Gestão na prática: regras e funcionamento do crédito privado
Sumário Regulatório
O Gestão na prática volta aos bastidores da indústria de fundos com o tema crédito privado. Neste episódio, Soraia Barros conversa com Erick de Carvalho, diretor no Banco Daycoval e membro do Fórum de Serviços Fiduciários da Anbima, sobre os processos e cuidados que envolvem a gestão desses ativos nas carteiras. No papo, eles abordam: • Diligência e análise do emissor na entrada do crédito • Avaliação da estrutura, do risco-retorno e das garantias • Monitoramento ao longo da vida do ativo • Sinais de deterioração e eventos de crédito • Critérios técnicos para buscar o valor justo em cenários de estresse Um episódio para profissionais que querem se aprofundar nos processos que sustentam a governança e a gestão de crédito na prática. #VaiFundo #GestãoNaPrática #CréditoPrivado #FundosDeInvestimento
Transcrição e Conteúdo
Olá, sejam todos muito bem-vindos e muito bem-vindas ao Vai Fundo, o podcast da BIMA. Eu sou a Suraia Barros e no nosso episódio de hoje da nossa série Gestão na Prática, vamos tratar do crédito privado. Isso mesmo, né? O crédito privado ele vem cada vez ganhando mais relevância no mercado brasileiro e no mercado mundial. E aí instrumentos como debentores, CRIS, CRAS, eles pass...
muito bem-vindas ao Vai Fundo, o podcast
da BIMA. Eu sou a Suraia Barros e no
nosso episódio de hoje da nossa série
Gestão na Prática, vamos tratar do
crédito privado. Isso mesmo, né? O
crédito privado ele vem cada vez
ganhando mais relevância no mercado
brasileiro e no mercado mundial. E aí
instrumentos como debentores, CRIS,
CRAS, eles passam a ocupar um espaço bem
maior, tanto do lado de quem busca
financiamento via mercado de capitais,
como dos próprios investidores e também
da das carteiras dos fundos de
investimento. Então, pra gente poder
discutir um pouquinho quais são as
melhores práticas em relação a a uma boa
gestão desse crédito privado nas
carteiras, desde a sua aquisição,
monitoramento desses ativos, avaliação
de garantias, enfim, a gente fazer um
grande apanhado aqui em relação a todas
as melhores práticas em relação ao
crédito privado. Eu tenho aqui comigo o
Eric de Carvalho, que é o diretor do
Banco Daicoval e é membro aqui do nosso
fórum de serviços fiduciários. Eric, um
prazer ter você aqui no nosso podcast.
>> Ah, legal. Prazer o meu. Super
importante tá aqui dividindo um pouco aí
de visão aí com o mercado. Espero poder
contribuir para para quem tiver
escutando. Eh, e agradeço o convite aí
seu, Soraia, Dambima, o É sempre bom eh,
difundir visão e opinião, então fico aí
à disposição.
>> Legal. Tenho certeza que você vai
contribuir, Eric. Então vamos começar.
Eu queria assim a gente começar então
realmente lá pelo começo, né? Então na
hora de adquirir um crédito privado.
Então se você puder dividir um pouquinho
aqui com um ouvinte do Vai Fundo, que
que que é importante? Então puxa, tô
ali, tô, né, avaliando um determinado
emissor, um determinado ativo de crédito
privado, que que é preciso avaliar, seja
do ponto de vista tanto do gestor como
do administrador na hora de colocar esse
crédito para dentro da carteira dos
fundos. Conta um pouquinho pro ouvinte.
Quais são as etapas essenciais aí nesse
processo?
>> Tá legal. Bom, primeiro eu acho que a
175 trouxe uma divisão, né, entre gestor
e administrador, que foi muito saudável
pro mercado, né? Ah, e olhando um pouco
ali, todo o crédito ele nasce de uma
oportunidade e analisado ali pelo
gestor, né? Essa é a porta de entrada, é
o início de tudo, né? Então eu acho que
o primeiro passo que o gestor toma lá na
casa dele é entender quem é esse emissor
desse crédito, né? Eu acho que esse é um
passo super importante a histórico da
empresa. Eh, quantos anos ela tá no
nesse setor, quem são os diretores dessa
empresa? quem são sócios, quantos anos
os sócios tão como eh donos, né, ou
responsáveis por essa empresa, né, ou o
tipo de organização, governança dessa
empresa, que tipo de sociedade que é.
Aqui vem uma análise de diligência que é
super importante pro crédito, né? né? Eu
acho que eh conhecer quem é esse emissor
aí é um ponto super relevante. Depois
tem uma parte mais financeira do
crédito, né, que é você analisar os
números dessa dessa empresa, né? Eh, se
ela tem aí o balanço dela auditado, é
algo mais simples. Algumas emissões,
alguns tipos de de crédito são às vezes
eh para para emissores que não tm.
Então, é importante uma diligência eh
para entender o o esses números, esse
balanço dela, o grau de endividamento,
eh verificar o quanto de dívida que ela
já tem tomado no mercado, eh, toda o
histórico dela de receita, quais são os
pontos eh frágeis e importantes, os
riscos dessa receita, eh as despesas
dela, todo o histórico também eh de
potencial eh liability, né, ou então o
potencial passivo que essa empresa tem.
Tudo isso entra um pouco na análise
financeira.
Depois, efetivamente, vem uma etapa eh
de entender efetivamente o risco retorno
desse crédito. O risco retorno de acordo
com o mandato que tem, de acordo com aí
é um pouco olhando já a casa, o gestor
olhando um pouco os seus mandatos e
vendo aonde que esse crédito pode ou não
se encaixar dentro do do apetite de
risco que os fundos tão tão disponíveis
para tomar. e efetivamente se ele tá bem
precificado.
Eh, nessa análise de risco retorno
também, claro, tem uma análise aí das
garantias que vão estar associadas ao
crédito também, né? Ah, o se houver
garantia, né? Se qual é qual é o tipo de
garantia, eh, e todo o histórico dessa
garantia também. E por último, e não
menos importante, é a formalização em si
do crédito, né? a gente pode ter aí os
títulos e valores mobiliários, mas hoje
a gente também tem alguns créditos eh
privados, principalmente na estrutura de
FIDICs, né, que são os fundos de direito
creditórios, eh aonde a a formalização
ela se torna até muito mais relevante,
né, mesmo nos títulos que tão sendo ali,
né, passando ou por uma securitizadora,
que é o caso do CRI, CR CR ou uma
debentor financeira, eh quanto também
debentores, que tem todo um rito de
processo de registro eh dentro de um
depositário e tudo mais. Ainda assim eh
existe uma necessidade de você verificar
toda essa documentação do lado do
gestor, mas pro crédito que é direto ao
fundo, né, uma sessão direta pro pro
fundo, a formalização se torna ainda
mais importante, tanto das garantias
quanto do próprio das cláusulas que
estão envolvidas nesse crédito, né?
Muitas vezes para esse processo eh
existem advogados associados a esse tipo
de estrutura. É algo relevante, né? Eh,
quando você não tem um crédito ali eh
padronizado, né, estandarizado, um
crédito revolvente, algo assim. Mas
efetivamente é muito importante que na
estruturação você olhe as questões, né,
principalmente de potencial execução. No
momento da execução, é super importante
que os advogados consigam contribuir pro
êxito de cláusulas que efetivamente
reforcem as execuções da garantia ou do
próprio eh direito aí do credor, né? E
aí, uma vez feita toda essa análise, a
provavelmente aí as gestoras têm os seus
ritos internos dentro da sua política de
crédito e governança, que é justamente
você aprovar isso daí eh
dentro dos seus comitês internos e ter
uma formalização dessa aprovação. qual o
volume que você tomaria dessa emissão
dentro dos seus mandatos, o volume
máximo que você tá disposto a colocar
isso dentro do do de cada um dos seus
portfólios. E aí, efetivamente tem uma
execução. Ah, feito essa execução, ou
num trade secundário ou num trade
primário, eh, que seria aí a entrada
numa oferta, o gestor passa então a
interagir com o administrador e o
custodiante dele, né, de forma a
solicitar aí o cadastro desse ativo. E
aí você começa a ter uma esteira de de
back sendo envolvida eh e fazendo os
seus checks de cada um dos ativos. Para
cada um dos seus desses ativos,
geralmente existe um processo associado
a ele, né? Então, pros TVMs, existe um
processo de busca dessas informações
junto ao aos próprios registradores, a
central depositárias. E a pro lado de
créditos que são efetivamente, né, de
fidics, créditos diretos, privados que
são cedidos aí ao fundo, existe uma uma
certa checagem dessas informações, né?
Eh, feito isso, existe a liquidação,
seja ela através de um depositário ou
através de uma eh de uma sessão direta.
E aí você começa a vida a gente diz que
aí começa a parte mais difícil, né? A
parte mais fácil é você dar o dinheiro,
a parte mais difícil é você receber o
dinheiro de volta, que foi para isso que
que o crédito ali foi, a operação foi
dada. ouvindo você falar aí. Estamos
falando aí de um processo complexo, né,
que envolve desde análises qualitativas,
análise quantitativas, eh depois passa
por um por um um olhar inclusive
jurídico e aí entra em toda uma esteira
já de execução, de colocar para dentro,
regulatória, enfim. Então é um processo
realmente bastante complexo aí na hora
de de fato colocar um crédito privado
para dentro e obviamente isso acaba
batendo em ter equipes, né, tanto do
administrador, do gestor, realmente
capacitadas para para esse tipo de
segmento, para esse tipo de análise, né?
>> Sim, com certeza. Isso é a gente vê
diferentes diferentes formas de se
estruturar, né? Eh, efetivamente, eh,
existem casas que ah, conseguem
padronizar o tipo de crédito que ela vai
adquirir. Então, ela limita os seus
mandatos a produtos específicos e dentro
de um padrão e com isso ela consegue
ganhar escala dentro daquele padrão, né?
Então, é um é uma forma de se organizar.
Eh, talvez você tenha um time mais
enxuto, mas você não vai se tornar assim
um gestor de crédito de de diferentes
produtos tão variados e tão porque a
grande verdade é que você depois do
crédito, depois de aprovado, depois de
colocar, você tem todo um trabalho de
acompanhamento dele, né?
>> Boa. Eu queria muito ouvir também sobre
isso, né? Porque eu já fiquei aqui
pensando, poxa vida, para colocar para
dentro a gente já tem aí toda uma
complexidade para de fato colocar esse
crédito para dentro. Bom, e aí depois
tem toda a vida dele, né? Como você
mesmo comentou. Bom, a parte mais fácil,
e olha que nem é fácil foi colocar para
dentro e depois, né? como é que faz para
acompanhar esse crédito, eventualmente,
né, começar a ver se se tá tendo algum
tipo de problema ali com aquele com a
qualidade daquele crédito. Enfim, que
que você recomenda aqui como melhores
práticas pro nosso ouvinte do ponto de
vista de monitoramento, né? Então, como
que a gente monitora, né, esses diversos
tipos de de crédito, né, cada um com as
suas particularidades. Então, conta um
pouquinho. Imagino que também passe ali
por uma questão de acompanhamento eh
qualitativo,
né, alguns acompanhamentos de
indicadores, enfim, conta um pouquinho
pro nosso ouvinte,
>> tá? Não é? E e eu acho que aí é a parte
realmente que tem o maior trabalho, né?
porque você acaba tendo ali que eh
definir algum tipo de padrão de
periodicidade, né, que é de acordo com
cada tipo de crédito. Você vai rever o
quanto que a parte financeira tá
aderente àquilo que você eh viu na
fotografia no momento que você deu
crédito, né? Porque a a empresa ela pode
ter a o emissor ele pode começar a ter
diferentes eh momentos, né? Então, se o
momento tá mais estressado, menos
estressado, se as garantias daquela
operação realmente elas continuam sendo
robustas e dentro do padrão daquele
momento da fotografia. Então o o
primeiro passo super importante é você
determinar de acordo com cada um dos
créditos que tem dentro da sua carteira
essa periodicidade
e também analisar alguns tipos de ah
bandeiras amarelas, vamos chamar assim,
eh que vão te indicar eh uma uma
potencial deterioração desse crédito,
né? Então, ah, você vai ter um crédito
que tem uma carteira de recebível eh
dentro de um determinado volume. Se
aquela carteira de recebível ela começa
a ter uma redução, provavelmente ali tem
que acender algum tipo de farol para
você entender se é um momento, se foi
algo específico do setor, se é algo que
a empresa viveu por alguma problema dela
interno, se é algo dos do mercado eh
como um todo, macro, que pode estar
impactando também o setor. Então esse é
tipo de monitoramento, ele também vai
variar um pouco de acordo com cada um
desses créditos que você tá dando, né, a
uma que você tá adquirindo dentro da sua
carteira. Eh, e esse é um processo eh
extremamente eh eh detalhado assim, eh
muito cuidadoso, porque dependendo desse
crédito, você pode decidir ah vender ele
num determinado momento, você pode
adiantar algum tipo de execução de
garantia, algum tipo de covenant que
esteja vinculado a essa a essa
estrutura. Eh, e de novo assim, é muito
difícil, né, lógico, você tá no dia a
dia de cada uma das empresas dentro de
um portfólio mais eh pulverizado. Então,
por isso que você também, a utilização
de dados de mercado e birôs, elas se
tornam super críticas para esse
monitoramento, né, e ter seus faróis
amarelos aí, seu suas bandeiras amarelas
sendo sendo startadas e aí você
conseguir direcionar uma análise mais
técnica e mais aprofundada desses desses
créditos, né? Eu acho que isso acontece
do lado do gestor e acontece também do
lado do administrador aqui do
custodiante, que no final do dia é quem
tem a responsabilidade de precificação
desse crédito dentro da carteira. Então,
a forma como a gente vê, né, uma vez que
você tem um diversos portfólios
diferentes, é justamente definir eh
algum tipo de critérios para você
monitorar cada um dos tipos de crédito
de acordo com birôs, de acordo com o
tipo de garantia, de acordo com o tipo
de risco mesmo atribuído àquele emissor,
né? Então isso é uma forma de você se
organizar. Essa organização é sempre
sempre importante. Quer dizer, eh, o
crédito triple talvez me permita ter uma
periodicidade um pouco maior. O crédito
mais railde, talvez eu tenha que olhar
com uma periodicidade um pouco menor. Eu
tenho algum alguns tipos de faróis e
biroas de mercado que vão dando alguns
insightes aqui de se houve uma
deterioração ou não, né? Então isso tudo
te ajuda e focar aonde tá o seu
potencial problema. E aí do nosso lado
aqui, do lado de de administrador, do
lado de custodiante, a gente tem também
uma governança, a gente sempre tem
nossos comitês, a gente tem eh uma
revisão no mínimo aqui mensal de dentro
desse comitê. Aada, na verdade, a gente
tem a cada 15 dias, mas mensal para
todos os os ativos. Ah, e aí geralmente
pra gente é sempre importante quando a
gente tem uma variação significativa,
devolver isso pro gestor e ouvir a voz
do gestor também, ouvir também a opinião
do gestor para que não fique só uma
análise nossa fria de dos números, mas
também ali de quem concedeu crédito lá
atrás. muitas vezes tem insumos do do
setor importante, insumos macros, das
próprias garantias que vão vão poder eh
validar ou vão poder eh contribuir para
você determinar o preço justo desse
ativo. Então, eu acho que o
monitoramento acaba sendo importante do
lado do gestor para que contraponha o
administrador em alguns momentos e do
lado do administrador para que leve
algum algum tipo de alerta pro lado do
gestor. Eu acho que essa é a forma eh
mais prudente e melhor pra indústria aí,
>> não? Bacana. E até porque aí a gente tem
dois players, né, ali olhando para
aquele crédito. Obviamente cada um no
seu chapéu, cada um com a sua
responsabilidade, obviamente o gestor
vai est justamente até analisando para
fins de decidir a manutenção ou não
daquele crédito na carteira e e o
administrador muito com papel de
inclusive, né, da responsabilidade de
precificar, né, cada um desses ativos na
periodicidade ali eh exigida por aquele
veículo, né, faz bastante sentido. E
isso traz robustez, sem dúvida nenhuma,
né? São dois agentes olhando ali,
compartilhando essas análises entre si.
Bacana. Eh, você até trouxe um pouco na
sua fala, né? Poxa, quando a gente fala
de recebíveis, né? Eh, eh, e, e também
falou um pouco da categorização, né? que
é importante olhar o tipo de ativo, eh,
para poder até estipular ali quais
seriam os mecanismos de controle, de
monitoramento. Eh, quando a gente pensa
nos FIDICs especificamente, você enxerga
que pros FIDICS, até pela natureza do do
veículo e tudo mais, existem eh
monitoramentos ou ou análises mais
específicas? Ou você acredita que, olha,
dentro desse guarda-chuva que você
comentou aí, poxa, uma vez que eu
estipulei quais são os tipos de análise,
os tipos de monitoramento por tipo de
ativo, isso já estaria coberto inclusive
pro FIDIC? E enfim, fique à vontade, se
você quiser acrescentar, né, questões
ali mais específicas quando a gente
pensa realmente no FIDIC propriamente
dito.
>> É, eu acho que a forma como a gente vê o
monitoramento do Fidic é por tipo de
crédito eh que esse FIDIC tá adquirindo,
né? Então eu acho que categorizar o
FIDIC de acordo com o tipo de crédito
que ele tá adquirindo, isso é super
importante, porque tá ali, né, você pode
ter uma carteira pulverizada dentro de
um FIDIC. Essa carteira pulverizada pode
ser um crédito clean pessoa física, pode
ser um crédito eh com algum tipo de
garantia pra pessoa física. Ele pode ser
um crédito estruturado para pessoa
jurídica, pode ter poucos nomes, pode
ter muitos nomes com pouca garantia,
muita garantia. Então assim, você de
alguma forma categorizar os Fedix para
esse monitoramento é super importante de
acordo com o tipo de crédito que ele vai
tá adquirindo dentro da sua carteira,
né? E aí, uma vez que ele tá eh da
dentro da carteira, né, você tem uma
expectativa de recebimento, você tem um
emissor, você tem essas garantias e da
mesma forma que você faz para um TVM, de
alguma forma você tem que fazer entender
as dinâmicas daquele produto e e dentro
dessa categoria determinar procedimentos
para você ah ter esse esse
monitoramento, né? Eh, a gente já viu
fundos com crédito consignado que às
vezes, na verdade tem eh algum tipo de
momento que ele deixa de receber por uma
questão operacional do agente que
repassa. A gente já viu algumas
situações que você tem créditos
específicos dentro de uma carteira
pulverizada que passa por um momento
específico de não recebimento e aí
efetivamente monitorar o que é uma perda
histórica desse dessa carteira. Visavis.
O que tá acontecendo na fotografia é uma
forma dentro dos créditos na mais
pulverizados de você determinar um
alerta, de você determinar ali, poxa, eu
tenho uma perda esperada de 3%. A
carteira nesse mês ela veio sempre por
volta de 2, e pouco. Esse mês ela
explodiu, foi para 3,5. Opa, aqui eu
tenho uma variação significativa do meu
histórico. Eu preciso entender o que que
aconteceu aqui dentro. Ah, foi um
repasse que não aconteceu. Ah, foi, tem
uma justificativa técnica. OK, não tem
uma justificativa técnica. Pode ser um
novo um novo momento daquela carteira.
Se é um novo momento daquela carteira,
provavelmente a taxa que o produto foi
comprado, né, a o o desconto que foi
dado daquele recebível, ele talvez não
reflita mais o valor eh eh real ali
daquela daquela carteira. E você tem que
fazer aí a provisão, né? Esse é o
momento que você tem que entrar e
justamente lá e provisionar eh para ele
refletir esse novo potencial de perda eh
que essa carteira pode ter, né? E do
contrário também e é uma verdade, né?
Você pode ter uma perda eh histórica
dentro do fundo muito menor do que a
perda esperada, a perda que foi
precificada, principalmente em créditos
mais novos. Acho que tem aí um tipo de
crédito mais recente do mercado, que é o
crédito eh consignado aí privado, né?
Eh, que com certeza é algo que todo
mundo vem monitorando, assistindo e
vendo alguns de uma forma eh mais
otimista do que esperaram lá atrás e
outros uma forma mais pessimista do que
talvez estavam tendo a sua expectativa.
Esse monitoramento é super importante
para você refletir essa provisão dentro
da carteira. e ter o valor justo dela
melhor atribuído.
>> Entendi. Não, perfeito. Ou seja, temos
que não só olhar para toda essa essas
perdas incorridas, olhar pro histórico,
mas também, né, ter todos os mecanismos
que garantam também que a gente tá
olhando paraa perda esperada também na
hora de fazer ali o valor justo desses
ativos dos FIDIC, não? Perfeito. É, você
já trouxe algumas falas suas, mas eu
queria explorar um pouquinho contigo a
questão das garantias. Então, eh, na
entrada, né, sem dúvida nenhuma, ela faz
parte, inclusive, até do próprio, né,
eh, estrutura da operação para formação
do preço e tudo mais, mas e ao longo da
vida, né, como é que você acompanha
essas garantias, eh, que tipo de
monitoramento de que de que forma essas
garantias podem ou não impactar ali
naquele monitoramento? Conta um
pouquinho agora, né, esse olhar sobre as
garantias agora já na vida desse desse
crédito dentro da carteira. É, eu
costumo dizer que o pessoal é super eh,
diria assim criativo para determinar
essas garantias. Então esse é um momento
eh super importante pra gente também
definir o processo de acordo com cada
tipo. Então você tem um aval da pessoa
física às vezes, né, do dono da empresa,
saber a o quanto que essa pessoa física,
né, tem ainda uma capacidade de
pagamento ou patrimônio também é um
processo que você pode determinar ao
longo do da história dessa carteira, né?
Segundo ponto é se você tem uma garantia
real, né? Então, no momento que você deu
o crédito, ela tem lá seus registros,
valorização. Se é um crédito muito
longo, isso pode sofrer algumas
mudanças, né? Então, se a gente pegar e
fizer uma comparação com o lado de uma
empresa, né, onde ela tem que reavaliar
seus ativos reais, tudo mais, isso passa
por um processo anual. Então, no mínimo
ali, anualmente a revisão dessas
garantias, se elas estão realmente
livre, desimpedidas, se houve algum tipo
de problema com essa garantia real
associado ao crédito, eh aquele valor
justo ou o valor da garantia, ele
continua eh sendo válido, né? Isso tudo
eh vai te ajudar eh a garantir que o
crédito tá realmente aderente ao que foi
precificado lá atrás ou se teve alguma
alguma mudança relevante. Eh, você tem
também carteiras que são tem como
garantia recebíveis, né? E aí geralmente
ele pode tá eh passando dentro de uma
estrutura de fundo ou ele pode estar
passando dentro de um agente eh de
garantia, né? eh, e você ter acesso a
esse monitoramento, eh, e ter a visão
dessas garantias, desse fluxo também é
uma forma de você avaliar o quanto
aderente tá a fotografia inicial. Eh, e
isso vai depender do tipo de se é um
contrato de longo prazo de fornecimento,
eh, você pode atribuir um uma
periodicidade maior. Se é uma carteira
revolvente mensal, talvez você tenha que
ter checkpoints mensais ali eh dessa
dessa dessa desse fluxo. É, e
efetivamente você tem que ali olhar cada
tipo de garantia e determinar um
processo para cada uma dessas garantias
dentro de uma periodicidade que você vê
que aquele ativo pode tá sendo
impactado, que aquela garantia pode
estar sendo impactada.
>> Não, entendi. Tá ótimo. Perfeito. Eh,
ficou super claro aqui para mim,
acredito que pros ouvintes também. Eric,
e aí não tem como a gente não falar de
crédito sem falar de um evento de
crédito, né? Que diferente ali do risco
de mercado, acho que o risco de crédito
quando ele vem, ele não é tão linear,
né? ele ele quando ele acontece ele
acontece de forma ali mais aguda. Conta
pra gente um pouquinho como é que vocês
fazem, né, quando ocorre um evento de
crédito, como que isso afeta a
precificação,
eh, seja do ponto de vista da própria
deteriorização do risco, seja por conta
de uma eventual estressidez associada a
justamente esse efeito de crédito. eh
quais os elementos que devem ser
observados nesse momento, sejam eles
técnicos ou, né, para fins de marcação
ao mercado mesmo. Enfim, tivemos ali,
eh, você na sua, no seu começo de fala,
você até comentou: "Poxa, o o melhor dos
mundos e a gente coloca um crédito para
dentro para recebê-lo lá no final. Poxa,
mas estamos aqui nessa situação atípica.
Quais são as melhores práticas aqui
indicadas para para quando estamos
passando por este momento aqui junto a
um crédito e que muitas vezes essa crise
de crédito ela tanto pode ser isolada ou
às vezes acaba sendo uma uma acaba tendo
algum risco de contágio, né? Então
queria ouvir um pouquinho como que vocês
se debruçam quando esse tipo de coisa
começa a acontecer.
>> É, eu costumo falar aqui com o pessoal e
eh a gente ouve muito, ah, vamos ser
mais conservador, né? E vamos às vezes
vamos dar um um haircut maior nessa
nessa dívida para ser mais conservador.
Eu falo: "Olha, a gente tem que ser
justo. É esse o primeiro ponto. A gente
tem que encontrar de alguma forma o que
que é o real valor desse ativo nesse
momento de estresse. É super complexo,
não tenho dúvida. Não é fácil essa, a
gente vê muitas vezes ativos sendo
negociados no secundário, eh, que às
vezes, na visão, eh, tanto de gestor
quanto nosso, ainda não reflete o valor
real daquele potencial recebimento da,
eh, real daquele ativo. Às vezes a gente
vê ativo sendo negociado a um certo
valor que a gente entende que pode ser
muito menor a recuperação ou aquele
crédito do que aquele valor que tá sendo
negociado. e e vice-versa. Às vezes a
gente vê também ativo sendo negociado e
de repente ele tem uma estrutura de
garantias, uma estrutura que o mercado
às vezes tá confundindo o nome com a
emissão. Isso às vezes é muito complexo
no mercado, porque principalmente quando
você tem várias emissões, você tem
diferentes garantias, você tem
diferentes ah a gente recente teve aí
uma um uma empresa grande aí do setor de
varejo, né, numa RJ. E você tem
diferentes estruturas. você tem desde
vezes de um fundo imobiliário que tem
uma locação e isso tem um um certo tipo
de risco, porque efetivamente você tá
lidando com aluguel que tá, né, dentro
da atividade core daquela empresa, como
você pode ter uma emissão de uma
debentor e com garantias menos eh
estruturadas que podem te levar a uma
marcação maior. Então, o primeiro
momento é você entender efetivamente as
emissões que tão ali, o tipo de
negociação que tá acontecendo dentro do
mercado, eh, e se efetivamente aquilo
reflete ou não o valor justo do ativo,
né? Eu acho que ser conservador nesse
momento é você conseguir ter pelo menos
um racional técnico que defenda eh
aquele preço que você tá atribuindo. A
gente vê muitas vezes, ah, eu tô
refletindo o preço da BIMA, mas às vezes
o preço da BIMA e tem um delay de
capturar alguns tipos de movimento e às
vezes você realmente tem que remarcar
esse ativo diferente da BIMA e nos cabe
ter às vezes um racional técnico para
isso e mostrar, olha, nesse momento eu
enxerguei para essa emissão, essa e essa
e essa eh variável que eu acho que o
preço pode ser menor ou pode ser menor
do que efetivamente tá atribuindo aqui.
aqui para que a gente tenha o melhor
valor daquele ativo. Ah, e e nesse
momento e é super importante que a gente
também tenha uma discussão técnica com
os gestores. Eh, tem que ouvir o lado do
gestor nesse momento, tem que voltar
para dentro de casa. Eh, quanto mais
gestor você tiver com aquele mesmo
papel, melhor é porque mais insumos e
visões distintas você tem às vezes sobre
a mesma emissão. E logicamente cabe aqui
ao ao administrador ter a a sua base, o
seu o seu racional para marcar aquele
ativo. Então, a o o que efetivamente a
gente faz aqui é, nesse momento, olhar a
o o tipo de situação que a empresa tá
envolvida, efetivamente as garantias
daquela emissão, o que que tá negociado
no secundário e buscar os insumos eh com
os diferentes gestores, que são as
visões que têm aquele papel, pra gente
sentar e determinar o que que a gente
vai executar aqui de marcação. a gente
não usa só eh o preço de mercado como
uma, lógico que ele é uma grande
referência, não pode dizer isso, mas a
gente simplesmente não vai lá e e olha
aquele preço eh friamente, porque às
vezes ele pode refletir um desespero, é
uma uma ausência de informação
vezes até com base naquele emissor uma
confusão de diferentes emissões. Então,
é um trabalho na hora que dá o problema,
é um trabalho realmente técnico que tem
que ser desenvolvido e muito bem
pensado. Eh, e o maior conservadorismo é
o que reflete o maior o valor mais justo
e com as definições mais técnicas para
aquela marcação. Eu acho que esse eh
esse é isso é a prudência que a gente
aqui na no chapéu de administrador tem
que ter nesse momento,
>> não? Perfeito. É um conjunto de uma
série de análises, né? olhar os preços
de mercado, é olhar a taxa de
referência, é olhar a estrutura da
operação. Acho que você trouxe uma dica
importante aqui. Olha, não basta nesse
momento olhar apenas o nome daquele
emissor, tem que olhar toda a estrutura
daquela operação, né? Enfim. Então é um
conjunto de coisas para de fato, como
você falou, né, se aproximar do valor
mais justo daquele ativo, né? E não
necessariamente o valor mais justo é o o
conservador e o justo não
necessariamente se conversam, né? Então
acho que tem que chegar no mais justo
possível e manter todas as evidências,
né, sem dúvida nenhuma, de cada uma
dessas análises, como foi esse processo
de governança para aquela tomada de
decisão. Muito bom, Eric. Acho que foi
muito bom bater um papo contigo. Acho
que assim, aqui a gente poderia explorar
várias outras nuances, né? porque acho
que o o tema ele é bastante denso, mas
eu super agradeço a sua participação
aqui no nosso Baifundo. Muito bom ter
você aqui, trazendo toda essa sua
experiência aí pro nosso ouvinte e só
agradecer mesmo. Obrigada. Não, eu que
agradeço. Espero ter contribuído. Ah,
acho que é um mercado que realmente tá
crescendo muito e o quanto mais a gente
conseguir eh desenvolver ele do ponto de
vista de eh procedimento, informações,
dados, eh mais o mercado consegue
evoluir, crescer e e ter essa maturidade
aí eh de forma sólida. Então, o que
puder contribuir, tô sempre aqui e
agradeço o convite de novo,
>> tá? Ótimo. Super obrigada. Espero contar
com você em outros episódios aqui
também. E é isso, o Vai Fundo vai
ficando por aqui. Não esqueçam de nos
acompanhar em todas as nossas
plataformas e não percam os próximos
episódios. A gente tem sempre um tema
quentinho aqui para você nos acompanhar.
Muito obrigada.
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