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Ata do
Comitê de Estabilidade Financeira — Comef
26 e 27 de maio de 2026
Ata da
65ª reunião
do COMEF
26 e 27 de maio
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Data: 26 e 27 de maio de 2026
Local: Sala de reuniões do 8º andar e do 21º andar;
Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horários de início...
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Ata do
Comitê de Estabilidade Financeira — Comef
26 e 27 de maio de 2026
Ata da
65ª reunião
do COMEF
26 e 27 de maio
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Data: 26 e 27 de maio de 2026
Local: Sala de reuniões do 8º andar e do 21º andar;
Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horários de início e
término:
1ª sessão: 26 de maio: 9h30 às 12h30 e 14h00 às 16h00;
e 27 de maio: 9h30 às 10h30
2ª sessão: 27 de maio: 14h00 às 17h00
Presentes:
Membros do Comef
(Presidente e Diretores)
Gabriel Muricca Galípolo
Presidente
Ailton de Aquino Santos
Fiscalização
Nilton José Schneider David
Política Monetária
Gilneu Francisco Astolfi Vivan
Regulação
Organização do Sistema Financeiro e
Resolução (interino)
Paulo Picchetti
Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos
Corporativos
Política Econômica (interino)
Izabela Moreira Correa
Cidadania e Supervisão de Conduta
Rodrigo Alves Teixeira
Administração
Participantes
responsáveis por
apresentações técnicas:
André Maurício Trindade da Rocha – Chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema
Financeiro
Aristides Andrade Cavalcante Neto – Chefe do Departamento de Gestão Estratégica e
Supervisão Especializada
Caio Moreira Fernandes – Chefe do Departamento de Tecnologia da Informação
Euler Pereira Gonçalves de Mello – Chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas
Marcelo Antônio Thomaz de Aragão – Chefe do Departamento de Assuntos Internacionais
Ricardo Constant Dickstein – Chefe-Adjunto do Departamento de Supervisão de Conduta
Ricardo Franco Moura – Chefe do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial
Ricardo Pereira de Araújo – Chefe-Adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do
Mercado Financeiro
Demais participantes: Adalberto Felinto Cruz Júnior – Chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e
Instituições Não-Bancárias
Alexandre de Carvalho – Chefe da Assessoria Econômica
André Luiz Caccavo Miguel – Chefe-Adjunto do Departamento de Monitoramento do Sistema
Financeiro
Ângelo José Mont Alverne Duarte – Chefe de Gabinete do Diretor de Organização do Sistema
Financeiro e de Resolução
Arnaldo José Giongo Galvão – Assessor de Imprensa
Beatriz da Costa Lourenço – Departamento de Operações do Mercado Aberto
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Carolina Pancotto Bohrer – Chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro
Climério Leite Pereira – Chefe do Departamento de Resolução e de Ação Sancionadora
Eduardo José Araújo Lima – Chefe de Gabinete do Diretor de Política Econômica
Enrico Bezerra Ximenes de Vasconcelos – Chefe da Secretaria de Governança, Articulação e
Monitoramento Estratégico
Erasto Villa Verde de Carvalho Filho – Procurador-Geral do Banco Central, substituto
Fabio Martins Trajano de Arruda – Chefe- do Departamento de Operações Bancárias e de
Sistema de Pagamentos
Fernanda Martins Bandeira – Chefe-Adjunta interina do Departamento de Regulação
Prudencial e Cambial
Gustavo Martins dos Santos – Chefe do Departamento de Supervisão de Conduta
Isabela Ribeiro Damaso Maia -– Chefe da Gerência de Sustentabilidade e de Relacionamento
com Investidores Internacionais de Portfólio
Júlio Cesar Costa Pinto – Chefe de Gabinete do Presidente
Mardilson Fernandez Queiroz – Chefe de Departamento de Regulação do Sistema Financeiro
Melissa Machado de Moraes – Chefe de Gabinete da Diretora de Cidadania e Supervisão de
Conduta
Olavo Lins Romano Pereira – Chefe-Adjunto do Departamento de Assuntos Internacionais
Ricardo Sabbadini – Chefe do Departamento Econômico
Ricardo Sivieri Zeni – Chefe do Departamento de Supervisão Bancária
Ricardo Teixeira Leite Mourão – Chefe do Departamento de Competição e de Estrutura do
Mercado Financeiro
Rogério Antônio Lucca – Secretário-Executivo
Sérgio Mikio Koyama – Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos e Pesquisas
Os membros do Comef analisaram a evolução recente e as perspectivas para a estabilidade
financeira no Brasil e na economia internacional tendo em vista o objetivo de assegurar um
sistema financeiro sólido, eficiente e competitivo.
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A) Mercados financeiros globais
1. O sistema financeiro internacional tem demonstrado resiliência diante de um
novo choque de oferta. A evolução recente do conflito no Oriente Médio tem motivado
revisões nas expectativas de inflação e sobre trajetórias fiscal e monetária. A abertura de
taxas de juros longas nas economias avançadas eleva a probabilidade de materialização de
riscos. O regime de câmbio flutuante segue absorvendo choques. O sistema financeiro
internacional segue em realocação ordenada de posições e precifica também outros
determinantes, por exemplo, as perspectivas de retorno de investimentos em inteligência
artificial. Nesse contexto, persistem incertezas e o risco de uma interação entre os efeitos
do atual choque de oferta e vulnerabilidades financeiras preexistentes. O cenário requer
ainda mais atenção.
2. Desde a reunião anterior do Comef, as condições financeiras globais estão
relativamente menos restritivas, enquanto permanecem vulnerabilidades nas
principais economias. Após o aperto em março, a liquidez global elevada contribuiu para o
retorno do apetite a risco, inclusive em economias emergentes. Nos Estados Unidos, a
inadimplência permanece elevada em diversas modalidades de crédito, e os riscos no
segmento de crédito privado cresceram. Na China, observa-se desaceleração do crédito
bancário e menor rentabilidade dos bancos, em linha com a menor demanda por crédito em
um ambiente de moderação da atividade econômica doméstica.
3. A maioria das jurisdições manteve inalterados seus buffers contracíclicos de
capital, enquanto quatro alteraram e uma recalibrou. De 58 jurisdições avaliadas, 44
mantêm o buffer contracíclico ativado, das quais 26 jurisdições fazem referência à adoção
da sistemática do buffer neutro positivo, que consiste na manutenção de um nível mínimo
de capital adicional contracíclico mesmo em períodos sem acúmulo significativo de riscos
financeiros. Os Emirados Árabes Unidos, jurisdição diretamente afetada pelo conflito no
Oriente Médio, decidiram pela liberação integral de seu colchão de capital, que estava
definido como neutro positivo.
B) Sistema Financeiro Nacional (SFN)
4. O crédito bancário prosseguiu desacelerando desde o último Comef. Do lado
das famílias, o crescimento do crédito arrefeceu nas modalidades de maior risco, mas
segue superior ao da carteira de menor risco. Do lado das pessoas jurídicas, o crescimento
do crédito arrefeceu para micro, pequenas e médias empresas. Esse crescimento foi
sustentado pelos programas de incentivo ao crédito. Para grandes empresas, houve
reaceleração.
5. O mercado de capitais reacelerou e segue crescendo em ritmo bastante
superior ao do crédito bancário. O mercado de capitais mostrou-se aquecido no
primeiro trimestre de 2026, com leve desaceleração em abril. As debêntures e as notas
promissórias e comerciais impulsionaram esse crescimento. O aumento da relevância
do mercado de capitais como fonte de financiamento para empresas ocorreu apesar das
aberturas de spreads de debêntures incentivadas e dos resgates líquidos em fundos de
crédito privado.
6. As provisões no SFN mantiveram-se compatíveis com as estimativas de perdas
esperadas. De forma agregada, embora tenha aumentado a materialização de risco, o
nível de provisão do SFN melhorou levemente e permanece alinhado ao calculado com
base nos modelos internos do Banco Central (BC). Em termos individuais, embora haja
instituições financeiras com provisão inferior à estimada pelo BC, o nível de
capitalização é suficiente para absorver eventuais ajustes na grande maioria dos casos.
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7. Os níveis de capitalização e de liquidez do SFN mantiveram-se superiores aos
requerimentos prudenciais. O sistema segue com capital e ativos líquidos suficientes
para absorver potenciais perdas em cenários estressados e cumprir a regulamentação
vigente. A rentabilidade do SFN recuou desde o último Comef, impactada
principalmente pelo aumento das provisões.
8. Os testes de estresse indicam que o sistema permanece resiliente. O sistema teria
condições de absorver os impactos simulados nos testes de estresse macroeconômicos
descritos no Relatório de Estabilidade Financeira. O impacto mais severo continua
sendo o observado no cenário de quebra de confiança no regime fiscal. O sistema
mostra resiliência também nos testes realizados pelos próprios bancos, inclusive
naqueles realizados com base em cenários definidos pelo BC.
C) Principais pontos de atenção
9. O ambiente de taxa básica de juros contracionista, aliado ao elevado
endividamento de famílias e empresas, requer cautela e diligência nas concessões
de crédito. As empresas estão sentindo o aperto monetário, embora a maior parte das
corporações demonstre resiliência. A materialização de risco permaneceu elevada e em
ascensão para todos os portes de empresas. Quanto às famílias, níveis elevados de ativos
problemáticos e de probabilidade de default permanecem indicando que a materialização
de risco deve continuar pressionada. O endividamento e o comprometimento de renda das
famílias estão historicamente elevados e seguiram aumentando. O contínuo aumento
da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida deve continuar
impactando o comprometimento de renda. O Comitê continuará aprofundando o debate
sobre esse tema. Na visão do Comitê, esse cenário requer cautela e diligência adicionais no
mercado de crédito.
10. No mercado de capitais, permanece a preocupação com estruturas que
envolvem múltiplas camadas de fundos de investimento que podem dificultar a
adequada avaliação de riscos. Alguns fundos de investimento operam com cadeias
estruturadas em múltiplos níveis, o que aumenta a complexidade do mapeamento de riscos.
Devido aos resgates líquidos em fundos de crédito privado, o BC realizou testes de
estresse de liquidez e verificou que esses fundos demonstram resiliência.
11. Depois da materialização de riscos geopolíticos, da reprecificação e da
recuperação parcial em algumas classes de ativos financeiros globais, o cenário global
prospectivo ainda apresenta alguns riscos latentes. As incertezas intensificaram-se,
sobretudo aquelas associadas aos eventos geopolíticos, ao reposicionamento das políticas
econômicas, às perspectivas de retorno dos investimentos em inteligência artificial e aos
seus impactos sobre os ritmos de crescimento da atividade e da inflação. Somam-se a essas
incertezas, aquelas relacionadas aos níveis de equilíbrio das taxas de juros no longo prazo, à
sustentabilidade fiscal de economias centrais e à valorização dos ativos de risco.
12. O Comef ressalta a relevância da atualização dos regulamentos dos arranjos de
pagamentos explicitando a responsabilidade do instituidor pelo risco residual das
transações. Os casos recentes de inadimplência de participantes de arranjos de
pagamentos demonstram a relevância do processo em curso de alteração dos
regulamentos desses arranjos, com estrita observância à regulação aplicável, assim como a
decorrente implantação de mecanismos efetivos de gerenciamento de riscos em prazo
razoável. Ademais, não são admissíveis dispositivos nos regulamentos que reduzam a
extensão da responsabilidade atribuída pela regulação ao instituidor no que se refere à
assunção do risco residual.
13. O Comef discutiu os avanços recentes de modelos de Inteligência Artificial com
capacidades de explorar vulnerabilidades tecnológicas e a necessidade de continuar
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avançando no aprimoramento da resiliência cibernética do SFN. Avaliou-se que, embora
não haja evidências de ataques totalmente conduzidos por tais modelos até o momento, a
aceleração dessas capacidades pode elevar riscos sistêmicos, sobretudo em função de
dependências comuns e da possibilidade de impacto em infraestruturas críticas do sistema
financeiro. Nesse contexto, o Comitê enfatizou a necessidade de intensificar a resiliência
cibernética do SFN, com foco em gestão de vulnerabilidades, desenvolvimento seguro e
risco de terceiros, bem como de avançar em iniciativas coordenadas de avaliação e uso
desses modelos para fins defensivos, inclusive por meio de esforços colaborativos entre o
setor público e o privado.
14. O Comitê está atento à evolução dos cenários doméstico e internacional e segue
preparado para atuar, de forma a minimizar eventual contaminação desproporcional
sobre os preços dos ativos locais. O Comitê segue entendendo que políticas
macroeconômicas que aumentem a previsibilidade fiscal, que reduzam os prêmios de risco
e a volatilidade dos ativos contribuem para a estabilidade financeira e, consequentemente,
melhoram a capacidade de pagamento dos agentes.
D) Decisão de política macroprudencial
15. O Comef decidiu que, dadas as condições atuais e as expectativas quanto ao
cenário econômico, o ACCPBrasil continuará em 0%. O Comitê avalia que a política
macroprudencial neutra segue adequada ao atual momento. A decisão considerou as
condições financeiras, os preços dos ativos e as expectativas quanto ao comportamento do
mercado de crédito.
16. O Comitê segue avaliando a adoção da sistemática de definição de um valor
positivo para o ACCPBrasil aplicável a períodos sem acúmulo significativo de riscos
financeiros, o chamado buffer neutro positivo. O Comef iniciou a etapa de diálogo
com a sociedade sobre o tema. A título de exemplo, a sistemática foi objeto de
discussão
1
por especialistas durante a Conferência Anual do Banco Central do Brasil
realizada no início de maio de 2026.
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