com os amigos, você tira
facilmente sem fotos naquele jantar.
Você tira selfie com a roupa que você tá
vestindo, você tira selfie quando você
chega lá, tira foto do prato. Então você
vai enchendo os seus sistemas de
armazenamento de dados com arquivos que
você pode ser que nem vai ver depois.
Então acho que uma dificuldade hoje é
isso, quantidade de informações que eu
coloco no sistema. Então aí depois até o
Renan pode explicar a diferença de
informação estática contra informação
dinâmica, processo de generativo. Então
se eu for fazer uma pergunta que
antigamente fazia pro Google, eu tinha
um impacto porque aquela resposta
demandava um tipo de processamento.
Quando eu faço agora pro chatt,
normalmente você tem um processamento
que consome 10 vezes mais energia do que
aquela busca normal. Então essa que é a
preocupação. E são lixos, entre aspas,
que a gente não vê. O usuário não
consegue ver o impacto disso, o quanto
isso tá gerando de aumento de energia,
aumento de consumo de água. Então, sim,
tem essa preocupação. O aumento do
consumo de sistemas virtuais gera uma
demanda e um estress hídrico e ambiental
que a gente não consegue facilmente
identificar, né, porque acaba sendo,
inclusive, como a gente fala, tá na
nuvem, então o seu consumo também vai
est espalhado de alguma forma que a
gente não consegue ter essa dimensão.
>> Então, eu pergunto pros dois, então
começo agora com o Renan. O Brasil tem
vantagem competitiva, se é o que dizem,
né, pela matriz energética limpa que a
gente tem. Mas esse tipo de energia
garante estabilidade necessária para
alimentar data centers sem latência?
>> Sim. Então, só queria complementar um
ponto que foi muito bem colocado aqui
pro meu colega.
Esse processo de solicitação no parecer
de acesso para instalação de um data
center, ele demora hoje aproximadamente
um ano 1 ano e meio, né? Você precisa
para um data center de grande porte
pedindo Ministério de Minas Energia NS.
Justamente por esse ponto, eles não
simplesmente colocados ao Léo no na
rede, né? Existe uma solicitação de uma
aprovação, o sistema integrado. Então
você recebe meu outorga da ONS que fez
exatamente todos esses cálculos para
saber que não existe a mínima chance da
população ficar no escuro porque o data
center tá sendo instalado. E aí quando a
gente fala de data center de
inteligência artificial o a América
Latina ainda não tem data centers de
inteligência artificial de grande
escala. Então, esses data centers que a
gente tá falando no chat GPT, eh, eles
estão em outros países. Hoje, esses
países, por exemplo, Estados Unidos,
você tem uma matriz elétrica, somente
25% renovável. Então sim, quando a gente
tá falando que quando a gente tá
consumindo dados e esses dados estão
sendo gerados numa fonte que não seja
renovável, existe essa preocupação
ambiental muito importante. Mas quando a
gente fala sobre trazer essa
oportunidade pro Brasil, uma matriz com
89% de energia renovável, como nenhum
outro país tem, que ela não depende
somente da hídrica, tem outras eh outras
fontes como eólica solar, biomassa, e
ela consegue eh eh são renováveis. Que
que é renovável? Eu aquele recurso ele
não é escasso, eu consigo utilizar de
forma ilimitada, né? Vento, por exemplo,
poxa, vento não vai parar nunca, o sol
também. Então são questões que a gente
não tá utilizando recursos que são
escassos no Brasil para conseguir fazer
isso. E com isso a gente consegue ajudar
o mundo a fazer uma inteligência
artificial de forma mais sustentável,
justamente utilizar esse ponto e que
existem aplicações sim que esses data
centers têm latência crítica, então
esses data centers nos Estados Unidos e
etc vão continuar acontecendo, mas a
gente consegue assumir aquelas cargas de
treinamento, aquelas cargas que elas não
têm uma necessidade de dar uma resposta
muito rápida. Então, essas cargas a
gente pode trazer pro Brasil, mesmo de
projeto de nuvem. E essas questão de
armazenamento de dados também foi teve
uma polêmica recente, porque na
Inglaterra falaram assim: "Justamente
temos muito dados, então vamos deletar
os nossos dados". Mas é justamente isso
aumenta a quantidade de energia, porque
quando você tem um dado que não tá
mexendo, ele vai para um determinado
servidor que a gente chama de storage e
ele tem um consumo energético muito
baixo. Se a gente manda deletar os
nossos e-mails do Gmail, se a gente
manda deletar as nossas fotos, esse data
center ele precisa ser reativado esses
dados para processar eles e conseguir
deletar. Então, na verdade, a gente eh
eh esse lixo que a gente vai tá vai tá
tá gerando, ele vai sedimentando em data
centers cada vez mais eficientes. E a
mesmo assim a questão de avanço
tecnológico da energia que você precisa
para fazer uma determinada aplicação,
ela tá mudando de forma fantástica. O
deepsic, por exemplo, ele entrou de
carona num desenvolvimento que já foi
feito pela Open AI e ela fez com muito
menos geração de energia o mesma coisa
que Openi fez. Ou seja, ela avançou uma
onda porque o processamento de dados
para treinamento e etco. Então agora
começa a fazer lapidações e se gasta
muito menos energia e se acha maneiras
mais eficientes de fazer.
>> Eu queria que você completasse,
Jonathan, quando ele fala, né, de
recursos finitos e não finitos. Vamos
dar um exemplo aqui. A eólica que
trabalha com vento, eh, tem o tempo
todo, né? Vento, sobretudo em áreas do
Nordeste e tal. Finita, água não tem,
tem época que tem, tem época que não
tem. Cada vez as secas estão mais
prolongadas e tudo mais. Aqui no caso já
se sabe com que que os data centers vão
trabalhar.
>> O Brasil tem a vantagem não só de ter
uma matriz renovável, mas de ter uma
matriz diversa, porque cada fonte tem a
sua característica. Então essa que é uma
vantagem do Brasil. a gente fala muito,
ah, a gente tem muito de tal tipo de
fonte, muito tal tipo de outra fonte. Na
minha visão, vantagem do Brasil, porque
ele tem formas de trabalhar com diversas
fontes. Se a gente pega, por exemplo, o
o a capacidade instalada do Brasil, que
seria aquelas peças que o operador
nacional tem para começar a trabalhar o
jogo, no Brasil, 42%, 44% mais ou menos
são hidrelétricas, mas quando eu opero,
eu opero ali com 60, 70%, então do meu
total 40%, eu posso maximizar naquilo e
eu guardo algumas peças ali para
momentos chaves. Então, talvez uma
nuclear, uma térmica que tenha mais, que
seja mais poluente, eu não vou dar
prioridade para ela ser despachada, mas
ela é importante em algum momento, como
você comentou, de escassez hídrica,
então talvez eu tenha que entrar como,
então é mais ou menos como se eu tenho
os jogadores principais e meus jogadores
reservos. é importante de eu ter esse
equilíbrio. Então, para eu fazer esse
atendimento de carga, a capacidade do
operador é conseguir fazer isso e
entender que, por exemplo, numa região
que tem mais vento, eu vou priorizar a
fonte eólica, porque ela não é
armazenável. Muita gente fala que é uma
fonte intermitente, eu gosto de falar
que ela é uma fonte perecível. Se eu não
usar naquele momento, eu perco. Então,
não é que ela tenha ou não tenha, é, eu
uso quando eu tenho e não uso quando eu
não tenho. A solar é a mesma coisa.
Então, a capacidade, será que eu consigo
orquestrar as minhas peças, os meus
jogadores, para que eu tenha um time
totalmente eficiente? E aquele que
talvez tenha um impacto maior, eu não
descarte, mas eu uso ele de forma
comedida. Então, acho que esse é um
pouco da estratégia sustentabilidade, eu
não demonizar alguma fonte, mas eu saber
quando utilizar ela de forma adequada. E
o Brasil tem essa vantagem. Ele tem o
potencial de utilizar os seus melhores
jogadores nos momentos adequados e
guardar os seus outros. O risco está na
falta do planejamento, que nem você
comentou, você para fazer o planejamento
da entrada de um data center, você tem
um prazo relativamente longo. Só que
essas cargas elas estão entrando no
momento que o planejamento já foi feito
há 10 anos atrás. Então, quando se fez o
planejamento da expansão até 10 anos
atrás e entrou essa carga, opa, o meu
planejamento não tinha uma variável
adicional que é entrada do data center.
Então, essa que é a preocupação, como é
que eu reduzo esse tempo de planejamento
e capacidade de resposta para que eu
consiga utilizar minhas melhores fontes,
meus melhores jogadores no momento
adequado para eu ter ali um jogo de
vitória pro pro nosso sistema, atendendo
residências, comércios, indústrias e
processamento de dados com data center.
Agora eu queria que vocês trouessem mais
uma perspectiva global. Então assim,
pensando nos outros países, né, eles
estão ali trabalhando, o que eles estão
fazendo para conciliar data centers com
sustentabilidade e o que o Brasil pode
aprender com essas experiências?
>> Sinceramente, eu acho que o Brasil tem
muito a ensinar com essa experiência,
né? O existem algumas características
que o Brasil chegou aqui no momento que
a gente não pensava.
Foi ao acaso, eu diria. A gente
construiu uma rede, eh, não foi ao acaso
porque foi muito planejado, 89% de
energia renovável, mas um sistema
integrado que você consegue balancear,
isso você não tem nos Estados Unidos,
isso você não tem quase nenhum país com
essa essa robustez sistema que que a
gente tem de fontes, geração diferente.
Eh, na questão de data center, na
questão ambiental, muito se fala de
água, de consumo de água para o data
center. E você sabe que os data centers
comerciais no Brasil, nenhum deles usa
um sistema de consumo de água grande.
Todos eles usam um sistema de circuito
de água fechado. Ou seja, que nem o
radiador do do nosso carro que a gente
enche uma vez e ele vai trocando ar com
ambiente. Ele não tem um consumo
constante. E e poderia ser diferente a
gente fazer um sistema de água que
consome bastante, poderia, mas por que
que o Brasil nunca fez? porque tá
enraizado na cultura do brasileiro que a
água é um recurso escasso. E é assim,
era um ponto que justamente como a gente
tem secas e você tem racionamento de
água e você tem uma dependência de um
recurso hídrico para continuidade
operacional era uma coisa que era muito
eh relevante. Então, os data centers no
Brasil hoje eh são raros os casos que t
um consumo de água. a a corrida e a
qualquer preço para fazer isso é uma
questão que o Brasil não tá disposto a
fazer. E eu acho que a gente tem nesse
ponto uma inspiração realmente para
conseguir eh mostrar esse modelo. E
então assim, em termos de eficiência, a
filosofia brasileira ela tá muito
avanguarda nesse assunto ambiental. Eu
eu tem função dos data centers grandes.
Já os clientes finais, né, quando a
gente fala das grandes Big Teex, Amazon,
Microsoft, Oracle, IBM, elas também
estavam muito à vanguarda na questão de
SD e elas sempre solicitaram eficiências
elétricas e sistemas que consumissem de
forma muito boa. Você tem uma série de
relatórios ambientais e certificados que
eles exigem. Eles exigem que você tenha
fonte renovável de energia. Então o
brasileiro, o data center brasileiro,
ele não perde nada por um status global.
A gente realmente tá no mesmo nível do
do mercado internacional.
>> Renan, existe algum tipo de planejamento
conjunto entre governo, setor elétrico,
eh setor de inovação tecnológica para
garantir que o crescimento dos data
centers venha acompanhado de
infraestrutura energética adequada. E te
pergunto, quem vai financiar todo esse
ecossistema?
Então vamos separar a a a pergunta em
partes. Sim, o governo tá criando um
plano de desenvolvimento de data center
e todas as iniciativas elas são eh
pensadas justamente na questão de
desenvolvimento, não só na questão
sustentabilidade, mas a questão social,
né? Então, por exemplo, vamos pegar o
caso mais emblemático, que é o redata. É
um estímulo fiscal que isenta os
impostos federais dos ativos de TI, ou
seja, os servidores, aqueles
supercputadores, eles vão ter zero
impostos. Toda o resto da cadeia de
suprimentos, ela continua pagando os
impostos. Então o Brasil ainda vai
ganhar muito imposto com isso, mas a
gente coloca uma cereja aí, uma atração
pro pro mercado internacional vir para
gente ter competitividade internacional
na questão de custo. Mas você só
consegue receber esse benefício fiscal
se você atender a vários critérios
ambientais. Então, se o seu data center
não for eficiente, você não vai ter esse
benefício.
Também a questão é que você tem, no
máximo 90% do data center pode ser
exportação, 10% tem que ser para uso
doméstico para você estimular, mesmo que
seja doação, para você estimular a
indústria doméstica. E 2% do seu
investimento, ele tem que ser convertido
para pesquisa em desenvolvimento. Se
você fizer o projeto no Nordeste ou no
Norte ou no Centro-Oeste, você tem esses
limites, eh essas contrapartidas, elas
são um pouco reduzidas, porque aí você
tá trazendo empregos para onde realmente
precisa mais. E agora o Brasil tá
criando um projeto maior ainda de Brasil
digital, que aí você precisa para
estimular os outros estados. É uma
distribuição também dos cabos submarinos
para você conectar os estados com outros
países. Você precisa que hoje os nossos
cabos submarinos todos chegam no Ceará,
né? Então você que para ter outros
estados do Nordeste que tenham uma baixa
latência, ele seria interessante ter
cabo submarino chegando lá. eh toda a
cadeia de suprimentos, a questão de
treinamento, formação. Então isso vai
trazer um desenvolvimento muito grande
na parte social e o governo tá realmente
eh trabalhando de forma muito positiva
em tudo isso. Mas um processo de cabo a
rabo ainda vai ser anunciado em breve,
porque começamos pela parte de
financiamento. Ainda tem agora a parte
de energia e temos também a parte de
regulação de inteligência artificial,
que também tem um projeto de lei no
Congresso para definir exatamente como é
que vai ser tratado e e as
contrapartidas para as aplicações que
vão vir.
>> Em relação a financiamento, haverá
fundos, por exemplo, de captação
>> no mercado privado? O o data center ele
é uma fonte de investimento estrangeiro
muito grande. Então, todos esses
investimentos que nós vimos de data
center são fundos soberanos
internacionais ou ou fundos de private
equity que fazem captação e investem,
aportam dinheiro empresas brasileiras de
forma muito grande. Então, nós estamos
falando de um projeto de capital
intensivo muito grande. Por exemplo, um
operador de data center para construir
um data center de 100 MW de TI, nós
estamos falando de um investimento na
ordem de 1 bilhão de dólares. E esse
investimento ele é feito com fundos
soberanos, ele é feito com investimentos
de vários outros países que vêm investir
e trazem esse investimento pro Brasil.
Existem também linhas de crédito que
estão sendo feitas pro sistema
financeiro também, mas eh existe um uma
liquidez muito grande nesse mercado e um
interesse muito grande justamente por
ser um um mercado que ele cresce, ele
tem um um mercado dolarizado com receita
recorrente de longo prazo. E aí a gente
vê novos players entrando agora. o
mercado de real estate, né, o mercado
imobiliário tá querendo também eh entrar
no mercado de data center. A gente vê o
mercado financeiro fornecendo
alternativas para financiamento de
equipamentos e e fornecendo alternativas
de eh estrutura de se lisback, né, que é
para você injetar fluxo de caixa na
empresa, você compra o ativo dela e
continua alugando pro pro próprio data
center. Então esse esse parte do mercado
financeiro evoluiu muito, mas muito
ainda dominado pelo capital estrangeiro.
E esse é um ponto super interessante pro
Brasil, que é justamente a captação de
eh dinheiro do exterior para investir no
Brasil, na nossa infraestrutura.
>> Além dessa questão energética, que
impactos essa corrida por data centers
pode trazer paraas cidades brasileiras
pensando em geração de emprego,
inovação, paraas empresas locais mesmo?
fala um pouco pra gente.
>> Então aí você tem alguns caminhos que
você pode explorar. Então, primeiro é a
instalação de novos empreendimentos
atraem ali movimentação de economia.
Diferentemente de outros setores, a
proximidade do consumidor, claro que
também não pode ser exagerada, mas ela
não precisa estar do lado. Você tem uma
uma distância de latência que você pode
aproveitar mantendo essa distância.
Então, o deslocamento de data centers
fora dos grandes polos populacionais
pode aí fazer uma diversificação da
economia. Então esse tem uma vantagem aí
de você poder explorar esse lado social
também, de você levar polos de
tecnologia, de desenvolvimento. E aí
disso vai tudo, desde a questão de de
atendimento a a a à população com não só
com a capacidade técnica de trabalhar no
data center em si, mas a o produtor
daquela pequena lojinha que vai entregar
marmita para aquela pessoa. Então você
tem um um desenvolvimento social muito
grande quando você consegue então
desatrelar. Então uma vantagem acho que
de cargas como essa, né, estarem fora
dos polos. você tem esse potencial
social e ambiental também a explorar.
>> Jonathan, olhando pro futuro, a gente
consegue imaginar data centers net zero
capazes de gerar parte da própria
energia?
>> Eu acho que esse é um ponto que a gente
não tinha explorado até agora. Na
verdade, a gente falou muito do data
center como um problema de carga, mas na
verdade ele também tem que ser visto
como uma solução do problema, entre
aspas, que ele tá trazendo pro sistema,
como diversas outras cargas eletro eh
energointensivas. Quer dizer, se eu uso
muita energia, eu não posso exigir que
isso seja provido somente para mim. Eu
tenho que buscar uma forma de contribuir
para isso, para que o meu impacto no
sistema seja menor. Então, se eu vou,
por exemplo, instalar um usando dados
figurativos, um sistema que usa 100 de
energia, será que eu vou precisar esse
100 buscado sistema ou será que eu posso
falar sistema, me entrega 20 que os
outros 80 eu mesmo vou resolver? Então
isso você já começa a ver investidores
ah de fornecimentos de projetos de
energia fazendo uma combinação com data
centers, uma vez que a preocupação é
isso, de você expandir a geração junto
com a carga, que nem eu comentei, a
geração só expande se eu tiver carga.
Não adianta eu fazer criação de diversas
usinas se eu não tiver para quem
consumir. É que nem uma analogia que eu
faço. Imagina se você é um fabricante,
um fornecedor de suco, se você vai
girando mais suco, mais suco nos copos e
não tem ninguém para tomar esse suco. É
mais ou menos isso. Então eu preciso ser
o data center que vai tomar esse suco,
mas eu também posso eu mesmo fornecer
meu próprio suco. Então a estratégia do
data center muitas vezes está atrelada
com a capacidade de autogeração do seu
sistema. Então, como é que eu instalo um
gerador, um sistema Net Zero? Ele tem
que ser capaz de produzir a sua própria
energia [roncando] e depender cada vez
menos do sistema.
>> A questão atual é que o copo de suco já
transbordou. Nós temos uma geração muito
maior do que o nosso consumo e por isso
nós estamos sofrendo o processo de
curtei hoje, que é a o a ela pede para
essas fontes de energia renovável
pararem de produzir porque não tem
consumo naquele momento. Então, e toda a
cadeia produtiva que a gente tá falando
da de energia renovável, fotovoltaica e
solar já implementada, nós temos gigw de
energia ostosos que poderiam atender no
curto prazo, sem grandes ajustes, e que
resolveria um problema financeiro e
operacional que o a a cadeia de energia
já tá sofrendo hoje. Então, ela não
consegue vender essa energia, mesmo
estando instalada, ela não consegue
produzir essa energia. Ó, tem que se
desconectar da rede porque não tem quem
consumir, o copo já tá cheio. Então, eh,
e esse é o problema que a gente tá
vivendo. O data center, nesse primeiro
passo, ele não precisa de investimentos
na rede, ele precisa de essa
distribuição correta, mas ele entra como
uma solução de curto prazo desse
problema. Já
no médio prazo, em 5 anos, a partir
daqui, a gente vai precisar de reforço
nas linhas de transmissão para conseguir
atender isso, ao passo que os data
centers vão crescendo, porque uma carga
de 500 m de um data center ou 100 M não
é 100% no dia 1, é ao longo de 10 anos
que ele chega nesse pico. Então é uma
questão muito coordenada e planejada
para conseguir crescer, mas quando a
gente fala um dato de 100 M, fisicamente
a gente não consegue instalar todos
esses servidores. Então sempre ela é ao
longo de alguns anos.
E a questão é que nós temos mais de 30
GW de projetos de energia renovável já
aprovados, mas eles não estão
implementados porque não tem carga.
Então, esse adençamento da cadeia
produtiva, ou seja, a as empresas de
energia estão fazendo justamente isso.
Elas estão se associando às empresas de
data center. As empresas de data center
estão fazendo coinvestimento
no mercado de energia para justamente
conseguir se estruturar de uma forma
maior e precisa, realmente, vai precisar
um sistema de armazenamento de baterias,
ela vai precisar se sofisticar, mas eu
digo que no curtíssimo prazo o Brasil
tem essa suosidade na rede. Então acho
que esse que é um pouco das falhas que a
gente tem visto no sistema. Você está
incrementando, mas guardando a sua
cabeça de planejamento de uma carga
passada. Então eu não posso imaginar que
essa nova carga ela vai ter que ser
atendida com as mesmas características
que eu atendi uma carga de anos atrás.
eu preciso ser mais sofisticado. Então,
se eu tivesse uma recomendação para dar
no planejamento, é pensar não só no
adicionalidade energética, mas na
transição energética para um sistema
mais sofisticado para atender as novas
cargas com demandas diferentes das
cargas passadas.
>> Minha pergunta final agora é sobre
soberania pros dois, né? Boa parte dos
dados usados no Brasil ainda roda em
servidores fora do país. Expandir a
infraestrutura então é uma questão de
soberania digital. Qual a importância
desse ponto na opinião de vocês?
>> Esse é um ponto muito importante, porque
eh a gente vive num uma geopolítica
>> complicada,
>> complicada. Mas a questão de soberania
ela é muito importante porque também a
gente, não só para nos proteger, mas
também a gente tem que pensar para que
essa política de atração de
investimentos funcione. A gente tem que
pensar que nós vamos tratar de dados
internacionais também. Nós vamos se
propor aqui a processar dados de
chineses, de europeus, de americanos. E
esses dados eles não vão estar dedicados
ao mercado brasileiro, eles virão e
serão exportados. E nós precisamos
também dar essa proteção jurídica para
que esses data centers venham e que eles
sejam eh, já que não vai ter interação
com o mercado brasileiro, sejam tratados
como dados internacionais também. Acho
que esses dois pontos são importantes. A
soberania de dados para o o mercado
brasileiro, o governo brasileiro
entender que eles precisam ser eh
autônomos, mas também que a gente
precisa eh cuidar dos dados dos outros
com carinho, né? Acho que tem um ponto
que a gente que você trouxe aqui de
tratar os dados e agregar qualidade a
eles. Acho que muitos outros mercados, o
Brasil ele tem o impacto negativo da
produção ou extração de algum material e
exporta isso de forma bruta e a
agregação de valor acontece fora. Então
quando a gente faz exportação de
minério, de aço, a gente não faz a
agregação final, onde o valor agregado
acaba sendo fora. Acho que o dado ele
pode ser justamente ao contrário. eu
trago isso e agrego o valor aqui, posso
cobrar mais por isso e não apenas tenho
o a o impacto para extrair aquele
material e o valor agregado fora. Então
acho que o da o esse mundo virtual pode
trazer esse valor pro Brasil.
>> Perfeito. E aí toda a questão que você
falou de recursos humanos com isso, etc.
desde a parte computacional, toda a
parte de manutenção, operação,
construção. Isso realmente é a
oportunidade da gente eh trazer a a
indústria, não mais primária, mas a
gente trazer a secundária, terciária,
realmente inteligência de recursos
humanos pro Brasil.
>> Perfeito, gente. Bom, muito obrigada
pela conversa. Eu acho que o episódio de
hoje mostrou que a nuvem pode até
parecer invisível, mas depende de data
centers que só funcionam com muita
energia. A boa notícia é que o Brasil
tem vantagens únicas, uma matrícula
renovável, um mercado em expansão e
talento para inovar. E o desafio é
enorme, garantir que essa corrida pelos
data centers não comprometa a
sustentabilidade, o abastecimento
energético do país e sim seja uma
oportunidade de reforçar nossa soberania
tecnológica e o potencial brasileiro
para liderar a jornada de
descarbonização.
Eu agradeço então demais a vocês a
participação aqui de todos. Major, dos
nossos convidados,
>> Rena Lima Alves, presidente da
Associação Brasileira de Data Centers e
Jonathan Colombo, mestre especialista em
energia e professor do MBA de SG da
Faculdade de Túlio Vargos. E agradeço, é
claro, a você que sempre nos acompanha
nos nossos canais digitais, que a gente
siga juntos construindo um futuro
digital e sustentável para o Brasil. Até
a próxima. [música]
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