FEBRABAN TECH 2026 | PAINEL - De olho na contabilidade climática
Sumário Regulatório
A transição verde depende de métricas claras. Padrões contábeis internacionais (ISSB), taxonomias de finanças sustentáveis, disclosure obrigatório e mercados de carbono confiáveis definem como o capital é alocado. Como harmonizar regras nacionais e internacionais? Como garantir integridade, rastreabilidade e transparência dos créditos de carbono? Qual o papel dos bancos na originação, custódia, verificação e precificação desses ativos? E como evitar greenwashing em um ambiente regulatório em evolução acelerada?
Palestrantes:
Beatriz Secaf - BNP Paribas
Fabiana Costa - Bradesco
Fabiana Ferreira da Silva - Banco ABC Brasil
Janaina Dallan - Carbonext
Nathalie Vidual - Ministério da Fazenda
Moderação:
Ricardo Gandour - Jornalista
Transcrição e Conteúdo
Boa tarde, quase boa noite a todas e todos. Vocês me ouvem bem, gente? Legal, gente. Olha, é um prazer tá nesse encerramento aqui do do auditório verde do do Febrabante neste dia de hoje, falando de uma novidade, né, que já se consolida aí ao longo dos últimos anos, que é o mercado de carbono. A gente sabe que a transição verde tá aí, tá acontecendo, mas ela ela precisa de métricas claras, até por...
Boa tarde, quase boa noite a todas e todos. Vocês me ouvem bem, gente? Legal, gente. Olha, é um prazer tá nesse encerramento aqui do do auditório verde do do Febrabante neste dia de hoje, falando de uma novidade, né, que já se consolida aí ao longo dos últimos anos, que é o mercado de carbono. A gente sabe que a transição verde tá aí, tá acontecendo, mas ela ela precisa de métricas claras, até porque para que o mercado funcione de forma estruturada. E o Brasil já deu alguns passos importantes nessa direção. O o as regras estão aí, né? E segundo estimativas do próprio setor, é um mercado que pode movimentar até 2030 bilhões de dólares e chegar a 300 bilhões de dólares em 2050. É, ao mesmo tempo, é um mercado que, como todo mercado estruturado, exige estruturação, exige métricas, exige regras claras. E nesse contexto, no olhar dos bancos, eh eh a lei determina que os créditos de carbono sejam escriturados por instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central, o que coloca o setor no centro da custódia desses ativos, além dos papéis que já vem e assumindo na originação, na verificação e no futuro na precificação desses créditos. um futuro que se aproxima aí a passos largos. Ao mesmo tempo, esse debate sobre como padronizar dados, né, ter essa taxonomia, essa taxonomia clara e e reaccende, por exemplo, a discussão do papel da CVM eh em todo esse mercado. que é sobre esse conjunto de dados e e fatores que vão convergindo métricas, taxonomias, disclosure e e esse mercado que começa a ganhar corpo, que eu tenho o prazer e a satisfação de estar aqui hoje com cinco colegas, amigas, conhecidas, mulheres que com quem eu tenho convivido mais e menos. Eu vou começar a chamar eh aqui começar pela Fabiana Costa, Red de sustentabilidade do Bradesco. Fabi Costa. E já que estamos com as Fabianas, a Fabiana Silva, Fabi Silva, Red de SG do Banco ABC Brasil, a Beatriz Secaf, red de sustentabilidade do BNP Parbá, Bia. Então, temos a Fabi Costa, a Fabi Silva, a Bia, a Natalie Vidual é a coordenadora geral de registro e infraestrutura de mercado do Ministério da Fazenda. Bem-vinda, Natalie. E a Janaína da Lan, cofundadora e presidente da Carbonex. Jana, prazer te rever. Por favor, pessoal, podem sentar e eu vou dar início aqui a essa roda de conversa sobre esse mercado muito especial e que cada vez mais tem atraído a atenção do meio ambiente, do setor financeiro, dos investidores e do público em geral que quer saber como é que isso tá funcionando, como é que isso tá se estruturando. É, eu vou começar, gente, assim com uma rodada eh eh entre vocês todas eh entre métricas, sustentabilidade, taxonomias, um mercado ainda em construção. Na opinião de vocês, eu queria começar com uma pergunta bem aberta, né? Quais são os pilares essenciais para que essa transição verde avance com diligência, com resiliência, com confiança especificamente e com métricas adequadas? Fabi Costa do Bradesco. Eu queria começar por você, amiga, por favor. >> Perfeito. Obrigada, Ricardo. Boa tarde a todos e todas. É um prazer estar nesse painel, finalizando o dia no evento de tecnologia e inovação, mas falando de sustentabilidade, que é uma pauta super importante ao lado aqui de amigas, né, de mulheres, como o Ricardo bem disse, empoderadas e que trabalham muito em prol dessa agenda. E excelente começar pela sua pergunta, porque ela ela traz muitas reflexões, né? Eu acho que todas nós aqui estamos nessa jornada de sustentabilidade há muitos anos e acompanhando um amadurecimento desse conceito, desse tema, onde a sustentabilidade ela sai do quali pro quant, ela está cada vez mais associada a uma agenda estratégica, como a visão de riscos e oportunidades. E todo esse contexto de arcabolso regulatório, de framework, de taxonomia, ele vem também para qualificar tudo isso que a gente tá falando, né? Então acho que hoje qualquer empresa da economia real ou aqui setor financeiro, a gente tem que ter diretrizes e direcionamento para ter um norte ali de uma estratégia de sustentabilidade. E estar respaldado por essas taxonomias, ela ajuda a nivelar também o mercado e a qualificar análises. Então aqui eu represento o Bradesco, o nosso core é financiamento, né? Então o nosso dia a dia ali é fazer financiamento para para empresas. E quando a gente fala dessa pauta de sustentabilidade, não é o dia a dia da empresa. A empresa ela também tem um desafio de ser aculturada, de desmistificar ali o conceito e como isso conversa com a estratégia de atuação. Quando a gente tem esse arcabolso, esses frameworks, a gente consegue também apoiar as empresas. Então o nosso compromisso, além de fazer uma operação, além de fazer uma transição financeira, é também apoiar a empresa a construir essa estratégia. Então vou exemplificar aqui pela atuação do Bradesco. A gente tem hoje um time dedicado em negócios sustentáveis e mudanças climáticas que a gente constrói toda essa atuação com os nossos clientes, com as empresas, para que ela comece entender a sustentabilidade não como uma agenda de custos, mas como uma agenda de oportunidades, uma agenda ali que apoia a mitigação de riscos. E a gente para tudo que nós vamos fazer traz esse parâmetro de todas essas taxonomias e regulamentação. E o que que eu acho também muito positivo disso é o nivelamento do mercado, né? Então quando a gente tem toda esse esse arcabolso, essas diretrizes, você nivela o mercado e todos caminham pro mesmo objetivo e você tira a simetria de informação. Isso facilita muito também uma análise de crédito, uma análise de estruturação financeira, uma captação internacional. Então é essencial esse movimento que a gente tem vivido. Eu acho que o Brasil ele tá muito bem posicionado. A gente, né, muitas de nós aqui estivemos na London Climate Week, a gente acompanha várias agendas internacionais e às vezes a gente sempre acha que a grama do vizinho é mais verde que a nossa. E quando a gente conversa com os bancos internacionais, a gente percebe que o Brasil tá muito avançado, né? Que a gente tem sido sim protagonista nessa agenda. a gente tem eh tomado à frente de muitos fatores, nosso Banco Central, né, CVM, vários vários players relevantes apoiam isso e eu acho que isso reflete muito na nossa atuação. Então, acho que para resumir aqui é é muito importante que todos enxerguem, entendam a sustentabilidade de forma quantitativa. falar de contabilidade do carbono, né, um pouco do tema do nosso painel, é isso, como a gente entrega valor não só num discurso, mas numa prática e numa agenda de implementação que conversa com a estratégia de negócios. >> Obrigado, Fabi. Eu vou rodar então para um player, a Carbonex. Janaína, queria te ouvir, Jana, esse trem tá saindo da estação, né? Esse avião começa a decolar. Como é que a Carbonetics tem tá vendo esse esse essa construção desse novo mercado? Essa é a primeira pergunta aqui pra gente rodar depois nos detalhes, mas uma visão geral da Carbonct. Jana todas aqui vai >> estão ouvindo >> agora? Sim. Eh, obrigada, obrigada a todos e todas aqui. É um prazer estar com com vocês aqui tão queridas que eu já conheço várias de longa data, enfim, nessa construção de mercado. Então, a gente tá realmente, Ricardo, né? Eh, tivemos uma construção do mercado de carbono, né? Então eu trabalho com esse tema desde 2002, então mais de 20 anos já nessa agenda. Eu já vi o mercado ficar muito grande. Ele foi o mercado punjante em 2006, mais ou menos 2007. Teve eh o Brasil participava bastante com projetos eh que eram eh chamavam MDL, né, mecanismo de desenvolvimento limpo. E a gente vendia muitos projetos pro mercado, eh, que era dos países desenvolvidos. Então, nessa construção, a gente depois teve uma queda muito grande com a com a crise financeira. Então, ele derrubou os mercados, né? As empresas queriam mais eh focar nos seus business e ficar em pé e aí deixaram de lado essa questão de bater metas climáticas, etc. Tudo isso voltou, a gente teve uma grande volta, né, em 2019, 20, mais ou menos. Eh, e eu, como eu sempre gostei do tema, eu sou engenheira florestal, eu sempre puxei isso, eu continuei nessa agenda, né? não saí e continuei fazendo projetos que geravam crédito de carbono. Eh, então agora a gente vê, né, toda essa essa junção, né, o governo colocando atenção nisso, o governo entendendo que a gente precisa cumprir metas do acordo de Paris, que o mercado de carbono é sim uma das oportunidades pra gente fechar essa contabilidade, né? Como a gente vai bater metas, como que isso vai funcionar? O mercado de carbono tem esse papel de fazer parte dessa contabilidade, eh, contabilidade climática, no caso. Eh, os bancos têm uma função muito importante, né? São os grandes financiadores aqui de muitas iniciativas, eh, compram crédito de carbono, também ajudam também a formar novas métricas para que tudo seja comparável. Então, eh, eu acho que esse passo que a gente tá dando agora de uma contabilidade climática, onde a gente tenha dados e métricas comparáveis, que as pessoas consigam entender e comprar esses créditos, eh a gente vai discorrer mais de de como isso pode ser de uma forma eh correta, de uma forma segura. E os bancos tentam, eles trazem essa, né, esse essa ponta aqui de falar, nós entendemos, nós vamos conseguir inclusive colocar nos nossos balanços, o que é super importante, vai ser algo auditável, já é por uma outra perspectiva, mas vai ser também pros bancos e o e o governo também, acho que a Natalie vai falar aqui bastante pra gente como que tá vai funcionar essa arquitetura do mercado e como cada player vai ter o seu papel aqui nesse nesse mercado que tá amadurecendo, na minha opinião. né? A gente chegou num num momento aqui de de bastante amadurecimento, muita conversa, a gente tem eh muito diálogo com todos os setores, o que é muito positivo para que o mercado realmente aconteça e seja algo punjante aqui pro nosso país. >> Obrigado, Janaína. E você adivinhou? Passa o microfone pr pra Natalie Vidual que Natalie, eu queria exatamente que você trouxesse essa visão, né, de infraestrutura e de registro do Ministério da Fazenda. como esse outro ângulo da cadeia produtiva, como é que você tá vendo esse mercado em construção, desafios, que que mais tá te chamando atenção, que mais tá te impressionando? Enfim, uma uma primeira visão geral pra gente rodar aqui? >> Tá ótimo. Os desafios são muitos. Acho que eu posso falar 30 minutos sobre eles, mas eu vou poupar aqui a audiência. Pessoal, boa tarde. É um prazer participar do Febrabante mais um ano. Eu tô aqui hoje representando o Ministério da Fazenda. a minha secretaria tá responsável por regulamentar e implementar o sistema brasileiro de comércio de emissões, que é o nosso mercado regulado de carbono, né? Eh, vou trazer uma perspectiva então de formulador de políticas públicas. E para essa lógica aqui, eu gosto de começar dizendo que para formular políticas públicas, a gente precisa também construir uma base de dados que seja crível, que seja confiável. Quanto melhor é a base de dados, melhor é a política pública, melhor a implementação da política, o desenvolvimento da política e eventualmente a correção de rotas, se for necessário, porque vai ser uma decisão baseada em evidências. Então, o primeiro grande marco na regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões é definir quais são os setores que vão ser cobertos dentro do nosso mecanismo de cap and trade. A partir dessa definição, a gente já começa a conseguir avançar nos frameworks de plano de monitoramento e plano de relato de emissões de gases de efeito estufa desses operadores. Por que que isso é importante? Porque esses documentos é que vão construir a base de dados que eu tô falando, de informações para que a gente consiga fazer uma contabilização precisa das emissões de gás de efeito estufa dos agentes regulados, que são aqueles abarcados pelo mercado regulado de carbono. Com base a partir da construção dessa base de dados, a gente consegue avançar ainda mais, a gente consegue entender qual vai ser o cap, o limite de emissões do nosso sistema. a gente consegue avaliar quem é benmark, quem não é, quem a gente consegue definir linhas de referência e a partir daí ir pensando em alocações de permissões de emissões pros operadores, né, conforme a necessidade de cada setor, a fim de estimular a descarbonização das atividades produtivas. Então acho que o isso, né, da política pública é pensar em ferramentas pra gente construir as bases de dados padronizadas, auditáveis, verificáveis, rastreáveis, fazer isso com segurança, com eficiência, porque é dessa forma que a gente vai conseguir auxiliar a tomada de decisão de investimentos e viabilizar o fluxo de capital para descarbonização. >> A gente vai voltar a esses detalhes, mas é fascinante, né? a gente vê a discussão de um mercado em construção. E aí, Beatriz, queria também voltar você como player, né? É a tua instituição, da mesma forma que a sua colega, que as Fabis aqui, eh, liderando sustentabilidade, que você nos nos contasse como é que a tua instituição tá vendo esse início. >> Obrigada, Ricardo. Bom, prazer tá aqui. Obrigada pela pergunta. Eh, bom, acho que eu vou ampliar um pouco o olhar aqui, né, do mercado de carbono, porque você comentou sobre contabilidade climática >> e os pilares essenciais quando a gente pensa em alocar a capital, né, paraa transição. E, e esse é um conceito bastante amplo, né? Então, a gente pode olhar por diversos ângulos, mas eh eu vou considerar aqui que a gente tá falando, né, de contabilidade climática como um conjunto de processos, de metodologias eh de métricas que vão eh permitir a quantificação do impacto, né, climático para que a gente possa fazer a transição. Então, acho que a primeira coisa assim, né, do que do que é essencial é a gente ter de forma muito clara qual que é o objetivo que a gente quer alcançar, né? Então, se aqui a gente tá falando de mitigação da mudança do clima, a gente tá falando de redução de emissões de gases de efeito estufa. E aí eu acho que o mercado de carbono tem um papel, né, como um instrumento que vai eh promover essa agenda e e promover a competitividade das tecnologias de de baixo carbono, né? Eh, mas eu eu queria só destacar que que nessa agenda de contabilidade climática de forma mais ampla, eu acho que então assim, primeiro passo, entender o objetivo, né? Se a gente tá falando de mitigação, se a gente tá falando de adaptação, se a gente tá falando de eh reparação de perdas e danos, né? Então, eh, nesse ponto, a taxonomia, eu acho que tem um papel muito importante, porque ela vai, né, a partir do objetivo, indicar, né, que tipo de atividades, que tipo de projetos e que tipo de ativos podem contribuir para atender aquele objetivo, né? Então, eh, eu acho que a gente para ilustrar podia pensar num exemplo, né? o o governo, acho que a maior parte aqui eh do público sabe, mas publicou em 2025, né, uma taxonomia sustentável brasileira que não tem um objetivo único climático, mas também trata de outros aspectos, né, ambientais e sociais, mas também trata do do objetivo de mitigação da mudança do clima. Eh, e aí indicou, né, para diversas atividades econômicas que tipo de projetos, que tipos de ativos podem contribuir para essa agenda. E aí, eh, desde que cumpridos determinados critérios, determinadas métricas, né? Então, eh, se a gente pegar, por exemplo, eh, produção de cimento, né, que que a taxonomia traz? Mas eu acho que isso é importante pro mercado, né, paraas instituições financeiras que vão alocar capital, né, para para que tenha esse esse impacto positivo. Eh, eu, né, olhei pro pro caderno da taxonomia brasileira, então lá produção de cimento, o que que, né, o que que que os produtores precisam ter para que possam contribuir pra mitigação? Eh, primeiro é quantificar as emissões de gasto de efeito estufa, né? Então, de acordo com padrões pré-determinados. Então, a taxonomia fala da ISO, o Ministério da Fazenda, né, agora vai eh dizer eh como que vai ser feito essa quantificação das emissões de gases de efeito estufa. Eh, depois indicar a percentual de matéria-pra renovável, né, utilizada no processo produtivo, quantificar eh o percentual de energia renovável no processo produtivo e atingir um determinado limite de emissão, né? Então, eu acho que ter essas regras eh da forma mais padronizada possível é um pilar muito importante para as instituições financeiras conseguirem atuar nessa agenda eh de mitigação e da, né, da contabilidade climática que que a gente tá falando. >> Obrigado, Beatriz. E Fabiana Silva, para fechar essa primeira rodada, queria que você trouxesse pra gente, então, fechando aqui essa esse primeiro ciclo, a visão do ABC Brasil. Eh, você que lidera a área de sustentabilidade desse mercado que já tá ganhando um corpo bastante definido, mas o desafios, visões do ABC Brasil, Fabi, >> não. Perfeito. Primeiramente é um prazer compartilhar esse painel com e para referências do mercado financeiro e um evento tão importante como a Febra Bantec. Eu acho que o bom de ser a última é que muita coisa já foi falada, mas eu queria trazer aqui uma visão complementar, né? Eu acho que o Brasil está neste momento passando por um momento muito interessante, né, marcado pelo avanço a na regulação, né, avanço na regulação, principalmente quando se fala em avanços climáticos e também por uma busca, né, por um disclosure mais padronizado. E isso naturalmente gera mais confiança no mercado. Então a gente tem avançado em várias frentes. Nós temos a adoção aos padrões de divulgação do IFRS S1 e S2, especialmente para o mercado financeiro que indiretamente impacta os nossos clientes, porque parte desse discloser inclui as nossas emissões financiadas, portanto, né, as emissões do nosso portfólio. Nós temos agora a implementação, né, da taxonomia sustentável brasileira, primeira taxonomia a nacional, a própria taxonomia da Febraban, que acabou de ser divulgada e já passa passa a ter um alinhamento ainda maior com a taxonomia brasileira. E a gente não pode esquecer também do da implementação do SBCE, né? A gente tem acompanhado muito de perto as discussões, participado das discussões para mim e a Jana, a gente, né, tem eh tem discutido bastante a implementação do mercado regulado de carbono, ela é chave na transição para uma economia de baixo carbono. E e para isso, que que é, eu acho que qual que é o desafio aqui? Essas agendas estão caminhando com momentos distintos de de aplicabilidade, de implementação. E o que a gente precisa é que esses dados eles não sejam apenas dados, sejam dados que sejam construídos a partir a de confiabilidade, comparabilidade e verificabilidade, né? A gente sabe que essa é uma agenda que os dados primários caminham muito próximo das estimativas e tudo bem, eu acho que é é um processo, mas é importante que cada vez mais a gente traga a transparência pro mercado daquilo que de fato é dado primário, daquilo que são estimativas, quais são as premissas e a partir daí, né, qual que qual suas limitações. Então, se eu pudesse definir aqui um pilar fundamental para que a gente consiga eh com muita segurança alocar capital na transição verde, eu diria que o principal pilar é dados, mas dados confiáveis, comparáveis e verificáveis. >> Muito obrigado, Fabiana Silva. E aí eu queria voltar então, já que fechamos essa primeira rodada. Natalie, você me deu um gancho agora a pouco. Eu queria que você entrasse um pouco mais em detalhe, que a gente acha importante para esse mercado em construção, né? Quer dizer, a tua secretaria lida com essa com essa questão da da do registro da construção do registro central do SPC do do SBCE, né? a infraestrutura que vai e eh eh eh organizar essas cotas brasileiras de emissões, o certificado de redução ou remoção verificada. E e a secretaria tem dito, a gente tem acompanhado que é uma agenda ainda, ainda em construção, que novos ativos devem aparecer, mas eu queria que você trouesse pra gente qual desses dois pontos, a infraestrutura de registro ou a padronização da linguagem dos ativos que tá merecendo maior atenção por parte da tua secretaria, Natalie. Os dois assuntos estão caminhando ao mesmo tempo, de forma eh complementar e paralela. A gente tá desenvolvendo, a gente tem um GT financeiro ali dentro da governança que tá implementando o SBCE. E esse GT financeiro, ele foi pensado para eh entender quais são as propriedades essenciais de cada um desses ativos, como eles devem se comportar e quais são suas características para alinhá-los. eh valores mobiliários, que é a definição da natureza jurídica, conforme dada na lei 1542. Então, a partir eh eh da compreensão quais são as propriedades essenciais desses ativos, quem é o emissor primário, quem é o público elegível acessar esses ativos, como ocorre a originação? Como deve ser o ambiente de transação entre eles, qual é a forma de uso, aposentadoria, cancelamento para conciliação periódica. Entender tudo isso é importante para que a gente faça o melhor desenho possível do registro central. Vai ser um registro centralizado, uma espécie de livro de escrituração, um livro mestre. Então, esses ativos nascem dentro do sistema de registro central, eh, que vai fazer todo o controle de titularidade, propriedade desses ativos por todo o ciclo de vida deles, desde a originação até o uso final. Isso quer dizer que passa pelas transações também. Eh, e a parte das transações, a gente precisa entender como é que vai estar essa interconexão com o mercado financeiro, com o mercado de capitais. Então, CVM também tá atuando bastante com a gente para fazer essa essa coordenação e harmonização da regulamentação, né? Então, assim, tanto registro como entender, como melhor padronizar esses ativos para uma linguagem de mercado financeiro, de mercado de capitais, é extremamente importante. As duas coisas elas não podem caminhar separadas, né? porque uma é reflexo da outra. Então, no nosso GT financeiro, a gente tem essas frentes, elas estão sendo trabalhadas de forma complementar e de forma concomitante. >> Perfeito, muito obrigado, Natalie. E isso, bom, é muito interessante, né, gente? A gente vê a discussão de um mercado em construção. E é por isso que agora eu queria então ouvir dos três bancos aqui representados, não é? uma questão eh que a gente falou um pouco na abertura do painel eh o quer dizer o papel dos bancos nesse nesse mercado junto aos seus clientes. Fabi Costa, queria começar por você aqui do meu lado, pelo Bradesco, né? O Bradesco tem tem reforçado essa atuação eh para apoiar os clientes e digamos nessa jornada da descarbonização, né? Como é que o que o banco tá tá tá vendo a evolução, inclusive olhando pros clientes, né? E e que oportunidades vocês têm visto para conectar ativos ambientais, financiamento, gerando valor paraa economia real, quer dizer, tornando a coisa palpável na vida prática do cliente? >> Não. Excelente. Eu começando aqui, eu queria trazer muito a questão da jornada, né? Assim, acho que a gente tá discutindo uma agenda super técnica de ciência, mas quando a gente olha hoje o Brasil e a economia real, nós temos estágios muito diferentes de empresas. Eh, o Bradesco é um banco múltiplo com uma atuação de portfólio super diverso. A gente tem clientes internacionais e tenho clientes locais pequenos. Quando a gente olha o nível de conhecimento desses clientes, eles são muitos muito dispares, né? Então eu tenho clientes ali com times de sustentabilidade formados e que a gente consegue falar o tecniquês na mesma linguagem, mas eu tenho cliente que nem sabe o que que a gente tá falando. Eu acho que o setor financeiro ele tem um papel primordial de também conscientizar e trabalhar esse engajamento nos diferentes níveis de clientes. Se nós estamos falando de economia real, eu preciso que a economia real ela esteja preparada para atender todas essas demandas regulatórias. Então, acho que aqui tem uma etapa de preparação. Depois dessa etapa de preparação, acho que a gente tem uma etapa que é super importante de conexão do que nós estamos trazendo com a estratégia desses clientes. O cliente que ele é cadeia de valor, ele vai ter um nível de maturidade. O cliente que ele é global, ele tá sujeito a regulamentações internacionais, ele já atende uma série de questões e eu preciso conectar esses dois, né? Como eu retroalimento tudo isso? Então nós no Bradesco a gente tem trabalhado muito forte com os nossos times comerciais, tanto a conscientização, engajamento, letramento mesmo dos clientes, quanto dos nossos comerciais, porque não é trivial você falar de sustentabilidade numa abordagem comercial, mas hoje ela é vital e essencial porque a gente tá falando de uma agenda de negócios e de construção. E diante disso, eu também gosto de trazer muito que a gente não tá falando de um produto de prateleira, né? Eu não oferto um produto de prateleira pro cliente. A gente tá aqui discutindo tayor made. >> Taylor made totalmente. A gente tá aqui na febrabante discutindo futuro, inovação, tecnologia, sustentabilidade é a mesma coisa. Não adianta eu ter a ilusão de que eu vou ter ali um portfólio de produtos de prateleira e que isso vai se adequar a todos os meus clientes. Muito pelo contrário. E nem deve ser. Eu acho que a gente tem muito esse esse compromisso de trabalhar isso teror medio com os clientes e trabalhando isso de novo, conectando à estratégia. Não adianta uma empresa, né? Acho que a Bia trouxe alguns setores, uma empresa, por exemplo, automobilística, a gente fazer uma operação para ela que não tá ligada ao core, a materialidade, a descarbonização. E como a gente leva isso pra empresa numa abordagem não de custo, mas de oportunidade. E isso é super desafiador, Ricardo, porque a gente trabalha muito o sob medida empresa a empresa e com compromisso ali de gerar negócio. Em 2021, a gente estabeleceu no Bradesco uma meta de negócios sustentáveis, muito para levar isso de forma mais ativa pros nossos clientes. A, o nosso target inicial era 250 B até dezembro de 2025. A gente ultrapassou essa meta muito antes do prazo e estendemos para 450 BI. >> E o que que foi muito bom para nós, né? Porque a gente percebeu que existe o apetite por parte da economia real, por parte das empresas, mas nós temos esse papel também como instituição financeira de levar isso de forma mais assertiva e estratégica. Então acho que respondendo aqui de forma resumida a sua pergunta, né, trouxe essa contextualização, é uma jornada, >> é uma jornada que o setor financeiro ele impulsiona. A gente tá muito ativa aqui, eu acho que hoje, né, a gente tem muitos programas como o próprio Ecoinvest, o Bradesco é o banco privado ali presente em todos os leilões do Ecoinvest. Mas cada leilão, cada etapa, cada construção é uma jornada de muito aprendizado e a gente aprende muito com a economia real. >> Perfeito. Obrigado, Fabi. Eh, queria passar pra Bia. Bia, eh, quando a gente se preparou aqui para esse painel, né, foi citado que o teu, tua instituição já negociou créditos de carbono no mercado secundário internacional, uma operação que acho que envolveu o Banco do Brasil, Standard Chartered. Eh, pergunta para você, assim bem pontual, qual é o papel da custódia e da verificação rigorosa? Eh, a gente sabe que é da importância disso, mas para atrair o capital estrangeiro para os artigo para os ativos de carbono do Brasil. >> Eh, bom, você falou dessa operação, né, que o BNP fez. Eh, o o bom, o BNP é um um banco global, né, com sede na França e e a gente atua já, né, com mercados de carbono há muito tempo. Então, há mais de 10 anos, o banco tem uma mesa de negociação em Paris. Eh, e a gente tem na nossa carteira e tanto créditos de carbono de projetos proprietários, né? Ou seja, que o banco investiu, como eh créditos eh de terceiros, né, que o que o banco adquiriu para fazer a comercialização. Eh, então a gente atua bastante nessa frente de negociação. A gente também fundou uma plataforma, né, que é a Carbon Place, junto com outras instituições financeiras. Eh, e a gente também oferece soluções, né, para desenvolvedores de projetos, tanto de dívida como de equity, para e que tem, né, como parte ou a totalidade das suas receitas o a geração de crédito de carbono para poder, né, viabilizar esses projetos. Essa operação que você citou, Ricardo, ela foi realizada em 2023. >> Perfeito. >> E foi de um projeto na na Amazônia de desmatamento evitado, né? e o banco então vendeu esses créditos pro Banco do Brasil, que eh na época inaugurou eh essa linha de negócios, né, e fez a comercialização pro para outra instituição. Eh, mas eu acho que é interessante a gente fazer aqui essa reflexão do por que esses projetos não acontecem em maior escala, né? Então, falando aqui até do ponto de vista de um banco europeu, né? Por que que a gente tá falando assim, isso poderia acontecer muito mais, né? Por que que esse capital não tá vindo de de em maior escala? Eh, e aí eu acho que uma parte da resposta tem a ver com dificuldades relacionadas ao mercado de carbono voluntário, né, de forma geral. E aí eu acho que a Janaína pode aprofundar, né, mas a gente tá falando de créditos que são heterogêneos, a gente tá falando de oscilação de preço, eh de dificuldade de ter metodologias que são reconhecidas internacionalmente, mas que também consideram as particularidades locais, né? Então acho que tem custo de observância, de verificação, enfimo. >> Mas eu acho que aqui no Brasil, >> só só para concluir, eu acho que eu queria reforçar que a gente precisa, existe uma, né, falando do ponto de vista de uma instituição eh global, existe muitas vezes uma percepção de risco eh que muitas vezes que pode ser real, mas pode ser percebida também, né? E aí eu acho que é importante um esforço eh de nós todos aqui, né, como país para eh diferenciar os bons projetos dos projetos que não têm tanta eh integridade, né, e conseguir atrair esse capital, porque o Brasil tem o potencial de ofertar, de ser o maior, né, ofertante de crédito de carbono de origem de natureza. Então, eu acho até que o o mercado de carbono regulado, ele vai ter um papel importante nessa nessa agenda, na medida em que vai também reconhecer determinadas metodologias, né, reconhecer determinados eh créditos de carbono do mercado voluntário e que vão poder ingressar no mercado regulado. Eu acho que esse processo também pode ajudar, né, nos ajudar na reduzir essa percepção de risco em relação aos projetos aqui no Brasil. Perfeito. Super legal você ter trazido essa essa experiência, né, de uma instituição global, eh, e com olhar brasileiro. E essa experiência, esse projeto não me lembrava que era de 2023, quer dizer, recente ainda, mas já tem um tempo aí e a história tá tá seguindo, né? E aí, para fechar esse esse ciclo aqui com as três instituições, eu passo para Fabi Silva e com olhando então de novo o ABC Brasil, né? Eh, diante desse desafio de novo, da padronização do dos dados climáticos em todo esse contexto corporativo, Fabi, como é que o ABC Brasil tá começando a estruturar soluções de descarbonização para seus clientes e e e o entorno disso tudo na sua visão? >> Não, perfeito. O ABC Brasil, ele busca impulsionar seus clientes na transição para uma economia de baixo carbono através de soluções, soluções, como a Fabi disse, personalizadas, né? E a nossa estratégia, ela está pautada em três frentes muito bem definidas: dados, soluções e capacitação. Em dados e dados é de fato o nome, né? Em dados, olhando visão banco, nós temos avançado, né? Temos avançado, nós conseguimos, né? Tanto internalizar como automatizar o cálculo das nossas emissões financiadas. Isso nos permite ter visibilidade dos nossos clientes, carbono intensivo, dos nossos setores, carbono extensível, seguindo a metodologia do PICEF, né? Metodologia globalmente utilizada por instituições financeiras e isso faz com que a gente tenha acesso quase que em tempo real quanto que o banco está emitindo indiretamente ao financiar um determinado cliente, ao financiar um determinado setor, né? A, essa inteligência de dados também passa paraa visão cliente. Nós temos a apoiado os nossos clientes na mensuração das suas emissões a diretas e indiretas e nos seus planos de descarbonização. Então a gente acaba sempre trazendo que inteligência de dados hoje é a base da nossa estratégia de descarbonização. E o objetivo aqui é conectar a partir disso, a partir desses dados clientes à soluções a personalizadas que corroborem com a descarbonização. Em 2025 nós estruturamos uma mesa de soluções de descarbonização. Essa mesa de soluções, ela ela ela cobre toda a jornada de descarbonização do cliente, considerando a sua maturidade, considerando o seu setor, quais são os impactos regulatórios a neste setor. e ela passa por desde o entendimento de apoiar o cliente no entendimento das suas emissões, né, importantíssimo, no desenvolvimento de planos de descarbonização e aqui potencialmente por acesso a linhas de financiamento, tanto a direcionadas próprias como linhas de repasse como o BNDS, né, o fundo clima FG Energia, o próprio Ecoinvest, como a Fabi trouxe, importantíssimo, né, traz uma estrutura de blended financing com o capital estrangeiro para financiar a a transformação ecológica e também temos trabalhados trabalhado em produtos, em soluções personalizadas, como por exemplo o CDC e a CPR carbono compensado, que foram soluções, a primeira para atender uma demanda específica do setor de transporte e logística e a outra conectando, né, o setor do agro à descarbonização. A gente não pode deixar de novamente, né, de trazer um mercado de carbono. Parte dessa jornada, ela também traz a o acesso aos nossos clientes a crédito de carbono de alta integridade no mercado voluntário. A Carbonexo é um dos nossos parceiros também para isso. E do ponto de vista do gerador, a gente tem apoiado nossos clientes, potenciais geradores de crédito de carbono, para estruturação e desenvolvimento dos projetos. E por último, né, a tudo isso passa por capacitação, é um mercado novo, é um mercado em desenvolvimento, né? Ah, e os bancos, eu acho que parte do nosso papel é aproximar os nossos clientes dessa agenda, é pegar na mão dos nossos clientes para essa agenda, tentando traduzir, né, não só os riscos, né, mas também trazer as oportunidades, porque tem bastante. >> Perfeito. E já que você citou a Carbonect, eu vou vou voltar pra Janaína que a gente se prepara aqui pro painel, viu, gente? Mas na hora a coisa pinta assim, a gente a gente improvisa também. Mas Jana, eh, a Carbonex tem falado muito, né, que nós já estamos num numa nova temporada dessa série, que a busca agora é por integridade, né? Eh, como é que vocês têm visto? Você, eu sei que você tem falado muito sobre isso na imprensa, eu tenho acompanhado, mas traz pra gente aqui a síntese dessa visão. Eh, o que é que, eh, como é que você tem visto o mercado brasileiro e, e, e, e o que é que garante hoje que nós estamos construindo um mercado rastreável e íntegro. Obrigada, Ricardo. Eh, ótima pergunta. A gente passou realmente, né, o mercado, como eu falei, ele tava numa evolução. A gente chegou aqui numa maturidade, né? O mercado voluntário, então, ele sempre eh existiu, independente de ter mercados regulados ou não no mundo, ele sempre existiu paralelamente, né, voluntariamente, como a própria palavra diz. Então, empresas que queriam compensar suas emissões de forma voluntária compensavam. Eh, isso sempre existiu. A Carbonex, ela acompanhou toda essa evolução, né, uma empresa que já tem 16 anos no mercado e e a gente vê toda essa parte, né, de tecnologia sendo aplicada. A gente tem toda a parte agora de um monitoramento que a gente chama de carbonai, que ele mistura, né, todas as imagens satélite que são disponíveis publicamente. A gente eh trata essas imagens, né? a gente eh desenvolveu um um iá, né, que um robozinho que lê essas essas essas imagens que a gente quer, traduz pro que a gente precisa, que no caso de preservação de floresta é eh l desmatamento e degradação e fogo. E quando a gente tem um alerta disso, a gente consegue atacar super rapidamente. Então a gente consegue aplicar tecnologia avançada IA já em projetos, né? A Carbonex acompanhando toda essa evolução com o mercado regulado, né, de Cap and Trade sendo implementado no Brasil, também adquiriu parte de uma empresa que chama Mangtech, que tem toda a parte de tecnologia também aplicada paraa medição, né? Como vocês as pessoas vão medir o carbono da empresa? A gente precisa saber disso. Não tem como eh o governo cobrar se a empresa nem sabe quanto ela mede, né? enquanto ela atende a emissão. Então, também acompanhou essa evolução eh nesse questão, né, de de de métrica de mercado. Eh, outra evolução que aconteceu também no Brasil, como a gente é um país, né, com agricultura eh muito grande, tem muito projeto agora na questão de agricultura, de carbono no solo. Como você mede isso, né? Qual a tecnologia que você usa para medir carbono no solo? Como você evolui nessa medição? Então, a gente também eh adquiriu parte de uma outra empresa chama Natural Carbon para acompanhar toda essa evolução. Então, eu acho que o mercado foi evoluindo, a Carbonex foi acompanhando, foi cada vez mais colocando tecnologia nisso tudo, mas tem um grande problema de integridade, que foi sempre falado, né? Teve uma grande crítica de mercado de tipo: "Ah, esse crédito não é íntegro, esse crédito não vale." Eh, será que ele realmente evitou tudo isso de emissão que tá falando? >> Ah, é green washing. >> É green washing. Cadê a linha de base? e qual foi a linha de base que foi utilizada. Então, teve uma crítica muito grande no mercado que no final foi positiva. Por quê? Porque as metodologias evoluíram, não é? Mais agora o desenvolvedor que fala a minha eh a minha geração de crédito numa floresta é X, agora ela vem de fora. Então foram foram feitos mapas de risco, mapeando todo o risco do país em vários países, não só no Brasil, e agora vem de fora. Então a a integridade ela foi sendo construída ao longo desse tempo. Ela foi venda adquirindo tecnologia, adquirindo inteligência artificial, adquirindo eh evoluções. Eh, os países todos também já colocando suas regras. Regras são importantes, métricas são importantes. A gente precisa comparar banana com banana. Então, se eu comprar um crédito aqui no Brasil, precisa ser comparável com o crédito da Indonésia. Não dá para ser uma coisa totalmente diferente. Existem tipos diferentes, mas entre esses tipos você precisa comparar os mesmos créditos. Então essa evolução, né, de de integridade que a gente conseguiu alcançar agora com toda essa eh modificação das metodologias, entendimento do mercado, acho que o mercado também entende mais fácil agora um crédito carbono. Era muito difícil quando eu comecei, Ricardo, se você falar, mas o que você faz? Nem meu pai entendia o que eu fazia. É, mas que que você faz? Não tô entendendo o que você faz, filha. Eu tentava explicar, falei: "Ah, deixa para lá". É sustentabilidade. Falava: "Tá, tá tudo bem. O mundo melhor para todo mundo." Ah, então tá bom. Então eu acho que essa evolução foi muito importante aqui pra gente. Obrigado, Jana. Gente, a gente tá eh uma meta aqui de terminar um pouquinho depois das 6, tal. Fiquem conosco. Mas eu vou começar aqui a última rodada com uma pergunta que eu eu queria começar pela Beatriz. Eh, assim, eh, os ativos, né, do mercado de carbono, a gente sabe que ainda tem muita coisa para rolar, regulamentação específica da CVM e tal. Eu queria nessa última rodada ouvir de cada uma de vocês o que é que afinal falta na prática para que tudo isso deixe de ser, vamos dizer assim, uma promessa regulatória e se tornem realmente produtos financeiros líquidos com critérios claros de precificação. Vamos aterrizar para fechar o painel vida real, né? Eh, a gente sabe que não é fácil responder isso em do 3 minutos, que é o o pedido que eu faço aqui para vocês. Mas, Bia, queria começar por você. que é que falta na prática para aterrizar e virar produto líquido eh na vida real? >> Bom, acho que tem várias coisas que precisam acontecer, né? Então, acho que primeiro ponto é importante a gente entender que a existência de um ativo ambiental ela não garante a existência de um mercado, né? Então, >> bela frase, hein? >> É bela frase. >> Então, assim, eu acho que o primeiro ponto, a gente aqui falando do carbono, né? A gente tem um ativo ambiental, ele precisa ser quantificável. né? Ele precisa ser monitorável, ele precisa ser verificável. Então, esse ativo ele tem que ter uma integridade, ele precisa, a gente precisa conseguir monitorar e verificar. Eh, depois eu acho que a gente precisa ter regras claras para indicar como esse ativo vai ser comercializado, né? E aí, eh, geralmente, e como ele vai ser contabilizado também, né, nos balanços, enfim, das empresas, das instituições. Eh, e aí geralmente isso passa, né, pelo sistema financeiro. Então, esse ativo ambiental, ele vai ser um lastro para um instrumento financeiro, que pode ser um ativo financeiro, pode ser um valor mobiliário. Eh, e aí ele, né, vai seguir as regras e e vai e vai ser comercializado. Então acho que esse é um primeiro ponto, né? Ter um ativo com credibilidade ambiental, ter um eh um instrumento financeiro para comercializar e o e o por fim, que eu diria até mais importante, a gente precisa ter demanda e a gente precisa ter oferta, né? >> Eh, e aí a oferta precisa eh seguir esses critérios que eu comentei, né? Esses créditos precisam ter uma boa qualidade e a demanda a gente precisa pode ser de regulação, né? e aí o sistema brasileiro de comércio de emissões, eh, enfim, e outros mercados regulados, mas também, eh, a demanda pode vir do do mercado voluntário de demanda de investidores, da sociedade. Então, eu acho que oferta e demanda, né, é um um elemento importante aqui. >> Afinal, ativo tem que ser tradable, né? E claramente tradão do Bradesco, né? Eh, a tua visão, que é que tá faltando? Eh, a Bia já tocou em vários pontos, mas para que tudo isso se torne vida real, líquida e certa, eu >> acho que a Bia trouxe muito bem assim os pontos, contextualizando o contexto geral. Eu queria fazer, na verdade, uma provocação que eu acho que é começar do começo, né? A gente vai operar o mercado de carbono numa economia real. Se eu tô num contexto onde as empresas não nem sequer tem os inventários de gás de feito estufa, como a gente vai operacionalizar tudo isso? Então eu acho que a gente tem um desafio gigante de realmente trazer a teoria pra prática e fazer a economia real se movimentar. Eu acho que aqui é um desafio. O setor financeiro não vai conseguir fazer isso sozinho e eu vejo o mercado de carbono como uma etapa do processo. A gente tá falando de uma agenda de descarbonização. Então as empresas precisam entender a sua cadeia de valor, o seu impacto para que a gente comece. E daí você tem ali a parte de mercado de carbono, mas tem a parte também principal que é são as estratégias de descarbonização. >> Perfeito. Fabi Silva, nas discussões internas lá do ABC Brasil, que que você ouve, que que você diz e que para onde vocês apontam? Não, primeiramente eu acho que a regulamentação ela é fundamental, né, para ampliar a participação, né, de investidores, de fundos de investimentos no mercado de carbono, mas olhando além, eu acho que para que o mercado de fato ganhe escala, ganhe credibilidade, eh, é muito importante. Eu acho que tem três elementos que eu gosto de trazer, né? O primeiro dele é padronização de informação e transparência, né? Eh, um crédito de carbono, os créditos de carbono não são ativos homogêneos, né? Muit muitas vezes nós comparamos uma vem comercializamos crédito de carbono como tonelada, quando na realidade eu deveria estar verificando a qualidade, a integridade desses créditos, né? Claro que um crédito de carbono ele corresponde, ele representa uma tonelada de CO2 equivalente, é retirada, removida, enfim, da atmosfera, mas cada crédito de carbono tem a sua metodologia. tem a sua adicionalidade, tem os seus riscos e isso precisa ser precificado. E esse é o segundo elemento, né? Eu acho que é muito importante a uma precificação do risco, da qualidade, da integridade desse crédito de carbono. E por fim, não menos importante, uma infraestrutura, né, uma infraestrutura adequada que case, que converse, né, não só com os demais mercados internacionais, como também com mecanismos como Corcia, né, como o artigo sexto. Então, indo além, eu acho que para que a gente tenha um um mercado escalável, né, um mercado líquido, é muito importante que esses três elementos se conversem, né, e converjam junto com a regulamentação. >> Perfeito. É interessante nas respostas de vocês, a gente vai notando algumas palavras chave, né? E e a Fabi Silbo falou padronização. Bom, padronização no mercado que se quer tradable, acho que é quase tudo, né? Eu vou deixar propositalmente a Natalie, por último, a visão do Ministério da Fazenda, Janaína, na outra ponta da cadeia, né, dessa cadeia produtiva. E para vocês, que que vocês têm discutido, que que tá faltando? Qual é o perrengue para que esse mercado se torne ativo líquido na vida real? >> É, acho que os perrengues são muitos, desafios enormes também. Eh, mas a gente vê depois de toda essa essa crítica que a gente passou de mercado e para que seja um ativo líquido, né, que para que tenha liquidez mesmo, a gente precisa de demanda. A gente vê que a demanda ela hoje em dia é um ponto crítico, né? As pessoas têm um pouco de medo de comprar porque sai no jornal, porque fez green washing. Da onde que você comprou? Porque que você comprou, mas você não explicou direito. Aí vem uma um processo de litigância climática. Então, eu, eh, eu acho que toda essa, essa parte crítica, ela trouxe um medo, né, embutido nesses compradores, que eles deram passo para trás. Tanto que tem comprador que vem pra gente e fala assim: "Ah, eu vou comprar, mas não precisa deixar público, não, tá? Eu eu quero porque eu quero fazer mesmo." Que coisa, hein? >> É, não tem um receio, sabe, de colocar isso público, né? A Gol sofreu um processo, né? Porque comprou créditos e aí não sabia explicar da onde era e chamaram de green washing. Enfim, eh, então tem isso então pra gente quando você pergunta, né, qual que é o o perrengue atual para que seja algo que tenha liquidez mesmo, a demanda é um problema sério hoje em dia. Eh, eu acho que como a gente tá, né, nessa evolução, nesse amadodescimento, a gente tem o governo tem um papel importante agora para regular esse mercado, né, ter o voluntário, mas no nosso país a gente tem uma conexão especial ali, ter um vaso, né, comunicador entre voluntário e regulado. Então você traz também liquidez e e alguma alguma regra ali pro voluntário de uma certa forma, porque no nosso país foi colocado um pouquinho diferente, né, esse desenho todo. Então, eh, hoje a gente tá numa discussão muito importante, que essa questão dos ritmos, né? Como a gente vai vender internacionalmente esses créditos, né? E como o mercado voluntário vai se encaixar nisso, o Corsia, que é o grande comprador ali das das companhias aéreas, ele vai ter um um uma demanda agora de 600 milhões de crédito carbono e o Brasil tá fora por enquanto, porque a gente não tem regulamentação ainda, os ritmos não foram ainda estabelecidos quanto tem uma regulamentação sendo discutida, né, mas não tá ainda fechado esse esse tema. Então a gente precisa que isso aconteça. Quais metodologias vão ser aceitas? eh, qual a quantidade, eh, quem vai poder entrar. Então, e para que a gente realmente tenha essa liquidez, esse isso vire um ativo líquido, a gente precisa de tudo, que tudo isso aconteça e ao mesmo tempo e e comece a funcionar. Eh, no meu entender, a partir de 2027, né? E nessa regulamentação trouxe que era a partir de 2031. A gente perde o bonde totalmente. Se for 31, esquece. Um já já vendeu 600 milhões de toneladas e a gente não tá fora. Vai vender Indonésia, vai vender Índia e o Brasil não vai pegar esse bonde mesmo. >> Gostei do deadline, tem meta. Ótimo. E aí, Natalie, é inevitável que todo mundo olhe para você e diga assim: "Que que a secretaria, né? Que que o Ministério da Fazenda tá achando de tudo isso?" Natalie, você já pontuou alguns pontos, mas eu queria que você convergisse eh o que que tá faltando na na visão da secretaria para que tudo isso vire vida real, liquidativa, padronizada e tradable. >> A gente tem bastante trabalho, você viu, né? Tô vendo, >> tem que regulamentar todas essas frentes. Então assim, pro mercado regulado de carbono, a gente tem dois ativos oficiais que foram bem comentados aqui. As permissões de emissão, que são as cotas brasileiras de emissão CBE, e os offsetes oficiais, que são os créditos de carbono do mercado voluntário, que podem ser admitidos à inscrição no SBCE porque atendem uma metodologia credenciada que a gente chama de CRVE. os operadores do sistema, ou seja, os agentes regulados pelo SBCE, vão poder utilizar esses ativos para fins de comprovação dos seus das suas obrigações de descarbonização, vamos colocar assim, de uma forma mais simples, né? O compliance regulatório. Então, a gente tá criando essa demanda. Primeiro ponto, a demanda está sendo criada, pelo menos para esses agentes regulados, vão demandar tanto CBS quanto CRVS, que são os créditos de cabono convertido em offsets oficiais, né? E a gente tá também fazendo, então primeiro ponto, a demanda, trabalhando a questão da demanda pela regulamentação, ela vai acontecer e ela acontece para outros ativos ambientais também, como CBI, CS Saf que do CBI do Renova Bio e CSAF do ProBAV, que são políticas setoriais voltad ao ao setor de combustíveis. Então tudo isso se conversa também, né? E aí a gente tá estudando, tá fazendo mapeamento de ativos ambientais de forma geral para entender como que esses ativos todos eles se conversam e pensar em formas de dar escalabilidade, aumentar a negociabilidade e a liquidez desses ativos, né? Um primeiro grande ponto é ter eh um regime registral muito bem estabelecido. Paraa maioria desses ativos, a gente tem por lei a definição que eles de que eles precisam ser levados a registro e entidades autorizadas pelo Banco Central ou então em mercado de bolsa ou bocão ou depositário central autorizado pela CVM. Para todos eles, eu já tô falando de oito ativos ambientais. CBIO, CGOB, CSAF, CBE, CRVE, Crédito de Carbono, todos seguem a mesma linha. CBE e CRVE vão ter um registro centralizado. Então, todos têm registro e todos são passíveis de serem levados, listados e negociados em mercados de balcão, principalmente mercados de balcão, mercados organizados, né? Acho que isso cria um ambiente de segurança em que já tem uma supervisão, principalmente da CVM em cima desses mercados organizados paraa negociação desses ativos. Agora, a gente tem que, criando a demanda, fomentar a negociabilidade dos mesmos. E é isso que a gente tá estudando junto com a SVM, como é que a gente vai fazer. >> Que incrível, gente. São 18:08. Com isso a gente encerra aqui que não por acaso é o auditório verde onde estamos, né? Queria agradecer de novo em nome da Febraban, quem nos acompanhou aqui presencialmente, virtualmente e e essas cinco líderes e representantes das instituições financeiras, do governo e de um player do mercado de carbono. Muito legal ver vocês de novo. A gente sempre se encontra por aí. Muito obrigado. Obrigado a quem tá aqui e eu passo a palavra a você, Branca.
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