Implementação IFRS S1 e S2: desafios e oportunidades | IFRS S1 e S2 na prática, por Anbima e CEBDS
Sumário Regulatório
Painel com Julya Wellisch (Anbima e Vinci), Osvaldo Zanetti (CVM), Fernanda Facchini (Natura) e Linda Murasawa (Climate Finance Hub) sobre a implementação das normas IFRS S1 e S2, que determinam o relato de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e ao clima. O conteúdo fez parte do evento "IFRS S1 e S2 na prática: conectando investidores e empresas", organizado pela Anbima com o CEBDS, no dia 28 de abril, com apoio do iCS, do Climate Finance Hub, da Coopera Clima e do Instituto Itaúsa. Em uma manhã, nos aprofundamos nas normas IFRS: reunimos as empresas abertas (que terão que reportar as informações) e as instituições financeiras (que terão que ler esses dados) para debater juntos: - Como aplicar o mesmo rigor dos balanços financeiros aos dados de sustentabilidade; - Boas práticas para melhorar a qualidade das informações de sustentabilidade; - Ferramentas para reduzir riscos de greenwashing e fortalecer a transparência e comparabilidade das informações para investidores e para o mercado. Confira os demais vídeos da playlist e assista ao evento completo!
Transcrição e Conteúdo
É, então a gente agora de uma conversa um pouco mais teórica sobre entender da onde que veio essa norma, por que ela foi construída, para onde, né, como ela vai se aplicar para uma conversa prática de como ela está virando uma realidade a partir de diferentes percepções. Então, queria chamar pro palco agora Júlia Velich, por favor, diretora da BIMA, Red da 20 Partners, eh, o Osva...
um pouco mais teórica sobre entender da
onde que veio essa norma, por que ela
foi construída, para onde, né, como ela
vai se aplicar para uma conversa prática
de como ela está virando uma realidade a
partir de diferentes percepções. Então,
queria chamar pro palco agora Júlia
Velich, por favor, diretora da BIMA, Red
da 20 Partners, eh, o Osvaldo Zanete da
CVM. Osvaldo, por favor, chega com a
gente. A Fernanda Faquini da Natura e a
Linda Murazaua, que dispensa
apresentações. Por favor, lidera climate
finance Hub. Linda,
>> gente, bom dia. É uma alegria ver
realmente, né, como casa cheia, tanto
online, pessoal que está online, muito
obrigada aí pela presença, né? e também
aqui a casa cheia aqui presencialmente e
melhor ainda, né, gente, num painel em
que a gente vai falar do querido tema do
IFRS S1 S2 e onde nós temos aqui
diferentes atores pra gente começar ver
depois dessa masterclass do professor
Eduardo, né, fantástica a gente
realmente poder ver como nós aqui deste
lado de cá estamos sofrendo um pouco,
né? Aí quando a gente olha Natura, como
[risadas]
como que a Natura tá fazendo, Ambima,
como é que a IMA tá estimulando nossos
investidores e naturalmente o nosso
querido regulador que tá aqui
estimulando, né, eh todas essas
oportunidades e a a regulação, não é,
para trazer mais atratividade ao Brasil,
porque uma vez que a gente consiga
implementar tudo isso, gente, o
investidor vai sorrir e falar: "Puxa,
Que coisa boa. Eu consigo ver umas
diferença, né, em termos de um relatório
assegurado,
eh, onde tem uma dissertação clara, né,
como disse o professor, você não vai
inventar a história, né, você vai se
embasar nas histórias que você tem
dentro de casa. Então é um prazer tá
aqui, gente. Eu tô junto com o pessoal
do Climate Finance Hub, que também
agradeço a presença da equipe, o Alex, o
Vitor, Sofia, que estão aqui conosco.
Eh, a gente vai partir aqui, logicamente
para perguntas, né? Porque nós queremos
explorar aqui um pouco os nossos
convidados, explorar no bom sentido, tá
gente? por favor, sem achar nada de
reclamação de mão de obra na escrava,
qualquer coisa do gênero. Ah, vou assim
pra gente começar a esquentar aqui,
começar com o Osvaldo, né, nosso querido
regulador e ver o que que eh o
regulador, depois de ter colocado esse
normativo, como é que nós vamos eh dar
sequência? perguntar pro Osvaldo o
seguinte: na visão da CVM, quais são os
principais desafios das companhias na
aplicação do conceito de materialidade
previsto tanto no IFRS S1, S2? Osvaldo,
>> ótimo.
Bom dia a todos. É um enorme prazer
estar aqui com vocês. E o bom de a gente
eh falar após o Eduardo é que a gente
precisa falar muito, né? que já acabou
praticamente ele esgotou todo o o tema
relacionado a às normas S1, S2, né?
Eh, mas
focando
[limpando a garganta]
eh no conceito de materialidade
utilizado pelas normas S1, S2
financeira, como o Eduardo comentou, eh
o que eu teria para adicionar é que o
conceito, né, como todos vocês sabem, é
o conceito similar ao que é utilizado já
nas demonstrações financeiras, o
conceito contábil, aquilo que é útil
para o investidor na tomada de decisão.
E o que que é uma informação útil para
investidor? Aquela que afeta perspectiva
da entidade em termos de fluxo de caixa,
alocação de capital e custo de capital,
né? Captação e alocação de capital, tá?
OK? É o mesmo conceito da em termos
contábeis.
Eh,
um ponto, eu acho que tem que ficar bem
certo para quem tá aplicando a norma,
que apesar do conceito ser o mesmo,
ele possui uma aplicação um pouco
diversa. Por quê? Porque o julgamento a
ser utilizado,
ele possui um escopo diferente das
normas contábeis, né?
Muito provavelmente eh, nas informações
que eu vou divulgar em termos de S1, S2,
eh vão ter mais informações qualitativas
do que relacionado às normas contábeis.
Muito provavelmente as informações que
eu vou divulgar em termos de S1 e S2 vai
ter informações
forward looking,
ou seja, eventos futuros prováveis que
vou ter que levar em consideração
no meu julgamento da materialidade com
aquilo que o Eduardo mostrou pra gente
lá, aquele eixo lá de ocorrência e a
estatística utilizada que, né,
eh, muito provavelmente ente também o
horizonte de tempo a ser utilizado, ele
vai ter vai possuir uma característica
de maior longo prazo do que, por
exemplo, um horizonte de tempo de uma
informação contábil.
Então a gente vê, você tem uma
aplicação, o apesar do conceito seu
mesmo, ele envolve um julgamento um
pouco diferente,
efeitos financeiros antecipados, os
impactos de eventuais eventos futuros no
meios números que estão nas
demonstrações contábeis.
Então, por aí vocês já observem observem
que vai ser um julgamento a ser
afetuado. Ele é ele exige
informações
diferentes, apesar do conceito de
aplicação ser o mesmo, tá? Eh, aquilo
que é útil para o investidor.
É, é aquilo que a gente costuma dizer,
né? O pessoal não, eh, quando a gente
fala, pessoal
eh critica um pouco a contabilidade,
quando você tá dirigindo, você tem que
olhar no retrovisor aquilo que já
passou, né? é o fato gerador. Agora que
é importante para dirigir, porque se
você não olhar pro retrovisor, você pode
bater o carro, colidir o carro.
Agora você vai ter que olhar paraa
frente também, [risadas] né, em termos
de demonstrações financeiras, o impacto,
a conectividade nas demonstrações
financeiras, que aquilo que também lá
que o professor Eduardo lá comentou com
a gente. Então, a gente tem que est
ciente disso que o escopo de aplicação
do conceito ele é um é diferente em
função da informação ser um pouco
diferente.
Perfeito, Mosvaldo, que realmente eh nós
vamos nos dar, enfrentar algumas
incertezas aí, né? e vai ser bem
complexo o caminho em que as empresas
estão eh tomando essas decisões. Aí eu
queria aproveitar, né, já que você tá
falando aí do presente, passado, futuro
das empresas, o investidor em si, né,
falar com a Júlia aqui, como é que a
gente tá eh olhando pelo lado da IMA,
como esses investidores estão
incorporando essa questão do IFRS, S1,
S2 nas suas expectativas de decisões e
que evidências dentro do IFRS, S1, S2
permitem ao investidor concluir ir que a
governança e a estratégia são não são
apenas uma narrativa, mas que clima e
sustentabilidade efetivamente mudaram
suas decisões.
>> Por favor, Julian.
>> Obrigada, linda. Bom dia a todos. É um
prazer táar aqui. Eh,
eu acho que a gente tá vendo eh
incorporando eh os aspectos eh ou as as
decisões, as divulgações S1 e S2 ou tem
a expectativa de incorporar eh
basicamente em três dimensões, né? Acho
que a primeira dela, primeira delas na
análise de risco, na precificação e
também no engajamento com os emissores,
né? Então, numa análise eh de risco,
tentando entender cada vez mais a
efetiva relevância e materialidade das
informações eh de sustentabilidade.
E eu acho que aqui a gente vai, eu tenho
uma expectativa muito grande de uma
mudança mesmo de de paradigma, né? A
gente não tá falando de um reporte de do
de relatório ISD, de um novo relatório
ISD ou de uma evolução ah do relatório
de sustentabilidade. A gente tá falando
de um relatório financeiro de
sustentabilidade
voltado à tomada de decisão de dos
investidores. Então, acho que tem e e
isso faz com que também haja uma mudança
eh no padrão de exigência e uma mudança
no padrão da conversa. O engajamento,
acho que dos investidores passa a ser eh
mais qualificado. O investidor passa a
poder fazer perguntas melhores,
perguntas mais adequadas para cada tipo
eh de companhia, para cada para cada
setor. Então, acho que a gente realmente
muda bastante eh o patamar. a gente eh
tem a importância muito grande de criar
uma linguagem comum, como disse o
professor também Eduardo, com temas
trazendo o relatório de sustentabilidade
para uma linguagem eh financeira,
traduzindo
a as premissas de sustentabilidade para
uma linguagem financeira e que o mercado
já tá acostumado. Então isso acho que
vai ser eh eh muito importante para
fazer com que a área de sustentabilidade
deixe de ser uma área, né, apartada e
passe a est no coração da governança
corporativa, no no coração da empresa.
Eh, o CFO precisa saber disso, precisa
ter conhecimento e disso e isso vai
fazer, eu acho, eu tô com uma
expectativa muito grande, isso que vai
eh eh mudar o nosso o nosso patamar.
Claro que também tem uma dimensão de
precificação, eh, né, de de valuation,
de precificação eh de ativos, né? Quanto
mais informação, melhor, melhor eh reduz
a a assimetria eh informacional.
engajamento, eu também já comentei, com
a os dos investidores, com os emissores
e e num diálogo mais com a possibilidade
de um diálogo mais qualificado. E quando
a gente olha as diferentes estratégias
de investimento, eh também há uma
diferente eh forma de utilização dessas
informações. Então, se a gente tá
falando de uma estratégia de equit, por
exemplo, a gente vai est utilizando isso
na tese de investimento, no valation,
ah, na na precificação e no engajamento
com investidores. Quando a gente tá
falando de uma estratégia de crédito,
isso vai est na análise de risco, eh, na
taxa, eh, nos covenants, na no risco, na
na avaliação sobre a a capacidade de
refinanciamento no risco de deterioração
do rating. Ah, se a gente fala em
mercado privado, né, em private equity,
a gente vai est fal aplicando isso na
diligência,
a, na construção de um plano de criação
de valor, eh, num capex de de adequação,
na estratégia de saída, eh, enfim, acho
que a gente tem várias formas de
utilização eh dessa informação e claro
que ainda eh eh estamos no início e acho
que todos aprendendo em conjunto como
melhor utilizar e e potencializar eh o
uso dessas informações.
>> Perfeito, Júlia. É muito interessante a
gente ver o quanto realmente dentro da
escala de evolução, né, de
sustentabilidade, clima e a a própria
questão financeira, porque até o IFRS,
entre aspas, não é é relativamente
recente no nosso país também, né?
Então que eu lembro quando a gente
começou a ver a primeira vez, que
sofrimento que foi. Eu tava no banco a
BN real, gente, era uma loucura. Então a
essa evolução é fantástica e como você
bem traduziu, né, Júlia, quando a gente
olha essa questão de olhar tanto risco,
valuation, etc.,
Finalmente o investidor começa a ter,
digamos, não vou dizer um sossego, mas
uma calmaria no sentido de ele está
colocando o seu capital sem correr um
risco reputacional, né, como o professor
colocou, né, nem o green washing, nem o
green wishing. Então você ter realmente
uma eh informação assegurada, né, para
que a gente possa olhar e falar: "Não, é
aqui mesmo que eu quero direcionar o
recurso, né?"
E falando em direcionar recurso,
empresas como a Natura, que recebem aí
sempre os seus grandes investidores, né?
Eh, é interessante a gente trazer na
mesa quem tá fazendo, né, gente? Eh,
quem tá [risadas]
tá montando tudo isso, né, Fernanda?
Então, paraa Fernanda começar com uma
pergunta mais simples, Fernanda,
[risadas] porque e que não tem e que não
é tão simples. Eu tô só tentando te eh
deixar mais tranquila. Tranquilo. Mas o
que que acontece na Natura, a Natura já
tem os seus relatórios, né?
Sustentabilidade, clima, sempre teve aí
até por excelência uma referência.
Então, eu queria que você contasse para
nós um pouco da experiência de como que
foi a história que o professor ressaltou
tanto da integração, como é que você
integrou esse relatório de
sentabilidade, clima e o seu relatório
financeiro e como que eh esse desafio
internamente foi conduzido, processado.
Por favor, Fernanda.
>> Bom, obrigada, linda. Bom dia a todos.
Mais uma vez obrigada pelo convite
acebedima.
Eh, bom, eu tô aqui apresentando o lado
da sustentabilidade, tá? Então, eu dou a
licença poética de não ter todo o as
últimas colunas aqui, mas é muito
interessante assim, falando pela natura,
né? Eu acho que a primeira constatação
que é muito importante trazer para cá é
que mesmo a gente que eh foi tantos anos
visto como referência, estamos passando
por uma série de dilemas, né? Então
assim, não somos perfeitos, temos muito
aprendizados. Quando a gente começou lá
em 2002 com o relato integrado, nem
existia normativa em torno disso. Então
depois a gente precisou fazer uma série
de adaptações. Então também existe um
preço do pioneirismo. Parabéns a Vale e
a Renner que foram corajosas e fizeram
embarcaram nessa jornada mais cedo. A
gente resolveu embarcar agora, mas
dentro dos nossos desafios acho que tem
um olhar de convergência e como o
professor Eduardo que eh comentou,
quebrar os silos, né? Porque eh os
nossos executivos, eu venho de uma
carreira de muitos anos à Natura, dos
quais a maior parte deles na área de
supply chain, em compras, em operações.
E eu tô a seis em sustentabilidade. Eu
acho que ter vindo de uma área de
negócio e trazer esse olhar de
integração e eu liderava a agenda de
descarbonização e temas de clima fez
muita diferença na materialização das
coisas. Então, poder quebrar esses silos
e fazer conversas mais integradas fez
toda a diferença.
Todo um processo de adaptação
do GRI, do que a gente já fazia de SASB,
todos os frameworks que a gente tem um
monte assim, eu fico até feliz com uma
padronização desse tipo que nos ajuda a
simplificar a nossa forma de operar.
Então, a gente fala de uma forma mais
simples, porque quando a gente vai
conversar com o investidor, muitas vezes
a gente quer trazer tanta chancela que a
gente mais confunde do que contribui
paraa conversa. Então acho que ter
movimentos desse tipo também ajuda a
trazer objetividade e simplificação
paraa mesa, pra gente conversar com com
um stakeholder tão pragmático e objetivo
como é o investidor. Eh, mas acho que
tem um salto de conectividade e de
adaptação de linguagens. Então, como é
que a gente foi agora nesse exercício de
geração do nosso relato integrado
adaptando e integrando mais fortemente
as questões das demonstrações
financeiras? Então, a gente primeiro eh
criou um time multidisciplinar. Eu tô
aqui representando esse time com essa
responsabilidade. A gente tem uma PMO
excelente que tem nos provocado e nos
desafiado nesse sentido. A nossa
diretora de controladoria, Alessandra,
tá super comprometida e também a o o
Aval da liderança, né? tanto a nossa
vice-presidente da sustentabilidade
quanto a nossa CFO, elas sentam na mesa
para ser para serem letradas, mas também
para nos desafiar e trazer eh as
possibilidades e os caminhos para que a
gente gere essa conectividade. Então
esse tem sido um exercício de muito
aprendizado,
repleto de desafios, né, como vocês bem
comentaram, professor trouxe, mas eu
acho que eh essa acho que o professor
Eduardo resumiu bem, a medida que ele
foi falando, foi eh fazendo sentido.
Esse olhar multidisciplinar é o que faz
a diferença, o que agrega. A gente tem
muitas discussões agora. a gente tá num
estágio, eh, a gente passou pela
asseguração que era limitada do nosso,
do nosso inventário de emissões de gases
de efeito estufa e a gente aproveitou
esse exercício de asseguração de 25 para
já exercitar o desafio da nova régua de
asseguração. Então, isso também já nos
colocou num lugar de desconforto. Opa,
pera aí, né? Eu tive amplícia assim,
altíssimos debates com com os auditores,
porque eu falava: "Não, mas isso a gente
faz, mas isso a gente tem". Ele falava:
"Calma, isso não é mais tão verdade para
um outro context". Então, acho que tava
falando mais cedo aqui com alguns
colegas, a parte de eh acompanhamento e
controle de banco de dados, ela é
fundamental, embora assim, eu falo que a
gente faz muita mineração na
sustentabilidade para fazer todos os
reportes como a gente faz. Então, como é
que a gente eh de fato traz escala e a
gente produtiza, né? A gente transforma
isso de fato em bases robustas que
tenham eh rastreabilidade e sejam
auditáveis. Acho que para começar isso,
Linda.
>> Ótimo, Fernanda, muito obrigada, porque
realmente a gente eh acho que muitas
empresas elas ficam pensando, não, eu já
tenho um relatório G, já tenho um CDP,
então é easy, né? Só blu ali, chama o
sef falou: "Tá aqui, né? Eh, carimba,
tchau. Qualquer dúvida tô lá no meu
cantinho. E a gente vê, gente, é
realmente transformar tudo isso, né? Eh,
na questão de uma estratégia, né? E
trazer toda uma segurança, porque você
tá fazendo um relatório contábil, né? Um
relatório contábil, uma coisa é você
errar dentro de casa, a outra é você
errar para o mercado, né? Você mandar um
relatório com algum erro pro mercado,
né? Você pode até assim, o teu querido
regulador pode dizer que você tá
fraudando, né? Então, aí [roncando] vai
ficar meio chato você defender o o que
tá acontecendo. Então, acho que a gente
tem aí, né, eh, um aprendizado profundo.
E e quando você traz, Fernanda, essa eh
dificuldade, é porque, como o professor
bem ressaltou, é importante a gente
lembrar, são ninguém tem culpa, são
perfis diferentes, né? são pessoas que
trabalham com perfis diferentes, as
coisas aconte vinham acontecendo sobre
uma certa dinâmica e quando a gente fala
de asseguração, né, ela é bastante
crítica, principalmente mercado de
capitais. Então, acho que esse desafio
que você tá tendo, te desejo do fundo
coração muito sucesso, não só para você,
mas para todas as empresas que estão
entrando nesse eh no Estamos todos
juntos. É por isso que é legal a gente
compartilhar e trocar as ideias que é o
o intuito do evento. E aí retomar aqui
pro Osvaldo. Osvaldo, como a sua vida tá
tranquila lá na CVM e não tá tendo
nenhuma dúvida, né, o seu dia a dia deve
estar assim monótono, eu queria que você
comentasse, né, eh, quais são as
principais dúvidas que estão surgindo,
né, das empresas participantes do
mercado em relação à questão da da nossa
resolução CV193, por favor.
>> Tá ótimo, né, Thaago? A nossa vida tá
tão calma esses tempos, né? Muito calma,
né? você muito bem sabe, né? [risadas]
Ai, ai. Olha,
a das dúvidas que a gente tem recebido,
eu acho que tem uma que eu poderia
destacar que ela veio com alguma
frequência
e
eu acho que essa dúvida tá relacionada à
interpretação dada a um artigo da 193,
quando fala que as informações
financeiras relacionadas à
sustentabilidade deve ser adotada paraa
entidade consolidada que reporta.
Tem gente que entende que que Então, se
eu consolido eh eu nas minhas
eh controladas que são companhas
abertas, eu não precisaria adotar. Tem
ter tem tem uma eh essa interpretação.
E esse conceito de entidade consolidada
que reporta é o próprio conceito que
está na S1, né? Como lá o professor
Eduardo falou: "Ah, eu tô aplicando S2,
eu tenho, então vou esquecer S1". Não,
né? A S1 ela tem ela traz alguns
requerimentos de reporte que são
importantes, apesar de eu est aplicando
S2. Então, não há que se falar em S2 sem
eu aplicar o S1 também,
caso eu eu decida aplicar eh a reportar
o somente risco climático, por exemplo.
Então, elas devem ser aplicadas
conjuntamente. O conceito
pororta é o conceito de entidade
consolidada. Se eu sou uma companhia
aberta, eu tenho controladas
que são abertas também, eu, entidade, eu
entidade controladora, porque o conceito
de entidade consolidada só existe para
quem é controlador.
Eu, entidade controladora, eu vou
reportar o consolidado, mas se eu tenho
uma uma controlada que é companhia
aberta, ela é ela é também uma entidade
que reporta, então ela deve também
reportar S1, S2.
Eh, outro ponto que eu a gente também
recebe recebeu eh questionamento é
questão de proporcionalidade na
aplicação da norma em relação a
companhias categoria A, categoria B.
Eh,
o arcabolso normativo da CVM em termos
de supervisão informacional, ela não
segrega
companhias de diferentes categorias. Se
vocês lerem lá resolução 80,
o requerimento informacional
com exceção do formulário de referência,
algumas informações específicas no
formulário de referência para as
empresas categoria B, que elas são
isentas de de divulgar algumas
informações para o formulário de
referência,
a obrigação informacional em termos de
demonstrações financeiras é igual
categoria A, categoria B. Então, a CVM
não distingue em termos de categoria,
tipo de empresa, eh, ela não segrega,
fala: "Ah, e essa categoria por ser
categoria B, divulga dessa forma e você
categoria A divulga dessa forma, não.
Para CVM, categoria A, categoria B, são
empresas, são companhias abertas da
mesma forma, tá? Eh, outra questão, ah,
por que que eu não aplico? Porque não
existe uma questão de proporcionalidade
em relação a companhias mais
estruturadas, né? companhias maiores,
ela a gente poderia estar exigindo essas
informações em relação a outras
companhas que têm menos capacidade.
Isso já foi solucionado com a resolução
CVM 232,
que é o são os o a a o regime fácil
que para as companhias com receita
bruta, faturamento bruto abaixo de 500
milhões anuais, elas estão isentas.
de divulgar o relatório de
sustentabilidade de acordo com S1 e com
S2, desde que eles atendam os critérios
da 232. Não é, não basta ser ter receita
abaixo de de 500 milhões, faturamento
abaixo de 500 milhões e tem que atender
outros critérios. Então, se vocês têm
alguma existe alguma companhia
que se enquadre nessa, nessa nessa
situação, é bom dar uma olhada na 232,
tá? seguir os requerimentos lá para caso
desejem, não é obrigatório, é opcional,
desejem não divulgar a a o relatório de
informações financeiras relacionadas à
sustentabilidade de acordo com S1, com
S2. Outro ponto também em termos de de
de
supervisão informacional também não
existe diferença para CVM em termos de
empresas de grande porte, empresas de de
de
Existe os critérios na matriz de risco
em termos de exposição de mercados, as
empresas com maior exposição a mercado,
a
quantidade de investidores, isso existe
na matriz de risco, tá, da CVM, mas não
existe diferença exigência
informacional, é a mesma também. Então,
essas são algumas das questões que a
gente tem recebido que eh
para fins de aplicação de uma norma de
de de reporte financeiro, né, a
aplicação ela vai se dar mesma forma.
Empresa categoria A, categoria B,
empresas maiores, menores, com exceção
lá do regime fácil, tá? Que é a 232.
Então, tem que ficar bem eh eh bem claro
isso, tá? em termos informacionais.
>> É excelente, Osvaldo, porque eu acho que
realmente são dúvidas aí de mercado eh e
complexas, né? Porque a contabilmente a
gente pode ter aí as holdings, as
controladas, etc. E aí começam a surgir
as dúvidas, porque não necessariamente
no mesmo grupo tem empresa que às vezes
nunca reportou nada de clima ou de
sustentabilidade.
É muito pertinente, sim. Obrigada aí
pelos esclarecimentos. Tenho certeza que
ajudou aí muita gente. Aí vamos paraa
nossa querida Júlia pra gente falar
novamente dos investidores, né, Júlia?
dentro do que tá tá sendo proposto aí
nas divulgações, né, tanto de FRS, S1,
S2, o que que na no lado né, digamos,
representando aí os investidores como um
todo, vocês estão considerando realmente
assim material paraa tomada de decisão
do do investidor institucional e como
que elas estão se conectando de uma
forma clara, rastreável
para que vocês possam até, né, vocês
como autorreguladores também ajudarem,
né, a direcionar o olhar, né, dos
investidores de uma maneira geral sobre
o que tá sendo reportado. Obrigada.
>> Então, acho que a gente eh
busca busca responder três perguntas,
né? Três principais perguntas com com
esses reportes. Eh, primeiro, quais os
riscos e oportunidades que podem afetar
aquela empresa?
eh qual o impacto eh financeiro eh
potencial
e se aquela empresa tem governança, tem
estratégia e capacidade
de execução e de lidar eh eh com tudo
isso. Então, acho que e primeiro
trabalhar na identificação dos riscos e
oportunidades e muito importante, o
professor Eduardo comentou aqui, com
horizonte de tempo, né? Isso é é é
essencial. Então, com essa definição eh
clara de tempo, um risco que pode ser
relevante eh eh pode ser irrelevante eh
para uma empresa que tem uma uma curta
duração em termos de de ativo, eh pode
ser ah material para outra empresa que
tem a um ativo de longa duração, de
infraestrutura em termos de concessões,
por exemplo. Então isso faz eh eh toda a
diferença.
Acho que a gente precisa eh eh ter uma
conexão e e isso e e as normas trazem
isso, os reportes vão trazer isso, essa
conexão direta com o valor da empresa.
Eh, e como eu disse no início, né,
transformar eh ou converter a linguagem,
as premissas da sustentabilidade pra
linguagem eh contábel, pra linguagem do
mercado de capitais, com fluxo de caixa,
com custo de capital, com acesso a
financiamento, com alocação eh de
capital, ah, entender como isso aumenta
ou favorece eh o custo da dívida. Então,
acho que esse esse ponto é é
extremamente importante e a acho que as
divulgações a gente e e falando
colocando um pouco aqui na lógica que a
que a tanto a Fernanda quanto quanto o
Osvaldo colocaram também a importância
da asseguração, né, e de as empresas
também tentarem eh
trabalhar ou tentar antecipar a lógica
da seguração, né, e e sair um pouco
daquela, né, matriz de risco que a gente
faz ou sempre fez de ISD, que tá mais
voltada à questão reputacional, a uma
planilhasa
com julgamentos, claro que há
julgamentos subjetivos, mas muitas vezes
só com julgamentos eh subjetivos e
traduzir isso ah para uma trilha de
produção de informação financeira, né,
uma trilha
com eh rastreabilidade, uma trilha com
evidência, com identificação dos
responsáveis pela produção daquela
informação, com metodologia eh adequada,
a com controles internos. Então,
realmente muda eh bastante o o nosso o
nosso paradigma e a confiabilidade a
partir da asseguração, a confiabilidade
das informações que vão ser prestadas
aos aos investidores e, portanto, a a
maior utilização eh eh dessa e
credibilidade dessas informações.
>> Perfeito, Júlia. Porque realmente eu
acho que uma das grandes dúvidas que
devem ter é dado que a gente tinha
realmente essa assimetria de
informações, né? E quando a gente olhava
os, digamos, três relatórios, né,
podemos dizer assim, eh, eu acho que a
partir do momento que se integra nesse
olhar que você trouxe, né, de da
confiabilidade,
a gente começa a trazer também uma
discussão mais, não vou dizer assim
leve, mas eu acho que a o próprio
investidor não vai mais sair
questionando, mas por que que você tem
que olhar esse negócio de clima ou o que
que esse negócio que você tá trazendo
tendo sustentabilidade em paralelo, né?
Então, acho que a eh finalmente estamos
olhando, digamos assim, o mainstream,
né, a entrada dos da sustentabilidade do
clima no mainstream das companhias. E
falando em companhias Natura, vamos lá,
Fernanda. Fernanda, uma curiosidade e ao
mesmo tempo assim, realmente vocês estão
fazendo eh os esforços para
implementação do IFRS S1, S2 e você já
comentou da das integrações. Você
poderia nos contar assim, eh, teve
mudanças de processos, teve aumento de
custos, eh como é que vocês estão
enxergando toda essa implementação
dentro da organização?
Não, acho que é ótima pergunta porque eh
como eu falei na primeira, né, a gente
tinha muitas práticas já eh concentradas
no time de sustentabilidade e e de
alguma forma também inseridas já,
principalmente com time de finanças, né?
a gente já tá operando alguns anos com o
PNEL integrado. A gente trabalha eh com
externalidades socioambientais no
processo de seleção de fornecedores,
mas eu acho que tem uma mudança de
paradigma e da lógica de como algumas
coisas são feitas dentro da organização.
Então, acho que eh a partir do momento
em que a gente decidiu que a gente faria
esse processo de adesão voluntária, a
gente falou: "Puxa, o que que esse
exercício?" E a Vânia fala isso muito
bem em outras apresentações que eu já
assisti, como é que isso me me ajuda a
fazer um processo de autoavaliação e de
melhoria contínua das minhas próprias
práticas, como é que eu avanço. A gente
também buscou um parceiro e fez um gap,
um exercício de gap análises, perdão,
pensando tudo que a gente já tinha,
todos os reportes que eu já tenho, a
Natura já, né, já tá comprometida com a
SBTI, a gente já tem divulgado um plano
de transição climática que vai além da
agenda só de clima, que olha questões de
natureza e biodiversidade, que olha
sobre justiça climática e a gente criou
um índice de vulnerabilidade idade ade
climática, que vai ser uma ferramenta
bem importante para compor
algumas das respostas aos riscos todos
que a gente tá apontando. Então, eh tem
sido um exercício de muito aprendizado.
A gente integrou, né, o time
multifuncional que eu mencionei tem
riscos, controles internos,
sustentabilidade e controladoria. a
gente tem tido reuniões semanais e a
gente tem estabelecido um comitê de
avaliação para que a gente tenha eh
suporte para garantir que a gente
alcance todos os critérios que estão
pressupostos no processo da auditoria
razoável. Então, eh, eu acho que assim,
o entendimento também, eh, da companhia
de que a gente, de fato, né, porque
quando a gente fala de sustentabilidade,
a gente tá falando de uma jornada de
médio prazo. Então, por exemplo, a área
de compras tem um exercício anual de
budget, onde eles olham proscimento
e pros problemas de eh feit stocks num
contexto, vai, no máximo de um horizonte
de 3 anos. Quando a gente integra os
riscos climáticos e traz isso em
perspectiva, a gente precisa falar de um
horizonte mais amplo, a gente precisa
começar a falar de probabilidade, de
frequência. Então isso tem eh trazido,
no meu ponto de vista, maior robustez
pros nossos planos, para pra agenda toda
de mitigação. E por outro lado, a gente
tem um mantra interno que a gente fala
como é que a gente transforma os
desafios socioambientais e oportunidades
de negócio, né? Então, eh, tem sido
legal também a gente olhar sobre a
perspectiva de oportunidades, né? A
Natura vende cosméticos que são
utilizados no banho. Como é que um risco
de escassez climática pode trazer um
risco de continuidade pro nosso negócio?
E o que que a gente pode fazer no âmbito
de desenvolvimento de produto para fazer
um processo de adaptação?
Então, eh eh tem trazido reflexões mais
profundas para além da do atingimento,
né, da entrega do compromisso, de
cumprir as as normativas, eu acho que
tem trazido um uma possibilidade de
desenvolvimento estratégico para um
outro patamar. Então, acho que isso é
muito legal e eu tô muito feliz porque
eu acho que de fato as as conversas
estão mais diretas, retas e pragmáticas
e um monte de eh índices e frameworks
vão ser simplificados nesse exercício.
>> Ótimo, Fernando, que assim, pelo que
você coloca, quando a gente discute
muito, principalmente questões
climáticas, a gente tá falando da
resiliência das empresas, né? E eu acho
que essa integração, tanto sustentável,
econômico, climático, ela traz a
resiliência mais ampla, né? a
resiliência no sentido realmente do dia
a dia da empresa na sua garantia de
existência, né, de médio e longo prazo,
não só por um aspecto só ambiental ou
eventualmente de um evento extremo.
Então, e isso é
muito bom, gente. Olha, estamos eh
abrindo para perguntas, pro painel. Se
tiver alguma pergunta ou se não houver,
eu já tenho aqui na realidade duas
perguntas que são para o Osvaldo.
Enquanto vocês pensam um pouco, opa,
vamos fazer primeiro a pergunta, depois
eu faço para você, Osvaldo. As duas eu
vou eh sintetizar, né? Por favor, você
poderia falar seu nome, de onde é e a
pergunta? Certo, Haroldo?
>> Oi, bom dia. Eh, Haroldo Levi, eu sou
diretor técnico da PMEC Brasil, de
analista investidor de mercado e também
um dos coordenadores do CDPS. Bom,
parabéns aqui pelo evento, acho que tá
excelente. Eu queria fazer um um
comentário, na verdade, para também eh
dizer o seguinte, quer dizer, o primeiro
usuário, na verdade, dessas informações
são os analistas, né, até chegar os
investidores. E e a gente já faz esse
tipo de avaliação
há muito tempo. Acho que a Júlia foi
muito bem no ponto a questão de
considerar confiança, seguração, mas a
gente então já olha essas informações há
muito tempo. Tava comentando há pouco,
né, Linda, eh, na PIMEC, a BAMEC a gente
já trabalhava eh com visão em cima de
balanço social e daí viemos muitos anos
atrás para quem eh teve nessa época. De
qualquer forma, acho que o ponto
principal é essas informações. Muitas
dessas informações, inclusive com outros
tipos de relatórios, mas sem padrão, já
são utilizadas pelos analistes de alguma
forma. O grande problema é exatamente a
confiabilidade das informações. Então,
muitas vezes o Eduardo aqui colocou, são
deixadas de lado porque você não tem
confiança naquilo, então você pode te
dar um um viés totalmente equivocado e
levar um investidor a um abismo, né,
nessa direção. Então, queria só reforçar
o ponto da questão da asseguração e
mesmo a seguração limitada ainda não vai
nos dar o que a gente precisa. Então, e
o que você colocou, né, Fernanda, é
super relevante, é trabalhar já com essa
visão de asseguração razoável para que
os analistas possam efetivamente dar um
conforto maior aos investidores paraa
tomada de de decisões. Então, esse ponto
é básico e, como eu disse, é utilizado
de alguma forma no qualitativo, né? Você
falou do IFRS lá atrás, eu participei
também lá do início na no CPC e a gente
eh naquela época eu tava numa
instituição e a gente fazia governança,
né, o novo mercado também tentando
naquelas primeiras tentativas. Então é
um processo, né? Não vamos esperar que
os analistas vão dizer: "Olha, isso
agora porque as empresas não conseguem
nos dizer e, portanto, nós não
conseguimos passar de forma razoável
para os investidores." Então, queria
deixar isso e sempre lembrar, porque
esquecem que o analista é o primeiro
usuário. Então, o enfoque investidor, é
lógico, é quem tá lá bancando, mas eh
depende dos analistas.
Obrigada, Aroldo, porque realmente
assim, é lógico que a gente não esquece
dos queridos analistas, né, que são os
que mais sofrem nas análises, né? E
excelente ponto quando você lembra, né,
essa trajetória toda das regulamentações
que a gente, o Brasil vem sofrendo desde
aí década de 90, até o professor falou:
"Olan, não esqueça dos controles
internos". Lembrei da querida Sarban,
Oxley, que pelo amor de Deus, por Deus,
aí o COS, o RM, então a gente tem uma
evolução em que eu acho que o estágio,
né, que o FRS tá chegando tudo mais, vai
realmente ajudar muito não só a as
empresas em se tomarem decisões, mas eu
acho que a questão, os analistas, a vida
do Eu já fui analista de equity
Research, então assim, a minha vida
também já foi tranquila no passado e a
gente sabe o quanto Quanto é complexo,
né, você ajudar e até porque você tá
tomando, vai recomendando, né, ainda
mais que eu era site, você tá
recomendando, né, uma ação e para pros
investidores. Então, obrigado por você
ter trazido esses pontos, né? Acho que
tem mais uma pergunta, Gláuscia, por
favor. Tem uma pergunta, eh, Gláuso, que
tem uma pergunta pro Osvaldo que acho.
[risadas]
>> Tudo bem, Osvaldo, eu tenho uma pergunta
que é pra CVM, né? Não pro Osvaldo em
si, mas assim, eh, quando a gente pensa
no formulário de referência, ele é um
documento que deve ser usado por
investidores, analistas, enfim, né? E
ele não é auditado, ele não é
assegurado, né? Então, eh, eu fico
preocupada porque às vezes a gente pega
o formulário lá no site da CVM, a gente
encontra algumas atrocidades, né, ali,
porque aquelas integrações que a gente
falou e viu lá com Eduarda, isso não
acaba não acontecendo e muitas vezes é
um copola de um escritório de advocacia,
né, fazendo ali às vezes o pessoal, a
área de sustentabilidade ou mesmo o
pessoal da controladoria, tal, acaba não
pegando aquilo, né? Mas eu queria
perguntar o seguinte, se existe algum
plano da CVM, né, de
transformar de fato o formulário de
referência num hub de informação para
simplificar a vida das empresas, em vez
de procurar mais, né, propor mais um
relatório, né, ou talvez tenha mais um
relatório, né, mas que ele seja como um
mapa mental, né, que ele funcione ali,
que dali eu vá, por exemplo, para as
informações eh de sustentabilidade.
né? Eu só essa perguntinha.
>> Oi, obrigado pela pergunta. Eh, eu vou
responder por mim, tá? Não pela CVM.
[risadas]
C salva.
Tanto porque essa, esse documento ele
não é responsabilidade da minha área, é
de uma outra área da CVM, tá? Eh, da
CEP. E
eu vou tentar passar aqui um pouco da
ideia do que, qual que é o objetivo do
formulário de referência. O, o
formulário de referência, ele foi
criado, eh, como eu entendo, com o
objetivo de facilitar a supervisão
de algumas informações por parte da área
supervisora, que é a CEP. Então, no seu
conceito original, ele não foi criado
com esse conceito de ser um hub.
Claro, ele como consequência disso ele
pode ter essa função, mas na sua origem
ele não foi criado com esse intuito. Ele
foi no intuito de facilitar você
estruturar uma informação que não é
estruturada puxando informação. Tanto
que vocês podem perceber que vai ter
algumas informações que não tá repetida.
Tem que pegar de um lugar, jogar lá, né?
Então ele com objetivo de estruturar a
informação de forma a facilitar a a
atividade de supervisão da CVM.
Eh,
não tem, pelo que eu saiba, atualmente
não tem nenhuma nenhum
projeto, plano relacionado a a isso que
você comentou, eh, para mudar esse foco
do formulário de referência, para ser um
hube.
Tá, no meu conhecimento, tá?
Sugestão, pode ser. [risadas]
>> Fica a sugestão, né? Uma ótima sugestão.
Ah, eh, assim, gente, olha, o tempo tá
correndo, infelizmente, muito rápido. Eu
queria tentar resumir aqui. Tem duas
perguntas que vieram do online, então
para trazer essa pergunta e eu não sei
se vai dar tempo, eventualmente vocês
podem depois tentar falar pessoalmente
aqui comos nossos painelistas. Mas a a
são duas perguntas em relação à a
questão para para você, né, usual do
CVM. Então, uma tá perguntando
previamente em relação à decisão de
aplicar apenas o CBPS 02 no primeiro
período.
E eh se basta para fazer essa eh opção,
se teria que eh fazer alguma a alguma
comunicação, algum eventual eh eh essa
eh ou simplesmente o fato de se colocar
o relatório de sustentabilidade já tá
dizendo que a opção dele foi não fazer
nesse momento o S2. E já eh juntando com
a outra pergunta, a pergunta eh vou
tentar resumir aqui é em relação às
controladoras e controladas que devem
reportar separadamente, o que que vai
diferenciar o conteúdo desses reportes?
Tá,
>> vamos lá, vamos ver se se eu entendi a
primeira pergunta. Eh,
olha, se você decidir no primeiro ano de
reporte adotar sua S2, vai ficar claro
de novo, não é que você não vai ter que
aplicar o S1, você tem que aplicar o S1
naquilo que não seja relacionado à
informação climática, tá? Entidade que
reporta, comparabilidade, tem todo eh
como se fosse o IAS1 lá do lá do
framework contábel, tá? você aplica as
normas específicas, mas também aplica o
S1, os conceitos que ele traz na
elaboração da informação. Eh, se você
decidir, se a empresa decidir no
primeiro ano de reporte aplicar S2, ela
é uma opção da empresa, tá lá na na
resolução, faz parte da estrutura do do
do S2, do S1, desculpa, eh esse relief
que é dado no primeiro ano só eh só
clima, tá? Só que tem que ficar claro
que você está optando no primeiro ano
aplicar só clima, né? Não tem que pedir
autorização, nada, está lá na faz parte
da estrutura da norma. Tanto que Vale
Renner aplicaram S2, eh, né? E não
entraram, não fizeram pedido nenhum para
CVM em relação a a essa essa opção, tá?
Então, não precisa.
>> Eh,
a segunda pergunta, o que diferencia
dessa informação? Eu vou voltar com uma
pergunta para ver se eu respondo.
O que diferencia
a informação contável consolidada,
considerando que eu tenho uma informação
individual embaixo?
O conceito é o mesmo.
Se se você se você não vê diferença na
informação, então você não vê a
diferença na informação contábil. Então
por que que isso não seria aplicado no
caso do contábil também? Porque só
sustentabilidade,
né? Então, eh, eu não sei, é um pouco,
é, acho que é um pouco do entendimento
do escopo da informação, tá gente? É uma
informação para o formação útil para o
mercado de capitais. Então, eh, se você
tem uma controlada que é uma companhia
aberta
pelo conceito de entidade que reporta,
que está no próprio S1, tá? Não foi uma
não foi uma uma criação da CVM, está no
S1. você deve aplicar para a entidade
que reporta, se ela é controlada,
controladora,
aí não não não importa, tá? Não sei se
eu tentei responder, né?
>> Esperamos que sim. Gente, olha, tem um
monte de gente querendo fazer perguntas,
mas em respeito aí à nossa próxima, o
próximo painel, que também é um é o caso
da Vale, então vai ser muito
interessante. Eu quero agradecer aos
nossos painelistas, foi muito rico,
tiraram muitas dúvidas muito legais
aqui. Então, uma salva de palmas para
todos aqui.
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