FEBRABAN TECH 2026 | PAINEL - Transition Finance: capital, competitividade e a transição energética
Sumário Regulatório
A transition finance redefine o fluxo de capital e coloca uma equação central: como descarbonizar sem perder competitividade. No Brasil, cresce a demanda por financiamento de renováveis, infraestrutura, hidrogênio verde e soluções industriais de baixo carbono, como retrofit, eficiência energética e captura de carbono. Quais instrumentos viabilizam essa transição nas empresas? Como bancos e investidores equilibram risco, custo e retorno ao incorporar critérios climáticos sem restringir setores estratégicos? E qual o papel de bancos, FIDCs, debêntures verdes, fundos soberanos, multilaterais e private equity na composição desse novo mix financeiro? Como bancos, FIDCs, debêntures verdes, fundos soberanos, multilaterais e private equity podem compor esse novo mix financeiro? Como alinhar riscos, custos e retorno em um ambiente de alta incerteza tecnológica e regulatória? Quais setores avançam mais rápido — e quais ainda travam por falta de mecanismos financeiros adequados?
Palestrantes:
Camila Ramos - CELA
Luciana Nicola - Itaú Unibanco
Priscila Specie - BNDES
Rafaella Dortas - BTG Pactual
Moderação:
Cintia Oller Cespedes - Febraban
Transcrição e Conteúdo
Boa tarde, sejam muito bem-vindos. Uma honra estar aqui moderando mais um painel. Eh, só para dar um pouco de contexto no nosso tema antes de convidar as nossas painelistas. O Brasil vive um momento de escala inédita da do no financiamento da transição energética. Segundo o Ministério da Fazenda, o plano de transformação ecológica já mobilizou mais de 500 bilhões de recursos públicos e privados de...
Boa tarde, sejam muito bem-vindos. Uma honra estar aqui moderando mais um painel. Eh, só para dar um pouco de contexto no nosso tema antes de convidar as nossas painelistas. O Brasil vive um momento de escala inédita da do no financiamento da transição energética. Segundo o Ministério da Fazenda, o plano de transformação ecológica já mobilizou mais de 500 bilhões de recursos públicos e privados desde o seu lançamento em 2023. O mecanismo Ecoinveste, que usa recursos públicos para reduzir o custo de crédito e mitigar risco cambial, já movimentou 140 bilhões em investimento privado. O mercado de capitais também bateu recorde. Em 2025, as debenchers lideraram as ofertas no mercado brasileiro com 492,8 bilhões captados, o maior volume setorial para energia elétrica com 119,8 bilhões. E segundo a Climate Bound Initiative, o Brasil é hoje o maior emissor de títulos verdes na América Latina e Caribe, com 30 bilhões em títulos rotulados. Ainda assim, o desafio central desse painel permanece. Como descarbonizar sem perder competitividade? A própria FEBRABAN, em relatório apresentado na COP 30 reconheceu que o setor bancário brasileiro tem papel central em direcionar esse capital, mas também que a combinação de instrumentos do crédito de fomento às debentures verdes dos fundos soberanos i private equity ainda precisa ganhar escala e sofisticação. Para debater esse equilíbrio entre risco, custo e retorno e quais setores avançam mais rápido ou ainda travam, chama ao palco Rafaela Dortas, sócio e responsável por ISD no BTG Pactual. Obrigada, Rafa. Priscila Especi, assessora senior da Diretoria de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança do Clima do BNDS. Obrigada, Priscila. Camila Ramos, CEO e fundadora da Cela. Obrigada, Camila. e Luciana Nicola, diretora de relações institucionais e sustentabilidade do Itaú Unibanco. Obrigada, Lu. Por favor, meninas, um painel só de mulheres aqui. Muito honrada em poder moderar essas mulheres que tanto me inspiram no dia a dia aqui do nosso trabalho. Bom, para começar, obrigada pela presença de todas vocês e eu vou fazer uma pergunta geral para todas. E aí eu gostaria de ouvir a visão de cada uma sobre o momento atual do financiamento de transição no Brasil. Na avaliação de vocês, qual é hoje o principal fator que decide se uma empresa ou um setor consegue ou não consegue viabilizar a sua transição? A disponibilidade de capital, o custo desse capital, o arcabolso regulatório, a maturidade tecnológica do próprio setor. Qual desses fatores vocês entendem que impacta mais? Rafa. Começando por você. Professoras, >> me ouvindo bem? >> Sim. >> É, é um prazer tá aqui. >> Agora falhou. >> Agora deu certo. >> Voltou. >> Deu >> prazer poder dividir esse espaço aqui com colegas que eu admiro tanto de tanto tempo. É bom, comentando um pouquinho. >> É, >> tá vendo? >> Tá falhando um pouquinho. Deixa eu ver >> agora. Estão me ouvindo melhor? Sim. Bom, a gente tá vendo eh muito desafio e onde que a gente consegue acompanhar muitos projetos no banco eh que tem uma escalabilidade legal, tem uma tecnologia que faz sentido, mas o que falta muito é o capital, é paciente, aquele capital que vai estar disposto a investir nesse tipo de projeto. Então a gente vê esse como um dos fatores mais decisivos, é claro, que é o mix de tudo que você colocou, tá C? Acho que o que a gente tem tem visto muito, né, o Ecoinvest, que tem trazido um capital eh mais competitivo para tecnologias e para projetos que tenham benefício eh de sustentabilidade. Claro, isso também tem contribuído e ajudado muito na discussão. Então, acho que uma resposta muito simples, eu diria que é mais o a estrutura de capital. >> Obrigada, Rafa. Priscila, a visão do BNDS pra gente, por favor. >> Boa tarde a todas aqui do palco de vida. Prazer. Boa tarde a todos e a todas que estão escutando a gente agora. Eh, muito bacana tá podendo falar depois de um ciclo tão promissor de financiamento abundante, diria assim, paraa transformação ecológica. Eh, nesse sentido, complementando um pouco do que a Rafaela falou, acho que tem um esforço muito grande para criar o a metáfora do Tettris aqui, né, assim, a gente tem todas as peças, acho que tem uma estruturação necessária paraa compatibilidade do dos diferentes bolsos, né, de financiamento e atores, mas eu também colocaria a a questão da bancabilidade. Acho que sim, ainda tem, a gente tem muito projeto, muito, o setor privado tá muito engajado na agenda, né, eh, nos diferentes setores, mas ainda a gente tem esse cuidado de do desenho do projeto que para acessar os diferentes bolsos, da maneira como tem sido demandada uma complexidade de diferentes eh espaços de financiamento, não só de um banco privado, público, nacional, multilaterais, catalítico. Então, a gente tá nesse patchworking, onde a gente precisa de todo mundo junto, desenhando os melhores projetos para acessar o recurso que a gente tem eh também combinado de diferentes espaços. >> Obrigada, Priscila. Lui, na visão do Itaú, o que que você traz pra gente? >> Acho que só para complementar um pouco do que as meninas já trouxeram, eh, eu acho que tem um fator também importante, eh, que é a informação que vem das próprias empresas, né? Eu acho que tem fatores internos e e fatores externos. Acho que no fator interno, principalmente, eh, as empresas entenderem a jornada da transição, eu acho que é um ponto inicial super importante. a gente olha, né, dados do Pacto Global de que menos do que 20% das empresas brasileiras fazem o inventário das suas emissões e que é o ponto de partida super importante aqui pra gente poder pensar no viés de risco, no viés de oportunidade, poder pensar eh de fato quais são os projetos, no que que tá ancorado, né, se esse processo de transição vai olhar substituição de matériapra, é é o processo de produção da empresa. É, são elementos super importantes que traz esse outro elemento aqui da bancabilidade, é, que a Priscila trouxe, né? Então, eh, esse dado da empresa, ela entender e obviamente a gente sabe que tem setores que são mais e menos desafiados no processo de transição, que tem respostas, outros não. Tem a questão de maturidade, né? no setor financeiro, nos bancos, a gente trabalha com os dados das empresas quando tem, quando não tem, quando a gente vai olhar o processo de transição da nossa carteira de crédito, eh ou a gente vai pensar eh eh quais são os mecanismos de mercado de capitais, ou quando a gente vai pensar em em pipeline para um Ecoinvest, eh às vezes a gente tem que pegar as emissões do setor e e acabar calculando ali o que seria a emissão daquela empresa, né? Então eu acho que esse é um ponto também eh importante que é a empresa entender a sua jornada, entender as suas emissões e a partir disso começar a pensar os usos dos dos quais são os instrumentos financeiros para isso. E quando o fator é externo, eu acho que o advoca-se, o diálogo com o poder público, que tem uma série de ferramentas, e também é importante, né? Mas eu acho que essa jornada de conhecimento que a empresa precisa fazer é um fator crítico também. >> Perfeito, Lu. Camila, por favor. Obrigada. Prazer estar aqui com vocês. Eh, bom, eu trabalho 24 anos com transição energética, né? E para mim, assim, a resposta pelo que eu acompanhei historicamente no setor e os movimentos é acabou regulatório, né? Então, eh, se a gente falar de de biocombustíveis, a gente teve o Proálcool, fez o setor, né, de de de etanol, ser lançado e crescer de uma forma relevante. Agora tá tendo esse mesmo setor, tá tendo um revel interessante e a partir da da publicação do do da lei do combustível do futuro. Ã, pras renováveis foi igual. Então, a inserção das renováveis no Brasil eólica solar veio de forma relevante somente após a introdução dessas fontes nos leilões regulados, né, de de energia renovável ou no começo era energia alternativa, teve pro info. Então foi também aquele boost a a partir do marco, né, do do da orca bolso regulatório. Ã, pra geração distribuída foi a mesma coisa. a gente teve lá em 2012 a resolução normativa 482, depois a 687 que instituiu e depois melhorou ainda as condições para pro sistema de de, né, de de compensação de energia. Então, o crescimento da GD, esses telhados solares, então que, né, que hoje aí é né maior fonte, né, de energia eh que mais cresce. Eh, e agora o setor de armazenamento de energia que a gente tá vendo nascer, né, nas baterias que vão aparente, né, tudo tudo indica, né, com com definido já pros primeiros dois leilões acontecerem agora em dezembro desse ano. E aí dá esse start também de forma relevante, então através de de arcabolso regulatório, sabe? E isso é pro bem e pro mal, né? Porque agora o que a gente tá vendo no setor e sofrendo aí na na pele, algumas indefinições eh eh regulatórias que tão levando aí a a uma dor muito importante pro setor de de energia renovável, que é o CTAilment, que aí são os cortos de geração, que estão impactando aí de forma muito relevante a viabilidade financeira de projetos existentes e e postergando aí investimentos em novos projetos de de geração renovável. Então eu votaria aqui acabou regulatório, >> não? Perfeito, Camila. Eu acho que essa combinação, né, uma pergunta mais aberta mesmo pra gente começar a aquecer aqui pro painel, mas acho que já pegou num num ponto da espinha dorsal e acho que é arcabolso regulatório combinado com política pública e incentivo, né, aí para para fazer essa roda girar de alguma forma. E aí eu vou começar a fazer agora umas perguntas um pouco mais específicas, começando aqui pela Rafa e pela Lu, porque como vocês são lideranças de grandes bancos privados, lideranças em ISG e sustentabilidade, eu gostaria de perguntar na prática, como vocês equilibram riscos, custo, retorno, eh, ao incorporar critérios climáticos às operações de crédito e investimento, especialmente em setores estratégicos que ainda precisam financiar a própria transição. Começando aqui pela Lu, depois a Rafa, a mesma pergunta. >> Bom, no Itaú, eh, a gente começa sempre com um processo de entender qual o grau de maturidade das empresas e tem todo um processo de de advisorer para ajudar as empresas nesse processo de transição, né? A gente não acredita eh em deixar ninguém para trás, né? a gente olha pro nosso portfólio e tem trabalhado muito de forma customizada, principalmente nos setores estratégicos, são os mais impactantes. A gente fez um trabalho, uma jornada desde a nossa adesão Net Zero Bank Alice, que foi entender quais eram os setores mais sensíveis da minha carteira, então aqueles com maior emissão e aí a gente começou a descer no nível do cliente para entender, né? Eh, a gente tem uma meta eh de atingir R 1 trilhão eh deais até 2030, eh olhando o financiamento para transição. Eh, a gente agora em 2026 já ultrapassou R$ 600 bilhões deais, então mostra que a gente já realizou no olhar de entender quais são as oportunidades de engajar as empresas nesse processo, né? Obviamente que eh quando a gente faz esse olhar, né, do custo de capital, o risco e coisa tal, a gente tinha ainda um um segmento de empresas onde o pipeline eh não tava tão maduro para um crédito tradicional e que o Ecoinvest foi fundamental para se somar e fazer destravar muito desse processo. Quando eu falo dos 600, mais de 600 bilhões, o Ecoinvest é parte disso também que acaba que ajuda naquelas empresas que ainda tão num pipeline de projetos que neste momento eh pela taxa de juros não ia se viabilizar, o Ecoinvest conseguiu ajudar a destravar. Então, tem sido uma jornada eh muito de olhar pro portfólio de crédito e e ver que isso já é uma realidade, isso já tem uma receita atrelada, ou seja, isso já é uma realidade dentro das empresas. >> Perfeito. Obrigada, Lu. Rafa e pelo BTG. Bom, acho que falando um pouco do BTG, a gente eh há alguns anos já eh faz avaliação, principalmente de questões climáticas, olhando para risco de tranção e também olhando para risco físico dos nossos ativos. Acho que muito eh vem do de uma exigência do Banco Central de fazer o teste de estresse climático. E a gente eh tem engajado muito com consultorias e parceiros para entender até que ponto em cenários em que eh vai dar tudo certo ou vai dar tudo errado com as mudanças climáticas e com os acordos, o que que vai acontecer nos nossos ativos. Então, nesse viés de risco, a gente já tem observado muito essa questão de risco climático. E olhando para um viés de oportunidade, na nossa no nosso bu crédito, a gente tem um, assim como muitos bancos, né, que estão liderando essa agenda, a gente tem um framework de finanças sustentáveis em que a gente já coloca critérios específicos eh pra transição. A gente tem aí cerca de R$ 30 bilhões de reais em operações eh que são consideradas como sustentáveis na carteira de crédito do grupo BTG. Com esse valor, a gente tem conseguido também fazer operações bilaterais com bancos multilaterais que t buscado no começo operações sustentáveis e agora operações mais mais voltadas para temas específicos de mudanças climáticas. Eh, a gente também junto com Ecoinvesto, a gente foi contemplado no nos leilões 2 e 4, o dois voltado para recuperação de áreas degradadas. Eh, a gente tem R 5 bilhões deais para poder alocar eh em operações eh que tenham áreas degradadas e queiram fazer uma recuperação produtiva ou uma recuperação e ecológica. A gente conseguiu eh desembolsar 15% da linha. A gente tem uma operação bem emblemática com a Bracel, que é uma grande empresa aí de papéis celulosos, que tinha um desafio gigantesco eh de comprar, arrendar áreas ali degradadas no Mato Grosso. E agora a gente também tá com o desafio do leilão 4, que é muito voltado pra bioeconomia e também e para operações ali de infraestrutura na Amazônia legal. Então, eu diria que na carteira de crédito a gente tem acompanhado eh esses produtos voltados, né, às vezes mais áreas degradadas, às vezes mais bioeconomia, mas também de alguma forma diálogo eh dialogam com esse tema. E para a gente eh foi contemplado e em conseguir ser o gestor de um fundo de descarbonização do Bandes, que é o Banco de Desenvolvimento do Estado do Espírito Santo. A gente tá falando de um fundo de R 1 bilhãoais. desse fundo, ele se propõe a investir em empresas que estejam alinhadas ao plano de descarbonização do estado do Espírito Santo. Eu acho que o desafio que a gente tá tendo agora dialoga muito com o que a Luciana colocou, que é precisamos achar empresas que estejam preparadas, empresas que estejam dispostas a fazer o inventário de carbono. A gente tem, esse é o primeiro passo nas nossas diligências, que muitas vezes essas empresas elas ainda não começaram a fazer o seu inventário. Então, a gente tem eh olhado para isso e acho que eh falando um pouco de uma um assunto recente que a gente trouxe aqui a umas duas semanas atrás, a gente lançou um ITF eh voltado pra Amazônia eh com conjunto ali com BID, CTF, ele se propõe a investir em empresas, né, localizadas e dentro da Amazônia. Então, de alguma forma, a gente eh tem olhado pra sustentabilidade, agora mais específico pra transição, em alguns momentos pra NBS também. >> Perfeito, Rafa. Eu gosto muito de ouvir os exemplos reais porque há pouquíssimo tempo atrás a gente tava falando de potencial, do que que dá para fazer, de quanto dinheiro tem aí para destravar e agora a gente já começa a trazer, claro que tem um longo caminho ainda pela frente, tanto em volume, né, de investimento, quanto em critérios a serem atendidos, mas a gente já começa a ver exemplos reais. Então isso é muito legal, acompanhar a evolução e ouvir vocês trazendo os exemplos. Priscila, falando um pouquinho do BNDS, né, que a gente sabe que o mercado sozinho não resolve o financiamento da transição energética. A gente precisa combinar ali recursos privados com fomento público, capital concessional. O Ecoinvest é um exemplo aqui que a Lu e a Rafa já comentaram. Então, acho que a pergunta é: modelo de blended finance é suficiente para destravar setores que ainda enfrentam mais dificuldade de acesso a crédito e também que cenário de oportunidades locais e internacionais está no radar do BNDS agora? >> Obrigada pela pergunta. Eh, acho que claro, a gente tá aqui, é Febra Batec, difícil alguém que não conheça o BNDS não saiba da história, mas a gente tá falando de um banco de 74 anos. que esse ano alcançou um trilhão recente em ativos e uma carteira de crédito de 600 bilhões. Já passou por muitos ciclos no Brasil, né? Já tentaram derrotar o e o titã levantou das cinzas. Estamos aqui agora falando desses números incríveis, mas especialmente quando a gente fala em eh investimento em renováveis energia, o BNS passou por todos os ciclos. Então, essa ideia de que eh a gente precisa muito de um estado forte, de um BNS forte, para que a gente tenha um mercado de capitais mais forte ainda, né? Prova disso também é que só no setor a gente não tá focado em infraestrutura aqui, mas como foi um dos projos setores que mais teve aprovação do no ano passado, foi o setor que mais teve investimento privado, inclusive aumentou mais do que o NS e é isso que é para acontecer mesmo, né, o crowding, assim, a gente poder mobilizar o capital privado. Então assim, essa é uma premissa. Dito isso, a gente voltando pr pra pergunta específica e e falando especialmente de blended, quando a gente tá falando de financiamento misto, e aí não é um só, né? Eu acho que a gente começa a a depurar também é o fato de que a gente tem diferentes financiamentos mistos blended, né? Então assim, um o instrumento por excelência que tá protagonizando essa transformação ecológica é o fundo do clima. Saiu de um, né, universo de 300 milhões vestidos. até 2022 para a gente tá falando hoje 27 B, né? E aí eu tive na inauguração de uma planta de biometano em São Leopoldo na semana passada do grupo Solvi. Eh, mas tem aqui de Caeiras tudo. A gente tá falando de um investimento de cerca de 60 milhões do do fundo clima, combinado com Finenm e outros. Eh, uma aposta do setor privado, investindo na tecnologia também. Mas isso imagina se a gente fala de uma parte do fundo do clima para uma planta relativamente pequena, era um é uma planta que recolhe resíduos sólidos urbanos de 50 municípios e alcança 33.000 m³. Mas essa planta ela poderia significar o quê? Há uns anos atrás, eh, em termos de acesso a um fundo, a ao fundo clima, né, um financiamento misto, a gente teria feito cinco plantas dessas, né? E a gente tá falando agora de um eh espaço de acesso ao recurso da ordem de 27 B nos diferentes setores. Então assim, tô falando, ampliando para dizer e o acesso a esse tipo de financiamento, ele mudou muito de magnitude. Mas isso é um fundo blended, né? a gente pode falar de outros tipos de financiamento misto quando a gente envolve e é necessário, principalmente para setores eh iniciantes, de um fundo onde a gente tenha muitos cofinanciadores, né, que tenha eh o recurso subsidiado por uma parte naquilo com muito cuidado, né, com o cuidado do remédio no vir ao veneno de ser somente naquilo que a gente vá ajudar a induzir, que é o papel de excelência de um banco de fomento para trazer os os demais financiadores para complementar o e a gente tem eh acesso a recursos daí de multilaterais, de eh público privado, dos mais diversos. Aí para entrar no mais um aí num exemplo de um setor que muda completamente de figura os números, quando a gente tá falando de eh um setor como bioc biocombustíveis, né? A gente recentemente teve participação no cofinanciamento do projeto da Selen, né, para construção da biorrefinaria na Bahia, que permite ter o SAF, né, o o combustível de aviação sustentável, que no primeiro momento vai ser a biorrefenaria usada, não ainda com o óleo extraído da Macaúba, mas a tendência é essa. Então ele também gera uma viabilidade inicial que não depende, né, do da completude do da tomada de risco. E nesse só nesse projeto, né, a gente teve uma uma participação de 100 R 500 milhões deais do BNDS, uma boa parte no fundo do clima, mas no todo o projeto é de 1.5 B de dólares. Então, a gente tá falando de fundo soberano internacional, a gente tá falando o IFC colocou recurso, o BID colocou recurso. Então a gente e voltando para aquela ideia, gente, é todo um patchworking, né, que foi demandado também um esforço do desenvolvedor de gerar um projeto bancável, né, no numa iniciativa de muito risco, muita inovação, né, já tinha superado um pouco desafios da da tecnologia, da maturidade tecnológica, mas que ainda tem todo um risco para ser assumido na seara da bioeconomia, quando a gente tá falando de da possibilidade depois de avaliar quanto da da Macaúba vai poder ser atingida, né, para construir a completude do tipo de projeto que a gente tá falando. E aí eh a gente tá trazendo essa complexidade de que a gente precisa de diversos tipos de blended, mas também de diferentes atores engajados, fora crédito, né? E a gente tá falando até agora principalmente de dívida, né, e diminuir a o custo do capital na reestruturação da dívida e tudo. A gente tem caminhado e é cada vez mais necessário acesso à equity. E é isso o banco tem eh colocado esse desafio para para si. eh no âmbito da BIP, né, que é a plataforma Brasil para investimentos da transformação ecológica, onde são pré-selecionados projetos que tenham alinhamento e aderência às políticas públicas construídas recentes dentro de alguns setores iniciais que foram priorizados junto do Ministério de Minas e Energia, Ministério de Indústria e Comércio, Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Fazenda. Eh, a gente conseguiu organizar uma chamada de clima que a gente chamou, né, para também ter eh participação em equity, que é cada vez mais necessária. Então, o Benest lançou isso em final de 2025 com colocando até cinco bi de recursos. Foram selecionados, foram eh apresentados 40, mais de 45 fundos. Foram selecionados sete, onde o banco participa dos de fundos por meio do BNS4 de dívida e equity, mas aí eu tô falando da principalmente dessa necessidade da gente caminhando também pro ambiente de equity, onde daí o para cada um real o banco coloca três, né? Então, a gente tem uma alavancagem, a gente conseguiu dentro do universo dos fundos selecionados poder alocar, ter estimativa de alocar cerca de 4.3 B, podendo alavancar mais de 16. Então, a gente tá trabalhando com esse novo instrumento que é necessário também, além das estruturações de dívida e acesso aos fundos blended de chamada de equity. Então, a gente tem bastante otimismo com relação à possibilidade da participação direta e junto disso traí o capital de paciente que a Rafa tinha falado no início, mas também do setor privado, né, de trazer um investimento estrangeiro direto que fique no país dentro desse universo dos temas que a gente tem apostado. Acho que bom enquanto isso, >> não. Perfeito, Priscila. Acho que fica claro, né, a importância do papel do BNDS para toda essa transição, não só falando da do campo de energia, mas como um todo, né, o papel do BNDS fundamental para apoiar nessas estruturações todas. E aí, Camila, até aproveitando o gancho da Priscila, porque ela deu vários exemplos de instrumentos. Às vezes a gente coloca tudo na caixinha do Blended Finance, mas são várias opções. E aproveitando até a sua expertise no setor de energia, o papel da cela como assessoria para financiamento, né, de projeto de energia renovável, hidrogênio verde. A minha pergunta, não sei se vai ser fácil ou difícil, mas explica pra gente como que você vê na ponta dessa gama toda de instrumentos. Quais desses instrumentos têm se mostrado mais eficazes para viabilizar esses projetos e quais setores da transição energética ainda travam justamente por conta de financiamento adequado, na sua visão? >> Eh, antes de responder, só vou eh fazer um comentário sobre BNDS, né, a da importância do banco, né? Eu trabalhei muitos anos na Bloomberg no Energy Finance, que faz um ranking de bancos financiadores para energia renovável e transção energética no mundo. Em vários anos seguidos, assim, o BNDS foi número um no volume de financiamento. Então, mostra a relevância do banco e da política que que ele e o papel que ele sempre atuou no setor. Então, super super importante e relevante. Bom, escolhendo um instrumento aqui pr pra valorizar mais, porque eu eu o que eu realmente acredito na prática é é PPA, né? É contrato mesmo de compra e venda, especialmente de longo prazo, apesar de, né, de ter alguns instrumentos aí, inclusive do BNDS a partir de 5 financiamento, menos mais de curto prazo, tipo 5 anos, eu eu diria que é que é que é contrário de longo prazo a PPA, né? Sim. >> Eh, então falando um pouco de número, né, a gente até tem lá no site da Cela de Graça aberto um estudo que a gente faz desde 2019 de mapeamento de financiamento mesmo aí, dívida para setor de eólica e solar no Brasil. Eh, entre 2019 e 2025 foi a gente conseguiu mapear junto com os bancos, a gente entra em contato com os bancos todo ano, pega essas informações, né? Eh, R1 milhões deais financiado para projetos de de energia renovável. né? Então, só para trazer número. Eh, e a gente também tem a gente há 10 anos a gente faz um levantamento eh do de todos os contratos de compra e venda de energia renovável eh eólico solar. E aí a gente passou agora a levantar também os dados do setor de hidrelétrica e de e de armazenamento de energia eh no ano passado, né? Eh, e a gente consegue ver a a relevância dos PPAs, né, desses contratos de compra e venda. Então, a gente hoje tem no nosso banco de dados aí que participa desse estudo anualmente, que manda pra gente todos os dados dos contratos, são 214 contratos de longo prazo com, né, assinados entre comprador e vendedor de energia renovada. longo prazo, a gente não tá falando de trading aqui de energia, não, de curto, mas tudo de longo, que é o que viabiliza a construção desses projetos, que depois eles eles vão ser financiados, uma vez que eles têm oaker, né, da energia, com o comprador dessa energia, eles eles vão financiar esse projeto. Então, eu diria assim que tudo começa com ser competitivo, né? Então hoje as fontes renováveis, inclusive são as fontes mais baratas aqui no Brasil, né, de e no em grande parte do mundo, né, na maior parte do mundo. Então competitividade que leva a assinatura de contratos de longo prazo que viabilizam um financiamento de um projeto. Aí a gente tá falando aí das diversas, né, eh formas de de se financiar aí esses projetos. Eh, e aí eu vou dar um exemplo do que, né, não ainda não se viabilizou, né, por conta disso, que é, por exemplo, um setor que você mencionou aqui, que é o do hidrogênio verde, né, o hidrogênio de baixo carbono, que é uma tecnologia, né, que já existe, mas que ainda que tem um futuro super promissor, porque com hidrogênio é uma molécula que você consegue descarbonizar aí, não só, né, também a possibilidade no setor de energia, mas não longe disso, muito mais, né, a A gente tá falando aqui de fertilizante, a gente tá falando aqui de eh eh de de combustível avançado aí para para inclusive paraa aviação também via hidrogênio. A gente tá falando aqui de emetanol, que é combustível, sei lá, para navio. tá falando em em possibilidade aí descarbonizar setores, né, de difícil descarbonização, mas que não ainda não se materializou, né, porque em alguns casos, né, a maioria dos casos ainda a competitividade financeira não chegou ainda, né, não chegou a uma competitividade de custo desse desses produtos, mas em alguns tipo fertilizante a gente já consegue ver cases onde tem uma uma tem um case ali de competitividade real do fertilizante produzido a a partir do hidrogênio verde por conta, especialmente por conta de logística, tá? Uma vez que no Brasil a gente importa fertilizante, depois a gente coloca em caminhão, aí a gente, né, vai lá e transporta 1000 km de caminhão, o custo logístico fica bem bem caro e também por conta de segurança alimentar, mas mesmo assim não viabilizando, porque, por exemplo, no setor de fertilizante não se contrata, não se compra fertilizante em longo prazo, né? normalmente se compra fertilizante safra a safra. Eh, então aí fica, aí você não consegue financiar um projeto, entendeu? Então a gente vê já instituições financeiras, inclusive o BNDS anunciando linhas de financiamento específicas pro setor, né, super interessantes, mas não, né, os projetos não conseguindo acessar essa linha de financiamento porque ainda não conseguiram contratar, né, eles vão ter o takaker de longo prazo. Então, eh, eu diria eh que seria que seria isso, tá? >> Não, perfeito, Camila. Acho que toda essa questão de oferta, demanda, questão de contrato, porque não são valores baixos, né, para para você simplesmente investir sem saber se vai ter essa venda depois. E o que você comentou do hidrogênio, a questão da cadeia envolvida também é super importante, que aí você desenvolve numa ponta, não desenvolve na outra, daí não vai ter uma garantia de continuidade daquilo. Então tem que ter essa essa segurança, essa confiança, né? E é o que a gente vai ver agora para armazenamento, né? Inclusive a gente tá lançando agora com com o Banco Multilateral um curso para ajudar bancos, né, a aprenderem a financiar projetos de armazenamento. Então, até já falando para vocês aqui antes da gente lançar para financiar projetos de armazenamento de todas as de todos os tamanhos, mas aí a gente veio, né, com aquilo, o custo da bateria globalmente tá caindo, porque, né, a escala tá sendo muito grande no mundo, né, da das fábricas de de armazenamento de energia. A gente vai ter o primeiro leilão de armazenamento de energia no Brasil agora em dezembro, já vai se contratar também em alguma escala. Aí os bancos vão começar a olhar para esse setor e vão começar a financiar mais. Nesse nosso estudo que eu falei que tá de graça lá no site da cela, acho que o volume de financiamento para armazenamento de energia, se eu não me engano, no ano passado, foi na faixa de, sei lá, R milhões deais. Foi bem baixinho, né? Eh, mas aí a gente deve ver agora esse volume e aumentando bem de uma forma bem significativa a partir de 2026 e 26 27. >> Não, perfeito. Acho que importante ainda ter essa essa capacitação toda, né? Complexidade que envolve tudo isso. E falando em questão de classificação, conceitos e tudo mais, não dá pra gente falar de financiamento sustentável, de transição sem falar de taxonomia, né? Eu não sei, acho que na Febrabante que tem muita gente que é fora da nossa bolha de sustentabilidade. Então, só um rápido overview sobre o que que é a taxonomia sustentável brasileira, porque foi um decreto eh lançado em final de 2024 ou 25, que eu já até me perco, né? 24 pelo Ministério da Fazenda, que é basicamente pra gente conseguir classificar eh estabelecer critérios comuns para identificar as atividades alinhadas com a taxonomia e classificá-las como sustentável. Então, o Ministério fez uma série de cadernos temáticos para diversos setores da economia, não cobre todos ainda e a ideia é que isso vá evoluindo ao longo dos anos, mas já fez para uma série de setores, inclusive de energia, né? E a ideia é que a gente tenha uma linguagem comum paraa classificação das atividades sustentáveis. Então, só um contexto muito rápido, as meninas depois podem ajudar a explicar melhor aqui também, porque eu queria perguntar, daí vai ser uma pergunta coletiva de novo, que acho que é um tema que passa pela entidade de todas vocês de alguma forma, mas na visão de vocês, essa linguagem comum, vocês acreditam que pode aumentar a confiança do investidor e ajudar o Brasil a atrair capital estrangeiro paraa transição? Começando aqui pela Lu, >> eu acho que é fundamental porque a taxonomia e eu acho que a gente tinha uma experiência, né, C anterior, porque a Febra tem uma taxonomia que começou com uma taxonomia verde, eh, tentando já trazer a sua uniformização entre nós, bancos, eh, naquilo que a gente emitia, eh, ela traz comparabilidade, ela traz, eh, transparência, eh, ela traz um ordenamento de como é que você classifica por setor e pro investidor. eh estrangeiro. Eh, isso é o significado de uma credibilidade do setor, né? Então, a taxonomia ela é fundamental e eu acho que o processo no qual ela foi construída, né? Acho que a taxonomia sustentável brasileira, ela foi muito completa. Eh, obviamente que ela selecionou alguns setores que são os setores mais relevantes para começar. eh teve um processo de escuta e construção coletiva, então foram eh vários grupos de trabalho, a gente conseguiu trazer um pouco da experiência do que a gente já tinha aplicado na Febraban. Eh, então foi um negócio muito dialogado com os bancos, até pela experiência que a gente já tinha. Eh, quando a gente olha pra trração de capital estrangelo estrangeiro, né, taxonomia é um instrumento olhado pelo pelo pelo investidor estrangeiro. Então, eh, eu acho que isso vai ajudar muito a destravar, né? Eu acho que eh o Ecoinvest foi uma primeira um primeiro instrumento que já fez a gente dialogar num nível eh com os investidores que foi muito bacana, porque para cada um dos leilões tinha uma alavancagem que a gente tinha que buscar de capital estrangeiro para cada capital tomado. E a gente não teve dificuldade nesse tipo de atração. E eu acho que a taxonomia vai aqui ajudar, né? O Itaú eh eh foi convidado a fazer parte do piloto, né? a gente hoje tem eh participado com outros bancos do piloto da aplicação da taxonomia, eh que eu acho que é uma segunda etapa super importante, porque testar agora com a economia real e ver o que é aplicável, quais são os ajustes que a gente precisa fazer dialogando tanto em quem vai ser o tomador, né, com o investidor, vai ser super importante para deixar a taxonomia ainda mais robusta. Eh, mas eu não tenho dúvida da importância da taxonomia eh pra gente destravar esse monte de capital voando, né? Ah, porque tem tantos trilhões, né? Quando a gente fala de capital estrangeiro, a taxonomia vai ajudar muito a gente e fazer com que esse capital seja canalizado aqui pro Brasil. >> Obrigada, Lu. Camila, e na visão de quem tá ali na economia real, como que vocês estão vendo a taxonomia? Olha, eu vou querer ouvir todo mundo, mas para mim assim, o que me parece claro é que hoje quem investe nesse setor é mais um estratégico ou quem tem uma estratégia bem específica dentro desse setor, sabe? E talvez você acaba criando aí um classo, né, um entendimento melhor para atrair, como né, você disse, aquele capital que tá lá, trilhão e tal, que não necessariamente estaria olhando para este para esse tipo de investimento, sabe? Então vai ampliar, eu entendo que amplia o pool aí possível investidores, fora esses estratégicos que já t esses mandatos bem específicos para estar nesse setor. >> Não, maravilha. Rafa. E na visão do BTG, como que vocês têm visto? >> Bom, acho que a gente conversa muito com investidores internacionais que querem investir muito no Brasil e o primeiro passo, que é um passo muito longo, é alinhar a taxonomia daquele país com a taxonomia do do BTG. Então, eu acredito muito que a gente tem uma taxonomia eh uniforme brasileira, vai ajudar muito a atrair esse tipo de capital, que é o que a, exatamente que a Lu falou, é um capital que tá voando. É, isso pode facilitar muito, eh, o trabalho, isso pode acelerar muito as operações. Então, eu vejo isso de forma muito positiva. É, acho que só uma uma questão assim, é muito importante a gente ter uma taxonomia sustentável, tem uma taxonomia própria do Brasil, mas mais importante do que isso é a gente criar algo que vai que conseguirá ser factível para as empresas eh conseguirem usar, pros bancos conseguirem aplicar. Me explico aqui. Acho que é super importante eh a gente no no final do dia a gente tá falando de um capital de um banco multilateral, a gente às vezes tá falando de um capital de uma linha governamental. De alguma forma esses governos eles precisam prestar conta aos contribu contribuintes e não pode simplesmente falar: "Olha, emprestei X para uma empresa X." Ele precisa trazer critérios ali muito claros. A gente só não pode se perder às vezes nesse compromisso que tem que ser seguido de você dar transparência ali pro seu contribuinte com processos que sejam muito complexos a ponto deles não conseguirem ser aplicados. Então, acho que essa questão a gente eh assim como o Itaú BTG está testando a taxonomia, a gente vem colocando eh isso. E eu acho que também reagindo a um a um comentário aqui eh durante muitos anos eram investidores que queriam produtos sustentáveis e hoje em dia a gente tá vendo investidores ninchados. Então tem um investidor que ele quer um tipo de investimento focado em transição climática. Outro quer olhar pra Amazônia, outro quer olhar paraa NBS. tava na Colômbia semana passada, eles queriam eh focar em economia prata. Então a gente também tá vendo esses bolsos eh diferentes. Eu acho que a taxonomia de alguma forma tem que também reagir a isso, que é uma tendência eh internacional. Acho que o Brasil e a nós como bancos, né, que trabalhamos tanto tempo, tanto esforço com isso, a gente não quer que essa taxonomia seja criada e ela não seja usada, que a gente também tá vendo esse movimento na União Europeia >> de se criar um acaboço eh super robusto, mas ele acaba não sendo prático e o efeito é que a gente não acaba não tendo muitos fundos eh sustentáveis, fundos rotulados. Então acho que esse essa oportunidade que a gente tem aqui de aprender com as experiências passadas e trazer algo super positivo pro Brasil. Acho que para para fechar também esse meu comentário, a gente conversa muito com o estrangeiro, a gente tem potenciais incríveis, temos o BNDS no Brasil, a gente tem energia renovável. Há quantos anos a gente faz projeto de energia renovável? Tanta coisa positiva que a gente consiga usar a taxonomia ao nosso favor, ao favor do país e ao favor das empresas que a gente tá representando aqui. >> Obrigada. Rafa, Priscila e na visão do BNDS, >> bom, eh, acho que já foi muito falado aqui, mas é importante dizer que taxonombia boa, taxonômia aplicável, aplicada. >> E é claro que a gente >> vai ver isso fazendo, né? É, é, se a gente a gente olha pro passado para aprender e valorizar o que foi o aprendizado, a gente vê que setores muito consolidados, por exemplo, a questão da infraestrutura que eu falei novamente, insisto nela porque na área que eu trabalho, assessorando a a Luciana Costa, que é diretora de infraenergia e mudança climática, é um setor que tem já um marco regulatório muito estabelecido, de 20 anos, né, pelo menos, né, a lei de PPPs concessões de 2004, próprio foiade que trabalhou na na legislação. A gente já tá num universo de muito mais complexidade, aplicabilidade, já muito avançado no nas inovações financeiras, >> na discussão que ultrapassou qualquer questão ideológica. Então assim, é é um outro a gente tá quando a gente tá falando de transformação ecológica e voltando, onde que a gente tava em 2023, né? A gente o que que era, né? Pte, plano de transformação ecológica, whats, né? Eh, COP, a gente, né? Realizou COP, são muitos instrumentos. A gente nem falou, por exemplo, de mercado de carbono, que vai ter um painel que eu sei, a gente tava com uma colega, acho que seria legal vocês poderem ouvir também. Depois a gente poderia passar mais uma hora falando disso aqui. Mas voltando pra taxonomia, o o banco, o BNDS, ele implementou a sua própria taxonomia em 23 para não, né, ter que esperar a conclusão desse processo incrível e necessário de participação paraa construção participativa da toxonomia sustentável brasileira, que aí sim eh se torna obrigatória para todo, né, o o país a iniciar pelas empresas de capital aberto, enfim. Eh, mas para não correr o risco de não entrar na nova jornada e receber os capitais, principalmente estrangeiros também, ou para não ter uma possibilidade de um green washing com fundo do clima, o banco em 23 implementou sua própria toxiconomia sustentável. Eh, e claro, acompanha o que foi feito pioneiramente pela Febraban, os bancos que tém bancos de vanguarda, né, nesse aspecto. Acho que eh na jornada anterior ao mercado financeiro, eu trabalhei na Natura um tempo, fazia muita parceria com o Itaú nessa fase. Então, assim, a gente vê que tem, claro, instituições que vão na frente, vão guiando e a gente aprende com elas, né? Então assim, tá tá ali no BNDS já desde 23 já implementando. Qual a taxonomia concluída, né, no plano na federal da que a gente chama da TSB, primeiro vale fazer uma observação que eu acho que ela aprendeu com outras taxonomias, né? Ela olhou, ela, a gente não tá falando de uma taxonomia só verde, a gente tá falando falando de uma taxonomia sustentável. Ela olhou também para a experiência mexicana, ela aprendeu, entre outras coisas, que a transversalidade da redução de desigualdade de gênero e raça também passa pela classificação dos projetos. Então isso é é bastante promissor, a gente quer poder ver como isso vai, né, trazer resultados e a gente participa disso enquanto implementador também. No caso específico eh do que eu falei da plataforma Brasil para os investimentos sustentáveis, que aí é um, né, um portfólio de pipeline de projetos bastante específicos, olhando pro para setores eh que precisam de dar, né, precisam de um impulso. As verticais são bioeconomia, soluções baseadas na natureza, indústria e mobilidade elétrica e e energia. a gente já adotou, eh, a gente, eu falo e aí queria fazer essa observação, né? O, eu falei da da plataforma, o BNDS ele é ele faz o papel de secretariado da plataforma, então ele opera a plataforma, mas os critérios, as políticas que guiam a plataforma, ela é do Brasil. Então, a gente tem a uma plataforma brasileira e o Steer Commit, o comitê gestor que participam ministérios que eu comentei, definem esses critérios. E neste processo de construção dos critérios para receber projetos e depois construir os instrumentos financeiros que ajudam a implementá-los, foi definido que qualquer projeto da plataforma tem que tá aderente à taxonomia, por exemplo, né? A gente entende isso como um, né, um sistema completo de você ter uma taxonomia, você ter diferentes marcos marcos regulatórios, você ter o que guiou a emissão de títulos verdes, a emissão que gera recursos pra gente poder implementar o do clima. Então, a gente enxerga isso como um todo e a gente tem que ser coerente e implementar naquilo que é mais importante e que guia o o resto do mercado. E nesse processo a gente vê duas coisas importantes. Uma, o Belind já tinha um selo como banco de desenvolvimento com corpo de servidores muito qualificado, de selo mesmo, né, de projetos. Então, assim, é o projeto que o banco financia, eh, não só estimulando com diferentes tipos de recursos, mas pela qualificação e pela, eh, possibilidade que o projeto vai concluir ser concluído, ele já é uma gera uma a uma atratividade de que o privado venha junto. Então, assim, o banco já tinha isso como ser. Então, quando ele também olha e implementa taxonomia, isso também é uma maneira de junto com critérios você ter uma instituição forte implementando algo que ela acredita e também dá mais uma credibilidade evitando o green washing, que é o objetivo ou o social washing, né, olhando pro nosso, né, critério de sustentabilidade, não só de taxonomia verde. E no caso específico da, vou me delongar mais um minuto só, da plataforma, isso gerou também uma atratividade pro capital internacional concessional, não só o capital privado. Então, quando a gente tá falando do capital concessional internacional, eh, se a gente tem um cuidado, né, enorme com o fundo do clima, olhando pro para fora, a gente é o que viabiliza ou não trazer esse recurso. E recentemente a gente concluiu a possibilidade de eh em primeiro lugar atrair um capital dos CFS, né, dos Climate Investment Funds, que aí é um bolso de doadores, países doadores, um grupo de países cujo recurso era viabilizado principalmente via Banco Mundial e BID para alguns setores, né, com uma taxa, são taxas muito atrativas, né, nesse sentido do do concessionário. E o que que a gente eh conseguiu concluir? Uma aprovação do plano de país no Brasil junto com o Ministério da Fazenda para que o um o último pacote de 250 milhões de dólares sejam canalizados via plataforma. Então são processos selecionados pela plataforma e, portanto, vão ter que atender esses eh critérios, incluindo a da taxonomia. e eles têm potencial para alavancar 3.5 bi, pelo menos. Então, assim, a gente tem já uma um efeito prático de que consolidando marcos importantes de garantia, né, de evitar o green washing, de trazer e organizar o recurso que vai ser canalizado para aquele p de projetos que vão estar naquele espaço, né? Então isso é muito grande. E o outro eh recurso catalítico que a gente tá buscando, já teve uma pré-aprovação, mas a gente tá buscando concluir, é do de um outro, né, de um outro bolso internacional que é o Green Climate Fund, eu >> que é o fundo e aí sim da associado a UNF Triple C. E a gente também espera poder acessar um recurso também da ordem de 250 milhões, pelo menos podendo alavancar para mais e a aí trazer muito mais capital pra gente ajudar a viabilizar os projetos, reduzindo o custo de capital e garantindo que a gente esteja na jornada da transformação ecológica. Não. Perfeito. Priscila, antes de passar aqui pra última pergunta, pros minutos finais, eu gostaria de liberar a Luciana Nicola, porque ela tem um outro painel ali no palco imersão. Como aqui no palco verde atrasou um pouquinho, acabou encavalando. Então, eh, peço, toma a liberdade, peço licença ao público para liberar Lu da última pergunta. Lu, fica à vontade. Obrigada, viu, pela sua participação. E aí, meninas, indo aqui para pra nossa última pergunta nos minutos finais. Acho que a Priscila trouxe um panorama que ajuda o público a entender a complexidade da taxonomia. daria pra gente ficar aqui mais uma hora falando só da questão dos critérios, das salvaguardas, tudo que tá por trás dessa construção, mas acho que o que fica claro é que a taxonomia vai ser um instrumento importante, sim, tanto pra não só pra gente classificar esse financiamento, não só pra gente evitar o green washing, mas pra gente atrair de fato recursos estrangeiros também, porque daí quem tá lá fora precisa ter clareza do que tá acontecendo aqui, precisa ter confiança, porque senão esse recurso curso fica ali voando igual a Lu mesmo brincou aqui. Então, acho que é um instrumento que ajuda a trazer essa segurança jurídica também para esses investidores externos. E aí, pra gente caminhar aqui para o encerramento do nosso painel, vou fazer mais uma pergunta coletiva, mas a ideia é que a gente olhe pra frente, mas não tão pra frente assim, mas para ter uma visão com a experiência de vocês, pensando nos próximos dois anos, porque aqui a gente falou de vários exemplos de instrumentos que são que são possíveis e várias formas de aplicar. A Camila até trouxe o que que ela acredita, o que que mais funcionou nesses últimos anos, mas considerando toda essa inovação que a gente tem visto, os critérios e tudo mais do que a gente já comentou, vocês olhando pros próximos 2 anos, qual instrumento ou mecanismo financeiro que vocês acreditam que pode ser decisivo para escalar de fato essa transição aqui no Brasil? Pode começar, Camila, por favor, porque aí complementa com a sua outra resposta. >> Legal. Obrigada. Bom, eh, se a gente usar, olhar, né, o, o volume de financiamento aí do do setor especificamente de tranção energética de renováveis, eh, em termos de instrumento, né, em 2019, menos de 5% era mercado de capitais, tá? Eh, e aí, de acordo com aquele nosso levantamento, né, da com os bancos, enfim. E aí, eh, se a gente olhar para 2025, o mercado de capitais já representou eh 44% desse volume financiado para esses setores, né, de energia solar e eólica. E aí, se a gente falar dentro do mercado de capitais, eh, entre 2019 e 2022 era dominado por FIPs, tá? e em 2025 e migrou para debentores, tá? Então, mais e líquidas, mais baratas, né? Então, e um outro instrumento também que a gente viu aí em 2025, eh, que teve um crescimento muito forte foi financiamento em dólar, então em financiamento eh internacional, né? Inclusive no setor de energia e era não não se tinham contratos, né, de compra e venda de energia, esses PPAs em moeda estrangeira. E aí cada vez mais a gente tá vendo esses contratos. É 41% da energia de longo prazo contratada no ano passado, eh, dessas fontes foi em, eh, em moeda estrangeira. Então, eh, e, eh, e esse financiamento foi e e em moeda estrangeira, então, até até para fugir de risco de câmbio, etc., essas pontes ficando mais eh competitivas também. Então eu eu acho que eu que eu que eu que eu diria, né, que a gente tá vendo essa esse movimento aí para mercado de capitais, eh debentores, investimento internacional ficando mais relevantes. >> Obrigada, Camila. E na visão do BTG, Rafa, que que você considera? B, eu vejo um movimento eh acho que eu vejo um movimento de investidores institucionais e internacionais e eu também vejo pros próximos anos mecanismos de blended finance. Há dois anos atrás a gente não tinha o Ecoinveste. Há dois anos atrás a gente não tinha chamadas públicas. A gente não tinha eh o o BNDS investindo tanto em projetos via Fundo Clima. Então eu acredito muito eh no Blended Finance. Acho que pro Blended Finance conseguir eh escalar cada vez mais também tem um papel dos bancos, os nossos bancos tradicionais de entenderem cada vez mais esses tipos de ativos, esses ativos diferentes, que que é hidrogênio verde, bioeconomia, o que que é o crédito de carbono. Então, acho que um comentário final, mais importante do que ter esses instrumentos, ter esse capital, é que a gente como setor se prepare para esse momento. Então, por isso que eu acho tão importante iniciativas que a Febraban tem organizado o Cambima, de explicar até que ponto o crédito de carbono ele se ele é parecido ou não com PPA, ele é parecido ou não com as discussões do mercado de energia que a gente teve há tantos anos atrás. Então, mais do que vi esse capital estrangeiro, mais do que vim essas linhas de Blendet Finance, a gente também precisa internamente eh se preparar para essas mudanças. E aí de novo, né, acho que eu parabenizo todo o trabalho que a Febraban tem feito para nos ajudar nesse nesse sentido. >> Obrigada, Rafa. Eu reforço que eu eu particularmente também acredito no Blended Finance. No painel mais cedo que eu tava moderando aqui, a gente falou um pouco disso do Ecoinvest, que os primeiros desembolsos começaram a acontecer esse ano. Daqui um tempo a gente vai começar a ver os resultados e começar a tirar as lições aprendidas e os erros, mas eu acho que vai ter muito mais história positiva para ser contada com tudo isso que a gente tá vendo. E acho que só para reforçar o ponto que a Rafa trouxe eh do apoio que a Febraband dá. Então, por exemplo, a Febraban junto com a BIMA tá fazendo uma jornada de capacitação para mercado de carbono, começa essa semana inclusive e outra especificamente de blended finance de tanto a Ambima cuida lá da parte de mercados de capitais, a gente do setor bancário, então a gente uniu esforços para fazer capacitação dos nossos associados nessa temática. cinco workshops daqui pro final do ano para o pessoal participar, aprender cada vez mais sobre isso, do tanto que a gente acredita enquanto entidade e falando aqui em nome daima que é nosso parceiro nessa jornada também. Acho que eh só para reforçar essa iniciativa. Priscila. Então para fechar, que que o BNDS vê de mais promissor nos próximos dois anos que que vocês enxergam? Bom, eh, a gente já falou bastante aqui de uma forma mais fragmentada. Eu acho que a mensagem mais importante é a maestria dos instrumentos todos, porque a gente precisa de todos eles. E o o desafio maior é fazer música, porque a gente já fez muito barulho, agora a gente fazer uma música para poder dançar, digamos assim. Então, ver esses projetos andando vai ser essa parte mais feliz. Agora, recentemente, o que eu reforço também é que o banco se propôs a trabalhar com esses instrumentos de equity, com por meio dos, principalmente de mecanismos catalíticos pra gente poder trazer um capital, né, um investimento direto estrangeiro pro Brasil, com paciente que fique, que ajuda seja nas primeiras perdas, mas também que aposte no, né, numa nova jornada do país, nessa transformação ecológica. Então, a gente tem já trabalhado com isso. Eu acho que isso é algo que deveria ainda ser mais promissor nos próximos anos aí. E a gente quer fazer mais, então estamos todos alinhados aqui pro pro desenvolvimento da próxima etapa aqui do transformação ecológica. >> Perfeito, meninas. Muito obrigada. Em nome da Febra, eu agradeço a participação de vocês. Agradeço também ao público e quem nos assistiu virtualmente também. Muito obrigada.
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