Stablecoins: uma visão do mercado sobre modelos de emissão, governança e regulação
Sumário Regulatório
O estudo mostra um mercado caminhando para uma espécie de “stablecoin institucional”: regulada, 100% lastreada em ativos líquidos, auditada, integrada a bancos e pagamentos, multirrede e utilizada principalmente como infraestrutura de FX e liquidação.
Conteúdo do Documento
Stablecoins: uma visão do mercado sobre modelos de emissão, governança e regulação 2026 Conteúdo Introdução 3 Metodologia aplicada 4 Visão geral 6 01 Proposta de valor 7 02 Modelo de negócio 8 03 Modelo operacional 12 04 Estratégia 13 05 Relação com CBDC (Central Bank Digital Currency) 18 06 Resoluções do Banco Central 22 Perguntas adicionais 26 Stablecoins2 © 2026 KPMG Consultoria...
uma visão do mercado
sobre modelos de emissão,
governança e regulação
2026
Conteúdo
Introdução 3
Metodologia aplicada 4
Visão geral 6
01 Proposta de valor 7
02 Modelo de negócio 8
03 Modelo operacional 12
04 Estratégia 13
05 Relação com CBDC (Central Bank Digital Currency) 18
06 Resoluções do Banco Central 22
Perguntas adicionais 26
Stablecoins2
© 2026 KPMG Consultoria Ltda., uma sociedade simples brasileira, de responsabilidade limitada e firma-membro da organização global KPMG de firmas-membro
independentes licenciadas da KPMG International Limited, uma empresa inglesa privada de responsabilidade limitada. Todos os direitos reservados.
Introdução
Com o avanço da tokenização e da
infraestrutura baseada em blockchain, as
stablecoins vêm se consolidando como um
dos principais pontos de convergência entre
o sistema ?nanceiro tradicional e o ecossistema
de ativos virtuais. Ao combinar a e?ciência
operacional das redes distribuídas com a
estabilidade de moedas ?duciárias ou ativos de
baixo risco, essas soluções têm sido utilizadas
em pagamentos, liquidações ?nanceiras, gestão
de liquidez, operações de câmbio, entre outras
aplicações. Ao mesmo tempo, o crescimento
desse mercado tem trazido desa?os importantes
relacionados a modelos de emissão,
governança, gestão de riscos, transparência
e conformidade regulatória.
No contexto brasileiro, esse debate ganha
ainda mais relevância diante da evolução
do arcabouço regulatório para criptoativos.
Instituições ?nanceiras, empresas de tecnologia,
emissores potenciais e demais participantes
do mercado avaliam diferentes arquiteturas
operacionais, mecanismos de lastro, modelos
de governança e estratégias de integração
com a infraestrutura ?nanceira existente.
Diante desse cenário dinâmico e em
transformação, torna-se fundamental
compreender como o mercado enxerga o papel
das stablecoins, quais riscos são considerados
mais signi?cativos, quais práticas de
transparência são esperadas e quais caminhos
regulatórios tendem a moldar a evolução desse
ecossistema no curto e médio prazos. Por isso,
a KPMG e a ABcripto realizaram uma pesquisa
para avaliar as percepções do mercado
relacionadas à emissão de stablecoins, seus
modelos de negócio e operação, práticas de
governança e transparência, principais riscos
envolvidos e as perspectivas regulatórias para
o desenvolvimento desse mercado no Brasil.
Julia Rosin
Presidente na ABcripto
Fabio Lacerda
Sócio de Financial Risk Management
KPMG no Brasil
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins3
© 2026 KPMG Consultoria Ltda., uma sociedade simples brasileira, de responsabilidade limitada e firma-membro da organização global KPMG de firmas-membro
independentes licenciadas da KPMG International Limited, uma empresa inglesa privada de responsabilidade limitada. Todos os direitos reservados.
Metodologia aplicada
Como parte do processo de análise e pesquisa
para entendimento da percepção do mercado,
a maioria das perguntas aplicadas tem relação
com os seguintes temas:
Modelo de Negócio Estratégia Resoluções do Banco Central
Ao ?nal da pesquisa, foram realizadas algumas
perguntas adicionais sobre:
• Comparativos: stablecoins reguladas,
instrumentos tradicionais de câmbio
e pagamentos internacionais.
• Relação entre stablecoins e depósitos
tokenizados.
O período de aplicação da pesquisa foi de
12 de janeiro a 8 de junho de 2026.
Proposta de Valor Modelo Operacional Interação com CBDC
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins4
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independentes licenciadas da KPMG International Limited, uma empresa inglesa privada de responsabilidade limitada. Todos os direitos reservados.
A pesquisa também buscou entender quais
problemas especí?cos que uma stablecoin deve
resolver no mercado atual. Algumas respostas
indicam para a necessidade de câmbio (FX)
mais e?ciente, liquidação instantânea,
pagamentos, meio de liquidação para ativos
do mundo real (RWA), interoperabilidade,
programabilidade e acesso a moedas fortes
em ambientes com restrições ?nanceiras,
promovendo inclusão ?nanceira.
Há também destaque sobre as stablecoins
atuarem como infraestrutura de mercado,
representando recursos em moeda ?duciária
dentro de um ecossistema tecnológico alinhado
às demandas do atual estágio de evolução
digital.
Sobre os diferenciais que uma nova stablecoin
poderia ter em relação a outras já existentes, a
pesquisa evidencia diferentes pontos de vista no
mercado.
Existe a opinião de que esse diferencial
seria o detentor do ativo não depender
exclusivamente do risco de crédito do
emissor. Outros entrevistados entendem como
diferencial se essa nova stablecoin tiver uma
integração com as já existentes.
Para outros participantes da pesquisa,
a stablecoin deve unir liquidação instantânea,
FX programável e compliance nativo com
integração direta aos sistemas locais de
pagamento.
Liquidez e con?abilidade no emissor foram
pontos que apareceram em algumas respostas.
Por ?m, destaca-se também a importância de
multilateralidade regulatória, reservas com
transparência em tempo real, modelo de
governança com representação institucional
e interoperabilidade nativa.
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins5
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Visão geral
O per?l das instituições participantes e seu grau de envolvimento com o ecossistema de stablecoins podem ser observados nos grá?cos abaixo:
Modelo de Negócio
30
%
Banco
70
%
VASP
A instituição já emite uma stablecoin ou pretende emitir?
20
%
80
%
Sim, já emite
uma stablecoin
Não emite, mas
pretende emitir
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins6
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Proposta de valor
A proposta de valor de uma stablecoin está diretamente ligada aos casos de uso que ela busca atender e ao público que
pretende alcançar. Diante disso, a pesquisa explora como as instituições avaliam as principais aplicações para a emissão
de stablecoins, os segmentos prioritários e os problemas que essas soluções devem endereçar no mercado atual.
Qual deve ser a proposta principal
para a emissão de uma stablecoin?
Qual deve ser o público-alvo desta stablecoin?
33
%
Transações
internacionais
20
%
20
%
13
%
7
%
7
%
Integração com serviços
?nanceiros digitais
Liquidez para empresas
Pagamentos
Dinheiro digital
Múltiplas ?nalidades
34
%
Empresas
22
%
22
%
22
%
Instituições ?nanceiras
Consumidores em geral
Comerciantes e
prestadores de serviço
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins7
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Modelo de negócio
O modelo de negócio de uma stablecoin envolve decisões estruturantes sobre o tipo de lastro utilizado, a forma de custódia dos ativos, os mecanismos
de governança e auditoria, bem como as fontes de geração de receita da instituição emissora. As questões deste tópico buscaram compreender como
o mercado entende que esses elementos devem ser desenhados, considerando tanto as expectativas dos usuários quanto as exigências regulatórias.
Qual é o modelo ideal de emissão de uma stablecoin? Como os ativos de lastro devem ser custodiados?
67
%
Lastro 100% em
reservas de dinheiro
ou títulos públicos
22
%
11
%
Lastro composto de
reservas de dinheiro,
títulos públicos
e outros ativos
?nanceiros
Diferentes lastros,
desde que sejam
modelos estáveis,
auditáveis
e sólidos
38
%
Em instituições
?nanceiras reguladas
26
%
12
%
12
%
12
%
Diretamente
no Banco Central
Em contas segregadas
em bancos comerciais
Veículos de propósito especí?co
dedicados à manutenção do
lastro que não corram o risco de
crédito de nenhuma instituição
?nanceira ou do emissor
Um mix entre Banco Central
e instituições ?nanceiras
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins8
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Além das frequências de?nidas que foram
apresentadas no grá?co anterior, foi
manifestada a opinião de que essas auditorias
sejam realizadas com a frequência que
a instituição quiser, por meio de processos
automatizados, on-chain e openbanking.
Deve existir auditorias independentes
sobre os ativos mantidos como lastro?
Qual frequência?
100
%
Sim
12
%
25
%
25
%
13
%
25
%
Anual
Semestral
Trimestral
Mensal
Diária
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins9
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20
%
Não
80
%
Sim
Quais mecanismos de governança uma
stablecoin deveria utilizar para decisões críticas?
A instituição emissora deve ter algum
selo de certi?cação?
89
%
Governança centralizada,
com decisões tomadas
pela instituição emissora
sujeita a regras internas
e supervisão regulatória
11
%
Conselho de governança
independente, formado
por especialistas,
auditores e representantes
do ecossistema
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
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Como deve ser a comunicação aos usuários sobre
mudanças na política de emissão ou resgate?
Qual o modelo ideal de geração de receita
de uma instituição emissora de stablecoin?
63
%
Comunicado o?cial
em canais digitais
25
%
12
%
Publicação em
relatórios periódicos
Comunicado o?cial
e publicação em
relatórios periódicos
43
%
Rendimentos dos ativos de
reserva (juros sobre títulos
públicos ou depósitos)
22
%
14
%
14
%
7
%
Prestação de serviços
de custódia institucional,
cobrando taxas de custódia
de grandes clientes
Taxas de emissão e resgate,
aplicadas somente quando
usuários entram ou saem
da stablecoin
Taxas por transação, como
pagamentos, transferências
ou conversões
Prestação de serviço e
por meio de contratos de
distribuição do ativo
virtual emitido
Ainda sobre o modelo ideal de geração de
receita, além das alternativas apresentadas na
pesquisa, foi citada uma outra forma de receita
por meio do desenvolvimento e da manutenção
de uma infraestrutura customizável em
blockchain em um modelo similar
ao de software as a service.
Para alguns entrevistados, o modelo ideal de
geração de receita dependeria da aplicação
prática da stablecoin.
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins11
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Modelo operacional
O modelo operacional de uma stablecoin de?ne como esta
se conectará à infraestrutura tradicional, como bancos, arranjos
de pagamento e câmaras de liquidação, bem como as redes
blockchain nas quais irá operar. Nesse contexto, a pesquisa
buscou compreender as preferências e expectativas do mercado
em relação às integrações, à arquitetura tecnológica e às
escolhas de redes blockchain.
Como uma stablecoin deve se conectar à infraestrutura
tradicional?
39
%
Integração direta com o
sistema bancário, permitindo
depósitos e saques em contas
tradicionais
22
%
22
%
17
%
Conexão com arranjos de
pagamento, possibilitando uso
em cartões, maquininhas e
carteiras digitais
APIs para empresas, permitindo
automação de pagamentos,
conciliação e gestão de caixa
Conexão com câmaras de
compensação e sistemas
de liquidação, permitindo
movimentação institucional
Com relação à escolha da rede blockchain ideal para uma
stablecoin, o mercado enxerga que as redes ideais são
aquelas que combinam segurança, previsibilidade operacional,
interoperabilidade, baixo custo, liquidez e integração institucional.
Outra característica mencionada foi a robustez regulatória e
técnica.
Ethereum aparece como principal referência, destacada pela
segurança, liquidez e aceitação institucional. Ao mesmo tempo,
há menções a redes compatíveis com EVM¹, como Polygon,
Arbitrum, Base e outras L2² de Ethereum, percebidas
como fundamentais para escala, pagamentos, alto volume
transacional, redução de custos e liquidação rápida, mantendo
interoperabilidade com o ecossistema existente. Algumas
respostas também citam alternativas como Tempo e Solana,
associada à velocidade e à e?ciência.
De forma geral, a maioria das respostas converge para a ideia
de que uma stablecoin bem estruturada deve ser multirrede,
utilizando Ethereum como base de con?ança, camadas
escaláveis para uso diário e ambientes institucionais para
liquidação regulada, garantindo interoperabilidade, resiliência
e adoção real.
¹ Ethereum Virtual Machine: ambiente virtual descentralizado que executa código de
forma consistente e segura em todos os nós Ethereum (fonte: https://ethereum.org/
developers/docs/evm/)
² Layer 2: tecnologia secundária construída sobre uma blockchain principal (Layer 1)
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins12
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independentes licenciadas da KPMG International Limited, uma empresa inglesa privada de responsabilidade limitada. Todos os direitos reservados.
Estratégia
Este tópico busca compreender como a
instituição avalia os principais riscos
envolvidos na emissão de uma stablecoin e
quais medidas estratégicas são consideradas
para mitigá-los. Além disso, explora a visão
da instituição sobre a evolução do mercado,
incluindo a possibilidade de consolidação em
poucos emissores e a coexistência de múltiplas
stablecoins com ?nalidades distintas.
As questões também abordam o papel das
stablecoins no futuro do sistema ?nanceiro
brasileiro, bem como as tendências
esperadas para os próximos três anos em
termos de adoção, regulação e inovação. De
forma integrada, este tópico permite avaliar
a visão de longo prazo da instituição e seu
posicionamento estratégico nesse ecossistema
em transformação.
Qual é o principal risco existente na emissão de uma stablecoin?
33
%
Risco de
liquidez
33
%
Risco
regulatório
18
%
Risco
operacional
e tecnológico
8
%
Risco de
governança
8
%
Risco de
contraparte
do emissor
Com relação às medidas adotadas para mitigar
riscos, as respostas indicam que essas medidas
devem ser estruturadas de forma preventiva,
integrada e multicamada, com controles
independentes que se reforçam mutuamente.
O risco de governança e o risco de
contraparte do emissor são tratados por
meio de políticas de custódia, intermediação
e segurança cibernética robustas, que mitiguem
todos os riscos, inclusive de continuidade de
negócios do emissor.
O risco de liquidez é mitigado com a
garantia de conversibilidade imediata e com
a previsibilidade de resgates, sustentada por
reservas altamente líquidas e segregadas,
gestão ativa de liquidez com stress tests
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins13
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recorrentes, políticas claras de resgate,
SLAs operacionais, transparência e auditoria
frequente das reservas, múltiplos canais de
on e o? ramp e linhas contingentes de liquidez
ou mecanismos de backstop.
O risco operacional e tecnológico é
endereçado por meio de auditorias, pentest
(teste de intrusão) e práticas de cibersegurança.
Por ?m, o risco regulatório é mitigado pela
existência de regras claras e pelo avanço
contínuo da regulação. Em conjunto, essas
medidas fortalecem a estrutura da stablecoin
e aumentam sua segurança e sua con?abilidade
em longo prazo.
Qual indicador de transparência é o mais importante e o que uma instituição deveria
publicar regularmente?
70
%
Relatórios de reservas,
detalhando composição,
liquidez e localização dos
ativos de lastro
30
%
Auditorias independentes
periódicas, incluindo
veri?cação de saldos,
controles internos e
aderência regulatória
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins14
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Consolidação em poucos emissores ou
a coexistência de múltiplas stablecoins
com ?nalidades distintas?
Alguns entrevistados responderam que haverá
consolidação em poucas stablecoins
dominantes, mas com a coexistência de
múltiplas stablecoins especializadas por
?nalidade.
A consolidação ocorre porque liquidez,
con?ança, integração institucional e efeito de
rede tendem a concentrar volume em poucos
emissores, especialmente aqueles com reservas
transparentes, compliance robusto e ampla
aceitação regulatória.
Entretanto, diferentes casos de uso —
como pagamentos de varejo, liquidações
institucionais, operações transfronteiriças,
tokenização de ativos e demandas regulatórias
locais exigem arquiteturas distintas, di?cultando
que uma única stablecoin atenda de forma
e?ciente a todos esses contextos. Dessa
forma, stablecoins especializadas tendem a
surgir e se manter integradas a ecossistemas,
jurisdições e ?uxos operacionais especí?cos.
O resultado seria um modelo em camadas, com
algumas stablecoins globais funcionando como
padrão de liquidez e referência, enquanto outras
coexistiriam como infraestrutura especializada,
integradas aos sistemas locais, a regimes
regulatórios especí?cos e a ?uxos de negócio
concretos.
Também houve argumentos de que uma
consolidação em poucos players seria
tecnicamente inviável e regulatoriamente
improvável no cenário global atual, defendendo
a coexistência estrutural de múltiplas
stablecoins, cada uma otimizada para sua
jurisdição, seu ecossistema tecnológico ou sua
?nalidade econômica. Nessa mesma linha,
alguns entrevistados acreditam que não haverá
uma consolidação, na medida em que diversos
produtos ?nanceiros serão tokenizados e terão
diferentes funções.
Por ?m, existe também o entendimento de que
o termo stablecoin é muito amplo e de que ainda
é muito cedo para haver uma resposta.
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins15
© 2026 KPMG Consultoria Ltda., uma sociedade simples brasileira, de responsabilidade limitada e firma-membro da organização global KPMG de firmas-membro
independentes licenciadas da KPMG International Limited, uma empresa inglesa privada de responsabilidade limitada. Todos os direitos reservados.
Papel das stablecoins no futuro do sistema ?nanceiro brasileiro
A pesquisa também procurou explorar a visão dos entrevistados sobre
o futuro das stablecoins no sistema ?nanceiro brasileiro.
Qual o papel das stablecoins no futuro do sistema
?nanceiro brasileiro?
• Infraestrutura para pagamentos e câmbio internacional:
para a maioria, as stablecoins servirão como trilho principal para
remessas e liquidações cross-border, integrando on/o?-ramps
com Pix e reduzindo custos e prazos de comércio exterior;
3
Delivery versus Payment: entrega de um ativo se o pagamento ocorrer ao mesmo tempo
4
Transfer versus Payment: transferência de um ativo associada a um pagamento
5
Real World Assets: representação digital de bens físicos ou ?nanceiros tradicionais na blockchain
50
%
Infraestrutura para
pagamento e câmbio
internacional
30
%
Moeda de liquidação
da tokenização
20
%
Uso sobretudo
institucional
• Moeda de liquidação da tokenização: parte dos entrevistados
enxerga que as stablecoins serão o meio de pagamento padrão
para DvP³/TvP
4
de ativos tokenizados (RWA
5
, títulos, cotas
de fundos), interoperando com infraestrutura regulamentada
e, se implementada, com a CBDC (Drex);
• Uso sobretudo institucional: algumas respostas indicaram
a existência de uma adoção majoritariamente wholesale,
com bancos preferindo depósitos tokenizados. Nesse cenário,
as stablecoins privadas ?cam como liquidez e tesouraria em redes
permissionadas e processos de clearing.
Por ?m, também existe a visão de que as stablecoins tendem a se
tornar uma camada complementar de infraestrutura do sistema
?nanceiro brasileiro, conectando o Real ao mundo digital global.
No curto e médio prazos, elas atuam como ponte e?caz entre
o sistema local altamente digitalizado e os ?uxos internacionais,
reduzindo custo e tempo em FX, liquidação e pagamentos cross
border, especialmente para empresas.
No médio prazo, passam a funcionar como extensão programável
do Real, integradas a Pix, Open Finance e arranjos de pagamento,
viabilizando automação ?nanceira, novos modelos de negócio e
liquidação 24/7.
No longo prazo, o papel das stablecoins é estrutural. Elas permitem
que o Brasil exporte sua e?ciência ?nanceira, posicionando o país
como hub de liquidação digital em mercados emergentes, enquanto
preserva soberania monetária, compliance e integração regulatória.
Em resumo, stablecoins não substituem o sistema ?nanceiro brasileiro,
mas ampliam seu alcance, sua e?ciência e sua competitividade global.
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
Stablecoins16
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independentes licenciadas da KPMG International Limited, uma empresa inglesa privada de responsabilidade limitada. Todos os direitos reservados.
Tendências para as stablecoins nos próximos três anos
Com relação às tendências nos próximos três anos, o mercado
também indica relação com pagamentos, câmbio, liquidação
e uso institucional, como pode ser observado abaixo:
Quais são as tendências para as stablecoins nos
próximos três anos?
50
%
Trilho global de
pagamentos
e câmbio
25
%
Ativo padrão
de liquidação
na tokenização
15
%
Adoção
principalmente
institucional
10
%
Consolidação
regulatória e
transparência
• Trilho global de pagamentos e câmbio: stablecoins tornam-
se o principal meio de liquidação cross-border, com on/o?-
ramps integrados a redes tradicionais, reduzindo custos
e prazos em remessas e comércio exterior;
• Ativo padrão de liquidação na tokenização: passam
a ser o colateral/ativo de liquidação dominante para DvP/
TvP de RWA e títulos on-chain, com interoperabilidade entre
redes públicas e permissionadas;
• Adoção principalmente institucional: o uso se concentra
em tesouraria, liquidez e clearing de grandes instituições.
No varejo, a aceitação cresce pouco frente a depósitos
tokenizados e carteiras reguladas;
• Consolidação regulatória e transparência: regulações
mais rígidas (lastro 1:1, segregação de reservas, auditorias
em tempo quase real), levando à consolidação em poucos
emissores globais e à redução de riscos operacionais.
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
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Relação com CBDC (Central Bank Digital Currency)
A pesquisa também buscou entender a visão do
mercado sobre a relação das stablecoins com
a CBDC, como pode ser observado no grá?co
e textos seguintes.
Considerando CBDC de uma
determinada jurisdição (ex: Brasil), seu
entendimento é que estimula ou não a
emissão de stablecoins privadas pelas
instituições?
11
%
Não
89
%
Sim
De forma geral, as respostas indicam que a
introdução de uma CBDC tende a estimular a
emissão de stablecoins privadas, desde que
seja desenhada como uma infraestrutura e não
como um produto concorrente.
Nas visões coletadas, foi observado o
entendimento de que uma CBDC (como, por
exemplo, em uma eventual aplicação no Brasil)
tende a estimular a emissão de stablecoins
privadas porque ela cria um padrão técnico,
jurídico e operacional comum para liquidação,
identidade, compliance e programabilidade.
Isso reduz incertezas regulatórias e custo de
integração, abrindo espaço para que instituições
privadas construam soluções especializadas
sobre essa base. Na prática, a CBDC funciona
como uma camada de liquidação soberana e de
con?ança, enquanto stablecoins privadas atuam
nas camadas de distribuição, experiência,
integração com sistemas legados, casos de uso
especí?cos e inovação.
Além disso, CBDC e stablecoins privadas são
complementares: enquanto a CBDC representa
o passivo digital do banco central, a stablecoin
privada atende casos de uso especí?cos, como
pagamentos internacionais, DeFi e tokenização
de ativos privados, funções que a CBDC
tipicamente não cobre.
O outro ponto de vista apresentado considera
o desconforto na centralização associada
ao governo, levando o mercado a buscar as
stablecoins como uma alternativa para não
utilizar uma determinada CBDC.
No entanto, alguns entrevistados entendem
que uma CBDC não estimula a emissão
de stablecoins privadas por se tratar de
instrumentos diferentes.
Principais desa?os regulatórios e técnicos
esperados na convivência entre stablecoins
privadas e uma CBDC.
As respostas convergem para a visão de que
essa convivência envolve desa?os concentrados
principalmente na coordenação regulatória e
na integração técnica.
No lado regulatório, destaca-se a necessidade
de de?nir com clareza os papéis e limites
de atuação de cada instrumento, evitando
sobreposição de funções, insegurança jurídica
e arbitragem regulatória. Também existe uma
preocupação com o tratamento prudencial e de
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
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independentes licenciadas da KPMG International Limited, uma empresa inglesa privada de responsabilidade limitada. Todos os direitos reservados.
reservas. Stablecoins privadas exigem regras
claras sobre lastro, segregação patrimonial,
governança, auditoria e direitos de resgate.
Por ?m, é necessário de?nir quem responde
por falhas operacionais, lavagem de dinheiro,
sanções, incidentes cibernéticos e erros de
liquidação em um ambiente híbrido, evitando
zonas cinzentas entre emissor privado,
intermediários e o Banco Central.
Do ponto de vista técnico, o principal desa?o
é a interoperabilidade entre arquiteturas
distintas, com diferentes modelos de liquidação,
identidade digital e governança. Questões
relacionadas à privacidade, à gestão de
identidade e à resiliência operacional e
cibernética também aparecem como pontos
críticos.
Qual o impacto da suspensão do Drex
sobre o ecossistema de stablecoins no
Brasil?
33
%
Positivo
34
%
Nulo
33
%
Negativo
Com relação ao impacto da suspensão
do DREX, como pode ser observado no
grá?co, as respostas mostraram um cenário
equilibrado, sem consenso claro entre os
participantes e evidenciando que a suspensão
do DREX foi interpretada de formas distintas.
Parte dos entrevistados avalia a suspensão
do DREX como algo positivo. Seu argumento
é o de que essa decisão teve efeitos
majoritariamente favoráveis à iniciativa privada,
com os seguintes resultados:
• Vácuo temporário de infraestrutura
pública programável: ao desligar a
plataforma usada nas fases iniciais do Drex
por problemas de privacidade, segurança e
custo operacional, o Banco Central sinalizou
que a tecnologia ainda não estava madura
para operar como trilho soberano de
liquidação digital . Esse vácuo abriu espaço
para que stablecoins privadas assumissem,
na prática, os casos de uso que já estavam
em produção;
• Reposicionamento pragmático do
regulador: o Banco Central deixou claro
que prefere priorizar estabilidade, segurança
e integração com o Sistema Financeiro
Nacional, mesmo que isso implique
desacelerar ambições mais disruptivas no
curto prazo. Para o mercado, isso reduz
o risco de competição direta entre uma
CBDC operacional e as soluções privadas,
tornando o ambiente mais previsível para
emissores de stablecoins;
• Aceleração da centralidade das
stablecoins como infraestrutura
funcional, não apenas como ativo cripto:
enquanto o projeto público foi pausado,
as stablecoins continuaram operando
em câmbio, pagamentos internacionais,
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
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tokenização de ativos e gestão de caixa,
inclusive em testes institucionais avançados;
• Aumento da pressão regulatória e
clareza jurídica sobre stablecoins: sem
o foco no Drex pra o curto prazo, o Banco
Central passou a direcionar esforços para
enquadrar e regular soluções privadas,
como mostram a Resolução BCB n.º 521
e as discussões sobre tratamento cambial,
reservas e compliance.
Em resumo, a suspensão do DREX deslocou
o protagonismo para stablecoins privadas bem
estruturadas, reguladas e integradas ao sistema
?nanceiro tradicional, reforçando a leitura
de que a inovação virá primeiro da iniciativa
privada, enquanto o Estado consolida sua
atuação como arquiteto da infraestrutura
e das regras do jogo.
Em contraste, as leituras negativas enfatizam
os custos da suspensão. Alguns entrevistados
apontam perda de investimentos,
descontinuidade de soluções e desestímulo
ao ecossistema. Além disso, o DREX seria
uma ferramenta de integração.
Adicionalmente, essa visão indica que que
a suspensão do DREX produziu os seguintes
efeitos:
• Aumento da incerteza regulatória, inibindo
outros lançamentos institucionais;
• Atraso nas operações de tokenização de
ativos brasileiros por falta de contraparte
de liquidação em reais digitais;
• Fortalecimento das stablecoins dolarizadas,
como USDT e USDC, que preencheram
o vácuo;
• Redução da con?ança institucional
no ambiente de ativos digitais no Brasil,
postergando decisões de adoção por
bancos e gestoras.
Por ?m, houve opiniões indicando que eventual
suspensão do DREX não teria impacto
positivo nem negativo. Nesse cenário,
destacou-se que já existiam stablecoins antes
do DREX, e que estas seguem funcionando
bem.
Nessa visão de impacto nulo, o DREX seria
muito mais um alicerce ao open banking do que
uma moeda que o brasileiro iria transacionar.
O resultado seria uma aceleração de crédito
e as stablecoins não seriam impactadas.
Aprendizados que o Drex trouxe para
o mercado de criptoativos
Mesmo com sua suspensão, o Drex deixou
aprendizados para o mercado brasileiro de
criptoativos.
• Privacidade e escalabilidade não são
detalhes técnicos, mas requisitos
centrais de política pública: o piloto
deixou claro que modelos de blockchain não
permissionados ou mal adaptados geram
custos, vazamentos de informação e riscos
incompatíveis com infraestrutura soberana.
Isso elevou o nível de exigência técnica
para todo o ecossistema;
• Separação clara entre infraestrutura
e produto: o Drex evidenciou que o papel
do Estado é prover trilhos de liquidação e
regras, não competir com soluções privadas
de pagamento, crédito ou distribuição.
Essa distinção passou a orientar também
o debate sobre stablecoins;
• Validação da programabilidade como
inevitável: mesmo com a pausa, ?cou
claro que dinheiro programável, liquidação
condicionada e automação ?nanceira
são necessidades reais do sistema, não
experimentos acadêmicos. A questão deixou
de ser se isso vai existir e passou a ser
como implementar com segurança;
• Interoperabilidade é mais complexa
do que parece: integrar bancos, arranjos
de pagamento, ativos tokenizados e
compliance em uma única arquitetura
exige padrões comuns, governança forte
e coordenação institucional, algo que o
mercado privado precisa considerar desde
o desenho inicial;
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
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• Aprendizado regulatório: o Banco
Central mostrou disposição para testar,
recuar e corrigir, reforçando previsibilidade
institucional. Para o mercado de
criptoativos, isso sinaliza que soluções
privadas bem estruturadas, prudentes
e integradas ao sistema ?nanceiro têm
espaço, desde que respeitem limites claros
de risco e governança.
Outros pontos destacados como aprendizado
foram que:
• O framework regulatório precisa ser
desenvolvido em paralelo com a tecnologia,
não depois dela;
• O mercado privado não espera pela
infraestrutura pública. Na ausência de uma
CBDC, stablecoins privadas reguladas
continuam avançando e preenchendo
os espaços disponíveis;
• Transparência, interoperabilidade, DvP e
programabilidade são excelentes, mas não
necessariamente combinam com emissão
fracionária;
• Os emissores precisam escolher entre
privacidade, liquidez e velocidade;
• O setor privado é mais e?ciente que
o público;
• Sem privacidade teríamos insegurança
no mercado;
• Instituições tradicionais querem entrar
no mundo de Tokenização, mas precisam
de apoio institucional;
• CBDCs são excessivamente reguladas,
engessadas e controladas.
Introdução
Metodologia aplicada
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01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
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Resoluções do Banco Central
Como pode ser observado no grá?co, a maioria
dos entrevistados avalia como positivo o
impacto das novas resoluções. Os principais
argumentos são:
• De?nição de regras claras: as Resoluções
BCB n.ºs 519, 520 e 521, combinadas
com a Instrução Normativa BCB n.º 701,
passaram a exigir autorização prévia,
capital mínimo, segregação patrimonial,
prova de reservas, governança robusta,
auditoria independente e controles rígidos
de PLD e segurança cibernética. O Banco
Central aumenta a segurança jurídica e
reduz incertezas que antes limitavam a
adoção institucional. Esse movimento tende
a provocar uma consolidação do mercado,
com menos emissores, porém mais sólidos,
transparentes e alinhados ao sistema
?nanceiro;
• Stablecoins passaram a ser
explicitamente conectadas ao mercado
de câmbio brasileiro: a Resolução
BCB n.º 521 enquadrou operações com
stablecoins, especialmente as referenciadas
em moeda estrangeira, como operações
cambiais, sujeitas à Lei n.º 14.286. Isso
Qual o impacto das novas resoluções
do Banco Central sobre o mercado de
stablecoins no Brasil?
60
%
Positivo
10
%
Nulo
20
%
Negativo
10
%
Optou por não
responder
traz previsibilidade jurídica, mas também
impõe obrigações de reporte, ?nalidade
econômica, compliance e potencial
incidência de IOF em determinados ?uxos;
• Institucionalização do uso de
stablecoins: ao reconhecer esses ativos
dentro do arcabouço o?cial, o Banco Central
abriu espaço para que stablecoins sejam
usadas por bancos, ?ntechs e empresas em
pagamentos internacionais, FX, tesouraria e
liquidação, desde que dentro de um modelo
autorizado e supervisionado;
• Consolidação e pro?ssionalização do
mercado: a combinação de exigências
prudenciais, técnicas e operacionais tende a
concentrar o mercado em poucos emissores
bem capitalizados e integrados ao sistema
?nanceiro, reduzindo fragmentação e risco
sistêmico;
• Legitimidade ao mercado: isso contribui
para tornar modelos de negócios possíveis;
• Princípios e orientação para alguns
participantes, mas ainda falta clareza.
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
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03 Modelo operacional
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Para os entrevistados, as resoluções deixam
claro que o Banco Central não pretende
eliminar stablecoins, mas enquadrá-las como
infraestrutura ?nanceira complementar. Nesse
cenário, o regulador assume o papel de
arquiteto das regras e da estabilidade, enquanto
a inovação, a distribuição e os casos de uso
?cam majoritariamente a cargo da iniciativa
privada.
O impacto das novas resoluções é duplo:
menos improvisação e mais escala institucional,
transformando stablecoins de um instrumento
periférico em um componente regulado e
estratégico do sistema ?nanceiro brasileiro.
Alguns entrevistados enxergam como
negativo o impacto das novas resoluções.
Os argumentos apresentados foram:
• Diminuição da inovação e concentração
de poder nos bancos tradicionais;
• Stablecoins excessivamente controladas
e reguladas, o que pode fazer com que
as pessoas voltem para o P2P.
Por ?m, algumas opiniões indicam impacto nulo,
com o argumento de que falta um projeto de lei
das stablecoins para de fato de?nir as regras
desse mercado.
Essas normas aumentam ou reduzem a
atratividade para emissão de stablecoins
no país?
45
%
Aumenta
22
%
Aumenta
e reduz
11
%
Reduz
22
%
Nulo
Os principais argumentos são:
• Aumenta: para alguns entrevistados,
aumenta a atratividade para players
capitalizados e dispostos a observar
a carga regulatória. Outros argumentam
que a regulação traz visibilidade, reduz
risco e pavimenta a via para novos
empreendedores.
Para emissores com capacidade de cumprir
as exigências, o mercado brasileiro se
torna substancialmente mais atrativo, pelos
seguintes motivos:
1) A clareza regulatória elimina a incerteza
jurídica que hoje inibe decisões de
investimento institucional;
2) Requisitos rigorosos de reserva
e auditoria funcionam como barreira de
entrada que protege quem já opera com
padrões elevados;
3) A regulamentação abre o mercado
institucional — bancos, gestoras e
empresas de pagamento —, que hoje evita
stablecoins justamente pela ausência de
um framework claro.
• Reduz: para quem entende que reduz
a atratividade, o motivo é o aumento da
burocracia no mercado.
• Aumenta e reduz: alguns entrevistados
enxergam um aumento e uma redução,
dependendo do horizonte de tempo ou dos
agentes do mercado, conforme detalhado
abaixo:
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
do Banco Central
Perguntas adicionais
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1) Horizonte de tempo: no curto prazo,
reduz a atratividade devido ao custo e à
complexidade. No médio e longo prazos,
essa atratividade tende a aumentar devido
à previsibilidade jurídica, à redução do risco
regulatório e à legitimidade das stablecoins
como parte do sistema ?nanceiro formal.
Isso destrava adoção institucional,
parcerias com bancos, acesso a grandes
volumes transacionais e uso em tesouraria,
pagamentos e FX corporativo;
2) Agentes do mercado: nesse caso,
existe uma redução da atratividade para
startups e aumento da atratividade para
bancos e usos em tesourarias.
• Nulo: para alguns entrevistados, no
momento não aumenta nem reduz, pois falta
arcabouço regulatório para padronização
operacional das stablecoins.
Considerando o cronograma de
nove meses a partir de fev/2026 para
enquadramento das instituições, em
qual estágio melhor se con?gura o atual
momento da instituição?
Você identi?ca oportunidades
para emissores que se adaptarem
rapidamente às novas regras?
50
%
Fase ?nal
10
%
Fase inicial30
%
Optou por não
responder
10
%
Fase
intermediária
40
%
Sim
20
%
Optou por não
responder
40
%
Não
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
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Os entrevistados que identi?cam a existência de
oportunidades argumentam que as instituições
que não se adequarem perderão liquidez; já
os primeiros que se adaptarem, entregando
um bom produto, podem obter uma fatia
signi?cativa do mercado. Adicionalmente, esses
emissores seriam vistos como players legítimos
e regulados com mais rapidez.
Outros pontos destacados foram:
• Captura do efeito de escassez
regulatória: como poucos emissores
conseguirão cumprir integralmente capital,
governança, reservas, auditoria e integração
cambial no prazo, quem se enquadrar cedo
passa a operar em um mercado com menos
concorrência e maior con?ança institucional;
• Parceiro preferencial de bancos e
?ntechs: instituições reguladas evitam
risco reputacional. Um emissor já
enquadrado se torna o caminho natural
para integrações com bancos, adquirentes,
bandeiras, marketplaces e plataformas de
pagamento que não querem construir essa
infraestrutura do zero;
• Papel de infraestrutura de FX e
liquidação: com o enquadramento
regulatório, stablecoins deixam de ser vistas
como exceção e passam a ser ferramenta
legítima de câmbio, tesouraria
e pagamentos internacionais, especialmente
para empresas médias e grandes;
• In?uência nos padrões de mercado:
emissores que se adaptam cedo tendem
a participar mais ativamente de consultas,
fóruns técnicos e de?nições operacionais,
ajudando a moldar práticas que depois se
tornam padrão para todo o setor;
• Construção de moat regulatório: o
investimento antecipado em compliance,
tecnologia e governança cria uma barreira
difícil de replicar por novos entrantes,
transformando regulação em vantagem
competitiva e não em custo.
Introdução
Metodologia aplicada
Visão geral
01 Proposta de valor
02 Modelo de negócio
03 Modelo operacional
04 Estratégia
05 Relação com CBDC
06 Resoluções
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Perguntas adicionais
Como será a competição entre stablecoins
reguladas e instrumentos tradicionais
de câmbio e pagamentos internacionais?
Para a maioria dos entrevistados, as stablecoins
acabam ocupando uma posição de maior
destaque, sendo consideradas um produto
superior. Fatores determinantes nessa
competição incluem velocidade, liquidez,
IOF e spreads.
Alguns argumentam que a competição
entre stablecoins reguladas e instrumentos
tradicionais de câmbio e pagamentos
internacionais será menos um confronto direto e
mais uma substituição gradual da infraestrutura,
como ocorreu entre TED e Pix. Esse cenário
seria da seguinte forma:
• No curto prazo, stablecoins competem onde
o sistema tradicional é mais ine?ciente.
Por exemplo, em pagamentos cross border
de menor valor, remessas corporativas
recorrentes, liquidação fora do horário
bancário e corredores emergentes com
alto spread e fricção. Nesses casos,
stablecoins reguladas oferecem liquidação
quase imediata, custo previsível e menor
dependência de bancos correspondentes;
• No médio prazo, a competição se desloca
para o backo?ce bancário. Stablecoins
passam a substituir partes do ?uxo
tradicional, como pre-funding, reconciliação
manual e contas nostro, enquanto bancos
e provedores de serviços de pagamento
(PSPs) continuam responsáveis pelo
relacionamento com o cliente, pelo
compliance e pelo ?nanciamento. O cliente
?nal muitas vezes nem percebe que a
liquidação passou por uma stablecoin;
• No longo prazo, o diferencial deixa de
ser preço e passa a ser arquitetura.
Instrumentos tradicionais baseados em
SWIFT e correspondentes bancários
tendem a conviver com stablecoins como
camada de liquidação mais e?ciente.
Bancos que integram stablecoins reguladas
ganham competitividade; os que resistem
perdem margem e relevância.
Destaca-se que stablecoins reguladas
não eliminam o sistema tradicional. Elas
reorganizam a cadeia de valor. FX, compliance
e relacionamento permanecem. Liquidação
lenta, opaca e cara tende a desaparecer. Em
síntese, a competição não é entre produtos,
mas entre modelos de infraestrutura.
Stablecoins reguladas vencem onde velocidade,
custo e programabilidade importam. O sistema
tradicional sobrevive onde crédito, balanço
e relacionamento ainda são essenciais.
Como sua instituição enxerga a relação
entre stablecoins e depósitos tokenizados?
As respostas indicam que stablecoins
e depósitos tokenizados são vistos como
conceitos em estágios diferentes de maturidade.
Percebe-se que as stablecoins já despontam
como a principal proposta do mercado no curto
prazo, enquanto os depósitos tokenizados
enfrentam maiores barreiras, especialmente
pelo alto investimento em infraestrutura exigido
das instituições bancárias.
Os depósitos tokenizados tenderiam a se
concentrar mais em liquidações no atacado
(wholesale), podendo, em certos casos, reduzir
ou até anular a função das stablecoins como
camada de liquidação.
Ainda assim, prevalece a percepção de que
stablecoins seguirão relevantes, especialmente
por seu maior alcance junto a clientes ?nais,
pela preferência dos usuários em deter o ativo
diretamente e por sua ?exibilidade para usos
como pagamentos e transferência de valor.
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Fabio Lacerda
Sócio de Financial Risk Management
da KPMG no Brasil
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Sócio de Financial Risk Management e Hedging Solutions
da KPMG no Brasil
rbauce@kpmg.com.br
Vinícius Rios
Especialista em Riscos Financeiros e Ativos Digitais
da KPMG no Brasil
viniciusrios@kpmg.com.br
Julia Rosin
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julia.rosin@abcripto.com.br
Diego Perez
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na ABcripto
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Diana Miranda
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na ABcripto
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Todas as informações apresentadas neste documento são de natureza genérica e não têm por finalidade abordar as circunstâncias de um indivíduo ou entidade específicos. Embora tenhamos
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Os serviços descritos neste material, no todo ou em parte, podem não ser permitidos a ser
prestados a clientes de auditoria da KPMG e suas a?liadas ou entidades relacionadas.
Ltda., uma sociedade simples brasileira, de responsabilidade limitada e firma-membro da organização global KPMG de firmas-membro independentes licenciadas da KPMG International Limited, uma empresa inglesa privada de responsabilidade limitada. Todos os direitos reservados. Introdução Com o avanço da tokenização e da infraestrutura baseada em blockchain, as stablecoins vêm se consolidando como um dos principais pontos de convergência entre o sistema ?nanceiro tradicional e o ecossistema de ativos virtuais. Ao combinar a e?ciência operacional das redes distribuídas com a estabilidade de moedas ?duciárias ou ativos de baixo risco, essas soluções têm sido utilizadas em pagamentos,...
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