FEBRABAN TECH 2026 | PAINEL - Bioeconomia e biotecnologia
Sumário Regulatório
A biotecnologia vive um salto global impulsionado por IA, automação laboratorial e biofabricação, enquanto a economia verde brasileira ganha tração ancorada na Amazônia, no Cerrado, na agricultura regenerativa e na bioindústria. Nesse contexto, a bioeconomia — que conecta biotecnologia, biodiversidade e novos modelos de produção — começa a transformar setores como alimentos, saúde, energia e materiais avançados. Plantas, microrganismos e células tornam-se plataformas industriais, abrindo mercados e redefinindo dinâmicas de risco e financiamento. Para o setor financeiro, emergem desafios estratégicos: como financiar biofábricas e cadeias ainda imaturas? Como avaliar risco científico e incertezas regulatórias? Quais instrumentos são mais adequados para ativos biológicos, cadeias curtas e projetos de impacto? Entre garantias socioambientais, seguros climáticos, blended finance, mercados de carbono, PSE e métricas de capital natural, o debate central é claro: como estruturar modelos financeiros capazes de viabilizar inovação, conservação e desenvolvimento econômico de forma integrada?
Palestrantes :
Carolina Alcoforado - Melhoramentos
Jean Rodrigues Benevides - Caixa
Renato Marques Ramalho - KPTL Venture Capital
Moderação:
Cintia Oller Cespedes - Febraban
Transcrição e Conteúdo
Boa tarde a todos e todas. Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um painel da Febra Bantec 2026. Bom, só para dar um contexto, pessoal, antes de chamar os nossos painelistas, a bioeconomia avança e amplia seu espaço na estratégia industrial e financeira do país. Segundo a 34ª pesquisa da Febraban, eh, Febraband de Tecnologia Bancária, 87% dos bancos brasileiros já possuem ofertas ESG. e um sinal de...
Boa tarde a todos e todas. Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais um painel da Febra Bantec 2026. Bom, só para dar um contexto, pessoal, antes de chamar os nossos painelistas, a bioeconomia avança e amplia seu espaço na estratégia industrial e financeira do país. Segundo a 34ª pesquisa da Febraban, eh, Febraband de Tecnologia Bancária, 87% dos bancos brasileiros já possuem ofertas ESG. e um sinal de que o sistema financeiro está voltando seu olhar para produtos ligados à economia verde, mesmo que instrumentos específicos para bioeconomia ainda estejam em construção. Em abril desse ano, o governo federal lançou o plano nacional de desenvolvimento da bioeconomia com horizonte até 2035 e aporte inicial de 350 milhões do fundo Amazônia. O plano estabelece metas ambiciosas. Dobrar a produção da sociobioconomia, ampliar em 20% ao ano os contratos de microcrédito eh voltados a esse segmento e elevar em 0% para de 05% para menos 5% a participação de fitoterápicos no faturamento no mercado farmacêutico nacional até 2035. Ao mesmo tempo, cresce um movimento paralelo do setor privado. Empresas industriais brasileiras de base florestal já colocam biomateriais em escala industrial, enquanto gestoras de venture capital apostam em biotecnologia com tese de investimento de longo prazo. O que ainda separa o discurso da execução? Como transformar patrimônio genético, biomassa e inovação científica em ativos financiáveis com risco calculável e retorno mensurável. É esse o debate que reunimos aqui hoje e para isso chama ao palco Jean Rodrigues Benevides, diretor executivo de sustentabilidade e cidadania da Caixa. Obrigada, Jean. Carolina Alcoforado, diretora executiva de gestão e novos negócios da Melhoramentos. Obrigada, Carolina. Renato Marques Ramalho, CEO da Capital, Venture Capital. Obrigada, Renato. Bom, pessoal, obrigada a todos pela presença, pela participação, por terem aceitado o nosso convite para participar aqui da Febra Bantec. Para começar, eu gostaria de ouvir a visão de cada um eh sobre o que faz um bom projeto de bioeconomia, o que faz um bom projeto, um negócio financiável na prática e quais são atualmente as principais dificuldades para atrair capital. Na avaliação de vocês, falta habilidade das empresas e comunidades de estruturar projetos dentro dos critérios técnicos e socioambientais exigidos pelos fundos públicos. Eh, e o investimento privado ainda se ressente da ausência de um histórico de risco mais claro, então a imaturidade regulatória em temas mais complexos. Como que patrimônio genético e propriedade intelectual? Então, assim, uma pergunta bem complexa para já começar desafiando bastante para vocês trazerem o conhecimento. Mas Dian, queria começar por você aqui, trazer um pouquinho desse contexto pra gente. >> Joia. Boa tarde, Ctia, as colegas aqui, Carolina, Renato, prazer enorme estar falando desse tema. Realmente é muito complexo, nós todos estamos iniciando nele. Mas eu começaria invertendo um pouco a lógica aí da sua pergunta, porque muitas vezes nós olhamos aqui para uma comunidade, para um pequeno empreendimento assim da bioeconomia mesmo e concluímos e rapidamente que ele ainda não está pronto para receber o crédito, né? Mas talvez a gente pudesse fazer a pergunta de uma forma inversa, né? Será que o sistema financeiro está preparado para compreender adequadamente esse tipo de negócio? Não é porque eu sei que um bom projeto e a gente trabalha em banco sabe disso, precisa, evidentemente, né, demonstrar a viabilidade econômica, né, capacidade de gerar receita, ter governança, fazer toda o processo de gestão de riscos. Mas a gente entende, estudando um pouco mais sobre esse tema da bioeconomia, que isso sozinho não basta quando falamos de projetos de bioeconomia, porque os indicadores tradicionais eles não são capazes de entender outros elementos que constituem esse setor, né? Então a gente precisa entender o território, a disponibilidade e a regeneração do ativo lá biológico mesmo, né? Como é que tá sendo feita a organização dessa cadeia produtiva? eh, quem é que tá capturando o valor gerado também desses ativos, né? Existem compradores, já tem um contrato também e obviamente se preocupar também com os impactos sociais e ambientais aí que aquela atividade produz. Então, tudo isso são elementos novos que a gente tem que aprender a lidar, que foge do sistema tradicional. E aí também eu existe um desafio que eu trago aqui, que eu considero central, que é a questão do desafio da coordenação, porque em muitos territórios a gente encontra todos os elementos assim que teoricamente eh deveriam estar viabilizando o negócio, né? Existe o produtor, existe o conhecimento, geralmente um conhecimento tradicional daquilo daquele ativo biológico que tem ali, não é? A toda biodiversidade nós temos, né? Muitas vezes até nós temos demanda de mercado para isso, mas aí faltam outros elementos que a gente considera assim essencial também para conectar tudo isso, né? Então, a gente tem que levar em conta a importância da assistência técnica, eh, a questão do beneficiamento, eh, logística, a certificação também de um produto novo, pouco conhecido, para verificar se isso acontece, o acesso a mercado também e a os elementos que também é importante do ponto de vista financeiro, se tem um capital compatível com o ciclo econômico daquele tipo de negócio, né? Então, então se a gente financiar apenas um elo dessa cadeia, assim, a gente não resolve todo o problema e a gente pode est só empurrando o gargalo para uma próxima etapa. Então, por isso que a gente entende que tudo isso é é desafiador aí quando a gente não pode tratar isso numa lógica de financiamento de projeto sem considerar todos esses elementos na perspectiva aqui de um banco público aí falando já pela Caixa que também a gente tá entrando nesse setor de forma muito contundente aí, não é? Eh, o desafio é a gente e sair dessa lógica puramente de olhar as transações, né, um exclusivamente transacional e a gente não analisar as operações de forma isolada mesmo, né? Então, a gente tá entendendo que a gente precisa construir um ecossistema que seja financiável, né? É um conceito interessante eh correlacionado pra bioeconomia. Então, a gente entende que o crédito continua sendo fundamental, é importante mesmo, mas a gente tem que olhar outros elementos. Eh, já que o crédito não é sozinho parte da solução, precisa olhar as questões também de garantias. Capital paciente é fundamental também para esses tipos de negócios que estão se estruturando lá nos biomas, a assistência técnica, a tecnologia que tá acessível e disponível para a para este setor, o acesso ao mercado e, obviamente, as questões ligadas à políticas públicas. As políticas públicas também são fundamentais para que ela faça toda essa estruturação, porque aí o crédito passa a ser um produzir um resultado eh integrado com todos esses demais elementos. No meu entendimento é isso. Cim. >> Perfeito. Gia, muito obrigada. Eu acho que, né, do do FIC ainda brincou inverter e tem muito mais perguntas ainda pra gente responder do que respostas já prontas. Mas acho que esse ponto que você traz da complexidade, a necessidade de ter que envolver vários atores é fundamental. Acho que o Plano Nacional que eu comentei aqui no começo tentou olhar muito para isso. Eu participava lá da comissão de bioeconomia e eram diversos atores, muita diversidade ali na discussão. Demorou muito mais tempo do que o previsto para conseguir tentar entender tudo isso e colocar no papel de alguma forma pra gente ter uma diretriz nacional, né? Então, Carolina, se você conseguir responder as minhas perguntas e as do Jean, vai ser ótimo também pra gente apimentar ainda mais. gostaria muito de conseguir responder tudo isso, né? Eu acho que a gente pensando a melhoramentos como uma empresa da economia real, né? A gente uma indústria que tá diretamente ligada a a essa bioeconomia, então com agro e desenvolvimento, meu papel específico de geração de novos materiais, né? A lógica é como que a gente cria novos materiais mais sustentáveis e a lógica de ecossistema que o Jean traz é perfeita, né? Eu acho que a gente tem diversas etapas e eu acho que os desafios são diferentes em cada etapas e até pensando no conjunto mais amplo das empresas também, né? pensando assim, quando a gente pensa numa grande empresa, a grande vantagem que ela tem é uma grande estruturação, um grande acesso à capital, muita gente para trabalhar na captação de projetos, né, de de fazer participar de editais, de participar de acesso ao capital catalítico, que vai desenvolver um projeto piloto e depois a partir do momento que esse projeto piloto é validado, ele vai ter todo o suporte para ter um crédito mais tradicional, né? Todas essas iniciativas de de crédito à inovação têm sido relativamente recentes, né? Esse essa força que tem se colocado, essas discussões do Plano Nacional de Bioeconomia são super relevantes pra gente poder se questionar, pra gente poder abrir um pouco a cabeça e incentivar isso. Eh, mas ainda há uma percepção de risco muito grande na inovação, né? Principalmente quando a gente tá falando de biomateriais. A gente também tem muito esse desafio. Óbvio que tecnologia tem, mas biomateriais acaba ficando uma coisa que é super necessário para mudar cadeias completamente, né? a gente consegue ter um impacto significativo em uma série de indústrias, mas ainda tem uma dúvida muito forte na parte, na minha visão, do scale up. Então, como desenvolvedora de novas tecnologias, a gente trabalha muito forte na no desenvolvimento técnico, né, na validação. a gente traz para perto da gente uma série de pesquisadores, uma série de institutos e aí tem fomentos como o próprio Embrapi, né, que você consegue trabalhar junto com o Senai, tem coisas muito bacanas que você consegue fazer ali. É, só que na hora que você valida isso primeiro como uma pequena empresa, como quando você consegue validar essa tecnologia e aí você vai transformar isso num numa coisa comercial, precisa alguma coisa conectando, precisa de uma ponte, né? As próprias instituições financeiras podem ajudar um pouco nessa ponte. O blended finance eu acho que é super importante porque bota todo mundo indo pra mesma direção, né? Tem um derisking para quem é privado, mas também tem um risking para quem é público, né? O públ o o o o ente público não pode sozinho carregar essa bandeira. Também é importante que ele dê as diretrizes, que ele deu acabou sua regulação, mas também é importante nessa visão de de complementos que a gente tenha também o capital eh do investidor, o capital da indústria para poder fazer essa redução e botar todo mundo olhando pro pro mesmo ponto da bússola, né? todo mundo olhando pro mesmo lugar. Eu acho que só assim a gente consegue fazer de fato a transformação de indústrias, né? A escala disso. Tem muita, muita, muita. a gente trabalhou com muitas startups super legais, muitos institutos de pesquisas brasileiros que fazem materiais muito incríveis e muito sustentáveis, eh, que tem uma aplicação muito, né, importante para pras cadeias do do país produtivas, mas eles não conseguiram encontrar a rota comercial, eles não conseguiram ou dinheiro pro investimento porque eram muito pequenos e pouco estruturados. E aí, a gente tenta se posicionar um pouco também como indústria, como alguém que traz isso, né? Olha, uma das startups trabalha com a gente, ela tinha um ótimo produto e não conseguia virar comercial, 10 anos batendo lata, vamos dizer assim. >> E de repente a gente falou: "Olha, vem com a gente". a gente usou o nosso balanço para fazer uma estruturação e hoje a gente tá na gôndola do supermercado. Então essa transformação em realidade contou com órgão público, com um pouco de lei do bem, com Então a gente contou com uma série de instrumentos, mas isso é um trabalho de esforço muito conjunto. Isso é uma, a gente tem que funcionando, >> colocar todo mundo, né, no mesma, na mesma rota para que a gente consiga sair de uma ideia para de fato eh o produto final ali na mesa do consumidor, seja ele qual for. >> Perfeito, Carolina. E acho que, né, fica claro que colaboração é essencial, mas pelos exemplos que você trouxe, resiliência também, né? muita, >> porque precisa ir ali no trabalho de formiguinha, engajar cada parte para conseguir chegar nessa colaboração. Achei a formação desse painel muito interessante, porque a gente tem a sua visão de economia real, de quem pôs a mão na massa para conseguir eh puxar esse assunto pra realidade mesmo, tirar ali do papel. E agora a gente escuta o Renato, que tá lá na outra ponta do investidor que acredita. Vai lá, Renato, conta pra gente um pouquinho. >> Boa tarde a todos aí. Obrigado pelo convite de novo aí, Febraban. Eh, eu assim, acho que algumas pontas, né, eh, que que acho que é importante amarrar assim, acho que o Jean, principalmente passeou por diversas portas abertas, né, que que são milhares de portas e que dá uma sensação assim, e agora que qual o primeiro corredor que eu entro, né? Eh, primeiro acho que para mim, acho que não menos para eles, esse universo de portas abertas, isso pra gente chama-se oportunidade, né? Se todas as portas já estivessem conhecidas e fechadas, isso chama-se renda fixa, né? Isso não é o que a gente faz da vida. Então, a bieconomia tá é um parque de diversão para investidor. Tudo para ser feito, né? Acho que esse é um primeiro ponto. Então, não olhar a bioeconomia como algo imaturo, pequeno, longe, distante, difícil, tudo para ser feito. Pelo menos assim, essa música do meu lado, ela é ela é ela é é enfim, é é tudo que eu procuro em algum lugar para fazer é algo que a inovação precisa construir, né? Então, acho que como cidadão brasileiro, acho que a gente tem que bater no peito e falar que a gente deve ter uma das maiores oportunidades de bioeconomia para ser destravado do ponto de vista de riqueza do planeta, né? Eu acho que isso, isso é importante a gente, né, ter esse couro. Acho que a segunda coisa é um pouco do que que é bioeconomia, né, que tem é é uma discussão ainda de taxonomia. O que que é o açaí a bioeconomia para mim? É, né? A sócio Bill. É, é Bill com artesanato, com com ativos locais, tem a mandioca no Acre, enfim, é um é um é uma é um guarda-chuva gigante do que que a gente pode colocar aí por baixo. E a gente muitas vezes tá só, né, tem aquela coisa mais do produto, da semente, né, da molécula. Mas se vocês pensarem, eh, cada um desses desses itens, né, da que vem da bio, né, vem da vida local, da biodiversidade local, independentemente dos seis biomas que a gente vai falar, ele se transforma num vetor econômico, que eu chamo, né? Então, quando esse vetor cresce do ponto de vista de demanda, né, ele ele estora diversos elos da cadeia, seja na formação de capital humano, seja numa infraestrutura logística, seja na conectividade paraa formação do capital ou para vender o produto, em armazenagem, sistemas, né, de refrigeração, etc, etc. Isso pro olhar da capital é tudo bioeconomia. Tudo isso é bioeconomia. Se não é objetivamente aquela molécula, é o que aquela molécula depende para crescer, é um é um fator crítico para ela chegar. E aí voltando ao ponto do Jean assim, diversos tipos de capital e de ferramental financeiro existem para atender diferentes estágios de maturidade de um projeto e de demanda, né? Tem projetos que não se precisa de um sócio, se precisa de um capital de giro, tem projetos que só vão ficar maduros para melhoramentos investir, comprar ou contratar se tiver um um nível de percepção comercial e de produto já maduro, por acaso eu possa ter investido antes, né? E o venture capit faz muito desse papel, né? Nasceu fazendo isso, né? tirar a pesquisa da bancada, da universidade, no caso dos Estados Unidos, fazer desse pesquisador ou empreendedor, você coloca capital, gestão e leva isso a mercado. Então, a gente como capital não faz nada diferente do que o venture capital mundial faz há 60, 70 anos a partir da bioeconomia. Então assim, acho que alguns recados é um parque de diversão pra gente. A gente hoje tem um mecanismo, acho que a gente é o maior hoje mecanismo de blended finance de dívida catalítica pra bioeconomia amazônica na América Latina. A gente tá com mais dívida catalítica agora, BID e etc, do que até capital para investir em equity. Mas a gente tá crescendo essa iniciativa. A gente faz um papel de orquestração, que é um pouco do que a gente falou também. A gente tem muita iniciativa isolada. Isso nos diferentes biomas. Amazônia acho que cria um fator ainda um pouco, né, de dificuldade um pouco maior pelo tamanho da Amazônia. é 40% do território brasileiro, 30, 40 milhões de pessoas embaixo da Copa das Árvores. Vocês devem ter ouvido já isso. Então, como é que você orquestra o FINEP, o Sebrai, o BNDS, o Fundo do Clima, a Fundação de Ampar Pesquisa, enfim, são várias iniciativas e acho que tem um papel grande pra gente aqui que tá olhando bioeconomia de alguma forma ajudar na orquestração disso, né, que já é um problema de Brasil a gente se planejar e acho que bioeconomia ainda com os planos nacionais, com planos estaduais de bioeconomia ajuda a dar um pouco de orquestração. Mas a gente, só para devolver aqui, a gente é super positivo com a iniciativa. Quem não tiver ainda envolvido, eu acho que é um pouco do olhar que eu brinco do agro há 40, 50 anos atrás. >> É, >> né, que virou um vetor econômico do tamanho que é hoje. Por quê? Porque a gente teve ciência, né, vindo debrapa, você teve uma atitude empreendedora pressionando e em cima dessa disponibilidade geográfica e com ciência aplicada. E a gente deixou de ser um país importador de alimento há 30 e poucos anos atrás para ser um dos principais importadores do mundo. Então acho que é a bioeconomia, considerando a geografia e ciência que a gente tem disponível, né? Muita coisa em biotecnologia, isso é ferramental, tecnológico. Eu acho que a gente pode estar começando a aproveitar uma onda aí que seja muito importante pro país. >> Perfeito, Renato. Acho três coisas que eu queria comentar, né? Primeiro, que que é bioeconomia? Hoje eu vim até com o meu brinco especial de jacarandá lá da Amazônia, porque eu acredito que ele é bioeconomia. Então em homenagem a eu fiz questão de usar esse hoje. O que você comentou agora do agro fala, a gente falava disso num podcast hoje mais cedo, eu usei exatamente a mesma expressão que você do da de quando a gente era importador e agora exportador e o papel da Embrapa nessa mudança, né? Então, o que a gente comentava aqui, a importância da colaboração, de todo mundo trabalhar junto e ter isso como projeto de país mesmo para conseguir tirar do papel de fato e quem tá apostando nisso agora, né, já vai sair na frente. Então, acho que contar um pouquinho disso pro público, acho que é super importante mesmo para entender que realmente é difícil, tem um desafio, mas não é impossível. Alguém precisa puxar a fila. Mas vamos lá, então, para dar sequência aqui, Jean, eu volto para você e a gente tem um dado aqui que a Caixa investiu 53 milhões em parceria com o fundo casa Socioambiental para apoiar negócios de sóciobiodiversidade em todos os biomas do país, com foco em identificar as necessidades reais de crédito dessas organizações de base comunitária. Então, do ponto de vista de um banco público que precisa avaliar risco em escala, como vocês estão adaptando eh os modelos tradicionais de crédito e garantia para ativos biológicos e negócios comunitários, que é nesse caso aqui, né, que não se encaixam nos parâmetros clássicos de colateral de risco. Quais as adaptações que vocês precisaram fazer? É, primeiro eu queria ciente começar esclarecendo aqui especialmente pra plateia que estes 53 milhões que a gente fez no projeto da teia da sóciobiodiversidade, eles são os recursos do nosso fundo socioambiental. Ele não é crédito, >> tá? >> Então, e são recursos não reembolsáveis. A gente financiou até R$ 100.000 R$ 1000 por organização em parceria ali com o fundo casa e foi para destinado a apoiar iniciativas em seis biomas brasileiros, tá? Eh, essa foi uma escolha deliberada. A gente não tratou esse recurso como um investimento paralelo ao negócio. Ele foi muito intencional, eh, como entendendo como um primeiro degrau mesmo de uma escada de capital. E o que é que a TEA revelou pra gente, né? Eh, nesse primeiro degrau desse investimento aí não reembolsável para estes grupos que estavam aí espalhados, a gente isso permitiu a gente enxergar com dados concretos mesmo dessa realidade a dimensão dessa socioeconomia que existe aqui no Brasil, tá? A gente recebeu nesse chamamento de projetos, de organizações, 3.860 propostas e investimos em 405 projetos em todos os biomas aqui do país. Então a gente tá apoiando grupos de agricultura familiar, extrativistas, comunidades quilombolas, povos indígenas, ão diversos grupos e ligados à economia da natureza. Então foram diretamente são 384.000 1 pessoas e duas 2 milhões indiretamente. Então a gente não tá falando aqui de experiências isoladas, né? A gente tá falando aqui de um de uma escala social assim relevante, demonstrando capacidade produtiva, né? Um potencial até de crescimento. E e o que que a gente já tá vendo assim como alguns achados disso, né? Então, um aprendizado foi que tá, essa quantidade de projetos que apareceu na chamada mostra que existe muito mais demanda qualificada por financiamento do que normalmente aparece aqui nos nossos radares aqui do sistema financeiro, né? e mostrou pra gente assim uma economia viva, organizada, grupos, 70% dos grupos liderados por mulheres dentro das comunidades. Então, algo assim que a gente ficou muito feliz, mas a a gente costuma dizer aqui também que aqui no país a gente povoou razoavelmente aqui os dois primeiros degraus aqui da escada de capital, né? Então o primeiro degrau é esse dos recursos não reembolsáveis. Eu acho que não só o Fundo Social da Caixa, vários outros fundos, fundo Amazônia, institutos, eh recursos internacionais estão povoando bem. O segundo é o microcrédito produtivo orientado, até por ter uma exigibilidade também acesso a fundos constitucionais. A gente lá na Caixa opera o fundo constitucional do Centro-Oeste, do Norte, ligado também microcrédito para atividades rurais, agricultura familiar. Mas também no outro extremo aí o quarto degrau existe que é o mercado de capitais, né? Então, a gente disse que tem assim um enorme vazio ali, porque hoje você consegue eh você tem uma faixa de aproximadamente de 100.000 a 5 milhões que não alcança, o microcrédito não consegue alcançar. E eu não sei, Renato, mas eu acredito também que o mercado de capitais não é interessante pro mercado de capitais. >> Meu fundo pega exatamente isso, >> de R 100.000 a R 5 milhões, >> R$ 500.000 a R$ 5 milhõesais aí, >> mas não é crédito, é visto e equity, né? Capital equity. Tá, tá. Então é a leitura que a gente fez lá. Então lá na Caixa a gente entende que muitos negócios comunitários que poderiam ser viáveis, eles morrem justamente porque quando eles atingem esse estágio, ele não tem como acessar o capital. Então isso é um é uma questão. Então a gente entende que teria assim umas três mudanças que seriam necessárias que eu elenquei aqui, tá? Então, a gente primeiro é ampliar esse conceito de informação eh relevante para análise de risco. A gente sabe que histórico da da instituição, histórico bancário também, as questões ligadas à garantia, elas são fundamentais. Isso é regulatória, a gente tem que, mas a gente precisa que isso seja complementado com outras informações relevantes em relação, por exemplo, já tem um contrato de compra, ele participa de uma cooperativa, de uma associação, eh ele faz parte de uma cadeia produtiva, o produto tem algum tipo de rastreabilidade? Então são informações hoje que esse histórico e só a questão da garantia, ela não pega isso. Isso é fundamental que o banco comece. A outra coisa, a segunda mudança é o compartilhamento de risco. Eu acho de certa forma injusto a gente deixar eh essa questão do risco só nos balanços dos pequenos produtores e também das organizações. A gente precisa nesse momento entrar aqui o que a Carol a Carolina falou também, instrumentos de derrisking ali como o Blended financing, os fundos garantidores, a gente precisa de outros mecanismos de compartilhamento desses riscos se a gente quiser que esses negócios cresçam e floresçam, né? E a terceira mudança é é reduzir o risco, não apenas financeiramente, mas também economicamente. A gente dá condições de apoiar esses negócios a se conectar numa cadeia com compradores. Eh, então a gente fortalecer todo esse sistema pra gente poder chegar lá. Eu acho que entendo que isso também na perspectiva de um banco público, a gente tem que fazer isso também, né? Então, e a ideia aqui não é abandonar os critérios de risco, mas a gente integrar outros olhares também, outros tipos de informação, se a gente quiser realmente fazer com que a bioeconomia cresça aqui no Brasil. A minha visão, >> não. Perfeito, Jan. O que a palavrinha que você usou no começo que eu gostei que você falou, a escolha deliberada, né? Acho que eu traduzi como a escolha deliberada de romper essa barreira do tradicional, porque senão a gente não consegue avançar só no formato tradicional, sempre vai ter alguma barreira. Em algum momento a gente esbarra. Então, ótimos os exemplos que você trouxe pra gente ver, até fazendo um link com que o Renato mencionou também na fala dele da questão da taxonomia, que que é bioeconomia. Às vezes a gente já tá financiando, só não tá chamando disso, né? porque não tem ainda eh a palavrinha certa para cada uma das coisas, porque é um mundo gigantesco, então é difícil de encontrar uma classificação, mas às vezes tá aí nesses exemplos mesmo. E aí puxando paraa ponta, né, da economia real para também contar um pouquinho, Carolina, da experiência de vocês, porque a Melhoramentos captou investimento de 400 milhões, 40. Ah, aqui tem um zero a mais aqui, ó. Já 40 milhões paraa fábrica da Biona. É a sua linha de embalagens de fibra celulóica que sai da floresta plantada para o mercado de consumo. Então vocês já operam a bioeconomia em escala industrial. A gente pode entender assim, né? Saindo da fase do piloto para de produção. Quais instrumentos financeiros vocês encontraram disponíveis no Brasil para viabilizar esse salto? e pela experiência de vocês, o que ainda falta no mercado de capitais brasileiros para financiar empresas que precisem pesquisar e sustentar cadeias produtivas de base biológica? >> Bom, a nossa história foi foi longa, a gente contou, a gente tentou também ver como a gente percebeu essa mudança de cenário, né, que vem acontecendo. Eu concordo com o Renato, porque a bioeconomia tem tomado um holofote muito diferente agora e isso é muito bom pro Brasil. é a nossa competitividade, a gente tem que entender onde a gente ganha, né, nesse mercado e onde a gente faz essa diferença. Então, para no nosso caso, a gente primeiro foi um período ali fazendo uma uma pesquisa, uma busca de novas tecnologias dentro do Brasil, fora do Brasil, desenvolvendo, fazendo pilotos. Nessa fase a gente gastou um uma um boa grana em desenvolvimento, né, em pesquisa e desenvolvimento. E com isso a gente, como que a gente fez um funding para essa fase? Porque era uma empresa super tradicional que precisava mudar para um outro patamar. Então nem existia uma área de inovação, né? A gente tinha que criar ali, olha, eu tô pesquisando uma coisa nova, um produto novo, eh, que pode mudar esse mercado. Eh, como que eu consigo verba para isso? Então a gente conseguiu aplicar muito muito do nosso PID, a gente conseguiu com lei do bem, né? Então a gente ia todo ano fazendo tudo isso muito certinho, muito consolidado e aproveitando. É um benefício tributário, não é exatamente um catalítico, mas é um benefício tributário e que serviu muito bem pra gente naquele modelo que a gente vinha desenvolvendo e tudo mais. Em outras iniciativas, a gente teve eh entrar em editais, por exemplo, da FAPESP para tentar desenvolver junto a pesquisadores eh alguma coisa um pouco mais eh concentrada. Não funcionou no nosso caso, a gente não conseguiu, né, seguir adiante. Tava tava super burocrático, tava super eh complexo ali. Mesmo uma empresa que tem um pouco mais de estrutura e governança como a nossa, ficou muito complicado, a gente deixou quieto. Então a gente seguiu fazendo PID com lei do bem. a gente chegou a namorar algumas fases com o SENAI, o Embrapi, mas aí por uma questão do tipo de instituto que tava trabalhando com a gente não cabia, né, passar com o SENAI. Então a gente acabou fazendo essa parte de desenvolvimento muito focada, né, em em benefício tributário. E aí com uma vez que a gente tinha todo o material validado, toda a tecnologia, a gente tinha conforto, a gente tinha testado, a gente já tinha rodado pilotos, aí o a vantagem de ser uma empresa maior, a gente já tinha contato comercial, >> que é um um fator que eu vejo que empresas menores não conseguem e os bancos podem muito ajudar nessas conexões, né, que é um pouco do que o J comentou aqui. Acho que vários bancos nos ofereceram também uma série dessas conexões. Olha, esse produto, eu tenho um cliente que poderia servir para ele. Vocês querem conversar? Essa ponte por si só já é já é uma ajuda muito relevante para quem tá tentando validar um produto de uma maneira comercial, até para convencer o próprio banco que depois você precisa financiar o scale up dessa produção. No nosso caso, o FINEP veio numa linha que pra gente foi perfeita, né? é uma linha que ela é de fato de inovação, com 12 anos de prazo. Então, ou seja, de fato é uma coisa que a gente tá começando agora num mercado maduro, a gente disruptando um mercado maduro e a gente vai precisar de um tempo para isso. Então, a gente conseguiu 3 anos de carência, 12 anos de prazo numa taxa que faz sentido, apesar de ser um reembolsável, obviamente, mas era um reembolsável que viabilizou aquela iniciativa a a se transformar hoje em alguma coisa que tá aí, né, no mercado consumidor. E inclusive é um selo que nos ajuda também a comprovar o nível de inovação que a gente conseguiu, né? Para eu conseguir chegar nesse nesse financiamento da FNEP, foram vários relatórios, várias pesquisas demonstrando que não tem algo igual no Brasil, >> né? Por mais que você olha assim fisicamente parece só uma embalagem feita de celulose, tem uma tecnologia embarcada ali que hoje a gente não vê igual no Brasil, então em vários partes do mundo também a gente não vê. Então é uma coisa que é realmente nova esse desenvolvimento de barreiras que a gente vem trabalhando com muita gente envolvida, né? Muita gente aí, muito PID. Eh, mas a gente conseguiu comprovar toda essa inovação e esse selo da FNEP, além de viabilizar economicamente, ele deu também um um é quase que um selo de qualidade. Olha, realmente tem algo por trás aqui, né? a gente ter passado por esse processo de credibilidade do FEP também foi super importante. Então é mais do que só uma viabilidade econômica. Ele também mostra a seriedade, o commitment, né, que a gente teve em todo esse processo de inovação e que de fato é uma coisa diferente da média. Eh, onde eu vejo ainda oportunidades, né, de escala e tudo mais, é porque nem toda empresa tem o que a gente tinha. mesmo para eu conseguir um fin com esse benefício todo, né, a gente precisou apresentar a Valda holding, garantias e tudo mais. Poxa, se fosse um startup efetivamente, será que mesmo com ideia tão boa que hoje grandes indústrias estão começando a substituir suas embalagens pelas nossas com um impacto de pegada de carbono que chega a ser 60% menor do que a embalagem que é utilizada atualmente, sem aumento de custo, imagina. É um é um super benefício também dentro da cadeia, mas uma startup que não tivesse uma holding tão grande por trás, que não tivesse é um ativo, um balanço para acomodar tudo isso, ele precisa muito de uma conexão. Ele precisa muito do Renato, ele precisa n passa para mim quando aparecer outra dessa. >> Aí, então assim, é, para mim no final do dia é sobre conectar, né? Mas são são as pontes, cada um tem o seu papel, sempre vai ter uma coisa que falta para alguém. E o mais importante, como que a gente consegue botar todo mundo junto, né, para poder fazer os desenvolvimentos que são sérios, que são bem feitos, que são detalhados, que tem um potencial enorme de transformar mercados e economias, né, de uma maneira que faça sentido e e gerefício absurdo pro país. >> Sim. Não, muito legal te ouvir, Carolina, porque acho que quando você falava, eu fiquei pensando aqui a quantidade de cabeças pensantes para estruturar tudo isso. E não basta só estruturar, ainda tem que ser o primeiro, ainda tem que provar que é o primeiro todo esse trabalho, né? Então, acho muito interessante conhecer essa experiência. Eu não sabia que tinha que ter essa questão da inovação de comprovar de ser o primeiro. Acho que eu imaginava outras formas ali de comprovar a questão da inovação. Então, isso torna muito mais desafiador, né? Aí acho como o Renato até interagiu ali na próxima, já envolve a importância desses laboratórios colaborativos, né? Às vezes a gente pensa, ah, vai ali fazer o tal do brainstorm, brinco, mas é importante para esse tipo de processo ter ouvir todas as todas as partes, coisas que a gente nem sabe que tem ali, só essa troca mesmo que vai ajudar a gente a destravar algumas coisas. E aí, Renato, nessa linha, né, de quando você ajuda ali na outra ponta, ajuda a pensar, ajuda a desenvolver, vou trazer dados aqui também. Se eu aumentar os zeros, você me corrige, que eu tô aumentando os milhões aí para todo mundo aqui. Mas eh a Capitol mantém o fundo floresta e clima com 200 milhões para investir em negócios de impacto na bioeconomia. Do ponto de vista de quem faz o venture capital, com tickets que costumam variar de 2 milhões a 7 milhões e ciclos de até 12 anos entre captação e desinvestimento, o que precisa amadurecer numa startup de biotecnologia ou de bioeconomia para que ela deixe de depender só do capital público ou filantrópico e se torne de fato investível pro capital privado? Acho que tem bastante a ver um pouquinho que a Carolina trouxe, mas ter a sua visão nisso também vai ser ótimo. >> Não, super, os números estão corretos, né? a gente tá indo a 200 milhões, a gente já tem uma um pouco mais de 1/3 disso em dívida catalítica e já fizemos um pouquinho de de equity, já investiu numa primeira empresa ah a de bioeconomia usando biotecnologia para produção de nutracêuticos para questões de envelhecimento. Então, células para musculatura, musculatura esquelética, tecido ovariano, uterino, enfim, a gente tá aqui dentro do a gente toda a parte de ciência tá lá na Federal da Amapá, são 42 pesquisadores que a gente tem lá num brasileiro que a gente tem que bater no peito e falar que é o professor José Carlos Tavares, que é um dos maiores farmacologistas do mundo, que fica, já foi reitor da Federal da MAP, ele é membro da Academia Espanhola de Ciência, enfim, outro brasileiro desses que a gente muitas vezes não sabe que estão por aí, tá fazendo ciência de altíssima qualidade. E a gente tá na área eh aqui do do Hospital das Clínicas, já em teste clínico para alguns produtos. Eh, mas enfim, eh, vamos lá. Eu eu eu acho que assim, tem um pouco de tudo lá, como eu falei com vocês, é parque de diversão, então tem brinquedo novo, tem brinquedo antigo, tem uma, tem uma série de coisas, é difícil criar criar agenda de clima que a gente brinca, tem muito nome para tudo, né? O venture capture já é tudo tech, tec tec, já começa uma brincadeira de palavrinhas e clima ainda criou blended finance, first laws e não sei quê. É, é, é. Eu acho que mais complica e sofistica e dificulta do que facilita. Mas vou tentar simplificar, até porque a gente faz um trabalho de pesquisa, a gente vai começar agora, que chama Base itinerante. Enfim, para quem conhece o evento básico, é o Bio Economy Amazon Summit, que a gente organiza lá na região norte, a gente faz um trabalho de campo de pesquisa em nove estados da região amazônica. E aí dá pra gente dar um cenário bastante interessante do que que a gente vê nessas nove regiões. A gente começou esse trabalho em 2020, tinha perto de umas 150 startups empreendedores de base tecnológica. Base tecnológica pode ser uma empresa de biotecnologia, pode ser um software, pode ser um hardware, pode ser uma mistura disso, tá? A gente tá menos preocupado em como que a inovação se propõe a resolver um desafio e mais preocupado com o que é novo, com que é, né, essa embalagem é rosa ou não, mas assim, isso tem, ela que resolve que tipo de problema para Carol? É isso que a gente tá preocupado. Eh, hoje, para você ter uma ideia, no trabalho, do ano passado a gente chegou a 2.200 startups. A curva de crescimento do empreendedorismo de base tecnológica no bioma amazônico é mais forte do que a gente viu no agro quando a gente começou lá atrás, a capital de 2003. Então, a gente pegou uma curva do agro inteira desde 2007 em diante. A curva lá tá mais é mais inclinada que a curva de desenvolvimento de software de Florianópolis. É muito impressionante o que tá acontecendo lá. Mas o que que a gente vê, né? Tem clusteres e clusters, tem empreendedores imaturos, eu vou eu vou dizer assim, tem um empreendedor que ainda não sabe como que funciona ou não sabe diferenciar o que que é um crédito, o que que é um equity. Eh, se ele precisa de um sócio, o que que é ter um sócio, então tem esse empreendedor que a gente precisa de novo com a orquestração, educar ele, acessar o capital correto para aquela jornada dele. Eh, tem empreendedor ainda muito conectado com a academia, isso não necessariamente é bom no Brasil, infelizmente. A gente vem de uma escola francesa da academia. Isso não produz necessariamente ciência que vai levar pra economia real, né? a gente é o tradicional produtor produtor de paper. A gente incentiva o nosso cientista a produzir paper. Então, muita coisa que a gente vai nas universidades de lá, centro de inovação, ICTs, etc., vê muito papel produzido com pouca praticidade na economia real, né? Então, a gente precisa também conversar mais com essa universidade. Então, você vê planos de estado que fala: "Olha, eu vou investir nessa e nessa e nessa área". Na hora que você vai na universidade, ele tá para aquela, para aquela e para aquela área. Então, de novo, essas pessoas não estão se conversando, né? É igual você ir para Exal que ele tá lá fazendo, sei lá, tecnologia para setor de mineração em ferro. Você fala que você tá fazendo, né? Então, tem uma uma desorganização. Eh, tô contando os problemas, mas depois acho que dá pra gente falar muita coisa, muita coisa bacana. Tem muita iniciativa de estado bem feito, tem muita iniciativa de CT, de Centro Federal de Pesquisa muito interessante. Ah, eu acho que tem uma iniciativa, duas iniciativas que são muito louváis que a gente faz lá. Um é SENAI, né? Mais ou menos em um estado ou outro. Tô falando mais de Amazônia, mas que a gente dá para explodir isso para Brasil. O Sebrai faz um papel incrível aí, nem tão conectado com inovação. O SENAI acho que é um pouco mais inovador, até porque a indústria demanda do SENAI esse tipo de formação de de de capital, né, de capital tecnológico, de inovação em processos, etc. Ah, então acho que voltando aqui ao ponto da C, sen não vou me perder tamanha, né, quantidade de portas que eu brinquei que tem que tem aberta. Eu acho que a a a curva que a gente vê no amadurecimento do ecossistema empreendedor que tá lá é o que é e não é diferente do que a gente viu no agro. Não é diferente. Os desafios do empreendedor local que a gente vê lá e em Rondônia não é o que a gente viu no Mato Grosso em 20072008 quando o trator estava deixando de ser analógico para digital. É o mesmo desafio, né? É um desafio de tempo, de desenvolvimento, de cadê o capital, cadê a universidade que não tá bem orquestrada comigo. Então, de novo, não vamos trazer essa dificuldade pra bioeconomia como se fosse um patinho feio ou alguma coisa que a gente vai ter que inventar roda, não vai. Ah, então de novo, temos formação de capital humano de qualidade, tem um processo de amadurecimento que acontece no dia a dia, o capital tá chegando, poderia chegar mais como sempre, mas acho que algumas iniciativas que estão sendo produzidas que é o Ecoinvest, não sei quem tá acompanhando nos seus diferentes leilões, o quatro tinha um olhar claro em bioeconomia, em Amazônia, o cinco tá aí com muita coisa de inovação industrial para qualquer tipo de região. E de novo, os vetores da bio devem puxar uma inovação industrial por trás, né? Eh, então de novo, tem tem uma tendência positiva. Eu acho que se fosse para falar o que que tá faltando é a gente se orquestrar melhor, né? Eu acho que assim, eu preciso encontrar mais com o Jean. A gente precisa falar mais, eu preciso apresentar mais os empreendedores pra Carol, a Carol convencer que eventualmente a gente trabalhar junto, a gente é mais eficiente numa locação de capital do que a gente concorrer, né, por por uma transação. Eu acho que falta, isso é uma coisa comum no Brasil, né? Devo tá deve est dando, acendendo outras luzes em diversos setores do país. >> Eh, mas assim, Cti, eu de novo, eu sou eu sou muito positivo com bioeconomia no Brasil. Eu eu eu tento tirar as dificuldades que a gente sempre tá colocando e sofisticando. É mais uma onda geográfica e tecnológica que o Brasil deveria eh eh fazer um trabalho como fez em outras ondas tecnológicas e geográficas. O Agro é um exemplo, setor de mineração, a gente poderia ter uma econom um papo muito parecido, né? é um protagonismo de país. E se vocês me perguntarem qual é um dos setores que para mim tem mais defazagem do ponto de vista de inovação local, no Brasil é setor de mineração, por incrível que pareça. Chile, Canadá, Austrália é muito mais avançado do que Brasil. Então, eh, de novo, a gente não tá fazendo nada do que a gente já não fez no passado. É só a gente se organizar um pouco, ajudar esse empreendedor a fazer o que ele precisa fazer, conectar com a demanda da indústria, levar os diferentes tipos de capital pros diferentes estágios de empreendedorismo tecnológico ou não. >> Perfeito, Renato. Eu gosto muito desse paralelo que você faz com agro por conta do histórico, porque é isso, né, da gente olhar as lições aprendidas, os erros para não cometer a importância dessa colaboração toda que a gente já comentou e principalmente o potencial. Hoje em dia todo mundo sabe o potencial que o Brasil tem pro agro e quão protagonista é e a mesma história pode ser contada pra bioeconomia. Então a gente tem que aproveitar do aprendizado que a gente já teve, né? Você comentava também dessa importância da colaboração, o exemplo do Ecoinvest, pessoal, a gente aqui, Febraban, como entidade setorial tenta muito fazer esse papel também de conexão do setor. Por exemplo, falando com o pessoal do tesouro e eles perguntaram: "Ah, a gente pode conectar Febraco em Brapi para você conectar em Brapi com os bancos, pros bancos chegarem nas startups?" Sim, vamos fazer essa conversa porque é isso. E o Ecoinveste traz essa provocação também. tem ali toda uma estrutura pra gente seguir e a gente precisa trabalhar para reunir essas pontas e conseguir de fato tirar o projeto do papel. >> É uma iniciativa gigante, né? Acho que de novo são o Ecoinveste Cluído, deve mobilizar R bilhões de reais para uma pauta de de de clima, né, de regeneração, a descarbonização industrial. É louvável, realmente, >> não? Perfeito. E aí eu já conecto um pouco disso, Jean, porque eu vou perguntar falando um pouquinho até da questão da da conexão de de política pública mesmo, porque assim, a na outra pergunta você explicou pra gente que não era crédito, era o fundo ali sem sem ser reembolsável, mas agora focando em crédito mesmo, né? Porque o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, ele estabeleceu essa meta de 20% ao ano, nicrédito produtivo. Então aí por isso que eu falei da política pública, como banco e política pública, que o Ecoinveste é um exemplo, se coordenam na prática para que esse crédito de fato chegue a produtores, comunidades que muitas vezes não têm a documentação formal, histórico, do que a gente tava falando aqui antes também, sem que a exigência de segurança jurídica se torne ela mesma barreira de acesso, que acho que o exemplo que você trouxe anteriormente justamente teve que quebrar essa barreira, mas em algum momento, assim como aconteceu com rural, com agro, a gente estabeleceu ali crédito rural, regras específicas. Como que a gente pode pensar isso também falando de crédito propriamente dito para conseguir destravar? >> Sim, esse eh não existe esse dilema aí de a gente tem que reduzir essa tensão aí entre inclusão financeira, segurança jurídica, ela a segurança jurídica, ela é necessária, ela sempre vai existir, né? E mas a gente precisa repensar os nossos modelos de como a gente avalia, especialmente quando a gente tá falando da sociobioconomia, né? Então a gente não pode tentar encaixá-la nos mesmos modelos empresariais que a gente con construiu, né? Então existe em algumas eh questões que a gente precisa enfrentar e e eu vou talvez dividir aqui em algumas questões que a gente poderia como enfrentar isso em algumas camadas. Eh, uma delas, a primeira seria a presença no território, porque o a beleza do microcrédito é isso. Quando você faz o microcrédito de fato produtivo orientado, você tem que tá lá no território conhecendo os grupos, eh entendendo a lógica da de quem produz, né, de qual é o ciclo daquela atividade econômica, quais são os desafios. Então você tem que compreender essa atividade para poder você com isso inclusive reduzir seu risco. A partir do momento que você tá lá presente vendo quem é a pessoa, como é que ela produz, isso aí elimina bastante essas esses esses receios, né, da instituição financeira. Uma segunda seria em relação a uma articulação, né? Então, a gente articular com quem já está organizado e acessando o crédito, se já tem uma aquela pessoa que produz eh junto com uma cooperativa, com uma associação, as organizações da agricultura familiar que também funcionam lá em todos os os territórios, os governos locais, as secretarias muitas vezes dão apoio, organizações não governamentais, então isso tudo reduz um problema sério de assimetria de informações para esses grupos acessarem, né? Então, e a outra coisa também é a gente tentar integrar aí um modelo mais digital com o presencial pra gente também reduzir o custo e ao mesmo tempo que você reduz burocracias, mas essa presença digital e humana ao mesmo tempo é uma das estratégias que a gente entende. Outra camada relevante é conectar o o crédito à geração de renda, né? a gente de fato não usar o crédito como financiamento como ofício mesmo, né? Então ele tem que estar atrelado à efetividade de uma geração de renda como intencionalidade de potencializar aquela cadeia, né? Então, eh, vê se ele tem condição de estar se juntar com quem compra, quem produz com quem compra, eh, um sistema de logística, sistema de compras públicas, o privado que tem interesse daquilo. Então, é todo um uma operação que a gente não pode colocar o microcrédito de forma isolada, né? então integrada a esses sistemas. Pelo menos é dessa forma que a gente tá querendo trabalhar lá na Caixa. A gente já tá trabalhando algumas estratégias. Então o crédito ele passa a fazer parte de uma estratégia mesmo de desenvolvimento econômico de forma intencional, né? Então eu diria que a gente tem que ter o objetivo de construir essas trajetórias, né? Então a inclusão financeira ela não deveria significar apenas a gente conceder acesso ao crédito, né? Então, a partir do momento que eu tenho essa intencionalidade, eu passo a conhecer melhor este produtor, eu coloco ele, entendo como é o sistema de garantia, eles ele vai tendo, criando a identidade econômica no território e comigo como instituição financeira, até para ele posteriormente acessar instrumentos mais sofisticados, como é o caso do mercado de capitais, né? Então é esta é a visão. Então eu diria que inclusão financeira não é baixar a régua do risco, é a gente pensar de forma diferente nessa visão mesmo de construir uma trajetória com este produtor, com este participante dessa cadeia da sócio bieconomia também. Perfeito, pessoal. A gente tá chegando nos minutos finais aqui da apresentação. Eu vou pular paraa nossa última pergunta, porque eu também não quero que vocês respondam tão correndo assim, que ela acaba sendo complexa. Mas eu vou fazer a mesma pergunta pro Renato e pra Carolina, porque é, a gente falou muito aqui do Plano Nacional de Bioeconomia e dessa dessa previsão até 2035. Como vocês estão bem próximos, eh, com a mão na massa ali no dia a dia olhando para isso, a pergunta seria, eh, olhando para esse período até 2035, o que vocês acreditam que será mais decisivo pra bioeconomia brasileira eh se se consolidar como um setor industrial e financeiro autosustentável na visão de vocês, dessa experiência toda e olhando pra frente? >> Bom, na minha visão, eu concordo muito com o que o Renato falou. que é sobre coordenação, né? Como que a gente une pontas quando a gente fala de acabou possibilidades, né? A gente já passou aqui mais de 50 minutos falando que de fato tem, né? O próprio PND foi feito, né? você participou mais de perto lá, teve muita audiência pública, foram ouvidas muitas partes, então foi uma coisa realmente construída a muitas mãos, mas para ser efetivo, a gente precisa começar a conectar. E eu acho que tem um distanciamento sim um pouco até do da própria indústria também, né, de querer coisas que sejam só para ela ou não ter a capacidade de gerir essa inovação. É só vocês verem, né, recentemente as grandes indústrias, pelo menos do segmento de celulose e papel, que que é o que eu tô mais conectada, todas anunciaram: "Nós vamos focar só em fazer a commodity que a gente já faz, nós vamos fechar." Tá? Eu vi várias iniciativas que a gente vinha tentando desenvolver coisas super interessantes. Eu vi várias fecharem iniciativas e falaram: "Vamos voltar back to the basics, né? Vamos fazer o que a gente já faz há 100 anos". E isso é muito é muito ruim pra economia do país. Então assim, de fato, a gente precisa reenvolver essa indústria também, né? Eu acho que tem que ter esse essa essa demanda da indústria. A indústria tem que est de fato conectada nisso, porque se você tem todo o capital, todo o acabo toda a regulação para isso e não tem quem execute, tá faltando uma pena muito muito muito importante. Então assim, obviamente o mercado de capitais e todo o o que é ofertado pelos bancos vai ajudar muito a dar incentivos para Mas de fato a gente precisa também cutucar um pouco as indústrias para que elas não não deixem essas iniciativas morrerem antes do tempo. >> Perfeito. Obrigada. Vai lá, Renato. >> É, assim, eh, eu acho que o ACI Invest também pode ser um bom exemplo. Eu acho que a gente reclamou durante muito tempo, nos últimos anos, que faltava capital, capital catalítico pra agenda de clima, né, de uma forma mais ampla. Agora o capital tá aí, tem 200 BI. Agora chegou a vez da gente mostrar que tem business aí dentro, né? se se que que esse capital, produtividade marginal do capital, se a gente consegue fazer geração de riqueza a partir da pauta de empreendedorismo do sócio ou do empreendedorismo mais de base tecnológica, seja na Amazônia, seja na Serra do Mar, seja independentemente do bioma, seja no ativo biológico, seja na cadeia ao redor daquele daquele daquele ativo. E acho que isso para isso acontecer de novo, orquestração é o que a gente já tá batendo bastante aqui. Eu acho que a gente precisa produzir casos de sucesso, né? Ou seja, existe um efeito gravitacional ao redor do capital que enquanto não acontece uma coisa que seja realmente marcante, né? E eh o resto não vai. Então a gente precisa continuar tentando tirar das diferentes dos diferentes biomas, dos diferentes tipos de ativo, seja em saúde humana, seja na infraestrutura, seja em produção de alimentos, etc, etc. Grandes cases, né? Isso vai fazer com que o capital olhe com mais atenção. Existe um efeito gravitacional. Quando a gente fez um evento há três, qu anos atrás, eu não consegui levar um investidor, nenhum banco, nenhum investidor de fomento mundial. Ano passado a gente conseguiu levar 14, né? Os principais bancos e principais tinha mais dinheiro gringo do que nacional, por incrível que pareça. Então assim, tá acontecendo, mas a gente não pode frustrar esse capital. O capital magoa rápido, né? Então a gente precisa ter a capacidade de educar bem esse empreendedor, tá perto desse empreendedor para que ele gere bons cases e isso aí entre num ciclo positivo. Eu acho que isso é é uma coisa que a gente como como sociedade não pode deixar. Eh acho que a organização do capital, acho que agora a gente não tem mais o que fazer. Eu tô um pouquinho preocupado com a organização entre ciência, formação de ciência e estado. Eu acho que aí tem uma agenda política que muitas vezes atrapalha o Brasil e não é só na pauta de bioeconomia, mas essas coisas precisam estar mais bem organizadas. A gente precisa formar ciência naquilo que aquele território tem uma predisponibilidade natural, né? O que quer uma vantagem comparativa daquele daquele local. E a gente não tá sabendo fazer exatamente isso, mas acho que é uma um outro ponto de atenção. Então, acho que gerar bons cases e e e tomar um cuidado pra gente formar a ciência aonde precisa, eu acho que são duas duas atividades que a gente pessoalmente na Capital se dedica aí com advoca assim, quase que uma iniciativa quase que filantrópica pra gente ajudar. No fundo, no fundo, eu quero investir bem em capital. Não tem nenhuma, não é que eu sou um bom garoto, nada disso não. Eu quero investir bem em capital. para investir bem capital, eu preciso de um bom empreendedor, com uma boa iniciativa, madura, o suficiente para fazer multiplicação desse capital e voltar a fazer mais capital e assim por diante. Então, e de fato, acho que é é esse no fundo que a gente tá querendo. >> Perfeito. Jean, você tem alguma consideração nessa última questão também para fechar? É, eu espero que a nossa bioeconomia não seja medida em 2035 somente pelos bilhões investidos, né, que a gente construa realmente uma uma cadeia que agregue valor, tecnologia, que gere empregos e que esse valor fique principalmente também com as comunidades que preserve essa nossa biodiversidade. >> Que a gente possa ver em 2035 o impacto positivo, né, desse esforço todo que não começou hoje, mas tá ganhando tração. Acho que o que o Renato trouxe do Ecoinvest é super recente. Os primeiros desembolsos estão acontecendo esse ano. Daqui um tempo a gente vai começar a ver os resultados disso e conseguir mensurar melhor, ter os aprendizados com os erros e acertos que vai ter e ao longo dessa década aproveitar o que deu certo a e e incentivar cada vez mais. Mas eu concordo muito, Jean, que as comunidades precisam fazer parte no começo, no meio e no final também, colher esses frutos que que a gente pretende, que é a nossa discussão de hoje. Perfeito, pessoal. Muito obrigada pela participação de vocês. Em nome da Febraban, eu agradeço muito Jean, Carolina, Renato. Agradeço também o público que nos acompanhou aqui presencialmente, o público virtual também. Muito obrigada, pessoal. Bom evento. >> Obrigado. Obrigado.
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