Finanças, Cidadania e Bem-Estar: os Desafios das Mulheres no Brasil
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เฮ เฮ เฮ เ Senhoras e senhores, boa tarde. Sejam bem-vindas e bem-vindos à conferência Finanças, Cidadania e Bem-Estar, os desafios das mulheres no Brasil. Aos que nos assistem pelo YouTube, nossos cumprimentos. Esse evento tem por objetivo estimular discussões sobre como promover a cidadania financeira e o bem-estar financeiro das mulheres brasileiras. Serão apresentad...
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Senhoras e senhores, boa tarde. Sejam
bem-vindas e bem-vindos à conferência
Finanças, Cidadania e Bem-Estar, os
desafios das mulheres no Brasil. Aos que
nos assistem pelo YouTube, nossos
cumprimentos.
Esse evento tem por objetivo estimular
discussões sobre como promover a
cidadania financeira e o bem-estar
financeiro das mulheres brasileiras.
Serão apresentados estudos e pesquisas
do Banco Central do Brasil e do Sebrai
sobre o tema que trarão evidências sobre
gênero, raça e o acesso ao crédito no
Brasil, além de resultados da pesquisa
qualitativa sobre educação financeira
voltada às mulheres.
No debate central, serão discutidas
estratégias e iniciativas que contribuem
ou podem contribuir para o
fortalecimento do bem-estar financeiro
das mulheres brasileiras.
O evento é uma das atividades do Banco
Central durante a 13ª Semana Nacional de
Educação Financeira, a Semana é neve.
Enfatizo que todas as sessões desse
evento serão transmitidas ao vivo pelo
canal do Banco Central no YouTube.
Para abertura, temos a satisfação e a
honra de convidar uma mulher que nos
representa, a presença feminina da
diretora da na diretoria colegiada do
Banco Central do Brasil, graduada em
administração pública pela escola de
governo da Fundação João Pinheiro. Ela é
mestre em ciência política pela
Universidade Federal de Minas Gerais e
doutor em governo pela London School of
Economics and Political Science.
Além de, antes de ingressar na diretoria
colegiada do Banco Central, ela foi
pesquisadora de pós-doutorado na escola
de governo da Universidade de Oxford.
Temos o prazer de convidar ao púlpito
Isabela Moreira Correia, diretora de
cidadania e supervisão de conduta do
Banco Central do Brasil.
Boa tarde a todas e todos que nos
prestigiam com o debate que a gente vai
realizar aqui, seja presencialmente,
seja nos assistindo eh também pelo pelo
YouTube. Como foi mencionado eh
previamente, esse é um evento eh que se
insere na 13ª Semana EF, que é a Semana
Nacional de Educação Financeira, eh que
é uma semana promovida, eh, anualmente
pelo Fórum Brasileiro eh de Educação
Financeira, composto pelos reguladores
financeiros e eh e o Tesouro Nacional.
Então, ao longo dessa semana, nós temos
acompanhado uma série de de debates eh
que objetivam fortalecer, eh, discutir,
impulsionar ações de, eh, educação
financeira, eh, em todo o Brasil. e
temos também debatido muito eh a
temática propriamente de bem-estar
financeiro, até porque a educação é um
dos propulsores, né, da da da do
bem-estar financeiro. E esse ano o Banco
Central decidiu, optou por realizar eh
esse debate com uma ênfase no bem-estar
financeiro das mulheres no Brasil. E
essa escolha, ela dialoga com uma
publicação recente que nós fizemos, que
é o relatório de cidadania financeira,
em que nós, que basicamente o relatório
de cidadania financeira, ele basicamente
é um relatório que traz o panorama da
cidadania eh financeira no Brasil em
períodos específicos. Então, nós temos
publicado mais ou menos de três em três
anos eh esse relatório. E nesse ano nós
exploramos eh o relacionamento com o
sistema financeiro também. da
perspectiva de gênero e raça. E eu não
vou entrar aqui em todos os detalhes que
nós eh trazemos eh no relatório, até
porque eles serão explorados pela minha
colega eh Lívia Grattis, que tá já aqui
presente, mas basicamente o que nós
trazemos é uma diferença, inclusive e na
própria qualidade eh do crédito e e essa
identificação, eh, bem como o
conhecimento claro da sociedade em que
vivemos, tá funcionando sociedade da da
sociedade em que vivemos, ele coloca pra
gente eh uma uma necessidade de da gente
explorar e de identificarmos e
refletirmos sobre ações que possam
efetivamente eh promover uma maior
igualdade. E ações de educação
financeira, como eu mencionei, são um
desses procursores. Claro, não é a
única, né? Então, quando quando nós
falamos de bem-estar financeiro, a nossa
teoria da mudança aqui no Banco Central,
nós tratamos aspectos de educação
financeira, eh, proteção do consumidor,
eh, financeiro. Inclusive, teremos uma
fala aqui do nosso, eh, querido Morixita
também, que trabalha de que é o
secretário nacional de consumidor, então
vai falar um pouquinho sobre esse tema.
Eh, mas a educação financeira é
definitivamente um dos fatores
propulsores de bem-estar eh financeiro.
E claro, quando a gente começa a falar
então eh eh sobre mulher e as
desigualdades de gênero eh da nossa
sociedade, a gente pode lembrar
realmente de Simone Debovoar, que, né,
nos disse que não se nasce mulher, né,
nós nos tornamos eh mulheres. Se a se a
biologia eh ela nos dá o substrato
material, é definitivamente a sociedade
que impõe o significado eh e os limites
de de sermos mulheres. E temos, claro,
como sociedade, eh temos que reconhecer
uma série de avanços, mas também temos
que lembrar que esses avanços são
definitivamente ainda insuficientes para
promover eh a igualdade eh que nós
queremos. E aí eu gostaria de trazer
apenas alguns dados para nós lembrarmos
como a nossa desigualdade ainda é
bastante estrutural e alcança aspectos
também eh eh né?
Então aí se por um lado eh nós temos eh
assistido definitivamente uma ampliação
da participação feminina no mercado de
trabalho e consagração da igualdade de
direitos e na Constituição, quando a
gente olha para pra economia do cuidado
do cuidado, por exemplo, a média de
horas dedicadas por mulheres à economia
do cuidado, ela ultrapassa 20 horas por
semana, ao passo que homens ela é menor
do que 12 horas por semana. da
perspectiva de letramento financeiro,
quando a pesquisas realizadas pela OCDE,
que olham diversos países, então, eh,
mulheres ainda pontuam abaixo dos homens
apenas e em 39 países que foram a que
foi a a a
amostra e realizada apenas em seis, eh,
houve igualdade ou vantagem eh feminina.
Quando nós falamos então de educação,
educação eh eh financeira, desigualdade
salarial, como a gente sabe, permanece
com mulheres ainda recebendo menos em
diversas funções eh equivalentes, além
de a gente ter também uma segregação
ocupacional aí se mantendo, seja no que
se denomina como piso pegajoso ou teto
de vidro. Eh, acho que um último dado
que eu acho bastante importante, eh, o
Brasil ocupa a 12ª posição entre 148
países no Global Gender Gap Index do
Fórum Econômico Mundial, indicando,
então, deixando clara essas
desigualdades persistentes, apesar de
alguns avanços que nós temos realmente
eh alcançado. E eu acho que não dá para
falar para eh não falar eh da defesa que
nós fazemos das nossas próprias vidas
diariamente. os índices altíssimos de
feminicídio que nós temos eh acompanhado
eh no Brasil. Tudo isso nos coloca
perguntas sobre como se, qual é a
diferença que se dá então na relação com
o dinheiro entre homens e mulheres e
como que no dia a dia essas mulheres
lidam com dinheiro, como que essas
diferenças estruturais impõe
dificuldades ou impõe limitações ou
impõe até insegurança a essas mulheres
para para lidar com dinheiro. Então, o
trabalho que nós temos feito aqui, a
minha colega aqui, Ana Márcia vai trazer
um pouquinho do de do do das pesquisas
eh da pesquisa quali que a gente eh
começou a desenvolver e e nós partiremos
também paraa pesquisa eh quantitativa,
justamente para entender exatamente como
que nós podemos eh como que falar de
educação financeira para mulheres, como
que pode ser mais dedicado, quais são os
desafios que que a sociedade nos impõe
enquanto mulheres e que nós precisamos
então endereçar de forma dedicada em
ações de eh educação financeira. E é
claro que quando a gente tá falando com
eh de eh de mulheres de forma geral, a
experiência de ser mulher não é uma
experiência única, né? Então, a gente
também trata de eh trata
do tema de educação eh e do tema de
bem-estar financeiro também de da
perspectiva de uma abordagem eh
interseccional.
Eh, nós, né, nós aqui trabalhamos no
relatório de cidadania financeira, como
eu mencionei, aspectos de gênero, mas
também aspectos de raça, né? E nós
sabemos que os desafios impostos às
mulheres pretas são significativamente
maiores do que os desafios impostos. eh
as mulheres brancas. Então, o nosso
desafio eh e o e parte do debate que a
gente tá realizando aqui hoje e a
própria motivação paraa realização desse
debate é justamente conseguirmos
explorar, conseguirmos entender e
perguntar e explorar quais são os
desafios da perspectiva de quais são os
desafios estruturais que são impostos.
como que nós podemos falar uma linguagem
que é uma linguagem com a qual as
mulheres se relacionam, considerando os
desafios que são típicos eh eh
enfrentados por mulheres no Brasil?
Então, é um pouco do debate que nós
vamos eh eh realizar eh aqui hoje, como
eu mencionei,
tratar de bem-estar eh financeiro,
apesar de sim termos eh falarmos
bastante de educação financeira e em
especial nessa semana, né, por ser uma
semana aí de eh celebração, de
reconhecimento e de aprofundamento sobre
educação financeira. Nós também falamos
sobre uma série de outros pilares. Eh,
um deles sendo justamente o pilar da
proteção, que está tanto eh nos
trabalhos que nós realizamos aqui
enquanto Banco Central, enquanto
regulador financeiro junto às
instituições financeiras, mas também
aquela proteção que é oferecida também
pelo Sistema Nacional de de Defesa do
Consumidor. Eu não sei se já era para eu
passar, mas eu tô passando aqui, acho
que diretamente a palavra e chamando que
talvez quebrando um pouquinho o
protocolo do secretário nacional de de
consumidor para fazer algumas palavras
iniciais,
fazer a apresentação dele.
Agradecemos a diretora Isabela por suas
palavras iniciais e apresento agora o
Ricardo Morixita, que é secretário
nacional do consumidor. Ricardo Morixita
é mestre em direito civil pela USP e
doutor em direitos difusos e coletivos
pela PUC de São Paulo. Hoje é professor
na graduação e na pós-graduação do
Instituto Brasileiro de Ensino,
Desenvolvimento e Pesquisa, IDP. Ricardo
foi diretor do Departamento de Proteção
e Defesa do Consumidor entre 2003 e 2010
e no início deste ano assumiu a
Secretaria Nacional do Consumidor no
Ministério da Justiça e Segurança
Pública. Convidamos agora o púlpito
Ricardo Murixita.
>> Boa tarde a todos. Querida Isabela,
muito obrigado pelo convite. Uma alegria
estar aqui com todos vocês. Quero
cumprimentar eh toda a equipe do Banco
Central responsável por esse estudo, por
esse trabalho.
Eh, acho que é um momento extremamente
feliz de lançamento dentro dessa efeméri
da 13ª eh 13º eh EN EF, semana ENF, né,
de educação financeira. Eh, quero dizer
algumas palavrinhas bem rápido sobre a
nossa a nossa percepção a partir da
Secretaria Nacional do Consumidor.
Acho que a primeira coisa que eu sempre
gosto eh de compartilhar é uma fala da
Hana Arent no livro Entre o passado e o
futuro. tem uma fala muito bonita que
ela diz assim:
"Quando quando a gente eh manifesta o
nosso compromisso com a educação, é
quando a gente manifesta o nosso amor ao
mundo. E quando a gente manifesta esse
amor ao mundo, é quando a gente também
se compromete, se responsabiliza por
esse mundo. Então, toda ação de
educação, ela evoca não só esse ato de
amor ao mundo, mas também de um extremo
compromisso e de responsabilidade com
esse mundo. Aí me lembrava, você citou a
Simone de Bovoá, ela tem uma fala ótima,
né, que ela diz assim:
"Só com sinceridade é que a gente
consegue iluminar um pouco a nossa vida.
iluminando a nossa vida, a gente pode
iluminar um pouco a vida de quem tá
próximo da gente. Então, quando a gente
trata de educação financeira e esse
trabalho de demonstrar, de pesquisar
como raça e gênero são afetados,
especialmente gênero nesse caso, é a
gente lidar com sinceridade e poder
olhar como, em que medida, eh, as
mulheres são afetadas nesse processo.
Isso é muito caro pra defesa do
consumidor.
Quando a gente olha o princípio da
vulnerabilidade
e a gente vê também as situações
de hipossuficiência e de
hipervulnerabilidade,
a gente percebe o tamanho do cuidado que
tem que se ter quando se realiza a
oferta,
a comercialização de produtos
financeiros.
E tudo isso dialoga bastante com a
educação financeira. E tem um ponto que
é crucial, dar oportunidade e incluir é
bem diferente. É bem diferente
do que a gente
culpabilizar.
E acho que aqui o Banco Central fez um
trabalho extraordinário de mostrar
caminhos, verificar como a gente inclui
sem culpabilizar aquele que contrata,
muitas vezes por necessidade, muitas
vezes por uma prática abusiva que é
realizada. Então, acho que é uma maneira
muito madura, muito sincera, muito
equilibrada da gente lidar com todos
esses conflitos de consumo, com todos os
desafios que o consumidor tem,
especialmente as consumidoras mulheres.
Nesse sentido, a Secretaria Nacional do
Consumidor
nesse governo, acho que de alguma
maneira também na linha
de proteção do consumidor, em governos
anteriores, a gente procura manter com a
política de estado a proteção dos
consumidores e um olhar muito especial
em relação às mulheres. Então eu quero
cumprimentar aqui o Banco Central, a
todos os participantes desse desse
trabalho e dizer que a gente vai olhar
com muita atenção, a gente vai aprender
com essa pesquisa que foi realizada para
que a gente possa levar uma maior
inclusão, uma maior proteção para todas
as mulheres consumidoras no Brasil.
Muito obrigado.
Nossos agradecimentos a Ricardo
Morixita, secretário nacional do
consumidor.
Concluída a abertura do evento, damos
continuidade com a sessão de estudos e
pesquisas, o que dizem os dados do Banco
Central e do Sebrai. Convidamos agora ao
púlpito Lívia Bastos Grades, assessora
da Divisão de Estudos e Monitoramento da
Cidadania Financeira do Banco Central do
Brasil. Lívia é graduada em engenharia
mecânica aeronáutica pelo Instituto
Tecnológico de Aeronáutica, ITA, e
mestre em matemática aplicada pela
Unicamp. Livia atua em pesquisas de
cidadania financeira e comportamento de
crédito do consumidor. Contribui para a
elaboração dos relatórios de cidadania
financeira e das séries de cidadania
financeira sobre endividamento de risco.
Com a palavra, Lívia Grates.
Boa tarde a todas, a todos. Prazer estar
aqui, poder contribuir para esse debate
tão importante. Então, o meu objetivo
aqui é trazer nessa apresentação eh esse
estudo que a gente preparou pro nosso
relatório de cidadania financeira, que
traz esse recorte de gênero e raça, eh,
e as diferenças, diferentes perspectivas
no uso do crédito, né? Deixa eu pegar o
passador aqui.
Mas antes eu quero fazer uma pequena
propaganda rapidinha aqui do nosso
relatório. Para aqueles que gostam do
tema a gente recomenda a leitura. Então,
o relatório de cidadania financeira, a
cada edição ele traz análises
diferentes, mas sempre a gente repete
essa primeira parte, o primeiro
capítulo, que é o panorama da cidadania
financeira com foco nos nossos quatro
pilares da cidadania, né? a inclusão,
educação, proteção consumidor e a
participação do consumidor no na no
sistema financeiro nacional. E esse ano
a gente trouxe essa análise segmentada
de alguns públicos, que é aqui que está
a análise de gênero e raça. Também a
gente falou sobre jovens, mês. Tem um
box muito interessante sobre o
empreendedorismo feminino também aqui
que o Geovani vai falar logo mais aí
para vocês. Eh, trouxe, a gente trouxe
também análise de de alguns produtos
muito reclamados, né? cartão de crédito
consignado, consórcios, um capítulo
inteiro dedicado ao bem-estar financeiro
e algumas iniciativas para promoção da
cidadania financeira, né? E e antes da
gente entrar bem nesse estudo, tentamos
aqui pincelar assim o recorte de gênero
que tá espalhado em vários textos, em
vários temas dentro do relatório e aqui
tá um compilado do que a gente tem.
Então o que que a gente vê, né? Primeiro
que as mulheres elas participam do
sistema financeiro tanto quanto os
homens. Tem algumas distinções, mas elas
estão aí atuantes, né? Então na
bancarização,
são essas primeiras barras aqui da
esquerda, os homens estão aqui de verde
e as mulheres de roxo. Então você vê que
são até mais mulheres do que homens que
têm acesso a uma conta bancária hoje no
Brasil. E quanto ao acesso a crédito, ou
seja, você tem um limite de crédito
disponibilizado, é muito similar também.
74% das pessoas.
Agora, as mulheres elas eh têm menos
investimentos. E aqui para para
exemplificar, a gente trouxe os dados
das contas em corretoras, né? São 30%
dos homens contra 22% das mulheres. E a
gente vê que as mulheres elas são mais
pagadoras de boletos do que os homens. E
no nosso relatório a gente mostra,
isso é sempre interessante,
e a gente mostra no nosso relatório que
a o valor médio desses boletos é
inferior ao valor do que os homens pagos
de boleto. Então é um indício de que as
mulheres cuidam mais das contas
cotidianas, né? E aqui na direita a
gente vê mais a parte do comprometimento
de renda, né? Então, eh, os homens aí t
em média 24% da renda hoje comprometida
com dívidas financeiras e as mulheres um
pouco mais, né, 25%.
E essas eh operações de crédito que as
mulheres costumam usar, elas são mais
concentradas em modalidades sem
garantias, né? Então isso acaba que elas
contratam às vezes modalidades mais
caras e por isso que esse esse segundo
gráfico mostra que a maior parte da
renda das mulheres é comprometida só com
pagamento de juros, né, mais que os
homens. E as mulheres também usam mais
um limite de crédito que elas têm no
disponibilizado do que os homens, né?
Outro destaque interessante que a gente
traz no relatório, né? o público de
baixa renda, que são as pessoas
inscritas no Cadastro único, né? Eh,
qualquer pessoa no Brasil que recebe
algum benefício do governo precisa estar
inscrito no Cadastro Único. Então, o que
a gente aqui eh trouxe como a população
de baixa renda e nessa população as
mulheres elas têm acesso e uso mais
avançados que os homens, né? Então,
essas barras são o quê? Eh, a parte do
relacionamento bancário, a bancarização,
né? possui conta, uso de PICs, pagamento
de boletos, uso do crédito e uso do
cartão de crédito. Então o que que
significa essas barras, né? Ela é a
diferença de mulheres menos homens.
Então, mais mulheres que homens usaram
todos esses serviços. Então, vou dar um
exemplo aqui, ó. Eh, dentre a Ah, então
interessante a gente falar que no
Cadastro Único a gente conseguiu
identificar alguns grupos da população
que nem sempre a gente consegue em
outras bases, né? Então, a gente separou
aqui a população, eh, pessoas da raça
negra, da raça branca, pessoas que de eh
população que mora, né, em regiões
rurais, pessoas em situação de rua,
indígenas, quilombolas. Então, tem
outros recortes também interessantes aí
no nosso relatório com esses grupos.
Então, a gente mostra assim, eh, que que
as barras positivas significa o quê?
Então, vamos dar o exemplo aqui da raça
branca, né? O uso do Pix 8,6%.
Que que tá embutido aí? que são 78% dos
homens que usaram Pix, desculpa, das
mulheres que usaram Pix e 69,6%
de homens que usaram o Pix. Ou seja, a
diferença mais mulheres que homens e
essa diferença é de 8,6%.
Então você vê que as mulheres são mais
usuárias em todos esses esses
indicadores que a gente trouxe. E repara
no nas barrinhas roxas que é pagamento
de boletos, ó, de novo, né? Então, na
baixa renda aqui, mais um indício que as
mulheres eh cuidam mais aí das contas do
do dia a dia, né? E você vê que essas
diferenças elas ainda são mais
acentuadas na população negra, eh,
quilombola e rural, né? Também a gente
vê umas diferenças maiores.
E seguindo aqui, o que que dizem as
pesquisas? a gente também traz dados de
pesquisa no nosso relatório. Então, a
primeira aqui é é o raio X do investidor
da mostra que as mulheres têm maior
estresse financeiro que os homens, né?
Elas demonstram maior preocupação com o
pagamento de dívidas que os homens. E
aqui embaixo da pesquisa OCDE INF, eh,
que que faz uma eh a pergunta é uma
concordância a essa afirmação aqui da
direita. preocupações
com as despesas e compromissos
financeiros são motivos de estress na
minha casa. E as mulheres, não, então
vermelho eh eh concordo totalmente, né?
As mulheres concordaram mais do que os
homens, né?
E aqui sobre a resiliência.
E aí a a definição de resiliência da que
a OCD traz é o quê? habilidade de
indivíduos ou famílias de resistir,
lidar e recuperar-se de choques
financeiros negativos. Então, foi feita
essa pergunta aqui na pesquisa. Se você
perdesse sua principal fonte de renda
hoje, por quanto tempo conseguiria
continuar cobrindo suas despesas sem
pedir dinheiro emprestado e nem ter que
se mudar para um imóvel mais barato, né?
Então, o que a gente vê é que as
mulheres são menos resilientes, né? a eh
mais mulheres responderam que
conseguiriam eh dar conta das despesas
por menos de uma semana, né, que é essa
barrinha vermelha aqui. E mais homens
responderam que poderiam cobrir as suas
despesas por mais de 6 meses, que seria
essa barrinha azul aqui no final. E aí
tem uma questão também que os homens
relatam ter renda superior, isso pode
influenciar nessa autopercepção de
resiliência, né?
E e esses achados das das pesquisas
só que que apresentam assim as mulheres
com menor resiliência e maior nível de
estresse associado com as dívidas
financeiras, só reforça um diagnóstico
que a gente tem, né, de desigualdade
estrutural relacionada à renda, às
responsabilidades de cuidado e a
sobrecarga de trabalho.
E agora aqui entrando
de fato do nosso estudo, né? Sei que eu
bombardei um pouquinho de informações,
mas vamos lá. Tem mais um pouquinho
aqui. É para mostrar eh onde que a gente
consegue dados raciais, né? Não é tão
simples a gente obter isso, eh esses
dados tão facilmente assim em bases
administrativas. Então hoje a gente
consegue no cadastro único, que eu já
falei, né, que que é que seria a
população de baixa renda e na base da
RA, que tem a relação de todos eh todas
as pessoas com emprego formal no Brasil
tão na RIS, né, que você já tem uma
disparidade de renda maior e no Cadastro
único pessoas mais de baixa renda, né? E
e nessas duas bases elas seguem a mesma
classificação do IBGE para as raças, né,
que é a branca, parda, preta, amarela,
indígena e indígena. Eh, então, como a
gente pode ver, são diferentes, né, as
distribuições aqui da população de cada
base. Então, você vê mais pessoas da
raça parda aqui no Cadastro Único, na RA
você já vê mais participação da Raça
Branca e aqui seria a população
brasileira, né, no censo de 2022, como
seria essa distribuição. E um outro
detalhe é que no Cadastro Único ela é
autodeclaratória, né, e na Rais é o
empregador que fala com a sua raça.
Então pode ter um pouco de diferença aí
na raça percebida, né, nessas duas
bases. Por isso que a gente optou até
para deixar separada as duas populações
por esses vieses que poderiam trazer. E
aqui na direita a gente vê assim dessas
pessoas que a gente conseguiu
identificar a raça, quantas que usaram
crédito, né, em 2024, o crédito de
consumo, aquele que a gente usa no dia a
dia, nas despesas cotidianas, comprar um
eletrodoméstico, um móvel, cobrir uma
despesa pessoal, aquele crédito mais
realmente do dia a dia, muitas vezes sem
garantias. E a gente deixa também eh
veículos aqui dentro, né? Tá excluindo
qualquer operação habitacional e rural.
Então, o que que a gente vê, ó, no
Cadastro Único, eh, o uso do crédito foi
muito parecido, eh, entre as pessoas da
raça branca e negra e na Rais também. Só
que as pessoas da R usaram mais o
crédito, né, em torno de 67% do que as
pessoas do Cadastro Único. Tem uma
questão também de acesso que com certeza
é é influenciado, né, pelo poder
aquisitivo.
Não falei uma coisa que vale falar que a
gente optou por por deixar a toda essa
análise concentrada na comparação de
brancos e negros. E negros seria a soma
das raças pardas e pretas. pra gente
concentrar aqui a análise de um
contraste de duas raças que representam
98,5%
da população e e isso também somado nas
nossas bases também tá muito parecido
esse percentual. E quando você olha o
uso do crédito, você vê que mais
mulheres usaram crédito do que homens
nas duas bases, né? né? Apesar que na
RAZ um percentual maior. E agora
entrando aqui então na nossa análise,
primeiro a gente olha as instituições
financeiras, né? Então a gente tem aqui
separado os bancos, o segmento bancário,
em verde as cooperativas de crédito, em
azul lá em cima, as as instituições de
crédito e digitais. Então o que que a
gente vê? Primeiro que o segmento
bancário ele é mais representativo
para todos os recortes de gênero e raça,
né, e ainda mais representativo
pra população da RAIS, né, que é o
segmento que já vem trabalhando, né, com
as pessoas com emprego formal há muitos
anos. Isso daqui já tem esse histórico,
né, de relacionamento.
Eh, e o que a gente vê que tanto no
Cadastro Único quanto na RAZ, as
mulheres elas usaram mais as
instituições de crédito e digitais do
que os homens, né? Especialmente a
mulher negra, ela ainda usa mais ainda
mais, né, as instituições de crédito e
digitais.
as cooperativas de crédito, eh, elas são
mais relevantes para as pessoas da Raça
branca, especialmente pro homem branco,
né? Mas eh mesmo assim, ela ainda tem
baixa participação do total que as
pessoas tomam, né, de crédito no
mercado, ainda é concentrada nos bancos
e nas instituições de crédito e
digitais.
E agora olhando as modalidades, né, e
aqui a gente começa a ver bastante
diferenças, né? Eh, então assim, aqui na
esquerda a gente vai ter o cartão de
crédito
à vista, que é aquele que quando você
paga a fatura inteira, você não tá
incorrendo em juros, né, o cartão à
vista e em verde o o cartão de crédito.
Quando você entra no rotativo, você
parcela a fatura e aí que sim você eh
vai pagar os juros, né? Depois a gente
tem aqui em roxinho cheque especial,
empréstimo pessoal, o microcrédito tá em
vermelhinho aqui e o consignado, tem uma
representatividade grande nos nas duas
bases, né, veículos e aqui um compilado
de outros créditos somados aí no final.
Eh, então o que que a gente vê no
cadastro único, né, que o rotativo
é maior entre as mulheres do que os
homens, especialmente a mulher negra.
Então você vê que as mulheres estão
usando bem mais o rotativo do que os
homens, né? E a mulher negra ainda usa
mais rotativo. E os homens estão usando
mais o quê? Consignado e veículo. Você
vê que poucas mulheres usam as operações
de de veículo, né? Na eh é interessante
a gente dar uma olhada também no
microcrédito
que ele é mais representativo no
Cadastro Único do que na RA, né? Então,
que tem a ver também com a informabil eh
o as pessoas mais informais, né, que
buscam empreender e tudo e buscam esse
microcrédito produtivo. E aqui talvez na
Rais, né, já são pessoas com emprego
formal que não estão buscando. E a
mulher negra foi a que mais se utilizou,
que a gente vai ver no próximo slide.
São taxas muito boas, né, muito
atrativas,
né? Eh, e o que que a gente vê na raio?
Você vê que a fatia aqui do cartão de
crédito, a soma do azul com verde, ele é
menor do que no cadastro único. Então,
as pessoas usam menos o cartão e as
diferenças entre homem e mulheres também
ficam menores, né, na população da raiz.
O consignado também é muito usado e olha
só, as mulheres acabam usando mais
consignado do que os homens, né? Então,
tem um pouco essas diferenças. E também
aqui a mulher negra foi a que mais usou
o rotativo.
E as taxas de juros dessas operações.
Aqui a gente vai olhar o combinado
modalidade e instituição, né? Primeira
vista, a gente bate o olho e vê a
diferença nas barras, né? O cartão
rotativo
e parcelado tem taxas muito maiores do
que as de mais modalidades, né? Em
segundo lugar vai vir o cheque e o
empréstimo pessoal. vai ficar em
segundo, terceiro lugar de acordo aqui
com com a população, com a instituição
que que ofertou esse crédito, né? E
depois a gente vê aqui as operações de
microcrédito consignado, veículos, as
taxas já são bem melhores, né? E em
geral que a gente vê que as cooperativas
estão aqui em verde, elas praticam taxas
menores, né? eh eh com exceção do
consignado, que as taxas são muito
parecidas, e no microcrédito, que nesse
caso as instituições de de crédito e
digitais, elas conseguiram ofertar as
melhores taxas pro microcrédito, tanto
no Cadastro Único quanto na Rais. Então,
o resto agora a gente faz um comparativo
entre os bancos e as instituições de
créditos digitais, né, que são as que as
pessoas mais usam na contratação do
crédito, que é um pouco que tá aqui na
na direita. Então, a gente vê aqui no
Cadastro Único que o segmento bancário
ele oferece menor taxa no rotativo
e maior taxa no empréstimo pessoal. Já
as instituições de crédito e digitais,
elas oferecem maiores taxas no rotativo
e menores taxas no empréstimo pessoal,
né? tem um foco de atuação diferente. E
na população da RAZ, as instituições de
créditos digitais foram as que
ofereceram as maiores taxas, tanto no
rotativo do cartão quanto no empréstimo
pessoal. Então, aquelas pessoas que a
gente já viu ali nos últimos slides, né,
que usaram mais o rotativo, em especial
usar o rotativo instituição de crédito
digital, elas vão ter um impacto pior,
né, no final da taxa de juros que elas
vão pagar, né, que é o que a gente traz
aqui nesse último slide da apresentação,
que é o efeito combinado
do uso de crédito, né, pelos diferentes
gêneros e e raça, combinando todo esse
uso uso das modalidades e as
instituições. Mas eu queria fazer um
parênteses aqui que para antes da gente
analisar esse esse resultado, falar um
pouquinho sobre como que o crédito tá
disponibilizado, né? Eh, não é algo
simples, ele é ele depende assim de de
muitos fatores e também a forma como as
pessoas acessam esse crédito também
varia. E aí eu vou posso citar alguns
fatores, né? Então, questões estruturais
de renda, estabilidade econômica,
políticas governamentais, o modelo de
negócio de cada instituição também
importa, a concorrência de mercado, são
alguns deles, né? E e sabemos que alguma
uma parte importante aí da população,
principalmente eh o público vulnerável,
ele tem dificuldade em acessar esse
crédito, né? E isso vai acabar
refletindo o quê? em eh em condições
menos atrativas e muitas vezes produtos
mais caros que aquelas pessoas que têm
mais facilidade, né? Então a combinação
de tudo isso vai acabar resultando no
que a gente tá vendo aqui, né? Então não
é só nesse recorte que a gente vai ver
isso daqui, é essa eh variação
considerável das taxas que são pagas
efetivamente por diferentes grupos da
sociedade, né? e usando o que a gente já
viu até agora. Eh, bem, eu já falo sobre
isso, mas é interessante falar o que tá
aqui na direita primeiro, né? Então, as
grandes conclusões são assim: Se você
olhar uma mesma raça, então eu tô
olhando só pessoas brancas ou tô olhando
só pessoas negras, as mulheres
contrataram eh créditos mais caros que
os homens, né? E se você olhar para um
mesmo gênero, só olho para mulheres, só
olho para homens, você a gente vê que as
pessoas da raça negra contrataram
créditos mais caros que as pessoas da
raça branca. E no caso da Riz, a gente
pode afirmar ainda que as pessoas da
raça negra contrataram os créditos mais
caros, independentemente do gênero, né?
É.
E aqui pra gente encerrar, né? deixa a
reflexão, né? O que que a gente pode
fazer para tornar esse cenário mais
equitativo. Então, de um lado, a gente
tem a educação financeira, né? forma
indivíduos mais bem informados, tendem
tomar decisões de crédito mais
conscientes, negociar melhores as
condições do crédito. E, por outro lado,
a gente tem a oferta de crédito das
instituições financeiras, né, que ela
precisa ser feita de maneira
responsável, transparente,
adequada ao perfil de cada um e a
capacidade de pagamento de cada um.
estuda a missão do Banco Central, que
busca promover sempre um mercado
financeiro, um sistema financeiro mais
inclusivo, mais eficiente
e sustentável para todos nós. Obrigada e
bom evento.
Agradecemos a Lívia Gratosição
e temos agora o prazer de convidar ao
púlpito Giovani Beviláqua, que é
graduado em administração e mestre em
economia e finanças pela Universidade
Federal do Ceará e doutor em economia
pela Universidade de Brasília. Geovânia
é pesquisador e coordenador de acesso a
crédito e investimentos do SEBRAI
nacional. Com a palavra, Giovani
Bevilaco.
>> Eh, muito obrigado. Boa tarde. Boa tarde
a todos. Eh, para nós, eh, para mim
especialmente, pessoalmente, mas também
para nós do Sebrai, é uma uma
oportunidade, uma honra muito importante
estarmos aqui, né? Eu tenho também,
diretora, um desafio pessoal, né? da
última vez que eu estive aqui nesse
púlpito aqui, há alguns anos atrás, eh,
eu fiquei com medo de falar besteira e
não me convidarem de novo. E o segundo
ponto é assim, eu já fui alertado, né,
antes de começar a Juliana, Juliana,
muito obrigada. A Juliana de Geovani,
vai ter um reloginho ali para você não
fazer da mesma vez que você fez da outra
vez, que foi desconsiderar completamente
o relógio. Então, eu vou eu vou tentar
obedecer isso, né? e e falar que é o
seguinte, nós tivemos um um grande
privilégio, né, de podermos contribuir,
né, com a confecção do relatório de
cidadania financeira. É uma publicação
do Banco Central que nós no SEBRAI, não
só no Sebrai Nacional, mas também em
todo o sistema SEBRAI, né, em todos os
estados, nós temos muito
um um eh eh muito interesse por esses
dados. E eu quero parabenizar então a
atuação do Banco Central, principalmente
nessas pesquisas. E também uma pequena
sugestão, esses dados desagregados que
vocês mostraram, a gente tem que
divulgar ele cada vez mais.
Por quê? Eh, porque assim a gente
consegue identificar melhor os
problemas, né? No caso específico do
financiamento para pequenos negócios,
eh, como um todo, né? O que é que a
gente sabe? E a partir, claro, também da
parceria que a gente tem com o Banco
Central já de alguns anos, né,
especificamente com dados abertos por
portes de empresa, né? Então foi quando
a gente começou a descobrir algumas
coisas muito interessantes, né, e também
desagradavelmente persistentes, que é o
fato que, por exemplo, a concessão de
crédito para pequenos negócios no
Brasil, né, ela tem ela insiste, né, em
ficar em torno de cerca de 20%, né, do
total de crédito concedido para o para
todos os portes de empresa. Os pequenos
negócios, para deixar muito claro, o que
é que nós entendemos por pequenos
negócios, são todas as empresas com
faturamento até R$ 4.800.000.
Então, o conjunto de me microempresas e
empresas de pequeno porte. Esse é o
nosso universo, um grande universo com
uma quantidade muito grande de elementos
que hoje tá em torno aí de 25, 26
milhões de CNPJ. Tô falando só do lado,
né, do lado formal da economia que tem
CNPJ. Muito provavelmente o outro lado
informal e que, Diogo, que não seja, né,
a parte ilegal ou ilícita, né, deve ser
também, né, tudo tudo pequeno negócio.
Entretanto, né, quando você começa a ver
esses números, né, de concessão de
crédito, taxas de juros por portes, né,
e depois quando você começa a abrir isso
pelos estados, né, no país a gente
começa a ver algumas coisas muito
interessantes. Até que o último dado,
né, que nós tivemos acesso e eu agradeço
ao a aí toda a equipe do Diogo, o
Ronaldo, a equipe do Banco Central,
isso, Lívia, né, que a gente já discutiu
isso muita e e eu perturbo muito por
esses dados, peço até desculpas já assim
de público em relação a isso.
Entretanto, eh, é muito útil. Então, um
dado muito importante que nós
encontramos foi quando a gente começou a
ter acesso também a como é que era então
esse crédito aberto por pequenos
negócios, mas por pequenos negócios eh
femininos, né, com empreendedor,
chefeados comandados, né, eh por por
empreendedoras e e por homens. Havia uma
diferença?
Se sim, que diferença era essa e o que é
que a gente pode fazer com isso? Então,
o detalhamento desses dados, como Lívia
mostrou agora também por raça, né, por
gênero e etc., isso é muito importante
pra gente poder atuar de forma mais
eficaz, né, e muito mais, porque senão a
gente fica tentando fazer e eh políticas
políticas públicas para para mamíferos
de uma forma indiscriminada, né? E
mamífero é um é um troço que a gente
sabe que tem um mamífero que vive no
oceano, né? Tem outro que voa, que usa
morcego, né? E tem um outro esquisito,
né? O hornito torrinho que que a gente
não sabe bem o que que ele é. Então é
muito complicado você tentar dar conta
dessa multiplicidade.
E essa multiplicidade, eu acho que o
trabalho que vocês fazem no Banco
Central de mostrarem isso, os dados
nesse nível de granularidade é
extremamente importante. Dito isso, né,
a nossa atuação a partir dessas
informações, né, do Banco Central, dessa
parceria já longa que o Banco Central
tem com o SEBRAI e nesses esforços
também em relação ao à semana, né, de
educação financeira, a gente, eu e meu
colega Márcio Borges, eh nós elaboramos
então com muito bom grado, nós aceitamos
o convite, né, da equipe do Banco
Central para que nós fizéssemos um box
específico. já era, a gente já tava
pensando em outras, em outras atuações,
né? Como é que a gente Então, então,
basicamente o financiamento do
empreendedores feminino, né? A nossa
análise tentou ser mais
interdisciplinar,
tá? uma nossa,
um diagnóstico, né, que foi feito e
também o que nós estamos chamando de
financiamento por reconhecimento,
que são as nossas novas tes. Então,
desde o ano passado de por volta ali de
março, abril, né, quando a gente eh
escreveu esse artigo até agora, também a
gente incorporou outras atuações,
inclusive muitas atuações práticas de
atuação do SEBRAI, por exemplo, com a
atuação dos nossos fundos garantidores.
Vou já falar um pouquinho sobre eles,
mas o dado que chamou nossa atenção foi
que ao tentar identificar que por que o
crédito para as mulheres, de uma forma
geral já era um problema para nós
tentarmos dar conta, por que que os
pequenos de negócio impotal tem a eles
são concedidos menos crédito que outras
empresas? Aí surge um monte de de
tentativa de resposta. Ah, é porque eles
são mais arriscado, é porque ele não tem
informação, é porque isso é porque
aquilo ou é porque não quer mesmo, né?
Não quer, no caso o ofertante, né? Não
quer dar. Eh, então isso é muito
desagradável. Por quê? Começar a ver os
números é diferente, né? Eh, será que é
isso? Será que é uma questão de é falta
educação a eles?
Sim. Se sim. Não. Só que muitas dessas
perguntas elas não tinham tinham duas
respostas. Sim e não. Sim, porque é isso
mesmo, mas não porque não é só isso que
explica esse esse fenômeno. Então quando
você se dá conta, então se depara com
essa quantidade de problemas, né, a
gente tem que começar a pensar de outras
formas. Então, que a nossa a nossa
hipótese é o seguinte, olha só,
o nosso argumento é que todas as
barreiras que foram identificadas, que
nós conseguimos identificar, que são
algumas barreiras que impedem ou
dificultam muito o acesso a das
empreendedoras ao mercado de crédito ou
e ao financiamento de uma forma geral,
seja isso, porque a gente vê isso também
seja no mercado de crédito, mas também
em outras formas de financiamento, por
exemplo, como financiamento de por
participação societária, né? Nós vemos
muito isso também. Então, o nosso
problema é o seguinte, olha só, parece
que essas barreiras elas não são uma
falha residual de um sistema. O sistema
funciona de forma muito eficiente e essa
e essas coisas são pequenos problemas
que ocorrem. É, não. A nossa hipótese é
que na verdade é uma uma um problema
estrutural, tá? E ao ser estrutural, por
exemplo, com uma dif um diferencial
médio de taxas de juros, por que que as
mulheres pagam pra mesma linha de
crédito uma taxa de juros maior do que a
pros homens? Não sei. Quer dizer,
ninguém sabe.
Aí a gente começa a ter hipótese, começa
a tentar ver chegar isso, né? Ah, e mais
aí, sabe o que é mais o que é mais
curioso e até mais
eh preocupante? é que quando você começa
a ver que, por exemplo, na região
Nordeste essa diferença é maior. O MEI
paga taxa maior do que uma pequena, do
que uma micro intermediariamente também.
Muito mais. Por quê? É porque é Big,
não sei. É porque é mulher, é pior, né?
É porque é meia, é mulher. Essa
combinação é é danosa.
Então, todas essas coisas fazem a gente
começar a investigar um pouco. E tá
passando 3 minutos ali. E a Juliana tá
lendo para mim. Olha só aí o que é que
acontece. Essas barreiras estruturais,
né, que nós identificamos, nós
identificamos pelo menos um conjunto de
dessas barreiras. Primeiro patrimoniais
de garantia. Então, quer dizer, o nosso
sistema, né, de concessão de crédito, a
nossa leitura é que ele funciona
basicamente, ele é alastreado em
garantias reais. Eu tenho ativos, né? E
olha só, os ativos intangíveis
femininos, por exemplo, como capital
humano de relacionamento e territorial,
eles são completamente desconhecidos e
não reconhecidos como colaterais
possíveis, né, de de serem utilizados na
concessão de crédito. Daí é o que
surgiais a nossa tese de financiamento
por reconhecimento. Reconhecer, todos
vocês sabem disso, reconhecer não é
simplesmente saber que o outro existe,
mas é o reconhecimento tem uma categoria
um pouquinho, né, um pouquinho mais
ampla, né, um pouquinho mais encorpada,
que é eu não só reconheço o que existe,
mas eu também reconheço como sujeito de
direitos, né? Então é uma outra coisa,
não é só saber que, ah, existe mulheres
no mundo, ah, existe empreendedores, tá
OK, eu sei, mas o que é que isso tem a
ver nosso? Então, é uma outra coisa.
Então, por isso que a gente fala de
reconhecimento. Outro problema
informacional e de histórico. Aqui essa
questão do histórico é muito
interessante porque assim, a
informalidade, eu tenho um problema já
no mercado como um todo, né, de a ideia
da informalidade, né, produzir um viés
estatístico.
Como é que é, como é que são feitos
análises de crédito de seleção de
crédito? Basicamente, eu tô tentando, eu
tô tentando comparar um novo entrante
com outras coisas que eu já vi, né? Se
eu tiver poucas mulheres lá dentro da
minha base, ou as poucas mulheres que
estão lá dentro tiveram um comportamento
de crédito eh, digamos, o ruim, né?
Nossa, vai lá. É como se eu tivesse
pegar um bicho branco assim, pequeno,
com pena e aí eu não sei diferenciar ele
de um pato de uma galinha, né? Aí
aparece uma galinha. Aí o meu o meu
sistema ele só serve para identificar
pato.
Aí ele vai dizer que é um é um é um é um
é um pato errado. Não é um pato errado,
ele é só outro bicho. Ao o fato de ser
outro de ser outro bicho. Então é muito
importante isso, né? Então porque o
score penaliza de forma dupla nosso
sistema. Nossa, nós temos um problema de
viés algoritmo nesse sentido. Na minha
leitura é essa, né?
Se esse meu sistema só ele é muito
adequado para identificar patos, na hora
que eu apresento uma galinha para ele,
ele diz que é um pato errado. Logo tem
alguma coisa errada. Problemas
socioculturais e comportamentais também.
Então, a exigência de avalista
masculino, isso aqui é a coisa mais
absurda.
>> É verdade. Eu acho aqui até ofensivo
demais, tá? Então, avalista masculino,
desconto, um desconto subjetivo de
negócios, né, femininos.
Como assim? A gente viu aqui, a Lívia
mostrou um pouquinho que quando eles
estão usando aquela todas aquelas
linhas, crédito, cheque especial, né, o
aquele outro com as taxas muito altas e
é muito parecido, né? E por que que elas
pegam assim? Eu acho que de saída a
gente tem que pensar que é o seguinte,
olha, eles não fazem isso não é por
ignorância não, né? Eu acho que de
saída, né? Vamos, vamos tentar aqui
pensar aqui, não, eles e empreendedores
de uma forma geral. Por que que ah, os
empreendedores ficam pegando taxa de
juros muito alta? A primeira vez que eu
vi esse núo me chamou muita atenção, né?
Porque que eles ficam pegando, fazendo
operações de crédito com com linhas de
com modalidades de crédito tão caras.
Não é só uma questão de educação que ele
não sabe. Eles não são estúpidos com
tomates, não são. Às vezes eles só não
têm o acesso.
Eles não sabem. E o que que tem acesso?
Muito rápido. Abra qualquer conta. num
banco qualquer, ele exista fisicamente
ou só na internet, né? Primeira vez que
você botou lá, pouquinho rapidinho, tem
crédito ali dentro
e caro.
Que que significa? Tá ali, rapaz, tá
acessível. Qualquer outra coisa, outra
modalidade de crédito, você vai ter que
ir lá no banco, Lívia, vai ter que ir lá
e dizer assim: "Olha só, eu tenho um
projeto de investimento que eu vou quero
construir uma coisa e etc. Um plano
super OK". Aí vai e mostra esse plano,
rapaz. Olha só o custo todo, né? Você
tem que ter o plano aí, vai lá
apresentar pro gerente, vai mostrar para
todo mundo, dizer tentar mostrar que é
viável no final das coisas para tentar
mostrar pro banco que você vai pagar ele
de volta, né? É, esse é o jogo. Tudo
bem? Entretanto, aí o que que acontece?
Você chegou lá e tudo e aí dizer,
vou ter esse peru
eu vou ter esse trabalho todo
enquanto eu tenho uma linha aqui que tá
me dando dinheiro, piscando aqui na
minha tela de do celular, né, que eu
posso pegar a qualquer momento.
A gente tem que levar isso em
consideração.
Então, a educa e assim, né? E aí, no
caso dos homens tem um negócio, eu tenho
uma hipótese interessante sobre os
homens, tá? Não sei se faz sentido, mas
eu tô testado. Que é assim, os homens
eles podem ter também um comportamento,
né, de caloteiro estratégico.
Ele estrategicamente ele decide ser
caloteiro. Ele pode fazer isso. As
mulheres, aparentemente elas elas não
têm esse viés,
né? Mas os homens eles podem atuar
porque pode ser, né, estratégico para o
agente, né, ele dar um dar um calote
numa dívida porque depois é porque ele
sabe que de repente ele vai ter algum
benefício de renegociação e etc, etc.
Então essa estratégia, o o calote
estratégico também existe, tá? Preciso
levar isso com sideração. Então o que
que acontece em relação às mulheres?
Você tem essas barreiras institucionais.
Essas barreiras institucionais levam a
um nível muito baixo de autoeficácia. O
que que significa isso? É é que a
autoeficácia tá relacionada com a
capacidade de realizar coisas, de fazer
coisas, tá? Então, eh, o sistema
enquanto tal nega acesso ou impõe
condições muito desfavoráveis. Isso leva
então a uma baixa eficácia. Aí o que que
acontece? uma crença por parte das
empreendedoras femininas, né, na sua
própria capacidade de obter crédito. Aí
o que que acontece? Elas também nem vão
atrás.
Elas não vão atrás. Depois não, eu não
vou atrás porque ele vai me negar.
Você sabe como isso é limitante? É ruim,
né? Isso é uma redução muito grande da
da capacidade das pessoas. E ao fazer
isso, o que é que acontece? acaba sendo
validado por exclusão, porque você tem
uma baixa demanda, ela é interpretada
pelo outro lado como desinteresse, isso
fica girando, ó. Então, esse ciclo de
auto de de alta eficácia e exclusão é
muito danoso, né? Ao fazer isso, eu não
sei onde foi que eu fiz, foi que eu fui
até aqui. Olha só. Então, o que que
acontece? O que é que o sistema vê? O
sistema reconhece isso aqui, né?
imóveis, veículos, eh máquinas com nota
fiscal, balanços auditados e etc. É isso
que ele vê, né? A questão, nossa, a
questão do aval que a mulher precisa de
ter o marido também avaliando, isso isso
é isso é um negócio muito, eu não sei se
o ter correto é isso, mas é pelo menos
meio gerval, né? Então aí o que que
acontece?
O que que acontece? O, eh, isso, isso a
gente ouve muito das nossas nossas
empreendedoras, né? El assim, não, ela
vai chegar e vai dizer: "Não, mas seu
marido tá sabendo que você tá vindo
pegar crédito?"
Não, não riam não, porque é trágico
mesmo. É para chorar. Então, aí o que
que acontece? Isso é um problema.
Isso é um problema. Porque então assim,
não é uma questão de risco, não é uma
questão de só risco, não é um problema
de acesso a capital econômico do ponto
de vista, para falar aqui, como citaram
muito de francês aqui, o Burger, né?
Então não é um problema, não é um
problema somente de capital econômico.
Eu tenho outros capitais envolvidos
aqui. E o que é que o sistema não vê?
Ele não ele não Ele ignora relações de
confiança, o conhecimento do território,
a reputação comunitária, a capacidade de
mobilização social que as mulheres têm.
Tô falando de outros capitais,
capital social, capital cultural,
capital relacional.
Qual é o problema? Transformar esses
capitais em capital econômico. Essa é a
transição. É o grande problema de
transição.
Então, esses capitais, vamos chamar eles
por enquanto de invisíveis, né, dos
pequenos negócios, eles são muito
poderosos, mas não são reconhecidos pelo
sistema. Eu tenho capital social que
está relacionado, então, às redes de
confiança comunitária, reputação
territorial e etc.
né? Boa parte da nossa vida, do dia a
dia é feita no consumo de pequenos
negócios, né? Apesar de você, muitas
muitos de nós aqui, eu sei que a gente
fica comprando as coisas pela internet,
mas é mas é isso. É a padaria, é o
restaurante, é o pequeno comércio e etc.
Tá?
Eh,
capital simbólico, isso isso é o mais
fundamental na minha leitura, que é o
próprio reconhecimento local,
legitimidade perante a comunidade. Isso
não é reconhecido pelo sistema.
Capital territorial também.
Economia e a vida das pessoas ocorrem
nos territórios, na cidade, né? Ano
passado eu tive eu tive o privilégio e o
convite de do Banco Central me convidar
para participar lá do aniversário do
Pix, né? Eu achei muito legal. Aí eu eu
contei uma historinha que foi o
seguinte, as pessoas que não conhecem
Brasília, aí eu contei essa história
ali, eles acharam engraçado, mas eh mas
é verdade, o nas entrequadras, né, no
final de semana tem alguns locais que
vendem frango assado, né, que e e a
depender do vento, você sente esse
negócio de longe. Aí o que que acontece?
Na uma semana, rapaz, depois de de do
Pix ser instituído, eu fui lá comprar
normalmente o costumo comprar e aí o aí
eu não sou jovem, o senhor pode pode
pagar no Pix. Eu fiquei com vergonha
porque eu não tinha feito a minha
fachave ainda e o moço tava, o moço já
tinha. Então, olha só. Então, a coisa
acontece ali, é na cidade, é no na na
beira de estrada, no meio da rua. Isso é
fundamental, né? Pra gente poder
entender como é que é esse
comportamento. Capital territorial.
Então, olha só o que é que a gente tá
imaginando. É preciso então um
redesenho, atribuir valor e legitimar e
abrir espaço para uma participação
plena. E o relógio parou. Juliana, eu
vou ser muito rápido, então melhorar um
pouquinho disso, né? Instrumentos
contratuais, né? Os próprios processos
de análise de crédito, né? Isso precisa
ser um pouquinho reavaliado. A própria
relação entre banco e clientes, ter
linhas específicas e tratamento
específico, né? Quando se tá tratando
com públicos diferentes,
né?
para evitar esses absurdos, porque, por
exemplo, chegar um gerente do banco e
perguntar para perguntar pra mulher se o
marido dela sabe que ela tá fazendo
empréstimo,
isso não, né? Isso não faz sentido. Quer
dizer, não deveria fazer sentido, tá? E
algumas recomendações, eu acho que é o
seguinte, primeiro, própria em relação
às garantias, nossa sistema, o nosso
sistema de classificação de risco ou de
concessão de crédito é basicamente um
sistema, né, de avaliação de garantias.
É claro, eu sou ofertante do dinheiro,
eu quero saber se eu vou receber ele de
vão. Olha, OK. Mas então eu tô olhando
históricos, né? Faz sentido. A história
pode fazer sentido, né? para você
minimamente conhecer ali o seu tomador
de crédito. Mas o mais importante é o
futuro por uma razão muito simples. Esse
crédito vai ser pago do futuro. Eu posso
ter tido um comportamento extremamente
adequado pro pro pra concessão de
crédito, ter obtido crédito até agora e
depois disso eu ter eu eu investi mal
esse dinheiro e eu o meu negócio não ser
não ser bem gerido e etc. Então lá no
futuro eu vou me dar mal.
Então eu preciso equilibrar um pouquinho
melhor essa própria análise na minha
leitura, tá? Eu acho que também o e um
trabalho muito importante que o próprio
Banco Central faz também com os sandbox,
que são esses ambientes, né, de
experimentar outras formas de avaliação
de crédito, principalmente um score de
crédito, né, que leve em consideração
esses outros ativos e não não os ativos
físicos, econômicos que a gente conhece,
tá? Os dados desagregados pro gêno, acho
que deviam ficar fazendo isso sempre,
tá? todo o tempo, viu, Lívia? Eh, porque
é só assim que a gente começa, quando
começarem a todo mundo ficar vendo esses
dados que as mulheres têm taxa de chu
diferente, que não sei o que começa
isso, isso vai levar uma discussão muito
mais qualificada e muito mais e muito
mais, na minha leitura muito mais
eficiente, né, de tentar combater esses
paramentos. A gente fica delirando eh
pensando em uns problemas assim que às
vezes ele nem existe, nem sei, né? Mas
talvez então os dados desagregados são
extremamente importantes, a própria
capacitação dos analistas, treinamento,
né, desse das pessoas que estão
atendendo essas as mulheres e próprio
também e e incentivos e instituições.
Sou muito simpático a atuação de
pilotos, né, a gente poder fazer. Então,
a conclusão aqui é que na minha leitura,
eh, o Brasil ele possui sim um dos
sistemas financeiros mais sofisticados e
robustos do mundo, né? E o Banco Central
tem um papel extremamente relevante
nisso, né, de ter chegado a ao nosso
sistema financeiro, ter chegado a
chegar, ter chegado aonde chegou um
papel e fundamental do Banco Central
e também uma das maiores taxas de
empreendedorismo do mundo e do
empreendedorismo feminino do mundo
também. Acho que a gente precisa agora
então é juntar essas duas coisas de
forma mais eficiente, um pouco mais
sabida, né? um pouco mais preocupada com
o desenvolvimento social e econômico. E
aqui aproveitando, vou fazer uma pequena
propaganda. O nosso Data Sebrai, tá? O
DataSebrai, datasebrai.com.br
é o nosso repositório, né, de estudos e
pesquisas, dados, né, sobre o
empreendedorismo no Brasil. E nós agora
em março, final de março, nós lançamos
esse livro, eh, Pequenos Negócios,
Grande Brasil. São ensaios sobre
desenvolvimento, território e vida
econômica. tá em TR vocês. Eu eh eu
tentei botar grande para ver se dava
certo, ó. Então eh então é um conjunto,
são 26 artigos escritos pelos pelos
especialistas do Sebrai em diversas em
diversos temas, inclusive também em
relação ao financiamento e também
empreendedorismo feminino. E as duas eu
eu já estão eu agradeço a a
oportunidade. Ela tava preocupada aqui
já levantando para Muito obrigado,
pessoal.
Agradecemos a Geovani Beviláa por sua
apresentação
e temos agora a satisfação de convidar
ao púlpito Ana Márcia de Oliveira
Fonseca, chefe da divisão de educação
financeira do Banco Central do Brasil.
Ana Márcia coordena a equipe do Banco
Central, que é responsável por
iniciativas de educação financeira
voltadas para crianças, adolescentes e
adultos. Sua equipe também representa o
Banco Central em fóruns nacionais e
internacionais que discutem políticas de
educação financeira. Ana Márcia é
graduada em comunicação social pela
UFMG,
especialista em comunicação
organizacional pela USP e mestre em
psicologia social do trabalho e das
organizações pela UnB. Ana, a palavra é
sua.
>> Boa tarde a todos e a todas. uma honra
estar aqui fazendo a apresentação desse
trabalho, que é um trabalho desenvolvido
pela nossa equipe. Então, já começo
agradecendo a equipe fabulosa, que não
só organizou essa pesquisa, como
organizou esse evento também. Então, meu
reconhecimento e meu abraço a todas
vocês. Eh, a gente vai reportar aqui uma
pesquisa que é o início, na verdade, de
uma pesquisa que nós estamos fazendo de
educação financeira para mulheres. Essa
primeira fase da pesquisa foi uma fase
qualitativa. a gente vai seguir ao longo
do ano fazer uma fazendo uma nova fase,
que é uma fase quantitativa, porque a
nossa ideia é a partir do da conclusão
dessas duas fases, propor iniciativas
que ajudem a educação financeira das
mulheres brasileiras, porque pelos por
tudo que vocês ouviram até aqui, a gente
acha que é um tema que a gente precisa
priorizar para os próximos anos. Então,
o objetivo dessa fase qualitativa foi a
gente levantar informações adicionais às
que a gente já tinha eh para subsidiar,
como eu acabei de falar, uma futura
iniciativa de educação financeira
voltada para mulheres, entendendo então
sempre o gênero e como ele impacta nas
relações das mulheres com o dinheiro e
por esses impactos acontecem. Dando um
pouquinho de panorama histórico, desde
2023 a gente já tem dados de pesquisa no
Brasil mostrando que as mulheres têm um
letramento financeiro menor do que o dos
homens. Então esse fato a gente já
sabia, a gente queria agora colocar uma
luz para entender porquê, porque esse
letramento é menor e como é que a gente
pode ajudá-las no seu na sua educação
financeira. Essa primeira fase da
pesquisa foi feita então com o público
alvo de mulheres residentes do Brasil,
adultas acima de 18 anos, metade com
filhos, metade sem filhos. Havariam,
havia uma variedade aí nessa amostra em
relação a regiões do Brasil. Nós tivemos
todas as regiões representadas eh
diferentes raças e arranjos familiares,
algumas que eram responsáveis pelo eh
para por prover financeiramente a sua
casa, né, por ser a responsável
financeira do lar e outras que dividiam
essa responsabilidade com o parceiro e
outras que somente o parceiro era
responsável. Em relação à renda per
cápita, nós dividimos em três grupos. Vi
uma maioria de mulheres de baixa renda,
com uma renda per capta na família até
R$ 759,
que é o mesmo valor considerado pelo CAD
único. 10 entrevistadas de R$ 700 a R$
3.000 e cinco entrevistadas acima de R$
3.000 na renda per capita. Eh, como é
que nós abordamos essas mulheres? por
meio de uma pesquisa qualitativa com 35
entrevistas semiestruturadas,
entrevistas longas aí de 60 a 90 minutos
foram feitas em janeiro deste ano por
videoconferência pela empresa de
pesquisa CP2 que nós contratamos para
esse trabalho. Eh, com o sumário dessa
apresentação, eu vou trazer essas quatro
grandes informações que nós colhemos na
pesquisa. Primeiro, as informações do
que que essas mulheres nos reportaram
sobre a sua percepção sobre esse ser
mulher, né? sobre as gênero e raça e
dinheiro para essas nossas 35
entrevistadas. Um segundo bloco sobre o
que, como elas ganhavam dinheiro e como
elas gastavam esse dinheiro. Um terceiro
bloco sobre maternidade e como essa
maternidade tá relacionada com o
bem-estar financeiro dessas mulheres. E
por fim, educação financeira para as
mulheres, o que que elas esperavam e
percepções que elas tinham sobre este
tema em específico. Pelo primeiro
primeiro bloco aqui, eu queria reportar
que para essas mulheres ser mulher é
sinônimo de força. força diante dos
desafios cotidianos, que os desafios que
envolvem normalmente conciliar o
trabalho com os seus afetos, as suas
relações familiares, todos seus
convívios e com a responsabilidade pelo
cuidado emocional da família, que
segundo elas recai muito mais sobre as
mulheres do que sobre os homens. Elas
também eh consideraram que houve avanços
aí nas desigualdades nos últimos anos,
mas que ainda muitas desigualdades
persistem. Elas citaram, por exemplo, o
acesso a trabalho e renda, preconceito,
sobrecarga, violência de gênero e
desemprego pós maternidade. Coloquei
nesses slides algumas falas de algumas
das nossas entrevistadas. Por exemplo,
essa mulher do Nordeste que tem ensino
médio, é branca, disse que o mundo é
mais difícil para mulher. A gente vê que
mulher ainda ganha menos que homem. se
tem filho, é uma dificuldade para
arrumar emprego. E a gente também
perguntou sobre a raça e a gente
descobriu que para essas mulheres, a
pronto, eh ser negra é traz ainda um
nível maior de dificuldade, porque as
negras enfrentam mais desigualdades,
mais estigmas e mais barreiras no acesso
a direitos e oportunidades. Algo que a
gente também já viu aqui sendo reportado
na apresentação da Lívia.
A gente perguntou o que que é ser dona
do dinheiro. Eu acho que esse slide é
muito legal porque ele resume o que que
essas mulheres disseram. Eh, ser dona do
dinheiro para essas mulheres é decidir
sobre a sua vida. E quem é que não quer
decidir sobre a sua vida, né? Imagina
você num contexto, por exemplo, de
violência doméstica, você não quer
decidir, sair desse contexto e e tentar
uma outra vida, né? E até no nosso dia a
dia, quem não quer tomar pequenas
decisões sobre o rumo da sua vida, acho
que todos queremos. E por outro lado,
não ser dona do dinheiro é viver com
escolhas limitadas, com sensação de
perda de autonomia, uma situação
associada a frustração, tristeza e
preocupação, e que é, por exemplo, só
afetos negativos que aparecem, né,
ligados a esse não ser dona do dinheiro.
Portando aqui em algumas falas sobre
esse assunto. Então, as mulheres
disseram: "Ser dona do meu dinheiro é
não ter que dar satisfação a ninguém, é
ir além do que eu não consegui ir. É
maravilhoso. Eu falaria: "É bom demais,
maravilhoso. É libertador."
Por outro lado, não ser dona do meu
dinheiro é não ser nada.
É dependência e preocupação.
É não ser independente.
É precisar de alguém. É muito ruim.
Então, falas muito potentes, né? Eu fico
até arrepiada lendo para vocês, né?
Claro que todas aqui, todos aqui
gostariam de poder estar do lado dos ser
donos do nosso dinheiro e não desse
lado, né? De não ser donos. sobre ganhar
e gastar dinheiro. Nas nossas
entrevistadas, a maior parte está na
informalidade e dentre aquelas que têm
ensino superior, a gente encontra sim
mais comumente aquelas que estão com
algum emprego formal e acesso a direitos
trabalhistas.
Com esse nesse contexto a gente
perguntou para essas mulheres o que que
é bem-estar financeiro para você. e
bem-estar financeiro para ela está mais
ligado a pagar as despesas básicas e
evitar dívidas, muito mais do que poupar
ou planejar para o futuro. Ou seja, é
ali é o dia a dia, a sobrevivência.
Então, se a gente somar baixa renda com
ganhos imprevisíveis da informalidade,
com as despesas fixas, tá montado aí o
contexto para a gente ter o estresse
financeiro. Essa mulher, por exemplo,
nos reportou que bem-estar financeiro,
então assim, eu vivo de bicos, né? Tem
dia que eu tenho trabalho, tem dia que
eu não tenho. Por isso não considero que
eu tenho bem-estar financeiro. Vocês
considerariam se vivessem de bicos?
Em relação a despesas e dívidas, no caso
das nossas entrevistadas, elas
reportaram que na maioria das vezes a
renda não cobre as despesas. Então o que
que elas fazem? Adiam as contas, por
exemplo, as contas de água e luz até o
momento que vai cortar. Quando vai
cortar aí elas pagam. eh, pedem ajuda a
familiares, recorrem ao cartão de
crédito e aos empréstimos, né? Então, a
gente vê a recorrência ao crédito para
cobrir o dia a dia, né? Não com uma
forma de construir um patrimônio. A
maioria está com dívidas, como era de se
esperar, e isso é uma fonte de
preocupação constante para essas
mulheres, então, lógico, afetando a sua
saúde mental. Para as mulheres casadas,
elas reportam que há uma divisão de
custos do dia a dia com o parceiro,
inclusive com na construção de bens, né,
de patrimônio. Eh, esses bens também são
divididos equanimamente e há uma
percepção delas de que se tornou mais
fácil gastar e se dividar recentemente.
Então, essa mulher aqui do Centro-Oeste
que tem ensino médio é parda, disse que
a toda hora é um e-mail de cartão
liberado, é uma ligação querendo que
você compre alguma coisa. Entra aí na
internet, compra online, né? A pessoa
agora não precisa mais sair de casa,
pode comprar online mesmo. E às vezes a
pessoa não tem aonde cair morta, mas tá
ali com trem barato, tá precisando. Aí
compra quem nunca comprou, né? Porque
tava com trem barato ali, né? E você
achou que podia ser legal?
Eh, em relação à ordem de prioridade dos
pagamentos e planejamentos, planejamento
do dinheiro, elas reportaram que existe
sim uma ordem que elas tomam para
priorizar os seus gastos. Primeiro de
tudo é pagar o aluguel. Por quê? porque
elas têm que garantir um teto na cabeça
delas e das da família normalmente dos
filhos, né? Em segundo lugar, pagar
alimentação, pô, comida na mesa
normalmente para as crianças. Eh, depois
pagar a conta da água e da luz, depois a
internet, só depois da internet vem a
fatura do cartão de crédito, né? Então
não é de estranhar que elas tenham mais
rotativo, como reportou a Lívia, né?
porque vem outras coisas de subsistência
antes da fatura do cartão. Em relação ao
planejamento, elas reportaram que o
planejamento financeiro não faz muito
parte da vida delas e elas acham que na
baixa renda, a baixa renda não permite a
organização. Então elas acham que o
planejamento financeiro é coisa pra
gente rica, né? Então essa aqui, essa
mãe, essa mulher do Nordeste e disse que
a gente nunca tem um hábito disso, né? A
renda é baixa, não sei se tem
necessidade, não sobra nada. Então, para
essas mulheres, o planejamento é só se
sobrasse alguma coisa. E como não sobra,
poucas conseguem poupar ou investir.
Eh, vou virando agora para pra página
pra gente falar de maternidade, do
bem-estar financeiro dessas mulheres
nesse contexto da maternidade, a gente
vê que a maternidade tem um impacto
primeiro nas tarefas domésticas, como
diversas pesquisas mostram. Eh, a a esse
culto, as tarefas de cuidado ficam
majoritariamente sob responsabilidade
das mulheres, gerando uma grande
sobrecarga para elas. Essa mãe, por
exemplo, também do Nordeste, que tem
ensino médio é parda, disse: "Ah, lá em
casa sou só eha". A única coisa que os
meninos ainda fazem é assim: "Cecou a
garrafa, vai e enche." Roupa suja, não
seixa roupa suja, mas o restante, 98% é
a mãe mesmo. Mães, aqui vocês se
identificam com essa frase?
>> Sim.
>> Eu também.
Eh, na divisão mais equilibrada, a gente
encontra entre aquelas que têm maior
renda e maior escolaridade. Talvez
porque os parceiros também tenham a
maior escolaridade, elas consigam ter um
diálogo com o parceiro, talvez porque
elas consigam terceirizar esse serviço,
colocar numa creche ou contratar uma
babá, né? E a gente vê também que tem um
impacto da maternidade na inserção no
mercado de trabalho, que é mais forte
para as mães de crianças pequenas e de
baixa renda, porque como eu falei, elas
não teriam então como terceirizar esse
serviço. Então elas vão ter que sair do
mercado para cuidar da criança em casa.
E na relação com dinheiro, elas também
vêm o impacto da maternidade. A
maternidade traz mais despesas, outras
prioridades, mas por outro lado, até de
forma positiva, mais responsabilidade no
uso do dinheiro.
Em relação, por fim, à educação
financeira, essas mulheres disseram que
elas se percebem como primeiro seguras.
Um dado até que nos nos surpreendeu.
Elas disseram que se se a maioria disse
que é se insegura para lidar com
dinheiro, especialmente nas contas do
dia a dia. E houve uma minoria só apenas
que disse que não tem confiança para
tomar as decisões do uso do dinheiro.
Elas, por outro lado, se sentem
despreparadas porque elas não tiveram
educação financeira na escola e tiveram
pouco diálogo dentro de casa sobre isso.
Então elas aprenderam de forma indireta,
observando acertos e erros dos pais.
Elas também se mostram meio desconfiadas
porque dizem que procuram procuram pouco
por essa informação, por orientação
financeira formal ou então na internet.
Elas desconfiam quanto a credibilidade
do conteúdo que elas encontram
especialmente na internet e percebem que
esse é um tema técnico, como eu falei
antes, para ricos, para quem tem alta
renda. E elas discutem sobre finanças só
com pessoas próximas e num contexto de
necessidade.
E por fim, elas se mostram interessadas
quando a gente pergunta se elas
gostariam de aprender mais, 100% diz que
sim, que tem interesse, que gostaria,
acha que é um tema importante, que
valeria a pena aprender mais. Trouxe
aqui algumas falas para exemplificar. A
primeira é de uma mulher do norte que
disse: "Sim, eu tenho confiança,
inclusive tenho essa vontade também de
aprender. Eu tomo as decisões, tenho
essa autoestima de entender que eu dou
conta das coisas". A segunda fala que a
direita do Centro-Oeste gostaria de
aprender como guardar dinheiro, o que
rende, quanto tempo, o que que é
confiável, que investimento eu posso
fazer guardando R$ 50 por mês, uma
quantia pequena
no canto de lá. Eu acho muito
interessante essa pesquisa porque às
vezes passa batido, que a gente precisa
também se apropriar desses
conhecimentos, investir, saber o que que
a gente tá gastando. E por fim, essa da
direita disse: "Eu quero agradecer pela
pesquisa porque existe um patriarcado
ainda, né? a gente vive no patriarcado e
isso faz a diferença.
Para concluir, o quando a gente
perguntou para elas o que que elas
gostariam de uma ação de educação
financeira, elas disseram que essa ação
teria que ser voltada para o cotidiano,
algo bem prático e alinhado à realidade,
especialmente das mulheres de baixa
renda. Eh, quando a gente perguntou
sobre formatos, vários formatos foram
sugeridos, presenciais, a distância e
relatos de outras mulheres. Elas querem
ouvir outras mulheres falando como elas
usam o seu dinheiro. Aí, se a gente
pudesse resumir aqui em possíveis temas
para essas ações, começar falando das
forças e desafios desse ser mulher e do
ser mulher negra, eh, a importância da
autonomia financeira para as mulheres,
ainda mais em contextos aí de violência
doméstica. Eh, o dinheiro como um
assunto de mulher, sim, é um assunto de
mulher, é para você. Educação financeira
não é só paraa gente rica, ela pode ser
útil para qualquer um. Como conciliar a
maternidade, a renda? Como planejar o
uso do dinheiro na prática? Poupança,
investimentos acessíveis, o crédito,
como usar sem se enrolar e empreender é
possível.
Eu agradeço a atenção de vocês e a gente
fica à disposição para conversar mais.
Agradecemos a Ana Márcia Fonseca por sua
apresentação e peço que por gentileza se
posicione à frente da mesa. Convido
também a diretora Isabela Lívia Grat e
Giovan Beviláqua a se juntarem à Ana
para o registro desse momento com uma
foto oficial.
Daremos início agora ao painel Como
promover o bem-estar financeiro das
mulheres brasileiras.
Para compor a mesa, temos a satisfação e
a honra de convidar para moderar o
painel Isabela Correia, diretora de
cidadania e supervisão de conduta do
Banco Central.
Caneta.
Convido também as seguintes painelistas.
Amanda Dias,
especial.
Amanda é especialista em educação
financeira e fundadora da Grana Preta,
iniciativa que já impactou mais de
15.000 pessoas com uma abordagem
afrorreferenciada
sobre dinheiro e construção de
patrimônio. Seu trabalho conecta
dinheiro, emoção, família e
desigualdade, propondo caminhos de
prosperidade que vão além da renda e
passam por reorganização interna e
segurança coletiva. Amanda Dias também é
comunicadora e apresentadora do podcast
Prósperas, onde amplia a conversa sobre
dinheiro, afeto e futuro.
Convido também Lucilene Morande.
Lucilene é doutor em economia da
indústria e da tecnologia pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro,
UFRJ.
Lucilene é professora titular da
Faculdade de Economia da Universidade
Federal Fluminense, UF, onde também
coordena o Núcleo de Pesquisa em Gênero
e Economia.
Membro do comitê Women and Gender Forum
da Society for the Advancement of Social
Economics. Lucilene participa da Rede
Brasileira de Economia Feminista e da
Rede Caleidoscópio de Estudos e
Pesquisas Feministas.
Sua área de pesquisa concentra-se em
macroeconomia heterodoxa, economia
feminista, mercado de trabalho,
desigualdade de gênero, economia dos
cuidados e políticas públicas.
Convido também Fernanda Garibalde.
Fernanda é advogada e professora, mestre
e doutora em direito pela USP.
é autora do livro Sistema de Pagamentos
Brasileiro, regulação e Concorrência, e
foi pesquisadora visitante na Colômbia
Law School, com foco em regulação
financeira e antitrust. Atualmente é
diretora executiva da Za, organização
sem fins lucrativos, dedicada ao debate
sobre inovação e inclusão no mercado
financeiro.
Por fim, convido Caroline Gesser.
Caroline é diretora de riscos da Cressol
Confederação,
é graduada em direito com pós-graduação
em governança corporativa e compliance.
Direito e processo tributário e Direito
Processual Civil. Caroline tem ainda
formação executiva em alta liderança
pela FGV. E o mais importante para o
escopo deste evento, Caroline é
coidealizadora do Potencializa Elas,
dedicada a valorizar a liderança, a
visão e o protagonismo feminino.
Diretora Isabela, a palavra é sua.
>> Obrigada. Vamos sentar, né?
Obrigada de novo a presença de todos
vocês eh aqui hoje. Eh,
o formato desse evento, ele tem uma, ele
teve uma apresentação de alguns dados e
de alguma dados e eh tanto quantitativos
como agora, né, a Ana Márcia também
trouxe alguns algumas informações eh de
uma pesquisa que a gente começou e a
nossa intenção é não apenas fazer eh
refletir sobre ações de eh de educação
eh financeira para mulheres, mas também
refletir com mulheres, então conseguir
ouvi-las, conseguir entender eh e
conseguir eh refletir e e nessa
realização de com mulheres a gente ter
eh ações que sejam que gerem eh impactos
efetivos.
os dados que que foram mostrados aí na
nas sessões anteriores,
eles ajudam a trazer um um retrato
bastante concreto, né, do da relação das
mulheres com dinheiro e da e e de um
retrato que ainda é marcado por bastante
desigualdade, né? Eh, eu vou começar
então com a professora Lucilene, que
como antecipado e apresentada pela nossa
mestre de de cerimônias, tem se dedicado
à à economia eh feminista com olhar
sobre mercado de trabalho, desigualdades
de gênero, muito do que a gente tem eh
falado aqui, economia dos cuidados,
políticas públicas.
Eh, professora Lucilênio, que eu
gostaria muito de eh de
ouvi-la eh eh falando é sobre a a figura
estrutural e macro. Eh, e basicamente,
então, sobre a importância de a gente
conseguir também fazer da importância de
fazermos recortes de gênero e raça,
especial com recortes de gênero e raça.
Isso não é muito antigo em economia, eh,
em macroeconomia especificamente, a
gente trabalha com uma massa, com uma
média. E eh a discussão da economia
feminista, ela traz eh justamente essa
necessidade da gente olhar com detalhes
o o abrir esse dado macro e começar a
olhar a granulometria desse dado, né? E
como vocês viram, faz muita diferença,
tem importância a gente relacionar os
dados com gênero entre homens e
mulheres, basicamente, né? Os dados são
sempre eh com informação de sexo eh
feminino e masculino e com informações
de raça. Eh, a raça no Brasil é como eh
usada pelo IBG de auto definição,
determinação, né? Quando a gente olha os
dados eh econômicos ou analisa a
economia eh pela média, pelo geral, a
gente vê muito menos eh possibilidades
de políticas públicas que trariam
redução de desigualdade. E quando a
gente olha os dados abertos por raça e
gênero, eh, a gente consegue ver muitas
outras possibilidades. Então, a a os
dados de abertos por gênero e raça são
fundamentais para as análises
macroeconômicas.
Eh, concordo com Giovani que a partir de
agora o Banco Central me viciou, eu
quero dado só com raça e gênero. Eh,
esse relatório nunca mais diferente
disso. Eh, por quê? Porque não dá paraa
gente analisar sem colocar a diferença
entre homens e mulheres. Eh, por que que
as mulheres, os dados mostram, as
mulheres têm menos educação financeira,
as mulheres são mais endividadas, as
mulheres se endividam mais no crédito
mais caro. Então, a questão é por essa
diferença, né? Eh, concordo com Giovan,
elas não são mais burrinhas que que os
outros. Não é possível. Por que que isso
é diferente? Eh, a teoria econômica diz
que o rendimento da gente no mercado de
trabalho está diretamente relacionado
com o nosso nível de escolaridade.
Muito bem. As mulheres têm média de
escolaridade maior que os homens desde o
final da década de 80.
E no entanto, a gente recebe 21 até,
dependendo do país, a diferença salarial
chega até 30 ou mais por em relação aos
homens. Quando a gente coloca raça nessa
desigualdade, a eh como foi mostrado
aqui, as pessoas pretas e pardas
geralmente tem um rendimento pior do que
as pessoas brancas e as mulheres piores
do que os homens. Eh, olhando o
rendimento
do eh da mulher preta e parda em relação
ao homem branco, eh elas ganham menos do
que 50% do que ganha o homem branco.
Eh, as mulheres são maioria nas
universidades,
tanto em inscrição, entrada, quanto em
saída.
Então, nós temos eh educação,
mas o que a gente consegue mostrar é que
a educação rende mais para os homens do
que para as mulheres. Então, por quê,
né? E aí eu acho que o Giovânia levantou
um monte de questões que eu fiquei ali
me colocando. Tem a ver com preconceito
mesmo. E e que preconceito é esse? A
sociedade histórica
socialmente define as mulheres como
nascidas pro cuidado, apropriadas para o
cuidado, apropriadas e formatadas
para o trabalho intramuros dentro de
casa.
A mulher não é apropriada para o
mercado, paraa conquista do mercado. O
mundo é dos homens, a casa é das
mulheres, né? Mãe, rainha do lar, odeio
esse negócio. Eh, então,
e isso começa por uma educação.
Eh, eu fui comprar um presente pra minha
sobrinha, fiquei aborrecidíssima e saí
da loja, eu não comprei nada. A loja de
brinquedo era dividida, metade rosa. E
pergunta para quem que era essa parte
rosa?
Paraas meninas. Não tinha um jogo de
inteligência, só tinha cozinha,
fogão, bebê. Bebê que reproduz quase um
bebê real, carrinho pro bebê. E do lado
de cá tudo azul. Aí aqui tinha bola,
tinha nave espacial, tinha carro, tinha
armas, aquelas espadas maravilhosas,
tinha eh fantasias maravilhosas para
mulherada só dentro de casa. Então a
gente educa meninas e meninos de forma
diferente. E aí não é por acaso, né, que
nas universidades, apesar das mulheres
serem maioria, elas estão na em maioria
nos cursos relacionados a cuidados. E
olha que interessante, os os cursos
relacionados a cuidados são os cursos
que têm menor rendimento no mercado de
trabalho.
Quando as mulheres eram minoria em
medicina,
os o o rendimento médio de várias
carreiras na medicina eram maiores.
Quando as mulheres entraram, essas
carreiras diminuíram, o rendimento
diminuiu, os homens agora estão em
outras carreiras. Quando as mulheres
viraram professoras,
nós nos ferramos, né? Diminuímos o
salário médio dos professores. Onde as
mulheres chegam, elas baixam o salário.
Elas não, meu filho. Elas não. Porque
nós não queremos baixar salário nenhum.
As pessoas olham pra gente como menos
capazes.
Então, eh, por exemplo, se a gente olha
uma orquestra sinfônica,
99% lá dentro é homem. São raríssimos os
casos de maest ma maestras, né? Agora a
gente tem uma mulher brasileira lá na
Europa. Olha que maravilha.
Eh, a orquestra de Nova York começou a
fazer o concurso blind. Como blind? Se
se vai ser músico. Bota uma uma cortina
e a pessoa toca, canta, vai fazer o que
ela for fazer aqui atrás. Que que
aconteceu? O número de mulheres
aprovadas na orquestra aumentou.
Então, a gente tem que mudar é o olhar
que a gente tem paraas mulheres. Eu acho
fundamental a discussão que o Banco
Central tá abrindo aqui. Acho
fundamental o Banco Central se preocupar
em abrir eh em propor a a pesquisa sobre
necessidade de educação financeira. Eu
acho fundamental. Eh, todo mundo precisa
de educação financeira. Acho que tinha
que ser das escolas mesmo. As mulheres
têm razão. Eh, mas isso só não vai
bastar para reduzir desigualdade de
gênero e raça.
Não vai. A gente tem que fazer uma um
movimento muito mais profundo. A gente
tem que mudar a história social,
historicamente, sociologicamente, o
olhar das pessoas para as mulheres e
para as pessoas racializadas.
E isso a política pública sim pode
influir muito fortemente. Então eu acho
que a gente tem um espaço de política
pública. O Banco Central faz o que lhe o
que lhe é próprio, abrir as linhas, as
possibilidades, educação financeira, eh
democratização do acesso financeiro. E
eu acho que o Banco Central tem feito
isso muito bem nos últimos anos. Acho o
Pix must, né? Por isso que o Trump tá lá
quicando,
Dane-se ele, quem quem quem, né, chegou
depois, chegamos antes, ganhamos o
espaço. Isso é é é fundamental. Eh,
então o que eu vou dizer aqui não
desmerece todo esse movimento do Banco
Central que eu acho muito importante,
fundamental, quero, né, reafirmar aqui,
mas junto com isso, a gente precisa de
um movimento de todo o conjunto da
política pública. A gente tem que
começar a pensar orçamento público com
gênero, a gente tem que pensar eh
decisões de ministérios com gênero. A
gente tem que ter metade das cadeiras no
parlamento com mulheres, uma
representação equivalente de pessoas
pretas e paras, equivalente à população.
A gente precisa de pessoas de baixa
renda no Congresso e não só gente rica
decidindo sobre o resto do Brasil. Então
a gente tem que fazer esse movimento.
Então esse é um movimento que eu acho
que a economia feminista, as feministas,
as mulheres têm lutado e os grupos de
movimento eh negros e sociais têm lutado
ao longo do tempo. Então eu acho que a
gente tem que juntar forças. Acho
fundamental, acho muito bacana que o
Banco Central tá fazendo. A gente tem
que juntar com ele e fazer mais. É isso.
Obrigada, professora Lucian, você tá
perfeita, né? Algum eh algumas dessas
das mudanças são estruturais
efetivamente, né? E você tem um um pilar
que é o pilar da educação, que é um
deles, né? Ele é um dos propulsores, mas
ele não dá conta de tudo. Isso até tá
muito posto e tá muito tá muito claro,
né? Eh, e aí eu queria eh eh passar aqui
para você, eh, Amanda, que eh
considerando, eu acho considerando o seu
trabalho, considerando a sua história de
vida e considerando que justamente você
trabalha com eh mulheres, mulheres
negras, mulheres de baixa renda,
justamente na temática de eh eh de
educação financeira, de promoção de
bem-estar financeiro.
Eu queria que você dialogasse com com um
pouco com os dados que nós apresentamos
aqui. percepção, análise da da
professora Lucilene também sobre
bem-estar financeiro de mulheres, eh,
mulheres pretas, eh, e todos esses dados
que a gente tá trazendo e bem-estar na
sociedade, diferenças.
>> Conta um pouquinho a sua visão pra
gente.
>> Oi, boa tarde. Vocês estão me ouvindo
bem?
Me chamo Amanda Dias, eu venho lá de
Salvador, cheguei aqui hoje. E eu queria
comentar assim, eu tô à frente da Grana
Preta há mais de 7 anos. A Grana Preta é
essa plataforma de educação financeira
afrorreferenciada. Então, a gente tem
uma metodologia voltada mesmo, eh, não
somente para esse público, mas o centro
da dessa construção de conhecimento, ele
tá voltado na história da população
afro-brasileira em vários momentos eh da
nossa da nossa trajetória aí. Então,
para começar a trabalhar educação
financeira com o nosso povo, a gente tem
feito algo que eu acredito que é muito
negligenciado ao longo da história, que
é justamente resgatar os nossos próprios
exemplos culturais de sucesso
financeiro. Então, a gente vai falar das
irmandades e confrarias negras do século
XIX, a gente vai falar das ganhadeiras
que foram as primeiras mulheres
empreendedoras desse país que sai do
mundo. Então, a gente vai resgatar esses
exemplos que estão vivos ainda na na
memória, eu acho que na memória
ancestral do nosso povo para mostrar
para essas mulheres que sim, elas são
potentes, elas são capazes e elas são eh
o centro dessa gestão financeira, né?
Quando a gente olha e vê que a maioria
das pessoas que lidam com boletos, com
contas, com eh gestão financeira do dia
a dia, da economia doméstica, são sempre
as mulheres. Então, pensando nesse
sentido, né, dialogando com esses dados
que foram trazidos aqui, que eu vejo
muito no dia a dia do meu trabalho, eh,
eu acredito que pra gente transformar
essa realidade, a gente precisa também
ter uma transformação na nossa
mentalidade enquanto sociedade. Eu
acredito que uma revolução cultural
mesmo. a gente precisa deslocar esse
olhar de entender que o trabalho do
cuidado ele é tão importante ou mais que
qualquer outro trabalho. Ele é
estruturante, ele é fundamental. Então
quando eu vejo assim, ai porque aqui em
casa é 98% da gente mesmo, os meninos
fazem pouco. Já já me estressa a lida do
banco, a pessoa que eu nem sei o nome,
só tem a idade ali. Mas porque quando a
gente pensa assim, né, eh, por cozinhar
é tido como menos importante do que
outros tipos de trabalho? Porque é
porque a sociedade colocou como sendo
assim, quando a gente vê que isso é
fundamental pro nosso dia a dia, ninguém
consegue viver bem sem ter o cuidado.
Então, eh uma coisa que que eu trabalho
muito no que eu cuido muito no meu
trabalho é essa questão do desse viés
cultural mesmo, né? Quando a gente viu
ali eh sobre como melhorar essa questão
do crédito, né?
E por que as mulheres pegam os piores
créditos? Eh, e aí ficou aquela coisa,
né? Será que elas têm menos informações?
Eu acho que sim, é necessário ter mais
educação financeira e mais informações,
mas a gente também tá falando de pessoas
que tomam decisões sob a escassez. E
quando a gente fala dessa realidade de
escassez, a gente tá falando de uma
realidade que toma boa parte da nossa
capacidade cognitiva. Então, dialogando
aí com o Sand Hill Mulitan. Eu não eu
não sei muito bem como citar, mas ele
fala da teoria da escassez, né? e o
quanto a escassez ela rouba a nossa
banda larga mental e a nossa capacidade
de tomar boas decisões de longo prazo.
Então, quando a gente fala de escassez
no Brasil, a gente não tá falando de uma
demanda de um grupo pontual, a gente tá
falando quase eh da estrutura central da
nossa sociedade. A gente tem no país
hoje a grande maioria das pessoas
ganhando até no máximo R$ 3.000. E para
viver bem no Brasil hoje, a gente sabe
que é preciso um pouco mais que o dobro
disso. Então, a gente tá falando que a
maioria das pessoas no Brasil hoje vivem
sob a escassez. E ainda que você consiga
se estruturar financeiramente para sair
dessa realidade e mudar essa realidade
material, ainda haverão resquícios desse
contexto de escassez na forma que a
gente pensa, que a gente toma decisões.
E aí quando eu tô falando de escassez,
eu não falo somente da escassez do
dinheiro. A gente tá falando da relação
com o alimento, com o trabalho, com a
saúde, com o tempo. Então, a escassez
ela vai permear todas essas relações,
né? Então eu acho que essas decisões são
tomadas dentro dessa circunstância.
Então claro, o crédito que tiver ali
piscando na minha frente, o que seja
mais fácil, o que vai resolver a minha
urgência, é o que eu vou pegar. E aí o
planejamento de longo prazo, ele fica
prejudicado nesse contexto.
E aí quando a gente fala, né, sobre os
ativos ainda como garantia, eu
particularmente sou empreendedora e eu
me enquadro 100% nesse eh nessa nesse
quadro de empreendedora que tem quase
que medo do crédito. No Brasil, hoje eu
trabalho com empreendedoras. A maioria
das das pessoas que eu trabalho são
microempreendedoras,
ME e profissionais autônomas. E a gente
aprendeu ao longo da vida que o nosso
maior ativo, que é nosso maior
patrimônio, é o nosso nome limpo. Então
pensar em pegar um crédito sem ter esse
planejamento de como a gente vai gerir
esse crédito no longo prazo, ele ativa
uma, esse pensamento ativa uma série de
questões que perpassam o nosso subjetivo
também, né? E nós mulheres negras, eu
acredito que a gente é atravessada por
uma desconfiança do do sistema
financeiro muito grande, no sentido de a
gente pega um crédito achando que aquilo
ali vai ser a solução dos nossos
problemas e acaba virando uma bola de
neve. E nesse contexto, uma coisa que
era para ser positiva, que era para
adquirir patrimônio e alavancar o
negócio, acaba virando algo negativo. E
aí, nesse sentido, a gente se sente
traído pelo sistema financeiro. É
aquela, aquele problema de ter o medo de
perder, o medo da queda, o medo de
perder aquilo que a gente já conquistou.
Isso atravessa eh uma série de relações
financeiras e ao mesmo tempo isso tem
uma origem que é ancestral. Quando a
gente fala, por exemplo, eh, das
poupanças dos escravizados, né, que hoje
o o Ministério Público ele tem retomado
essa discussão, já foi encontrada 158
contas com dinheiro esquecido desde
aquele tempo da escravização. Então, a
gente tem um contexto em que o sistema
bancário, né, os escravizados, com muita
luta, com muito suó e até desviando das
próprias leis e regras que proibiam eles
de acumularem dinheiro, conseguem
acumular o pouco de dinheiro que eles
têm acesso, conseguem abrir uma conta no
banco e investir esse dinheiro. Quando o
sistema bancário quebra, os grandes
fazendeiros, os donos de patrimônio
conseguem reaver o dinheiro e os
escravizados não conseguem reaver esse
dinheiro para uma meta que seria uma das
coisas mais importantes, que é a compra
da euforria. Então, a gente tem, e isso
eu tô falando de uma coisa do passado,
mas depois a gente já tem escândalo de
poupança, a gente já tem escândalos mais
recentes que expõe, de certa forma e de
volta esse medo e essa desconfiança da
população de baixa renda com o sistema
financeiro. Então, essa também é uma
relação que precisa ser reconstruída.
eh essa relação de confiança, essa
relação do do da oferta de crédito com o
tomador do crédito também, uma relação
talvez mais próxima, talvez um
acompanhamento que que aponte de que
forma que a gente pode, ao ter o crédito
gerir esse crédito ao longo do tempo, de
que forma vai encaixar isso no
orçamento, na gestão financeira daquela
empreendedora, para que isso não venha
no futuro a se tornar uma experiência
negativa para além das diversas
experiências negativas que são
protagonizadas
pelo dinheiro ao longo da história
dessas pessoas que vêm dessa realidade
de de pobreza, de escassez e de baixa
renda. Então, acho que um dos caminhos é
isso, né? E aí, eh, eu esqueci o seu
nome.Oov.
>> Giovani.
>> Giovani. Geovani falou uma coisa aqui
que eu anotei muito porque eu fiquei
impactada demais, porque dialoga muito
com o que eu acredito. Assim, você falou
o quanto que o sistema ele negligencia
os ativos que não são necessariamente
ativos materiais e financeiros, né? E aí
isso dialoga muito quando a gente fala
eh do capital humano, do capital
relacional, do capital territorial.
Eh, isso dialoga muito com a forma que
mulheres não só empreendem, mas como
elas se relacionam com os recursos ao
seu redor. É muito difícil as mulheres
terem dinheiro sobrando no dia a dia,
porque os recursos femininos eles quase
sempre são do coletivo. Então, se a
mulher tem dinheiro sobrando e a mãe
precisa, ela vai ajudar e o filho tá
precisando, ela tá mais atenta a essas
necessidades. Então eu arrisco dizer que
a empatia expõe as mulheres a uma maior
insegurança financeira. E aí o que que a
gente vai fazer? A gente vai combater a
empatia feminina ou a gente vai propor
uma mudança cultural que pense que o
feminino ele precisa est no centro
dessas decisões políticas e econômicas.
A gente precisa começar a entender que
uma sociedade, ela só é próspera quando
ela consegue fazer os recursos
circularem de forma garantir o bem viver
básico das pessoas para que a gente
possa a partir disso, né, com os os
nossos o básico garantido, para que a
gente possa planejar o futuro, sonhar,
projetar coisas lá paraa frente. a gente
não consegue pensar e acreditar no
futuro enquanto sociedade se o nosso dia
a dia, se o nosso, a gente não sabe como
é que a gente vai sobreviver até o final
do mês. Então, quando se fala, né, sobre
esses outros ativos, eu relembro muito o
conceito de prosperidade e urubá, que eu
trabalho muito na nos meus conteúdos,
que é uma prosperidade mais voltada pro
equilíbrio, pra circulação de recursos,
mas aí é que tá, porque essa pros esse
conceito de prosperidade, ele não tá só
lá eh na Nigéria tradicional, nos povos.
Ele está também arragado no povo
brasileiro. A uma pesquisa recente do
Datafolha com a SCRED mostrou que
prosperidade pro brasileiro tem a ver
com dinheiro em primeiro lugar, mas
também tem a ver com saúde mental, com
bem-estar psicológico, com
espiritualidade e propósito, com os
vínculos sociais. Olha como isso se
relaciona com aquilo que você tava
falando dos dos principais ativos dos
negócios femininos, os vínculos sociais.
Então, o brasileiro ele já entendeu que
prosperidade tá muito além do acúmulo,
tá muito além de enriquecer. Então, eu
acredito que pra gente solucionar esses
problemas, o mercado financeiro também
precisa est deslocando essa lente
cultural.
Obrigada, Ra. Você traz você traz aí uma
série de eh
de temas para debate. Você fala você
fala você trata tanto das desigualdades
quanto você trata muito das
interseccionalidades. Você fala da
escassez, né? E efetivamente como essa
escassez define eh determinados
comportamentos. E você menciona tanto
você como eh professora Luciline e
previamente eh o Geovani falaram também
muito realmente da relação direta entre
o entre instituições do sistema
financeiro eh e os indivíduos e as
pessoas, as mulheres efetivamente, as
mulheres pretas, as mulheres pretas, eh
as mulheres pobres, né? Então você fala
muito da das diversas
interseccionalidades.
Eh, então eu vou levar um pouquinho,
acho que o debate agora para para
Fernanda Garibaldi e e e paraa Caroline.
E acho que a pergunta para você, eh,
Fernanda, acho que são, é é uma única
pergunta, mas eu acho que ela tem duas
tem duas lentes, assim, é justamente uma
a a pergunta e eh principal é uma
pergunta sobre o papel, né, do sistema
financeiro, das instituições
financeiras. E eh a professora Lucelene
falava, né, eh a gente refletir sobre
desigualdades de gênero, desigualdades
de raça, desigualdades de forma geral no
Brasil é um exercício eh de todos nós,
de toda a sociedade brasileira, né?
Então, de uma de de uma primeira lente,
consvi de você um pouquinho sobre como
você vê, né, o papel então do do sistema
financeiro, eh,
do papel a ser cumprido pelo eh pelo
sistema financeiro. E queria que você
explorasse um pouquinho justamente,
então, eh, a, a relação entre as
instituições e esses diversos públicos
que a gente tratou aqui, como que ela se
dá. Eh, e só para te responder a
pergunta que você tinha me feito, quanto
tempo você teria nessa resposta em uma
média de 6 minutos?
É que o tempo também é escasso, não só o
dinheiro.
>> Bom, obrigada, diretora Isabela, mais
uma vez pelo convite para tá aqui nessa
nessa mesa hoje. Eh, enfim, eh, saúdo
aqui as minhas colegas painelistas,
professora Luclene, Amanda, Caroline.
Eh, uma alegria estar aqui discutindo
esse tema eh desse auditório. Mais uma
vez eu já vim falar aqui de crédito
consignado, já vim aqui falar de outros
assuntos. Esse talvez seja o tema que
mais aquece o meu coração aqui para
falar, porque é um tema que fala da
gente, né? Fala das mulheres. Eu
recentemente estive num num outro painel
sobre um assunto mais do direito e aí
fui assistir eh uma amiga no num painel
sobre diversidade no direito
empresarial, que por coincidência é
diretora jurídica do Banco do Brasil. E
ela começou a fala dela, Lucideia, eh,
citando a música de Marisa Monte,
dizendo: "Nós mulheres temos uma dor". E
a música da Marisa Monte fala, né? A
dor, a dor é minha, a dor é de quem tem.
Então eu eu brinquei com ela mais cedo,
falei: "Ó, vou te citar lá citando
Marisa Monte, que é melhor que nós duas,
para dizer que essa é uma dor das
mulheres." E isso não significa dizer eh
que essa não é uma dor que possa eh
trazer alhados eh homens que estão aqui
na plateia, que eu tô vendo, eu fiquei
bem atenta se teríamos homens também,
além das mulheres nesse tema que podem
ser aliados dessa causa, mas ela é
fundamentalmente uma dor nossa, né? Uma
dor feminina, né? é uma dor de quem
atravessa a vida, eh, como como você bem
trouxe de Bová no início da sua fala,
como o segundo sexo, né, como a cidadã
de segunda classe, na minha visão aqui,
e aí eu vou inclusive diferenciar a
minha visão um pouco como advogada, como
professora e como diretora da ZA também,
né, essa associação que representa os
entrantes no setor financeiro nesses
últimos 13 anos.
Eh, contextualizando um pouco do porqu a
minha visão eh de que o sistema
financeiro tem um papel especialmente no
Brasil muito importante a cumprir. Nossa
Constituição tá lá dizendo no artigo 92
que o sistema financeiro ele foi erguido
para suavizades e igualdades regionais e
atender os interesses da coletividade.
Então, fundamentalmente, a gente já
transpõe eh uma dicotomia que pode ter
em outras jurisdições no sentido de ah,
mas o sistema financeiro tem que fazer
isso, banco tem que fazer inclusão, a
gente tem que ter produto específico
para empreendedoras, paraas mulheres,
para negros. Olha, o nosso sistema
financeiro, ele tem constitucionalmente
um mandato que é entender, atender os
interesses da coletividade nacional,
entendendo que inclusive nós temos
desigualdades regionais. Então, a
primeira coisa que eu te diria, diretora
Isabela, é que sim, o sistema financeiro
tem um papel muito importante a cumprir
no que toca as mulheres, no que toca as
minorias, no que toca a população negra
e indígena.
Eh, para além do papel, né,
constitucionalmente concebido pro
sistema financeiro, preciso dar um outro
passo atrás e e aí a minha fala casa
muito com a da professora Lucilene, no
sentido de que é verdade, é preciso uma
mudança cultural, como a Amanda bem
trouxe aqui, eh, né, a gente entender,
eh, quais são as as questões que
atravessam a vida da mulher, sem dúvida.
Mas essa mudança cultural, essa tomada
de consciência, ela não necessariamente
vai se refletir em ação se assim a gente
não criar o ferramental e os
instrumentos para isso. E nesse tocante,
o direito tem um papel fundamental.
Eh, e aqui eu vou me referir
especificamente a uma autora que eu
gosto muito, chama Catarina Piston, que
fala muito do papel do direito e casa
muito com o que o Giovan trouxe na
codificação da riqueza. O que que eu
quero dizer com isso? Quero dizer,
casando com o que a Amanda também
trouxe, que trazendo o exemplo da
população negra, que quando foi liberta
ali pós a escravidão, eh, enfim, passou
a trabalhar, recebeu um soldo, eh,
recebeu algum tipo de salário, então
teve acesso ao mercado monetário, mas
não teve acesso à terra, não teve acesso
à proteção patrimonial, não teve acesso
a crédito. Então, todos os instrumentos
que codificam a riqueza e que são
trazidas pela lei, a população negra não
teve e a população eh feminina também
não. E aí vale lembrar que no Brasil até
1962 a mulher era considerada incapaz.
Então ali a gente vê em 62, o Estatuto
da Mulher Cada. Um negócio assim meio,
né? Parece de outro tempo. Estatuto da
mulher casada. Quer dizer, não fosse
casada, coitada, deu sofrimento. Então,
o Estatuto da Mulher Cada vai ali
arrefecendo algumas barreiras, mas só em
74, por conta dos Estados Unidos, de uma
lei importante lá, as mulheres passam a
ter acesso a um cartão de crédito sem
depender do marido. Olha que coisa, não
tem muito tempo, gente. 74 foi ali.
Então, esse papel o ordenamento jurídico
tem em codificar e regras patrimoniais,
contratuais, direitos de propriedade
intelectual, acesso a crédito, ele é
fundamental para mudar as estruturas.
Então, não adianta a gente ter mudança
cultural sem a lei. E não adianta a lei
sem a mudança cultural. No Brasil tem
aquela coisa de lei não pega, lei que
não pega, né, gente? Então, eh, eu diria
que, eh, para abrir aqui o nosso debate,
que, eh, entender que riqueza não é só
terra, não é só bem, não é essas essas
eh essa riqueza, ela é codificada por um
código jurídico que assegura esse tipo
de proteção e que excluiu a maior parte
da população, mais de 55% da população
brasileira é negra. Então, a maior parte
da população hoje tá excluída eh de
vários direitos e, por isso não
conseguiu fazer eh acumulação de riqueza
no tempo. Então, acho que também o
exemplo que a Amanda trouxe aqui da
desconfiança da população negra com o
sistema financeiro casa muito com a
história Amanda, não sei se você conhece
do Friedman's Bank, que é um banco, né,
que que foi criado com essa ideia ali
depois da guerra de secessão nos Estados
Unidos de atender a população negra, de
receber os salários dos escravos
recém-libertos, das pessoas escravizadas
recém-li libertas. Eh, quem dirigiu o
banco, qualquer semelhança mera
coincidência, pegava o dinheiro
depositado e ela alocava em capital de
risco em ativos que não tinham nenhuma
liquidez, nenhuma consistência. Eh,
enfim, o banco quebrou e levou aí eh a
banca rota, um monte de gente, né, da
população escravizada que tava ali eh
economizando esse dinheiro. Então, acho
que a primeira coisa a a abrir essa fala
aqui, diretora Isabela, é falar desse
papel. então do da regulamentação
infraegal, das leis, das normas e a
importância, né, do Banco Central, das
autoridades públicas conseguirem
conversar para mapear essas barreiras
estruturais. Eu vou trazer depois aqui
algumas eh alguns pontos importantes dos
últimos anos que o Brasil eh enfim eh
concebeu a política nacional de
cuidados, né, que é de 2024, uma lei eh,
né, de 2024, a própria lei agora do ano
passado, eh, garantindo, eh, mulheres em
conselhos de administração, também
mudando a governança corporativa das
empresas. Então, paraa estatal, paraa
Sociedade de economia mista, vai ser
obrigatório, impedindo até eh questões
de deliberação se você não cumprir essa
norma no conselho. Paraas empresas
privadas ainda é indicativo apenas, mas
com a sinalização de que isso pode virar
como na Noruega lei. Então, se você é
uma empresa grande, é uma sociedade
anônima ou listada em bolsa, você vai
ter que ter mulher no seu conselho.
Então, eh, vários instrumentos legais
que a gente consegue pensar e conceber
para melhorar, eh, de fato o acesso das
mulheres a crédito, ao mercado de
capitais, as a ao mercado de trabalho de
maneira geral, porque se a autonomia eh
financeira das mulheres é o que pode eh
tornar a nossa vida melhor em termos de
sair de relacionamentos abusivos, eh
evitar feminicídio e essa autonomia
financeira, ela passa por uma
independência material e pelo mercado de
trabalho, é preciso pensar política
políticas que façam com que a gente
permaneça no mercado de trabalho, que
quando a gente se torne mãe não seja um
um temor eh arrasador. Pense, e agora?
Será que eu vou perder o emprego? Como é
que eu vou conseguir conciliar os
cuidados do meu filho e o trabalho?
Então, uma série eh de questões aqui
para colocar pra gente eh inaugurar e
esse debate aqui.
>> Muito obrigada, Fernanda. Eu acho que eh
a gente volta vez e vez de novo eh sobre
o debate da estruturalidade das, né, de
da necessidade de mexer as estruturas
para viabilizar eh maior eh inclusão e e
igualdade. Aí, para continuar com eh
instituições do do sistema financeiro,
eu vou passar para você, Caroline,
queria te te ouvir um pouquinho nos a
gente fala muito aqui eh eh no banco
também e em todo o mercado que o
cooperativismo, a a a educação, a
inclusão tá no DNA, né, do do
cooperativismo. No entanto, quando a
gente olha os dados hoje do eh foram
divulgados do relatório de de cidadania
financeira, a gente identifica que
existem eh relacionament mais
relacionamentos com homens do que com
mulheres. Então, a gente tá falando aqui
de 54 eh versus eh 46, eh um número um
pouco maior do que eh a média do do
sistema. E eu queria te ouvir um
pouquinho então sobre se nesse DNA, né,
nesse trabalho, vocês fazem algum, tem
uma atuação direta e em relação a trazer
mais eh mulheres, eh promover eh eh eh
ações, como, por exemplo, queria que
você contasse um pouquinho pra gente do
Potencializa Elas eh diretamente com
mulheres e para mulheres.
>> Antes de mais nada, boa tarde a todos.
Boa tarde, diretora Isabela, as minhas
colegas aqui que estão dividindo esse
painel. em nome da Cressol, agradecer a
oportunidade por estarmos aqui hoje
conversando nessa temática tão
importante. E sim, Isabela, respondendo
de uma forma bastante objetiva essa
pauta, ela está muito presente no âmbito
das cooperativas, nós conseguirmos cada
vez mais alcançar mais mulheres e de
fato os estudos apresentados aqui hoje,
o relatório de cidadania financeira,
dentre outros, nos mostram que temos
várias oportunidades nesse sentido, que
ainda podemos avançar muito com esse
público, falando de uma forma muito
breve da Cressol, cooperativa de
crédito, atuante aí há há 30 anos no
mercado, presente hoje em 20 estados
aqui do Brasil. E nós temos cada vez
mais voltado a nossa atenção a isso, ao
público feminino, a iniciativas que
façam com que a gente consiga alcançar
mais as mulheres, alcançar mais esse
público. E isso, como muito bem colocado
pela diretora Isabela, é algo que tá no
DNA das cooperativas de crédito, porque
faz parte da essência do cooperativismo,
de fato, né? a inclusão financeira, o
desenvolvimento local, a educação, a
formação. Os princípios cooperativistas
nos trazem isso principalmente através
do quinto e do sétimo, educação,
formação, interesse pela comunidade.
Então, nós temos sim essa atuação
voltada muito a esse viés social. Além
de sermos uma instituição financeira,
atuarmos com produtos financeiros,
voltamos a nossa atenção também ao viés
social. E aqui falando de uma forma
muito mais específica a pauta da
inclusão feminina, especialmente com
relação ao programa Potencializa Elas.
Isabela, que está aqui na sua pergunta.
é uma iniciativa, é um programa, um
projeto desenvolvido pela Cressol,
iniciou lá em 2023 e ele busca
fortalecer a presença feminina no
cooperativismo com foco em
empoderamento, liderança, gestão,
educação financeira. Esse projeto, desde
que ele foi concebido lá em 2023, ele já
alcançou mais de 5.000 mulheres em 12
estados do Brasil. Ele é um projeto
bastante estruturado, com encontros
mensais, cinco encontros mensais, um
projeto relativamente longo, são no
mínimo 5 meses em que essas mulheres
participam de vários momentos de
formação, de experiência, de trocas
entre elas também. E com isso consegue
se desenvolver muito do ponto de vista
pessoal, mas também do ponto de vista
dos seus empreendimentos, do seu
negócio, da sua gestão familiar. Vale
aqui colocar também que a Cressol tem
uma raiz muito forte no agro. Somos uma
cooperativa que surgiu do agro do
pequeno agricultor e por isso
majoritariamente ainda temos um público
agro bastante grande. Então a gente vê
muitas vezes muitas mulheres
participando desses programas como sendo
o primeiro contato formal de fato com
uma instituição financeira. E através
disso, com um primeiro contato, muitas
vezes se descobre alguns talentos que lá
na propriedade, lá na família, elas já
possuíam na gestão, no desenvolvimento,
mas que fazem com que elas venham pra
cooperativa de uma outra forma. Então,
faço um gancho aqui para mencionar que
nós aproveitamos desses programas,
inclusive do Potencializa Elas, até
mesmo para reorganizar o nosso quadro
social. Muitas dessas mulheres que
começam participando conosco do
Potencializa Elas e temos vários cases
nesse sentido, acabam se desenvolvendo e
se tornando conselheiras, membros de
conselho de administração das nossas
cooperativas, delegadas, embaixadoras
atuando na sociedade. Então, de fato,
ele tem um resultado bastante efetivo
nesse sentido. E aí nessa linha, dado
também, né, todo o contexto e e o
sucesso de fato, né, que nós estamos
observando como potencializa elas, no
último ano nós iniciamos um projeto
piloto do potencializa elas
empreendedoras. Então aqui voltado de
fato as cooperadas que são
empreendedoras, buscando auxiliar no
desenvolvimento desses empreendimentos.
Esse piloto feito em 2025, ele já
abarcou aí cooperadas de seis estados,
dos estados eh seis estados, sendo das
regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e
Norte, onde mulheres empreendedoras
tiveram oportunidade de participar de
treinamentos, de oficinas a respeito de
temas gerais de gestão estratégica, de
gestão financeira, de de marketing, né,
de comercial, precificação.
Então é mais um um dos projetos, né,
mais uma iniciativa voltada ao público
feminino e compreendemos que com tudo
isso nós, além de cumprir com o próprio
a própria missão da Cressol, o propósito
do cooperativismo, a contribuição do
cooperativismo, inclusive dentro do
sistema financeiro nacional, nós
materializamos também os princípios
cooperativistas que eu trouxe aqui e a
essência de fato que é estar próximo,
que é promover o desenvolvimento local e
que é de fato desenvol envolver os
nossos cooperados. Isso está na nossa
missão, está no nosso DNA. Então,
voltando ao fechamento para dizer,
Isabela, que sim, isso é uma pauta
latente e nós conseguimos trazer esse
exemplo para compartilhar do
Potencializa Elas, que para nós,
enquanto cooperativa Cressol tem sido
muito bacana, muito efetivo.
>> Obrigada.
Eu
vou voltar com você e com a Fernanda,
eh, em breve pra gente conversar mais um
pouquinho, mas antes disso eu queria
voltar mais uma vez, fazer mais uma
rodada aqui e começar eh de novo com a
professora Lucilene.
falamos aqui, a Fernanda tocou bastante
aqui na questão do mercado de trabalho,
de ser um mercado de trabalho
sustentável para mulheres, para que a
gente consiga promover eh mudanças
sustentáveis e de longo prazo. Eh,
falamos também de eh ressignificação
cultural eh e também falamos de eh
educação e inclusão.
É, professora Luciana, eu queria queria
te ouvir um pouquinho eh sobre
se você entende que haveria como
considerar as especificidades do ciclo
de vida da mulher eh para tornar tornar
mais fácil essa inserção que a Fernanda
traz aqui no mercado de trabalho e no
universo financeiro, eh, de forma geral,
dentro da lógica, eh, econômica que
vivemos e também explorar se há casos em
eh de outros países que adotaram
políticas públicas que tenham feito eh a
diferença, o que que elas englobaram.
Queria
aprender um pouco um pouquinho aqui.
>> Pois é, quando a gente olha eh vou tomar
conta ali do relógio. Eh, quando a gente
olha o mercado de trabalho, eh, por
faixa etária, a entrada no mercado de
trabalho, eh, entre homens e mulheres, a
participação é é parelha, é muito
próxima. E no final, a partir dos 50
anos, também a diferença não é muito
grande. A diferença fica grande entre os
25 e 45 anos de idade, que é justamente
o período fértil da mulher, é quando as
mulheres estão tendo filhos. Então, uma
das questões importantes é a
distribuição social, a divisão desigual
social do trabalho eh não remunerado, do
trabalho não remunerado de cuidados. Eh,
quando as mulheres têm filhos, elas têm
basicamente duas opções. Eh, uma opção é
parar de trabalhar, se ela tava
trabalhando, parar de estudar, eh,
cortar a vida dela, eh, mesmo que seja
pensado como temporário, as mulheres que
tentam voltar depois, elas voltam
desatualizadas. Então, por exemplo, tem
políticas públicas que dá alguma
vantagem às empresas que requalificam as
mulheres que saíram do mercado de
trabalho para ter filho e que querem
voltar agora. Eh, a Europa, alguns
países europeus estão fazendo políticas
desse tipo. É uma forma de você eh
reduzir o custo da maternidade para as
mulheres. Eh, a outra eh possibilidade é
a mulher terceirizar, aliás, estão três
possibilidades. A outra possibilidade é
a mulher terceirizar o trabalho de
cuidado. para ela terceirizar, eu acho
que algumas pessoas aqui já falaram
disso, e ela precisa ter uma renda
salarial ou familiar suficiente para ela
pagar creche de tempo integral, escola
de tempo integral ou uma pessoa para
tomar conta das crianças ou pelo menos
de parte do tempo da da criança em casa.
Para essa opção, ela está eh dada para
as pessoas e famílias a partir de uma
determinada faixa de renda. Para as
famílias de faixa de renda mais baixa,
essa possibilidade não existe, porque o
que elas ganham de rendimento não cobre
o custo da creche da escola ou de uma
mão de obra terceirizada. a gente vê
várias saídas eh dadas pelas próprias
mulheres nas suas comunidades, que é a
vizinha, a mulher que toma conta dos
filhos da de outras mulheres da rua, eh,
de da vizinhança no horário de, né,
alternativo de trabalho. Então, é um, é
uma solução intramuros e entre mulheres,
não envolve nada mais a não ser
mulheres. É quando as mulheres
terceirizam e contratam uma mulher para
fazer o trabalho para elas também é uma
solução entre mulheres. É uma mulher,
geralmente é empregada doméstica, a
cuidadora, a babá, que é sempre
majoritariamente mulher, que vai
substituir a mulher naquele trabalho. A
terceira opção é a mulher juntar tudo,
fazer o trabalho remunerado e o trabalho
não remunerado, que é a dupla, tripla,
quádrupla, jornada, o que der, né? Eh,
quando a mulher não pode terceirizar
porque ela não tem condições financeiras
de fazer isso, o que a gente vai ver é
que as mulheres vão buscar empregos que
caibam ness nesse diaido.
Então, ela vai buscar empregos
informais, empregos com tempo com tempo
diário flexível, eh, ou o tal da conta
própria, o empreendimento, fazer, sei
lá, unha em casa, né, fazer bolo para
fora, comida, o tal de fazer para fora,
né, que as mulheres fazem isso desde
>> todos os séculos. Eh, então, eh, a a no
final das contas, eh, a gente não
discutiu na sociedade a redistribuição
do trabalho de cuidados. A a Isabela, a
a Amanda levantou um ponto muito
importante. A gente como sociedade tem
que entender que cuidados faz parte da
vida e que a gente não pode pensar um
mercado de trabalho que não incorpora
cuidados, como que quem trabalha lá não
cuida de ninguém, nem dela mesma. Se a
gente tem que contratar as pessoas para
trabalharem 8 horas por dia, né? Uma
amiga minha entrou no mercado
financeiro, ela era contratada para
trabalhar 8 horas, mas não tinha que ela
trabalhava 8 horas, ela tinha que a
primeira reunião era começava o dia 8,
às 8:15, ela tinha que fazer um recorte
de todos os jornais na reunião de 8:15.
Então ela chegava lá 6 horas da manhã,
né? E para sair às 6 não tinha que ela
saí às 6. E aí ela botou um limite, duas
vezes por semana ela saía às 8 porque
ela tinha aula de yoga.
Aí é o limite
esse tipo de mercado de trabalho. E eu
na universidade percebo que os alunos
são encantados com setor financeiro. Vou
falar mal do setor financeiro,
justamente do Banco Central, mas
eh e pelo over de trabalho como e isso
foi vendido como uma coisa boa,
trabalhar para caramba, não ter fim de
semana. Eu não tenho férias há 5 anos.
como se isso fosse a beleza da vida.
E esse tipo de estrutura de mercado e
trabalho só é possível hoje no mundo
inteirinho,
porque temos nós mulheres fazendo o
trabalho de cuidado, sem remuneração,
sem aposentadoria, sem férias
remuneradas, sem fim de semana.
Então, quando eu digo que é uma mudança
estrutural, a gente não vai envolver só
o estado. A gente quer mais creche
pública de tempo integral. A minha
sobrinha teve filho, o marido, o
namorido dela foi embora um mês depois.
Ela arrumou o trabalho e botou a filha
na creche. Ah, a creche ia de 7:30 às
11:30.
Quem é que trabalha de 7:30? 11:30, pelo
amor de Deus, ninguém. Eu preciso de
creches de tempo integral, de escolas de
tempo integral e todas de qualidade, não
depósito de menino,
de qualidade, porque escola pública de
qualidade é um ponto, aqui todo mundo
falou de educação hoje, é um ponto
central para redução de desigualdade
racial.
Hoje a nossa pobreza é feminina.
As mulheres são sobrrepresentadas nas
faixas de renda menor e as pessoas
pretas e pardas são sobrrepresentadas
nas faixas de renda menor. Então a nossa
pobreza é feminina e negra. Como é que a
gente reduz isso de acaba com o ciclo de
pobreza? A mulher sozinha, chefe de
família. Quantas mulheres no Brasil são
sozinhas? Quando a gente pega a
estatística, famílias monoparentais, só
tem um dos pais presente e tem criança
pequena. 93% dessas famílias são
chefeadas, adivinha? Por quem?
>> Mulheres. Quando alguém vai embora e tem
criança, quem é que vai embora?
E quando a mulher vai embora, a gente
bota a mulher na justiça, fala mal dela
para caramba, chama ela de bruxa,
mas quando o homem vai embora é só mais
um. É só porque ele é mulherengo, ele
não tem responsabilidade. Agora se a
mulher fori embora, ela vai ser queimada
como as bruxas foram lá na Idade Média,
né?
Então, a gente tem que redistribuir o
trabalho de cuidados dentro da família
entre homens e mulheres. Então, já foi
mostrado aqui a estatística que as
pessoas com maior escolaridade já estão
fazendo isso muito melhor do que as
pessoas com menor escolaridade. Então,
se isso for uma demonstração de melhoria
ao longo do tempo, palmas para nós, né?
Estamos melhorando.
Redistribuição do cuidado entre a
família e o resto da sociedade. A gente
teve uma ministra que queria inclusive
trazer educação para dentro da casa. A
mulher já não faz bastante, agora vai
educar também, vai aprender geografia
histórica, não lembra mais. Aritmética e
o escambal a quatro para ensinar cinco
crianças dentro de casa, fazer arroz,
feijão, passar, lavar. E que que é isso,
gente?
A gente não quer trazer mais trabalho
para dentro de casa, a gente quer tirar
de lá,
né? Então, a gente precisa das escolas
de qualidade, de tempo integral para que
as mulheres, principalmente
as famílias de menor renda, tenham mais
chance de ter melhor escolaridade,
entrar no mercado de trabalho de forma
mais competitiva e as mulheres poderem
trabalhar, como a gente lá na economia
feminista fala, a gente não quer botar
todas as mulheres no mercado de
trabalho, não. Não é essa a ideia, mas a
gente precisa melhorar a renda das
pessoas. E as pessoas não conseguem eh
melhorar a renda se elas têm que cuidar
de um bando de criança e não tem o
mercado de trabalho que as que as
incorpore, não tem espaço lá. Então a
gente precisa do estado fazendo escolas
e creches públicas de melhor qualidade,
de tempo integral e em número suficiente
para cobrir todas as crianças. A gente
tem uma pesquisa mostrando que se a
gente cobrisse todas as creches para
crianças em tempo integral que estão
fora da escola hoje no Brasil até 5 anos
de idade, até a pré-escola, a gente
gastaria 1% do PIB.
É muito pouco, não é? Não, para melhorar
a vida de tanta gente é muito pouco. E é
terceiro, a gente não vai fazer só
família e setor público, não. A gente
precisa do setor privado, a gente
precisa de uma outra estrutura de
trabalho. Escala 6 por1, trabalho 10
horas por dia. Não cabe cuidado nisso.
Todo mundo tem mãe, todo mundo tem pai,
todo mundo tem um irmão, uma irmã que
precisa de um cuidado, filho, filha,
sobrinha, cachorro, gato, não importa. A
gente tem uma vida fora do escritório.
Então, o setor público tem que entender
isso. Nos anos 80 diziam que a
tecnologia fazer a gente trabalhar hoje
aqui no século XX 4 horas por dia e o
resto era tudo família. Que que a gente
tem hoje? A gente trabalha muito mais
tempo do que a gente trabalhava antes e
temos um monte de subempregados ou
desempregados.
A gente fez um caminho meio esquisito,
não, umas escolhas meio estranhas. É
isso que eu tô que eu digo que a gente
tem que fazer mudança estrutural. Eh,
então a gente tem que incorporar também
o setor privado, não apenas o setor
público, né? É isso.
>> Obrigada, professora Lucilene. Vou
passar eh pra Fernanda Caroline, vou
pedir pra gente ficar aí dentro dos 6
minutinhos pra gente ter um pouquinho de
algum tempo para coletar algumas
perguntas da da plateia
do que eu leio, do que a professora
Lucilene trouxe agora em parte, né,
porque não trouxe muito, eh existe uma
questão de caber, né? a gente eh existem
empregos no qual a gente tenta caber,
existem estruturas na qual nós tentamos,
nós precisamos tentar caber. Eh, eu acho
que isso dialoga um pouco com o que eu
queria ouvir eh da Fernanda e da
Caroline sobre eh em refletir essa
multiplicidade de arranjos e de
estruturas em que muitas vezes as
mulheres precisam caber ou se adequar
para poder caber e para poder eh eh eh
viver, né, e e e prosperar.
Eh, queria que vocês contassem um
pouquinho sobre o desenvolvimento de
produtos e serviços financeiros, eh, que
considerem a especificidades femininas
que considerem as mulheres e até
explorar um pouco um ambiente. A
professora Lucilene também menciona
sobre eh uma sobrinha, né, ou alguém que
entrou que entrou no no no mercado
financeiro, que ainda é um eh um mercado
majoritariamente eh, né, masculino. E
queria contar, queria que vocês me
contassem um pouquinho, então, como que
eh ser um ambiente masculino também pode
eh traz ou não dificuldades pra gente
refletir essas realidades. né? Quando a
gente tá pensando aqui no relacionamento
ali entre as instituições financeiras e
e as mulheres, acho que a mesma pergunta
pr as duas pedir que vocês desenvolvam
aí nos acho que seis minutinhos. Vamos
lá,
>> Fernanda, você começa?
>> Claro. Eh, bom, a gente tem alguns
alguns programas, eh, eu listei alguns
de bancos públicos, caixa para elas,
mulheres no topo do Banco do Brasil que
olham exatamente para mulheres, né?
programas do BNDS com foco em
empreendedorismo feminino, né? Parcerias
entre bancos públicos e e essa
capacitação e mentoria. Eh, no setor
privado, o que eu o que eu vejo,
Isabela, que a gente tem algumas eh
empresas, bancos digitais, Ftex, olhando
para uma trilha específica para
empreendedoras ou para mulheres ou para
população negra. a gente já tem, né, eh,
fintec olhando para isso, enfim,
empresas digitais olhando para isso, mas
não necessariamente eh criando produtos
especificamente para esse grupo, talvez
eh olhando eh não o design do produto e
não uma coisa especificamente um crédito
para aquela mulher ou uma coisa mais
customizada, mas olhando eh um pouco
para eh a falta de acesso que esse grupo
tem. Então, a própria o próprio
movimento eh de entrada eh de novas
empresas no setor financeiro. Eu
conversava com uma uma amiga no almoço
sobre o todo o sandbox que o Banco
Central fez eh com com o mercado de
meios de pagamento, por exemplo, ou que
a Susep fez ou que a CVM fez, é uma
espécie de de cota eh em termos
empresariais, porque veja, no setor
regulado, você empreender no setor
regulado é extremamente difícil, né?
você tem uma série de barreiras entrada.
Então você cria um sandbox, que é
basicamente você arrefecer algumas
normas, né, derrogar algumas normas
regulatórias para que empresas possam
ofertar seus produtos, enfim, começar a
operar ali sem tá atendendo ainda todos
os requisitos de compliance. Isso
aconteceu, a gente viu acontecer nos
últimos 13 anos e essas empresas
surgiram. Então, a gente incluiu essas
pessoas jurídicas e essas pessoas
jurídicas, por sua vez, fizeram inclusão
de milhões de brasileiros, inclusive de
mulheres, inclusive de mulheres. Então,
a gente tem estado no momento de apontar
muito as falhas, eh, enfim, supervisão,
regulação, tudo que pode melhorar, que
eu concordo 100% que é possível
melhorar, mas assim, é preciso ver os
ganhos disso tudo, porque eh como eu
falei, até a década de 70 a gente não
conseguia tirar uma abrir uma conta sem
autorização de um marido. A gente era
era incapaz pro Código Civil, né? Quçá
pegar um empréstimo, queçá abrir uma
empresa. E a Ana Fontes fala uma coisa
muito interessante ali na rede de
mulheres empreendedoras, que a mulher
quando ela empreende, e, e a professora
Lucilene falou muito bem eh da mulher
que é que vai pro empreendedorismo por
conta dessa dupla jornada, tripla
jornada de trabalho, que é um sofrimento
enorme. Então, na verdade, não é uma
decisão eu virar uma mulher empresária.
pessoa levada a fazer para fora o bolo,
a a enfim, eh fazer lavar roupa para
fora, como era. Eh, a mulher que é
empurrada pro empreendedorismo e que
muitas vezes não tem um histórico de
crédito, não tem todo, não tem bens para
dar em garantia de um empréstimo. Então
assim, é óbvio que a gente precisa falar
da qualidade do crédito, questões
estruturais, mas assim, a gente tem que
lembrar o Brasil, né? Assim, se não
tiver o crédito bom, então vai ser o
quê? O aota, entendeu? Então assim, a
gente precisa contextualizar, é preciso
melhorar, claro, é preciso melhorar a
governança das empresas, é preciso
melhorar eh o setor público, tem um um
papel a cumprir com políticas públicas,
com leis, tudo isso tá no nosso radar.
Eh, mas essa inclusão das mulheres
pensando no setor financeiro, pensando
nelas eh como eh empregadas no setor
financeiro, que vivem essa jornada que a
que a professora trouxe aqui, né?
jornadas extenuantes, de hora. Eu que
sempre fui da iniciativa privada.
Quantas noites eu virei ainda inventei
de fazer doutorado trabalhando e sendo,
né, advogada, escritório e fazendo
doutorado. Só eu sei quantas noites e
noites e noites que eu não dormi porque
eu tinha que trabalhar e tinha que
escrever a minha tese de doutorado
também. Foi escolha minha? Foi escolha
minha, claro. Uma mulher que pode fazer
essa escolha e que pôde terceirizar
também esse cuidado, mas fazer isso com
consciência social, fazer isso você
entendendo, olha, essa não é a realidade
da maioria das brasileiras. A maioria
das brasileiras não pode escolher se vai
empreender, se vai fazer o concurso
público, se vai ir pra iniciativa
privada, porque a métrica do do concurso
público, e a gente tem servidoras
incríveis aqui para comprovar, é tão
boa. Por que as mulheres passam tanto?
Porque é uma métrica objetiva. As
mulheres vão lá, fazem, estudam, fazem a
prova, passam, viram auditoras do Banco
Central, auditoras da Receita Federal,
juízas, promotoras, na iniciativa
privada é uma outra coisa que tá em
julgo. Então você pode ser uma mulher
super qualificada e ainda assim chegar
lá o momento da maternidade, acabar sem
espaço, porque olha, você vai ter que
cuidar do seu filho. E aí nasce uma
outra mulher, nasce uma outra
funcionária a partir da maternidade, né?
Porque são outras caixinhas que se
abrem, outras prioridades que você passa
a levar em consideração que não estar
mais lá 12 horas dentro do banco para
virar sócia. Então tem o tem tem os
problemas eh da do ambiente
absolutamente masculinizado, que se
reverbera nisso que você falou. Olha, a
gente tem produtos específicos para para
mulheres. Como se se não se enxerga
essas mulheres? Elas não tão aqui, elas
não são nossos pares, elas são diretoras
do banco, elas são gerentes do banco.
Como é que a gente vai pensar numa numa
num produto de crédito que leve em
consideração uma carência para aquela
empreendedora pagar ou que ela me dê uma
outra garantia como consignado dar com a
folha de pagamento dela ou que, enfim,
veja o histórico dela de boa pagadora ou
que eu consiga projetar uma inteligência
artificial que consiga fazer um score de
crédito, levando em conta que essa
mulher, embora não tenha bens, embora
não tenha um salário fixo, é boa
pagadora. Eh, eh, eh, como a, a Amanda
trouxe aqui, né, o contexto da
comunidade, é uma pessoa idônea, uma
pessoa séria. Como a gente vai pensar
nesses novos modelos de negócio que a
inovação pode fazer coisas incríveis à
cabeça humana se a gente não tiver
mulheres lá falando: "Olha, gente, é
diferente depois você vira mãe". Que a
maternidade é de fato um turn. Eu sei
que eu eu tenho muitas amigas que não
são mães e às vezes elas reclamam: "Ai,
vocês vão falar de gênero, você só falam
do problema da maternidade". Não, eu se
o problema paraa mulher tá tá posto
desde sempre, gente. Tem aquele meme da
internet, né? Quando você é mulher, você
é jovem demais ou velha demais para
qualquer coisa, porque na verdade a
idade certa é ser homem,
entendeu? Então assim, ou você é jovem
demais, ou você é velha demais. Então
claro, o problema nosso tá posto, mas a
de fato a maternidade ela traz uma
camada adicional que quem é mãe sabe.
Não adianta. seu filho vai est com
febre, você vai parar de trabalhar seja
o que for, você vai correr para casa,
não importa. E isso vai ter um custo e
um custo que é difícil de você bancar
emocionalmente e financeiramente. Então,
a resposta de Dra. Isabela é: a gente
vai conseguir ter produtos e serviços
que olhem para as mulheres quando a
gente tiver mulheres pensando nesses
produtos e serviços. E daqui a a a
gente tá falando, né, em 2030 a gente
vai ter uma grande transferência de
renda. Eh, não sei se vocês já leram,
mas os relatórios de várias gestoras
falam de que a gente tá vivendo um
momento ali dos baby boomers, que vão
transferir muita riqueza para pra
próxima geração, herdeiros, enfim, um
monte de de transferência de dinheiro. E
considerando todas as métricas das
mulheres que, né, tem uma um uma
longevidade maior, os homens morrem
mais, uma série de coisas, é possível
que as mulheres passem a deter mais de
30 trilhões de dólares na economia nos
nas próximas décadas. Como é que as
empresas não estão preocupadas em
dialogar com esse público? Possível, né?
Então, acho que pra gente pensar em
produtos e serviços no setor financeiro
que olhem paraa mulher e pras
especificidades da mulher, a gente
precisa de mais mulheres lá.
Caroline, não vou, acho que vou esperar
a sua, a sua fala para poder eh dialogar
aqui com vocês duas.
Perfeito. Esse debate ele tá bastante
rico, né? E nós ficaríamos muito mais
tempo aqui. Eu fui anotando várias
coisas para fazer um consolidado aqui.
Serei bem breve em benefício do do
tempo. Essa pergunta que que a diretora
Isabela nos trouxe, ela nos convida a
uma reflexão muito importante. Quando
nós falamos de inclusão financeira, eu
vejo que isso fica muito retratado em
tudo que foi falado aqui hoje, em todos
os temas. Nós não estamos falando apenas
de acesso ao sistema financeiro. Isso
nós já comprovamos aqui pelos estudos
hoje apresentados, excelentes estudos
que está acontecendo, mas sim inclusão
financeira no sentido de autonomia,
segurança e capacidade de decisão. E aí
trazemos, né, esse contexto histórico
que de fato nós temos um contexto
histórico da mulher ao longo do tempo. A
Fernanda trouxe aqui, eu iria citar
inclusive, Fernanda, o Estatuto da
Mulher Casada, o ano de 62, né? Nós
temos algo muito recente em que as
mulheres ainda precisavam da assinatura
do marido para realizar diversos atos.
Não precisamos ir à era medieval, não,
Geovani, é bastante recente. Então, nós
temos esse aspecto histórico e, além
disso, somado a isso, o aspecto
histórico dentro do sistema financeiro
de ser predominantemente masculino. E
aqui eu nem vou me estender para não
repetir o que a Fernanda já trouxe.
Trazendo dados, conforme a Isabela eh
comentou aqui, nós temos, assim como eh
buscado trabalhar o nosso quadro de
cooperadas enquanto cooperativa, temos
buscado fazer isso também com o quadro
de colaboradoras, que é quem trabalha em
prol das cooperadas, de fato, né,
desenvolvendo os produtos, os serviços e
atendendo aí toda a rede. Hoje, quando a
gente fala do nosso sistema, o sistema
Cressol, ele é composto por mais de 60%
de mulheres, estamos chegando a quase
65. Então, do quadro geral de
colaboradoras, hoje nós somos maioria.
Quando a gente vai pro quadro de
lideranças, nós estamos em torno de 40%,
então o quadro de lideranças ele é menor
do que o quadro geral de colaboradoras.
E seguimos buscando isso, porque eu
concordo muito com o que a Fernanda
traz. A partir do momento que nós temos
pluralidade nas mesas e decisões, e não
faço não falo isso só com relação a
gênero, com relação aos mais diversos
temas, nós temos certamente mais
efetividade nas decisões e conseguimos
aí uma capilaridade maior, conseguimos
atender um público maior. Dado todo esse
contexto da do histórico, né, da
predominância masculina, de fato, nós
tivemos um sistema financeiro muito
focado em um modelo padrão, estruturado
em um modelo padrão, que é o modelo
masculino, o modelo masculino de
trabalho, de estabilidade, de renda, que
é muito diferente e nós falamos muito já
isso aqui hoje do contexto feminino.
Muitas mulheres empreendem por
necessidade. Muitas mulheres têm
responsabilidades financeiras diferentes
do que os homens têm, tem ciclos
financeiros diferente. Então, de fato,
nós conseguimos, né, fazer uma inclusão
efetiva das mulheres a partir do momento
que se olha para essas particularidades.
Não é fazer campanhas bonitas, um cartão
de crédito corder-rosa, mas sim fazer
com que tudo isso seja aderente às
necessidades das mulheres. Falando
também novamente aqui, Isabela, né, do
contexto de de trazer exemplos, né, da
Cressol do sistema cooperativo com isso
que eu trouxe aqui dos projetos para as
cooperadas, do fomento ao quadro de
colaboradoras. A gente tem feito esse
movimento de buscar essa pluralidade na
mesa de decisões, buscar desenvolver as
nossas cooperadas para que com isso elas
tenham uma maior autonomia financeira,
elas não tenham apenas o acesso ao
crédito, mas elas estejam capacitadas de
fato a decidir tecnicamente sobre os
seus créditos. Além de o modelo
cooperativo, ele trabalha em um formato
muito próximo, muito baseado no
relacionamento. Então, além de tudo
isso, acompanhar de uma forma muito
próximo o dia a dia, a vida financeira
dos nossos cooperados, das nossas
cooperadas, e com isso conseguir
avaliar, inclusive com base em dados,
com dados desagregados por gênero, como
que está sendo essa distribuição, como
que está sendo o comportamento e com
base nisso voltar à nossas ações, seja
na criação de produtos, serviços, seja
no fomento a novos projetos, seja da
forma como a gente lida com o nosso
quadro social. E para por fim, eu só
gostaria de trazer uma outra reflexão,
compreendo também tudo que foi falado
aqui da necessidade de produtos e
serviços aderentes, de fato, ao que as
mulheres precisam, ao que realmente vai
incluir elas de fato no mercado
financeiro de forma sustentável. Mas
também um ponto que eu anotei depois de
tudo que nós falamos é que o futuro da
inclusão financeira talvez ele não seja
apenas criar produtos diferentes paraas
mulheres, mas sim construir, nos cabe
muito isso, né, dentro do sistema
financeiro, construir um sistema
financeiro mais inteligente, mais
inclusivo, que consiga de fato lidar com
todas essas adversidades, sejam elas de
gênero ou qualquer outra classe. É isso.
>> Obrigada. Eh, eh, Caroline, o ponto que
você traz no final, eu acho que é um
ponto interessante, porque ele até abre
espaço para quando a gente tá falando em
ofertas, relacionamento com o cliente,
relacionamento com o consumidor, a gente
existe também há uma série de normas
também do próprio Banco Central, né, em
que a gente trata eh de do
relacionamento com o cliente, aspectos
então de transparência, justiça, eh
tratamento de vulnerabilidades, eh
educação, prestação de educação
financeira, eh consideração de eh eh eh
endividamento, dados ali ao longo, né,
de todo de todo processo realmente de do
relacionamento das instituições. Então,
quando a gente debate eh produtos eh,
né, tá aqui debatendo produtos, serviços
específicos, eh a gente não tá tirando,
obviamente, a importância e a relevância
de que nesse relacionamento das
instituições financeiras, eh, existe
todo eh um normativo eh colocado pelo
Banco Central, em que diversas dessas
informações, diversas dessas
interseccionalidades que estão sendo
debatidas debatidas aqui, fazem parte eh
desse desse relacionamento. Amanda, eu
vou passar eh para você aí depois eu vou
abrir um pouco pra plateia em vez aí
depois a gente faz um fechamento eh é
curtinho, senão não queria deixar a
plateia sem a oportunidade de perguntar,
mas eh a gente falou aqui, fui coletando
algum diversas
diversas informações, pontos que foram
surgindo aqui ao longo do nosso ao longo
da nossa conversa, do que que é esse eh
esse ser mulher e a relação da mulher eh
com o dinheiro. E originalmente, até
para contar para vocês, originalmente
essa conversa aqui era uma conversa eh
era uma conversa antes de ser
necessariamente um evento em que a gente
queria explorar, escutar eh e refletir
muito sobre essas ações, essas
iniciativas que a gente tá eh
desenvolvendo para eh educação
financeira de mulheres, né? Então, como
eu disse, a gente não quer ter um
produto que seja só para mulheres de um
lugar que não seja o lugar partido de
mulheres também, né? Eh, e muito do que
a gente, e é interessante porque a gente
traz aqui, a gente começa a discutir o
bem-estar financeiro de mulheres, mas
logo entram diversas outras
interseccionalidades, assim,
imediatamente elas começam a entrar, né?
Então, a gente falou muito de
da eh do cuidado da economia do cuidado.
A gente falou sobre maternidade, a gente
falou sobre desigualdade, pobreza,
instabilidade no mercado eh de trabalho
e falamos de do do empreendedorismo por
necessidade também, né, que é uma forma
de do empreendedorismo, eh, não
necessariamente uma escolha em diversas
em diversos momentos. Eu queria te ouvir
um pouquinho sobre eh
como é trabalhar com educação
financeira, eh especialmente das
mulheres negras. E queria muito que você
explorasse um pouquinho aqui eh o que
como que você vê em eh eh em
impulsionando e trabalhando diretamente
com a educação financeira, onde que você
vê eh determinadas limitações nesse
trabalho e queria te ouvir, se possível,
também um pouquinho sobre eh o uso do
meio digital, o que que você vê de eh
potencializador e o que que você
identifica também de eventual limitador
eh nesse trabalho. conta um pouquinho
pra gente.
>> Ai, olha, vou tentar ser bem breve
porque eu acho que eu tomei boa parte do
meu tempo no início, então todo mundo já
me conheceu. Eh, eu queria comentar essa
essa questão que a Carol trouxe sobre
como o conhecimento, né, quando ele é
compartilhado dentro do âmbito feminino,
ele é muito generoso. as mulheres,
trabalhar com mulheres para mim é muito
gratificante, porque cada mulher ela vai
coletivizar aquele conhecimento, então
ela acaba se tornando um polo de
educação financeira dentro da sua
própria casa. E isso que a Carol trouxe
para mim, eu acho que é uma lição muito
importante que o mercado financeiro tem
a aprender com a as cooperativas de
crédito, com o cooperativismo de forma
geral, porque é entender que quando ela
foi falando, né, como é o impulsionar
elas, como é que funciona e tal, eh, eu
já propus programas parecidos e eu ouvi
muito do mercado algo do tipo, ai, mas é
muito artesanal, né? né? Mas você vai
olhando o comportamental das mulheres,
isso não vai tornar o produto pouco
escalável? Será que isso é escalável?
Vamos nos preocupar com a
escalabilidade.
E aí quando você fala que tem sim
encontros presenciais, que tem essa
experiência, esse tete a tete, isso é
muito importante, né? Eh, o digital ele
tá aí, ele tem uma potência enorme de
amplificar vozes e de dar espaço a
pessoas que antes ficavam muito presas
em determinados eh nichos. Eu, por
exemplo, eu sou do interior da Bahia,
então, para mim, se não fosse o digital,
eu nunca estaria aqui. Eu tenho certeza
disso. Eu sou, minha primeira formação
foi em jornalismo, né? Então, eu comecei
a trabalhar com jornalismo de economia e
eu não tinha espaço para trabalhar no eh
no mercado dentro de Salvador, por
exemplo. Já tive de de sair da minha
cidade eh para poder conseguir um
trabalho na área de comunicação e de
jornalismo e ainda assim lutar para
conseguir falar de economia, porque
sempre que eu pleiteava uma vaga nessa
área, eu era colocada para outra área de
jornalismo de cultura, moda e etc. e
nunca aquilo que eu gostaria de falar,
que eu gosto de falar, que é economia e
política. Então, usar a internet foi uma
ferramenta para mim de eu colocar essa
voz no mundo e também fui levada ao
empreendedorismo de necessidade muito
nesse sentido, né? O mercado de trabalho
ele tem se constituído muito para eh
levar os nossos corpos à exaustão.
Então, hoje eu vejo que assim como eu,
eu vejo um reflexo na sociedade que a
maioria das empreendedoras que eu atendo
vão pro empreendedorismo justamente
porque o mercado de trabalho já não
acolhe a demanda eh da dupla, tripla
jornada, do ser mulher. E aí você é
mulher e você é mãe, você é filha, você
é esposa, você tá ali dividida entre o
cuidado dos filhos e dos pais também,
né? Porque chega uma idade que a gente
passa a ter que cuidar também dos nossos
pais. Então eu eu vejo esse potencial
dentro do digital para pulverizar isso,
mas eu acredito muito nas relações
interpessoais e no vínculo, porque a
gente precisa começar a colocar as
pessoas no centro e sobretudo as
mulheres no centro, porque quando a
gente faz isso, a gente tem uma
escalabilidade que talvez não seja eh
ampla em termos de quantitativo, mas a
gente tá escalando dentro das pessoas.
Eu costumo dizer muito isso, né? Na
grana preta, a nossa escalabilidade
acontece dentro das pessoas, porque a
gente planta uma semente, a gente deixa
uma marca e aquela pessoa vai fazer o
trabalho também de pulverizar e aquele
conhecimento que ela adquiriu ali
naquele processo. Ela vai falar pra mãe,
eu atendo muitas muito as mães das
pessoas que passaram pelos meus cursos.
Então assim, ai minha mãe tem 60 anos,
ninguém, ela não entende ninguém, mas
você ela gosta porque você fala de
determinado jeito. Então para mim eu
acho que é é muito isso pensar em
colocar eh as relações humanas no centro
eh quando a gente vai pensar em em
produtos, em educação financeira, tentar
entender o contexto que aquela pessoa
vive. Eu acho que essa é a melhor forma
da gente tentar burlar eh esses desafios
que se colocam, né? Eu acho que a única
forma que eu consigo para trabalhar com
mulheres é tentar olhar para é porque eu
também eu sou educadora financeira, eu
trabalho com finanças comportamentais.
para mim olhar para esse comportamento,
olhar pro subjetivo, olhar como isso
impacta, eh, é a forma mais efetiva de
conseguir de fato transformar aquele
conhecimento em ação, porque a gente tem
um gap entre a informação, o
conhecimento e de fato aquela pessoa
colocar em prática e de fato ela se
sentir empoderada o suficiente para
tomar as próprias decisões financeiras.
Então, trabalhar o comportamental para
mim eh é a saída, mas esse
comportamental ele não tem fórmula
pronta muitas vezes. Claro que a gente
vai eh ter passado por experiências
parecidas, talvez na infância que nos
constituíram enquanto indivíduo, mas nem
ninguém é igual ao outro. Nenhuma pessoa
vai tomar decisão do jeito que a outra
toma. Então, em algum nível, esse
trabalho artesanal de olhar no olho, de
conversar, de entender o contexto, ainda
é necessário, ainda é extremamente
necessário paraa gente conseguir compor
experiências financeiras que sejam muito
mais inclusivas, que sejam muito mais
participativas e efetivas na vida das
pessoas do que eh necessariamente
eh quantidade, sabe? E hoje eu acho que
eu vim agora de um evento de bem-estar
financeiro. A gente tá trabalhando muito
esse tema eh nessa semana de educação
financeira eh no ano de 2026. Então eu
acho que a inclusão veio aí. Hoje a
gente tem muita gente incluída no
sistema financeiro com eh o digital, né,
com os bancos digitais e tudo mais. E
hoje o que a gente tem buscado de fato é
a qualidade, a qualidade dessa inserção.
E a qualidade vem justamente desse olhar
eh individualizado, mas ao mesmo tempo
não, né? Porque quando a gente fala de
experiências eh dentro dessas
interseccionalidades, a gente também tá
falando de grupos. E quando a gente tá
falando eh de mulheres negras, a gente
tá falando de Brasil, porque somos a
maioria da população brasileira. Então,
eu acho que não é eh eu acho que é um
esforço que de fato ele vai dar
resultado, né? A Fernanda falou sobre a
cadê, deixa deixa a política nacional de
cuidado. E não, eu não canso de dizer
que não é nenhum favor que o mercado tá
fazendo paraas mulheres, porque quando a
gente coloca mulheres no centro das
decisões, a gente tem resultados e
resultados positivos. Eu queria citar
aqui um estudo da Fidelity que analisou
todos os fundos eh de investimentos
geridos por mulheres. São fundos que são
eh com alocados, né, em produtos que são
mais seguros, mas ao mesmo tempo os
fundos geridos por mulheres têm melhor
resultado financeiro de longo prazo do
que os geridos por homens. Porque a
estratégia feminina de gestão desses
recursos, ela pensa muito mais a longo
prazo, na segurança daquele recurso,
porque ela sabe a importância e o
impacto que aquele dinheiro vai ter na
vida de outras mulheres como elas.
Então, eu acho que não é nenhum favor
que o mercado tá fazendo. Na verdade, eu
acho que a gente só tem a ganhar quando
a gente pensa em incluir mulheres e
colocar mulheres no centro dessa tomada
de decisão.
>> Bom, antes de eu passar pra pr plateia,
não sei que quem vai a pessoa vai tá
bom, as pessoas vão levantar a mão. A
gente pode fazer uma rodada aqui se
tiver três ou quatro perguntas e uma
acho que uma rodada única, que eu já tô
recebendo aqui mensagem, rodada única,
rodada única. eh, pra gente poder
encerrar um pouco no tempo, mas queria
trazer um pouco do que a do que a Amanda
eh menciona, de que de fato Amanda eh
esse ano, né, ao longo dessa semana eh
nacional de de educação financeira, eh a
a o foco tende a ser muito a temática
efetivamente de educação financeira e e
em 2026 a gente falou bastante de
bem-estar. Eu acho que aponta para dois
pontos, né? Eh, o primeiro ponto é
justamente o que a Fernanda traz sobre a
inclusão, você também traz de a gente
ter, né, a gente ter promovido essa
inclusão. Então, essa semana a gente
estava num evento, o RCF traz essa
informação. Então, 97% da população
adulta brasileira está incluída
financeiramente, né?
>> Eh, isso nos dá eh tanto a
possibilidade, o espaço mental e eh de
olhar então aspecto de agora de
qualidade, né? E claro, a gente tá nesse
momento, eh, esse em 2026 também tem
esse fato de,
>> né, nesse ano estarmos aí eh, fazendo
debates eh sociedade, estado, eh
organizações de sociedade civil, eh
universidade,
conversando sobre endividamento, né,
conversando sobre inadimplência. Então,
é um é foi um ano bastante interessante
em que a Semana Nacional de Educação
Financeira, ela eleva a temática da
educação financeira como um dos pilares
que podem impulsionar aspectos de
bem-estar, não é o único, como a gente
disse, né, a gente debateu muita questão
eh eh estrutural, mas em que esse esse
tema também tá ganhando, né, eh tração,
tá ganhando um debate eh maior, então
envolvendo think tanks, universidade,
estado, Enfim, então acho que é bastante
interessante eh e que é um debate que
vai evoluir eh quanto mais dados a gente
tiver. Então acho que voltando um pouco
pro que a professora Lucelene brincou
ali de que agora, né, todos os
relatórios têm que sair com esses com
essa com esse recorte. Eh, e que também
nos ajuda muito eh aqui na nossa no
nosso exercício também de pensar
efetivamente ações de eh educação
financeira para mulheres, que eu acho
que tá muito posto, tá muito claro que
fazer eh ações de educação financeira
para mulheres é muito diferente, tem
muitas peculiaridades do que a gente
fazer ações eh genéricas, pensando, né,
num público eh geral e sem recorte. Por
isso eu queria já deixar eh minha
gratidão aqui pela pelo debate, pelo
diálogo, mas vou abrir para pra plateia
para ver se nossa, tem muita gente.
>> Vamos, como a gente vai fazer uma rodada
só, que vocês já entenderam que meu
telefone tá bipando aqui. Quant, quantas
são? Um,
>> três.
>> 1, dois, três.
>> Vai ver se tenta juntar.
>> A gente pega cinco.
>> Às vezes dá para juntar. E aí a gente
pega essas cinco, fecha as cinco,
perguntas curtas, diretas e aí a gente
>> Pronto.
>> Pode,
>> pode. É, tem microfone.
>> Oi.
Tá fechado.
>> Oi. Oi.
>> Obrigada.
Eh, muito rico. Eh, como que esse debate
abre um leque, né, de de coisa que a
gente gostaria de conversar. Eu, eu
queria só abrindo primeiro um parênteses
antes da minha pergunta, só falar com a
com a Lucilene que se você quiser
engrossar os exemplos paraas suas
próximas palestras. Eu sou uma das
bruxas crucificadas
pela separação de deixar os filhos, né,
deixar entre aspas. E depois de um
casamento de 23 anos em que eu me sentia
uma mãe solo, porque eu acho que todas
as mães são mãe solo, tá? Então a gente
precisa mesmo realmente o tempo todo tá
falando de maternidade, porque isso é é
o cerne da questão mesmo quando tá se
falando de mulher. E eu era uma mãe solo
dentro de um casamento. Uma vez uma
amiga minha falou isso. Todas somos mãe
solo. Não importa se você tá ou não num
casamento. Eh, e aí quando eu quando eu
saí desse casamento, eu fui a
crucificada por todos.
sem nenhuma exceção. Mas agora a
pergunta, eh, e eu acho que todas
conversaram sobre o que eu queria trazer
aqui. A gente tem aqui no banco dois
comitês que conversam muito sobre os
assuntos que a gente tá conversando aqui
hoje. Um é o CODEI, que é o de
diversidade, equidade e inclusão, e o
outro é o CEAD, que é o de enfrentamento
ao assédio e discriminação. Eu faço
parte dos dois, uma como membro e outra
como secretaria. E os debates são
riquíssimos. a gente tem tentado trazer
eh pro âmbito do Banco Central a a eh
luz, né, para esses esses assuntos. E
uma questão que sempre eh eu me esbarro
nela quando a gente tá conversando eh
sobre como enfrentar, principalmente a
questão da da discriminação, né, e da
falta de diversidade, né, eh, o que que
vem exatamente a ser, a você ter
diversidade dentro de, por exemplo,
comitês importantes. Então, assim, o
Banco Central ele tem um um comitê
importantíssimo, COPOM, do qual só uma
mulher faz parte.
Eh, e esse comitê ele dita os rumos da
economia do país, né? Eu ve, eu entendo
que uma maior diversidade de gênero
nesse caso, eh, faria muita diferença. E
eu já encontro pessoas que entendem que
não. Eh, quando uma de vocês, agora não
vou me lembrar qual, falou a seguinte eh
frase aqui, resultados positivos quando
temos mulheres à frente das decisões. Eu
acho, né, acho que foi a Amanda que
falou isso. Eu acredito nisso. Eu acho
que o olhar diferenciado da mulher, ela
é importante pras políticas públicas,
mas como isso? Eh, aqui, por exemplo,
nós estamos numa instituição muito
masculina. Nós som fomos 20 e poucos por
de mulheres apenas no último concurso de
100 mulheres eh de 100 pessoas que
entraram 10 eram mulheres. Eh, e nos
comitês isso se reflete porque à medida
que vai subindo, né, escalando na na
carreira, as mulheres estão em menor
número no nos nas posições de decisão.
E aí agora vem a minha pergunta. Vocês
entendem que a diversidade dentro de uma
instituição pública como o Banco Central
ela está eh OK se eu, porque que que que
eu escuto das pessoas? Se a gente tem só
20% de mulheres, basta que nos comitês
tenha 20% de mulheres. Essa é a
representatividade que é possível e é a
que a gente deve alcançar, porque nem
isso a gente tem hoje. Mas essa esse
essa seria a meta. E eu acho que a gente
tem que ter uma meta muito maior do que
essa, porque a gente tem uma resposta a
ser dada pra sociedade e pra sociedade a
gente teria que ter no mínimo metade das
pessoas eh mulheres decidindo os rumos.
Aí eu queria escutar de vocês, eh, eu
acho que talvez a Lucilene abordou um
pouco mais sobre essa questão da
diversidade. Você poderia me ajudar a a
dar luz isso? Muito obrigada.
>> Vamos coletar todas as perguntas e aí
depois a gente responde para ganhar
pouco mais.
>> Alô. Eu vou pedir pra gente fazer
perguntas bem curtinhas, porque nosso
tempo tá assim passado há muito tempo.
Eh, aqui, aqui.
>> Bom, parabéns.
Amei esse painel, principalmente ver
tantas mulheres juntas num painel dentro
do Banco Central. Isso é icônico. Espero
que tenha outros sem que o tema seja
mulheres, né? Que outros temas. Eh, eu
queria trazer um ponto que foi abordado
na primeira apresentação, que falou
sobre o relatório de cidadania
financeira, que diz o seguinte, que em
relação à resiliência financeira, ela é
maior eh nos homens do que nas mulheres.
Então, dizia assim, você eh teria
dinheiro para quanto tempo, né? mais de
um mês, mais de dois meses. E me chamou
muita atenção a diferença de homens e
mulheres nessa questão de quanto tempo
eu teria de fôlego financeiro pra
frente. E aí eu fico pensando assim,
quando a Amanda fala que a mulher toma
decisões muito mais pensando no
coletivo, se essa pergunta pro homem
significa o dinheiro dele
para ele sobreviver 6 meses, né, e a
mulher já tem a uma visão muito mais
ampla ou mais sistêmica do tipo, não,
pera aí, não daria para viver porque
pensa no aluguel, pensa na alimentação,
pensa em Todo. Então, o dinheiro do
homem é do homem e o dinheiro da mulher
é da família. Eu queria saber a opinião
de vocês
>> aqui.
>> Tô aqui.
>> Lá ou aqui? Pode ser aqui.
>> Meu nome é Cláudia, eu sou da Sicred. Eu
quero só eh aqui complementar a fala da
Caroline, que eu achei bastante
interessante.
Eh, eu penso que é um caminho longo e
não é um caminho fácil, mas eh dentro do
cooperativismo, que é aonde nós estamos,
a gente vem conseguindo alguns alguns
alguns pequenos avanços. Nós trabalhamos
com cooperativa e com comitê mulher e
comitê jovem desde 2009,
eh, em âmbito internacional, junto à
organização das cooperativas
internacional. e desde 2016 no Brasil,
né? E a gente tem conquistado coisas
incríveis, como por exemplo, hoje o
conselho da minha cooperativa, que era
100% homem, o conselho de administração,
a gente já tem 23% de composição de
mulheres e mais 15% de composição de
jovens, que também é importante nesse
cenário, né? E um outro ponto quando se
fala de educação financeira, e aí a
Amanda falou e ressaltou isso. E a gente
tem também dentro do do cooperativismo
do CCRED, nas 99 cooperativas que nós
temos em âmbito nacional, eh, programas
voltados para a educação financeira das
mulheres, a gente tem notado que muitas
vezes fica na plataforma. Então, eu
quero me solidarizar com a Amanda, né?
às vezes fica na plataforma e quando a
gente desce pro olho no olho, pro para
conversar sobre isso, elas se fortalecem
muito mais e elas conseguem direcionar o
dinheiro dela, o empreendimento delas de
uma forma mais eh mais melhor, né? E
também por conta deste trabalho que é
feito dentro do Secré, a gente tem
conseguido capital internacional que é
destinado para as mulheres. Então esses
são pequenos avanços e que só queria
registrar, na verdade aqui, né, que a
trilha, gente, ela não é não é curta,
ela é muito longa, porque pra gente
atingir ainda igualdade de gênero vai
mais de 170 anos se nós não fizermos
nada. Mas a gente tem que a gente não
pode desistir e a gente pode engrossar
essas fileiras aí dentro do sistema
financeiro nacional que é aqui
representando as cooperativas. Obrigada.
>> Obrigada. Acho que tem mais um.
>> Tem aqui. Eu tô tô aqui. Eh, tudo bom?
Muito boa palestra. Parabéns. Eu queria
saber assim, muitas vezes as mulheres
elas por precisarem daquele emprego, eh,
elas fingem que algumas coisas não estão
acontecendo, às vezes uma piadinha ou
alguma coisa que realmente ali é
inapropriado. E aí ela, a gente sabe que
nem sempre funciona, né, os meios de
fiscalização, ela pode estar tornando
pública uma coisa que ela tem até
vergonha. Então, a minha dúvida é essa.
A melhor forma de agir nessa, qual seria
a melhor forma de agir numa situação
como essa? Seria um enfrentamento
direto? Seria eh denunciar ou o que que
seria melhor fazer?
>> Pronto, acho que tem mais uma aqui.
Obrigada. Ai, a gente não vai conseguir
eh fazer de todas, mas eh acho que aqui.
>> Oi.
>> Eu vou deixar
>> lá
>> onde? Lá atrás.
>> Aham. Aqui.
>> Pronto.
>> Tudo bem. Posso?
>> Não tô vendo, mas
>> aqui.
>> Ah, pronto. Pode
>> tudo bem. Posso fazer a minha pergunta?
Pode. Claro.
>> Ah, eu gostaria primeiro, né, de
parabenizar vocês. Foram falas
excepcionais que me trouxeram bons
insightes. E eu queria me apresentar
rapidamente, que eu sou Geovana Bastos,
eu sou do Geledes, Instituto da Mulher
Negra, fundado por Sueli Carneiro. E eu
represento especialmente a pauta da
emancipação econômica de mulheres
negras. Eh, nós estamos ocupando alguns
espaços nesse sentido e aí vocês
trouxeram aqui paraa gente muitos dados
importante e isso é importante para
subsidiar o nosso trabalho. Nós temos
batido muito na tecla
do quanto ter dados com recorte de
gênero e raça é importante porque dados
falam muito e ausência de dados também
falam alguma coisa. E aí vocês trouxeram
aqui muito sobre o empreendedorismo,
sobre a questão da
eh da ausência da participação de
algumas mulheres no em alguns espaços. Ã
aí nós estamos falando de um grupo
historicamente deixado para trás,
especialmente as mulheres negras. E aí a
gente falou muito aqui sobre o
empreendedorismo e tudo. E eu gostaria
de saber, eu queria direcionar assim
mais pra Isabela, mas abro a pergunta
para todas as painelistas, que eu queria
saber como que a gente pode pensar
assim, né, eh, políticas e estratégias
concretas envolvendo o Estado, sistema
financeiro e o setor privado para
ampliar a inserção de mulheres negras em
empregos formais bem remunerados e com
proteção social, entendendo que o
bem-estar financeiro também depende do
acesso digno ao trabalho. Nós falamos
muito sobre o empreendedorismo, mas eu
queria saber como que a gente pode
pensar nesse sentido também e justamente
nessa representação de mulheres, por
exemplo, em ambientes como Banco
Central, que é através de concurso, é
através do ensino superior e nós estamos
falando de mulheres que também são
privadas do acesso à educação.
Obrigada, gente.
>> Obrigada. Obrigada pela pergunta. Gente,
eu não vou conseguir abrir pro restante.
Eh, peço desculpas, é uma pena aqui pra
gente também. Com certeza a gente
gostaria de ouvir.
>> Pronto, a gente vai sair, vai ter um
coqutil, a gente pode conversar um
pouquinho. Eh, para quem tem, não tem
que pegar voo e não tá pressionado com o
horário. É por agora eu vou passar, eu
acho que para cada uma eh, aqui
presente, quem quiser endereçar as
perguntas, eh, endereçar diretamente.
Quem não quiser fazer um fechamento de 3
minutinhos para cada uma e pronto. Eh,
vou começar aqui
>> eh sobre diversidade, comitês, como
aqui, né, fica 20%, porque no Banco
Central tem 20%, na faculdade de
economia a gente é 30%, em, eh,
estudantes e de economia no Brasil
inteiro são 30%. a gente é em número de
professores professoras dentro da escola
de economia, a gente é menor do que 30%
e na pós-gradução, graduação menos
ainda. Eh, eu discordo, eu acho que o
comitê tem que ser 50, porque o comitê
vai tomar decisões que podem afetar a
entrada de mulheres, de mais mulheres
nesse mesmo organismo. Então, a gente,
um comitê que tem a representação eh de
quem tá lá dentro já, eu acho que não,
não concordo. que é só para falar
rapidamente, eh, resiliência financeira
maior dos homens. Gostei muito da sua
eh, visão de, será que o homem quando tá
respondendo ele tá pensando só nele?
Acho que sim, tá pensando só nele. Mas
os homens são mais resilientes porque
eles são mais ricos e eles têm mais
propriedade. Historicamente, eles
acumularam mais riqueza ao longo do
tempo. Então, eles têm mais resiliência,
sim. E eh muito frequentemente dentro do
casamento, os homens olham a riqueza e a
renda como deles e as mulheres como do
coletivo. Isso tá mostrado em várias eh
pesquisas. Como que as mulheres podem
lidar com o assédio, eh qual é a melhor
forma? A melhor forma a gente já sabe
que não é calar, mas é muito difícil
quando a gente vai falar e não tem
apoio. Então a gente precisa de uma
estrutura de apoio, né? Por que que
aquele
o MITU deu tanto, tanto espaço? Porque
alguém falou,
fez eco, aconteceu alguma coisa e aí a
outra saiu, falou: "Peraí, pera aí, pera
aí. Eu também, eu também, eu também."
Por quê? Porque tinha espaço para falar,
tinha espaço para expor isso e não ser
execrada. Eh, por por que as delegacias
de mulheres? Porque quando as mulheres
iam lá falar sobre assédio, estupro,
elas eram ignoradas, tratadas super mal,
não ouvidas. Então por isso as
secretarias de mulher, as as delegacias
de mulheres. Então a gente precisa de um
apoio institucional, ter um lugar
correto e que funcione efetivamente e
que as mulheres veem como funcionando
efetivamente para que elas cheguem lá e
denunciem. O melhor é denunciar. Agora,
é verdade também que muitas vezes a
gente não entende que foi assediada,
porque a gente foi assediada durante a
vida inteira e a gente simplesmente
começou a fazer ouvidos mocos, né? Tem
uma só contando rapidinho, tem uma amiga
minha que falou: "Nossa, eu demorei
muito tempo a ser amiga sua porque você
tinha uma cara de boazinha, né? Os
alunos acham que eu tenho cara de brava
parará. Depois quando começa a negociar
vê que não é assim". Mas aí eu digo, é
verdade, eu tenho cara de brava, porque
quando eu andava na rua, eu não queria
que ninguém se metesse comigo, que eu
não quisesse. Então eu fiz uma cara de
bravíssima. Eu ando com cara em pé e,
sabe, peito aberto. Vai falar comigo,
quer falar o quê? Por quê? Porque eu não
quero, não tô afim. Então isso foi uma
Eu percebi isso depois, tá? Não fiz isso
de propósito não. Mas quando ela falou
isso, eu fui analisando e cheguei nessa
resposta. Eh, como incluir mais mulheres
negras em em trabalhos formais? É a
mesma forma que como incluir mais
mulheres em trabalhos formais. Estamos
todas fora as as mulheres pretas e pras
pior ainda. Eh, eu acho que eu eu falei
um pouco disso, a gente tem que precisa
de políticas públicas, de melhoria de
qualidade de ensino. Algumas empresas eu
falo: "Ah, mas eu só coloco para dentro
quem passou no teste, quem foi melhor?"
Então, eu preciso de escolas públicas de
qualidade para que as pessoas pretas e
pardas concorram no mercado de trabalho
com igualdade das pessoas que estão
pagando escola privada. Eh, eu falo
paraos meus alunos que os os países com
menor índice de desigualdade são os
países em que tudo é público. A a saúde
é pública, então o primeiro ministro vai
na no hospital público e a pessoa mais
de menor renda vai para hospital
público. Então, como todo mundo vai para
hospital público, a saúde pública vai
ter tudo que você precisa, o exame, o
médico, a cirurgia, a a cadeira, o fio
para costurar, vai ter tudo. Agora, eh,
numa reunião com latino-americanas, a
gente concluiu que na América Latina
serviço público é para pobre, então faz
qualquer coisa. Eh, escola pública, se
todo mundo tivesse que estudar em escola
pública, escolas públicas seriam
fenomenais no Brasil. Essa divisão entre
primeira classe e segunda classe que a
gente tem feito cada vez mais
frequentemente ao redor do mundo, só
traz mais desigualdade, né?
>> Bom, eu vou endosso tudo que a
professora Luclene disse aqui, então vou
vou preferir arrematar aqui minha fala
final em benefício do tempo de todos.
Eh, enfim, dos complementando, eh, ela
perguntou sobre igualdade. Responde como
a ministra lá, Carmen Lúcia falou,
quando é que vai ter igualdade no STF?
Ué, quando tiverem 11 ministros do STF,
não, não, só teve homem até aqui, então
tem que ter 11 mulheres também. Mas eh
queria só finalizar eh minha exposição
aqui falando especificamente paraas
mulheres que estão aqui, que eu sei que
esses debates sempre suscita todo mundo
abrir o coração e querer falar das suas
próprias histórias que são riquíssimas.
Eh, e lembrar de uma feminista da década
de 60 chamada Glory Stein, que é uma
jornalista americana que ficou com um
livro muito famoso na década de 90 que
fala sobre a revolução interior e ela
fala sobre autoestima.
Eh, queria finalizar minha minha
exposição falando sobre isso, porque a
gente tratou muito das barreiras
externas, barreiras públicas, de
políticas públicas, de creche, de
educação de qualidade, de tudo, de cotas
em mulheres em conselho de
administração, setor financeiro. Mas
existe um trabalho primordial que
precisa ser feito internamente e que
cada uma de nós precisa fazer, que é se
fortalecer em relação ao silenciamento
que a gente vive e a desvalorização que
a mulher vive de uma maneira geral no
mercado de trabalho. Então, eh,
autoestima é você ter autoridade sobre a
sua experiência. Então, o fato, a Amanda
veio aqui, eh, nascida no interior da
Bahia, eh, a professora Luciline, eh, no
Rio, vocês, servidoras do Banco Central,
todo mundo tem alguma dificuldade que
viveu, especificamente por causa de
gênero. Então, você se apropriar disso e
entender que isso não te faz menor e não
te faz incapaz, é a primeiro, é o
primeiro passo para você ocupar os
espaços. E aí dialogando com a colega
ali do Geledes, as mulheres sempre
trabalharam. E eu deixo até a
recomendação aqui do livro da professora
Mari Del Priori que que é o livro
Sobreviventes e Guerreiras, uma breve
história da mulher no Brasil de 1500 a
2000. As mulheres sempre trabalharam.
Então esse debate de ai a mulher no
mercado de trabalho, ele tá aí gente há
muitos e muitos anos. Também lembrando
de uma outra feminista antiga, a mãe da
ficou ficou na história como a mãe de
Mary Shelly, que é a a autora de
Frankstein, Mary Woncraft, que brigou
com Rousseau, nada mais do que Rousseau.
Porque lá na época da revolução
francesa, aquele aquele negócio que a
gente estuda na escola dos direitos do
homem era só dos homens mesmo, gente. Eu
também achava na escola que homem a
expressão era genérica. Jeitos dos
homens livres, cidadãos agora pós
revolução, não era só do homem no caso.
E aí ela criou, ela a mãe de Mary
Shelle, que é essa importante feminista
moderna, Mary Stonecraft, lançou um
livro na época, né, eh, reivindicações
do direito da mulher. E lá atrás, no
século XVII, já tava falando: "Olha,
essa essa eh diferenciação de sexo e
ali, especificamente relação à educação
para homens e mulheres, ela não encontra
respaldo na realidade, porque as
mulheres são tão racionais quanto os
homens, podem tomar tão boas decisões
quanto." E e isso é muito importante da
gente lembrar, porque às vezes a gente
ao falar de gênero e raça, acaba
essencializando algumas características,
como se fossem típicas do feminino,
típicas das mulheres. E tem poucos
homens aqui, mas a mensagem é para vocês
também. Não me interessa mulheres no
poder que performem como homens
escrotos. Não me interessa.
Não me interessa mulheres no poder que
não incluam outras. Não me interessa
mulheres no poder que sejam rivais das
outras. Aí eu prefiro um homem. Se for
um homem legal, tô preferindo um homem.
Então assim, o que a gente quer é que a
gente tenha mais diversidade de pessoas,
que a gente tenha mais humanidade nas
companhias, no setor público. Então não
importa se é homem e mulher. Eu sei que
a gente tem aliados nessa luta e que a
gente possa incluir outros olhares com
outras vivências, com outros
backgrounds. Então, acho que a minha
mensagem final é essa: as dificuldades
estão postas para todo mundo, para
alguns mais do que outros. Então, o
primeiro trabalho é interno pra gente
conseguir lutar com força para pras
barreiras externas.
Eu
vou finalizar aqui também, né? eh, em
benefício do tempo.
Eh, eu só quero agradecer mesmo pelo
convite. É uma honra tá aqui, assim, eu
acho que nos meus maiores sonhos eu
sonhei com esse diálogo, com esse tipo
de debate acontecendo. Acho que esse ano
tem sido muito representativo,
justamente por trazer esse debate sobre
bem-estar financeiro. Parece que o
mercado finalmente tá acordando para
algo que sempre foi importante e eu
acredito que é algo que sempre esteve
vivo na nossa memória ancestral. Nós
somos um povo que bebe muito da cultura
africana e da cultura indígena no nosso
jeito de lidar com o dinheiro, no nosso
jeito de ser. E a gente reconhece muito
pouco isso, porque a gente não aprendeu
sobre essas populações num lugar de
potência nas escolas, na universidade.
Eu fiz faculdade em 2012 e ainda não
tinha nenhum intelectual negro na grade
de estudos eh do meu curso de
jornalismo. Então assim, é, a gente para
pensar a solução, eu acredito que agora
o mercado tá muito buscando novidade,
como se tivesse inventando a roda, mas
para mim eu acho que o movimento é muito
mais de olhar para dentro e entender o
que que a gente pode aprender com as
nossas experiências e de fato deslocar
essa essa lente cultural do da exaustão,
da hiperprodutividade, do
desenvolvimento que desconsidera era eh
o equilíbrio da relação com os recursos
naturais, eh o desenvolvimento que
desconsidera que a redução da
desigualdade é justamente o que a gente
precisa para ampliar eh consumo,
desenvolvimento econômico, aquecer a
economia. Então assim, eh eu acredito
que o mercado precisa entender que a
gente já tem essas respostas aqui dentro
do nosso país, dentro da nossa cultura.
A gente só precisa olhar para essas
comunidades, para esses territórios num
lugar de potência. Essas pessoas também
desenvolveram resiliência na prática e a
gente tem muito o que aprender com essas
comunidades tradicionais, com os povos
indígenas, com a população
afro-brasileira, porque se tem uma coisa
que as mulheres sabem é gerir dinheiro
diante desses diversos desafios que a
gente já citou aqui. Se a gente é
maioria das chefes de família e a gente
tá dando conta até hoje, mesmo diante de
tudo isso que tá contra a gente, então
existe muita inteligência nisso. Então
acho que o caminho também é a gente
olhar para nós mesmos, pro nosso povo,
pra nossa cultura num olhar de potência
e tentar resgatar esse conhecimento para
que a gente possa de fato superar aos
poucos esses desafios que a gente citou
aqui nessa nessa mesa. Quero agradecer
pelo tempo de vocês, pela presença. É,
quem quiser continuar acompanhando o meu
trabalho, eu tô nas redes sociais como
@granaapretaoficial
e agradecer as minhas colegas também de
mesa. Tô muito feliz de estar aqui. De
fato, foi um encontro muito potente.
Muito obrigada.
>> De uma forma muito breve também não vou
entrar nas respostas. a professora
Lucilene brilhantemente respondeu a
todas aqui. Eh, também agradecer eh
principalmente ao Banco Central pela
iniciativa, por abrir esse espaço, por
abrir essa discussão. Que privilégio
temos nós, né, em estarmos aí com o
nosso Banco Central, com o Banco Central
do Brasil, com esse tema na pauta.
Então, realmente agradecer e parabenizar
pela iniciativa e também pelos
relatórios que foram apresentados aqui
pela profundidade dos temas muito bons
também. agradecer as colegas e a vocês
também que estiveram aqui até agora e
pela participação. Eu confesso que ouvir
tudo que saiu aqui hoje nessa mesa, eh,
o que veio de vocês, as interações das
mulheres e dos homens que estão aqui nos
faz perceber que, de fato, nós estamos
no caminho certo. Nós estamos trhando um
caminho muito bacana quando a gente fala
da igualdade de gênero, da inclusão
feminina. E eu volto lá pro Paraná com o
coração, bem feliz com tudo isso que a
gente teve aqui hoje. Obrigado, gente.
>> Bom, chegamos no encerramento. Queria
agradecer eh a equipe do DPEF que
colocou esse colocou o RCF de pé e
colocou também de pé eh Ronaldo, Mansur,
Lívia, enfim, Ju, todas vocês, Ana, que
colocaram de pé o relatório de cidadania
financeira, colocaram de pé também eh
esse evento e que estão trabalhando
também no desenvolvimento dessas ações
de cidadania financeira para mulheres
que a gente pretende colocar na rua no
ano que vem. né? Eh, agradecer a todos
também pela participação. Eh, esse é o
primeiro de um diálogo e e ele ele
continua, né, ao longo da ao longo desse
ano, depois também quando a gente
colocar as ações eh para fora. Obrigada
a todos e a todas e uma boa noite.
Pedimos por gentileza.
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur. Excepteur sint occaecat cupidatat non proident, sunt in culpa qui officia deserunt mollit anim id est laborum.
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