Febraban Podcast #12 - Como a educação financeira redefine a aposentadoria
Sumário Regulatório
A longevidade deixou de ser uma projeção distante para se tornar uma realidade concreta. Hoje, o brasileiro já vive, em média, mais de 76 anos e projeções do IBGE indicam que podemos ultrapassar dos 100. Diante dessa janela de tempo, faz sentido pensar em aposentadoria do mesmo jeito que no século passado? Neste episódio do Febraban Podcast, discutimos como o aumento da expectativa de vida está transformando a lógica da aposentadoria, das carreiras e do planejamento financeiro de longo prazo. Se vamos viver mais, também precisaremos trabalhar, aprender, nos reinventar e planejar melhor por muito mais tempo. Não estamos mais falando de uma carreira de 30 ou 40 anos, mas de trajetórias profissionais que podem durar seis décadas, marcadas por múltiplos ciclos, pausas, reinvenções e novas fontes de renda ao longo da vida. Nesse novo contexto, aposentadoria deixa de ser um “ponto final” e passa a ser uma transição, planejada, consciente e alinhada à longevidade. Neste episódio, você vai entender também: - Por que falar de aposentadoria hoje exige ampliar o olhar sobre recursos financeiros, adaptabilidade e qualidade de vida - O fim da lógica linear “estuda, trabalha, se aposenta” - Como carreiras longas exigem planejamento financeiro desde cedo - O papel da educação financeira para garantir autonomia e qualidade de vida na longevidade - Como plataformas como o Meu Bolso em Dia ajudam a planejar o futuro em um cenário de vida mais longa Com Jorge Felix, professor de Gerontologia da USP, autor do livro "Economia da Longevidade" e especialista em envelhecimento populacional; Marcos Eduardo Ferreira, economista, co-fundador da Silver Hub, aceleradora de negócios de Longevidade, e do Homens e Mulheres de Prata, plataforma de conexão e networking para o público 50+; Uelton Santos Carvalho, gerente de Cidadania Financeira da Febraban e especialista em mudança de comportamento financeiro. Em conversa conduzida pela jornalista Mona Dorf, diretora-adjunta de Conteúdo Digital da Febraban. Assista no YouTube ou ouça no Spotify. Novos episódios do Febraban Podcast toda quinta-feira. Ficha técnica: Apresentadora e Editoria-chefe: Mona Dorf Supervisão Geral e Co-apresentação: Carlos Cidra e Majory Marcelino Supervisão e Produção: Bianca Braga, Julia Alcassa e Leandro Lemella Roteiro, edição e produção: Rachel Cardoso, Lizely Naoum, Patrícia Travassos e Clovis Travassos Edição de vídeo: Leonardo Reali e Kris Arruda Videomaker backstage: Kris Arruda Gravação: Supernova Cinematográfica
Transcrição e Conteúdo
A longevidade está redefinindo o conceito de aposentadoria. [música] >> O dinheiro ele precisa durar mais tempo. Agora, o pensamento tem que ser muito mais prolongado ao longo do prazo. >> A população [música] 50 mais tem uma relevância importante no consumo brasileiro. Representa algo como 24, 25% de tudo que é consumido no país. É uma [música] população economicamente potente...
conceito de aposentadoria. [música]
>> O dinheiro ele precisa durar mais tempo.
Agora, o pensamento tem que ser muito
mais prolongado ao longo do prazo.
>> A população [música]
50 mais tem uma relevância importante no
consumo brasileiro. Representa algo como
24, 25% de tudo que é consumido no país.
É uma [música] população economicamente
potente e que pessoalmente se segue
ativa fazendo coisas e conectada. Quando
a gente pensa em longividade, quando a
gente pensa [música] que a vida tende a
se estender muito mais, você não ter
esse olhar de médio e longo prazo
[música] torna o desequilíbrio
financeiro muito mais presente na tua
vida. [música]
>> Então, os desafios são muito grandes
diante dessa mudança completa que a
gente tá tendo. É a primeira vez que a
humanidade se depara com esse nível de
longevidade. Então, todos
mais ou menos nivelado nos seus
desafios. [música]
Os brasileiros estão vivendo mais e isso
é uma grande conquista que também traz
novos desafios. A longevidade está
redefinindo o conceito de aposentadoria,
que deixa de ser um ponto final da vida
produtiva e passa a ser visto como um
período de transição. Os planos precisam
se estender por mais décadas e isso muda
a forma como as pessoas trabalham,
consomem e se organizam financeiramente.
A expectativa de vida do brasileiro
atingiu o maior patamar da série
histórica do IBGE. Quem chega aos 60
anos pode viver mais de 22 anos em
média. Para discutir esse tema, eu
recebo aqui no estúdio da Febrabão Jorge
Félix, professor de gerontologia da USP
e especialista em economia da
longevidade. Seja muito bem-vindo,
Jorge.
>> Obito.
>> Prazer em ter você aqui conosco. E aqui
conosco também o Marcos Eduardo
Ferreira, que é cofundador da Silver
Hub, uma aceleradora de negócios de
longevidade e também do Homem e Mulheres
de Prata, uma plataforma de conexão e
networking para o público 50 mais.
Prazer em ter você aqui, Marcos. Seja
bem-vindo.
>> Obrigado, Muna. Prazer estar aqui com
vocês.
>> E conosco também meu colega o Elton
Santos Carvalho, que é gerente de
cidadania financeira aqui da FEBRAb e
especialista em comportamento financeiro
e gestor da plataforma Meu Bolso em Dia.
Salve, Welton, obrigado pelo seu tempo.
>> Obrigado pelo convite. É sempre uma
honra, Mona.
>> Eu sou Mona Dorf, diretor adjunta de
conteúdo digital da Febraban e te
convido a seguir com a gente nessa
conversa de longevidade e aposentadoria.
>> [música]
>> Jorge, começo com você. A longevidade,
ela redefine o conceito de aposentadoria
e muda a forma de pensar o futuro, né? O
que que precisa mudar quando as pessoas
passam a viver mais?
>> É, acho que muita coisa, né? São muitos
desafios. Eh, porque é a primeira vez
que eh a humanidade e, portanto, também
a economia, não é? Eh, lida com uma
longevidade nesses níveis que nós
estamos vivendo hoje e que tende a
aumentar. Então, eh, hoje a tanto pelo
avanço da medicina que proporciona eh um
envelhecimento melhor, não é? Isso eu
sempre destaco relativamente, não é?
Porque nós ainda temos muitos problemas
de saúde, principalmente aqui no Brasil,
eh, que atinge essa população de, eh, 50
mais, 60 mais, né? doenças que a gente
poderia não não ter mais, não é, esse na
na no nosso perfil epidemiológico,
mas eh de uma maneira geral as pessoas
estão eh envelhecendo com eh uma saúde
melhor do que os seus pais e do que os
seus avós, não é, relativamente nas
mesmas classes sociais. Então isso faz
com que as pessoas eh queiram, né,
tenham o desejo de se manter também eh
incluídas, não é? Que a aposentadoria
não seja mais aquela questão de ir para
os aposentos, né? Eh que você eh tinha
uma velice escondida, que isso vem desde
séculos e séculos passados, muito ligado
ao poder da monarquia, né? E também, né?
Eu acho que esse é o principal motivo, é
a renda, não é? Nós temos aí eh reformas
e reformas da previdência que elas
achataram muito a renda da população
idosa, não é? Então hoje você tem aí em
torno de 70% dos benefícios pagos pela
previdência social contributivos no
regime geral de previdência que tem o
valor de apenas um salário mínimo.
Apenas é eh menos de 1% da população
recebe o teto da previdência social,
menos de 1%. Então isso faz com que
também as pessoas tenham além do desejo,
tenham a necessidade de gerar renda. eh
depois da na fase de aposentadoria. E
isso é que mudou essa o significado
dessa aposentadoria, né? Eu diria até
mesmo que eh nós deveríamos encontrar
outras, né? E eu acho que as pessoas por
elas mesmo, vão encontrando outras
nomenclaturas, não é? Porque a a mudança
foi bastante eh brusca, né? E e
profunda.
>> É uma equação e tanto, né? Marcos, você
que lida muito com o público 50 mais,
né? Quando você olha para essa população
madura, o que mais te chama atenção, né,
em relação a comportamento,
consumo e forma de viver nessa fase?
Bom, bom, por causa até por causa dos
dos empreendimentos, esta temática toda
da longevidade que ocupa minha vida nos
últimos 5 anos, eh eu tenho me conectado
com muita gente que tá nessa faixa
etária, muitos empreendedores também que
estão nessa faixa etária. Acho que tem
algumas características, né? Assim, a
gente chega nos 60 anos, eu tenho 61,
então a gente chega nos 60 anos ainda
com essa sensação de vitalidade, de
capacidade de seguir fazendo coisas, né?
com cabeça e o corpo funcionando. Então,
acho que essa é uma característica. É
verdade que não é essa não é a realidade
de todo brasileiro, que aquele que
infelizmente não teve acesso à saúde,
uma boa disciplina financeira, que pode
surfar um pouco essa fase, afinal a
gente não encontra essa característica.
Mas em geral, em geral, vamos assim
dizer, a gente encontra o Maduro com
essa característica. O Maduro segue
conectado, né? Ele segue conectado. Sim,
do o professor pode dizer pra gente,
talvez até melhor do que eu, mas essa a
conexão social, manter esses índices de
sociabilização, de conexão são
fundamentais porque a nossa cabeça
também se mantenha ativa. Então isso a
gente vê e é uma população que consome,
né, a economia prateada ou a economia da
longevidade reflete esses números. A
população 50 mais tem uma relevância
importante no consumo brasileiro. Geram
cerca de 1,8 trilhões do consumo
brasileiro. Representa algo como 24, 25%
de tudo que é consumido no país. Ou
seja, é uma população economicamente
potente e que pessoalmente se segue
ativa fazendo coisas e conectada.
>> Bem, Welton, o que que muda na relação
das pessoas com o dinheiro quando a vida
se estende por mais tempo? Nona são dois
grandes caminhos, né? Um ponto é quem
ainda não chegou na long nessa fase mais
avançada, que de fato precisa ter esse
olhar que o dinheiro ele precisa durar
mais tempo. E o outro para quem já está
na fase mais madura, que precisa fazer
com que o dinheiro ele perdure por 20 ou
30 anos a mais. a nossa a expectativa eh
anterior que nós tínhamos que após a
aposentadoria conseguiria usufruir muito
mais do teu benefício do do dinheiro que
você guardou ao longo do tempo. Agora o
pensamento tem que ser muito mais
prolongado ao longo do prazo. A a a
longo prazo. Além disso, nós temos
pesquisas aqui feitas pela própria
Febraban, o próprio saúde financiador
brasileiro, ele mostra que o indicador
médio que vai de 0 a 100 hoje tá em
56.7%, 7% dados de 2024 traz que nós
temos uma vida equilibrada, no entanto
com pouca margem para imprevistos. Além
disso, uma pesquisa também recente feita
o ano passado pela Febrabanda mostrou
que 55 das pessoas relataram que
possuíam dificuldades ou tinha pouco ou
nenhum conhecimento em educação
financeira. Ou seja, quando a gente
pensa em longividade, quando a gente
pensa que a vida tende a se estender
muito mais, você não ter esse olhar de
médio e longo prazo torna o
desequilíbrio financeiro muito mais
presente na tua vida. Então, quando a
gente traz, se a gente for pensar em
aspectos chaves, né, nesse momento de
vida, tendo muito mais projeção ao longo
do tempo, a gente tem que pensar em
alguns fatores, que é pensar num
dinheiro para longo prazo, ou seja, eu
preciso fazer com que esse dinheiro se
estenda cada vez mais. Além disso, eu
preciso agora cuidar, você mesmo trouxe
de uma organização financeira muito mais
presente, pensando no futuro. E três,
reduzindo exatamente esses gastos eh do
agora, pensando que no futuro eu vou ter
outros tipos de gastos que eu não tenho
hoje. Então, gastos com, ou seja, lá um
lazer diferenciado voltado para
experiência, bem como também viver um
pouco mais a vida que você, como aqui a
gente tem executivos que que viveram
muito mais intenso o seu o seu olhar
corporativo e agora tendem a ter um
olhar mais de experiência e um outro
também de outras necessidades que vão
surgir ao longo do tempo. Então esse
planejamento é super fundamental quando
a gente pensa ao longo prazo,
>> tem que ser mais previdente, né, Jorge?
Quais são as maiores dificuldades e
desafios em relação ao mercado de
trabalho e a geração de renda após
aposentadoria?
>> É, eu eu nem diria após aposentadoria.
Eu diria que [risadas]
>> que durante a o que que está
acontecendo, você tem uma economia, essa
economia eh informacional e você tem de
fato uma possibilidade hoje de você eh
produzir com menos gente, né? Isso é
evidente em todas as os números, em
todos os economistas que pesquisam o
setor industrial. Eh, isso faz com que
você tenha uma um salário muito baixo
durante toda a sua vida, não é? E
principalmente aqui no Brasil, né?
Sempre um grande esforço para você
aumentar a massa salarial no PIB, etc. e
tal. Essa discussão infindável que a
gente assiste aí desde a década de 80. E
isso faz com que eh, né, a gente na
gerontologia trabalha com a teoria do
ciclo de vida. Quer dizer, você não
envelhece de um dia pro do assim que
você faz 60 anos, você envelhece durante
a sua vida inteira.
>> Então, na questão laboral, quer dizer,
todas as questões do mercado de
trabalho, de salários mais baixos,
desigualdade de gênero, de salário entre
homens e mulheres, etc. e tal, tudo vai
desaguar na fase da aposentadoria, né?
Então, eh, hoje você tem esse desafio,
né? Você tem uma uma importância para
educação financeira, sim, numa parcela
da população, né? Na outra parcela você
tem um limite de fato de renda. Ponto,
né? Nós não podemos substituir o pobre
pelo deseducado financeiramente. Essa é
é a grande questão que eu vejo hoje
nesse no debate. Agora, eh,
aí você ainda vai enfrentar, não é,
depois da dos 60 anos o que eu chamo,
né, traduz por idosismo, eh, dentro do
mercado de trabalho. Quer dizer, aquela
pessoa mais velha, ela não é a pessoa
considerada eh produtiva, né? Eh,
totalmente. Ela é considerada uma pessoa
que pode ajudar aqui, que vamos chamva
eh quando a gente precisar dela. Então,
ele vira o consultor, ele vira uma
pessoa que participa de algumas coisas e
não. E isso de fato reflete no que você
vai receber como pagamento por esse seu
trabalho. E isso é o grande problema do
dos trabalhadores idosos. Não tem o que
a gente vê em outras culturas como a
oriental, né, que considera a pessoa
mais velha, mais sábia, porque teve um
acúmulo de experiência, né?
>> Eu te diria que isso daí hoje, não é,
diante da do do estágio da economia que
o mundo está vivendo, né, uma economia
eh imensamente financeirizada,
eh isso mudou para todos os países, né?
Eu gosto sempre de destacar isso porque
as pessoas eh correm o risco de
idealizar muito que os outros países,
não é, que a Europa, que o Japão, que eh
resolveram a questão do envelhecimento.
Como eu disse no início, é a primeira
vez que a humanidade se depara com esse
nível de longevidade. Então, todos, todo
mundo está mais ou menos nivelado nos
seus desafios. Claro que relativamente,
não é? quem teve um estado de bem-estar
social hoje tem um amortecedor, ainda
consegue, né, equacionar melhor, etc e
tal. Mas de o fato é que nessa questão
de mercado de trabalho, principalmente,
eu te diria que todos os países estão,
né, ou vou dizer do outro ponto de
vista, todas as pessoas mais velhas e
idosas estão enfrentando os mesmos
desafios no mercado de trabalho, na
geração de renda e não importa qual
país, né,
>> Marcos, pela sua experiência, a
pós-carreira é uma escolha ou uma
necessidade? Eu acho assim, Mona, a
pós-carreira, na minha opinião, será uma
necessidade.
Uma necessidade,
porque ao final, se as empresas nos
desconectam
aos 60, 65 anos, como o Jorge comentar,
>> não, eu ia te comentar isso, inclusive,
por exemplo, recentemente eu tive um
bate-papo com o CEO de uma empresa de
recolocação, de contratação de
executivos, e ele me falava: "Marcos,
você não você não acredita. da barra foi
para 40 para selecionar novos
trabalhadores ou novos executivos. O que
era 45, agora que tá em 40. O que parece
um despropósito, porque se ao final a
gente tem redução da taxa de fecundidade
ou de natalidade por um lado, aumento da
expectativa de vida do outro lado e a
gente chega bem aos 60, a 65 anos, com
muito capital intelectual, com muito
conhecimento, com muita experiência do
que a gente faz. Qual é o sentido da
empresa nos desconectar ou das
organizações abrirem mão desse capital
intelectual em todos os níveis
hierárquicos? Não tô falando no nível
dos executivos, só dos gestores, dos
trabalhadores, dos dos técnicos. Você
tem muita experiência aí. Então eu acho
que esse negócio deve começar a mudar um
pouco da minha visão de futuro, porque
me parece que à medida que a sociedade
vai envelhecendo por esses dois fatores,
aumento da expectativa de vida de um
lado e diminuição da taxa de natalidade,
os negócios vão continuar existindo,
essa desconexão tão precoce deve deve
diminuir. Eu acho que a gente vai ter
uma vida junto à empresa com um pouco
mais de de anos, mas independente disto,
é verdade que nós vamos estar muito bem.
provavelmente da cabeça e do físico até
os 80, 85. Eu tenho exemplo na minha
casa, minha mãe com 83 e a minha sogra
com 89. As duas vivas. Minha mãe muito
ativa, minha minha sogra já tem uma
carência, uma vida uma saúde mais
debilitada. Mas eu vejo em casa, a gente
vê nos nossos núcleos familiares e no
grupo de amigos que a população tá
envelhecendo bem. Então eu acho que após
carreira, voltando a sua pergunta, vai
ser uma necessidade. Uma necessidade
para algumas uma opção, é verdade,
porque fizeram um pé de meia, fizeram as
suas reservas, tem renda e o desafio é
garantir que aquilo que você acumulou
vai fazer frente essa expectativa de
vida que você ganha e para os outros vai
ser uma necessidade. ou porque
economicamente ele vai precisar
continuar gerando renda, dado que a
aposentadoria não vai suprir o que ele
precisa, ou porque ele tem tanta
vitalidade e capacidade de fazer que
aquilo vai ser um ingrediente da vida
dele, provavelmente num ritmo ou numa
dedicação um pouquinho menor. Em linhas
gerais, é o que eu imagino que pode
acontecer. Mona,
>> é aí que eu te coloco nessa conversa,
Welton, né, que essa longevidade exige
decisões agora, né, no presente, que
decisões são essas, né? Quais são os
desafios, né, para incorporar assim uma
qualidade de vida numa visão de longo
prazo, no comportamento da sociedade?
>> Mona, eu acho que sempre quando me
pergunto se a educação financeira é bala
de prata, eu falo que não. Concordo com
você. Se conhecimento prevalecesse sobre
o comportamento, todo mundo seria muito
bem de saúde financeira. E a gente não
vê isso. A gente vê pessoas muito bem
letradas eh financeiramente, letradas
digitalmente e são o comportamento é
péssima. Exatamente. Finir é péssima.
Então assim, eu acho que é uma coisa ter
uma a ver com outra. No entanto, um
pouco mais de conhecimento possibilita
ter decisões mais rápidas. Você sabe
quais são os caminhos, diferente de quem
não tem. Então acho que a gente tem dois
grandes avanços. Um, é trazer pra
população exatamente mais conhecimento
sobre a educação financeira para que
possibilite essa tomada de decisão mais
rápido para que as pessoas entendam que
agora eu preciso pensar nas reservas de
emergência ou reserva da paz ou proteção
futura para exatamente esses imprevistos
que tendem a surgir ou para que o seu
longo prazo tenha uma uma tranquilidade
um pouco maior. Esse é o primeiro ponto.
Dois, é cuidado com o endividamento, o
auto endividamento das pessoas e das
famílias. a gente tem uma cultura do
parcelamento, né, ao longo prazo,
parcelado a perder a perder de vista,
que esse parcelamento também, como eu
comentei mais paraa frente, ele vai
acabar impactando também essas tuas
reservas ou o teu planejamento pro
futuro. E um outro é de fato ter a noção
que o dinheiro ele não é finito. Ele ele
que o dinheiro é finito, ele não é
infinito, que ele possui eh de fato o
que você entende com o planejamento
hoje, ele vai gerar muito mais resultado
no futuro. E de fato, assim, eu
concordo, existe também com o que o
Marcos trouxe, que existe uma gama de
oportunidade, cada vez mais, Marcos, tá
sendo discutido não só no Brasil, mas
também em fóruns da América Latina, no
qual nós paramos, participamos aqui
representando a Febraban, sobre a
cultura exatamente do do silver, que é
as empresas tendo um olhar diferenciado
para esse público, por isso que você
falou, baixa da natalidade, então
aumento da expectativa, então a gente
precisa desse capital humano que é
riquíssimo dentro das organizações.
Então a gente percebe esse valor e eu
acho que a tendência é que essa
percepção não vire só percepção, de fato
seja concretizada, Mona e abre um espaço
para outros viéses. O que antes era uma
opção ser um consultor, um homentor,
hoje vira um valor agregado dentro das
organizações, ou seja, tanto numa parte
de investimento como investidor anjo,
como mentor de alta qualidade para
acelerar até as empresas atuais, esses
jovens que são eh que possuem um ímpeto
acelerado de ter resultado, mas acaba eh
pulando muitas etapas e essas etapas
geram um custo muito grande para
próprias empresas. Então, essas pessoas
com alta experiência, que possuem uma
visão de processo muito maisganiz
organizada e estruturada, acaba
embasando e trazendo mais alice para
essas empresas que estão surgindo agora
com a parte da tecnologia, inovação
muito mais eh desenfreada. Então, acho
que vai ser um casamento muito bacana e
é isso que a gente tem visto agora com a
visão de médio e longo prazo também.
>> Uhum. Eh, Jorge, como que a longevidade
ela reorganiza a economia? no mercado de
trabalho e as políticas públicas. Você
talvez até tenha o exemplo da França, de
onde você acaba de voltar
>> para comentar. Eh, não sei se você quer
eventualmente comparar ou não em relação
ao Brasil,
>> né? Eu passei, né, agora um ano lá, só
para as pessoas saberem, né, fazendo
pesquisas, não é? Eh, inclusive sobre a
questão do endividamento, né, das
mulheres idosas, que é a pesquisa que eu
estou fazendo e comparativa Brasil e
França. E mas antes de eu de eu colocar
isso, eu queria só colocar aqui a minha
minha posição, porque eu sou um pouco
mais pessimista, viu?
Porque eh como eu falei antes, né, você
hoje você tem um sistema produtivo que
ele de fato consegue produzir com menos
gente. Então hoje o que você tem no
mundo é uma grande um grande eh
quantidade de das chamadas fábricas
escuras, não é? Aquelas fábricas que são
totalmente robotizadas, que funcionam o
dia inteiro sem luz, porque não tem
ninguém ali, não é, fabricando nada. E
são as coisas que a gente consome, nãoé?
por exemplo, a a fabricante de de lâmina
de barbear de de Então, todo tudo isso
que você consome da de cosméticos, de
não sei quê, é fabricado sem ninguém,
né? suco de laranja, enfim, é é eh eh é
é muito pouca eh eh intensividade de
trabalho. Isso faz com que eh, né, eu e
tô falando que eh minha tese de
doutorado foi sobre isso, né, e há muito
tempo eu já colocava essa essa questão
da fragilização da segunda metade da
carreira. Quer dizer, hoje hoje que o
mundo está vivendo é isso, essa
fragilização da segunda metade da
carreira, o que que é? você vai bem até
uma determinada idade e antigamente você
ia até a a sua aposentadoria e essa
idade foi baixando porque o mercado de
trabalho foi cortando conforme ele vai
aumentando o seu grau de tecnologia.
Isso impõe um um enorme desafio, não é,
para quem tem mais de 40, para quem tem
mais de 40, era mais de 45, né? Segundo
pesquisas internacionais, depois mais de
40, enfim, você vai pro Vale do Silício,
é 30, [risadas] pessoal fazendo botox
aos 30 anos para poder se manter no
trabalho. Então, os desafios são muito
grandes diante dessa mudança completa
que a gente tá tendo, nãoé? Eh, e aí
essa questão que você me pergunta, quais
são as eh eh as demandas e mudanças que
você tem que ter? primeiro, eh, que é o
que eu vou lançar um livro daqui a pouco
falando sobre isso, ter essa
conscientização do envelhecimento, não
é? E hoje nós discutimos no debate
público muito mais a negação do
envelhecimento, né? E aí vem pela
indústria eh eh de cosméticas, indústria
de beleza, né? Ninguém tá proibido de
passar creme, fazer plástico, não é isso
que eu quero dizer. Mas isso não pode
dominar o debate a ponto de bloquear
mudanças de políticas públicas, né?
Então, eh, eu acho que são muitas as
políticas públicas, né? A gente teria
que ter um programa aqui imenso, não é?
Eh, repensar sim o sistema de
previdência, mas não como a gente fez as
reformas, só postergar a idade de
aposentadoria. Isso não vai levar a
nada. Não levou a nada nenhum nenhum
outro país, não é? tá dando errado nos
países que começaram a postergar aidade
da aposentadoria ou você reduzir a a o
valor do benefício, que foi o que
aconteceu aqui, né? Então isso é um é um
ponto importante. A saúde, que ela tem
que ser menos curativa e tem que ser
muito mais um sistema dedicado a doenças
crônicas, né? Eh, toda evidente essa
questão financeira, isso também é
relevante, principalmente no combate ao
endividamento, não é?
>> Uhum. Marcos, você é cofundador da
SilverHub, que é uma aceleradora de
negócios de longevidade, né? Em que
áreas estão as principais iniciativas
das startups para esse público ou também
desse público, né? Porque não é só para
esse público, é também deles como
empreendedores, pelo que eu entendi,
certo? E a gente na Silver Hub apoia os
empreendedores que t a tese da
longevidade, né, que acham que tem
possibilidade de empreender aí para
atender a população madura. Nós partimos
de umas pesquisas que existiam, Mona,
que no Brasil existiam cerca de 400
iniciativas que poderiam ser
consideradas eh startups que
tangenciavam ou que estavam inseridas
nesse tema da longevidade. Conectamos
cerca de 200 empreendedores, olhamos com
um pouco mais de profundidade 80
iniciativas. Então vou te falar um pouco
com base nessa amostra de 80 iniciativas
conectadas hoje a Silberhub. Nós temos
nove empreendimentos. Uma recebeu nosso
investimento, as outras oito são
apoiadas pelos nossos investidores.
Dentre desses aspecto de 80, mais ou
menos metade das iniciativas tem a ver
com melhora da qualidade de vida, com eh
iniciativas para de apoio à à saúde, de
apoio de apoio a fisioterapeutas, a
cuidadores, ou seja, iniciativas que
tangenciam melhora na qualidade de vida
e que estão muito conectadas ao mercado
de saúde. metade delas, 1/4 delas tem a
ver com planejamento financeiro, ajudar
o Maduro a resolver a sua dinâmica
familiar, onde buscar renda, como
economizar um quarto delas e outro
quarto tem a ver um pouco com
experiências e turismo, startups que
estão buscando fazer com que o Maduro
possa desfrutar dessa fase da vida,
conhecendo um pouco mais os destinos
brasileiros, por exemplo, ou que ela ou
que ele possa ter eh acesso a
experiências que durante a fase laboral
ativa ele acabou não tendo. Esse é mais
ou menos o retrato dessas 80
iniciativas.
>> Ah, legal. Welton, como é que bancos,
instituições financeiras e seguradoras
estão eh se adaptando, né, a esse
cliente que vive mais e precisa de renda
e precisa de serviços e soluções
flexíveis? Bom, nas instituições, os
bancos já perceberam a mudança do perfil
do cliente e, eh, com base nisso tem
pensado não só em produtos, mas também
no diálogo com esse consumidor, na desde
a concepção de um produto, um serviço, o
próprio uso dos aplicativos, o uso do
dos mecanismos, né, das ferramentas que
esse consumidor tem acesso, justamente
para proporcionar esse pensamento ao
longo prazo. alguns exemplos da própria
previdência. Nós temos também eh seguros
voltados para para público pensando no
longo prazo. Eh, tantos produtos como
investimentos e, como eu comentei, até
mesmo uso do dos aplicativos também foi
pensado nisso. Existe testes feitos com
usuários mais com mais idade para ver o
nível de usabilidade, a facilidade no
uso, a interação, a acessibilidade.
Então os bancos têm esse nível de
preocupação, tanto os bancos como também
o nosso aqui no olhar setorial como
Febraaban, nós temos esse olhar de não
só promover acesso aos produtos e
serviços, mas também melhorar a
qualidade de uso disso, né? E também a
oferta do crédito responsável, que é um
pilar que nós trabalhamos aqui dentro da
nossa autorregulação bancária, para
exatamente ter esse olhar da
vulnerabilidade desse consumidor e
também a preocupação do crédito
responsável e do uso de qualidade desses
produtos e serviços. Perfeito. Eh,
Jorge, a longevidade ela é vista como um
custo ou ela pode ser enxergada como
oportunidade de crescimento econômico
até?
>> Essa é bom. Essa foi a minha grande a
minha grande eh
né, nos estudos de envelhecimento, né?
Porque eu comecei a elaboração dessa
conceito da economia da longevidade,
depois chamado silver economia, etc.
[roncando] Em 2006, não é? E é por que
eu comecei com isso? Porque o debate
público ele estava dominado por essa
visão fiscalista de que a longevidade
seria apenas um custo pro estado. Vai
acabar com tudo. Era uma visão
catastrófica de tudo,
>> os planos de saúde. É, então é, eh, eu
lá, né, atrás do meu mestrado eh trouxe,
né, essa a questão da economia da
longevidade, que mesmo havia algumas
coisas eh por aí no mundo, né, mas ainda
era muito pouca literatura, muito pouca
coisa, não é? alguma coisa no Japão,
evidentemente, né, que era uma visão eh
que eh hoje aqui o Marcos tá para para
colocar, né, provar isso, né, que eh
você poderia gerar riqueza do do da
dinâmica demográfica. a dinâmica
demográfica não era eh determinista
eh que vai ter um envelhecimento e você
vai quebrar, né, o Estado por causa
desse envelhecimento. Quer dizer, o
Estado teria um papel e o setor privado
teria um papel eh de eh oferecer, não é,
eh serviços, bens que podem gerar
riqueza, sim, que é o que está, né, eu
trazia na época o exemplo da França, não
é? esse modelo da da de aceleradora de
startups, entre outros tantos modelos. A
a França adotou isso lá atrás como
política pública, né? Foi quando eu
trouxe aqui no Brasil, inclusive a
ministra francesa que eh criou eh eh
toda essa política pública e hoje está
mais do que provado. Agora, a economia
da longevidade como conceito, ela vai
muito além disso, né? Ela é
principalmente
uma política industrial. E aí está o
papel do Estado. Quer dizer, é o Estado
se movimentar para ele estimular a
criação desses bens e serviços. E a
partir daí a iniciativa privada, o setor
bancário e tudo cumpre o seu papel
natural no capitalismo, né? O que é hoje
muito desafiador é que
como a economia está hoje, todo mundo
tem um papel um pouco nublado, né, de a
questão tecnológica, questão da
financierização. Ela mesclou muito os
papéis desses atores que podem colocar
isso de pé. Isso é um um grande desafio,
né? Eh, mas sim, a longevidade já está,
né? mostrado. Quer dizer, ela isso tudo,
né? Economia da longevidade vai resolver
todos os problemas. Claro que não, não
vai resolver, não é bala de prata, não
existe bala de prata em nada, mas você
hoje tem um consenso entre os na
economia, na sociologia, de que eh a
dinâmica demográfica pode sim também
gerar riqueza.
>> Uhum. Marcos, que iniciativas você tem
visto que fazem uso de tecnologia de
forma mais eficiente para atender a
população mais madura?
>> Te comento, Mona, o Posso só fazer um
uma complementação aqui da observação do
Jorge? Acho e você traz um ponto legal e
importante, que é olhar o tema
demográfico sob a ótica de que se antes
o 60 mais era um aposentado que vivia de
uma aposentadoria que vinha do governo
ou de uma reserva, hoje o 60 mais ele
segue ativo com a capacidade de produzir
algo, conectado ou não a um CNPJ,
conectado ou não à empresa que ele
trabalhava. Quer dizer, o o 60 mais ele
tem essa possibilidade de seguir
produzindo. É lógico que é um desafio.
Eu, por exemplo, a minha carreira de 32,
quase 40 anos foi de executivo dentro de
corporações. Eu gestionava recursos,
liderava equipes eh levava e definia
junto com a minha equipe o planejamento
estratégico para onde a empresa ia. Mas
se eu talvez não tivesse uma
característica de um gestor
empreendedor, talvez eu não tivesse hoje
empreendendo. É bem verdade, porque eu
decidi antecipar a minha aposentadoria,
sair do mundo corporativo aos 56 anos e
não aos 60, 65, como era o esperado,
porque eu achei que eu já estava
preparado para empreender no âmbito da
economia da longevidade, que foi o que
me me levou inclusive a fazer a estudar
na GV, quer dizer, conhecer um pouco a
potência dessa economia. Então eu
corroboro com a sua interpretação e com
a sua tese de que ao final o Maduro ele
é potente, tem capacidade de produzir,
de gerar negócios e fazer com que a
economia eh progrida. Moral, voltando a
sua pergunta, perdão. Eh, bom, eh, o que
a gente tem visto, por exemplo, a gente
tem uma uma das startups que eu acho
bastante legal, que ela apoia muito, por
exemplo, fisioterapeutas. Tá? A
empreendedora é uma fisioterapeuta que
entendeu que a tecnologia, o smartphone
poderia apoiar outros profissionais no
Brasil a melhorar o processo de
recuperação dos seus pacientes. Isso é
uma aplicação efetiva eh da tecnologia e
do empreendedor, olhando a temática da
longevidade, tem um outro empreendedor
que desenvolveu, programador, né, de
tecnologia, desenvolveu um aplicativo
para fazer com que a nossa mente possa
ser exercitada ao longo do dia, quer
dizer, dedicado, um programa dedicado ao
60 50 a mais, ou seja, para fazer com
que as conexões neurais continuam e
continuem ativas. a gente na Silver Hub
vê bastante coisa, porque ao final uma
das nossas premissas é olhar esses
empreendimentos que vão utilizar
tecnologia para poderes serem escaladas.
Uma outra coisa que a gente vê na Silver
Hub, Jorge, que eu acho que você vai
gostar de saber também, eh a gente
percebe que as startups que t mais êxito
e mais sucesso, elas mesclam
empreendedores jovens e empreendedores
maduros. Quer dizer, se não tiver um
cabelinho branco lá, um grisalho, homem
ou mulher, junto num empreendimento,
aquela aquele empreendimento na Silver
Hub passa por uma crítica adicional,
porque também a gente já percebeu que o
capital intelectual, a rede de conexões,
a experiência desse dessa pessoa madura
ajuda muito o empreendedor mais novo.
>> Uhum. Bom, eh, o Welton, acho que você
já falou até um pouquinho sobre isso,
mas como a gente tá se aproximando do
final do do programa, queria até que
todos comentassem, né, como é que vocês
veem a inclusão das pessoas mais velhas
eh à medida que os serviços financeiros
migraram completamente pro digital, né?
Antigamente as pessoas gostavam de
agência aos bancos e tal, falar com o
gerente, né, sobretudo pessoas mais
idosas, né? eh como é que os bancos têm
acompanhado o envelhecimento da
população e sobretudo essa questão da da
inclusão que que acho que no Brasil e
talvez até no mundo, né, paraa população
idosa é um pouco difícil de acessar os
aplicativos, a tecnologia, né,
>> Mona, nos últimos anos houve uma
aceleração muito brusca da digitalização
no Brasil, principalmente pós a
pandemia. Eh, a inclusão do Pix foi é um
exemplo desse, é o maior serviço de
inclusão que aconteceu dentro do país. a
gente tem pesquisas é constantes aqui
dentro da Febraban, que já demonstra que
a cada a cada 10 oito pessoas já acessam
100% os conte os os meios digitais, né,
para fazer suas transações, não vão mais
às agências, mas mesmo assim os bancos
continuam preocupados com isso, que é a
atenção para esse consumidor que ainda
não é digital, que tem o letramento
digital, exatamente para acessar melhor
os seus produtos, ter acesso às
tecnologias. Diversos testes são
realizados com esses públicos. Um
exemplo aqui é dentro do próprio meu
bolso em dia, que é uma voz de
democratizar educação financeira. Nós
ouvimos os consumidores não só na
criação do conteúdo, mas também nos
testes da própria plataforma. Um
exemplo, a plataforma foi testada com
usuários de 16 a 79 anos. Exatamente.
Para ver o nível de acessibilidade, de
usabilidade, facilidade desses meios nas
nossas comunicações, que você nos ajuda
muito bem nas nossas redes sociais. a
gente tem pro mesmo serviço, a mesma
entrega, um diálogo para quem é um
perfil mais maduro, para um perfil mais
jovem, porque a gente sabe que é
necessário falar dessas de dessas
maneiras diferentes e levando, né, e de
fato a o conteúdo de forma mais
proprietária para esse grupo de para
esse grupo de pessoas. Então, a gente
tem visto que os bancos existe essa
preocupação com essa aceleração da
digitalização, mas também o cuidado de
acesso com qualidade dos produtos e
serviços, bem como também no nosso olhar
aqui de educação financeira.
>> Uhum. Alguém gostaria de complementar?
É, eu vou eu vou complementar dando uma,
né, eh algumas informações assim,
algumas observações eh quanto a
pesquisas, não é, nesse nesse nesse
tema, eh, que de desde o início, né, eu
sou um dos primeiros membros da
Associação Brasileira de
Gerontotecnologia, nãoé, a Gerontologia
é que é a área de estudos que eh estuda
essa interseção entre o envelhecimento e
a a os avanços tecnológicos e
dispositivos que podem auxiliar no
cuidado de longa duração e etc. Eh, o
que a gente vê eh primeiro quando você
tem, né, essa questão do de inclusão que
você que é a sua pergunta, não é, e que
tem a ver com a questão do preconceito.
Quando você tem, não é isso, pesquisas
lá atrás, quando eu fiz mestrado,
mostrava, mostravam isso, pesquisas
internacionais. Quando você tem a
participação de jovens
na economia da longevidade no portanto
na na descoberta ou criação de bens e
serviços para o envelhecimento, você tem
imediatamente uma redução do
preconceito, porque você vai trabalhar
com aquilo, não é? Então, por isso que
um dos meus textos que circula todos
seremos gerólogos, não é? Numa sociedade
em envelhecimento, todos seremos
gerontólogos. Isso é é muito relevante
essa eh inter eh convivência
intergeracional dentro desse ambiente de
negócios. A questão de de tecnologia, o
que que essas pesquisas mostram? que
muitas vezes eh as empresas ou os
dispositivos eh eles querem oferecer
muito mais do que a pessoa idosa vai
utilizar daquele dispositivo. E isso é
hoje a maior barreira dessa inserção
digital. Então, eh você tem hoje aí um
monte de empresas no pelo mundo que eh
fabricam dispositivos que são mais
simples, não é? com maiores, né, e mais
simples paraa pessoa usar. E eu vejo
isso às vezes até dos aplicativos de
bancos e já tem muitas pesquisas sobre
isso. Eh, você tem que ser simples,
porque a pessoa idosa, ela quer usar o
básico, né? Mas muitas vezes o software,
o computador, os próprios aí mais
famosos, eles eh começam a te oferecer
um monte de coisas, né? um monte de
atualizações. Nós
já ficamos um pouco para trás, né?
Porque o o todo mundo vai, o ser humano
que achar que ele vai acompanhar a
tecnologia, ele é um iludido, né? Pode
ter [limpando a garganta] 13 anos ou
pode ter eh 60, mas ele nunca vai
acompanhar porque nós vivemos numa dromo
eh sociedade, né? A sociedade da
velocidade e não vai acompanhar. Então,
eh a primeira lição, né? A primeira eh
acho que é meio consenso lá na entre os
as pessoas que estudam geria que você
tem que entregar o que a pessoa precisa
e não criar necessidades, né? O
marketing ele é baseado na criação de
necessidades, né? E você tem que ir para
o oposto, né? Você tem que eh resolver
eh entregar soluções, resolver
problemas, né? Então esse esse seria o
pensamento básico dessa questão
tecnológica e de inclusão.
>> Monas só comentar, acho que tem um ponto
muito bacana nessa linha do que o Jorge
trouxe. Jorge, a gente tá, eu acho que
tá evoluindo para esse caminho mesmo,
tá? nos nossos forros de discussão,
discussões aqui internas, a gente tem
exatamente essa esse ponto de
entendimento que é a nossa preocupação
redobrada pela segurança com golpes e
fraudes. Então, cada vez mais os
aplicativos estão se tornando mais
seguros para que ele reconheça quem está
utilizando. Então, a gente sabe a sua
geolocalização, a pressão que essa
pessoa insere no celular, na tela do
celular, eh tem a a o reconhecimento
facial, reconhecimento biométrico.
os, eu acho que as instituições como
todas estão avançando nesse nível de
segurança e confiabilidade. Acho que
esse é o primeiro estágio. O próximo
estágio é a gente traz o máximo possível
para que cada aplicativo depois ele se
torne personalizada para cada público.
Então acho que é exatamente essa
discussão que nós que nós temos aqui.
Hoje existe uma resolução conjunta a
oito no no Brasil que o Banco Central
prevê desde 2023 que tenha orientação
financeira dentro da jornada do
consumidor, desde a concepção do design
do produto até a entrega final. Então
essa construção de jornada tá sendo
observada para cada perfil de público.
Então acho que o que a gente vai
perceber agora ao longo do curto, médio,
longo prazo é exatamente isso. Os os
aplicativos das ferramentas muito mais
personalizados porque elas estão sendo
testadas pelas pelas pessoas. Como eu
comentei, nos últimos anos nós tivemos
um aumento da inclusão financeira no
formato digital. Então é essa inclusão
que vai trazer subsídio para que
subsídios para que essa modificação
aconteça e essa personalização aconteça.
Eu acho que esse é um ponto muito bacana
que tá sendo trabalhado dentro dos
nossos fóruns aqui setoriais junto com
as instituições para ter esse avanço
para de novo, né, personalizar o uso
para cada tipo de perfil de consumidor.
>> Que bom,
>> Money. Acho que complementando-se dois
minutinhos mais, eu acho que lógico, a
discussão passa pelo processo digital,
pela digitalização, pela inclusão
digital, pelo uso, porque ao final o
Maduro tá presente, utiliza WhatsApp,
redes sociais, Facebook, Instagram,
todos nós temos na nossa família o grupo
da família do WhatsApp, toda a família
brasileira, tá a avó, tá o tio, tá a
tia, quer dizer, o processo esse de
inclusão existe. Eu acho que vocês da
indústria de serviços financeiros, eu
pertencia a ela até 5 anos atrás, né,
porque tava no mercado de seguros. Eu
acho que a gente tem uma oportunidade de
ouro, porque ao final essa é uma
indústria eh de serviços financeiros. Os
bancos nos acompanham durante toda nossa
vida nesse nesse plano. Desde o momento
que a gente nasce até o momento que a
gente deixa esse plano, a indústria de
serviço de financeiro de alguma maneira
tá presente no nosso cotidiano. Quer
porque lá atrás meu pai abriu minha
primeira poupança e comecei a ter o
contato com ela, ou porque agora eu tô
na fase da desacumulação e algum uma
alguma entidade financeira ou de
previdência privada tá fazendo a gestão
dos meus dos meus recursos. Ou seja, eu
acho que a oportunidade que os bancos
têm, que obviamente é legal participar
desse podcast aqui da Febraamp, porque a
gente vê que institucionalmente vocês
estão super engajados nessa temática,
olhando o tema da longevidade e
preocupado em eh fazer com que a
população madura esteja e presente na
estratégia dos bancos. Acho que a
oportunidade que a indústria tem é
magnífica, porque ao final vocês nos
acompanham durante toda a nossa vida.
Essa é uma oportunidade de ouro que a
indústria tem.
Legal, gente. Eu agradeço demais vocês
aqui a participação. Acho que a gente
teve uma uma discussão muito rica, né?
Aprendemos muito hoje com todos vocês e
e eu quero dizer que a longevidade, né,
como nós abordamos nesse episódio, ela
não é apenas uma conquista demográfica,
ela é um dos principais vetores de
transformação do nosso tempo. Ela
movimenta a economia e desafia
diferentes setores a reconhecer o valor
da experiência e integrar uma população
mais madura no mercado de trabalho e na
sociedade. A conversa de hoje mostrou
que viver por mais tempo muda a forma
como a gente trabalha, consome, olha pra
saúde e se planeja financeiramente. A
aposentadoria deixa de ser um ponto
final e passa a ser parte de uma
trajetória que exige organização e
tomada de decisões ainda no presente,
porque elas vão afetar diretamente o
nosso futuro. Então, novamente, agradeço
muito o tempo de vocês, que eu sei que
são muito ocupados todos, né? Jorge
Félix, professor de gerontologia da USP,
especialista em economia da longevidade,
o Marcos Eduardo Ferreira, cofundador da
SilverHub, aceleradora de negócios de
longevidade e também do Homens e
Mulheres de Prata, plataforma de conexão
e networking pro público 50 mais e
Welton Santos Carvalho, gerente de
cidadania financeira da FEBRAB e
especialista em comportamento financeiro
e gestor da plataforma Meu Bolso em Dia,
onde a gente aprende demais. Eu sou Mona
Dorf, diretor adjunta de conteúdo
digital da FEBA e agradeço também a você
que nos acompanhou até agora, que nos
acompanha sempre. Esse foi mais um
episódio do Febraban Podcast. Não deixe
de acompanhar a gente nas outras redes
com os nossos conteúdos digitais. Até a
próxima.
[música]
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