Cenário Econômico | 19º CMEP
Sumário Regulatório
Ana Paula Vitali Janes Vescovi, economista-chefe e diretora de Macroeconomia do @SantanderBrasil, apresenta uma análise do cenário econômico brasileiro em painel do 19º CMEP. O evento foi realizado em 14 e 15 de abril de 2026 no Teatro Santander, em São Paulo.
Transcrição e Conteúdo
Mas olha, seguimos porque afinal de contas estamos num ano muito importante pro país e pro mundo, tanto na economia quanto na política. E nesse cenário o debate econômico se torna ainda mais essencial. Para falar sobre esse contexto, os seus impactos e muito mais. Eu convido agora ao palco a economista chefe e diretora de macroeconomia do Banco Santander, Ana Paula Vescov. Fade...
contas estamos num ano muito importante
pro país e pro mundo, tanto na economia
quanto na política. E nesse cenário o
debate econômico se torna ainda mais
essencial. Para falar sobre esse
contexto, os seus impactos e muito mais.
Eu convido agora ao palco a economista
chefe e diretora de macroeconomia do
Banco Santander, Ana Paula Vescov.
Fade.
Bom dia, gente.
Eu esperava um pouquinho mais de
energia, já que eu vou falar para vocês
para que lado vai o dólar, né? Vamos.
Bom dia, gente.
>> Bom dia.
>> Bom, satisfação estar aqui com vocês
nesse momento especial aí dos 55 anos,
mas a minha missão aqui é explicar um
pouquinho o momento que a gente tá.
Óbvio que mais importante a gente
comentar o ciclo. O Brasil começou agora
no início do ano uma redução de juros,
um ciclo importante, dado que nós
estamos aí com juros altos há
praticamente 4 anos. Eh, e nós temos uma
confusão global, né? E eu vou pegar um
pouquinho mais de distanciamento
temporal antes da gente entrar no Brasil
para falar como é que a gente tá
pensando, interpretando esse tema da
economia global. Eh, óbvio que todo
mundo tá ligado, né, no tema da do
conflito no Oriente Médio, dos preços de
petróleo. Acho que o os preços do
petróleo e de algumas commodities é o
principal componente desse conflito. Eh,
mas mais importante do que isso, o mundo
tá passando por uma reedição ah do da
sua forma de fazer comércio, né, de se
relacionar entre países. e a gente tá
vivenciando um modelo de geopolítica
muito mais ativa, né? Então, por que que
essa geopolítica ativa tá mudando tanto
a configuração do que a gente estava
acostumado a ver nos últimos ah 50, 60
anos desde o pós- Segunda Guerra? Porque
depois da pandemia em especial ficou
muito patente. A importância de você ter
controle ou até alguma autonomia sobre
cadeias produtivas que são estratégicas
pros países. Então a gente tá falando
obviamente de alimentos, mas a gente
também tá falando de energia, tá aí, né,
esse conflito trazendo um foco muito
grande pra energia. A gente tá falando
de minerais, minerais raros e minerais
tradicionais. a gente tá falando de
equipamentos e e tecnologia para
produção de eh medicamentos, enfim,
equipamentos médicos hospitalares. Eh, e
a gente tá falando da cadeia financeira
também, né? Tudo muito ligado à
tecnologia
e a nova onda de digitalização e
inteligência artificial que vem. Eh,
então essas cadeias são, digamos, os
pontos estratégicos que os países estão
buscando se reorganizar,
eh, trazendo essas cadeias produtivas
para mais perto, né, e regionalizando,
saindo daquela tendência de globalização
que a gente viveu desde o pós- Segunda
Guerra. E é sempre importante lembrar
que quando a gente fala de
interdependência de comércio, cadeias
produtivas muito integradas,
globalizadas, a gente fala de
interdependência também geopolítica.
Então isso foi um critério de
pacificação global que agora a gente
começa a ver se reconfigurando. Então
acho que o principal ponto a entender
essa reconfiguração global eh esse é um
fator de muito longo prazo.
Provavelmente quando a gente for chegar
ali nos anos, né, de de 2030, a gente
vai olhar para 2020, quando o marco, né,
foi a pandemia, a gente vai ver uma
economia muito diferente.
Eh, como é que fica o Brasil nessa
história toda? O Brasil, primeiro que
ele tá longe, dos principais zonas de
conflito. Eh, é um país que tem uma
tradição eh de menos diplomática e mais
comercial, eh, mais aberta, né? Ou seja,
ele negocia com diversos países, embora
seja ainda uma economia muito fechada.
Mas aqui tá um ponto importante, aquela
economia que no início dos anos 2000
tinha 12 15% de grau de abertura ao
exterior. Eu vou traduzir para vocês o
que é grau de abertura. É a soma entre
importações e exportações dividido pelo
PIB do país. O Brasil tinha apenas 15%
de penetração de comércio exterior ah de
bens serviços e rendas eh no seu PIB.
Hoje essa penetração já tá mais perto de
30%. Então, nós expandimos o nosso grau
de abertura ao mundo, a economia global
e isso veio muito por conta das nossas
vantagens cooperativas, menos por conta
de abertura, de redução de tarifas, né,
e permissão de mais importações, o que
ajudaria a nossa indústria a ganhar
competitividade. Isso não aconteceu, mas
por conta das nossas vantagens no agro,
em minerais, em energia, que é o
petróleo, que a gente passou a a
exportar de forma muito proeminente
alimentos e isso trouxe esse grau de
abertura maior mais pela via das
exportações.
Eh, o Brasil é esse país um pouco mais
conectado do que foi lá atrás, mas ele
tem ativos muito importantes nessa nova
economia mais regionalizada e com
estratégia muito voltada a setores
específicos. O Brasil tem ah o agro mais
produtivo do planeta, né? e
provavelmente a continuará sendo, embora
a gente tem aqui no curto prazo alguns
problemas de liquidez dentro do setor,
mas é um agro extremamente competitivo,
com lideranças empresariais
importantes, com setor eh também muito
marcado por famílias produtoras.
Ah, nós temos 51%
de todas as terras agricultáveis
disponíveis no planeta, né? Ou seja, nós
somos metade da fronteira de produção
agrícola do mundo, eh, com tecnologia,
com lideranças empresariais capazes de
fazer esse movimento. Assim que a gente
vê a demanda acontecendo. Nós temos 23%
de terras raras, uma produção mineral
importante, somos exportadores de
minério. nas terras raras a gente
praticamente não explora ainda, ainda tá
começando uma regulamentação e ainda não
temos tudo mapeado, ou seja, é uma
economia ainda pequena, mas que com
provavelmente uma zona de crescimento,
uma promessa de crescimento muito
grande, dado que isso eh são insumos
muito importantes para economia da
inteligência artificial, até para ligas
de turbinas de avião, enfim, tem toda
uma utilização crescente eh, desses
minerais raros, que a China é o maior
produtor global, é quem detém a
tecnologia da extração da da produção.
Eh, e o Brasil, enfim, só usa 1% dessa
desse potencial que tem. Eh, nós temos
uma configuração diferente na cadeia
energética do que tínhamos há poucos
anos atrás também. Ah, até 2032, nós
provavelmente seremos o quarto maior
produtor de petróleo do mundo. A gente
vai crescer ainda 30% a nossa produção
de petróleo. Boa parte, provavelmente,
será destinada à exportação, o que
favorece nossas contas externas. E isso
é a um fator relevante, porque embora
nós tenhamos, né, ainda uma necessidade
de importar combustíveis e derivados,
enfim, o insumo básico que é o petróleo,
muito importante, a gente tem. E eu não
tô falando aqui ainda das novas
oportunidades, né? Eu tô falando do que
já foi contratado, do que já foi
licitado. Eh, então assim, tem ativos
raríssimos e ainda uma perspectiva que é
um país que acabou de fazer uma reforma
tributária, né? né? Essa reforma
tributária de bens e serviços, ela vai
trazer uma maior produtividade pra
economia ao longo do tempo. Não é uma
coisa pro ano que vem, nem pro próximo,
mas é importante porque a gente vai ter
uma menor complexidade
eh no pagamento de impostos. E aqui o
setor tem um envolvimento muito grande,
porque a gente tá falando do split
payment, que vai ser uma tecnologia
associada à nossa reforma tributária,
onde a divisão dos impostos vai
acontecer com bastante automatismo já no
processo de coleta de pagamento e e isso
vai ser uma simplificação enorme. Vocês
imaginam que hoje o Brasil tem uma
litigância ah elevada, muito elevada,
incomparável com qualquer outro país,
muito por conta da discussão do que é
insumo ou não cadeia produtiva que gera
crédito tributário. Isso praticamente
vai ser pacificado. Obviamente depois de
um processo de assentamento dessas
teses. a gente vai ter uma certa
complexidade antes de colher o benefício
da reforma, mas é uma reforma que vai
trazer aumento de produtividade,
traduzindo um crescimento potencial
maior pro país. A gente também tem o
setor financeiro, né, tá em parte aqui
representado, que é um setor que tem
ganhado muita eficiência eh na esteira
de reformas, na esteira de uso de
tecnologias, das nossas vantagens
comparativas nesse setor. O Brasil, por
ter vivido muitos anos na hiperinflação,
desenvolveu músculos capazes de fazer a
desenvolvimentos tecnológicos
importantes no setor. Eh, e nós temos um
mercado de capitais que triplicou de
tamanho nos últimos 10 anos, um mercado
de capitais que hoje complementa o
mercado bancário, bilateral,
tradicional, eh, que também se moderniza
a passos muito largos. e as tecnologias
que estão vindo, inteligência artificial
e outras tantas blockchain, poderia
citar outras, serão realmente muito
muito importantes para ah trazer ainda
mais ganhos de eficiência para esse
setor, que é um setor relevante pro
país. E eu posso ainda mencionar o que
aconteceu em termos de infraestrutura no
país nos últimos 10 anos. eh
gradualmente governos diferentes,
governos regionais, governos governos
federais eh foram modernizando, né, com
discussão dentro do Congresso, os marcos
regulatórios,
não só da energia elétrica, mas do
saneamento, que eu acho que é o maior eh
emblema que a gente tem no momento de
modernização de infraestrutura, mas
também de concessões e autorizações em
rodovias, ferrovias e portos, né? Eh,
hoje é muito mais visível você eh olhar
que tem portos privados, terminais
privados que estão conseguindo também
trazer um atendimento à cargas gerais.
Eh, é importante você ver que portos que
foram privatizados estão mostrando ao
país a importância de você ter ativos
com uma gestão mais eh flexível, né,
privada, é capaz de entregar eficiência,
capaz de entregar melhores serviços.
Isso tá acontecendo em alguns portos e
terminais portuários que foram
privatizados ou concedidos. E a gente tá
vendo isso também em rodovias,
ferrovias, 13 concessões o ano passado,
mais umas 15 esperadas para esse ano.
Uma velocidade muito importante, eh, e
algo que o Brasil com certeza vai
começar a colher nos próximos anos.
Óbvio que a gente ainda tem ah
problemas, né, de gargalos. Muito
importante. O que eu quero ressaltar
aqui é que do nosso jeito nós estamos
conseguindo superar vários desses
gargalos, muitos outros ainda a superar.
E eu costumo falar que os nossos
gargalos, principalmente os nossos
dilemas sociais, a educação com baixa
capacidade de aprendizagem, a uma saúde
que tem, enfim, de cumpriu um papel
importante durante a pandemia, mas tem
muito a avançar, principalmente na
absorção de tecnologias.
Eh, segurança pública, estamos devendo
largamente paraa nossa sociedade. Essas
mazelas também são grandes oportunidades
que o dia que o Brasil conseguir
concentrar, coordenar suas instituições
para resolver essas questões, a gente
vai ter realmente uma grande, imensa
liberação de valor nesse país. Por que
que eu quis fazer essa introdução mais
longa? Eh, para trazer um pouco a gente
pro ciclo, pra gente entender o que tá
acontecendo agora aqui esse ano, né? né?
Nós tivemos o início de ano com uma
entrada importante de fluxos financeiros
apostando no Brasil, principalmente na
bolsa. Esses recursos foram destinados
especialmente paraa bolsa e nós tivemos
entrada aí de mais de 65 bilhões até
agora, né, de reais. Eh, e é muito
relevante pro nosso país. Tem valorizado
a bolsa que tá já tá perto de 200.000
pontos, tem ajudado a valorizar o real e
a gente tem o real aí desde ontem. eh,
enfim, na fronteira dos cinco, né,
tentando eh ir para baixo dos R$ 5 reais
por dólar. Eh, então são movimentos que
explicam pra gente o como que a gente
poderia lidar com essas oportunidades. É
óbvio que esses fluxos acontecem porque
a gente tá com juros muito altos, né? E
aí tem o nosso principal problema macro.
E eu vou passar rapidamente aqui para o
meu time para vocês conhecerem. Eh, eu
acho que para falar de ciclo, a gente
tem que ver que todo esse choque também
trouxe uma perspectiva de juros mais
altos global, né? Então, o mundo vai
conviver com esses juros mais altos. Os
bancos centrais, os principais bancos
centrais, as economias avançadas já
estão com expectativas, inclusive no
FED, de não baixar mais juros esse ano.
A pressão de preços tá por trás disso. O
Brasil tem ganhos em termos de troca
porque a cada 10% de aumento do preço do
petróleo, a gente ganha uns 7 8 bilhões
em balança comercial, mas a gente ainda
espera eh mais pro final do ano uma
certa depreciação do real. Primeiro que
há uma concentração de fluxos por
comércio nesse primeiro semestre.
Segundo que a gente espera, uma
normalização do preço do petróleo ao
longo do ano, saindo dos 100 em torno,
né, de $ o barril para mais perto de 75
o barril no final do ano. Ah, e também a
gente vai ter uma redução de juros,
então diminui o diferencial de juros,
que a gente chama de carry, eh, e isso
vai ter uma atratividade menor pra
entrada de capitais. Então, eh, isso é
mais uma direção. A gente talvez tenha
uma expectativa de um dólar por real
mais baixo do que esse 560, mas é uma
direção de depreciação, até porque entre
o início da redução de juros e o final
dela, a gente tem um processo eleitoral
no Brasil que vai ser muito disputado e
vai trazer, provavelmente ruído, sim.
Eh, e isso vai ajudar nessa composição
de uma relativa depreciação. E aí,
gente, para quem não entende porque que
o Brasil tem juros altos, né, e os mais
altos do planeta, entre os mais altos do
planeta, é fácil a gente entender quando
a gente olha esse gráfico. Desde 2012, a
gente perdeu a condição de ter um superá
nas contas públicas, o setor público no
geral, capaz de estabilizar a dívida
pública no Brasil. Naquele momento
dívida pública no Brasil tava em torno
de 55% do PIB, um pouco para baixo. Eh,
e desde então a gente não tá
conseguindo, né, pela força da
demografia que tá puxando mais eh
despesas previdenciárias, mas por falta
dessa coordenação institucional colocar
foco e prioridade no ajuste fiscal. A
gente aprovou algumas coisas muito
importantes com a reforma da
previdência, mas meses depois a gente
aprovou um FUNDEB que tirou metade da
poupança da previdência e a gente não
viu ainda resultados educacionais que
sucessem pra gente a sensação, poxa,
esse dinheiro realmente está retornando
pra coletividade brasileira. Os nossos
índices de aprendizagem continuam muito
a quem do que a gente mereceria. Eh, a
saúde também recentemente, com a
desvinculação,
com a revinculação dos gastos de saúde
eh com a receita eh governamental,
receita federal, receita do governo
federal, eh trouxe um conjunto de
recursos mais amplo paraa saúde e a
gente tem dificuldade de ver o rebate
disso em termos de benefício social, de
melhorias sociais. As emendas
parlamentares que já se aproximam de 60
bilhões. Cadê o benefício que a gente
pode trazer nisso? não ser uma
capacidade eh maior de autonomia dos
parlamentares, de reprodução dos seus
sistemas, né? eh dado que eles têm um
volume de emendas enorme e a gente
também tem eh questões eh de enfim
ligados a isso. Então, acho que o Brasil
tá lidando aí desde
2023 da pandemia, mas mais 202324
com 8% de juros em relação ao PIB pagos
todo o ano em função de uma sobrecarga
de gastos públicos sobre a economia. Mas
essa conta tá alta há muito tempo, ela
só ficou mais alta recentemente. E aí
não tenho dúvida, né? Qual é a fonte dos
nossos das nossas pressões sobre taxa de
juros no Brasil? Eh, uma coisa a taxa
Selic, outra coisa o juro estrutural.
Isso que é o principal componente. Eh, e
bom, nós temos a um mercado de trabalho
que também tá se reconfigurando. Isso é
importante a gente entender. As
discussões são muito em torno de que tá
faltando mão de obra. Isso é o principal
fator que traz pra gente a imagem de um
país que está sem capacidade ociosa para
crescer, né? Nós crescemos desde as
crises, né, de 2015, 2016, depois de
2020 com a pandemia. muito na ocupação
das da capacidade ociosa. Nós chegamos a
ter 14% de taxa de desemprego no
pós-pandemia. Hoje a gente tá com 5,5
aproximadamente e eh agora daí, né, é
muito difícil a gente acreditar que nós
vamos conseguir reduzir mais essa taxa
de desemprego pelo ciclo monetário,
juros muito apertados e porque o mercado
de trabalho mudou sua configuração a
partir da disponibilidade de plataformas
de trabalho eh diferentes, né? Hoje você
tem a possibilidade de fazer entregas ou
se você tem a possibilidade de estar
numa plataforma de marketplace, de fazer
o seu marketplace digital, de trabalhar
de casa, eh isso mudou o mundo do
trabalho e as preferências por trabalho.
Então, era uma grande oportunidade do
Brasil aproveitar esse reaculturamento
do mercado, eh, e deixar e tornar o
mercado de trabalho brasileiro mais leve
e mais flexível, eh, respeitando a a as
oportunidades que as pessoas encontram
nesse mercado de um país que tem esse
tamanho e essa dimensão. Eh, e a questão
de crédito, eu acho que eh, até
redundante eu falar aqui, nós temos a um
mercado de crédito que, mesmo com juros
tão altos, conseguiu se expandir o ano
passado em termos reais. A gente eh no
entre nós economistas, nós costumamos
falar que o impulso de crédito o ano
passado foi positivo. Como é que a gente
mede esse impulso de crédito? que são as
novas concessões, cartões de crédito,
eh, cheque especial, crédito bilateral,
crédito pessoal, crédito consignado. São
os as concessões de crédito descontadas
dos seus pagamentos que ficam mais altos
quando a gente tem juros mais altos.
Então, liquidamente, esse efeito ainda
foi positivo, comique 15%, né? Esse ano
a gente espera que esse mercado de
crédito seja mais neutro, sempre
lembrando que a gente ainda tem o
mercado de capitais. O mercado de
capitais recentemente, né, tá sendo uma
complementaridade muito importante com o
mercado de crédito bancário bilateral.
Eh, ele é um mercado que também tá
complementando toda a área de renda
fixa. Vocês imaginem grandes números,
tá? O tesouro emite títulos da dívida
todo ano, né? principal mercado de renda
fixa, eh, num volume entre 1 trilhão400,
talvez esse ano chegue 15hão e
isso é a necessidade de financiamento
anual do tesouro emissões emissões de
renda fixa. Eh, o mercado de capitais
privados já emite metade disso, né? 700,
800 bilhões. Então, já há uma
complementaridade e até uma competição
importante. Eh, esse mercado de crédito
começou a abrir os spreads recentemente
em função de alguns eventos, mas ali a
gente vê como é que o mercado funciona,
né? Ele responde ao risco, responde aos
fluxos. a gente tem uma precificação
mais precisa em função dos fatores de
mercado. A gente tem múltiplos agentes
interagindo. Esse é o mercado
funcionando e o mercado de capitais
brasileiro permite essa
complementaridade. O importante é que na
margem, agora no início do ano, a gente
levou uma surpresa com esse mercado de
crédito que ele se reativou, né? Eh,
impressionante que ele se reativa na
tanto na área do consignado privado,
esse novo consignado que foi editado o
ano passado, mas também no crédito
veicular, né, crédito de veículos, um
pouco do do excesso de oferta eh de
produtos chineses, de carros chineses
eletrificados, que puxou uma competição
maior, que tá contaminando o mercado
como um todo. Então, a indústria tá
produzindo mais, está vendendo mais e o
mercado de crédito está por trás dessa
reativação. algo de novo, surpreendente,
eh, com juros a 15%. O problema é que
esse juro do mercado veicular, ele se
descola na medida em que as montadoras
estão dando, ah benefícios, vantagens,
bônus e aí acaba se descolando da
política monetária. São fatores que
prejudicam a ou que dificultam o
trabalho do Banco Central, né? Quando
você vê uma reativação de crédito no
início de ciclo de redução de juros, um
aumento de preços com choque global eh
na área de combustíveis, mas que pode
tocar fertilizantes, fretes seguros,
isso tá contaminando aí o IPCA. Eh, tudo
isso e o mercado de trabalho ultra
resiliente. Eh, tudo isso são fatores
que dificultam o Banco Central. Então,
para terminar aqui, o que eu tenho a
dizer é que o Banco Central esse ano
começou o seu trabalho depois de um
choque de juros em final de 2024, início
de 2025, eh de uma desinflação
importante, eh, de um reedição do seu
compromisso com a meta de inflação, um
ganho de confiança, de credibilidade com
a sociedade, aumentando a sua capacidade
de eh a gente chama de potência da
política monetária, né? sua capacidade
de fazer uma política que tenha reação
nas expectativas de inflação de longo
prazo. Nós ainda temos uma expectativa
de inflação desancorada. Os choques
agora que a gente teve eh contribuem,
né, para essa desancoragem.
Eh, e o Banco Central vai ter que reagir
a isso. Mas fato é que nós temos ainda
famílias muito endividadas, ou seja, eh
a na margem, né, o espaço para essa
expansão do crédito, para esse eh
financial deepening ou desse
aprofundamento do mercado de crédito já
fica menor. Eh, muitas pessoas
negativadas, né? Então, isso é um
contraponto desse nível. auto de
endividamento. Eh, nenhum problema a
gente ter uma penetração de crédito
muito grande na sociedade. Isso é um
fator de desenvolvimento, mas o problema
é quando a gente tem juros muito altos,
então isso fica torna os fluxos eh de
despesas familiares menos sustentados e
a gente tem um nível de ah negativação,
né, ou de inadimplência já crescente
também. Eh, e também um nível de
alavancagem que pega as empresas. Vocês
imaginam as médias empresas no Brasil?
que não tem tanto acesso ao mercado de
capitais, já começam a ter mais acesso,
mas não tem tanto acesso. Como tá sendo
difícil administrar esses fluxos de
caixas por 3 anos, extremamente eh
tomados por despesas financeiras, isso
obviamente que afeta a melhor decisão
possível em termos de estratégia do
negócio. Então é uma macro ruidosa, né?
tira espaço das empresas terem seu
próprio processo de eh decisão em função
do mercado, do competidor, da
estratégia, da tecnologia, das pessoas,
enfim, dos clientes e das suas
preferências. Essa macroridosa é um
problema do país que a gente espera a
gente consiga endereçar eh não muito
longe, não muito distante.
O comprometimento da renda com
pagamentos financeiros já é praticamente
1/3 da renda das famílias, a 30%. e os
serviços da dívida eh tomam eh desde a
amortização das dos pagamentos,
obviamente, mas também principalmente
juros. Eh,
sim. Ah, nós temos a a inadimplência
subindo e isso acontece tanto nas
famílias como nas eh empresas eh pessoas
jurídicas. E a a inadimplência no
rotativo do cartão de crédito também
aumenta. A gente sabe que o rotativo do
cartão de crédito é um fator eh um pouco
peculiar no Brasil, né? Eh, são 30 dias
ali onde você reedita o tipo de dívida,
mas aí eu acho que também é um
termômetro desse desequilíbrio entre
tamanho de juros e orçamento das
famílias. E a tradução disso tudo é:
"Olha, a renda tá crescendo pelo mercado
de trabalho. A gente tem uma estimativa
de crescimento de 4% da renda real das
famílias em média esse ano com salários
ativos, transferências governamentais,
com tudo.
Não é pouco, né? Mas essa renda fica
menor quando você vê que ela tá sendo
cada vez mais tomada pelo pagamento de
juros. Então o impacto dessa renda no
consumo, a gente deve ter por
decorrência um consumo aí crescendo 2%
esse ano. Eh, e é uma economia elevada
pela demanda, né? ou seja, pressões
inflacionárias latentes. O ideal seria
uma economia elevada pela oferta, pela
capacidade de expansão dos negócios,
trazendo, né, a o mercado de trabalho
junto. Eh,
ah, bom,
acho que aqui a gente termina falando do
nosso contexto de inflação. a gente dess
por meio dessa crise, né, desse novo
conflito, os choques de preços de
petróleos e todos os componentes
derivados que eu já comentei, a gente
espera um IPCA de 4,5% esse ano, tá? Com
pressões altistas. Mas veja, nós
estávamos antes do do conflito com IPCA
3,7,
né? Eh, e convergindo, eh, para 4% o ano
que vem. Nós não mudamos o 4% do ano que
vem, porque parte desses 4,5 que a gente
agora vê para esse ano tem sim uma
inércia inflacionária, mas tem uma
devolução também, né? Como eu falei, a
gente espera alguma normalização nos
preços do petróleo e todas as cadeias
que estão relacionadas a à região do
Golf. Eh, e isso fez a gente também
mudar a nosso cenário de Selic, tá? Aqui
eu tenho algumas reflexões. Primeiro é
que eh diferentemente dos bancos
centrais das economias avançadas que têm
ancoragem de expectativas, a expectativa
de inflação futura está ancorada nas
metas que esses países têm, aqui a nossa
não está. Então, embora seja um choque
de oferta que teoricamente a política
monetária não tem condições de tratar,
né, eh existem efeitos secundários desse
choque de oferta que vêm pela inércia
inflacionária. E aí a gente vê que isso
afeta essas expectativas de inflação lá
na frente. Então, para dar um remédio,
né, e não tirar as expectativas de
inflação mais longe ainda da meta, a
gente acredita que o Banco Central tem
que dar uma dose adicional de 50 bases.
É, isso tirou a gente de um cenário de
inflação a 12% de juros de taxa selico,
para 12,5.
Mas tem um cuidado, né? A atividade tá
vindo mais forte nesse primeiro
trimestre depois de tudo que eu comentei
aqui para vocês. Se vier mais forte vai
ser mais uma dificuldade pro Banco
Central. Talvez a gente tenha que ter
ainda um espaço menor, um gradualismo
maior dessa redução de juros para fazer
frente a essa pressão que vem de
impulsos fiscais, basicamente dentro de
um ciclo eleitoral que a gente sabe que
vai acontecer esse ano. Então [roncando]
aqui é um alerta, né? Um 12,5 com uma
carinha mais autista, eh um 12 pro ano
que vem com uma eh também atenção. Esses
fluxos que estão entrando no Brasil tão
ajudando a apreciar o real e isso é
importante para aliviar preços de bens,
né? eh, principalmente bens importados
ou bens que competem com bens
importados, porque isso alivia preços e
isso pode ser um fator, né, de alívio e
de abertura de espaço paraa atuação do
Banco Central. O que que a gente precisa
para fazer isso acontecer? Aqui a minha
palavra final. a gente precisa dar um
sinal mais claro pra sociedade. E tá aí,
né, a oportunidade das eleições, do
debate eleitoral, que o Brasil vai
continuar investindo nas reformas
estruturais, que o Brasil vai voltar a
investir mais pesadamente na reforma das
contas públicas, do orçamento público,
das contas públicas em si, para aliviar
a conta de juros. E isso, provavelmente
traz uma visão maior eh de investimentos
que são viáveis. Imaginam com juros a
8%, né? O custo de capital ele tem que
compensar, os projetos têm que ter um
retorno maior que esse custo de capital
para eles serem viáveis. Se você baixa
esse custo, uma um número muito maior de
projetos se torna viável. Isso ativa o
investimento no país, ativa o
crescimento de longo prazo. E a gente
precisa fazer do Brasil um país com uma
macroeconomia menos ruidosa. A gente
precisa esquecer da macroeconomia para
as empresas serem bem-sucedidas. Eu fico
por aqui. Muito obrigada pela audiência.
Ótimo evento para vocês. Muito bom estar
com vocês aqui hoje. Obrigada. [música]
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur. Excepteur sint occaecat cupidatat non proident, sunt in culpa qui officia deserunt mollit anim id est laborum.
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