FEBRABAN TECH 2026 | As mudanças climáticas e o cenário que vem por aí: riscos e oportunidades
Sumário Regulatório
As mudanças climáticas já produzem impactos econômicos, sociais e ambientais em escala global, e o Brasil ocupa posição estratégica nesse debate após sediar a COP30, em novembro do ano passado. Designado Climate Champion da conferência, Dan Ioschpe assumiu a missão de aproximar o setor privado das ações voltadas à agenda climática. Neste painel, ele compartilhará sua visão sobre as duas principais frentes de atuação: a mitigação, com iniciativas para reduzir as emissões e limitar os impactos das mudanças climáticas; e a adaptação, com estratégias para preparar a sociedade e os mercados para uma nova realidade. Quais serão os impactos desse cenário para os negócios, os investimentos e a competitividade das empresas?
Transcrição e Conteúdo
[música] Muito obrigado, Flávia, e bom dia a todos vocês. Eu vou pedir primeiro pra gente passar um vídeo que mostre um pouquinho para vocês de um uma preparação pra nossa COP 30 que ocorreu agora em novembro em Belém. E daí eu começo a contar um pouquinho para vocês o que que é esse tema todo da agenda de ação climática e depois nós vamos ter um espaço para que vocês façam perguntas, comentários,...
[música] Muito obrigado, Flávia, e bom dia a todos vocês. Eu vou pedir primeiro pra gente passar um vídeo que mostre um pouquinho para vocês de um uma preparação pra nossa COP 30 que ocorreu agora em novembro em Belém. E daí eu começo a contar um pouquinho para vocês o que que é esse tema todo da agenda de ação climática e depois nós vamos ter um espaço para que vocês façam perguntas, comentários, críticas. Então, vamos ter uma dinâmica aqui interessante. Então, primeiro filme, por favor. A decade of purposeful action has us here to the era of implementation. We have moved beyond [música] pledges. Hundreds of global initiatives organized to tackle the most urgent climate challenges now organed behind a single unified vision [música] for the next years. From protecting our oceans [música] to waste management, from clean energy to climate finance, work is already picking up pace. [música] You are the engine of the global climate action agenda. [música] Global coalitions [música] turning impactful solutions into reality with clear timelines for investment and progress. We need regional leaders, businesses, commun and c to join us. [música] We must the finance [música] necessary to turn these intoity. [música] To help us move faster, topple barriers and drive [música] action towards COP 31 momentum requires everyone. Our plans [música] cannot wait for our children, our planet, and our shared prosperity. Let's work together. Welcome [música] to the era of implementation. Muito bom. Então, ah, rapidamente, o que que é a COP? A COP é a Convenção das Nações, Convention of Parties. Ela ocorre todos os anos. e ela traz os países todos para discutir a questão climática, que é hoje o maior tema eh da humanidade, é o maior evento eh da terra e ele é levado adiante pelas Nações Unidas. No bojo das COPS, cada ano se define essa figura que eu representei na COP 30, que é o chamado campeão de alto nível, para tratar da mobilização da sociedade não governamental, que somos todos, exceto os governos federais, pro atingimento daquilo que os governos federais nas COPs definem como uma direção. maior marco disso se deu em Paris e num num acordo que preveu previu de fato a redução das emissões para que a gente evite o caos e a possibilidade de que a gente não tenha mais volta nessa questão da agenda climática. Eh, nós estamos há mais ou menos 10 anos do acordo de Paris e os países convencionaram que fariam esforços, cada um dos signatários do acordo de Paris para reduzir as suas emissões ao nível que a temperatura da Terra não passasse de 1,5 grau daquele momento do acordo. Infelizmente, hoje a gente já está cruzando e essa fronteira e nós temos que trabalhar muito mais para atingir esses objetivos do acordo. Então, nasce no bojo dessas decisões a chamada agenda global de ação climática, que ela trata de todos os esforços pra gente mitigar as emissões e nos adaptarmos aos efeitos da mudança do clima, enquanto a gente não consegue atingir esses objetivos. na COP 30, sob a liderança da presidência brasileira da COP, das Nações Unidas, dos Climate Champions, que eu representei nesse ciclo, e de todos os parceiros globais da agenda climática, que são milhares de instituições e milhões de pessoas, eh se definiu uma nova forma de tratar essa agenda global de ação climática, uma forma mais organizada, continuada e totalmente focada na impla implementação de soluções, que é o que nos faz efetivamente ou mitigar eh a emissão ou adaptar a cidades e os nossos ambientes à mudança climática. E aí nós definimos essa agenda em seis eixos, cinco deles tratando dos temas fundamentais, eh, energia, transportes, indústria, florestas, agricultura e sistemas alimentares, cidades, desenvolvimento humano e um sexto eixo que são os fatores habilitadores, como finanças, tecnologia, seguros e assim por diante. Nesses seis eixos, nós trouxemos todas as iniciativas existentes ao redor do mundo de ação para mitigar ou adaptar. E são 482 eh iniciativas efetivas, todas registradas nas Nações Unidas, num sistema transparente que qualquer um de vocês pode acessar chamado NASCA. Destas 482 iniciativas, nós as agrupamos em 30 objetivos chave propostos pela COP Brasil, pela COP do Brasil e que passam a ser eh parte desses seis eixos da agenda global de ação climática. E daí saíram eh no ano passado e continuam ativos nesse ano 120 planos de aceleração de soluções, que é quando a gente entra no maior detalhe possível para implementar uma solução. E aqui nós podemos estar falando de combustível sustentável da aviação, energia solar, eh grides e baterias para que a gente evite o que a gente eh viu, por exemplo, nesse último fim de semana no Brasil. Nós chegamos muito próximo de uma pan geral do sistema elétrico, porque do lado positivo a gente tá entrando com muita energia sustentável e renovável, as energias solar e eólica. E do outro lado, com a experiência, a passagem do tempo, a gente vai vendo que com o aumento da proporção dessas energias no grid, a gente precisa de reformas estruturais nos grides e na armazenagem, nas baterias, para que a gente possa conviver com uma maior participação de energias intermitentes, que em geral são as energias de origem sustentável, eh para que a gente consiga manter o crescente uso de energia. E eu uso esse exemplo para trazer o ponto talvez chave aqui dessa conversa. Eh, muito se fala da transição paraa sustentabilidade como um custo, como um ônus. E, de fato, ela traz custos, mas ela também é uma enorme oportunidade, a maior dos nossos tempos. E dos dois lados, se nós não nos movermos eh na direção da transição e implementarmos essas soluções como as energias renováveis, como agricultura regenerativa, como a recuperação de áreas degradadas eh e tantas outras alternativas que a gente tem, nós vamos exaurir os nossos recursos tratando dos efeitos da crise climática, que é um pouco o que a gente tá vendo hoje. poderia falar da minha cidade natal Porto Alegre como um exemplo muito difícil que a gente passou aqui no Brasil, mas nós estamos vendo agora na Europa também o que que significa a elevação dessas temperaturas e a gente tá de certa forma eh no no na primeira parte desse processo. Então, quando a gente pensa em desenvolvimento socioeconômico e a gente traz a noção da sustentabilidade, a gente tá tratando aqui de um caminho muito custoso pra sociedade, em que nós vamos exaurir recursos ao invés de colocar esses recursos efetivamente na implementação das soluções ou implementar as soluções com a maior velocidade e escala possível para que elas nos tragam esses resultados. Um bom exemplo são os veículos elétricos, assim como a energia solar também. Nós já temos aí um muito bom volume e a gente começa a ter uma economia de escala e começa a ter custos que de fato são extremamente competitivos e nos fazem migrar para essas soluções com muita velocidade. E isso, obviamente faz a melhora e do cenário no lado da mitigação e diminui o esforço que a gente tem que fazer justamente de adaptação a esse cenário eh tão complexo. Então, a agenda trata eh muito mais do que de um ônus, de uma enorme oportunidade para que a gente possa seguir com a velocidade do desenvolvimento socioeconômico, só que de forma sustentável. Um outro exemplo interessante que a gente pode pensar é da inteligência artificial, das tecnologias, da nuvem. O que que a gente tá vendo? um aumento enorme da demanda por energia e água para que essas a atividades ocorram da forma esperada. Se nós não pensarmos na sustentabilidade, esse avanço não terá vida longa, ele terá uma vida muito curta. Então, desde o dia um, a gente precisa pensar na sustentabilidade. Agora, a sustentabilidade encaixada, por exemplo, nesse processo de crescimento do uso da demanda de energia para novos fins, para novas atividades, ele é aquilo que vai nos levar paraa frente como sociedade, mas sempre com sustentabilidade. Nós estamos aqui num evento do setor financeiro. Eh, trazermos propostas hoje em dia insustentáveis de como que a gente vai levar adiante, fazer investimentos que não sejam sustentáveis, é uma proposta muito ruim. Então, no fim do dia, nós estamos falando aqui de uma agenda de desenvolvimento socioeconômico, de sustentabilidade e de trabalhar de forma muito organizada e conectada para que a gente implemente essas soluções, que a maioria delas já estão disponíveis tecnologicamente. Eh, a agenda de ação climática, ela foi redesenhada e apresentada às nações participantes da COP em Belém em novembro do ano passado. E os países decidiram que esse modelo deveria seguir adiante pelo menos pelos próximos 5 anos. Então, hoje a gente tem uma força e um engajamento muito grande dos países, das organizações, a a própria Febarban, para dar um exemplo aqui no Brasil de como que a gente pode ir adiante com essa agenda. Uma outra coisa interessante é que nessa nova forma de trabalho nós conseguimos que todo o calendário anual das semanas de clima, de todos os eventos que acontecem ao redor do mundo, ligados à sustentabilidade, que eles trabalhassem com os seis eixos que eu descrevi para vocês, as 482 iniciativas, os 120 planos de aceleração de soluções, de forma que nos 365 dias do ano, todos nós, toda a sociedade ade organizada possa trabalhar em prol da implementação dessas soluções. E sempre lembrando que essa questão toda tem um caráter competitivo. Então, eh quem anda na frente, seja uma empresa, seja uma entidade de classe, seja uma prefeitura, seja um setor como um todo, ele tende a estar numa posição favorecida em relação aos demais. Eh, nós vamos ver, por exemplo, nos próximos 10 anos, o crescimento do uso na aviação eh do combustível sustentável chamado SAF. Eh, obviamente no primeiro momento ele é mais caro que o combustível convencional, até por ter uma escala de produção muitíssimo inferior. Mas ao longo dos próximos 10 anos, toda a expectativa é de que essa escala cresça significativamente ao redor do mundo e nesse e nessa mesma direção, os custos eh eh reduzam e o preço fique muito mais acessível. Então, nós vamos ter daqui a 10 anos eh as companhias aéreas usando muito desse combustível sustentável da aviação. A ideia de não participar eh desse movimento, obviamente, não faz sentido para nenhuma dessas companhias, porque isso passará a ser o standar já nos próximos anos. Então é um movimento competitivo, se dá da mesma forma na navegação com o novo combustível marítimo que começa a ser adotado e passa a ser um diferencial competitivo para todos aqueles eh que fazem isso. Um outro exemplo diferente, nós temos no Brasil, apenas no Brasil, eh 50 a 100 milhões de hectares de áreas degradadas que passaram agora a ser eh retratadas para que elas possam ou absorver carbono ou fazer uma produção sustentável nesses territórios. E isso passa a ser uma uma atividade extremamente competitiva e atrai muito capital. E quem avança nisso se posiciona melhor do que aqueles que não avançam. Então, o que eu quero deixar aqui para vocês é uma visão de que além de essa ser uma agenda de desenvolvimento socioeconômico sustentável, ela também é uma agenda competitiva. Eh, e talvez aqui para fechar e aí eh escutá-los um pouco, eh tem um lado aqui que conversa muito com o setor financeiro, eh, e com a tecnologia. Então, para fazer toda essa transição, eh, por mais virtuosas que sejam essas tecnologias, todas elas precisam de grandes investimentos, eh, mesmo aquelas que já dão um resultado muito significativo. Por exemplo, no setor de energia, eu falei lá no início e da questão das baterias e dos grides. Hoje as grandes empresas geradoras, distribuidoras e transmissoras de energia do mundo tem um programa de 1 trilhão de dólares de investimento apenas pros próximos 5 anos para trazer essa possibilidade de armazenamento e melhora do grid para conviver melhor com as energias intermitentes, sustentáveis, renováveis. Eh, esse dinheiro, eh, ele não vem obviamente apenas do capital próprio, ele precisa do financiamento. E aí nós temos uma série de temas importantes. O primeiro é a redução do risco. Então, quanto mais a gente fala de tecnologia, tecnologias e processos emergentes, mais importante é a redução do risco. Quanto mais a gente se aproxima da maturidade, menos importante vai ficando essa questão. Então, mecanismos que consigam mitigar o risco, eles trazem um efeito muito positivo paraa aceleração dessa agenda. Depois, além do risco dos projetos, como nós estamos falando do mundo inteiro, você tem riscos cambiais. Então, o Brasil é um bom exemplo. A gente tem variação cambial aqui. Para trazer esse recurso de fora, é preciso instrumentos que também reduzam o risco cambial, porque são, em geral, projetos de médio e longo prazo. Depois, nós precisamos combinar alguns tipos de financiamento e de taxas de retorno para que esses projetos parem de pé pela sua infância e depois a sua maturidade. Então, o chamado blended finance, ele também traz essa possibilidade de bancos de desenvolvimento ou países efetivamente, eh, tesouros, entrarem eventualmente com uma parcela, com um tipo de remuneração menos demandante e atrair com isso outros tipos de funding que tenham remunerações mais agressivas, mas que na média a gente esteja num ponto eh razoável. E um outro tema muito importante também são aqueles fundos que se capacitam para absorver as primeiras perdas. Então nós temos sim, obviamente em qualquer processo de transição e de inovação, algumas soluções que eventualmente não vão atingir sucesso eh na sua primeira volta. Então, ter também a estrutura daqueles que conseguem pela sua forma de investimento, pulverização e expertiz suportar algumas primeiras perdas como um seguro. Eh, isso ajuda muito, inclusive a questão do seguro, especialmente quando a gente fala do lado da adaptação, por exemplo, das cidades. Eh, nós temos um baixíssimo índice de casas seguradas, por exemplo, no Brasil. E se a gente tem processos de inundação, de enchentes, a gente pode estar enfrentando uma situação em que ter eh um um um esforço de ter seguro massivo nessas unidades pode ser muito importante para que a gente não precise reconstruir tudo do zero. Então, o que que eu quis dividir aqui com vocês com alguma rapidez, eh, espero que tenha sido possível entender, é de que existe agenda global de ação climática estruturada no bojo das Nações Unidas e de todos os países do mundo que participam das COPS, com o objetivo de buscar aquilo que foi definido no acordo de Paris há 10 anos atrás, que significa que a temperatura do mundo não passe em demasia das temperaturas acordadas para que a gente não tenha a mudança climática dizimando o desenvolvimento socioeconômico, o desenvolvimento da humanidade. Para isso, a agenda de ação climática traz um sem número de iniciativas e de soluções a serem implementadas em todas as áreas que cruzam com a vida de cada um de nós, seja no aspecto de reduzir as emissões, seja no aspecto de conviver nesses anos todos que nós vamos ter pela frente com a mudança climática. Quem faz isso? A sociedade não governamental em conjunto com os governos. Mas é uma iniciativa da sociedade não governamental pelo nosso dinamismo, pela nossa capacidade de puxar essas mais diversas soluções e frentes. E aí, obviamente, sempre buscando a coordenação com os diferentes governos ao redor do mundo. Eh, como que se participa dessa agenda global de ação climática? Através de entidades e organizações que todos vocês estão conectados de uma forma ou de outra. Onde que eu posso ver isso? No sistema chamado NASCA das Nações Unidas, em que há uma transparência de todos os participantes, de todos que estão engajados e de todas as iniciativas e de todas as soluções que estão sendo implementadas. Então, eu queria agradecer a atenção de vocês, eh comentar que nós temos agora a COP 31 em Antália, na Turquia, e o Brasil, assim como foi muito relevante no desenvolvimento dessa nova forma de entender a agenda global de ação climática na COP 30, na COP 31 em Antália, na Turquia, também deverá ter uma predominância muito grande pelas ações eh de todos nós, no sentido de minimizarmos os efeitos eh da crise climática e possibilitarmos a continuidade da da aceleração do desenvolvimento socioeconômico, transformando o que é hoje um grande dilema e desafio numa enorme oportunidade de desenvolvimento socioeconômico que fala muito, especialmente com países como o Brasil, que t muitas capacidades eh de arrancar eh nesse tema. Então, eh, eu queria parar por aqui, tem uma colega com microfone aqui à esquerda e eu queria ficar aqui à disposição para qualquer pergunta, eh, comentário ou inclusive um debate entre vocês, obviamente. Então, se alguém quiser começar aqui, por favor, levante a mão. Não temos nenhuma. Só um segundo que eu tenho que >> Obrigado. >> Ouve, tô ouvindo. Eh, eu queria te perguntar a respeito especificamente do setor financeiro. Como é que você vê o atual atual contribuição que o setor financeiro, especialmente o brasileiro, tá dando? para essas iniciativas mais recentes. E se você acha que o clima geoglobal de alguma em alguma medida atrapalhou o ritmo de de adesão desses parceiros do do sistema financeiro a iniciativas do tipo? E aqui eu tô falando especificamente nos Estados Unidos, né? >> Então, vou tentar tocar nos dois temas. Eh, primeiro, o Brasil tá muito destacado na questão do financiamento, especialmente através do BNDS. O BNDS desenvolveu grandes plataformas eh com entidades internacionais, com eh entidades domésticas do setor financeiro e hoje ele é de fato eh um líder global enquanto banco de desenvolvimento nessa agenda, o que também tem a ver com a capacidade do Brasil, com as potencialidades, eu diria, do Brasil, capacidade, é uma palavra que a gente vai ver mais à frente, nesse momento ainda potencialidades. Então, se a gente pegar alguns dos exemplos que eu dei, eh, geração de energias renováveis, eh, o Brasil é um potencial campeão. Eh, geração de combustível sustentável da aviação a partir de biocombustíveis, Brasil é um potencial campeão. Eh, combustível marítimo, Brasil é um potencial campeão. é maiores consumidores futuros de energia na terra, data centers é energia para inteligência artificial e outros sistemas dessa mesma natureza. Brasil tem um enorme potencial de produção e de água, que é o outro insumo paraa refrigeração e desses sistemas. Então, eu acho que a gente tá muito bem posicionado. É, nós temos exemplos análogos ao redor do mundo e também é o sistema financeiro privado e de seguros também tá muito ativo no desenho de soluções da forma como eu comentei, pensando muito na redução do risco chamado de risking, na combinação de instrumentos de financiamento, o o blended finance e de encontrar aqueles que conseguem se estruturar para absorver primeiras perdas, que é o chamado first loss. Esses três temas são chave e para que eh a gente tenha um financiamento extremamente construtivo com a implementação de soluções. E um tema chave também que a gente desenvolve na agenda de ação climática é ter plataformas para que aqueles que têm recursos consigam visualizar projetos e fazer essas conexões. E aqui eu tô falando sempre a nível global na geopolítica. Eu acho que é um tema interessante de novo, é um pouco aquela visão eh do lado negativo e do lado positivo. É óbvio que a geopolítica nesse momento não é eh a melhor, não só na questão de um país ou outro, mas até dos conflitos internacionais que a gente tá tendo, que levam muitos recursos da sociedade para um outro tema que não eh necessariamente a agenda da ação climática. Eh, mas ao mesmo tempo, pela natureza competitiva, nós estamos vendo que mesmo aqueles estados federais que não estão tratando eh muito da agenda, e aqui os Estados Unidos publicamente é um exemplo disso, tem os seus estados e regiões tratando com enorme agressividade do ponto de vista positivo, velocidade da agenda. O Texas é um ótimo exemplo. O Texas hoje eh acelera muito com eh o desenvolvimento do combustível sustentável da aviação, do combustível marítimo, eh de energias renováveis, ao mesmo tempo em que busca fazer a sua transição dos combustíveis de origem fóssil. A mesma coisa eu poderia falar pros grandes produtores de petróleo no nos países eh do do do mundo árabe. Também há uma velocidade muito grande na implementação de novas soluções. E um outro exemplo super interessante é a China. A China hoje tem uma das maiores taxas de avanço nas energias renováveis, fazendo muito para que essa transição ocorra com a maior rapidez possível. mas partindo também, obviamente, de uma situação eh muito negativa em termos da sua matriz de partida. Então aqui a gente sempre tem esse lado para olhar com muita preocupação de alguns pontos, mas ao mesmo tempo a gente consegue ver um avanço muito rápido e talvez isso esteja totalmente relacionado com esses dois pontos que eu quis enfatizar aqui hoje para vocês. E o lado positivo da aceleração do desenvolvimento socioeconômico que a sustentabilidade prevê e o lado competitivo dessas agendas. Quando a gente vê o que a China, por exemplo, fez em veículos elétricos do ponto de vista sistêmico como país, como setor, isso é um tema extremamente eh competitivo e nós estamos vivendo isso nesse momento no Brasil. Eu sou da indústria automotiva de origem, poderia falar aqui você sobre isso, é um outro tema, mas é exatamente essa a natureza do processo. que estando há mais de um ano nessa posição, agora ela se encerra em novembro, no início da Copa da Antália, a minha função no no Climate Champions Team, eu posso assegurar para vocês que essa natureza competitiva tá espalhada em todos os temas que compõem a agenda global de ação climática, inclusive na adaptação. Quando a gente fala de temperatura, e que agora é um tema central na Europa, como é que você adecua as residências e os escritórios para temperatura extremamente elevada, você tem uma enorme competição entre sistemas de resolução desse problema. Da mesma forma os seguros que eu dei o exemplo anterior, é um mercado extremamente competitivo e por aí vai. Onde está a nossa colega? aqui. >> Bom dia a todos. Eu me chamo Liécio, Banco da Amazônia, no segmento do agronegócio. Eh, você falou sobre riscos e oportunidades e e eu gostaria de lhe perguntar eh para uma instituição financeira que atua diretamente com o agronegócio e financiando principalmente o algodão, o milho e a soja, quais seriam essas oportunidades que a instituição poderia buscar no mercado no sentido de de ampliar a sua carteira de crédito? Então eu vou falar rapidinho que nós temos um minuto só eh, muito importante, obviamente, a agricultura sustentável, regenerativa, eh, em questões fundiárias adequadas. Isso faz toda a diferença, porque a gente precisa capturar carbono e manter a floresta de pé. Eh, já que você vem da da Amazônia. Eh, o segundo tema é a floresta de pé por si mesmo. Então, eh, importante mencionar também na COP 30 uma dessas iniciativas que eu falei é o chamado TFF, que é uma forma de financiar a manutenção das florestas em em pé para sempre. Eh, então é um fundo que o Brasil idealizou com todos os países que têm florestas tropicais. O TF é de Tropical Forest Forever Fund. Ele já juntou cerca de 7 bilhões de dólares. Ele deverá crescer muito mais nos próximos anos. e ele vai eh custear a manutenção das florestas em pé, dando uma remuneração econômica para aquelas comunidades, eh revertendo o spread adicional desse fundo e preservando o seu patrimônio ao longo do tempo. E ele pensa nos 70 países que t essas florestas tropicais ao redor do mundo. O Brasil é um desses com grande importância. Então, eh, também nós precisamos pensar nos mecanismos para manutenção da floresta em pé. E o terceiro, e para fechar aqui, muito importante, o tema dos créditos de carbono. Os créditos de carbono são uma moeda de enorme valor. Eh, hoje um um crédito num numa determinada quantidade na Europa, ele vale cerca de 70 € e ele viabiliza a transição. Então, nos exemplos que eu dei de projetos que começam caros e depois vão ficar razoavelmente econômicos, o carbono também é uma grande alternativa. Então, integrar os mercados de carbono e tradono é muito importante. E a gente precisa lembrar, essa é uma lição de casa para o Brasil que tá sendo discutida exatamente nesse momento, que o valor do crédito de carbono declinará na medida em que a gente vai implementando as soluções. Quando a gente se aproximar do chamado net zero, quando a gente pare de gerar e novas emissões que atrapalhem a questão climática, o valor do carbono, do crédito de carbono, cairá provavelmente daqui a 15, 20 anos. Então ele é um valor econômico de transição que precisa ser aproveitado justamente nesse momento. E de novo, o Brasil é o país do mundo com maior potencial de geração de crédito de carbono e por isso dá importância também de a gente encarar essa agenda, que é uma agenda também financeira. Gente, eh, obrigado. Gostaria muito de ficar aqui a manhã inteira debatendo esse tema com vocês, mas vocês têm muitos ótimos apresentadores e apresentadoras aí pela frente. Bom dia para vocês. M.
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