Do marco à implementação – o papel da regulação na transição climática
Sumário Regulatório
Qual o papel da regulação na transição climática? Convidamos para debater o tema:
- Kathleen Krause, chefe-adjunta do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial do Banco Central do Brasil
- Julia Normande Lins, Diretora Técnica da Susep
- Nathalie Vidual, coordenadora-geral da Secretaria Extraordinária de Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda
- Annelise Vendramini, professora e pesquisadora da FGV
O painel fez parte do II Fórum de Finanças Sustentáveis, promovido por Anbima, CNseg e Febraban durante a semana do clima de São Paulo, em 5 de agosto de 2026. O evento consolidou um espaço de diálogo estratégico entre o setor financeiro e a economia real, com foco na viabilização do financiamento da transição climática no Brasil.
Transcrição e Conteúdo
Bom, e agora, pessoal, dando início aos nossos painéis temáticos, eh, primeiramente eu gostaria de agradecer aos nossos painelistas que são sempre muito parceiros, engajados nessa agenda. Sem a parceria de vocês, a gente não conseguiria montar um evento como esse. Obrigada desde já. Eh, e até pegando um pouco o gancho do que a Ana trouxe aqui, as políticas públicas e os marcos regulatórios são fun...
Bom, e agora, pessoal, dando início aos nossos painéis temáticos, eh, primeiramente eu gostaria de agradecer aos nossos painelistas que são sempre muito parceiros, engajados nessa agenda. Sem a parceria de vocês, a gente não conseguiria montar um evento como esse. Obrigada desde já. Eh, e até pegando um pouco o gancho do que a Ana trouxe aqui, as políticas públicas e os marcos regulatórios são fundamentais para criar um ambiente favorável aos investimentos e transformar estratégias em ações concretas. Para discutir um pouquinho mais sobre esse tema, eu gostaria de convidar Anelise Vendramini, professora e pesquisadora da FGV, para moderar o painel do marco A implementação, o papel da regulação na transição climática. >> [aplausos] >> Obrigada, Anne. E para juntar para juntarem-se a moderadora, chama agora o palco Kathlyn Krausy, chefe adjunta do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial do Banco Central do Brasil. Obrigada, Katy. [aplausos] Júlia Normande Lins, diretora técnica da SUSEP. [aplausos] Obrigada, Júlia. Natalie Vidual, coordenadora geral da Secretaria Extraordinária de Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda. [aplausos] >> Obrigada, Natalie. Boa discussão, pessoal. >> Obrigada, Si. Muito obrigada. Obrigada aos organizadores também pelo convite. Obrigada essas painelistas maravilhosas que estão aqui para compartilharem com a gente um pouco uma reflexão super importante que é o papel da regulação no tema de finanças sustentáveis. Aliás, que alegria tá aqui num fórum de finanças sustentáveis, né, ou finanças para sustentabilidade, porque finanças é um meio para um fim. Esses fins podem ser múltiplos. Então, que bom a gente usar a nossa capacidade desenvolvida, né, em finanças em mais de 200 e tantos anos de história econômica contemporânea para um algo tão necessário, né, pra nossa condição humana, que é manter a estabilidade ecológica, estabilidade dos sistemas sociais. Então, vamos lá, né, vamos usar aqui a nossa capacidade para esse benefício público. E por que que a regulação é tão importante, né? Então, tanto finanças quanto sustentabilidade são temas que precisam de muita regulação. Isso, se a gente for começar em finanças propriamente dito, é um setor globalmente altamente regulado. Porque trata da poupança das pessoas, porque trata da poupança da sociedade e por quando a gente pensa em regulação, a gente pensa que a regulação é necessária para que o ótimo privado não leve ao colapso do coletivo. Isso tá previsto desde a riqueza das nações, né? E aí quando a gente eh encontra falhas de mercado, seja a simetria de informação, seja a presença de externalidade, seja a presença de oligopólios ou monopólios, ou seja presença de bens públicos, nós precisamos de regulação. E aí isso combina muito com a agenda de sustentabilidade, que a gente vai lidar com bens públicos, a gente vai lidar com externalidades, assimetria de informação, né? Enfim, então são dois temas que requerem regulação. A verdade, ela pode ser um pouco incômoda, mas ela é absolutamente real, é que a gente não vai avançar na escala que a gente precisa nesses dois temas juntos sem uma regulação muito forte. Isso em todos os países e um esforço conjunto, né, também de avançar em regulações em vários mercados. Então, tá colocado. Então, eu fiquei super feliz quando eu vi a agenda desse painel e por ser o primeiro painel, né? Porque na verdade é isso, a base não dá para escapar da regulação. E aí eh, a gente tem aqui representantes de da regulação, que é fundamental no caso brasileiro, porque claro que a gente deve estudar as regulações internacionais nos diferentes mercados, mas é verdade que o Brasil é um mercado com suas características tanto de sustentabilidade como de finanças, né? Então, por exemplo, a predominância do mercado de dívida, né? seja dívida bancária, seja dívida por meio dos mercados de capitais, né, seja eh negociado em balcão ou não. Então, é um tem uma importância muito grande o mercado de dívida. Eh, e a gente precisa trabalhar fortemente paraa mudança dos preços relativos na economia, que passa muito, de forma muito importante pelo sistema brasileiro de comércio de emissões. E claro que nós temos uma expectativa, né, Júlia, enorme sobre o setor de seguros, mas isso globalmente nós não estamos sozinhos nisso, mas que tem suas dificuldades técnicas também, eh, para que se possa transferir risco, enfim. Então, que ótimo que estamos aqui super bem representadas. E aí, Kathlyn, eu vou começar com você exatamente pela característica eh do sistema financeiro brasileiro, com as suas peculiaridades e pela importância relativa do mercado de dívida. Eh, a gente tem acompanhado o Banco Central do Brasil numa agenda já há muito tempo, uma agenda de regulação desses temas, né? Eu me lembro desde o protocolo verde, lá na década de 90, né? Depois a gente passando ali para 2008, né, com algumas regulações tratando de crédito na Amazônia e essa regulação só foi avançando, ela só foi se aperfeiçoando. Então, se você pudesse contar paraa gente um pouco desse panorama de atuação do Banco Central, mas eh como que vocês internamente também têm entendido a importância dessa regulação na relação com estabilidade, né, do sistema, porque isso é fundamental, é é um outro pilar de atuação do Banco Central que é fundamental no mundo todo. Então eu passo a palavra para você, por favor. >> Obrigada. Deixa aqui. Bom dia. É excelente pergunta, pra gente começar o painel. Desculpa. Bom, do em épocas passadas, já em 2015, o MCney Marcarney lá em presidente do banco do Banco da Inglaterra na época, do Banco Central da Inglaterra, já anunciava a tragédia a tragédia no Horizonte se referindo a uma analogia, né, do sobre a crise climática e o que poderia vir que a materialização do risco climático poderia ser muito mais importante do que os outros fatores que tinham se materializado antes na crise financeira. 5 anos depois, né, em 2020, teve o lançamento do livro Cisne Verde, que é nesse, pse só uma analogia ao cisne negro da crise financeira. Você citou na a regulação do Banco Central já é antecedente a isso na proteção dos biomas, principalmente da Amazônia, mas na última década a gente evoluiu para caramba, né? O Isaac comentou sobre a evolução da docabolso financeiro brasileiro. Eh, evoluiu bastante. Nós temos pelo menos 10 normas que tratam de sustentabilidade, tem uma dimensão inteira de sustentabilidade dentro da agenda estratégica do Banco Central. Ela disponível no site do banco para quem quiser consultar isso. Sem mencionar todo o arcabolso regulatório específico do crédito rural, que é um um um grande propulsor da economia brasileira, né? a proporção que ocupa no PIB. E no o Banco Central, ele vê essa essa agenda de sustentabilidade sobre dois aspectos, né? Porque um é a estabilidade financeira e outro também a estabilidade monetária. Porque os cenários que eram previstos lá no acordo de Paris de não aumento de um ponto grau centro, etc. Cenários que eram previstos para 2040, 2050 já estão acontecendo, né? 2024 foi o ano mais quente da história, desde que se tem registros. os eventos brasileiros, por exemplo, eh a seca, a grande severa seca na Amazônia, no Pantanal, que eh ocasionaram perdas de mais de 6 bilhões de dólares. A a enchente no Rio Grande do Sul em 2024 foram perdas de mais de 5 bilhões de dólares num único evento climático que teve impacto em famílias, em empresas, em ciclos produtivos, cadeias produtivas, em bancos, em seguradoras e etc. Então essa é uma preocupação que mostra pro regulador financeiro que não só precisa atuar na questão da proteção da da estabilidade financeira, mas também acomodar essas variáveis, esses efeitos na política monetária, porque tem instabilidade de preços, né? Volatilidade de preços, afeta a inflação, etc. do ponto de vista específico da estabilidade financeira, que é aquela preocupação do mandato do Banco Central voltado paraa preservação do sistema, né? Então não é necessariamente preservar banco, mas preservar as condições que o banco oferece para intermediação financeira justa e adequada, né? para que o dinheiro chegue a quem precisa chegar de forma eh suficiente e com preço justo. Então, é, para preservar essa estabilidade, o foco da regulação prudencial tem atuado em três trajetórias que se complementam. Uma delas é a responsabilidade social, ambiental e climática, que foi estabelecida primeiramente 2014, foi morada em 2021, já tá em vigor há um tempão, estabelece a necessidade de que as instituições financeiras tenham uma política própria de atuação, de responsabilidade de proteção do meio ambiente, de assegurar direitos humanos, direitos fundamentais e de atuação para para financiamento justo e adequado e ordenado pro mercado de baixa economia, de baixa emissão de carbono na economia. A outra linha regulatória é a digestão de riscos. Essa vai mais na veia, né, dentro da da proteção da estabilidade financeira. Então, incorporar eh dentro da estrutura integrada de gestão de risco, tanto risco social, ambiental e climático, como todos os tratamentos que já eram previstos pros riscos tradicionais, risco operacional de mercado, de crédito, de liquidez, na mesma forma, na mesma dimensão, com o mesmo cuidado. Então, identificar, monitorar, mitigar, tratar, reportar, incorporar todo esse processo na decisão de negócios do banco, no planejamento estratégico, nas decisões de necessidade de capital. E a terceira linha, que é justamente a transparência, né, a divulgação de informação. E o Banco Central tem o cuidado de promover uma regulamentação que esteja em linha com as recomendações internacionais, tanto aquelas eh promovidas nas recomendações do comitê de Basileia, quanto também aquelas nos pasdrões S1, S2 do ISSB. Então, esse alinhamento eh para evitar um custo de observância desnecessário, né, e um esforço desnecessário, um alinhamento para que as informações sejam complementares e sejam eh únicas no dentro do foco do que são exigidas. Então, o Banco Central já tem uma regulamentação em vigor promovendo transparência baseada naquela nas recomendações da daquela task force, né, de disclos CFD, hoje incorporada no ISSB. Então, hoje já tá em vigor essa transparência, mas mais informações qualitativas, né, de governança, processos, estratégias, políticas de gestão de risco. E agora, este ano, nós vamos eh nós estamos na eminência de soltar um novo normativo, eh, que complementa a última etapa, por enquanto, né? a última etapa nesse momento prevista para para as esferas de de divulgação de informação, colocando agora camadas adicionais de informações quantitativas, então indicadores, metas, exposições por setor, por região, dando destaque para aqueles setores que são muito importantes, né, são alta emissão de carbono no Brasil, setor de energia, eh, setor de agropecuária, mineração, etc. Essa essa regulação é resultado da consulta pública 127, que teve uma colaboração intensa e nós ficamos muito satisfeitos com o nível de contribuições e a previsão é que agora ainda em agosto a gente tem aprovação pela diretoria dessa nova norma que traz essa camada adicional. A gente não necessariamente precisa de mais normas, né? Como Isaac já comentou, a gente já tem um arcabolso robusto, mas o aprimoramento contínuo ele é importante. E agora o que a gente espera é um aperfeiçoamento por parte do Banco Central, né? que tá na nossa conta, a nossa tarefa de casa agora depois dessa norma, é um aperfeiçoamento nos processos de supervisão para assegurar uma implementação adequada de todo esse normativo, todo esse arcaboo que já tá em vigor. >> Obrigada. Obrigada, Kathlyn. super interessante esse movimento e esse movimento de contribuir para disciplina de mercado, né, especialmente eh na divulgação de informações que são necessárias para reduzir a simetria de informação, que é uma falha de mercado. Então, maravilhoso esse caminho. E aí eu vou passar para você, Natalia, porque já que estamos falando de falhas de mercado, de redução de assimetria de informação, a gente sabe a literatura de finanças contemporânea já tem um um certo corpo robusto de conhecimento e de evidências para mostrar que os mercados têm precificado o risco climático. Essa precificação, ela acontece de diferentes maneiras, em diferentes mercados com diferentes características, mas no agregado dos mercados, ou seja, o que é o mercado, né? agregação das preferências individuais dos dos investidores, mas a gente observa que já há um movimento de precificação do risco climático. Pro risco climático ser precificado, a gente precisa de informação pública, porque pro investidor, quando eu não consigo a informação, não significa que eu vou assumir que o risco é zero. Eu vou aumentar a minha precificação, né? vou aumentar a taxa de retorno esperada para aquele investimento. E aí mecanismos como o sistema brasileiro de comércio de emissões tem um papel fundamental, assim como a regulação eh aqui no caso do mercado bancário. Mas olhando para o mercado, olhando paraa relação entre mercados e economia real, o sistema brasileiro de comércio de emissões é fundamental por vários motivos. Um deles é porque a gente passa a ter efetivamente um preço público disponível para o carbono que entra na função privada de uma forma mais clara, tá certo? Então na hora de eu calcular o retorno dos projetos de investimento, tendo um preço, fica mais fácil. Mas outro motivo também igualmente importante é que você passa a ter uma eh infraestrutura informacional fundamental para que o mercado possa funcionar bem, né? E que vai servir para todo mundo, né? vai servir para quem tá operando ali no mercado, mas vai servir pra economia como um todo. E aí eu queria que você contasse um pouco pra gente sobre essas duas. O bom de ser moderadora é que a gente pode usar pro nosso próprio interesse, entendeu? A gente aprenda. Então eu queria que você contasse um pouco pra gente essas duas consultas públicas eh importantíssimas, né? que tão ali com a construção da base de dados para um futuro MRV do sistema brasileiro de comércio de emissões, a dos ritmos também, enfim, contar um pouco pra gente esse desafio, que é um desafio enorme, que tem que ser feito com muito cuidado. E eu acho que vocês estão fazendo isso de uma maneira muito cuidadosa, muito bem feita, que é a implementação do SBCE faseado, né, com toda todo o cuidado que ele merece. Mas se você pudesse contar um pouco pra gente, porque a escala que a gente quer tanto nessa agenda de finanças sustentáveis, em particular das finanças climáticas, vai passar por ter o mercado, né? Então, se você puder contar um pouco pra gente, eu te agradeço. >> Oi, pessoal, bom dia. Prazer enorme participar do evento aqui em nome da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono. Eh, agradeço o convite. Eh, obrigada pela pergunta, Nelise. A gente tem esse nome, secretaria extraordinária, né? A gente sempre falou isso porque a gente foi criado com mandato muito específico de regulamentar a lei na maior extensão possível até o final desse ano. Então, realmente a o trabalho >> tem que virar permanente, hein, na virar permanente. A gente também tá trabalhando para isso. Então, é um trabalho gigantesco. E essa consulta pública que tá tratando eh do alcance do SBCE nesse primeiro momento, ela é na verdade um grande marca inaugural. da regulamentação da lei. Nosso primeiro grande passo, foi pequenininho, mas já pra gente é um grande passo, já ainda tem muito mais por vir, né? Então, a gente, o sistema brasileiro de comércio de missões é um mecanismo de precificação de carbono, como você mencionou. E a gente sempre gosta de ressaltar que a o Ministério da Fazenda tá liderando essa frente como uma política climática que tá associada a uma política de desenvolvimento industrial, de desenvolvimento econômico. Então, buscar a descarbonização dos setores industriais, setores produtivos por meio do adençamento tecnológico, por meio da implementação de soluções de baixo carbono, para que a gente possa assegurar a competitividade da indústria brasileira. Com esse olhar que a gente tá conduzindo essa agenda, sempre com muito diálogo, com uma governança muito bem estabelecida do SBCE para tratar todos os pontos críticos de regulamentação da lei. Então, a gente tem essa governança já estruturada com comitê técnico constitutivo permanente e dentro dele vários grupos de trabalho. faltava estruturar um dos componentes da governança, que é a câmera para assuntos regulatórios. E essa câmara deve ser composta pelos representantes dos setores regulados do mercado de carbono. Para eu saber quais são os setores regulados, eu preciso passar um ato normativo para estabelecer, pelo menos numa visão mais high level, quais vão ser os setores abarcados. Então essa consulta pública inaugural, ela vai tratar justamente disso. Então, por meio do GTMRV, eh, a gente produziu diversos subsídios com muito diálogo com setores. Tem também uma R Air, análise de impacto regulatório vinculado essa consulta pública que mapeia efeitos econômicos. também a gente tá trazendo uma proposta de alcance em termos de setores que o SBCE vai abarcar e a gente tá com um olhar de escalonamento dessa desse alcance, né, baseado no princípio da gradualidade que tá na própria lei e também trocas com pares internacionais. A gente falou muito com a China e eles têm batido muito na tecla. Olha, não tente abarcar tudo ao mesmo tempo. O esforço institucional é muito grande. Pense numa estratégia para você começar de forma escalonada e fazer bem feito, porque é muito importante a gente ter uma base de dados robusta e sólida sobre as emissões totais dos setores regulados abarcados pelo USB para que a engrenagem funcione. Sem essa base não dá certo. Então não adianta querer colocar todo mundo. às vezes setores que não t um um MRV, uma metodologia ainda estabelecida, não tem prática com isso. Então, a gente procurou na consulta pública organizar esse alcance. Então, ele vai ter são três grupos, são 17 setores mapeados. A gente vai começar com o primeiro grupo. O que que, quais foram os critérios que a gente usou para colocar o primeiro grupo, né? Primeiro, concentração de mercado. A ideia é reduzir o esforço institucional, começar pelos maiores, que t as maiores fontes de emissões, as instalações com mais emitem mais gases de efeito sturfa e de forma mais concentrada em vez de pulverizada. Isso reduz nosso esforço eh institucional e setores que já tenham eh avançado mais das metodologias de MRV, porque eles não vão começar de uma página em branco, já tem alguma experiência e isso agrega valor também. Então, a gente tem começa com esses setores que vão ter papel de celulose, a aviação entrando no primeiro no primeiro grupo também, eh, ferre e aço, eh, ol gás também acabou entrando e mais alguns. Aí a gente tem o grupo dois e depois o três que vai são os transportes menos aviação. E aí a gente organizou também de que forma vai se dar a implementação do processo de MRV, que é organizar o regime informacional desses setores, né? Primeiro você, no primeiro ano você vai fazer o plano de monitoramento, no segundo ano você vai monitorar e no terceiro e quatro anos você vai apresentar os relatórios de emissões de gás de efeito estufa, né? Então essa regra ela tá organizando esse alcance numa visão mais high level. Uma vez que a gente receba as contribuições, é muito importante a participação da sociedade, da academia, dos setores industriais, do setor privado, do setor financeiro, todo mundo participar. Então, faça aqui um convite, acessem a consulta pública, participem, ela fica no ar até dia 28 de agosto. Então, eh, com base nisso, a gente já vai conseguir estabelecer a CAREG, que é a o último elemento da nossa governança que a gente precisa estabelecer. E aí, depois disso a gente vai conseguir sair com o próximo ato normativo, que é a o programa brasileiro de MRV. Efetivamente ali vai ter uma regra geral de MRV e mais anexos específicos por setores. E isso tá previsto para acontecer até o final desse ano. Por isso que é tão importante a gente ter a CAREG, porque ela precisa opinar sobre esse programa brasileiro de MRV. E já vou fechar. A a consulta de itmos também é super relevante. E aqui a gente precisa aqui organizar um pouco a conversa, porque pela lei eh para que um crédito de carbono possa ser exportado, ele primeiro precisa receber um carimbo do governo. Então esse crédito carbono, ele precisa ser levado à inscrição no sistema de registro central do SBCE para ser convertido no que a gente chama CRVE. é o certificado de redução ou remoção verificada de emissões. E essa conversão só acontece se esse crédito carbono ele for gerado por uma metodologia acreditada pelo próprio governo. Então, quem é responsável e tem a competência por originar CRVE é o órgão gestor do mercado regulado de carbono e no caso tá é o Ministério da Fazenda por meio da secretaria. Então a gente precisa emitir um ato normativo específico para tratar da CRVE. Isso também já tá para acontecer. Só que para ser autorizado como íntimo, quem tem competência para fazer isso é o Ministério eh do Meio Ambiente, que é a autoridade nacional designada. Então, é competência do Ministério dar essa autorização paraa transferência internacional dos resultados de mitigação para uso desses resultados. Então, a consulta pública sobre ITMOS tá sendo conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente, mas você vê que há uma relação entre uma coisa e outra. Então isso tudo tá sendo feito de forma muito integrada, com muito diálogo dentro de uma governança estabelecida interministerial e dentro do grupo de trabalho metodologias do próprio SBCE. Então a gente tá em diálogo constante com Ministério do Meio Ambiente, né, para que a gente consiga organizar como que essas coisas elas vão se conversar, né? Inclusive, como essa autorização, ela vai ser tratada dentro do próprio sistema em termos de uma funcionalidade sistêmica de fato. Perfeito, muito, muito bom te ouvir, Natalie. Obrigada. E eu acho que eu posso ser uma mensageira de várias mensagens, né, que eu tenho ouvido aí ao longo dessas andanças no tema de finanças sustentáveis, é que assim, acho que há uma expectativa de todos os agentes econômicos envolvidos na discussão climática, de fato, da continuidade dessas políticas. Acho que foi um ponto que a Ana Tony também trouxe, né, da importância dessa manutenção institucional, porque de fato o sistema brasileiro de comércio de emissões vai ser um salto importante na nossa discussão de precificação, né, de carbono no Brasil. Obrigada. Vamos, vamos torcer. Todo mundo fazendo pressão. Vamos que vamos. Eh, Júlia, e aí nós viramos os nossos olhos para o setor de seguros, porque a verdade que às vezes a gente não fala tão publicamente, mas no privado a gente sabe, é que assim, a gente não consegue financiar muita coisa sem seguro, né? O seguro é a base da atividade econômica. Ele é assim desde o começo, né? E acho que é uma expectativa muito grande e uma e uma tentativa de compreender como é que vocês estão nessa caminhada. É um setor que precisa de muito dado. Então essa infraestrutura informacional, a tomada de decisão baseada em dados em evidências, que é o que a Natalie tá trazendo, é o que a Kathyn trouxe também dos próximos passos e as expectativas do Banco Central, se isso é importante para elas, é importante mais ainda quase para vocês, né? Então, conta pra gente um pouco como é que vocês estão nessa trajetória, o que que vocês estão enxergando eh do caminho atual e do futuro, >> certo? Eh, bom dia a todos e a todas. Agradecer, primeiramente aqui o o convite pela CN Segue, eh, enquanto organizadora de evento e também o convite ali alinhado com a Febraban, com a BIMA. Eh, acho que esse é um momento muito importante, como sempre, da gente discutir o setor financeiro em sentido amplo, né? Eh, infelizmente o setor de seguras, ele muitas vezes não é considerado como integrante do setor financeiro, apesar de constitucionalmente ele estar lá e fazer parte de toda a estrutura. Eh, e é muito bom ouvir aqui eh eh de vocês a e há um reconhecimento da importância ali do do setor de seguros para toda essa questão das finanças sustentáveis, né? Quando a gente eh fala de de finanças sustentáveis, é é muito importante também, né? sei que que é professora aqui que mencionou muito bem a gente olhar para para o caráter da finança funcional, né? Como é que a finança ela consegue ser um instrumento pro desenvolvimento econômico e social, ela não estar ali como um fim em si mesmo, né? Eh, quando quando você vai olhar pros economistas clássicos e olha toda a discussão sobre finança e sobre como a finança pode ser importante pro desenvolvimento econômico, raramente, infelizmente, de novo, você encontra o setor de seguros, né? Quando você olha pro ciclo de investimento, não aparece em regra o setor de seguros. E que bom que isso é algo que tá mudando com muito esforço aqui por parte do mercado segurador, por parte do regulador e por parte do do estado brasileiro, né? Então eh quando a gente olha pro ciclo de investimento e quando a gente fala de finanças sustentável, a gente vai pensar na alocação do recurso, né? E aí a gente pensa no sistema credício, a gente pensa no mercado de capitais, né? para onde é que a gente pode direcionar enquanto estado essas finanças para um local ali e que atenda a toda essa demanda eh climática, ambiental e social que a gente vem pregando enquanto estado, né? Então, o setor de seguros, ele ele, infelizmente, historicamente, ele acaba ocupando um um papel ali, não de fato, porque de fato ele ocupa um papel muito importante, mas na visão social, na visão das pessoas, ele não é muito bem enxergado, é com o potencial e com e com a materialização de fato que ele traz ali para esse debate de finanças sustentáveis. Então, pulando um pouco aqui essa essa minha função de de trazer a palavra do seguro para dizer o quanto o seguro ele é importante, eh eu acho que que pegando esse gancho da do papel do setor de seguros eh no no debate sobre sustentabilidade, a gente pensa também, quando a gente pensa no setor de seguros, a primeira coisa é quem vai pagar a conta, né, quando o risco ele se materializa. e ou vai ser o estado ou vai ser o a seguradora ou a resseguradora, né, que tá ali na outra ponta, ou vai ser eh eh as próprias empresas que vão ali ter que lidar com esse risco materializado, que cada vez mais é um risco eh que chega com mais frequência, que chega com mais severidade e que chega ali também com um desafio de subscrição eh e de precificação desse risco, né? Mas o que eu quero trazer aqui é que as pessoas precisam e o próprio setor de seguros também precisa fazer isso, que é enxergar o seguro como protagonista de todo esse tema, né? o o acho que tem que sentar aqui as seguradoras, colocar elas no divan, fazendo aqui uma analogia com com a nossa psicanálise e dizer: "Ó, vocês têm aqui um papel protagonista nesse campo e não é só um papel de pagar a conta, isso é um papel muito importante. Seguradora, ela tá ali em conjunto com o estado, em conjunto com as empresas para também contribuir ali na mitigação desse risco materializado, né, na mitigação dos danos causados por esse por essa materialização. Mas tem um outro um outro fator que você mencionou muito bem, que é o fator da subscrição do risco. Então, ninguém mais adequado do que uma seguradora, do que uma resseguradora para olhar para aquele risco, para reunir dados de mercado e para fazer com que aquele risco seja bem precificado. No final, todo mundo tem ali um resultado mais interessante, que é um acesso maior ao seguro, eh, indenizações realmente pagas decorrentes daquele risco e olhar como é que aquele risco climático, como é que aquele risco ambiental, ele tá sendo enxergado no mercado privado, né? Como é que as empresas elas estão lidando com lidando com esses temas, porque a gestão de riscos ela nasce na seguradora, né? Por mais que o sistema creditício, que o sistema eh do mercado de capitais ele ele olhe para pra gestão de riscos também e veja essa materialização, de novo, quem paga conta é a seguradora, inclusive quem paga conta ali do próprio crédito, né? Porque se não há um um instrumento securitário por trás daquele financiamento, por trás daquele crédito, ou por trás de um investimento, é, de um fundo, é, você não tem ali, eh, realmente o pagamento final da conta, que é o pagamento daquela daquela parcela creditícia, o pagamento, aquele retorno ali do investimento, né? Então, o seguro, felizmente, agora ele tem sido enxergado pela sociedade, pelos eventos, pela literatura da até acadêmica das finanças sustentáveis, como tendo essa dupla função, né, a função anterior, que contribui não só para para o o acolhimento ali dos dados relacionados à atividade econômica, né, porque a empresa ela a seguradora ela tem que entrar na atividade econômica para ela conseguir subscrever adequadamente aquele risco, mas também ela fazer um papel papel ali qualificador do próprio investimento e do próprio crédito, que é dizer como aquela empresa que tá ali na economia real, que não é a economia financeira, ela vai se portar com relação aos riscos climáticos ambientais e justamente em benefício da própria seguradora, porque de novo no fim ela paga parte da conta. Então, eh, ela tem que se enxergar enquanto seguradora como alguém que precisa, eh, minorar aquele risco, né? ela precisa olhar para aquela atividade econômica e dizer: "Eu preciso pagar menos no fim" ou "Eu preciso não pagar". E para ela dizer isso, ela precisa também contribuir ali uma questão ambiental e climática, porque senão, eh, aquela atividade que ela tá subscrevendo risco, aquela atividade, uma hidrelétrica, uma uma eólica, eh uma uma empresa ali da infraestrutura, da construção civil, ela precisa ali cumprir requisitos ambientais e climáticos que no fim vai menorar o dano de todo mundo, né? Então, é, você tem esse papel também de fazer com que o setor financeiro, que o setor segurador ele olhe para aquela atividade real e diga como ela vai ser conduzida. E ela vai ser conduzida nesse sentido. E a gente tem hoje diversos exemplos. Quando a gente olha para pra regulação, a gente olha pro Banco Central e vê ali a a o que o Banco Central fez com relação ao crédito rural. Olha, eu só vou aqui te conceder esse crédito rural. Se você realmente for uma propriedade rural que cumpra determinados requisitos de sustentabilidade, é um pontapé muito importante, porque vai tá conduzindo aquela propriedade rural para aquele determinado fim e se ela não fizer, ela não vai ter crédito. E a mesma coisa com seguro. Recentemente a gente também editou uma norma que a gente traz requisitos de sustentabilidade a serem obrigatoriamente cumpridos pelas seguradoras ali comercializ normativas ali do Banco Central como eh como base para essas questões, porque justamente a gente acredita que o caminho é primeiro que todas as os reguladores financeiros eles estejam alinhados nesse sentido juntamente com o setor privado, justamente eh com o estado brasileiro, com com com com governo, com com poder executivo federal também. E se não houver esse alinhamento, você não tem ali eh você não fecha o ciclo, porque você tem um crédito que você só vai dar esse crédito se a propriedade ela cumprir determinados requisitos, mas o seguro ele pode ser dado de qualquer jeito, não. Ele também vai ter que cumprir ali determinados requisitos. Então, um ciclo virtuoso que se fecha com todos ali realmente olhando pra sustentabilidade, que é uma questão de existência, não é mais uma questão de negócio, não é mais um uma questão ali de retórica, é uma questão de existência da humanidade. Então, todo mundo tem que olhar. E o papel de seguros, ele tá ali, ele ele tá mesmo como centralizador de olhar para aquele risco, de dizer exatamente eh o que consegue ser coberto, o que não consegue. Eu me lembro muito bem de de uma das primeiras reuniões que eu tive no grupo de trabalho, o André Dabos, ele ele tá até aqui. Isso me marcou muito. Tinha acabado de de entrar na SUSEP e uma das discussões que ele puxou foi justamente uma uma discussão acho que que eh traz muito o papel do dos seguros nesse setor, né? Como é que ele no setor real da economia, como é que ele consegue impulsionar comportamentos, influenciar comportamentos. Eh, ele me trouxe ali um exemplo da construção civil, que era um exemplo em que as construtoras estavam se utilizando de um material, acho que era uma chapa de madeira, um tipo de de chapa de madeira, eu não me recordo adequadamente, para construir ali suas edificações. E quando essas construtoras iam pro mercado segurador buscar cobertura para os seus riscos, as seguradoras diziam: "Ó, eu não vou cobrir porque vocês estão se utilizando de um material que é considerado por nós um protótipo, ainda que reconhecidamente, inter que internacionalmente ele seja reconhecido como material que vai sustentar a tua edificação. E aí o que que a construtora vai fazer? Ela não vai construir mais com esse material. ela vai continuar usando ali outros materiais que são materiais que que danificam ali o meio ambiente, porque ela não vai conseguir o seguro. Se ela não vai conseguir o seguro, ela não vai conseguir eh fazer aquela construção. Então é realmente um papel ali, é formiguinha também, porque as as seguradoras elas têm que se dar conta dessa dessa importância. Então tem um papel, não adianta só o regulador chegar e baixar norma e fiscalizar e e supervisionar o mercado. Você tem que ter esse engajamento também das empresas de de alta gestão ela olhar para aquele negócio com o protagonismo que ele merece. >> Obrigada, Gilana. Concordo com você e a literatura é é muito clara nesse sentido. O seguro é a infraestrutura silenciosa, né, que tá ali costurando o desenvolvimento econômico. Isso é e é isso, né? Agora a gente, eu queria passar para uma segunda rodada e e discutir com vocês o seguinte. Eu às vezes eu tô muito pessim meio bipolar assim, se eu tô muito pessimista, às vezes eu tô muito otimista. Hoje eu acordei otimista. Hoje eu acordei otimista. Mas eu acho de fato que a gente tá num momento muito bom eh das finanças sustentáveis em termos de regulação no Brasil. Acho que a gente tem visto nos últimos e não tô falando hoje especificamente, né? Eu acho que a gente vem de uma construção histórica, portanto não é conjuntural, embora a conjuntura neste caso, do ponto de vista regulatório, no caso brasileiro, tô sendo bem específico, tá tá tá positiva, mas é uma construção histórica, então ela é estrutural. Eh, e então o seguinte, a gente tem o Banco Central trabalhando nessa nessa nessa base de regulação que agora vai passar para olhar dados, exposição a risco. A gente tem o sistema brasileiro de comércio de emissões sendo regulamentado. 2027 começa a regulamentação infralegal. Vamos torcer para dar tudo certo e termos um órgão permanente. É uma secretaria extraordinária. Queremos que seja permanente. Eh, temos o setor de seguros ali trabalhando na construção desses marcos regulatórios. Enfim, então a gente tem esses movimentos. Se a gente se encontrar daqui a 3s anos ou o ano que vem aqui no pró na terceira edição do fórum que terá com certeza, eu queria que vocês me dissessem um ou dois pontos que vocês se sentiriam bem assim felizes, tão otimistas, talvez quanto eu tô nesse momento, não é sempre, tá, que eu tô, [risadas] mas que vocês se sentissem do tipo, avançamos e esse avanço foi importante, né? Ou seja, não um avanço marginal, mas que tenha sido um avanço importante paraa agenda. Vocês podem compartilhar um pouco a visão de vocês ou conversar com você? Katlyn, pode pegar. Peguei o seu [risadas] não. Então, eh, o que que a gente pretende ver daqui no horizonte 3, 4, 5 anos, né? Então, que do ponto de vista de regulação, o que que a gente pode fazer para contribuir para que esse otimismo seu cresça e a gente seja pragmático, né? Como a Ana falou, Brasil não é pragmático, t pragmática. Primeiro vamos distinguir o que que a regulação prudencial faz e o que que ela não faz, né? Então, regulação prudencial não faz política climática, não faz eh escolha de de quem vai receber ou não vai receber crédito, não direciona investimento, exceto pelo crédito rural, que tem regras muito específicas sobre quem pode e quem não pode receber o financiamento subsidiado. Mas a regulação prudencial, ela não faz esse tipo de direcionamento e também não elimina riscos. Mas o que que ela faz? O que que a gente pretende fazer para ver esse cenário otimista daqui a há alguns anos, né? A gente tenta criar um ambiente onde a estabilidade financeira fica assegurada, porque um ambiente com condição de estabilidade financeira é o ambiente propício para desenvolvimento, para crescimento e para investimento. De que forma? Então, de duas grandes linhas, né? Uma delas é a gestão de risco, um risco que é bem gerido e a decisão de do de toda a gestão de risco é incorporada nas decisões de negócio da instituição. Quando isso acontece, as melhores decisões de investimento e de financiamento são tomadas. melhores decisões, melor decisões otimizadas, com risco precificado, com ativo precificado. Então, eu tô falando em última instância de um mercado de transição ordenado, com financiamento justo, adequado e suficiente. E a outra linha é a transparência. Então, maior transparência de informações, não só a transparência por si só, ela não é um fim, né? A transparência, ela tem um objetivo. O objetivo de prever segurança, previsibilidade, confiança, porque investidor, principalmente de longo prazo, precisa de previsibilidade, precisa de ambiente seguro e a informação, ela tem que ser acurada, precisa e auditável. É nisso que a regulação trabalha, é nisso que nós estamos trabalhando. A gente vai ver já no ano que vem os primeiros relatórios de divulgação dos bancos sobre esses eh sobre sustentabilidade e com a e cada vez mais com camadas de exigências eh mais granulares na medida que a maturidade dos dados permitir e essa comparabilidade que é muito importante pros investidores. Então eu espero que daqui alguns anos a gente veja o mercado de carbono regulado, líquido, operante, integrado aos sistemas, a regulação prudencial em mudando comportamentos dentro das instituições financeiras, não só como observância, inconformidade, mas promovendo de fato melhores decisões. a gente veja o Brasil transformando as suas e vantagens comparativas em vantagens competitivas, como disse a Ana, né, usufruindo todas as nossas privilégios de biodiversidade, matriz renovável, agricultura de baixa emissão de carbono, não só usando todas essas novas tecnologias na transição, mas também sendo capaz de exportar essas tecnologias, né? Então eu costumava dizer no passado que o Brasil nunca perde oportunidade de perder uma oportunidade. Tomara que isso fique no passado e que agora eu se tomara que o Brasil não perca oportunidade. Acho que você tá otimista também, né? Senti uma ponta de otimismo. Natalie, por favor. >> Vamos lá. É, então daqui a 3s anos eu gostaria de ver que as ferramentas estruturantes das finanças sustentáveis, que são três que estão lá no no eixo das finanças sustentáveis do plano de transformação ecológica, TSB, o mercado regulado de carbono e os relatos financeiros de sustentabilidade, que eu vou fazer uma provocação dos relatos financeiros de sustentabilidade para mercados de capitais, eles efetivamente estejam bem estruturados. e que sejam conduzidos de fato com uma percepção de gestão de riscos estratégicos e oportunidades de maior padronização, transparência e comparabilidade, que a gente saia de uma visão restrita de que isso é só custo, na verdade não é, né? Todos sabemos. Então, que essas ferramentas efetivamente sejam enxergadas com todo o potencial de aumentar a competitividade que o Brasil tem em relação aos seus pares, especificamente relação ao mercado eh regulado de carbono, a nossa ambição é que o Brasil seja posicionado como um grande hub de carbono no mundo, senão o maior de todos. Então, que a gente consiga estruturar o mercado de carbono, uma Kateln falou, íntegro, eficiente, com adequada formação de preços e com muita liquidez. Se depender de mim, que tô à frente, não é do registro infraestrutura de mercado, a gente vai chegar lá. Também tô otimista. >> Que bom, gente. Júlia, obrigada, Natalia. Júlia, por favor. Eh, 3 anos. Vamos lá. A gente não não tem como esperar que se mude aí a a a questão do clima e e ambiental em sentido estrito mesmo, né? que a gente tem ali enquanto resultado das nossas atuações de estado, que a gente já gere uma mudança climática ambiental, porque a gente sabe que isso eh é impossível tecnicamente. Eh, mas eu acho que do ponto de vista do seguro, eh, a gente tem um um primeiro uma primeira questão e é justamente a questão que eu que eu comentei, que era a questão do pagar a conta, que é a questão do pagar a conta. Quando a gente fez um estudo sobre a catástrofe no Rio Grande do Sul, a gente percebeu que o setor de seguros não está pagando a conta. Não no sentido de negativas de sinistro, não é isso. É no sentido ali de acesso ao seguro. As pessoas, as empresas não têm seguro. Existe uma lacuna muito grande de proteção securitária. Então, primeiro, a gente precisa tratar esse problema, porque não adianta aqui a gente debater horas e horas sobre como é que o seguro pode ter essa essa gestão de risco melhor, como é que pode ter ali um produto melhor, se esse produto ele não está chegando na sociedade como um todo, né? se não há ali estruturas que que consigam responder a esse pagar a conta minimamente, que é quando a gente olha pro seguro, que a gente vê que é sua função ali principal, que é garantir um um interesse sobre determinado risco. Então, eu acho que esse é o primeiro ponto. Se eu pudesse olhar para daqui a 3 anos e e pensar como o mercado ele poderia ser, seria justamente a gente ter uma resposta de que dado um evento catastrófico no Brasil, a gente consiga ter um volume de de indenização compatível minimamente com os volumes de indenização que a gente vê em outros países aí que a gente tem se utilizado como base comparativa, né? Então, a gente tem esse problema muito grande de lacuna, eh, e, e esse problema ele ele entra ali na própria discussão da da função social do seguro, né? Então, se a gente não resolve esse problema de de absorção do risco de mercado, de realmente proteger as pessoas e as empresas e e os estados e e os municípios, as propriedades rurais com relação e a esses riscos, a gente vai chover no molhado aqui, né? Pegando aí essa questão do clima e do ambiental. já uma analogia. Eh, mas e e isso é algo que que realmente enquanto representante aqui da Susep gostaria de de responder de uma forma melhor daqui a três anos, né, de de infelizmente eu não quero que aconteça uma catástrofe, obviamente, mas eu sei que que ela irá acontecer, mas cedo ou mais tarde a gente vai ter um caso ali similar o que aconteceu no Rio Grande do Sul, o que aconteceu em Minas Gerais, o que acontece no Nordeste brasileiro com com toda a seca que que assola a região. Mas eh o o ideal seria que que o que a gente conseguisse dar uma resposta de que eh sei lá, 60% das perdas elas foram indenizadas, né? Que aí a gente consegue ver é que realmente o seguro ele tá chegando lá, ele tá respondendo a essa minimamente a essa a essa mitigação do do dos danos ali causados por uma catástrofe ambiental, né? Eu acho que um segundo ponto que que também é é muito importante, é, se daqui a 3s anos eu pudesse pensar no num cenário ideal, seria o cenário da da transferência de risco coletivo, né? Eh, como eu falei, a gente vê muito o setor segurador na hora de pagar a conta, mas eh esse pagamento de conta ele tá ali, hoje em dia, ele tá quase que restrito ao custo fiscal, né? ali é o socorro fiscal que o estado vai dar as empresas e vai dar à população, né? Então, a gente precisa, enquanto estado brasileiro, eh, se munir ali, se municiar de de de mecanismos de transferência coletiva de risco, de de entrar ali, eh, num numa espécie de de criar um instrumento que faça com que empresas, estados, empresas seguradoras, estados, municípios, setor rural, setor agropecuário, indústria, infraestrutura, consiga eh estabelecer um instrumento que que já existe muito em diversos países, fundos catastróficos, eh instrumentos ali direcionados eh eh a essa a essa proteção ali social e consiga fazer com que com que as seguradoras ela elas tenham um papel relevante eh nessa questão junto ali do estado, né? Que não seja só o estado nem as empresas a pagarem a conta. Isso passa, óbvio, pelo acesso ao seguro, como eu falei, mas passa também por instrumentos de transferência de risco coletivo que a gente precisa realmente estudar e se esforçar enquanto estado brasileiro para eh criar esse tipo de mecanismo. >> Perfeito. Obrigada, Júlia. Então eu eu gostaria que vocês me ajudassem aqui num desafio que assim eu fico pensando para para todos nós que estamos aqui, estamos pensando no planejamento estratégico das organizações, né, sejam das empresas, sejam das instituições financeiras. E se essas pessoas quiserem sair com alguns pontos, bom, então pros próximos 3 anos, do ponto de vista da regulação, eu devo observar mais ou menos esse esse esse ponto. O que eu consegui sintetizar, eu gostaria que vocês me ajudassem só para eu saber se eu entendi corretamente ou se eu tô perdendo alguma, né, derrubando algum pratinho aqui. alguns pontos que me saem como importantes se eu tivesse no planejamento estratégico de alguma organização, eu levaria isso que é o seguinte, a informação vai ser cada vez mais demandada por parte informação quantitativa de emissões, de risco climático, risco físico, risco de transição, oportunidades, né? Mas eu já vou chegar em você. Mas aqui ficando aqui no, então os bancos vão ser cada já estão sendo cobrados, mas serão cada vez mais cobrados e, portanto, eles cobrarão dos seus clientes. Então, as empresas que eventualmente ainda não tem o inventário de HG ou ainda não estão se preparando, elas deveriam estar olhando para isso com muita importância estratégica, independentemente da decisão de CVM ou não, porque os bancos eh serão cada vez mais cobrados e, portanto, pedirão dos seus clientes. E por o sistema brasileiro de comércio de emissões e o processo de MRV vai pedir se você emitir a partir de 10.000 toneladas de CO2 por ano, tá certo? Então é a seguinte, vai acontecer, né, sem a gente nem falar do mercado internacional que já pede. Então esse é um ponto super importante, né? Outro ponto é que as seguradoras tão se debruçando, né? O regulador tá se debruçando e também impedirá das seguradoras. E a gente vai ver também um desenrolar do ponto de vista de seguros também para olhar com mais atenção pro risco climático, com base nas informações, tá certo? Quer complementar ou vocês querem? Então, dados, basicamente esse foi um painel, se a gente fosse resumir, um painel sobre dados. Dados. Produzam dados, como você falou, verificáveis, rastreáveis e orientados. Agora vou pegar aqui o seu chapéu CVM em CVM que sejam orientados paraa tomada de decisão financeira, ou seja, para o mercado de capitais, para eh credores, enfim, investidores. É isso. >> E se for aplicar a taxonomia sustentável brasileira também vai requerer toda esse preparo. >> Perfeito. >> Levantamento de inventários, se for alinhado a objetivos climáticos de mitigação. E a exato. Quando >> quando? Então é isso, então os próximos três anos, se a gente tivesse que se concentrar em alguma coisa, nos conselhos das empresas, dos bancos e tal, trabalhem na infraestrutura de dados de vocês, certo? Gente, muito obrigada, foi um prazer conversar com vocês e, enfim, acho que saímos com muito material aqui para reflexão. Muito obrigada, Kathlyn, Júlia e Natalie. Obrigada. [aplausos]
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